O mercado de seguros na América Latina

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1 O mercado de seguros latino-americano O mercado de seguros na América Latina Dezembro 2009 Instituto de Ciencias del Seguro 1

2 O MERCADO DE SEGUROS NA AMÉRICA LATINA

3 Se autoriza la reproducción parcial de la información contenida en este estudio siempre que se cite su procedencia. 2009, FUNDACIÓN MAPFRE Centro de Estudios Paseo de Recoletos, Madrid Tel.: Fax:

4 O mercado de seguros latino-americano SUMÁRIO 1. APRESENTAÇÃO O MERCADO DE SEGUROS LATINO-AMERICANO Contexto macroeconômico Mercado de seguros ANÁLISES POR REGIÕES E PAÍSES México América Central, Porto Rico e República Dominicana América Central Porto Rico República Dominicana América do Sul Argentina Bolívia Brasil Chile Colômbia Equador Paraguai Peru Uruguai Venezuela...88 ANEXO ESTATÍSTICO

5 O mercado de seguros latino-americano APRESENTAÇÃO A FUNDACIÓN MAPFRE apresenta a oitava edição do relatório O mercado de seguros latino-americano, que nesta ocasião contém informação do ano de 2008 e primeiro semestre de O objetivo do estudo é fornecer uma visão geral da situação atual do mercado de seguros nos países da América Latina. Para isso, da mesma forma que em edições anteriores, foi incluído um resumo do contexto econômico em que se desenvolveu a atividade seguradora de cada um dos países estudados, sendo analisada, ainda, a evolução do seguro a partir de informação setorial relativa à produção de seguros por segmentos, sinistralidade, resultados, número de companhias e ranking dos grupos seguradores. Como se tornou habitual, na elaboração deste estudo foram utilizadas como fontes de informação as publicações dos órgãos de supervisão de seguros e das associações de seguradores de cada país. Com o objetivo de facilitar a comparação entre países, aplicou-se o critério utilizado na Espanha para a classificação dos segmentos de Vida e Não Vida. Por este motivo, os seguros de Saúde, Morte e Acidentes de trabalho, que em alguns países são considerados segmentos Vida, foram classificados neste relatório como seguros Não Vida. É importante destacar que continuou aprofundando-se na homogeneização da classificação de prêmios por segmentos, com a revisão dos dados de alguns países. Ao longo do relatório são utilizados índices de variação nominal e real. Convém esclarecer que, salvo expressamente informado o contrário, referem-se a variações nominais. Os aumentos médios regionais do volume de prêmios são calculados como a média ponderada dos crescimentos nominais em moeda local, considerando-se que a ponderação é o peso que cada mercado de seguros tem sobre as receitas totais, em euros, de cada uma das regiões. O cálculo das taxas descritivas que aparecem no estudo (sinistralidade, despesas e taxa combinada) foi elaborado sobre prêmios imputados, líquidos de resseguro. Os prêmios imputados mantém correspondência com a denominação utilizada em grande parte destes países prêmios futuros líquidos ou prêmios ganhos líquidos. 5

6 O mercado de seguros latino-americano O mercado de seguros latino-americano

7 O mercado de seguros latino-americano O MERCADO DE SEGUROS LATINO-AMERICANO CONTEXTO MACROECONÔMICO 1 O exercício 2008 foi positivo para a economia da América Latina, muito embora os efeitos da crise financeira internacional, principalmente na última parte do ano, tenham influenciado na moderação do seu crescimento. De acordo com dados publicados pela CEPAL, o PIB da América Latina e Caribe cresceu 4,2% em 2008, em relação a 5,8% no ano anterior. É preciso destacar que depois de seis anos consecutivos de expansão econômica, ocorreram importantes avanços estruturais na região, tais como disciplina fiscal, com superávits primários e nível de dívida pública decrescente; inflação baixa e estável, com política monetária ortodoxa e regime de taxas de câmbio flexíveis, além de reformas que possibilitaram às instituições e mercados financeiros atrair capitais de países desenvolvidos com prêmios de risco baixos. Graças a estes avanços, pode-se afirmar que a América Latina encontra-se em melhor situação que no passado para enfrentar uma crise econômica como a atual. A moderação do crescimento econômico em 2008 foi influenciada, além da crise financeira internacional, por outros fatores de difícil quantificação, como a destruição de riqueza provocada pela redução dos preços dos ativos e os efeitos da deterioração das expectativas sobre o investimento e o consumo privado. O consumo público, ao contrário, aumentou, o que está relacionado com as políticas fiscais promovidas pelos governos para atenuar o efeito das crises. Em certos casos, a redução das remessas de emigrantes repercutiu de forma significativa na evolução do consumo privado. O impacto macroeconômico da crise na região refletiu-se na redução de exportações, nas reduções de investimento e na desaceleração do consumo privado. Por sua vez, a redução dos fluxos de investimento estrangeiro direto influiu na queda do investimento. Na maioria dos países, como reflexo da atividade econômica, o nível de geração de emprego se manteve até o último trimestre de 2008, quando se observou uma considerável deterioração da situação do mercado de trabalho, que se estendeu até o primeiro trimestre de A diminuição da taxa de ocupação nestes dois trimestres contrasta com a melhora dos indicadores de emprego do período , nos quais a taxa de desemprego regional baixou de 11 % para 7,4%. A inflação em 2008 aumentou até 8,4%, dois pontos acima do índice de 2007 (6,4%), afetando todos os países da região. A inflação começou a desacelerar de forma importante em setembro de 2008, após a brusca queda dos preços internacionais dos alimentos e dos combustíveis; também contribuiu para essa desaceleração o impacto negativo da crise internacional na demanda interna dos países da região. No tocante à balança de bens e serviços, em 2008 podem ser observadas duas etapas nitidamente diferenciadas; nos três primeiros trimestres, o comércio de bens aumentou significativamente as exportações e importações. As exportações aumentaram em valor a uma taxa média de 26,5%, embora os volumes tenham se expandido a um ritmo menor. O comportamento das importações trimestrais foi similar, já que aumentaram 28,5%, em média. No entanto, a partir do quarto trimestre, começaram a ser percebidos os efeitos da crise econô- 1 Comentários baseados na publicação Estudo econômico da América Latina e Caribe , da Comissão Eco nômica para a América Latina e Caribe (CEPAL). 7

8 O mercado de seguros latino-americano mica internacional, com queda de 10,4% nas exportações, como consequência da redução da demanda externa, que afetou tanto os volumes quanto os preços. O efeito da contração da demanda externa, tal e como se esperava, foi maior na América Central e México, cujas economias são relativamente mais abertas e onde uma grande parte de seus bens são exportados para os Estados Unidos. De acordo com as previsões da CEPAL, o PIB dos países da América Latina e Caribe sofrerá uma contração de 1,8% em 2009, interrompendo seis anos consecutivos de expansão econômica. Este comportamento da economia deve ser situado em um contexto de crise global, que afetou a região de forma mais intensa no último trimestre de 2008 e início de As repercussões da crise refletiram principalmente em forte retração de exportações, na queda dos preços dos produtos básicos e termos de troca, bem como na perda de receitas provenientes das remessas de emigrantes e do turismo. Contudo, no segundo semestre de 2009, começou-se a antever uma recuperação que se generalizou na segunda metade do ano. 2.2 MERCADO DE SEGUROS Em 2008, os mercados de seguros da América Latina seguiram mostrando sinais de força, com aumentos nominais e reais em moeda local na emissão de prêmios em todos os países, à exceção de Porto Rico, gerando um crescimento médio de 16,9%, dois décimos abaixo de O crescimento médio real em moeda local ficou em 6,8%, frente aos 11,4% do ano anterior. De forma inversa ao que ocorreu em 2007, o crescimento médio da América Central, ou 10,8%, foi levemente superior ao da América do Sul (9,8%). Crescimentos nominais em moeda local Figura 1. Variação do volume de prêmios 2008 na América Latina. Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pelo órgão supervisor de seguros de cada país. Porto Rico registra o prêmio per capita mais alto da região, com /hab., seguido do Chile (270 /hab.), Venezuela (254 /hab.), Brasil (186 hab.), Panamá (156 /hab.), Argentina (130 /hab.) e México (117 /hab.). Bolívia e Nicarágua, com 13 /hab., são os países com o prêmio per capita mais baixo. 8

9 O mercado de seguros latino-americano Figura 2. América Latina. Prêmios per capita 2008 Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pelo órgão supervisor de seguros de cada país e pela CEPAL. Com relação à penetração do seguro (% Prêmios/PIB), é destaque novamente o dado vindo de Porto Rico, com 15,5%, seguido do Chile (3,9%), Panamá, Brasil e Venezuela. (3,3%), e Argentina (2,3%) Figura 3. América Latina. Penetração do seguro 2008 Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pelo órgão supervisor de seguros de cada país e pela CEPAL. 9

10 O mercado de seguros latino-americano O volume de prêmios da América Latina em euros superou os 69 bilhões em 2008, com um crescimento nominal de 11% em relação a O segmento Não Vida mostrou melhor comportamento que o segmento Vida, ainda que uma menor expansão da atividade econômica e a forte concorrência nos preços tenham refletido na moderação de seu crescimento, de 11,6%, índice muito similar ao de 2007 (12%). Por sua vez, a emissão de prêmios do seguro de Vida foi de 25 bilhões de euros, com uma variação positiva de 10% em relação ao ano anterior. Os países que registraram maior crescimento no volume de prêmios em euros foram Venezuela (36,3%), Paraguai (33,4%) e Uruguai (26,9%). Como ocorreu no exercício anterior, a recuperação experimentada pelo euro frente à maioria das divisas locais não favoreceu a conversão para euros das receitas por prêmios da região. As moedas da Bolívia, Paraguai e Uruguai, ao contrário, foram valorizadas. Dados em milhões de euros. Crescimentos nominais em euros Figura 4. América Latina. Volume de prêmios 2008 por país Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pelo órgão supervisor de seguros de cada país. A concentração do mercado diminuiu dois décimos em 2008, com os sete maiores mercados de segurados da região detendo 93,6% dos prêmios. Brasil e México continuam sendo os dois maiores mercados por volume de prêmios, passando a Venezuela a ocupar o terceiro lugar, na frente de Porto Rico. Argentina, Chile e Colômbia seguem ocupando a quinta, sexta e sétima posições, respectivamente. O ocorrido nos principais mercados de segurados da região pode ser resumido nos pontos descritos abaixo: Na Argentina foi observada uma significativa contração do segmento de Vida previdenciária, devido à transferência para o Estado dos seguros por Invalidez e Morte. Os seguros Não Vida 10

11 O mercado de seguros latino-americano seguem sendo os principais propulsores do desenvolvimento do mercado, com destaque para os aumentos dos segmentos de Automóveis e Acidentes de trabalho. O produto Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) continuou sendo o principal propulsor do crescimento do seguro de Vida no Brasil. Os segmentos Não Vida registraram uma aceleração em sua taxa de crescimento, proveniente principalmente do seguro de Automóveis, em função do forte aumento nas vendas de veículos, e dos seguros de extensão de garantia, vinculados à venda de aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos. No Chile ocorreu uma desaceleração no crescimento dos seguros de Vida devido principalmente à queda da demanda de Rendas Vitalícias, motivada pela incerteza sobre a eventual evolução dos mercados financeiros, bem como a uma relativa saturação do mercado de seguros coletivos. Todos os segmentos Não Vida, com a única exceção de acidentes pessoais, registraram crescimento no volume de prêmios. Mais uma vez, as companhias de Vida foram as principais impulsionadoras do crescimento do mercado de seguros na Colômbia, especialmente o negócio de grupos, em virtude do aumento de contribuintes e o crescente nível de massificação deste tipo de seguros, bem como o de Rendas Vitalícias, pela crescente demanda dos aposentados. O crescimento dos seguros Não Vida advém, principalmente, dos segmentos de Automóveis, devido ao crescimento do número de veículos segurados e aumento das tarifas, e Acidentes de trabalho. Prêmios em milhões de euros Figura 5. América Latina. Volume de prêmios 2008 por segmentos Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pelo órgão supervisor de seguros de cada país. No México, o seguro de Vida cresceu 10% (em moeda local), graças ao seu privilegiado tratamento fiscal e ao desenvolvimento do negócio de banco-seguros. Os seguros de Pensões mantiveram a tendência de crescimento do exercício anterior, aumentando em 21,2%. O segmento Não Vida foi influenciado pelo baixo crescimento do seguro de automóveis, como conseqüência da queda nas vendas de veículos, e pela contração dos seguros de Danos, devido ao fato de que as apólices de seguros de uma grande corporação do país, emitidas em 2007, serão somente renovadas em

12 O mercado de seguros latino-americano A contração econômica que começou em 2005 acabou por afetar a indústria de seguros de Porto Rico. Os segmentos de Vida registraram uma retração nominal de 9,4% e real de 16%, originada pela redução dos benefícios sociais oferecidos pelas empresas aos seus funcionários e pela baixa capacidade de poupança e confiança do consumidor, em virtude da crise econômica. Os prêmios dos seguros Mistos (Property/Casualty) caíram, devido à concorrência de preços e fragilidade da economia, e o segmento de Saúde, que concentra mais das três quartas partes dos prêmios do segmento Não Vida, registrou o maior crescimento do mercado, graças às vendas do produto Medicare. As receitas do setor segurador da Venezuela originaram-se principalmente da contratação de apólices pelo setor público e do ajuste dos preços à inflação, que foi de 31%. O seguro de Vida acumula apenas 2,5% dos prêmios, sendo os segmentos de Saúde e Automóveis os verdadeiros impulsionadores do mercado. Entre outros fatos relevantes que ocorreram em 2008, merecem destaque: Em dezembro de 2007 o órgão regulador de seguros publicou as regras do novo modelo de Resseguro no Brasil, substituindo o monopólio do IRB Brasil Re por um novo modelo de livre mercado. De acordo com o programado, a abertura do mercado de resseguro ocorreu em 17 de abril de Nos primeiros nove meses do ano, o IRB Brasil Re continuou concentrando aproximadamente 92% dos prêmios de resseguro do país. Publicação da Lei Reguladora do Mercado de Seguros na Costa Rica, em julho de Esta Lei extinguiu o monopólio estatal de seguros, administrado pelo Instituto Nacional de Seguros (INS) durante 84 anos, e oferece a possibilidade a seguradoras, nacionais e estrangeiras, de oferecer seus produtos na Costa Rica. A Lei estabelece a criação da Superintendência Geral de Seguros, encarregada de fiscalizar o cumprimento da Lei e da regulação que venha a ser expedida pelo Conselho Nacional de Supervisão do Sistema Financeiro (CONASSIF). O INS é mantido como instituição seguradora estatal, mas terá que obedecer aos mesmos requisitos e regras comuns às demais entidades seguradoras que venham a se estabelecer no país. Entre as companhias seguradoras que já tramitaram as respectivas autorizações para acesso ao mercado costa-riquenho, estão: Aseguradora Mundial, de capital panamenho, Alico, a americana Pan American Life e Seguros del Magisterio, de capital nacional. Em novembro de 2008 o Congresso argentino aprovou a Reforma da Previdência Social, que acaba com o sistema de capitalização individual, gerenciado pelas administradoras privadas, transferindo-o para um sistema único integrado de distribuição e administração pública. O microseguro, como instrumento financeiro destinado a melhorar as condições de vida das camadas mais desfavorecidas da população, tem sido objeto de interesse de alguns dos poderes públicos de alguns dos países da região, tendo sido realizadas algumas iniciativas legislativas destinadas a introduzir este produto no mercado e estimular seu desenvolvimento. No tocante às movimentações empresariais realizadas no exercício 2008, merece especial menção, por sua maior relevância, a fusão do Itaú e Unibanco no Brasil, criando o maior grupo financeiro privado da América Latina, e a aquisição da ING Seguros, a terceira maior seguradora do México, pelo grupo AXA. No primeiro semestre de 2009 os mercados de seguros da América Latina 2 seguem mostrando sinais de força, com aumentos nominais no volume de prêmios em moeda local em todos os países, à exceção do Chile (-12,3%). Chile e El Salvador registraram quedas nos segmentos Não Vida, e na Argentina, Chile, e Porto Rico o mesmo ocorreu com Vida. 2 A Costa Rica não está incluída pela falta de dados.

13 O mercado de seguros latino-americano As receitas por prêmios expressas em euros foram de bilhões, com aumento nominal de 7,3%, com relação ao mesmo período do ano anterior. Por subregiões, a América Central registra a maior subida nominal, de 19,4%, frente ao crescimento de 7,3% da América do Sul. O setor de seguros mexicano apresenta uma taxa de variação nominal de 0,5%, Porto Rico de 20,2% e República Dominicana de 13,2%. A valorização do dólar estado-unidense e de otras moedas locais com relação ao euro, nesse, período, favoreceu a conversão para euros das receitas por prêmios de alguns países da região. De forma inversa, as moedas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Honduras, México, Paraguai e Uruguai, foram desvalorizadas frente ao euro. O maior aumento ocorreu no segmento Não Vida, de 13%, graças ao bom comportamento dos segmentos de Saúde, Incêndio e Acidentes de trabalho. O seguro de Automóveis teve uma evolução bastante diversa em cada um dos países, com um crescimento de 0,7% para o conjunto da região. O seguro de Vida registrou uma queda de 2,5%, em consequência das menores receitas obtidas nos mercados de seguro da Argentina, Chile, México e Porto Rico, e pela moderação do crescimento nos demais países. No caso da Argentina, a retração foi influenciada pela transferência dos seguros previdenciários do sistema privado para o público; no Chile, as Rendas Vitalícias registraram uma redução de 29,5%; em Porto Rico, a evolução negativa do seguro de Vida está relacionada com a situação econômica em que se encontra a ilha; o seguro de Vida no México cresceu 9,6%, em moeda local, de modo que sua retração se deve à desvalorização do peso frente ao euro. Dados em milhões de euros. Aumentos nominais em euros (*) Estimado Figura 6. América Latina. Volume de prêmios janeiro-junho 2009 por país Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pelo órgão supervisor de seguros de cada país. Ao longo de 2009 foram celebrados dois importantes acordos empresariais entre os dois maiores grupos seguradores da região, a holding Itaú Unibanco e MAPFRE: 13

14 O mercado de seguros latino-americano No final de agosto, o Itaú Unibanco Holding e a Porto Seguro comunicaram a assinatura de um acordo pelo qual as duas empresas unificaram suas operações de seguros de Automóveis e Residencial. Este acordo será implementado através de uma reorganização societária. No final do ano, a MAPFRE e o Banco do Brasil anunciaram a assinatura de um acordo de intenções para negociar a formação de uma parceria estratégica, cujo objetivo consistirá no desenvolvimento conjunto de ambos os grupos no mercado brasileiro de negócios de Pessoas, Seguros Gerais e Autos. 14

15 3. Análise por regiões e países 15

16 México 3. ANÁLISE POR REGIÕES E PAÍSES 3.1 MÉXICO Contexto macroeconômico Afetada pela crise que atravessa a economia mundial, a atividade econômica mexicana foi enfraquecendo ao longo de 2008, registrando uma taxa de crescimento do PIB de 1,3%, dois pontos percentuais inferiores a 2007, o que significou um aumento de apenas 0,2 % do PIB por habitante. A desaceleração da demanda interna e externa contribuiu de forma significativa para o enfraquecimento da atividade econômica. O consumo privado foi reduzido gradualmente, até 1,5%, em consequência à redução do crédito para o consumo, perda da massa salarial em termos reais, e diminuição ocorrida nas remessas familiares. A formação bruta de capital fixo mostrou comportamento desigual ao longo do ano. Durante a primeira metade do ano o investimento manteve a tendência de alta e a partir do terceiro trimestre observou-se uma tendência negativa, reflexo do comportamento do investimento privado. O PIB do setor primário registrou um aumento anual em termos reais de 3,2% e a produção do setor secundário (industrial) sofreu uma queda de 0,7%, influenciada pelas reduções ocorridas na mineração (2,2%), manufaturas (0,4%) e construção (0,6%). Com relação à indústria, os maiores retrocessos foram detectados na fabricação de equipamentos de informática e eletrônicos (-13,6%). Figura 7. México. PIB Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pela CEPAL e o Banco de México. A apatia do consumo privado também se refletiu na deterioração paulatina dos indicadores do mercado de trabalho, com diminuição na oferta de emprego e aumento da taxa de desemprego, que atingiu os 4% (3,7% em 2007). 16

17 México A taxa anual de inflação ficou em 6,5%, 2,7 pontos superior à a registrada em Entre os fatores que colaboraram para esse aumento, incluem-se o significativo aumento dos preços internacionais de diversas matérias-primas alimentícias e a subida dos preços dos combustíveis e metais, principalmente aço e cobre, querepercutiram no custo dos materiais para construção. Também contribuiu para este repique inflacionário a desvalorização do peso a partir de setembro. Em consequência à menor demanda externa, proveniente tanto dos Estados Unidos quanto de outros parceiros comerciais, as exportações de bens e serviços registraram uma importante redução em sua taxa de crescimento a partir do segundo trimestre. Por outro lado, mesmo tendo ocorrido uma desaceleração no ritmo de crescimento das importações, este foi superior ao das exportações, gerando um aumento do déficit comercial. Mercado de seguros Em 2008, o setor segurador mexicano atingiu um volume de prêmios de bilhões de pesos, bilhões de euros, o que supõe um crescimento nominal de 8,4% e real de 1,7% - em comparação com o aumento de 16,3% nominal e 12,1% real registrados no ano anterior -. Esta evolução corresponde principalmente ao crescimento moderado das receitas do segmento Não Vida, de 6,4% em 2008, muito inferior aos 18,8% registrados no ano anterior. O segmento Vida gerou receitas de bilhões de pesos, bilhões de euros, 10% a mais que no ano anterior, graças ao tratamento fiscal privilegiado e ao desenvolvimento do negócio de bancos-seguros. Por sua vez, os seguros de Pensões provenientes das Leis da Previdência Social mantiveram a tendência de crescimento do exercício anterior, aumentando em 21,2% e obtendo um volume de receitas no valor de bilhões de pesos (473 milhões de euros). Figura 8. México. Volume de prêmios 2008 por segmentos (1) Prêmio Direto (2) Segmento de Acidentes e Doenças. Fonte: Elaboração própria, a partir de dados publicados pela Associação Mexicana de Instituições de Seguros e Comissão Nacional de Seguros e Fianças 17

18 México Os segmentos Não Vida atingiram um volume de premios de bilhões de pesos, bilhões de euros, o que representa uma queda real de 0,1% em comparação ao ano anterior. Este resultado responde pelo baixo crescimento do seguro de Automóveis, em consequência à queda das vendas de veículos e à redução do volume de prêmios do segmento de Incêndio. Os segmentos que apresentaram maior dinamismo foram Diversos, Agrários e Crédito. Figura 9. México. Evolução de prêmios e participação de mercado 2008 por segmentos No fim de 2008, o setor segurador era formado por 100 companhias, 5 a mais que em 2007, das quais quinze estavam vinculadas a algum grupo financeiro e 59 tinham capital majoritariamente estrangeiro (46 em 2007) com autorização para operar como filiais de instituições financeiras do exterior. Em 2008 ocorreram algumas variações no ranking total de grupos seguradores, que continua liderado pela Metlife México, com participação de 15%. A novidade mais importante é a entrada no ranking do grupo francês Axa, após a adquisição da divisão de seguros no México da holandesa ING, o que o coloca diretamente na terceira posição, com uma participação de 11,7%. Com relação aos demais, a BBVA Bancomer e a Qualitas sobem uma posição, e a Banorte Generali e Inbursa, descem uma posição. Figura 10. México. Ranking Total Fonte: elaboração própria, a partir da informação da Comissão Nacional de Seguros e Fianças. Observação: Não inclui Pensões 18

19 México Em Não Vida, a Axa lidera o ranking com participação no mercado de 15,5%, deslocando o Grupo Nacional Provincial (GNP) para a segunda posição. Sobem posições a Qualitas, Metlife e Zurich, enquanto a Inbursa desce uma posição e a Banorte Generali desce duas posições. As demais posições, com as respectivas companhias, são mantidas. Figura 11. México. Ranking Não Vida Fonte: elaboração própria, a partir da informação da Comissão Nacional de Seguros e Fianças. No segmento Vida, os dez primeiros grupos acumularam 95,4% dos prêmios. A Metlife México segue liderando o ranking, com uma participação de 29,9%, seguida pela BBVA Bancomer e GNP. A Seguros Santander passa a integrar o ranking na nona posição e a Seguros Argos, que em 2007 ocupava o nono lugar, deixa de figurar no ranking. Figura 12. México. Ranking Vida Fonte: elaboração própria, a partir da informação da Comissão Nacional de Seguros e Fianças. Observação: Não inclui Pensões 19

20 México Resultados O resultado líquido das empresas de seguros foi de bilhões de pesos (794 milhões de euros), aproximadamente 3% superior ao ano anterior. Este ligeiro aumento obedece a um resultado financeiro favorável de bilhões de pesos, posto que o resultado técnico registrou perdas de bilhões de pesos, o que provocou uma subida de 7 pontos na taxa combinada, que ficou em 110%. A piora do resultado técnico deveu-se a um aumento de cinco pontos do índice de sinistralidade, em consequência ao aumento do custo médio do sinistro, e a um aumento de três pontos do índice de despesas. O resultado sobre prêmios se manteve em 9%. Figura 13. México. Resultado da conta técnica Fonte: elaboração própria, a partir da informação da Comissão Nacional de Seguros e Fianças Fusões e aquisições Em julho de 2008 foi finalizado o processo de venda da divisão de seguros do grupo ING para o grupo Axa, após aprovação pelas autoridades mexicanas. Com esta aquisição o grupo francês iniciou suas operações no México, posicionando-se entre os primeiros lugares do ranking dos grupos seguradores. A Criteria CaixaCorp, holding de investimentos controlada pela empresa espanhola A Caixa, completou em outubro de 2008 a compra da participação de 20% no Grupo Financiero Inbursa, uma vez obtidas as autorizações exigidas pelos órgãos reguladores mexicanos e espanhóis. A GF Inbursa administra seguros Inbursa, a quinta seguradora mexicana por volume de prêmios. Primeiro semestre 2009 O setor segurador mexicano atingiu um volume de prêmios de bilhões de pesos (6.489 bilhões de euros) no primeiro semestre de 2009, com aumento nominal de 14,8% e real de 13,4%. 20

21 México Figura 14 México. Volume de prêmios 2009 por segmentos (1) Prêmio directo (2) Segmento de Acidentes e Doencas Fonte: Elaboração própria, a partir de dados publicados pela Associação Mexicana de Instituições de Seguros e Comissão Nacional de Seguros e Fianças O segmento Vida, com um crescimento nominal de 9,6%, obteve receitas de bilhões de pesos (2.766 bilhões de euros). No segmento Não Vida, o crescimento foi muito superior (19%), devido ao extraordinário aumento do segmento de Incêndio, influenciado pela renovação plurianual de uma apólice da Petróleos Mexicanos 21

22 América Central 3.2 AMÉRICA CENTRAL, PORTO RICO E REPÚBLICA DOMINICANA AMÉRICA CENTRAL Contexto macroeconômico A incerteza financeira mundial e a desaceleração da economia dos Estados Unidos afetaram negativamente as economias da região, de forma que o crescimento médio do PIB foi de 4,3%, dois pontos abaixo do de Não obstante, o fato de a região continuar crescendo, mesmo com a deterioração do cenário externo, representa um acontencimento bastante positivo. Os principais motores da economia contianuaram sendo o consumo privado, favorecido pelas remessas dos trabalhadores emigrantes, exportações e construção civil, ainda que seu ritmo de crescimento tenha sido inferior àquele registrado em 2007, em virtude das importantes mudanças ocorridas no cenário global. Na primeira metade do ano a subida dos preços internacionais de grãos básicos e de petróleo significou um repique importante na inflação, tendência que mudou na segunda metade do ano, em consequência à deterioração das condições econômicas mundiais e à brutal retração dos preços das matérias primas. As taxas de inflação dos países centro-americanos, no final do ano, situaram-se entre os 5,5% de El Salvador e os 13,9% da Costa Rica. Figura 15. América Central. PIB 2008 Fonte: elaboração própria, a partir da informação publicada pela CEPAL Apesar da deterioração das condições econômicas internacionais, o comportamento da economia do Panamá foi positivo em 2008, com crescimento do PIB de 9,2%, graças à expansão do investimento, especialmente na construção. Os setores de maior crescimento foram, nesta ordem, construção (30%), transporte, armazenagem e comunicações (15,7%), além de hotéis e restaurantes (9,3%). 22

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