TÍTULO / TÍTULO: A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA AUDIOVISUAL ENTRE O TELEJORNALISMO E O CINEMA

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1 TÍTULO / TÍTULO: A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA AUDIOVISUAL ENTRE O TELEJORNALISMO E O CINEMA AUTOR / AUTOR: Iara Cardoso INSTITUIÇÃO / INSTITUCIÓN: Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) Unicamp, Brasil CORREIO ELETRÔNICO / CORREO ELECTRÓNICO: EIXO / EJE: Divulgação e informação científica PALAVRAS-CHAVE / PALABRAS CLAVE: Telejornalismo, Cinema Ficção, Divulgação Científica RESUMO / RESUMEN O trabalho analisa e compara os diferentes modelos presentes nos vídeos audiovisuais, com a intenção de explorar as possibilidades de linguagens e formatos que existem e avaliar como cada característica específica pode contribuir para a divulgação científica. Os modelos audiovisuais do telejornalismo, cinema ficção, cinema documentário e institucional são expostos e caracterizados sob diversos parâmetros. São analisados roteiros específicos dos gêneros de telejornalismo e cinema ficção, que ocupam dois extremos na área audiovisual. Posteriormente, foi possível notar como a maioria das obras do cinema documentário e institucional recai sobre o formato trabalhado no telejornalismo. O trabalho propõe uma análise contemporânea a partir da escola de cinema Hollywoodiana e brasileira e da escola de telejornalismo brasileira e de Nova York. A análise foi feita a partir de obras audiovisuais. Para trabalhar os conceitos foram utilizados como exemplo vídeos de cada uma das categorias, dirigidos pela autora deste trabalho nos últimos três anos. O objetivo final do presente trabalho consiste em propor uma convergência dos diferentes formatos e linguagens de vídeos de modo a obter uma divulgação científica diferenciada, interessante e acima de tudo eficaz no meio audiovisual.

2 1. Introdução O trabalho analisa e compara inicialmente o modelo audiovisual do cinema ficção e do telejornalismo de acordo com os seguintes parâmetros: roteiro, preparação, tipos de imagens gravadas, tecnologia utilizada, composição das imagens, estilo de edição, iluminação, entrevista/diálogo, estrutura e linguagem. O objetivo é identificar como é possível mesclar pontos positivos de ambos os formatos para ampliar o potencial da divulgação científica no meio audiovisual. 2. Desenvolvimento 2.1. Telejornalismo No telejornalismo, algumas questões são mais simples do que no cinema. Em relação à preparação, o telejornalismo diário não utiliza formulários de direito de imagem dos entrevistados e também não faz agendamento de locações para as gravações. Neste estilo audiovisual o pilar central são os offs (locução feita pelo repórter), que conduz o conteúdo que será abordado. Sendo assim, para se fazer uma boa matéria é preciso que haja uma programação de que imagens serão necessárias para cobrir (entrar ao mesmo tempo) as informações do off. Por exemplo, para uma matéria sobre o setor elétrico, imagens de linhas de transmissão, subestações e linhas de distribuição, serão indispensáveis. As entrevistas, conhecidas como sonoras, são outro elemento essencial para o telejornalismo. Elas tendem a seguir sempre o padrão do entrevistado olhando para o repórter, sem que o repórter apareça no enquadramento. O plano mais usado é o plano médio, em que o entrevistado aparece enquadrado da cintura para cima. As imagens gravadas para usar na matéria normalmente seguem o seguinte padrão: gerais (para cobrir o início do off e contextualizar a informação), zoom in ou zoom out, pan (movimento lento, normalmente da esquerda para a direita) e imagens de apoio (por exemplo, de um pesquisador e um jornalista para usar quando o pesquisador é citado em off). A linguagem utilizada coloca a informação como verídica e incontestável, já que uma voz explica o assunto. Existe também um posicionamento de distância do telespectador em relação ao vídeo, ele não se envolve a ponto de se transportar para os locais mostrados. Além disso, o telespectador sabe que o vídeo é um recorte da realidade (foi editado) e não vê problemas nisto. Como já dito anteriormente, as imagens são selecionados para cobrir o off e, portanto, a edição não mostra uma progressão e sim uma sequência de imagens que não possuem uma ligação direta entre uma e outra. O único cuidado que tem de ser tomado é em relação ao ritmo da

3 edição (tempo de duração de cada imagem) para que não seja cansativo e também para que os movimentos de câmera de cada tomada fiquem dispostos em uma sequência equilibrada visualmente. Geralmente, não se deve colocar um zoom out e um zoom in em seguida um do outro. Já a iluminação visa sempre fazer com que o repórter, entrevistado, personagem, entre outros, fiquem com o rosto bem iluminado, de forma a torná-los sempre com uma aparência melhor. A iluminação é mais chapada e sem texturas. Já o roteiro, ou o espelho da matéria no caso do telejornalismo, apresenta uma estrutura repleta de offs e sonoras, que fazem com que o formato do vídeo tenha características audiovisuais específicas. A maior parte das matérias apresenta passagens, momentos em que aparece o repórter, que são utilizadas para enfatizar algum ponto da matéria, transmitir a informação de alguma fonte que não pode ser entrevistada ou apontar a proximidade do repórter com algo importante do local onde está sendo feita a gravação. Já as matérias especiais, muitas vezes não possuem passagens, como é o caso do espelho da matéria exemplificada na Fig. 1. Figura 1: Modelo de roteiro utilizado para telejornalismo Outros estilos audiovisuais também utilizam o formato e estrutura do telejornalismo, como é o caso do vídeo institucional e do documentário. O vídeo institucional normalmente utiliza o

4 formato padrão de telejornalismo, mas sem passagens. Já o documentário, pertence a uma das quatro categorias de cinema, sendo elas: animação, ficção, vanguarda e documentário. O documentário é um dos gêneros mais flexíveis e pode misturar o formato do cinema ficção e o telejornalismo. Entretanto, atualmente a estrutura assemelha-se mais a do telejornalismo e o elemento do cinema ficção que mais aparece é o prazer ou a catástrofe, como é o caso do documentário A Marcha dos Pinguins e Uma Verdade Inconveniente. A chegada de câmeras menores e das novas tecnologias audiovisuais também tem permitido que o gênero utilize uma nova estética, incorporando o estilo reality shows aos documentários contemporâneos. 2.2 Cinema Ficção A preparação para realizar um vídeo de cinema ficção prevê diversas questões, que não são necessárias no telejornalismo (é importante esclarecer que sempre que for citada apenas a expressão cinema, esta designa o gênero do cinema ficção). É necessário pedir permissão para realizar gravações (feitas em sistema digital) ou filmagens (feitas em rolo de filme) em determinadas locações. Existe um departamento específico para figurino e objetos de cena. Para este gênero, além da lista de cada plano que será feito, torna-se necessário o storyborad, que mostra em sequência o desenho de cada plano que será feito e traduz o storyline, progressão a cada plano do personagem. A equipe para realização de um filme é muito maior do que as equipes enxutas do telejornalismo e ainda existe sempre um grande elenco. Existe uma preocupação mais evidente com a composição da imagem no cinema, um das regras utilizadas é a de dividir a tela em terços e nunca posicionar o personagem principal no centro da tela e sim em um dos terços. A edição pode ser dividida em dois aspectos importantes: a continuidade e os jump cuts. A continuidade prevê cortes de forma que a ação sempre permaneça contínua. Já os jump cuts, podem ser vistos como erro se ocorrem no momento em que a intenção é dar continuidade, mas são muito adequados se o que se pretende é fazer cortes para frente no tempo. Neste último caso, a intenção proposital é a de que o ator esteja em um local em uma cena e em outro distinto na próxima, o que nos parece um pulo e dá idéia de que um longo tempo se passou entre uma cena e outra. No cinema, ao invés de entrevistas, temos diálogos e fala de atores. Os planos mais utilizados são o ponto de vista (imagem que mostra o que determinada pessoa está vendo), também é usada a pan, plano reverso (ponto de vista contrário), over the shoulder (diálogo, mostrando um personagem e o ombro do outro) e o close up (plano feito bem de perto, de detalhe do rosto, por exemplo). As mesmas cenas são feitas e gravadas de vários ângulos para compor

5 na edição, é importante que se aproveite todos os planos que podem ser feitos de determinado local, antes de mover a câmera para o próximo setting. A linguagem utilizada tem intenção de criar um mundo real, para o qual as pessoas possam se transportar, outro aspecto que cativa a audiência é a progressão da narrativa, em que ocorre um aumento das expectativas para uma revelação, um clímax e um desfecho. Neste gênero, o objetivo é não ter falas que expressem o que se quer dizer (como no telejornalismo), mas sim imagens que conduzam a sentimentos. Para isto, muitas vezes, é explorado o tempo psicológico de um personagem. Já a iluminação possui um leque muito maior de trabalho, pode ser dramática, em que o rosto do personagem é iluminado apenas de um lado, entre outras inúmeras possibilidades. O roteiro de cinema tem como principais elementos o diálogo de personagens e a caracterização das ações nas cenas, como mostra a Fig.2. Eles são elaborados de acordo com regras específicas de formatação, existem softwares para fazer estas configurações automaticamente. Figura 2: Modelo de roteiro utilizado para cinema ficção.

6 3. Conclusão. A ciência possui sempre um conteúdo mais elitizado e difícil de ser transmitido para a população em geral. Quando se faz um vídeo científico, o intuito é ensinar, mas também entreter, despertar a curiosidade, motivar, enfim. Dentro de cada formato, seja o de telejornalismo ou o de cinema ficção, é possível explorar vertentes inovadoras e ângulos pouco usados, para isto é necessário utilizar criatividade e dedicar tempo para a criação do roteiro. Para potencializar ainda mais a divulgação científica, o trabalho propõe a utilização da convergência de linguagens e formatos, que se torna cada vez mais possível com as novas tecnologias. Câmeras que gravam em High Definition têm sido usadas atualmente tanto para cinema ficção, quanto para telejornalismo. Como conclusão, aponta-se a possibilidade de ampliar o número de telespectadores de vídeos científicos, utilizando a informação presente no telejornalismo, e a progressão e sequência de cenas do cinema ficção. O objetivo é fazer com que seja possível realizar no audiovisual o que aponta Gabriel Priolli: Difícil é fazer algo que seja, ao mesmo tempo, inovador, de bom gosto, surpreendente e popular. Que cative e divirta as pessoas e, simultaneamente as instigue a pensar, a questionar. Que lhes dê a sensação de que aprenderam alguma coisa enquanto relaxam, ou mesmo que o façam imperceptivelmente, apenas faça. (citado em PEREIRA JR., 2002). Esta mescla de formatos tem intenção de fazer com que seja possível fazer uma divulgação científica mais atraente e eficaz. O embasamento teórico deste trabalho está sendo colocado em prática no atual projeto da autora, intitulado Fragmentos de Paixão, que se trata de um documentário de raios no Brasil que mistura cinema e telejornalismo. BIBLIOGRAFIA - BONNER, W. (2009). Jornal Nacional: modo de fazer. Globo. São Paulo CAMPOS, F. (2005). Roteiro de cinema e televisão. Jorge Zahar. Rio de Janeiro OLIVEIRA F. (2005). Jornalismo Científico. Contexto. São Paulo PEREIRA JR., L.C.P. (2002). A vida com a TV. Senac. São Paulo PATERNOSTRO, V. I. (2006). O texto na TV. Elsevier. Rio de Janeiro PUCCINI, S. (2009). Roteiro de documentário. Papirus. Campinas. 141.

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