O JOGO E A ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE

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1 O JOGO E A ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE RESUMO Marcelo Moura 1 Luciano L. Loureiro 2 Este artigo tem por objetivo abordar a importância do jogo como indispensável, contendo uma relação facilitadora entre os alunos e o conhecimento, proporcionando assim uma aprendizagem de qualidade e adaptada a cada educando. Também entender o jogo como suporte para as práticas físicas, adquirindo assim mais qualidade de vida e saúde, tanto no presente como para o futuro, servindo de passaporte para adquirir um envelhecimento mais saudável. Palavras-chave: alunos, escola, aprendizagem, esportes e saúde. INTRODUÇÃO O presente trabalho aborda o tema sobre a importância do jogo na aprendizagem dos alunos de séries finais do ensino fundamental, a importância do esporte para a saúde, qualidade de vida no momento presente e para no futuro ter um envelhecimento mais saudável. OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS E A EDUCAÇÃO FÍSICA Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) têm uma abordagem bem completa sobre todas as áreas do conhecimento e não seria diferente na área da Educação Física, pois com o passar do tempo foi se percebendo a importância desta disciplina dentro do âmbito escolar, sem ela não há desenvolvimento cognitivo nem motor. De acordo com os PCN s, ao final do ensino fundamental o aluno deverá ser capaz de reconhecer-se com elemento integrante do ambiente, adotando hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais, relacionando-os com os 1 Acadêmico do curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil. 1 Docente do curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil e orientador deste trabalho.

2 efeitos sobre a própria saúde e de recuperação, manutenção e melhoria da saúde coletiva; Além destes conteúdos os PCN s recomendam a aplicação de temas transversais que envolverão todas as disciplinas no ensino fundamental, como por exemplo, a saúde. Com certeza a educação física deve colocar situações de ensino e aprendizagem que garantam aos alunos o acesso a conhecimentos práticos e também conceituais. O JOGO E A APRENDIZAGEM O jogo é, sem dúvida, a atividade mais importante na educação. Pois as atividades lúdicas são fundamentais na formação das crianças, e verdadeiras facilitadoras dos relacionamentos e das vivências no contexto escolar. Pois as atividades lúdicas promovem a imaginação e, principalmente, as transformações do sujeito em relação ao seu objeto de aprendizagem. O caráter de integração e interação contido nas atividades lúdicas fez com que a Educação Infantil e o Ensino Fundamental utilizassem constantemente estas atividades para integrar o conhecimento como uma ação prática dos nossos alunos (HAETINGER, 2005). Vimos que parece ser unânime entre todos os autores da educação, na qual defendem a defesa do jogo como indispensável e de valor significativo no ato de aprender e ensinar de forma vivencial. Com certeza, o jogo é a base epistemológica da educação, e constitui admiráveis instituições sociais. É também um instrumento pedagógico muito significativo. É de grande valor social, favorece o desenvolvimento corporal, estimula a vida psíquica, colabora para uma boa saúde mental, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e viabiliza um melhor rendimento na parte intelectual. sociedade. Contribui para a adaptação ao grupo, preparando a criança para viver em Desde os primeiros anos de vida, os jogos e brincadeiras são nossos mediadores na relação com as coisas do mundo. Do chocalho ao videogame, aprendemos a nos relacionar com o mundo através dos jogos e brincadeiras. Por este motivo o jogo tem um papel de destaque na educação, pois ele é a base do desenvolvimento cognitivo e afetivo do ser humano (HAETINGER, 2005, pg. 82).

3 Nota-se que o jogo tem um aspecto mágico em sua relação com os educandos, na qual eles estão sempre prontos para jogar e brincar. Talvez este fator seja um dos mais importantes do jogo, pois promove a motivação, e gera uma maior participação, relação e interação entre os alunos e o conhecimento, proporcionando assim uma aprendizagem de qualidade e adaptada a cada educando. Haetinger (2005) argumenta que o jogo tem outro aspecto, as vivências, as experiências acontecem de forma coletiva, em relação ao que é conquistado em interação com os outros colegas, e individual, causa dos diferentes papéis vividos em cada brincadeira. Acredita-se que o jogo seja tão antigo quanto às criaturas do planeta, pois os animais já brincavam entre si, fomentando o lúdico como fator de vínculos e de afeto. O homem mais primitivo já tinha seus jogos e brincadeiras, o que reitera o lúdico como algo essencial e elementar para o ser humano (HAETINGER, 2005). Uma prova disto é o que diz o seguinte teórico: Sabemos que desde a antiguidade os seres humanos jogavam e brincavam entre si. Alguns poucos registravam em forma de desenhos esses jogos nas paredes de cavernas. Estas e outras evidências nos mostram que o jogo acompanhou não apenas a evolução histórica, mas esteve presente em todas as civilizações. Assim, encontramos jogos no Egito, da Grécia, da índia, da China, dos Incas, da Angola, da Espanha e, é claro, do Brasil. Por exemplo, a amarelinha, empinar papagaios ou jogar pedrinhas têm registro na Grécia e no Oriente, comprovando a universidade dos jogos infantis (KISHIMOTOTO, apud DARIDO e RANGEL 1993, Pg. 158). Os jogos durante os tempos foram se modificando, criando variedade, ou seja: As brincadeiras costumam variar conforme a região, mas mantêm sua essência, sua forma e sua poesia. O aspecto que mais se altera é a letra das canções e o próprio nome dos jogos. Aliás, no Brasil, há uma riqueza muito grande de jogos e brincadeiras, uma vez que os herdamos dos portugueses, índios e negros numa quantidade incrível (DARIDO e RANGEL 2005, Pg. 158). Percebemos que o jogo é um fator importante para conhecermos os povos e seus costumes, pois através da educação, os jogos ultrapassam a linha do tempo e permeiam muitas gerações. E apesar de toda a modernidade, os jogos e brincadeiras do passado ainda são importantes para o universo de quem o pratica, além de resgatar nossa cultura, instiga a criatividade, ou seja, a arte de criar.

4 ENTENDER O JOGO COMO LAZER E QUALIDADE DE VIDA Para entendermos como o jogo influencia a vida das pessoas na sociedade e como têm influenciado nos nossos dias, é preciso entender que: A falta de espaço nas grandes cidades brasileiras confinou a maioria das brincadeiras de rua ao pátio da escola ou à aula de Educação Física. Também é crescente a influência da televisão, da mídia em geral e dos brinquedos eletrônicos no repertório de atividades infantis; entretanto, a lista de brincadeiras preferidas ainda pode trazer o videogame ao lado da batataquente e da bolinha de gude. Em algumas escolas, meninas e meninos locomovem-se com desenvoltura na perna-de-pau. A peça de madeira parece um brinquedo incomum nos dias de hoje, mas ainda pode causar encanto (DARIDO e RANGEL, 2005, Pg. 163). Percebe-se que surge a necessidade de se repensar sobre o jogo e a sua importância na sociedade atual, nisso podemos despertar no nosso aluno várias reflexões sobre o que o jogo nos proporciona e o quanto se torna indispensável na vida dos educandos. Compreende-se que: É preciso favorecer a reflexão dos alunos sobre as mudanças que estão ocorrendo na sociedade, ou seja, é preciso que eles entendam que se, por um lado, o avanço tecnológico tem contribuído para disponibilizar um maior número de informações e para oferecer um maior conforto à população, através de máquinas, equipamentos eletrônicos e meios de locomoção, por outro lado, esse fenômeno é responsável por um estilo de vida menos ativo e mais sedentário. Tais características marcantes da modernidade têm sido apontadas como as principais responsáveis pelo aumento dos riscos de diversas doenças crônicas. Estudos mostram que essas doenças são quase duas vezes mais comuns em pessoas inativas do que naquelas que se exercitam (DARIDO e RANGEL, 2005, Pg. 163). Procura-se uma solução para que o jogo esteja presente dentro do âmbito familiar, no convívio entre parentes, e não somente dentro dos muros da escola. Uma alternativa pouco empregada pelos professores, mas eficaz, é estimular os alunos a realizar os jogos e outras atividades físicas aprendidas nas aulas com amigos ou familiares, fora do período normal de aulas, como em finais de semana e nas férias escolares. Desta forma, os alunos são estimulados a compreender e a vivenciar a atividade física como forma de usufruir o tempo de lazer, melhorando sua qualidade de vida (DARIDO e RANGEL 2005, Pg. 163). A sociedade vive em busca de qualidade de vida, embora muitos venham a buscá-la tarde demais, o que se pretende é estimulá-la o mais cedo possível através da

5 atividade física, lúdica, prazerosa, do jogo, da troca com o outro, da interatividade que este proporciona. ATIVIDADE FÍSICA E ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL Com o passar dos tempos as pessoas estão vivendo mais e melhor, causa disto é a qualidade de vida que levam, ou seja, tendem cada vez mais para hábitos saudáveis, assim, o número de pessoas que ultrapassam a barreira dos 60 anos tende a aumentar, na qual, a prática regular de atividade física torna-se fundamental nesta época. Conforme MATSUDO, MATSUDO E MARIN (2008), os estudos mostraram que um dos efeitos do envelhecimento é a diminuição das atividades físicas com o passar da idade, que começa a ser verificada desde os 13 anos de idade, e a hipótese para explicar este declínio seria biológico e fatores externos como a falta de incentivo às atividades físicas e ambientes propícios. De acordo com os mesmos autores, a relação entre exercício, atividade física e longevidade está presente na vida dessas pessoas de forma notória, associada à diminuição do risco de morte em idosos, em equiparação dos que não possuem um estilo de vida ativo acima dos 65 anos de idade, o risco de mortalidade é quase duas vezes maior. O risco de mortalidade diminui 11% e o risco de incapacidade na realização das atividades da vida diária diminui em 7% para cada hora adicional por semana. Segundo MATSUDO, MATSUDO E MARIN (2008), os testes mostraram que quanto maior for a vida ativa do adulto, maior e melhor será a mobilidade do idoso, predizendo também que muitas doenças como o Parkinson, poderia ser evitado 60% das chances de adquiri-la. Visto que o sedentário também é alvo de envelhecer mais rapidamente. E a partir dos 50 anos de idade, incentiva-se a uma vida mais ativa, pois tem um impacto maior na saúde e na longevidade. As evidências mais recentes destacam a melhora nos aspectos cognitivos, na saúde mental e bem-estar do indivíduo durante o processo de envelhecimento. O

6 exercício beneficia a plasticidade cerebral, aumenta a resistência do cérebro ao dano e também melhora a aprendizagem e o desempenho mental, ou seja, contribui no raciocínio. Melhora até mesmo a capacidade funcional dos indivíduos portadores da doença de Alzheimer. A recomendação de atividade física para a saúde durante o processo de envelhecimento tem quatro aspectos chaves: Atividades aeróbicas, fortalecimento muscular, flexibilidade e equilíbrio. Cumprindo esses processos fielmente têm-se muitos efeitos benéficos para servir de estímulo a executar cada vez mais a prática de atividade física, tais como: controle ou diminuição da gordura corporal, diminuição do risco de doença cardiovascular, redução do estresse, recuperações de lesões, melhoria da auto-estima, relaxamento, promove o bem-estar e por final o sentimento de realização. CONSIDERAÇÕES FINAIS É uma pena que esta disciplina linda que é a Educação Física, ainda hoje, não tenha o respectivo valor pela população, e que a cada dia que passa, tende a precisar mais destes profissionais que lutam para abrir os olhos da humanidade para a prevenção de doenças associadas ao sedentarismo e inatividade física, como a obesidade, que já está se tornando uma doença infantil e de jovens também. Perceber o quanto isso é importante e implementar nas práticas educacionais é um objetivo que deveria ser de cada escola. Ficamos cada vez mais cientes que a chave do envelhecimento bem-sucedido está ligada a mudanças para um estilo de vida ativo. E que a atividade física regular tem um papel importantíssimo na prevenção das doenças crônicas não-transmissíveis e o impacto positivo que a atividade física tem quanto aos aspectos cognitivos. Basta movimentar-se mais.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997, 96p. DARIDO, Suraya Cristina e RANGEL, Irene Conceição Andrade. Educação física na escola: implicações para a prática pedagógica. Ed. Guanabara Koogan, Rio de janeiro, HAETINGER, Max Gunther. O universo criativo da criança: na educação. Brasil: Instituto criar, MATSUDO, Sandra Mahecha. MATSUDO, Victor Keihan Rodrigues. MARIN, Rosangela Villa. Atividade física e medicina esportiva Disponível em: Acesso em: 01/05/2010.

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