A MÚSICA E A INFÂNCIA: UMA REFLEXÃO SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS I CURSO DE PEDAGOGIA Aline Jezica da Paixão Cruz A MÚSICA E A INFÂNCIA: UMA REFLEXÃO SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL SALVADOR 2009

2 ALINE JEZICA DA PAIXÃO CRUZ A MÚSICA E A INFÂNCIA: UMA REFLEXÃO SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção da graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da Profª Claudia Silva Santana. SALVADOR 2009

3 ALINE JEZICA DA PAIXÃO CRUZ A MÚSICA E A INFÂNCIA: UMA REFLEXÃO SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Monografia apresentada ao curso de graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, para avaliação em 08/09/2009. Orientadora: Professora Claudia Silva de Santana Departamento de Educação - UNEB/Campus I Banca: Profª. Mariana Santos Profª. Maria Celeste Silva

4 Dedico este trabalho a minha família querida amigos e namorado

5 AGRADECIMENTOS A Deus em primeiro lugar por estar presente na minha vida em todos os momentos. Aos meus pais Nevilma e Antônio, aos meus irmãos Anne e Lins, e a toda minha família por acreditarem em mim e fazerem do meu sonho uma realidade possível. E também ao meu companheiro de todos os instantes Chico, que esteve sempre comigo nessa caminhada. Ao meu namorado e grande incentivador Hugo, que esteve sempre presente, nos momentos de cansaço e desânimo. A todos os meus colegas do curso de Pedagogia da UNEB, em especial a Anália Xisto, Leila Haynes e Simone Fidelis pelo companheirismo e amizade nesses quatro anos. Valeu meninas! Também a Alane que nesse trabalho contribuiu com sua gentileza e amizade. Valeu por todo apoio! O meu obrigado também a todos os professores da UNEB que contribuíram para minha formação profissional, em especial, neste último trabalho a minha orientadora Claudia Silva Santana pela competência e profissionalismo. Enfim agradeço a todos que fizeram parte do meu sonho e ajudaram a torná-lo realidade.

6 A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida. John Dewey

7 RESUMO O presente trabalho faz uma reflexão a cerca das contribuições da música na educação infantil. Com o objetivo de investigar como essa linguagem é utilizada nas escolas que trabalham com crianças tanto da rede pública quanto particular, e perceber se que os professores consideram a música como uma aliada no processo de aprendizagem. Mostra que a música é uma linguagem importante na construção de conhecimento e favorece o desenvolvimento de diversos aspectos como cognitivo, motor, social e afetivo. Traz uma análise das contribuições da música no processo de desenvolvimento dos alunos da educação infantil. Onde por meio de pesquisas bibliográficas utilizando teóricos da área e entrevistas em escolas, foi possível perceber que os benefícios do contato da criança com essa linguagem contribuem de forma expressiva para o desenvolvimento infantil. Considerando aspectos como: uso da memória, do raciocínio, concentração, emoção, expressividade, movimento corporal, interação da criança com o meio, a comunicação e a linguagem. Este trabalho acadêmico discute o papel da música e inicia um processo de conscientização frisando a importância da música como disciplina no currículo da educação básica. Palavras-chaves: arte, música, crianças, educação infantil, desenvolvimento infantil.

8 ABSTRACT This work makes a reflection about the contributions of music in child education. To investigate how this language is used in schools who work with children in both the public network, and realize that teachers perceive music as an ally in the learning process. Shows that the music is an important language in the construction of knowledge and promotes the development of various aspects such as social, motor, cognitive and affectionate. Brings an analysis of the contributions of music in the development process of child education students. Where through bibliographic searches using theoretical and interviews in schools, it was possible to realize that the benefits of the child's contact with this language expressive contributors for child development. Whereas aspects such as: memory usage, reasoning, concentration, emotional expressiveness, body movement, children's interaction with the environment, communication and language. This term paper discusses the role of music and initiates a process of awareness, stressing the importance of music as a discipline in the curriculum of basic education. Key-words: art, music, children, child education, child development.

9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ARTE: UMA COMPLEXA DEFINIÇÃO BREVE PERCURSO PELA HISTÓRIA DA ARTE ENSINO DE ARTE A MÚSICA E SUA DEFINIÇÃO BREVE HISTÓRICO DO ENSINO DE MÚSICA A influência de Villa Lobos no ensino de música no Brasil MÚSICA E EDUCAÇÃO MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Um pouco sobre a infância A música e a criança AS CONTRIBUIÇÕES DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL PERCURSOS PARA A ELABORAÇÃO DA PESQUISA O QUE NOS REVELAM AS PRÁTICAS COTIDIANAS DAS ESCOLAS EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇOES DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL? CONSIDERAÇOES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICE A - Roteiro de entrevista realizada com professores da rede pública e particular... 66

10 1. INTRODUÇÃO Essa pesquisa tem o intuito de ampliar a discussão sobre a importância da educação musical no que tange ao desenvolvimento dos alunos da educação infantil, visto que a música é uma grande incentivadora de associações cognitivas assim como da auto-estima e da sensibilidade. Em contato com a música o estudante pode desenvolver disciplina e concentração. Contribui também com outras áreas do conhecimento como o embasamento matemático, harmonizações, familiarizando-o com a idéia de simetria, distribuição lógica e exata. Ajuda desenvolver, a coordenação motora e a relação da teoria com a prática. O trabalho retrata ainda do papel da música na educação, não somente enquanto experiência estética, mas, sobretudo como facilitadora no processo de ensino/aprendizagem. Além de também ser um instrumento capaz de fazer do ambiente escolar um lugar mais alegre e receptivo, propiciando o conhecimento musical do aluno, uma vez que a música possui valor cultural não devendo dessa forma estar ao alcance de apenas uma parte da sociedade. Sugere ainda que a escola deva possibilitar aos alunos a convivência com diversos gêneros, proporcionando assim uma análise reflexiva, contribuindo para que o aluno se torne mais crítico. A presente pesquisa tem como título a música e a infância: reflexão das contribuições da música na educação infantil. E neste sentido emerge a seguinte questão de pesquisa: quais as suas contribuições no processo de desenvolvimento dos alunos da educação infantil? A escolha do objeto dessa pesquisa foi devido à necessidade de entender a importância que a música desempenha no meio educacional, especialmente na educação infantil na qual ela está presente de maneira muito constante. Neste trabalho buscou-se analisar as contribuições da música na educação infantil, e investigar como essa linguagem é utilizada nas escolas que trabalham com

11 crianças. A fim de perceber se os professores consideram a música como uma aliada no processo de aprendizagem e um auxílio na formação do indivíduo. A música é a representação da identidade cultural de um povo, é o que se tem de mais representativo quanto a um diagnóstico social, ou seja, a música que se ouve e se produz reflete diretamente no intelectual e no auto-reconhecimento de uma nação. Sendo uma manifestação potente capaz de formar pessoas. Esta pesquisa é qualitativa de cunho exploratória, aludindo uma pesquisa bibliográfica, documental, na qual foi realizada uma entrevista semi-estruturada com dez professores da rede pública e particular. Dos dados coletados foi realizada uma análise reflexiva a fim de confrontar as respostas obtidas nas entrevistas com o embasamento teórico adquirido no decorrer do trabalho, e então tecer opiniões com base nesses dados Para uma melhor compreensão sobre o trabalho, é importante salientar que ele está dividido em capítulos que discutem a importância da música na educação infantil. Faz-se um breve percurso pelo conceito, história e ensino das artes, além de também tratar da infância e do desenvolvimento infantil. Como já foi citado o trabalho está dividido em três capítulos e subcapítulos para uma melhor organização e compreensão dos assuntos aqui abordados, Cada seção foi desenvolvida contendo entre 12 a 18 páginas. No primeiro capítulo, foram contempladas informações referentes aos conceitos de arte e também fazendo um breve percurso sobre sua história. Também apresenta o ensino de arte, destacando as modificações ocorridas ao longo da história no processo educacional brasileiro e também da sua importância para a educação. Os autores que propiciaram este estudo foram: João Francisco Duarte Junior (1991), Ana Mae Barbosa (2002), Célia Maria de C. Almeida (2001), Adriana Mendes (2001), Glória Cunha (2001) entre outros. No segundo capítulo, o conceito de música, passando brevemente pela sua definição e breve histórico do ensino, na qual também é citada a contribuição de Villa Lobos no ensino de música no Brasil. Apresenta uma discussão sobre Música e

12 Educação onde discute-se suas contribuições e importância no processo de ensino aprendizagem a partir dos autores: Louis Porcher (1982), Alda Oliveira (2001), Rosa Nereide Shilaro (1990), Teca Alencar de Brito (2003). Nesse segundo capítulo também é tratado o tema Música e Educação Infantil, fazendo um percurso pela história da infância baseado em Philippe Àreis (1986), Sandra Mara Corazza (2000), Clarisse Conh (2005). Verificou-se também a relação entre a música e a criança. No terceiro e último capítulo desse trabalho tenta-se responder a questão da pesquisa que é justamente as contribuições da música na educação infantil. Dessa forma é mostrado como a música contribui em diversas áreas do desenvolvimento infantil como: o cognitivo, motor, afetivo e social, com base nas teorias de Jean Piaget (1982), Lev Vigotsky (1989), Henri Wallon (1975) e outros. Ainda neste capítulo trata dos caminhos para a realização da pesquisa e por fim a análise das entrevistas. Por fim são apresentadas as considerações finais, de modo a verificar se as hipóteses levantadas puderam ser confirmadas, bem como fazendo as devidas colocações referentes ao tema abordado.

13 2. ARTE : UMA COMPLEXA DEFINIÇÃO Foto 01: Weaver autor Van Gogh Fonte: Domínio Público Inicialmente é preciso buscar esclarecer o significado de Arte que de acordo com dicionário Houaiss (s/d), a origem da palavra vem do Sânscrito "capacidade de dominar a matéria, idéia básica (moldar, ajustar)", implica uma atividade transformadora realizada pelo homem. Na sua acepção mais ampla, a ars ou artis dos latinos "maneira de ser ou de agir, habilidade natural ou adquirida, arte, conhecimento técnico tudo que é de indústria humana, ciência, ofício, instrução, conhecimento, saber, profissão, destreza, perícia, habilidade, gênio, talento, qualidades adquiridas e a kunst dos alemães davam idéia de perícia, de habilidade adquirida em paciente exercício e voltada para um fim definido, fosse esse fim estético, ético ou utilitário. A arte se modifica de acordo com a sociedade epóca, assumindo diversas formas de acordo com a motivação e necessidades de cada tempo e civilização, mas no sentido orginial a arte é o uso da habilidade de lidar com produtos, (materiais e métodos) com o conhecimentos nescessários para dar forma a expressões idéias e sentimentos. Para a Antropologia a arte possui vários conceitos, ela faz parte da cultura de um povo, e sendo assim, cada povo desenvolve sua arte de acordo com a cultura na

14 qual está inserido. O que é belo para determinado povo pode não sê-lo para outros. Em suma, negar tudo isso é negar à arte sua condição de atividade cultural e social Luiz Gonzaga de Mello (2001 p. 430). A arte aparece em todos os povos de todos os continentes em todas as épocas. A arte é a necessidade humana de se expressar de se comunicar com seu(s) deus(es), com seus semelhantes consigo mesmo, criar e mostrar seus mundos, mas seu desenvolvimento, como arte, depende da sociedade, do ambiente no qual o sujeito sonhante está imerso. MENDES E CUNHA (2004 p.80) Em termos modernos a arte pode ser entendida como um produto da atividade artística. Originalmente o termo arte exprimia uma especialidade ao lidar com essa atividade, idéia essa que a partir do romantismo se modificou e passou valorizar o sentimento acima do conheciemnto técnico puro, e a arte passou a ser vista como uma faculdade especial da mente humana. Rompendo com o princípio platônico que se mostra a seguir: A concepção de arte de Platão repousa na própria concepção da reminiscência, isto é, na idéia de que o mundo real é a cópia ou simulacro do mundo ideal. Nesse caso a arte sendo uma espécie de cópia do mundo real (da natureza e da natureza transformada pela cultura), seria inferior a este e este por seu turno inferior ao mundo ideal. (PLATÃO APUD MELLO, 2001 p ) Nesse sentido Platão não considerava a arte como manifestação plena da idéia. Segundo ele apenas as coisas e objetos naturalmente forjados, teriam por si uma referência de idéia original. Os objetos modificados pelo homem, como as obras de arte, seriam um nível inferior de objetivação, não captando fielmente as formas originais da idéia. Teriam da idéia original só o material do qual seriam feitos, como por exemplo madeira ou tecido, sendo secundário sua função e significado prático ou estético. O trabalho do artista consiste em captar somente o essencial das coisas o que permite uma transfusão, como vestir a pele e os sentidos do artista, é um tipo de troca e experimentação extra-sensorial. Através dessa prática muito é transmitido. Segundo Schoppenhauer (1991 p.25) o artista nos permite contemplar o mundo por seus olhos.

15 A arte não obedece à lógica ou a razão, nela se permite tudo, tudo é rompido e recriado, ela reconfigura um mundo de possibilidades fazendo pensar que dela algo pode completar a vida. Para Schoppenhauer (1991 p.17) É a arte a obra do gênio. Ela reproduz as idéias eternas apreendidas mediante pura contemplação, o essencial e permanente de todos os fenômenos do mundo, e conforme a matéria em que ela reproduz, se constitui em artes plásticas, poesia ou música. Sua única origem é o conhecimento das idéias; seu único objetivo, a comunicação deste conhecimento. Assim, quando o gênio depreende em sua obra o essencial, ele se serve de algo que ao mesmo tempo possui uma característica individual e compartilhada por todos, algo que é específico, mas que todos conhecem e a todos é acessível através da imaginação. O essencial das coisas e experiências induz quem contempla a transferir-se para a atmosfera criada pelo artista. Através desse senso comum do artista, ou habilidade de lidar e representar emoções e sentimentos dos outros qualquer um que se permita experimentar tal sensação sendo ela nova ou já vivida, alcançará por meio simples de associação com as coisas já vistas. De acordo com as definições aqui apresentadas percebe-se que a arte é dinâmica e seu conceito plural, pois cada povo a manifesta de uma forma, através de sua cultura, do seu tempo, do seu olhar BREVE HISTÓRIA DA ARTE A arte existe desde que há indícios do ser humano na terra. E ao longo da história assumiu diversas utilidades desde ilustrar até exteriorizar emoções, sentimentos, idéias e explicar a história a própria história do homem. Cada povo que habitou a terra manifestou suas aspirações através das práticas artísticas. É importante saber que desde o início da humanidade a arte sempre

16 esteve presente e a mais antiga das suas manifestações são as pinturas rupestres ainda do período pré-histórico assim como os as esculturas dos Muais na ilha da páscoa, Stonehenge na Inglaterra, entre outras. Na Antigüidade, os gregos e romanos classificavam como arte a pintura, a escultura, a oratória, o teatro, a poesia, a música e a dança. O surgimento das artes está diretamente relacionado com a evolução da espécie humana. Pintar, desenhar e modelar são atividades de expressão criadora. Para os gregos a arte representava a busca da perfeição, eles aspiravam representar o mundo tal qual como era de fato o mais meticuloso e fiel possível. A arte grega era voltada para o momento presente, visava comtemplar a natureza e buscava representá-la com exatidão, exaltando sempre o amor a beleza e o racionalismo. Para os egípicios a arte tinha mais ligação com o espírito, com os deuses. O processo criativo definido por padrões estéticos muito comuns entre todos os artistas, buscava o divino. Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase sempre de frente, sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de imortalidade. Com esse objetivo ainda, exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano, dando às figuras representadas uma impressão de força e de majestade. A arte egípcia era muito destinada a mortuários e tumbas, também devido a sua obsessão pelo pós morte. Durante a Idade Média com o domínio e crescimento estrondoso, a igreja católica, usava seu poder pra reprimir os estudos, as ciências e produções artísticas a fim de filtrar todo o conhecimento, apenas favorecendo as manifestações voltadas para o religioso ou referindo-se a igreja e sua liturgia, sendo toda produção que não seguisse tal rigor temático e ideológico duramente suprimida. Nesse período houve um domínio da arte bizantina, uma arte cristã do império romano do oriente que abrangia arquitetura (cúpula), pintura e mosaico com

17 caracteres bi-dimensionais e simbolismo. Além da arte gótica e românica, otoniana, dentre outras. E dentre os povos não cristãos e no oriente haviam diferentes manifestações artísticas, que pode-se citar a arte islâmica, com suas mesquitas e palácios geométricos, com seus padrões e o abstrato, um espiritualismo matemático, sem figuras humanas nem antropomorfismos. Também havia a arte dos povos germânicos de onde veio depois a surgir as idéias iluministas, na Irlanda e Grã-Bretanha. Do século V ao século XII a razão e a ciência eram muito valorizadas o que veio a solidificar um grande berço da cultura ocidental. As características de sua arte eram também o abstracionismo e organicismo, iluminura de caracteres ornamentais, elementos de zoomorfismo, ausência da figura humana, e a matemática e geometria. Durante a baixa Idade Média o mundo começou a vivenciar uma série de transformações que culminaram no movimento conhecido como Renascimento que caracterizou a transição da mentalidade medieval pra a moderna. Nesse movimento renascentista, artistas como Da Vincci, Botticelli, Michelangelo e Rafael lideraram um resgate estético ao período clássico da arte antiga, inspirandose nos gregos e seu antropomorfismo, e de certa forma, também o simbolismo e gnosticismo e suas pinturas assumem aspectos ainda mais elevados, enquanto o conhecimento e as ciências começam a aparecer novamente, mesmo ainda sendo suprimidos. Brotam de forma oculta com conspirações secretas contra a igreja católica, que viria a culminar em uma grande libertação cultural e intelectual, mesmo sendo estes artistas todos financiados pela própria igreja, e com pinturas que expressão sentimento religioso cristão, mas ali estão ocultos conhecimentos diversos como a astrologia, e metafísica. Estes artistas, principalmente Da Vincci, vieram a contribuir de muitas maneiras, além da beleza de sua pintura, contribuiu para estudos de anatomia, mecânica, hidráulica, dentre outras ciências, o que veio a colaborar imensamente para o surgimento da modernidade.

18 A modernidade é um estilo de vida e uma organização social surgida na Europa a partir do século XVII, logo ganhando proporções mundiais. Baseado em Marisa Fonterrada (2008) a idade moderna, bastante influenciada pelo pensamento cartesiano, deixa a obscuridade do período medieval, adotando atitudes de questionamento constante, dúvida, reflexão e busca pela verdade. Nesse sentido o homem passa a ser tido como o centro do universo e a subjetividade sede espaço a objetividade e a clareza das idéias. A arte nesse contexto assume também um caráter mais realista e racionalista na qual há uma valorização da razão. Os artistas passam a se utilizar de novas formas de expressão rompendo com as normas e tradições anteriores. No Brasil esse processo de mordernização se deu de uma forma muito particular acompanhando o movimento de reinvenção estrutural estética, o grande responsável pelo modernismo no Brasil foi Villa Lobos, que trouxe uma tendência folclórica e regionalista para sua música, rompendo com a estética européia, e criando algo genuínamente brasileiro, enquando Carlos Gomes seguia fielmente a influência européia, principalmente de Beethoven. Villa Lobos juntamente com com Tacila do Amaral (nas artes plásticas), Osvald de Andrade (na poesia) e Glauber Rocha (cinema), entre outros criaram o modernismo no Brasil que veio também a ter grande impacto e absorção em todo o mundo. Em consequência veio o pós modernismo através da qual as fronteiras estéticas se desfazem novamente. Diante da civilização industrial que pretendia garantir por si mesma a produção de bens materiais. Aquilo que tinha até então exceção, privilégio intelectual, se tornou habitual. No século XX o artista toma para si a missão de expressar certas dimensões privilegiadas da existência. Nesse período se formam tendências de mercado e a arte se torna um produto, passando a ser distribuído e valorizado. Formando assim uma indústria cultural de proporção mundial. Fica estabelecido, dessa forma, um percurso pela história da arte em diversos períodos, indo desde a antiguidade passando pelo período industrial até a contemporaneidade, mostrando as diversas transformações sofridas em decorrência das modificações do pensamento humano ao longo da história. A seguir adentra-se

19 no seguinte ponto: arte na educação, procurando situar essa rica linguagem como uma área importante para a formação do indivíduo, mas destacando também as dificuldades para ser inserida no currículo como uma disciplina necessária no processo de desenvolvimento do sujeito ENSINO DE ARTE O ensino de arte no Brasil durante um longo período esteve muito desvalorizada na grade curricular. As atividades eram mais voltadas para a repetição ao passo que a criatividade dos alunos estava sempre relegada a um plano secundário e dessa forma se fazia pouco presente, ou seja, pouco trabalhada em sala de aula. De acordo com revista Nova Escola (2009) o ensino de artes ao longo da história passou por uma série de modificações e as principais tendências que influenciaram esse ensino foram: A tradicional, a livre expressão e a sóciointeracionista. Segundo informações dessa mesma revista tem-se abaixo as principais características de cada tendência. A tradicional influenciou a forma de ensinar durante o final do século XIX até a década de 50, estando presente em muitas escolas. Seu foco é o aprendizado de técnicas e desenvolvimento de habilidades manuais, coordenação motora e precisão de movimentos para o preparo de um produto final. A repetição de atividades cópia de modelos e a memorização são utilizadas para ensinar. O professor adota a postura de transmissor de conhecimento e ao aluno cabe absorvê-lo sem contestação. A livre expressão nasceu por volta de 1960 sobre forte influência do movimento escolanovista com suas idéias modernizadoras. Essa proposta visava romper totalmente com o jeito anterior de trabalhar. Para esta o que importa não é o resultado, mas o processo e, principalmente, a experiência. Há a valorização do desenvolvimento criador e da iniciativa do aluno durante as atividades em classe. O desenho livre e uso variado de materiais era utilizado a fim de permitir que a arte

20 surgisse naturalmente dos estudantes, de dentro para fora, sem interferência externa que possa atrapalhar, não há um certo e um errado nesse fazer. A sóciointeracionista é a atual tendência utilizada e a mais indicada por especialistas para o ensino da disciplina. Essa permite que os alunos conheçam manifestações culturais da humanidade, mas também soltem a imaginação e desenvolvam a criatividade. Visa favorecer a formação do aluno por meio do ensino das quatro linguagens da arte: dança, artes visuais, música e teatro. Nessa tendência a experiência do aluno e o saber trazido de fora da escola são considerados importantes e o professor deve fazer a intermediação entre eles. Segundo Ana Mãe Barbosa (2002), o ensino é baseado no seguinte tripé: produção, apreciação e reflexão sobre a arte, não devendo haver nenhuma priorização desses elementos. Incluir a arte no currículo escolar foi sempre muito difícil visto que a arte é tratada como algo supérfluo e não uma área de conhecimento importante no processo de formação do indíviduo. Sua integração ao currículo enquanto disciplina obrigatória se deu em 1971 com a Lei de Diretrizes e Bases nº 5.692/71, como educação artística, passando então a fazer parte do currículo escolar do ensino fundamental, e em 1996 a LDB passa a considerar a arte como disciplina obrigatória da educação básica. Muito embora isso não signifique dizer que a arte passou a ocupar um lugar de destaque no currículo escolar, visto que ainda assim não era considerada como uma disciplina séria e sim algo que estava ali para distrair o aluno, como lazer. Segundo João Francisco Duarte Jr (2002 p. 74) A arte-educação não deve significar, a mera inclusão da educação artística nos currículos escolares, pois se mantendo a atual estrutura das escolas, a arte se torna apenas uma disciplina a mais entre tantas outras. O ensino de Arte é uma forma de obtenção de conhecimento que possibilita o desenvolvimento da criatividade, criticidade, interação do homem com o meio. Um ensino que se propõe a formar pessoas não estejam voltadas apenas para interesses pessoais, mas que estejam também preocupados em contribuir para uma sociedade critico-reflexiva, precisa propor um projeto educacional onde o ensino da Arte possa está inserido em todos os períodos de formação escolar do indivíduo.

21 Sobre arte-educação pontua Duarte Jr (2002, p.12): Arte-educação não significa o treino para alguém se tornar um artista, não significa a aprendizagem de uma técnica, num dado ramo das artes. Antes, quer significar uma educação que tenha a arte como uma de suas principais aliadas. Uma educação que permita uma maior sensibilidade para com o mundo que cerca cada um de nós. A criança desenvolve sua arte a partir da cultura na qual está inserida, e do que a mesma observa nas suas experiências, idéias e impressões do mundo que a cerca. Para Lev Vigotsky (1987 p.84) o desenho que a criança desenvolve no seu contexto educacional é um produto de sua atividade mental e reflete sua cultura e seu desenvolvimento intelectual. No contexto educacional as artes é um importante fator da aprendizagem, quando bem trabalhada desenvolve o raciocínio, criatividade e outras aptidões, por isso, deve-se aproveitar esta tão rica atividade educacional dentro das salas de aula. Jean Piaget (1954 p.68) levanta aspectos importantes quanto a importância da educação para o desenvolvimento da linguagem artistística nas crianças. A criança pequena começa espontaneamente a exteriorizar sua personalidade e suas experiências inter-individuais graças aos diferentes meios de expressão que está a sua disposição: desenho, modelagem, o simbolismo do jogo a representação teatral, o canto etc., mas sem uma educação apropriada que consiga cultivar esses meios de expressão e encorajar as primeiras manifestações estéticas, a ação do adulto, do meio familiar ou escolar tendem em geral a frear ou contrapor-se às tendências artísticas ao invés de enrriquêce-las. A arte é uma espécie de recurso educativo 1, capaz de transmitir mensagens, conceitos e valores. Dessa forma, a arte na escola é um auxílio rico e diverso capaz de ajudar os alunos a enfrentarem os desafios da vida, já que contribui com a expressão oral, corporal e na exposição de sentimentos. 1 A Lei de Bases do Sistema Educativo, capítulo V, refere: 1 Constituem recursos educativos todos os meios materiais utilizados para conveniente realização da atividade educativa.

22 De acordo com Célia Maria de C. Almeida (2001, p. 32): O trabalho com arte, em suma, proporciona às crianças a oportunidade de desenvolver sensibilidades que tornam possível o conhecimento estético do mundo e a expansão do repertório de habilidades e experiências estéticas que podem ser utilizadas para formar idéias e articular a expressão. A arte desempenha um papel significativo no processo de desenvolvimento e aprendizagem dos educandos, tais como: aprender a trabalhar em equipe, lidar bem com o improviso, desenvolver a oralidade, a coordenação, o vocabulário, a expressão corporal, a interpretação de textos e fatos. A arte possibilita ao aluno uma enorme gama de aprendizados: A socialização, a criatividade, a imaginação, a fantasia, o sentimento, os quais são agentes facilitadores da aprendizagem, além de uma importante ponte para um desenvolvimento saudável. Para Vygotsky (1998 p.69) a imaginação e a fantasia são elementos fundamentais para o desenvolvimento da criança, pois através destas, elas poderiam viajar entre o mundo real e o imaginário, partindo de suas vivências e seus anseios na construção da sua realidade. Segundo Morin (1997) a vida real é embebida do imaginário e o imaginário de vida real. A escola muitas vezes utiliza a arte com um caráter meramente instrumental. Como uma ilustração ou um passa-tempo. Segundo Almeida (2001 p.148) as atividades de passatempo estão vinculadas à questão do prazer. Se o professor acredita que toda criança desenha de forma prazerosa então a propõe com a expectativa de que todos estarão felizes e envolvidos. As atividades artísticas são necessárias porque constituem um poderoso fator de desenvolvimento emocional e social das crianças. Mas apesar das suas contribuições no desenvolvimento de habilidades, é preciso que esta também esteja voltada para a formação geral do aluno.

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