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1 DIREITO PENAL PARTE GERAL I. Princípios Penais Constitucionais II. Aplicação da Lei Penal III. Teoria Geral do Crime IV. Concurso de Crime V. Teoria do Tipo VI. Ilicitude VII. Teoria Geral da Culpabilidade VIII. Concurso de Agentes IX. Teoria Geral da Pena X. Extinção da Punibilidade PARTE ESPECIAL XI. Crimes em Espécie Crimes contra a pessoa Crimes contra o patrimônio Crimes contra a propriedade imaterial e intelectual Crimes contra a organização do trabalho Crimes contra o sentimento religioso e contra os respeito aos mortos Crimes contra a dignidade sexual Crimes contra a família Crimes contra a incolumidade pública Crimes contra a paz pública Crimes contra a fé pública Crimes contra a administração pública Crimes contra as finanças públicas

2 XII. LEI ESPECIAIS 1. Abuso de Autoridade Estatuto da Criança e do Adolescente Crimes Hediondos Tortura Lei do Meio Ambiente Lei de Drogas Crimes contra a Ordem Econômica, Tributária, Relações de Consumo e Economia Popular Crime Organizado Lavagem de dinheiro Crime de Preconceito, de Raça ou de Cor Crime nas Licitações Estatuto do Desarmamento Crime Falimentar Código de Defesa do Consumidor Interceptação Telefônica Execução Penal Maria da Penha Juizado Especial Criminal Contravenções Penais Crimes de Trânsito Crimes contra os idosos Crimes de Responsabilidade de Prefeitos e Vereadores Crimes definidos no Estatuto do Índio

3 DIREITO PENAL (...) III. TEORIA GERAL DO CRIME 1. CONCEITO Existem duas formas de se conceituar os crimes, sob o aspecto formal ou material: Conceito material de crime: Ação ou omissão, imputável a pessoa, lesiva ou perigosa a interesse penalmente protegido, constituída de determinados elementos e eventualmente integrada por certas condições ou acompanhada de determinadas circunstâncias previstas em lei 1. Conceito formal de crime: É a conduta proibida por lei, sob ameaça de aplicação da pena, numa visão legislativa do fenômeno 2, ou seja, a conduta típica, antijurídica e culpável. 2. ELEMENTOS 2.1. Fato típico Tendo em vista o Princípio da Legalidade o legislador, para impor ou proibir condutas, deve se utilizar de uma lei. Fato típico nada mais é do que a conduta (omissiva ou comissiva) descrita pelo legislador. Nas palavras de Damásio Evangelista de Jesus, o tipo é o modelo descritivo da conduta contido na lei 3. O tipo penal tem, basicamente, três funções distintas, segundo Rogério Grecco 4 : 1 JESUS, Damásio Evangelista de. Direito Penal Parte Geral, vol. 1, 31. ed., Saraiva, NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 7 ed. rev. atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p JESUS, Damásio Evangelista de. Direito Penal Parte Geral, vol. 1, 31. ed., Saraiva, GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal Volume 1. 9 ed. Rio de Janeiro: Impetus,

4 Garantidora: fornece garantia ao cidadão, uma vez que este só poderá ser penalmente responsabilizado caso cometa uma das condutas proibidas ou deixar de praticar uma daquelas impostas pela lei penal. Fundamentadora: o Estado, por meio do tipo penal, fundamenta suas decisões, fazendo, assim, valer o seu ius puniendi. Enquanto a função garantidora é dirigida ao indivíduo, a fundamentadora é dirigida ao Estado. Selecionadora de Condutas: através do tipo são selecionadas as condutas que deverão ser proibidas ou impostas pela lei penal, sob a ameaça de sanção Elementos do Fato Típico Os elementos que integram o tipo podem ser objetivos ou subjetivos: Elementos Objetivos: são aqueles que descrevem a ação, o objeto da ação, eventualmente, o resultado, as circunstâncias externas do fato, a pessoa do autor e, também eventualmente, o sujeito passivo. Existem os elementos objetivos normativos, que são aqueles que são criados e traduzidos por outra norma, ou que, para sua devida compreensão, carecem de valoração por parte do intérprete, e os elementos objetivos descritivos, que são aqueles que têm a finalidade de traduzir o tipo penal, ou seja, evidenciar o que pode ser facilmente constatado pelo intérprete. Elementos Subjetivos: são aqueles referentes à vontade do agente, ao elemento anímico, ou seja, ao dolo Elementos Objetivos do Fato Típico O fato típico é composto dos seguintes elementos: Conduta (ação ou omissão); Resultado (nos crimes materiais); Nexo de causalidade entre a conduta e o resultado (nos crimes materiais); Tipicidade (enquadramento do fato material a uma norma penal). 4

5 Conduta Conduta é toda ação ou omissão humana, consciente e voluntária, voltada a uma finalidade (visão finalista). O pensamento não existe para o Direito Penal, ou seja, uma pessoa não pode ser punida somente por pensar em praticar um crime. Se alguém, por exemplo, pensa em matar outrem, somente será punido se exteriorizar seu pensamento praticando a ação ou a omissão delitiva. A ação é um comportamento positivo, é um fazer. A omissão é uma abstenção de movimento, é um não fazer. A conduta é, portanto, a exteriorização de um pensamento por meio de uma ação ou uma omissão. Características: Comportamento humano; Repercussão externa da vontade do agente; 5 Ato voluntário. 6 A conduta não se confunde com o ato, sendo este momento daquela. Podem existir condutas ou fatos que se compõem de um único ato, havendo uma coincidência entre ato e fato (unissubsistentes). Em contrapartida, existem fatos ou condutas compostas de diversos atos (plurissubsistentes). Somente a pessoa física pode praticar fato típico, visto que este pressupõe vontade e somente os seres humanos possuem vontade. Quanto à pessoa jurídica, embora haja divergência, grande parte da doutrina sustenta que não poderá praticar o fato típico por não possuir vontade. Hoje, no entanto, em relação aos crimes ambientais (Lei n /98, artigos 3.º e 21 a 24), a pessoa jurídica pode praticar fato típico, sendo possível ser responsabilizada criminalmente. Não haverá conduta sem vontade. Ou seja: O caso fortuito ou força maior eliminam a vontade, inexistindo a conduta e, por consequência, o fato típico; Atos reflexos (causados por excitação de um nervo sensitivo) não caracterizam a conduta, pois não há vontade; ato instintivo. 5 Por isso não constituem conduta: o simples pensamento, a cogitação, o planejamento intelectual. 6 Neste passo, vale referir os ensinamentos de PIERANGELLI, quando afirma que (...) a conduta é voluntária ainda quando a decisão do agente não tenha sido tomada livremente, ou quando este a tome motivado por coação ou por circunstâncias extraordinárias, uma vez que isso se resolve no campo da culpabilidade e não no da conduta, pois em ambas as situações a conduta sempre existirá. Assim, o ato é voluntário quando existe uma decisão por parte do agente, quando não é um simples resultado mecânico. 5

6 A conduta praticada mediante coação física (vis absoluta) elimina a vontade, no entanto, a conduta praticada mediante coação moral (vis compulsiva), ainda que seja irresistível, não exclui a vontade, apesar de neste caso não haver culpabilidade. Também não há conduta nos casos de movimentos praticados durante o sonho ou sonambulismo, sob sugestão ou hipnose e em estado de inconsciência Conduta Comissiva Ação é o comportamento positivo, movimentação corpórea, facere. Segundo o Professor Damásio de Jesus, a ação é a que se manifesta por intermédio de um movimento corpóreo tendente a uma finalidade. A maioria dos núcleos dos tipos se consubstancia em modos positivos de agir, como matar, apropriar-se, destruir etc Conduta omissiva Existem duas teorias a respeito da omissão: Teoria naturalística da omissão: a omissão é um fazer, é perceptível no mundo natural como algo que muda o estado das coisas, ou seja, quem se omite dá causa ao resultado. Teoria normativa da omissão: quem se omite não faz nada e o nada não causa coisa alguma, não tem relevância causal. Excepcionalmente, porém, embora não tendo produzido o resultado, o omitente responderá por ele quando a lei lhe impuser o dever jurídico de agir. Por isso é chamada teoria normativa, pois, para que a omissão tenha relevância causal (por presunção legal), há necessidade de uma norma impondo, na hipótese concreta, o dever jurídico de agir. Existem duas espécies de crimes omissivos: Crime omissivo próprio ou puro: a conduta negativa é descrita no preceito primário da lei penal. Nesse caso, o omitente responderá por sua própria conduta e não pelo resultado (exemplo: artigo 135 do Código 6

7 Penal omissão de socorro). Nesses crimes, a simples omissão é suficiente para a consumação, independente de qualquer resultado. Crime omissivo impróprio, espúrio, impuro, promíscuo ou comissivo por omissão: o agente tem o dever jurídico de agir para evitar o resultado e, podendo, não age. Assim, o agente não faz o que deveria ter feito. Há, portanto, a norma dizendo o que ele deveria fazer, passando a omissão a ter relevância causal. Como consequência, o omitente não responde só pela omissão como simples conduta, mas pelo resultado produzido, salvo se esse resultado não lhe puder ser atribuído por dolo ou culpa. Saliente-se que os crimes omissivos impróprios admitem a tentativa, ao passo que os omissivos próprios não. Outra distinção importante: os omissivos impróprios podem ser dolosos ou culposos; os omissivos próprios são sempre dolosos. Nos termos do artigo 13, 2º, do Código Penal, o agente só responde pelo resultado se lhe cabia o dever jurídico de agir, no sentido de impedir o resultado. É a chamada causalidade NORMATIVA, pois a omissão não gera uma causalidade natural, mas é estabelecida pela própria norma penal que, por sua vez, exige o dever de garantidor. São três as hipóteses de dever jurídico de agir: Dever legal: quando a lei impõe a obrigação de cuidado, proteção ou vigilância (exemplo: responderá por homicídio o policial militar que assistir a um jovem sendo morto e, podendo evitar o resultado, nada faz). Dever do garantidor: hipótese do agente que, por lei, não tem nenhuma obrigação de cuidado, proteção ou vigilância, no entanto assume essa obrigação por meio de um contrato (exemplo: uma babá contratada para tomar conta de uma criança responderá pelo resultado caso aconteça algo com ela). O garantidor também pode advir da liberalidade, ou seja, alguém que assume livremente a obrigação, independentemente de contrato. Ingerência dentro da norma: agente que, com seu comportamento anterior, criou o risco para a produção do resultado (exemplo: se alguém empurra um cardíaco na piscina, por brincadeira, deve socorrê-lo e impedir o resultado). (...) 7

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