PONTO CERTO OAB por ISADORA ATHAYDE E THIAGO ATHAYDE

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1 PONTO CERTO OAB por ISADORA ATHAYDE E THIAGO ATHAYDE O nosso item do edital de hoje será: EMPREGADO DOMÉSTICO Algo que devemos atentar de início é ao fato de não aplicarmos a CLT ao empregado doméstico, e sim, a lei complementar 150/2015, no entanto, a nova redação dada a CF/88 pela emenda constitucional 72 estendeu aos domésticos direitos que eram garantidos apenas aos trabalhadores regidos pela CLT. Veja abaixo; Artigo 7º da CF/88 Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, de 2013) Veja o que trata cada inciso;

2 IV, VII: Salário mínimo VI: Irredutibilidade Salarial VIII: Décimo terceiro salário X: Proteção ao salário XIII: Jornada 8/44 XV: Repouso semanal remunerado XVI: Adicional de hora extra XVII: Férias XVIII: Licença maternidade XIX: Licença paternidade XXI: Aviso-prévio XXII: Normas de saúde, higiene e segurança XXIV: Aposentadoria XXVI: Reconhecimento dos AC/CC XXX: Proibição a diferença salarial XXXI: Proibição discriminação XXXIII: Proibição ao trabalho do menor ( LC 150, menor de 18 anos) I: Proteção contra a despedida arbitrária II: Seguro desemprego III: FGTS IX: Adicional noturno XII: Salário família

3 XXV: Auxilio creche XXXVIII: Seguro acidentário Legislação Lei Complementar 150/2015. O conceito de empregado doméstico e sua relação de trabalho consta no artigo 1º da lei complementar. Seus requisitos são, continuidade, subordinação, onerosidade, pessoalidade, finalidade não lucrativa, prestação de serviço a pessoa física ou família, âmbito residencial, mais de 2 dias por semana. Veja abaixo; Art. 1 o Ao empregado doméstico, assim considerado aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana, aplica-se o disposto nesta Lei. Parágrafo único. É vedada a contratação de menor de 18 (dezoito) anos para desempenho de trabalho doméstico, de acordo com a Convenção n o 182, de 1999, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Obs: não se deve confundir a faxineira de condomínio com empregado doméstico. A faxineira de condomínio é empregada urbana regida pela CLT. E porquê? Porque ela não executa suas atividades em âmbito residencial!! Veja que o legislador adotou em definitivo o elemento fático-jurídico da continuidade e não a habitualidade (artigo 3º da CLT), quando diz que deverá ser prestado por mais de 2 x por semana, terminando assim com a discussão doutrinária. Veremos outros elementos importantes abaixo;

4 Finalidade não lucrativa: trata-se de serviços sem potencial de repercussão direta fora do âmbito pessoal e familiar, não produzindo benefícios para terceiros, ou seja, o trabalho não possui finalidade comercial e industrial. Prestação de serviço a pessoa física e família: elemento específico da relação empregatícia doméstica, não há possibilidade de pessoa jurídica ser tomadora de serviço doméstico. Apenas pessoa física, individualmente ou em grupo unitário (república estudantil) pode ocupar o polo passivo dessa relação. Âmbito residencial: Trata-se de todo ambiente que seja vinculado à vida pessoal do indivíduo ou família, onde não há atividade de consumo. Agora veremos algumas garantias dadas pela constituição dispostas na Lei complementar 150/2015 e que COM CERTEZA SERÃO OBJETO DA SUA PRIMEIRA OU SEGUNDA FASE DA OAB!!! A) ESTABILIDADE PROVISÓRIA / GARANTIA PROVISÓRIA DE EMPREGO ART.25. Parágrafo único. A confirmação do estado de gravidez durante o curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Portanto, a empregada doméstica gestante possui GARANTIA PROVISÓRIA de emprego. Esta se dá no momento da confirmação da gravidez até 5 meses após o parto. Aqui é importante ressaltar que é IRRELEVANTE O CONHECIMENTO do estado gravídico tanto pela gestante quanto pelo empregador o que se protege aqui é o nascituro.

5 VAI CAIR!!!! Aviso prévio é projeção do contrato de trabalho (faz parte do contrato de trabalho), portanto, ocorrendo a gravidez no aviso-prévio a empregada doméstica possui a estabilidade de emprego. SUM-244 GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA (redação do item III al-terada na sessão do Tribunal Pleno realizada em ) - Res. 185/2012 DEJT divulgado em 25, 26 e I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b" do ADCT). II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade. III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado. Dessa forma, se eu contratei uma doméstica para um contrato de experiência e ao final dos 90 dias ela estava grávida, o contrato não poderá ser rescindido e se tornará indeterminado pelo decurso do prazo. B) FÉRIAS Art. 17. O empregado doméstico terá direito a férias anuais remuneradas de 30 (trinta) dias, salvo o disposto no 3 o do art. 3 o, com acréscimo de, pelo menos, um terço do salário normal, após cada período de 12 (doze) meses de trabalho prestado à mesma pessoa ou família.

6 A lei garantiu aos domésticos férias anuais remuneradas de 30 dias, acrescidas do terço constitucional. 1 o Na cessação do contrato de trabalho, o empregado, desde que não tenha sido demitido por justa causa, terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias, na proporção de um doze avos por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias. SALVO NO CASO DE JUSTA CAUSA, o doméstico terá direito à percepção das férias proporcionais que serão contadas da seguinte forma: CADA MÊS TRABALHADO = 1/12 O MÊS QUE NÃO FOI TRABALHADO INTEIRO, SE SUPERIOR A 14 DIAS (A PARTIR DE 15) = 1/12 2 o O período de férias poderá, a critério do empregador, ser fracionado em até 2 (dois) períodos, sendo 1 (um) deles de, no mínimo, 14 (quatorze) dias corridos. CUIDADO: em se tratando de empregado urbano ou rural também é válido o fracionamento, entretanto o mínimo são de 10 dias, vedado o fracionamento aos menores de 18 anos e maiores de 50 anos (art. 139 da CLT) O período regular de gozo de férias será nos 12 meses imediatamente subsequentes ao respectivo período de aquisição de férias, dadas em um único período. Entretanto, é possível o fracionamento do prazo de duração de férias anuais, porém esse fracionamento não poderá ensejar mais de duas parcelas anuais de gozo, e de acordo com a lei complementar, um desses períodos não poderá ser menor que 14 dias. 3 o É facultado ao empregado doméstico converter um terço do período de férias a que tiver direito em abono

7 pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. Este aborda a possibilidade de o empregado requerer a conversão em dinheiro da fração de 1/3 de suas férias anuais (10 dias). Este valor deve ser calculado sobre o valor global das férias, considerando assim o terço constitucional. Esse abono é que falamos na prática como venda das férias. PODE VENDER APENAS 10 DIAS! 4 o O abono de férias deverá ser requerido até 30 (trinta) dias antes do término do período aquisitivo. CUIDADO em se tratando de empregado urbano ou rural o prazo é de 15 dias antes do término do período aquisitivo (art. 143 da CLT). Para que o empregador seja obrigado a aceitar o meu pedido de venda de férias deverá ser requerido dentro do prazo. Desrespeitando o prazo, a conversão pecuniária depende da aquiescência do empregador. (perdi o prazo de requerimento! Agora, o empregador só vai me vender se ele quiser!) 5 o É lícito ao empregado que reside no local de trabalho nele permanecer durante as férias. 6 o As férias serão concedidas pelo empregador nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. Após os 12 meses do período de aquisição das férias pelo doméstico, o empregador possui 12 meses (período de concessão) para conceder o período de gozo. AQUI NÃO TEMOS NENHUMA DIFERENÇA QUANTO AO EMPREGADO REGIDO PELA CLT! C) DESCONTOS

8 Art. 18. É vedado ao empregador doméstico efetuar descontos no salário do empregado por fornecimento de alimentação, vestuário, higiene ou moradia, bem como por despesas com transporte, hospedagem e alimentação em caso de acompanhamento em viagem. Nosso ordenamento possui mecanismos de proteção salarial, a primeira linha de proteção trata-se da garantia de irredutibilidade salarial. Este princípio está expresso na CR/88 no seu artigo 7º VI, garantida ao doméstico pela emenda constitucional 72. Este princípio garante o que foi convencionado no contrato, trazendo segurança jurídica. 1 o É facultado ao empregador efetuar descontos no salário do empregado em caso de adiantamento salarial e, mediante acordo escrito entre as partes, para a inclusão do empregado em planos de assistência médico-hospitalar e odontológica, de seguro e de previdência privada, não podendo a dedução ultrapassar 20% (vinte por cento) do salário. A regra geral é a da não redução salarial, no entanto, a ordem justrabalhista tem autorizado diversas ressalvas à regra geral de vedação, SENDO NECESSÁRIA A AUTORIZAÇÃO POR ESCITO DO EMPREGADO. 2 o Poderão ser descontadas as despesas com moradia de que trata o caput deste artigo quando essa se referir a local diverso da residência em que ocorrer a prestação de serviço, desde que essa possibilidade tenha sido expressamente acordada entre as partes.

9 OU SEJA se a moradia fornecida não for no mesmo lugar em que são desempenhadas as atividades, o empregador PODERÁ EFETUAR DESCONTO, desde que tenha sido acordado. Dessa forma, são 2 requisitos (CUMULATIVOS): Moradia em local diverso da prestação de serviço + Acordo entre as partes 3 o As despesas referidas no caput deste artigo não têm natureza salarial nem se incorporam à remuneração para quaisquer efeitos. O QUE QUER DIZER? QUER DIZER QUE A MORADIA/HABITAÇÃO DO EMPREGADO DOMÉSTICO NÃO CONSTITUI SALÁRIO UTILIDADE, OU SEJA, NÃO INTEGRAM A REMUNERAÇÃO PARA NENHUM FIM! 4 o O fornecimento de moradia ao empregado doméstico na própria residência ou em morada anexa, de qualquer natureza, não gera ao empregado qualquer direito de posse ou de propriedade sobre a referida moradia. D) CONTROLE DE JORNADA Art. 2 o A duração normal do trabalho doméstico não excederá 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) semanais, observado o disposto nesta Lei. Jornada de trabalho é o lapso temporal diário em que o empregado se coloca à disposição do empregador em virtude do respectivo contrato. Após a emenda constitucional 72, no artigo 7º inciso XIII, o empregado doméstico passou a ter sua jornada estabelecida e todos os seus impactos salarias.

10 1 o A remuneração da hora extraordinária será, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) superior ao valor da hora normal. 2 o O salário-hora normal, em caso de empregado mensalista, será obtido dividindo-se o salário mensal por 220 (duzentas e vinte) horas, salvo se o contrato estipular jornada mensal inferior que resulte em divisor diverso.. 3 o O salário-dia normal, em caso de empregado mensalista, será obtido dividindo-se o salário mensal por 30 (trinta) e servirá de base para pagamento do repouso remunerado e dos feriados trabalhados. 4 o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário e instituído regime de compensação de horas, mediante acordo escrito entre empregador e empregado, se o excesso de horas de um dia for compensado em outro dia. 5 o No regime de compensação previsto no 4 o : I - será devido o pagamento, como horas extraordinárias, na forma do 1 o, das primeiras 40 (quarenta) horas mensais excedentes ao horário normal de trabalho; II - das 40 (quarenta) horas referidas no inciso I, poderão ser deduzidas, sem o correspondente pagamento, as horas não trabalhadas, em função de redução do horário normal de trabalho ou de dia útil não trabalhado, durante o mês; III - o saldo de horas que excederem as 40 (quarenta) primeiras horas mensais de que trata o inciso I, com a dedução prevista no inciso II, quando for o caso, será compensado no período máximo de 1 (um) ano.

11 6 o Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, na forma do 5 o, o empregado fará jus ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data de rescisão. Tendo em vista a impossibilidade de compensação (horas que excederam as 40) devido a rescisão contratual, neste caso deverão ser pagas. 7 o Os intervalos previstos nesta Lei, o tempo de repouso, as horas não trabalhadas, os feriados e os domingos livres em que o empregado que mora no local de trabalho nele permaneça não serão computados como horário de trabalho. 8 o O trabalho não compensado prestado em domingos e feriados deve ser pago em dobro, sem prejuízo da remuneração relativa ao repouso semanal. E) FGTS Outra alteração importante da Lei complementar 150/2015 é tornar obrigatória a inclusão do empregado doméstico no FGTS, o que anteriormente era facultativo. Esta obrigação está vigente desde outubro de Veja abaixo o artigo da lei. Art. 31. É instituído o regime unificado de pagamento de tributos, de contribuições e dos demais encargos do empregador doméstico (Simples Doméstico), que deverá ser regulamentado no prazo de 120 (cento e vinte) dias a contar da data de entrada em vigor desta Lei. Portanto, abordamos os pontos mais importantes do empregado doméstico QUE SERÃO OBJETO DA SUA PROVA!! Esperamos que tenham gostado. Bons estudos e até o próximo PONTO CERTO OAB!

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