GT Grupo de Estudos e Pesquisas em Espaço. Trabalho, Inovação e Sustentabilidade. Modalidade da apresentação: Comunicação oral

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1 GT Grupo de Estudos e Pesquisas em Espaço. Trabalho, Inovação e Sustentabilidade. Modalidade da apresentação: Comunicação oral Emprego Doméstico: Evolução ou Precarização? ( ) Resumo: O presente trabalho teve como objetivo analisar os direitos adquiridos pelos empregados domésticos brasileiros desde a lei nº 5.859/72 até a lei n 150/2015 e se houve uma evolução ou precarização nesse tipo de atividade. Trabalhou-se por meio de um estudo descritivo, através das informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referente à quantidade de empregadas domésticas mensalistas e diaristas, formais e informais e a jornada de trabalho nos anos de 2004 e A década escolhida foi devido aos últimos dados disponibilizados pela PNAD, o ano de Os dados apresentaram um aumento no número de empregadas domésticas formais mensalistas e diaristas durante essa década, apresentando uma evolução no que diz respeito aos direitos adquiridos. A precarização do emprego doméstico é visto através do grupo das diaristas, onde se trabalha menos dias, mas que, demanda mais esforço físico. Futuramente pretende-se trabalhar com os dados da PNAD referente a 2015, ano da implementação da lei n 150/2015. Palavras-chave: emprego doméstico; diaristas; mensalistas; jornada de trabalho.

2 1 INTRODUÇÃO O emprego doméstico ainda é um trabalho tipicamente feminino (90% dos trabalhadores são do sexo feminino) e tem uma importante representação no conjunto da força de trabalho feminina, cerca 15% das mulheres empregadas em 2013, estavam trabalhando como empregados domésticos (IBGE, 2015). Historicamente, o serviço doméstico esta ligado diretamente ao gênero feminino por se tratar de um serviço em que as mulheres detêm maiores habilidades (Lima et al. 2010). Apesar de ser uma atividade antiga, durante muito tempo não existiam leis especificas que regularizassem os direitos dos trabalhadores domésticos remunerados. Somente a partir de 11 de setembro de 1972 com a lei nº foi iniciado o processo para a aquisição desses direitos, a lei diz que o empregado doméstico é aquele que presta serviço de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas (art. 1º). A partir desse momento o empregado doméstico começou a obter mais direitos, mas ainda não equiparados a todos aqueles que eram oferecidos aos demais trabalhadores formais. De acordo com a Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), os empregados domésticos passaram a ter os seguintes direitos regulamentados: salário mínimo, irredutibilidade do salário, décimo terceiro salário, repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal, licença-maternidade, aposentadoria, e a sua integração à previdência social. Através da Lei nº , de 23 de março de 2001 (BRASIL, 2001) foi acrescida os seguintes direitos: Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro-desemprego para a categoria, que ficou a cargo do empregador (ressaltando que ficou a cargo do empregador o pagamento dos dois benefícios). Em 2006, com a Lei nº , deu aos empregados domésticos o direito a férias anuais remuneradas de 30 (trinta) dias com, pelo menos, 1/3 (um terço) a mais que o salário normal, após cada período de 12 (doze) meses de trabalho, prestado à mesma pessoa ou família; a estabilidade

3 para gestantes desde a confirmação da gravidez até 5 (cinco) meses após o parto; a proibição de descontos de moradia, alimentação e produtos de higiene pessoal utilizados no local de trabalho (BRASIL, 2006). Em 2013 foi aprovado no congresso a PEC das Domésticas por meio da Emenda Constitucional 72/2013 que passou a vigorar em 3 de abril do ano citado, dando-lhes mais direitos, são eles: jornada de trabalho de até oito horas diárias e 44 semanais; hora extra de, no mínimo, 50% acima da hora normal; redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; reconhecimento dos acordos coletivos de trabalho; proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; proibição de qualquer discriminação do trabalhador deficiente; proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos. A partir de 01 de junho de 2015 foi decretado os mais novos direitos dos empregados domésticos através da Lei Complementar 150/2015. Dentre eles estão: multa por demissão sem justa causa; FGTS (o que era antes facultativo por parte do empregador, tornou-se obrigatório); horas extra e adicional noturno; seguro desemprego; acidente de trabalho; salário família e horas de trabalho mediante a contratação em viagens serão considerados apenas as horas efetivamente trabalhadas no período, podendo ser compensadas as horas extraordinárias em outro dia. Diante do que foi exposto, percebe-se uma evolução dos direitos adquiridos. Os empregados domésticos conquistaram seu espaço na legislação trabalhista brasileira. Porém, mesmo com todos esses direitos, Araújo (2014) afirma que em muitos casos, os empregados domésticos trabalham na informalidade, não possuem carteira de trabalho e consequentemente se encontram legalmente desamparados, dando, portanto sinais a uma precarização do emprego doméstico. Considerando que a grande maioria dos empregados domésticos são mulheres, o presente trabalho pretende analisar se com o passar dos anos houve aumento no número de empregadas domésticas formais com carteira

4 assinada, se houve uma diminuição no número de empregadas diaristas e por ultimo comparar a jornada de trabalho entre as empregadas mensalistas e diarista levando em consideração as condições de trabalho que cada uma se encontra, buscando identificar se houve uma evolução ou precarização do emprego doméstico. A partir de pesquisas realizadas sobre o trabalho e desemprego Hirata (2007) aponta três indicadores do trabalho precário, a partir de pesquisas realizadas sobre o trabalho e desemprego: ausência de proteção e de direitos sociais; horas reduzidas de trabalho, que resultam em salários baixos e que leva frequentemente à precariedade e níveis baixo de qualificação. Para isso, foi utilizadas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) dos anos 2004 e O motivo pelo qual foram escolhidos esses anos foi por se tratar dos últimos dados disponibilizados pela PNAD, o de 2014 e assim fazer comparação da década anterior. Os dados referentes a 2015 ainda não se encontram disponíveis e por esse motivo não será possível visualizar se a Lei Complementar 150/2015 teve impacto nas decisões de contratação para empregada doméstica mensalista. Outra observação é que serão utilizados apenas os dados referentes aos empregados domésticos do gênero feminino. 2 DESENVOLVIMENTO As trabalhadoras domésticas se dividem em dois grupos, empregadas domésticas (mensalistas) e as diaristas, que embora o trabalho desenvolvido na casa dos patrões seja bastante similar, existe uma distinção entre esses dois grupos. Vale especificar a diferença entre empregada doméstica e diarista: A empregada doméstica é definida em lei, como aquela que presta um serviço de natureza contínua e sem finalidade lucrativa à pessoa ou à família no espaço residencial delas. Isso significa que a empregada doméstica realiza um trabalho de natureza contínua, e é com base nisso que se busca legalmente a distinção com relação à diarista.

5 Já a diarista não está determinada em lei, mas é definida por grande parte da jurisprudência 5 como aquela que trabalha apenas algumas vezes por semana em uma mesma casa, recebendo seu pagamento no dia em que presta o serviço. FRAGA (2010, p.6). Segundo Fraga (2010, p.41), a empregada doméstica formal fica subordinada aos seus patrões, tem dias e horários fixados, há fiscalização continua de trabalho por parte dos empregadores e são contemplados com o conjunto de direitos assegurados aos empregados domésticos. O fato de ser diarista e prestar serviço apenas um ou dois dias por semana em uma ou até mesmo em várias residências, não lhes tira as obrigações que uma empregada mensalista formal tem, muito pelo contrário o que se tem é um dispêndio a mais da força de trabalho devido ao acumulo de serviço deixado durante a semana, além do mais, elas não ficam asseguradas judicialmente caso lhes aconteça algo, exceto quando contribuem com a previdência, mesmo assim, não lhe são cobertos todos os direitos que uma empregada formal tem. Em 2004, no Brasil, 24,4% das trabalhadoras domésticas tinham sua carteira de trabalho assinada, esse número subiu para 30,04% no ano de 2014, ou seja, em dez anos houve um aumento de apenas 6 pontos percentuais na proporção de domésticas que tiveram sua carteira de trabalho assinada. Gráfico 1- Distribuição percentual das trabalhadoras domésticas segundo o vínculo de trabalho, Brasil, 2004 e Fonte dos dados básicos: PNAD 2004 e 2014

6 Com relação ao número de diaristas e mensalistas, em 2004 eram de 21,42%, e 78,57%, respectivamente, já em 2014 esses percentuais alteram para 31,18% e 68,82%. Gráfico 2 - Distribuição percentual do tipo de Empregada Doméstica, Brasil, 2004 e Fonte dos dados básicos: PNAD 2004 e Percebe-se que mesmo com o aumento do número de carteira assinada, há também um aumento no número de diaristas e uma diminuição de empregadas mensalistas no Brasil. Questiona-se, portanto por qual motivo há um crescimento na participação de diaristas entre as trabalhadoras domésticas diaristas, já que com o passar do tempo, elas vem adquirindo mais direitos igualando-se com a dos demais trabalhadores. Dentre as explicações estão as seguintes hipóteses mencionado por Fraga (2010, p.87): O empobrecimento da classe média, que é a maior empregadora; a diminuição do tamanho das famílias, que estão menores, com menos filhos; o crescimento do número de domicílios unipessoais, ou seja, de pessoas morando sozinhas; e o aumento da participação feminina no mercado de trabalho, inclusive de mulheres com menor poder aquisitivo e com mais dificuldade de contratar uma mensalista. Esses fatores contribuem para que as famílias brasileiras estejam optando cada vez mais por serviços diários em vez de mensais.

7 Mesmo com essa redução na representatividade das domésticas mensalistas, não significa dizer que as diaristas não estejam com sua carteira de trabalho assinada, pois acima de dois dias trabalhados em uma mesma residência torna-se obrigatório à formalização em carteira. Nesse caso, há acordo entre patrões e empregas, onde a especificidade de uma empregada diarista deixa de ser de natureza não continua para ser tornar de natureza continua. 2.1 Categorias das trabalhadoras domésticas Para uma melhor visualização, foram separados os tipos de ocupação das trabalhadoras domésticas e o vinculo de trabalho realizado entre elas. Percebe-se no gráfico 3, que o percentual de diarista com e sem carteira assinada aumentou, principalmente para as diaristas sem carteira assinada cuja representatividade entre as trabalhadoras domésticas passou de 18,3% em 2004 para 27,34% em A participação das mensalistas com carteira assinada também cresceu, sua representatividade aumentou 4,9%. A implementação da Medida Provisória nº. 284, de 2006, convertida na Lei nº , que diz que o empregador doméstico poderá recolher a contribuição do segurado empregado a seu serviço e a parcela a seu cargo, como também a aprovação da PEC das Domésticas em 2013 podem ter contribuído para o esse aumento da formalidade do trabalhador doméstico. Gráfico 3 Distribuição percentual dos tipos de trabalhador Doméstico, Brasil, 2004 e Fonte dos dados básicos: PNAD 2004 e 2014.

8 Por outro lado, a categoria mais frequente entre essas trabalhadoras, as mensalistas sem carteira assinada, vivenciou uma redução de 14,68 pontos percentuais, passando de 57,3% em 2004 para 42,62% em Portanto, ao mesmo tempo em que há a redução da categoria considerada mais precária do emprego doméstico, as mensalistas sem carteira, por permanecer na informalidade e vivenciar jornadas de trabalho mais elevadas, há o crescimento das diaristas sem carteira que também vivenciam uma precarização. Ou seja, mesmo que as trabalhadoras domésticas tenham sido beneficiadas com mais direitos, esse resultado, mostra que houve uma precarização do trabalho feminino, onde a trabalhadora doméstica fica desprotegida de seus direitos. 2.2 Jornadas de Trabalho entre Empregadas Mensalistas e Diaristas Com relação às horas trabalhadas das trabalhadoras domésticas, notase no gráfico 4 que houve um aumento na jornada de trabalho entre 23 a 44 horas em todas as categorias, principalmente entre as trabalhadoras domésticas com carteira assinada (diarista e mensalista), ou seja, nesses dez anos percebe-se, que até mesmo antes da Pec das Domésticas ser aprovada em 2013, a jornada de trabalho entre essas trabalhadoras já estavam se igualando aos dos demais trabalhadores. Gráfico 4 Distribuição Percentual da jornada de trabalho das trabalhadoras domésticas, Brasil, 2004 e Fonte dos dados básicos: PNAD 2004 e 2014.

9 É de se esperar, que a jornada de trabalho das diaristas, por serem contratadas no máximo de duas ou três vezes por semana em uma única residência, seja menor que de uma empregada mensalista, porém, de acordo com os dados em 2004, a média da jornada de trabalho das trabalhadoras domésticas diaristas e mensalistas com carteira assinada e as diaristas sem carteira assinada teve um percentual semelhante entre 23 a 44 horas trabalhas por semana, com 51,8%, 50,9% e 50,8% respectivamente. Em 2014 percebe-se que as diaristas e mensalistas com carteira passam a ser 65,5% e 69,2% respectivamente, mais de 10 pontos percentuais de aumento em cada categoria, só afirmando que a jornada de trabalho entre 23 a 44 horas semana esta sendo respeitada de acordo com a lei como também, seguindo com a formalização dessa categoria. Mostrando também a diminuição na jornada de trabalho acima de 45 horas semanais. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe-se que houve uma evolução no emprego doméstico no que se refere aos direitos adquiridos. Uma atividade que mesmo sendo sem fins lucrativos ao empregador, mas que obteve um aumento em sua formalidade devido à implementação da Medida Provisória nº. 284, de 2006, convertida na Lei nº , como também a aprovação da PEC das domésticas. Essas medidas impulsionaram o empregador a registrar em carteira sua funcionária. Diante dos dados apresentados, levanta-se a seguinte questão: Então, onde há a precarização do emprego doméstico? A precarização pode ser vista nas condições de trabalho no grupo das diaristas, principalmente naquelas que não tem sua carteira de trabalho assinada, abrindo mão, portanto de todos os seus direitos, como também, demandando mais esforço físico. Provavelmente, categoria das mensalistas é o grupo de maior risco para uma precarização pós os direitos adquiridos em 2015, pois elas correm o risco de serem demitidas devido aos novos encargos sociais que os empregadores têm que pagar e, portanto o de se sujeitarem as propostas de seus patrões, principalmente aquelas mensalistas mais velhas e com o nível de escolaridade baixa, pois essas não têm tantas expectativas de retornar ao mercado de trabalho devido à

10 idade e por não ter especialização em outras atividades. Mas essa conclusão só poderá ser feita a partir do ano de 2015, quando a PNAD disponibilizará novos dados para que possa ser feito novas análises. REFERÊNCIAS. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988, Constituição Federal. Disponível em: Acesso em 23 de fevereiro, de Emenda Constitucional nº 72, de 2 de abril de Disponível em: Acesso em: 23 de Fevereiro, de Lei no , de 23 de março de Acresce dispositivo à Lei no 5.859, de 11 de dezembro de Disponível em: Acesso em: 23 de Fevereiro, de Lei no , de julho de 2006.Altera dispositivos das Leis nos 9.250, de 26 de dezembro de 1995, 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.213, de 24 de julho de 1991, e 5.859, de 11 de dezembro de 1972; e revoga dispositivo da Lei no 605, de 5 de janeiro de Disponível em: Acesso em: 23 de Fevereiro, de ARAÚJO, Marina Macedo. O controle da jornada de trabalho dos empregados domésticos a partir das alterações advindas da EC n 72/2013. Monografia. Brasília/2014.

11 BRUSCHINI, Cristina; LOMBARDI, Maria Rosa. A Bipolaridade do Trabalho Feminino no Brasil Contemporâneo. Cadernos de Pesquisa, nº 110, p , julho de FRAGA, Alexandre Barbosa. De Empregada a Diarista: As novas configurações do trabalho doméstico remunerado. Dissertação. Rio de Janeiro/2010. HIRATA, Helena. A Precarização e a Divisão Internacional e Sexual do Trabalho. Dossiê - Sociologias, Porto Alegre, ano 11, nº 21, jan./jun. 2009, p LIMA, Rita de Lourdes de; SILVA, Amanda Kelly Belo da; SILVA, Franciclézia de Sousa Barreto; MEDEIROS,Milena Gomes de. Trabalho Doméstico e desproteção Previdenciária no Brasil: questões em análise. Rev. Katál. Florianópolis v. 13 n. 1 p janeiro a junho de PINHEIRO, Luana; FONTOURA, Natália; PEDROSA, Cláudia. Situação das Trabalhadoras Domésticas no País. Comunicado do Ipea nº 90. Maio de 2011.

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