AS CONTRIBUIÇÕES DO CURRÍCULO E DE MATERIAS MANIPULATIVOS NA FORMAÇÃO CONTINUADA EM MATEMÁTICA DE PROFESSORES DOS ANOS INICIAS DO ENSINO FUNDAMENTAL

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1 AS CONTRIBUIÇÕES DO CURRÍCULO E DE MATERIAS MANIPULATIVOS NA FORMAÇÃO CONTINUADA EM MATEMÁTICA DE PROFESSORES DOS ANOS INICIAS DO ENSINO FUNDAMENTAL Sheila Valéria Pereira da Silva (UFPB Campus-IV) Gislaine Pereira da Silva (UFPB Campus-IV) Francisca Terezinha Oliveira Alves (Orient. UFPB Campus-IV) O presente trabalho apresenta as experiências vivenciadas no projeto de iniciação à docência (PROLICEN) da UFPB, intitulado Vivências de atividades educativas: as contribuições do currículo e da didática para a organização da ação docente nas escolas públicas municipais de Rio Tinto. O objetivo principal é mostrar os resultados das atividades, os saberes adquiridos e compartilhados durante a aplicação do projeto com as professoras participantes. A proposta é realizada a partir de oficinas pedagógicas de conteúdos de Matemática para os anos iniciais do ensino fundamental, tendo como eixo articulador conceitos matemáticos, a utilização de materiais manipulativos como recursos didáticos e jogos educativos. As vivências se concretizam no turno noturno, no prédio da universidade em Rio Tinto, na terceira quarta-feira de cada mês, com a participação de quinze docentes da rede municipal de ensino. A faixa etária das professoras varia entre trinta e cinco e sessenta anos. As atividades proporcionam a troca de experiências das graduandas de Pedagogia com as participantes do projeto contribuindo com o desenvolvimento das ações pedagógicas das professoras e com a construção de saberes. PALAVRAS-CHAVE: Currículo; Educação Matemática; Formação; Ação Docente. 1 INTRODUÇÃO O projeto Prolicen é um dos programas direcionados à graduação da UFPB, que possibilita a iniciação à docência aos graduandos. O projeto em epigrafe é intitulado Vivências de atividades educativas: as contribuições do currículo e da didática para a organização da ação docente nas escolas públicas municipais de Rio Tinto, coordenado por uma professora do Departamento de Educação do curso de Pedagogia do campus-iv. As ações do projeto versam uma formação continuada em Matemática com professoras que lecionam nos anos iniciais do ensino fundamental. A concretização dá-se a partir da obtenção de referenciais teóricos na área de Educação Matemática pelas graduandas, do planejamento e aplicação das atividades.

2 O desenvolvimento das oficinas ocorre em um grupo composto por quinze professoras que ensinam na zona rural e urbana do município de Rio Tinto/PB. As docentes têm a faixa etária entre trinta e cinco e sessenta anos, algumas com mais de vinte anos de experiência em sala de aula. Os encontros acontecem na terceira quarta-feira de cada mês das 19h às 21h em virtude da dupla jornada de trabalho das professoras. O projeto se encontra em continuidade, estando na sua segunda fase de desenvolvimento, com o início em primeiro de abril de 2011 e previsão de término em dezembro do mesmo ano. Nas fases anteriores, as docentes eram selecionadas pela Secretaria Municipal de Educação e o número de participantes era em torno de vinte, desta feita passamos em algumas escolas fazendo o convite às professoras, mas o horário foi incompatível. Nas ações do projeto focalizamos o diálogo, a reflexão e atividades que busquem auxiliar as professoras nas suas ações didáticas, proporcionando a compreensão de conteúdos e conceitos de Matemática por seus educandos contribuindo com o desenvolvimento das habilidades de numeramento e com a vida no meio social. Nas oficinas utilizou-se como recursos didáticos materiais manipuláveis a exemplo o material dourado e o ábaco, que a maioria das escolas possuem, se não, o educador pode construir com seus alunos, outro recurso é o dinheiro sem valor que ultimamente está vindo nas ultimas páginas dos livros didáticos de Matemática, do contrário o professor pode confeccionar com os educandos. O projeto tem por finalidade possibilitar aos alunos do curso de Pedagogia a experimentação de práticas de extensão universitária na organização de atividades pedagógicas; propiciar o aprofundamento de estudos sobre o currículo e a didática; integrar as ações das atividades visando a articulação teoria/prática; proporcionar aos docentes participantes produções e intercâmbios de saberes e práticas para o estabelecimento de um processo de formação continuada. 2 O CURRÍCULO UMA PRODUÇÃO NO COTIDIANO ESCOLAR Pensar a construção do currículo a partir da participação ativa daqueles que atuam no espaço escolar, o concebe como uma prática viva que articula o tempo e o espaço dos procedimentos para o ensinar e o aprender. O currículo é uma construção concebida nas experiências vivenciadas no cotidiano escolar, um processo que se dá através da produção

3 coletiva e individual, uma formação investigativa que leva a reconstrução e a criação de novas condições educativas a serem vividas. Para Freire, apud Scocuglia (2008, p. 29) a construção do currículo deve partir de uma ação democrática onde todos os protagonistas do processo educativo encontram-se envolvidos trazendo para vivência e formação curricular uma pedagogia dialógica e críticareflexiva. Assim o currículo deve ser concebido como uma experiência vivenciada no cotidiano escolar que parte dessa construção participativa onde todos são contribuintes fundamentais desse processo de práticas interdisciplinares que possibilitam a formação de sujeitos críticos e reflexivos dentro de um processo educacional que forma cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. 2.1 Jogos e a construção de materiais. Desde muito cedo as crianças passam grande parte do seu tempo brincando, jogando e desenvolvendo atividades lúdicas. A brincadeira toma conta de um espaço especial no mundo infantil e das suas vivências cotidianas. O brincar encontra-se inserido no processo de formação da criança e o jogo é um recurso metodológico de grande importância na construção do ensino e aprendizagem. Segundo Vygotsky (1991), apud Grando (2004, p. 20), durante a educação infantil ou em idade escolar; as habilidades conceituais da criança são ampliadas a partir do brinquedo e do jogo (uso da imaginação). Desse modo o uso de jogos no desenvolvimento da aprendizagem favorece a capacidade cognitiva da criança estimulando-a no processo do pensamento e da linguagem. No ensino da Matemática jogos educativos ganham lugar de destaque compreendido como uma atividade lúdica, uma ferramenta metodológica que desperta o interesse do educando levando-o a uma aprendizagem significativa. As crianças se desenvolvem com as ações exercidas durante os jogos. Conforme Grando (2004 p. 18) a ação determinada pelo jogo desencadeia a imaginação, dando origem, ou seja, criando uma situação imaginária. Os conhecimentos vivenciados na sala de aula nas ações propostas na execução dos jogos levam o educando a desenvolver a imaginação criativa levando-o a produção de conhecimento. Uma forma de trabalhar o lúdico na sala de aula é a utilização do jogo e até instigar os educandos à construção destes materiais de aprendizagem, a inserção de jogos e atividades lúdicas no currículo da Educação Matemática proporcionam aos educandos

4 vivências a partir da manipulação de materiais que auxilia no desenvolvimento cognitivo da criança. Portanto, o jogo assume um espaço de objeto na construção de saberes, onde o educando ao ser levado a produzir os materiais que serão utilizados em seu processo de aprendizagem tornam-se autores deste processo desenvolvendo autonomia na produção de conhecimentos. 2.2 O ensino-aprendizagem de Matemática Desde o inicio de sua inserção no âmbito escolar os educandos concebem a Matemática como uma disciplina difícil e complicada. A partir dessa concepção é fácil perceber grande déficit de aprendizagem e um significativo índice de reprovação no ensino de Matemática. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática: Em nosso país o ensino de Matemática ainda é marcado pelos altos índices de retenção, pela formalização precoce de conceitos, pela excessiva preocupação com o treino de habilidades e mecanização de processos sem compreensão. (BRASIL, 1998, p. 19). É de fundamental importância à inserção de uma formação em Matemática que estimule o educando a desenvolver-se como sujeito ativo na construção de sua aprendizagem. Na atualidade uma nova perspectiva vem construindo-se sobre o ensino de Matemática e novas concepções de currículo vem sendo refletidas, reformulações significativas ganham destaque no ensino. A necessidade de uma Educação Matemática dentro de novos processos metodológicos com a inserção de recursos didáticos que auxiliem o educador em sua pratica e na formação dos educandos vem ganhando destaque nas discussões a cerca de uma capacitação significativa no campo da Matemática. Nessa perspectiva a aprendizagem significativa faz-se essencial no ensino para que os educandos se percebam como agentes no desenvolvimento da construção do seu conhecimento de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais: O conceito de aprendizagem significativa, central na perspectiva construtivista, implica, necessariamente, o trabalho simbólico de significar a parcela da realidade que se conhece. As aprendizagens que os alunos realizam na escola serão significativas à medida que conseguirem estabelecer relações substantivas e não-arbitrárias entre os conteúdos escolares e os conhecimentos previamente construídos por eles, num processo de articulação de novos significados. (BRASIL, 2001, p. 52).

5 O ensino de Matemática deve ser pensado a partir das vivências cotidianas dos educandos estimulando-os a compreender a importância do seu conhecimento prévio para a obtenção do saber e do desenvolvimento de sua aprendizagem de modo a torna-se sujeito deste processo. Para tanto, o educador deve assumir o papel de mediador no processo de ensino-aprendizagem, em especial nos anos iniciais, onde a Matemática pode encantar as crianças através do lúdico, do criativo e despertar a curiosidade e a capacidade de investigação. 3 RELATOS DAS PRINCIPAIS VIVÊNCIAS PEDAGÓGICAS O projeto tem como eixo central o desenvolvimento de atividades que trabalham conteúdos e conceitos matemáticos e a utilização de materiais manipulativos, que contribuam com a formação continuada em Matemática das professoras participantes e auxiliem em suas ações pedagógicas na sala de aula. As vivências educativas estabelecem uma continuidade entre as oficinas desenvolvidas. Em uma das vivências trabalhamos com o recurso didático manipulável, material dourado. Apresentamos a estrutura do material às professoras participantes, umas afirmaram que já conheciam por que na escola que trabalhavam tinha, mas não sabiam como utilizar, outras disseram que tinham apenas visto. Distribuímos cópias do conteúdo e materiais dourados a serem utilizados pelas professoras. Fizemos uma apresentação do contexto histórico do material e realizamos uma leitura coletiva do conteúdo. No terceiro momento, à medida que as professoras respondiam as atividades, fazendo uso do material dourado, íamos corrigindo conjuntamente e elas tiravam suas dúvidas. As docentes afirmaram agora ser mais fácil trabalhar com os algoritmos das quatro operações. Nessa oficina informamos as docentes que iríamos trabalhar as quatro operações utilizando o dinheiro sem valor. Indagamos as professoras, perguntando se haviam utilizado em suas práticas pedagógicas na sala de aula o dinheiro sem valor. A grande maioria das professoras respondeu que sim e que elas próprias confeccionaram o dinheiro. Entregamos a cada docente uma cópia da atividade e cédulas de dinheiro sem valor. Conjuntamente íamos lendo as questões, respondendo e corrigindo. Realizando o processo de decomposição e composição dos números. As professoras assinalaram que os livros didáticos trabalham com o dinheiro apenas identificando o valor das cédulas, e as

6 atividades propostas na oficina trabalha as quatro operações utilizando como recurso, a cédula para a resolução das questões. Em um dos encontros, optamos por aplicar uma atividade recreativa, chamada de Código secreto. As professoras responderam e em seguida corrigimos no quadro. Durante a resolução das questões percebemos o entusiasmo das professoras, afirmando que iriam aplicar a atividade com seus alunos. Em outra vivência foi trabalhado o sistema de numeração decimal utilizando o ábaco como recurso no processo de agrupamento e desagrupamento das casas das unidades, dezenas e centenas. Indagamos as docentes se já haviam utilizado em suas aulas o ábaco, disseram que nas escolas que trabalham tem, mas não sabem como utiliza-los. Dialogamos sobre a função social dos números na vida cotidiana, indicando ordem, quantidade ou código. Disponibilizamos cópias das atividades e um quadro demonstrando os sistemas de numeração decimal egípcio, romano, maia e babilônio. Na sequência fomos respondendo conjuntamente o exercício fazendo uso do ábaco e pedindo para que as docentes socializassem suas respostas, utilizando o material manipulativo ou o quadro de escrever. As professoras apresentaram satisfação com a oficina afirmando que iriam ensinar às colegas no trabalho. Numa das atividades do projeto trabalhamos com as ideias contidas nas operações fundamentais. Entregamos cópias do conteúdo, realizamos a leitura e a explicação da temática e pedimos que as docentes respondessem. Fizemos a correção que contou com a participação efetiva de todos. As professoras gostaram bastante e afirmaram que iriam aplicar com seus alunos fazendo adequações ao nível de desenvolvimento dos educandos. Em uma das oficinas trabalhamos as operações de adição e subtração utilizando o processo de reagrupamento, fazendo uso do material dourado. As docentes afirmaram não conhecer o reagrupamento nas operações em estudo. Distribuímos cópias das atividades e os materiais dourados. Explicamos o conteúdo exemplificando no quadro de escrever e demonstrando no material dourado. Na sequência as professoras responderam o exercício e corrigimos coletivamente. As educadoras disseram ser mais complicada a resolução das operações pelo reagrupamento. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Um currículo que se propõe a desenvolver a aprendizagem de educandos conscientes é de grande importância, pois possibilita a construção de saberes que desperta

7 a autonomia e a capacidade criativa dos aprendentes no processo de ensino-aprendizagem. Nessa perspectiva a concepção de ensino de Matemática constitui-se como uma produção de conhecimentos, trazendo para as vivências cotidianas em sala de aula significação proporcionando a formação de alunos críticos-reflexivos. Assim, o estudo de Matemática pode ser instigante quando desenvolvido numa base curricular que desperte a curiosidade e o interesse dos educandos, tendo como auxilio recursos pedagógicos manipulativos, jogos educativos e a confecção de materiais pelos próprios educandos estimulando a criatividade e a participação ativa. As vivências pedagógicas do projeto são momentos de troca de experiências, de partilha de saberes, de produção de conhecimentos, intercâmbio de diálogos e estudo. Os encontros possibilitam a interação entre as docentes e a exposição de suas práticas educativas em sala de aula. As graduandas em Pedagogia ao ministrarem as oficinas adquirem experiências, além de conhecerem a realidade, as dificuldades e necessidades no ensinar expostas pelas professoras. Nas oficinas as docentes apresentam interesse em aprender e descobrir novos conhecimentos e se manterem atualizadas. Demonstrando preocupação em levar para a sala de aula o que foi estudado no projeto, articulando a teoria estudada com a prática vivenciada. Propiciando aos seus educandos a apreensão de conteúdos e conceitos matemáticos partindo de ações didáticas que despertem a curiosidade para o estudar Matemática. O material disponibilizado às professoras durante as oficinas serve como norte para ser trabalhado com seus alunos, fazendo possíveis adequações à turma. As docentes participam ativamente das oficinas no sentido de contribuírem com indagações, questionamentos e experiências vividas. As alunas do projeto apreendem fundamentação teórica na área de estudo, organizam atividades pedagógicas e experienciam a prática à docência. O ensino de Matemática na atualidade não está pautado unicamente na escolarização dos alunos, mas também em um ensino que possibilite aos educandos a compreensão de conceitos e conteúdos matemáticos relevantes para a sua formação contribuindo para as suas vivências no âmbito social.

8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Brasília, GRANDO, Regina Célia. O jogo e a matemática no contexto da sala de aula. São Paulo: Paulus, SCOCUGLIA, Afonso Celso. Paulo Freire: conhecimento, aprendizagem e currículo. In: RIO GRANDE DO NORTE, SEEC/CODESE. Coletânea de textos para estudos: currículo. Natal, 2008.

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