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1 PUBVET, Publicações em Medicina Veterinária e Zootecnia. Disponível em: < Alimentação suplementar de peixes onívoros com frutíferas Cássio Roberto Silva Noronha 1, Pedro Paulo da Silva 2 e Lucas Alves Medeiros 2 1 Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí CEFET- BAMBUÍ, Rodovia Bambuí/Medeiros, km 37, Zona Rural. CEP: CAIXA POSTAL 05, Bambuí Minas Gerais. Fone: (037) Alunos do 1º ano do Curso Técnico Agrícola com Habilitação em Agricultura e Zootecnia Concomitantes do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. RESUMO A nutrição de peixes, muito pouco tempo atrás, baseava-se em parâmetros de nutrição não adequados a estes animais. Com a evolução das técnicas e pesquisas realizadas nesta área, hoje podemos afirmar que conhecemos intimamente as necessidades nutricionais dos peixes. Para se atingir estas necessidades nutricionais desenvolveram-se técnicas de aproveitamento de várias fontes alimentares e muitas suplementares. O objetivo deste trabalho é discutir e apresentar uma forma alternativa de suplementação nutricional para peixes onívoros como o consórcio da piscicultura com a produção de plantas frutíferas. PALAVRAS-CHAVE: Suplementação alimentar, nutrição de peixes, frutíferas. 1

2 Supplementary omnivores fish feeding with fruit ABSTRACT A few years ago fish nutrition was based in parameters not always adequate for them. With the evolution of the techniques and researches in the field, it is possible to affirm that the nutritional needs of fish are better met nowadays. This paper discusses the usage of different feeding sources for omnivores by integrating fish farming and fruit production. KEY WORDS: Supplementary fish feeding, fish nutrition, fruit production. INTRODUÇÃO A alimentação de organismos aquáticos é calculada levando-se em consideração suas exigências nutricionais. A composição básica dos alimentos utilizados na elaboração das rações, assim como sua qualidade, é evidenciada (Sousa, Teixeira Filho, 1985). Os alimentos são utilizados pelos organismos aquáticos com diversas finalidades, entre elas estão: formação de novos tecidos orgânicos, como fonte de energia, como reguladores das funções vitais, para manter o equilíbrio psíquico e funções nervosas, para completar o ciclo biológico e outros (Anzuatengui, Valverde, 1998). A suplementação das dietas alimentares é realizada com produtos que são necessários para compô-la, mas não se encontram, ou estão presentes em quantidades muito pequenas, nos produtos básicos usados na sua elaboração. Os chamados premix possuem esta função e são usados para suprir a necessidade das dietas básicas de todas as rações produzidas comercialmente (Lima, et all., 1992). Verifica-se a utilização de frutas, insetos, vegetais, resíduos de agroindústria, os premix minerais e outros, para complementar as dietas alimentares de peixes. 2

3 A deficiência nutricional de peixes se expressa nitidamente no comportamento e susceptibilidade dos peixes a doenças e injurias o que deve ser evitado afim de maiores índices de produtividade na piscicultura (Rocha, Ceccarelli, 199?). O Objetivo deste trabalho é avaliar a possibilidade da utilização de frutas para essa complementação das exigências nutricionais dos peixes nas suas dietas. DESENVOLVIMENTO A alimentação dos peixes em ambiente natural ocorre de duas fontes. Alimentam-se de Plânctons e Bênctons. Este tipo de alimentação também ocorre em viveiros, lagoas e açudes (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2004). Com base nesta alimentação é possível obter ganho peso dos peixes, mas a adubação dos viveiros se torna necessária nesse processo. Os peixes possuem diversas formas e hábitos alimentares diferentes. Farinhas, tubérculos e frutos, sendo estes alimentos devem estar em ótimo estado de conservação. Pois se houver neles alguma alteração significativa de qualidade, mofo, fermentação, poderá ocorrer a intoxicação e a morte dos peixes. A ração é um dos principais alimentos para os peixes, pois possuem em sua composição, diversos nutrientes, como vitaminas, proteínas, aminoácidos, ácidos graxos, além de macro e micro minerais. São muitos os aspectos que podem ser observados na nutrição dos peixes, pois cada peixe tem uma exigência nutricional específica para sua espécie. O fornecimento de alimentos de uma maneira geral supõe uma série de informações sobre a espécie considerada (Castagnolli; Cyrino 1992). O reaproveitamento de resíduos não é um tema atual, e merece cada vez mais ser destacado e incentivado. Na piscicultura também se pode reaproveitar resíduos. As frutas, por exemplo, podem vir a se tornar uma fonte alternativa de muitos componentes nutricionais da dieta de peixes. 3

4 A plantação de árvores frutíferas como o figo, goiaba, jenipapo, ingá, araçá, seringueira, amora, jambolão, jambo, pinha, fruta pão e muitas outras que se adaptam a cada região podem fornecer uma boa alternativa para complementar a dieta nutricional dos peixes em cativeiro (Castagnolli, 1992). Os resíduos vegetais oriundos de produtos hortifrutigranjeiros foram utilizados com sucesso na engorda de Pacu Piaratus mesopotamicus Holmberg, 1887, em gaiolas, onde os animais ganharam peso e se desenvolveram muito bem. Este experimento realizado no CEPTA Centro de Pesquisa em aqüicultura, em Pirassununga, São Paulo, demonstrou que sua utilização é possível e que pode se tornar uma alternativa importante para pequenos produtores. Na natureza as sementes e frutos se tornam disponíveis segundo a ocorrência de enchentes e vazantes. Na estação de enchentes muitos árvores e arbustos estão assegurando a presença de frutos e sementes, já quando as águas marginais retraem-se na época da vazante o plâncton passa a seu o alimento mais abundante (Honda, 1974). A composição nutricional das frutas deve ser levada em consideração. Outro aspecto importante é o volume de resíduos orgânicos produzidos pelo excesso na alimentação de peixes. Este excesso vai super-adubar o tanque provocando a eutrofização da água. A comparação do potencial produtivo e do potencial poluente dos diferentes tipos de alimentos utilizados na piscicultura foi estudado por Kubitza, et ali, 1996, e chegou-se a conclusão que quanto pior a qualidade nutricional e estabilidade do alimento na água maior o potencial poluente e menor a produção de peixes em um sistema de produção. Características como época de florada e formação dos frutos também são pontos importantes para se escolher quais as espécies a serem plantadas (Honda, 1974). As frutíferas poderão ainda, ser plantadas em volta dos tanques ou em áreas específicas para produção de frutas. 4

5 Quando plantas as margens dos tanques, deve-se verificar o hábito de crescimento do sistema radicular das mesmas para que as raízes não danifiquem a estrutura do tanque. Quando plantadas em área própria para a fruticultura deve-se lembrar dos custos de colheita e transporte das mesmas até os tanques de piscicultura. CONCLUSÕES A qualidade e o fácil acesso a rações industrializadas são um grande atrativo aos piscicultores e desestimulam a procura de formas alternativas de alimentação. A utilização de frutas na suplementação alimentar de peixes onívoros se mostra um excelente forma de minimizar os custos de produção de peixes, principalmente na piscicultura de subsistência ou de mão-de-obra familiar. É importante salientar que é uma fonte suplementar de alimentação e nunca a única fonte de alimento dos peixes em uma piscicultura. BIBLIOGRFIA CITADA ANZUATENGUI, Ivan A.; VALVERDE, Cláudio Cid. Rações pré-calculadas para organismos aquáticos: peixes tropicais, trutas, rãs e camarões de água doce. Guaíba: Editora Agropecuária, p. CASTAGNOLLI, Newton. Criação de peixes de água doce. Editora FUNEP: Jaboticabal, p. CASTAGNOLLI, Newton; CYRINO, José Eurico P. Piscicultura nos trópicos. 1º edição. Editora Manole LTDA: Pirassununga, p. HONDA, E. M. S. Contribuição ao conhecimento da biologia de peixes da Amazônia. Alimentação de Tambaqui Colossoma bidens (Spix). Act. Amazônia 4 (2) : KUBITZA, Fernando, et ali. Qualidade da água na produção de peixes. Brasmetano Ind. E Com Ltda e Água Viva Alimentos. Piracicaba, p. Apostila didática. LIMA, J. A. et all. Utilização de resíduos de produtos hortifrutigranjeiros para a criação de Pacu Piaratus mesopotamicus Holmberg, 1887, em gaiolas. Boletim Técnico: CEPTA, Pirassununga, v5, n.único, p

6 Ministério da Ciência e Tecnologia. Piscicultura. CENTEC - Instituto Centro de Ensino Tecnológico. 2º ed. ver. Forteleza: Editora Demócrita Rocha p. ROCHA, Rita de Cássia G. A.; CECCARELLI, Paulo Sérgio. Sanidade, patologia e controle de enfermidades de peixes. Apostila didática. CEPTA Centro de Pesquisa e Treinamento em Aqüicultura. Pirassununga, 199?. 48p. SOUZA, E. Ceci P. M. de; TEIXEIRA FILHO, Alcides R. Piscicultura fundamental. 3º edição. Editora NOBEL: São Paulo, p. 6

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