Palavras-chave: Análise Dialógica do Discurso; Estudos Bakhtinianos do Discurso; Gêneros do Discurso.

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1 SLOVO - GRUPO DE ESTUDOS DO DISCURSO Renata Coelho MARCHEZAN (Unesp/Araraquara) Marina Célia MENDONÇA (Unesp/Araraquara) O SLOVO - Grupo de estudos do discurso é um grupo de pesquisa formado em 2006, cadastrado no CNPq e certificado pela Unesp, campus de Araraquara. Reúne pesquisadores de várias instituições nacionais, alunos de graduação e de pós-graduação. O interesse pelo discurso e pelo pensamento bakhtiniano congrega as pesquisas do grupo, que se voltam à identificação e desenvolvimento das contribuições bakhtinianas aos estudos discursivos atuais. Os projetos em desenvolvimento, todos inseridos na grande linha Análise Dialógica do Discurso, têm como objetivos: (1) constituir e consolidar uma metodologia de análise discursiva por meio de estudos da obra do Círculo de Bakhtin e de análises efetivas de córpus; além desse objetivo mais amplo, outro mais circunscrito, mas também comum a todos os projetos do grupo, cuida de (2) desenvolver caminhos de reflexão sobre a noção bakhtiniana de gêneros do discurso; um último objetivo visa (3) analisar diferentes gêneros discursivos. Esta apresentação reúne alguns dos pesquisadores do grupo, entre eles docentes da Unesp, docentes de outras IES nacionais e alunos de pós-graduação vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Unesp/Araraquara. Os trabalhos organizam-se em torno de algumas problemáticas caras aos estudos bakhtinianos: 1. As relações entre os escritos de Bakhtin e escritos filosóficos (no caso deste evento, apresenta-se relação entre Bakhtin e Simmel); 2. As relações entre eu e outro/outro em práticas de escrita escolar/científica e literária (toma-se por discussão a escrita de gênero argumentativo escolar, a escrita científica do jovem pesquisador, o discurso sobre a escrita/redação científica em videoaulas na internet, o dizer de si de escritores emergentes na internet, o discurso de Bruno de Menezes); 3. As relações entre eu e outro/outro no discurso pedagógico (em especial, na prova do ENEM) e no discurso midiático; 4. A estabilidade e a instabilidade dos gêneros do discurso produzidos na mídia (estudam-se as relações entre gêneros jornalísticos na mídia impressa e on-line; analisam-se anúncios impressos das décadas de 1940 e 1950; analisa-se a instabilidade do comentário na internet). Desta forma, neste encontro, o grupo pretende colocar em pauta a produtividade dos escritos do Círculo de Bakhtin para a análise de discursos que se produzem em diferentes esferas de atividade, colocando na centralidade de suas reflexões as relações entre eu e outro/outro e a problemática dos gêneros do discurso. Palavras-chave: Análise Dialógica do Discurso; Estudos Bakhtinianos do Discurso; Gêneros do Discurso.

2 A PROSA LITERÁRIA DE BRUNO DE MENEZES EM PERSPECTIVA DIALÓGICA. Ana Cleide Guimbal de AQUINO (SEDUC/PA) Bruno de Menezes possui uma obra vasta, que passa por prosa, poesia e folclore. Sua poesia é a parte de sua obra mais estudada; por isso, nesta pesquisa optamos por analisar duas obras em prosa: Maria Dagmar (novela, 1924) e Candunga: cenas das migrações nordestinas na zona bragantina (romance, 1954). Com fundamentação teórica baseada nas obras de Mikhail Bakhtin e seu Círculo, examinamos o corpus com o objetivo de caracterizar essa literatura, os valores sociais que veicula, o estilo, o projeto discursivo do autor e a composição arquitetônica das obras. Nas análises, tomamos como interlocutores, os críticos literários do autor, em especial, no que diz respeito às imagens cunhadas por eles, que se referem ao autor como: o escritor dos marginalizados, a voz que sai dos tambores (Benedito Nunes), o operário do verso (José Arthur Bogéa), a alma do povo (Abguar Bastos), o coração do subúrbio, do terreiro e dos arraiais (Dalcídio Jurandir), o poeta boêmio de Belém (Ramayana Chevalier), o poeta proletário/o poeta da gente simples (Santana Marques), a voz do nosso povo (Machado Coelho), Pai de Santo da poesia da terra (Gentil Puget), autêntico intérprete da gente de cor (Pedro Tupinambá), entre outros. Todas essas denominações podem ser encontradas de forma esparsa, na Revista Asas da Palavra (1996) e nos ensaios presentes no livro Bruno de Menezes ou a sutileza da transição (1994). Como resultado das análises, em Maria Dagmar, confirmamos alguns dos epítetos atribuídos pela crítica e apresentamos relações dialógicas com outros textos, um deles estabelecido pelo próprio autor Bruno de Menezes, como a novela A Ruiva, de Fialho D Almeida. Em Candunga, percebemos que a principal preocupação da obra está entre cultura e identidade, em especial a cabocla amazônica e a nordestina, falando em costumes, tradição, confirmando, dessa forma a imagem atribuída ao autor-criador como o de a voz do nosso povo, divulgador da cultura e escritor dos marginalizados. Para finalizar, podemos dizer que com a pesquisa, pretendemos contribuir também para a área mais ampla do campo literário que tem se esforçado por traçar a(s) identidade(s) literária(s) da literatura amazônica produzida no Pará. Palavras-Chave: Imagem; Gênero do discurso; Autor-criador; Literatura Amazônica; Bruno de Menezes.

3 ANÚNCIOS IMPRESSOS DAS DÉCADAS DE 1940 E 1950: UMA ANÁLISE DISCURSIVA Ana Lúcia Furquim CAMPOS-TOSCANO (UNI-FACEF) A presente pesquisa é uma reflexão sobre o gênero publicitário anúncio impresso veiculado em revistas nos anos 40 e 50, como por exemplo, Seleções, do Reader s Digest, uma publicação norte-americana. Esses anúncios, assim como outros discursos, entre eles, programas de rádio, filmes hollywoodianos e artigos de revistas, promoviam o American Way of life, isto é, incentivavam o estilo de vida capitalista americano ao divulgar produtos diversos, que começaram a invadir o cotidiano do brasileiro, exigindo, desse modo, uma nova maneira de olhar o mundo e de nele atuar. Para tanto, utilizamos como referencial teórico-metodológico, os estudos do Círculo de Mikhail Bakhtin sobre gêneros do discurso, dialogismo e ideologia. Como os enunciados que constituem os gêneros do discurso atendem às diversas finalidades das esferas de atividades humanas, os anúncios publicitários, pertencentes à esfera midiática, não somente buscam vender e contribuir para a divulgação de um produto ou de uma marca, como também têm o intuito discursivo de veicular ideologias e axiologias representativas do contexto sócio-histórico em que estão inseridos. Assim, num jogo dialógico em que vozes sociais apresentam-se, ora em consonância, ora em confronto, há o reflexo da realidade e a refração, compreendida como uma construção pautada na dinâmica da história e marcada pela experiência das práxis humanas, com seus inúmeros interesses sociais. Nessa ambiência, o objetivo de nosso trabalho é analisar propagandas diversas, como produtos de beleza e de higiene pessoal, eletrodomésticos, automóveis, refrigerantes e alimentos, a fim de verificarmos as ideologias e vozes sociais presentes nesses discursos. Objetivamos, ainda, compreender sua construção discursiva, principalmente no tocante aos elementos constitutivos de um gênero discursivo, ou seja, o conteúdo temático, o estilo e a estrutura composicional. Desse modo, é possível entender como foram sendo construídos discursos que valorizavam o sistema capitalista, cujos valores estão pautados no ato de comprar como forma de bem viver e da conquista de conforto. Palavras-chave: Gêneros do discurso; Dialogismo; Ideologia.

4 TENSÕES E ESTABILIDADES: JORNAIS IMPRESSOS E ON-LINE NA CONSTRUÇÃO DE NOVOS GÊNEROS Assunção Aparecida Laia CRISTÓVÃO (Capes/Unesp Araraquara) O advento de novas tecnologias foi responsável, por décadas a fio, pela morte anunciada do jornalismo tal como o conhecemos e como tem sido desenvolvido nos últimos dois séculos. Provavelmente nenhuma das novidades que decretaram precipitadamente o fim do jornal cinema, rádio, televisão teve um efeito tão devastador sobre essa atividade quanto a internet. Assim como o cinema e o rádio, a internet provocou mudanças profundas no jornalismo, tanto no campo empresarial quanto técnico, e o futuro da atividade ainda não se pode vislumbrar, uma vez que, por serem relativamente recentes, os gêneros discursivos do webjornalismo ainda não possuem a mesma estabilidade, no que se refere a conteúdo temático, composição formal e estilo, que os seus similares do jornalismo impresso. Apesar de todas as suas potencialidades, em especial aquelas típicas do meio web (interação, multimedialidade, ubiquidade, hipertextextualidade, instantaneidade, personalização e memória), nem sempre todos os recursos são utilizados para compor o texto noticioso e, aparentemente, a internet não alterou o que se conhece como texto jornalístico padrão, tipificado por possuir um lide (ou lead) e seguir a técnica consagrada da pirâmide invertida. Nesse contexto, propõe-se uma pesquisa que observe as influências que os gêneros jornalísticos estão sofrendo bem como as soluções que estão sendo adotadas por cada suporte, isto é, no formato impresso e nos meios digitais, para responder às novas exigências e pressões, tendo em vista a concorrência cada vez maior no mercado jornalístico e na internet. Para estudar a maneira utilizada para adequação das novas linguagens do jornalismo no suporte papel e virtual, a perspectiva teórica bakhtiniana revela-se de fundamental importância, em especial as noções de arquitetônica, gênero do discurso, autoria, esfera de atividade e enunciado concreto. Para a análise, será delimitado o seguinte córpus: versões on-line e impressa dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo, além da versão on-line dos portais Último Segundo e Terra, a fim de que se possam comparar veículos com e sem tradição no meio impresso. Palavras-chave: Estudos bakhtinianos; Jornalismo; Internet; Novas tecnologias. Apoio: Capes

5 A QUESTÃO DA MATEMÁTICA: UMA ANÁLISE DIALÓGICA DAS PROVAS DO ENEM ( ) Carlos Eduardo da Silva FERREIRA (UNESP/CAPES) Tendo como ponto de partida desta pesquisa os estudos de fundamentação teórico-metodológica da Análise Dialógica do Discurso (ADD), este nosso trabalho promove debates sobre relações discursivas veiculadas em enunciados-questões (as perguntas) ligadas à Matemática no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), do período de 1998 (data inicial de aplicação da prova) até a recente avaliação de Propomos investigar quais parâmetros analíticos sobre o fazer matemático estão sendo colocados em pauta bem como engendrar relações discursivas que coloquem em cena articulações entre sujeitos/ candidatos, exame/processo seletivo e saberes matemáticos que podem ser traçadas no decorrer desta temporalidade a ser analisada. A importância desse exame de objetivos pode ser explicada como sendo o Enem: a) uma avaliação do desempenho dos estudantes concluintes da Educação Básica, b) um instrumento de seleção de candidatos para o Ensino Superior e, inclusive, c) uma proposta-base para a reestruturação de currículos do Ensino Médio, conforme o parecer de aprovação da matriz do Novo Enem, emitido pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação, em Desta maneira, entendemos como importante e procedente pesquisar o tema avaliação em matemática, focalizando os estudos sobre práticas de ensino-aprendizagem. Por meio da investigação de compreensões sobre o movimento de circulação e emergência de vozes que ressignificam os conceitos sobre avaliação em Matemática no Enem, o cotejamento dos enunciados-questões do conjunto de provas nos dá caminho para analisar em que medida as alterações de esfera políticoeducacional expressam construções de posicionamentos/valores ideológicos sobre as relações de ensino-aprendizagem em matemática. Palavras-chave: análise do discurso; Círculo de Bakhtin; enunciados; ENEM; Matemática.

6 UMA PERSPECTIVA DIALÓGICA DO DISCURSO DA MÍDIA BRASILEIRA SOBRE A MACONHA. Carolina Gonçalves da SILVA (FCLAR-UNESP/CAPES) A partir de uma perspectiva bakhtiniana do discurso, que permite diálogo constante com outras teorias e múltiplos textos além do corpus da pesquisa e inclui vários conceitos postulados pelo Círculo de Bakhtin, que podem ser considerados mutuamente constituintes, como linguagem, enunciado, sujeito, alteridade, ideologia, este trabalho, de natureza qualitativa, pretende realizar uma análise dialógica, interpretativa, responsiva, baseada no cotejamento de textos que caracterizam o complexo discurso sobre a maconha no Brasil. Seu corpus é composto por matérias de capa sobre o assunto nas revistas Época, de 20 de Junho de 2009; Veja, de 31 de Outubro de 2012 e de 13 de novembro de 2013; Carta Capital, de 15 de Maio de 2013; Superinteressante, de 27 de Janeiro de 2014 e edição 338 de Outubro de 2014; Galileu, de Janeiro de 2013 e Rolling Stones, de março de 2014; num diálogo com o Projeto de Lei nº 7270/2014, de Jean Wyllys, e da Política Nacional Sobre Drogas, de 2005, como representantes, respectivamente, de novos posicionamentos políticos e do discurso oficial vigente sobre a questão. O objetivo desta pesquisa é verificar, através do que veicula a mídia impressa, o que dizem os discursos sobre a maconha no Brasil, quais as ideologias que os constituem, se eles têm mudado ao longo das últimas duas décadas se sim, qual o cunho de tal transformação? Se não, quais as forças que impedem tal movimento? Partindo dos enunciados em seus aspectos verbo-visuais, a análise se volta para os movimentos entre super e infraestrutura e essa complexa relação que constitui o discurso e permite apreender suas condições sócio-históricas de produção. Esta pesquisa busca, portanto, compreender a interação entre as forças centrípetas e centrífugas que compõem os múltiplos sentidos, nem sempre explícitos, dos discursos sobre a Maconha no Brasil, numa relação inesgotável com outros discursos do passado e do futuro, na busca de um retrato de seu momento atual e das transformações sociais que esses discursos podem representar. Palavras-Chave: Discurso; Dialogismo; Ideologia; Mídia; Maconha.

7 A CONSTRUÇÃO DA VOZ DO JOVEM PESQUISADOR NA ESCRITA DO TEXTO CIENTÍFICO: UM ESTUDO EM PERSPECTIVA DIALÓGICA José Cezinaldo Rocha BESSA (UNESP/UERN - CNPq) No presente trabalho, pretendemos apresentar resultados parciais de nossa pesquisa de doutorado em andamento, na qual objetivamos examinar diálogos que constituem o dizer do jovem pesquisador na escrita do texto científico, procurando observar como esses diálogos colaboram com a construção de uma voz autoral nessa escrita e, por conseguinte, com a constituição dele como sujeito/pesquisador. Os objetivos específicos da pesquisa procuram focalizar formas de presença da palavra alheia que constituem a voz do jovem pesquisador na escrita do texto científico e como ele relaciona dialogicamente sua voz com as vozes que convoca em seu texto. O trabalho está inserido na perspectiva da teoria/análise dialógica do discurso, conforme se tem entendido, aqui no Brasil, a contribuição do Círculo de Bakhtin. Nesse sentido, fundamentamos nosso trabalho em textos de pensadores do Círculo e de comentadores (AMORIM, 2002, 2004, 2009; BRAIT, 2010, 2012; BUBNOVA, 2011; CASTRO, 2009; FARACO, 2009; GERALDI, 2012; PONZIO, 2009, 2010, 2011, entre outros) que dialogam com esse textos. O trabalho encontra respaldo teórico também em contribuições sobre discurso citado/reportado/representação do discurso outro, mais precisamente no aspecto da caracterização das formas de citar/reportar/representar o discurso do outro, de estudiosos como Maingueneau (1996, 1997, 2008, 2011) e Authier-Revuz (1990, 2004, 2008, 2011a); bem como em contribuições de autores que discutem a temática da escrita científica, sobretudo em perspectiva enunciativa e/ou discursiva ou retórica, dentre os quais destacamos Boch (2013), Boch e Grossmann (2002), Hyland (2001, 2005, 2011), Pollet e Piette (2002), Petrić (2007, 2012) e Rinck e Mansour (2013). O corpus da pesquisa é constituído de 10 artigos científicos produzidos por jovens pesquisadores (estudantes com mestrado concluído ou em andamento) e publicados em anais de um evento acadêmico-científico promovido pela Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). Os dados parciais apontam que, na escrita do artigo científico, o jovem pesquisador constrói um de dizer utilizando-se de diferentes estratégias de estabelecer diálogo com a palavra do outro, algumas das quais relevam um complexo e produtivo trabalho de apropriação e assimilação dos dizeres dos autores citados, enquanto outras denunciam problemas relativos à manipulação inapropriada do dizer do outro e das fontes citadas, atestando, de um lado, a complexidade do citar na escrita científica, e, de outro lado, as dificuldades do sujeito jovem/pesquisador nessa escrita, as quais são concebidas aqui, antes de tudo, como próprias ao estágio de formação em que ele se encontra e ao seu processo de familiarização com convenções da esfera acadêmico-científica. Palavras-chave: Relações dialógicas; Escrita científica; Jovem pesquisador.

8 O CONTÍNUO ENTRE GÊNEROS: UMA ANÁLISE DISCURSIVA DE COMENTÁRIOS EM RELAÇÃO AO TEXTO COMENTADO NO SITE Felipe Sousa de ANDRADE (UNESP/CAPES) Através das ideias do círculo de Bakhtin, mais especificamente sobre os gêneros discursivos mas não só analisamos no site a relação entre gênero discursivo tutorial e gênero discursivo comentário. Considerando que os gêneros se constituem, grosso modo, de estilo, modo composicional e conteúdo temático, olhamos para a concomitância desses aspectos no processo de leitura e escrita dos dois gêneros. É possível, então, ver similaridades: no tutorial, por exemplo, há o uso corrente de imagens, videos e, principalmente, da palavra escrita, cada um com particularidades próprias; no comentário, por sua vez, encontramos os mesmos processos e recursos. O comentário, mesmo refletindo e refratando a singularidade de cada sujeito enunciativo, mostra-se impregnado de um fazer comum, de um diálogo com os outros enunciados e sujeitos. Um diálogo não apenas no sentido constitutivo de todo enunciado, mas também no sentido de continuidade a ponto de se refletir sobre as fronteiras de cada gênero. Uma das questões levantadas e que se propõe responder é: qual a influência do suporte quanto a essa continuidade? Além disso, o que se poderia dizer sobre o gênero discursivo comentário? Olhando para outras relativas estabilidades desse gênero em outros sites, somos ainda levados a considerar não apenas o computador como suporte: blogs e revistas eletrônicas, por exemplo, também o seriam, e eles influenciam em como o comentário pode ser produzido e em sua instabilidade. Não consideramos que o suporte computador tenha permitido uma difícil percepção entre as limitações de cada gênero; antes, consideramos que a materialização do discurso e os processos de constitutividade dialógica é que permitem uma continuidade entre as palavras. Os sujeitos se mesclam, as palavras se imbricam, a polifonia reverbera. Esta, em sua constituição, apaga e mostra os limites em mais de um sentido de cada discurso, paradoxal e ambiguamente. Comentar não é apenas emitir uma opinião, mas estabelecer diálogos contínuos. Palavras-chave: Gêneros discursivos; Comentários; Contínuo.

9 PRÁTICAS DE ESCRITA CRIATIVA: ASPECTOS SOBRE SUBJETIVIDADE E ALTERIDADE Marina Célia MENDONÇA (UNESP) Este trabalho é parte de pesquisa que toma os escritos do Círculo de Bakhtin como base teóricometodológica e se insere em estudos desenvolvidos no interior da análise dialógica do discurso. O estudo está centrado na problemática da produção textual, particularmente da chamada escrita criativa. Pode-se considerar que essa produção se dá na convergência de, pelo menos, três outras questões: a da produção de textos na escola; a da presença dos gêneros literários na escola; a de escrita criativa em outras esferas de atividade. Nesse contexto em que a sociedade letrada brasileira se expande e busca mais acesso à produção escrita em meios tecnológicos, o interesse desta pesquisa é apresentar material que amplie a discussão sobre o processo de escolarização da escrita de gêneros literários, por um lado, e sobre o processo de escrita criativa presente, em especial, na internet. Considerando esses aspectos, o objetivo geral da pesquisa é refletir sobre a prática de escrita criativa na sociedade brasileira contemporânea, em especial no que diz respeito às suas relações com aspectos ligados à subjetividade/autoria dos sujeitos-escritores. Neste trabalho, especificamente, são analisados blogs e sites de escritores emergentes, em especial seções intituladas Quem sou eu ou Sobre o autor. O interesse é refletir sobre como o gênero Perfil dialoga não somente com a Biografia, mas também com outros gêneros, indiciando uma representação de si marcada por determinados valores do discurso literário. Esse diálogo entre gêneros do discurso na constituição do perfil do escritor emergente também tem como fator importante, na produção de sentido, linguagens não verbais, o que ajuda a produzir para esse sujeito, nesse dizer de si, uma identidade em relação com o discurso produzido na esfera artística e em outras esferas. Dessa forma, a questão da identidade do sujeito é questão central neste trabalho, identidade aqui pensada em relação com a memória, com o outro/outro e com as possibilidades de significar no acontecimento. Palavras-chave: Estudos Bakhtinianos do Discurso; Práticas de Escrita; Gêneros do Discurso.

10 A REDAÇÃO NA PROVA DO ENEM: UMA ANÁLISE DIALÓGICA DO DISCURSO Nathália Maria SOARES (FATEC) O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) tinha como principal objetivo avaliar a Educação do Ensino Médio, no ano de 2009 além de avaliar o Ensino Médio tem, também, como objetivo a inserção de alunos concluintes do Ensino Médio na Educação Superior. Devido a essa mudança, a proposta de redação do ENEM passa por algumas transformações, o que nos leva ao objetivo desta pesquisa, o qual é analisar, segundo a perspectiva teórico-metodológica dos estudos bakhtinianos, as propostas de redação do ENEM, de forma a entender sua constituição histórica na relação com outros exames vestibulares e documentos oficiais. Para desenvolver este trabalho, a hipótese da qual partimos é que essas propostas, ao considerarem de forma singular o discurso educação para a cidadania, fazem com que apenas um modelo de texto seja escrito, limitando assim o acesso à diversidade de gêneros e enunciados no momento da produção escrita. Limite esse dado tanto pelo gênero a ser escrito dissertação como também pelas instruções contidas nas propostas de redação, que direcionam a escrita do autor do texto. Para comprovar essa hipótese mobilizamos os conceitos definidos pelo círculo de Bakhtin que envolvem as questões de enunciado, discurso, diálogo, gênero e sujeito. Juntamente com esse estudo, realizamos uma pesquisa bibliográfica baseada em documentos oficiais da educação o PCN (Parâmetro Curricular Nacional) e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) os quais são bases para a constituição do ENEM, e seu Documento Base de Fizemos, também, um estudo bibliográfico da linguística textual para verificar o que se propõe sobre texto e textualidade, buscando compreender melhor o universo de produção textual exposto na avaliação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Palavras-chave: ENEM; análise do discurso; gênero do discurso; redação escolar; exames vestibulares.

11 CONFLUÊNCIAS NAS REFLEXÕES DE BAKHTIN E SIMMEL Renata Coelho MARCHEZAN (UNESP) No domínio das reflexões que se dedicam ao estudo das interlocuções e fontes da obra de M. Bakhtin, esta comunicação privilegia o estudo das contribuições de G. Simmel, que mostram uma convergência de domínios semelhante a que encontramos nas obras de Bakhtin: Simmel é considerado um neokantista, mas irá reelaborar seu pensamento sob a perspectiva da chamada filosofia da vida, além de ser considerado um precursor da sociologia. Os domínios da cultura aparecem historicizados nas obras de Simmel, que os toma de Kant. No entanto, diferentemente das categorias universais em Kant, que são atualizadas de modo particular pelos indivíduos, uma vez que afetam apenas a parte racional de seus atos; em Simmel, são as circunstâncias históricas de cada indivíduo, os círculos sociais de que faz parte, que determinam seus atos. Sociedade, para Simmel, consiste em interações sociais vivas, que são, constantemente, feitas e refeitas, entre sujeitos e entre grupos. Dinâmica que explica também por meio do conceito de conflito, ao qual atribui significações sociológicas. Os caminhos da interlocução de Bakhtin com Simmel levam-nos ao exame de termos particulares e à análise mais ampla do próprio paradigma teórico em que se inscrevem os dois pensadores, passando pela consideração de seus conceitos mais fundamentais: a relação mundo da vida / mundo da cultura, a interação simmeliana e o diálogo bakhtiniano. Palavras-chave: Análise Dialógica do Discurso; Filosofia; Simmel.

12 O GÊNERO ARGUMENTATIVO ESCOLAR: UM ESTUDO SOBRE OS ENUNCIADOS DE CONSENSO E DE POLÊMICA Rinaldo GUARIGLIA, (UNIFAFIBE) Este estudo fundamentado no pensamento bakhtiniano objetiva apresentar duas categorias dialógicas de enunciados regidos retoricamente no gênero argumentativo escolar, designado atualmente por texto de opinião. Trata-se dos enunciados de consenso e dos enunciados de polêmica, que respondem, respectivamente, pela propagação de sentidos do senso comum e de sentidos que se contrapõem a ele. A fundamentação teórica compreende o aproveitamento da reflexão do Círculo de Bakhtin sobre dialogismo e gênero; especificamente, sobre a instituição da palavra do outro como forma de contestação: polêmica velada e polêmica aberta. Justifica-se a então proposta em função de o lugar-comum constituir-se um instrumento de legitimidade do dizer; não necessariamente uma carência de arcabouço informativo sociocultural do sujeito-produtor, que levaria à mesmice constatada durante a correção de redações. Na esteira desse posicionamento, polemizar não significa necessariamente refutar um sentido consensual e instituir um dado novo; significa promover um debate em que há contraposição de sentidos; mesmo que, ao final, prevaleça o consenso. Assim, postula-se que a aplicação, ou não, de enunciados consensuais não é uma casualidade, mas uma estratégia retórica, na qual prevalece a polêmica velada, quase integralmente. Nesta perspectiva, o discurso do senso comum gera sentidos que são postos como verdadeiros; são proposições consensuais, pré-validadas, com a adoção de minhas-palavras-alheias ; são acolhidas muitas vezes sem a exigência de um posicionamento crítico, polêmico, que possa, ou não, confirmá-las. Este estudo investiga três matrizes dialógicas em redações escolares argumentativas: os diálogos do sujeito-produtor com outras vozes sociais, com a proposta de redação e, principalmente, com o interlocutor-examinador. Esses diálogos inserem as propriedades dialógicas: um conjunto de propriedades que ora são manifestações da categoria consensual, ora da polêmica. São nove as propriedades dialógicas identificadas em enunciados deste gênero: redução temática, adoção parcial de um posicionamento, rompimento com a proposta de redação, paráfrase de trechos da proposta de redação, aplicação de aspectos generalizantes, polarização do recorte temático, organização de enunciados argumentativo-descritivos, observação de um raciocínio lógico formalizado, e inserção de enunciados interrogativoretóricos. O córpus de pesquisa compreende a análise de vinte redações dissertativas produzidas durante um processo seletivo universitário, em que dez textos obtiveram nota acima de 5,0 (cinco), e os outros dez, abaixo dessa nota. Palavras-chave: Senso comum; Dissertação Escolar; Dialogismo.

13 DIÁLOGOS E DISCURSOS: A CONSTRUÇÃO DE SENTIDO DA ESCRITA/REDAÇÃO CIENTÍFICA ATRAVÉS DE VIDEOAULAS NA INTERNET Simone Cristina MUSSIO (UNESP/FCLAr) Como os processos virtuais e convergentes das linguagens, propiciados pelo moderno meio internético, operacionalizam forças que se atualizam e se sintetizam em mudanças nos sistemas de ensino-aprendizagem no mundo contemporâneo, intercambiando-se, assim, em novos espaços e artefatos educacionais e comunicacionais, podemos claramente observar como os diversos campos da atividade humana estão intrinsecamente unidos devido ao uso da linguagem. Haja vista que o caráter e as formas das linguagens, consoante Bakhtin (1997), são intensamente multiformes, assim como as esferas que os sustentam, esta pesquisa, alicerçada bakhtinianamente, tem como objetivo perceber como se dá a constituição do gênero videoaula a partir de cursos sobre escrita/redação científica inseridos no Youtube, de modo a compreender como ocorrem as negociações de sentido presentes neste tipo de produção audiovisual. Buscamos, assim, destacar como a formatação de tais aulas dialoga, a partir de enunciados concretos (verbais e não verbais), com os traços de um fazer instrutivo-educacional, concernente à esfera didático-pedagógica, bem como com o caráter mercadológico, sobreposto a uma esfera midiático-comercial, dos enunciados materializados nas aulas, os quais têm como alvo a venda de determinado produto (livros) ou serviços (aulas, cursos e palestras). Dessa forma, notamos como as construções, interações e recriações presentes neste gênero virtual contemporâneo comportam, assim, um encontro de inúmeras vozes, que mantêm relações de controle, compreensão, negociação com novas formas de ensino-aprendizagem que visam não apenas à disseminação de conteúdos, mas a finalidades outras (comerciais, promocionais, etc.). Foi pensando no gênero videoaula que observamos como o conceito de aula, em decorrência das inúmeras inovações tecnológicas existentes no mundo contemporâneo, vem sofrendo distintas alterações no decorrer do tempo, de modo a possibilitar novos modos informais de aprendizagem e de divulgação de conteúdos. Com relação à estilística de tais videoaulas, desejamos entender como estas têm um estilo que se associa com a própria temática de tais aulas, sendo esta uma de suas principais especificidades. Como o fazer científico passa a nortear até a forma de composição e organização das videoaulas ao se ensinar a escrever/redigir cientificamente, podemos observar como o próprio gênero se atualiza neste acontecimento. É, pois, a partir de tais apontamentos que apropriamo-nos desta teoria com o intuito de perceber como o ciberespaço, em específico as videoaulas de escrita/redação científica inseridas no YouTube estão povoadas por uma multiplicidade de linguagens e vozes, as quais participam da construção de sentido deste hodierno gênero digital. Palavras-chave: Videoaulas youtubianas; Escrita/Redação científica; Bakhtin.

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