Investigação Operacional

Documentos relacionados
Investigação Operacional. Universidade do Minho - Escola de Engenharia Departamento de Produção e Sistemas. Investigação Operacional

PCC173 - Otimização em Redes

Otimização Linear. Profª : Adriana Departamento de Matemática. wwwp.fc.unesp.br/~adriana

Programação linear I João Carlos Lourenço

Pesquisa Operacional aula 3 Modelagem PL. Profa. Alessandra Martins Coelho

Índice. Prefácio Os modelos de programação linear e a investigação operacional 17

INVESTIGAÇÃO OPERACIONAL. Programação Linear. Exercícios. Cap. IV Modelo Dual

Introdução. Otimização Multiobjetivo. Muitas aplicações de interesse prático podem ser representadas por meio de modelos matemáticos lineares.

Programação Linear. (1ª parte) Informática de Gestão Maria do Rosário Matos Bernardo 2016

Investigação Operacional

EAD 350 Pesquisa Operacional Aula 01 Parte 2

Pesquisa Operacional. Introdução à Pesquisa Operacional Programação Linear

Simplex. Transparências de apoio à leccionação de aulas teóricas. c 2011, 2009, 1998 José Fernando Oliveira, Maria Antónia Carravilla FEUP

Investigação Operacional

Investigação Operacional

Pesquisa Operacional 1. Aula 5- Modelagem de problemas. Profa. Milena Estanislau Diniz 2º Semestre/2011

Pesquisa Operacional. Modelos de Programação Linear. 15/10/13 UFVJM DECOM Luciana Assis

Professor: Rodrigo A. Scarpel

Faculdade de Engenharia Investigação Operacional. Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu

Professor João Soares 20 de Setembro de 2004

Prof. Denise Benino - UNINOVE

EAD 350 Pesquisa Operacional Aula 01 Parte 2

Faculdade de Engenharia Optimização. Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu

Pesquisa Operacional Aula 3 Modelagem em PL

Modelagem Matemática de Problemas de Programação Linear

Faculdade de Engenharia Investigação Operacional. Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu

PROGRAMAÇÃO LINEAR 1. A TEORIA DA PROGRAMAÇÃO LINEAR 2. MÉTODO GRÁFICO 3. MÉTODO SIMPLEX 4. ANÁLIDE DE SENSIBILIDADE 5. APLICAÇÕES

Resolução de PL usando o método Simplex

Introdução à Programação Linear

Faculdade de Engenharia Optimização. Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu

Faculdade de Engenharia Optimização. Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu

Faculdade de Engenharia Optimização. Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu

Recursos críticos disponíveis: Madeira 300 metros Horas de trabalho 110 horas

ARA Pesquisa Operacional

X - D U A L I D A D E

Pesquisa Operacional. Introdução à Pesquisa Operacional Programação Linear

Método Simplex V 1.1, V.Lobo, EN / ISEGI, 2008

Vânio Correia Domingos Massala

Pesquisa Operacional

PESQUISA OPERACIONAL INTRODUÇÃO À DISCIPLINA HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS

Slide 1. c 2000, 1998 José Fernando Oliveira, Maria Antónia Carravilla FEUP

UNIVERSIDADE DE ÉVORA UNIVERSIDADE DO ALGARVE

CAPÍTULO 4. Teoria da Dualidade

Aula 10: Revisão Otimização Linear e Inteira Túlio A. M. Toffolo

Simplex. Investigação Operacional José António Oliveira Simplex

PROGRAMAÇÃO LINEAR 11º ANO MATEMÁTICA A

EXERCÍCOS DES TESTES/EXAMES DE ANOS ANTERIORES (LEGI-IST-JRF)

Slide 1. c 1998 José Fernando Oliveira, Maria Antónia Carravilla FEUP

Programação Linear. Dualidade

Programação Linear M É T O D O S : E S T A T Í S T I C A E M A T E M Á T I C A A P L I C A D A S D e 1 1 d e m a r ç o a 2 9 d e a b r i l d e

ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária PHA Análise de Sistemas Ambientais - 09/2017

Exemplos de modelos de PL ou PI

INVESTIGAÇÃO OPERACIONAL. Programação Linear. Exercícios

PROGRAMAÇÃO LINEAR E APLICAÇÕES

Problemas de Fluxos em Redes

Graduação em Engenharia Elétrica MÉTODOS DE OTIMIZAÇÃO ENE081. PROF. IVO CHAVES DA SILVA JUNIOR

PROGRAMAÇÃO LINEAR. Tipo de problemas: cálculo do plano óptimo de distribuição de mercadorias; minimiação de desperdícios no corte de materiais;

Investigação Operacional 1. Transparências de apoio à leccionação de aulas teóricas. x j - valor da variável de decisão j;

Unidade II PESQUISA OPERACIONAL. Profa. Ana Carolina Bueno

PESQUISA OPERACIONAL -PROGRAMAÇÃO LINEAR. Prof. Angelo Augusto Frozza, M.Sc.

Programação Linear. Rosa Canelas 2010

* O que originou a designação Operational Research no Reino Unido, A origem da Investigação Operacional (IO)?

Pesquisa Operacional Modelos, Conceitos Básicos para PL. Prof. Ricardo Santos

Pesquisa Operacional. Modelagem de problemas

Resolvendo algebricamente um PPL

Programação Linear (PL)

PESQUISA OPERACIONAL 11. SOLUÇÃO ALGEBRICA O MÉTODO SIMPLEX ( ) DEFINIÇÕES REGRAS DE TRANSFORMAÇÃO. Prof. Edson Rovina Página 16

Cap. 2 Pesquisa Operacional na Tomada de Decisão

OTIMIZAÇÃO. O processo de otimização normalmente involve a procura de pontos de máximos e mínimos de uma função.

Fundamentos de Investigação Operacional. Mestrado em Engenharia Civil 2010/11

α ( u 1 - u 2 ) = u 3 - u 2.

EAD 350 Pesquisa Operacional Aula 03 Parte 2

Pesquisa Operacional

PESQUISA OPERACIONAL -PROGRAMAÇÃO LINEAR MÉTODO SIMPLEX. Prof. Angelo Augusto Frozza, M.Sc.

Combinando inequações lineares

PESQUISA OPERACIONAL Introdução. Professor Volmir Wilhelm Professora Mariana Kleina

Universidade da Beira Interior Departamento de Matemática. Ficha de exercícios nº3: Dualidade. Interpretação Económica.

Cap ıtulo 1 Exerc ıcios de Formula c ao Enunciados

Investigação Operacional

PESQUISA OPERACIONAL 4. MODELAGEM MATEMÁTICA 5. ROTEIRO PARA A CONSTRUÇÃO DO MODELO. Prof. Edson Rovina Página 6

PESQUISA OPERACIONAL. UNIDADE 2 Visão Geral do Modelo

Programação Linear. MÉTODOS QUANTITATIVOS: ESTATÍSTICA E MATEMÁTICA APLICADAS De 30 de setembro a 13 de novembro de 2011 prof. Lori Viali, Dr.

Matemática 1. Conceitos Básicos 2007/2008

Pesquisa Operacional aplicada ao Planejamento e Controle da Produção e de Materiais Programação Linear

Universidade Federal de Itajubá

Benemar Alencar de Souza

Programação Linear (PL) Solução algébrica - método simplex

Investigação Operacional. Engenharia Informática Mestrado Integrado em Engenharia Electrónica e Telecomunicações Matemática e Aplicações

Métodos e Medidas II

PESQUISA OPERACIONAL APLICADA A LOGÍSTICA

2º Semestre 2002/2003 Problemas Resolvidos

Modelagem Matemática I

Otimização. Modelagem e Solução Gráfica. Paulo Henrique Ribeiro Gabriel Faculdade de Computação Universidade Federal de Uberlândia

Pesquisa Operacional. Ementa. Prof. Edézio

Modelos de planeamento e gestão de recursos hídricos. 19 de Novembro

DISCIPLINA: Investigação Operacional ANO LECTIVO 2009/2010

Pesquisa Operacional. Prof. José Luiz

Transcrição:

Modelos de Programação Linear (Mestrado) Engenharia Industrial http://dps.uminho.pt/pessoais/zan - Escola de Engenharia Departamento de Produção e Sistemas 1 Modelação Matemática As técnicas e algoritmos abordados neste curso destinam-se a estruturar e a solucionar os modelos quantitativos que podem ser expressos matematicamente. Os principais modelos de IO são denominados de Programação Matemática e constituem uma das mais importantes variedades dos modelos quantitativos. Programação é entendida no sentido de planeamento, e não no sentido da "programação" computacional. A Programação Matemática irá implicar programação computacional, uma vez que o número de variáveis de decisão e restrições é enorme na prática. 2

Modelação Matemática O campo da Programação Matemática é enorme e suas técnicas são de grande utilidade na solução de problemas de optimização. Várias peculiaridades contextos de programação (planeamento), os métodos de solução especializados O processo de modelagem matemática, em si, pouco varia, contudo as técnicas de solução acabaram agrupadas em várias subáreas como: Programação Linear Programação Não-linear Programação Inteira 3 Características do Modelo de PL Modelo básico serve para a compreensão de todos os outros modelos da Programação Matemática. Os conceitos de base serão estendidos aos outros modelos, concedendo suporte a estudos mais avançados. Uma outra vantagem do modelo PL está na extraordinária eficiência dos algoritmos de solução hoje existentes, disponibilizando alta capacidade de cálculo e podendo ser facilmente implementado até mesmo através de folhas de cálculo e com o auxílio de computadores pessoais. 4

Características do Modelo de PL Os modelos de Programação Linear são um tipo especial de modelos de optimização. Para que um determinado sistema possa ser representado por meio de um modelo de PL, ele deve possuir as seguintes características: Proporcionalidade Não Negatividade Divisibilidade Aditividade Separabilidade 5 Proporcionalidade A quantidade de recurso consumido por uma dada actividade deve ser proporcional ao nível dessa actividade na solução final do problema. O custo de cada actividade é proporcional ao nível de operação da actividade. Um termo x 2 i na função objectivo ou numa restrição viola este pressuposto. 6

Não Negatividade Deve ser sempre possível desenvolver uma dada actividade em qualquer nível não negativo; Divisibilidade Qualquer proporção de um dado recurso deve poder ser (sempre) utilizado. 7 Aditividade O custo total é a soma das parcelas associadas a cada actividade. Um termo do tipo produto (x i.x j ) viola este pressuposto. Separabilidade Pode-se identificar de forma separada o custo (ou consumo de recursos) específico das operações de cada actividade. 8

Formulação algébrica geral forma mista 9 Formulação algébrica geral Optimizar representa aqui a: maximização minimização 10

Forma canónica Forma estandardizada/padrão equivalentes 11 Forma matricial Matriz identidade de dimensão n. Max / Min z = cx sujeito a : Ax b Ix 0 Vector de sinais. Cada elemento corresponde a:, =, 12

Um mesmo modelo de PL, composto pelo conjunto de equações anteriormente apresentadas, pode, sem qualquer perda para suas propriedades matemáticas, ser reescrito em cada uma das formas básicas. Esse processo de tradução é realizado através das seguintes operações elementares: mudança no critério de optimização transformação de uma variável transformação de desigualdades em igualdades (vice versa) 13 Operação 1: mudança no critério de optimização, ou seja, transformação de maximização para minimização e vice versa. Essa mudança pode ser realizada através da seguinte propriedade: 14

Operação 2: x R transformação de uma variável livre (* E dl), em variável não negativa. Nesse caso, a mudança exigirá a substituição da variável em transformação por duas variáveis auxiliares, ambas maiores ou iguais a zero, mas cuja soma é igual à variável original, ou seja: 15 Operação 3a: transformação de desigualdades em igualdades e vice-versa. Nessa situação, temos dois casos a examinar: Caso de transformação de restrições de menor ou igual em restrições de igualdade Para transformá-la numa restrição de igualdade podemos, introduzir uma variável de folga capaz de "completar" a desigualdade, o que permite representar a restrição da seguinte forma: 16

Operação 3b: transformação de desigualdades em igualdades e vice-versa. Nessa situação, temos dois casos a examinar: Caso de transformação de restrições de maior ou igual em restrições de igualdade Para transformá-la em uma restrição de igualdade podemos introduzir uma variável de folga com valor negativo capaz de "completar" a desigualdade, passando a representar a restrição da seguinte forma: 17 Passos para a Formulação de um PPL Definição das actividades Após a análise do problema, são definidas as actividades que o compõem. Associada a cada actividade deve ser adoptada uma unidade de medida. Definição dos recursos Considerando os inputs disponíveis dentro de cada actividade, determinam-se os recursos que são usados e produzidos. Cálculo dos coeficientes de consumo / produção É indispensável estabelecer claramente como as actividades e os recursos estão relacionados em termos de recursos necessários por unidade de actividade produzida. 18

Passos para a Formulação de um PPL (cont) Determinação das condições externas Considerando que os recursos são limitados, cumpre determinar a quantidade de cada recurso disponível para o processo modelado. Essas são as denominadas condições externas do modelo. Formalização do Modelo Consiste em associar quantidades não negativas a cada uma das actividades, escrever as equações de balanceamento e indicar o uso de cada recurso. 19 Terminologia 20

Uma metalurgia deseja maximizar sua receita bruta. A Tabela ilustra a proporção de cada material na mistura para a obtenção das ligas passíveis de fabricação. O preço está cotado em UM (unidades monetárias) por tonelada da liga fabricada. As restrições de disponibilidade de matéria-prima também estão expressas em toneladas. Cobre Liga de baixa resistência 0,5 Liga de alta resistência 0,2 Disponibilidade de matéria-prima 16 ton Zinco 0,25 0,3 11 ton Chumbo 0,25 0,5 15 ton Preço de venda (UM/ton) 3000 5000 * ton. minério aaton. de liga 21 Escolha da variável de decisão Esta etapa é simples quando a função objectivo e as restrições estão directamente associadas às variáveis de decisão. Quais são as incógnitas? O que queremos decidir? O que é que o agente de decisão quer saber? +- cobre? +- zinco? +- chumbo? Ganhar muito ou pouco? Que parâmetros são variáveis e quais são fixos? 22

Escolha da variável de decisão Quais são as incógnitas? x i? x LBaixa? x? LAlta O que queremos decidir? Níveis de produção das ligas (em toneladas) O que é que o agente de decisão quer saber? O plano óptimo de produção. 23 Função Objectivo expressa em função das variáveis decisão Maximizar ou minimizar? Cada tonelada de liga baixa resistência contribui para o objectivo com quanto? E a de alta resistência? Maximizar z = 3000x + 5000x LBaixa LAlta z representa a receita bruta em UM em função da quantidade produzida em toneladas de ligas de baixa e alta resistência 24

Restrições (tecnológicas) expressa em função das variáveis decisão Podemos produzir quanto? O que condiciona a produção? Matéria prima Cobre Zinco Chumbo 0.50x + 0.2x LBaixa 0.25x + 0.3x LBaixa 0.25x + 0.5x LBaixa LAlta LAlta LAlta Quanto há (em ton.)? 16 11 15 25 Restrições de não-negatividade A quantidade que vamos produzir pode ser negativa? Na maioria dos problemas reais as variáveis só podem assumir valores nulos ou não negativos. São exemplos típicos variáveis que englobam peso, espaço, número de itens, configurações, pessoas etc. Eventualmente podemos dar sentido a valores negativos de tempo, unidades monetárias etc. Contudo, os valores negativos das variáveis podem ser eliminados por convenientes transformações de variáveis. x, x LBaixa LAlta 0 26

Modelo 27 Problema da fábrica de móveis Uma grande fábrica de móveis dispõe em stock 250 metros de tábuas, 600 metros de pranchas e 500 metros de painéis de aglomerado. A fábrica normalmente oferece uma linha de móveis composta por um modelo de escrivaninha, uma mesa de reunião, um armário e uma prateleira. Cada tipo de móvel consome uma certa quantidade de matéria prima, conforme a Tabela. A escrivaninha é vendida por 100 unidades monetárias (u.m.), a mesa por 80 u.m., o armário por 120 u.m. e a prateleira por 20 u.m. Pede-se para exibir um modelo de Programação Linear que maximize a receita com a venda dos móveis. 28

Problema da fábrica de móveis 29 Problema da fábrica de móveis 30

Problema da dieta 31 Problema da dieta 32

Problema da dieta (geral) 33 Problema da dieta (geral) Nota: O problema da dieta foi o primeiro problema de grande dimensão de Programação Linear a ser resolvido (1947). O modelo construído tinha 9 (in)equações (nutrientes) e 77 variáveis (alimentos). Foi dispendido um esforço de 120 homem.dia. Hoje, um problema de PL de grande dimensão é um problema com centenas de milhares de (in)equações e centenas de milhares de variáveis! É corrente resolverem-se problemas com milhares de (in)equações e variáveis em poucos segundos. A evolução não se deveu apenas ao desenvolvimento dos computadores, mas também ao notável desenvolvimento da teoria. 34

Problema de transportes 35 Problema de transportes 36

Problema de transportes 37 Problema de transportes 38

Leituras aconselhadas Secções 3.1 a 3.5 de F. Hillier, G. Lieberman, Introduction to Operations Research, 7 th edition, McGraw-Hill, 2001. 39 Links 40