Matemática Discreta Parte 11

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Revisão Conceitos Básicos Produto Cartesiano - Dados os conjuntos A e B, o produto cartesiano de A por B, denotado A X B, é o conjunto formado por todos os pares ordenados (a, b) onde a A e b B, isto é: A X B = {(a,b) a A, b B} Ex.: Dados A={a} e B={a,b} A X B = {(a,a), (a,b)} / B X A = {(a,a), (b,a)} Relação - Dados os conjuntos A e B, uma relação R de A em B, denotada R: A B, é qualquer subconjunto do produto cartesiano A X B. Ex.: Dados A={1,3,5} e B={3,9,15,20}, a relação R: A B, tal que: R = {(a,b) b=3a} é dada pelos pares ordenados R = {(1,3), (3,9), (5,15)}. 2

Relações Binárias O Produto Cartesiano de um conjunto S com ele mesmo, S X S ou S 2 é o conjunto de todos os pares ordenados de elementos de S. Ex. 01. Seja S={1,2}, então, S X S = {(1,1), (1,2), (2,1), (2,2)} Se estivermos interessados na relação de igualdade (x=y), então (1,1) e (2,2) seriam os elementos de S que satisfazem a relação. Se estivermos interessados na relação de um número ser menor que outro (x<y), teríamos o par (1,2) como único que atende à relação. Ou seja, definir uma relação binária R em um conjunto S é especificar um subconjunto de S X S. 3

Relações Binárias Em geral, uma relação binária é definida por uma descrição da relação, ao invés da lista dos pares ordenados. A descrição fornece uma caracterização dos elementos pertencentes à relação. Ex.02: Seja S={1,2}, como no Ex. 01. Seja R a relação em S dada por R={(x,y) S X S x + y = ímpar}. Então R = {(1,2), (2,1)}. 4

Tipos de Relações Binárias Seja uma relação em S com os pares ordenados na forma (s1, s2). Uma relação é do tipo um para um se cada primeira componente (s1) e cada segunda componente (s2) do par ordenado aparece uma única vez na relação. Uma relação é do tipo um para muitos se alguma primeira componente (s1) aparece em mais de um par. A relação é dita muitos para um se alguma segunda componente s2 aparecer em mais de um par. Finalmente, a ela é muitos para muitos se pelo menos um s1 aparece em mais de um par e pelo menos um s2 também aparece em mais de um par. 5

Tipos de Relações Binárias Um para um Um para muitos Muitos para um Muitos para muitos 6

Propriedades das Relações Binárias Seja uma relação R em um conjunto S com a seguinte descrição: R={(x,y) S X S x = y}. Essa relação de igualdade tem três propriedades: Para qualquer x S, (x,x) R; Para qualquer x e y S, se x=y, então y=x, ou seja (x,y) R (y,x) R Para qualquer x, y e z S, se x=y, y=z, então x=z, ou seja, [(x,y) R e (y,z) R] (x,z) R. Essas três propriedades fazem com que a relação de igualdade seja reflexiva, simétrica e transitiva. R ser reflexiva significa ( x)(x S (x,x) R) R ser simétrica significa ( x)( y)(x S y S (x,y) R (y,x) R) R ser transitiva significa ( x)( y)( z)(x S y S z S (x,y) R (y,z) R (x,z) R) 7

Propriedades das Relações Binárias Ex.03: Considere a relação no conjunto N. Ela é reflexiva, pois para qualquer inteiro não-negativo x, x x. Ela é transitiva pois quaisquer inteiros não-negativos x, y, e z, se x y e y z, então x z. Entretanto ela não é simétrica, pois 3 4 não implica que 4 3. Dizer que uma relação R é anti-simétrica significa ( x)( y)(x S y S (x,y) R e (y,x) R x = y). Ex. 04: Seja S = (N) e A, B e C subconjuntos de S. Considere uma relação binária em S definida por R: A B (a,b) A B. Então R é reflexiva, já que todo conjunto é subconjunto de si mesmo. R é transitiva pois se A é subconjunto de B e B é subconjunto de C, então A é subconjunto de C. R é anti-simétrica pois se A é um subconjunto de B e B é subconjunto de A, então A=B. 8

Propriedades das Relações Binárias - Resumo Reflexiva é uma relação na qual todo elemento está relacionado consigo mesmo. Na igualdade sobre os números reais isso é claramente verificado. Simétrica indica que toda vez que um elemento estiver relacionado com outro, a vice-versa também estará relacionada. Numa relação de parentesco entre duas pessoas isso é um fato verdadeiro. Transitiva significa que se um número relaciona-se com um segundo número e este com um terceiro, pode-se obter a relação do primeiro com o terceiro. A relação menor sobre os números naturais ilustra essa propriedade. Anti-simétrica não é o inverso da simétrica e sim estabelece que não é possível inverter os elementos, ou seja (y,x) R, a menos que x=y. 9

Ex. 05: Seja S={1,2,3} e R uma relação em S. Se R é reflexiva, quais os pares ordenados tem que pertencer a R? Ex. 06: Se uma relação R em S é simétrica e se (a,b) R, que outro par ordenado tem que pertencer a R? Ex. 07: Se uma relação R em S é anti-simétrica e se (a,b) e (b,a) R, o que tem que ser verdade nessa condição? Ex. 08: Identifique as propriedades de cada relação abaixo: a. S = N; R={(x,y) x + y é par} b. S = Z + ; R={(x,y) x divide y} 10

Representação A relação pode ser representada através de Diagrama de Venn. 1 3 5 3 9 15 20 Domínio e Imagem de uma Relação - O Domínio de uma relação R, denotado D(R), é o conjunto formado pelos primeiros elementos de cada par ordenado da relação. No exemplo anterior, o domínio é o conjunto D(R) = {1,3,5} A Imagem de uma relação R, denotada I(R), é o conjunto formado pelos segundos elementos de cada par ordenado da relação. exemplo anterior, o domínio é o conjunto I(R) = {3,9,15} 11

Relação como Grafos Toda relação R: A B pode ser representada a partir de um grafo direcionado com arestas ligando cada par ordenado (a,b), com origem em a e destino em b. Ex.: Dados A={1,2,3} e B={4,5} A X B: A B {(1,4), (1,5), (2,4), (2,5), (3,4), (3,5)} 1 2 3 4 5 <:A A = {(1,2), (1,3), (2,3)} 1 2 3 12

Relação como Matrizes A relação R: A B pode ser representada na forma de matriz, o que facilita sua implementação em sistemas computacionais. Seja A={a 1, a 2,...a n } e B={b 1, b 2,...b m } dois conjuntos finitos. A representação da relação R como matriz é como se segue: O número de linhas é n (número de elementos do domínio). O número de colunas é m (n de elementos do Contra-Domínio) A matriz tem n * m posições e cada posição contém um valor lógico verdadeiro ou falso. Se (ai, bj) R, então a posição contém o valor verdadeiro (1); caso contrário, contém o valor falso (0). Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. As seguintes relações são representadas como matrizes: 1 - A X B: A B 2 S={(0,a), (1,b)}: C B 3 - =: A B A X B a b a 1 1 S a b 0 1 0 1 0 1 2 0 0 = a b a 1 0 13

Relação Dual Seja relação R: A B. A Relação Dual, Oposta ou Inversa é denotada por: R -1 : B A e é obtida pela inversão dos componentes de cada par ordenado. R -1 = {(b,a) (a,b) R} A X B: A B, (A X B) -1 = B X A: B A A matriz da relação dual é a matriz transposta da matriz da relação. O grafo da relação dual é o grafo resultante da inversão dos sentidos das arestas. Composição de Relações Sejam as relações R: A B e S:B C. A composição de R e S, resultando na relação: S R: A C, tal que: S R = {(a,c) ( b B)(aRb bsc)} 14

Composição de Relações Ex: A composição das relações R: A B e S:B C é S R: A C, sendo que: R = {(a,1), (b,3), (b,4), (d,5)} S = {(1,x), (2,y), (5,y), (5,z)} S R = {(a,x), (d,y), (d,z)} A composição das relações é mostrada no diagrama abaixo: S R A a b c d R B 1 2 3 4 5 S x y z C 15

Tipos de Relações Uma relação pode ser classificada nos seguintes tipos, os quais não são mutuamente exclusivos: Funcional Injetora Total Sobrejetora Monomorfismo Epimorfismo Isomorfismo Os tipos acima possuem noção de dualidade que pode simplificar o estudo e a respectiva compreensão de cada tipo. Funcional é o dual de injetora e vice-versa Total é o dual de sobrejetora e vice-versa. Monomorfismo é o dual de epimorfismo e vice-versa. Isomorfismo é dual de si mesmo. 16

Relação Funcional define o conceito de função. Seja a relação R: A B. R é funcional se e somente se: ( a A)( b1 B)( b2 B)(aRb1 arb2 b1=b2) Ou seja, em uma relação funcional, cada elemento de A está relacionado com, no máximo, um elemento de B. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São relações funcionais: : A B {(0,a), (1,b)}: C B =: A B Não são relações funcionais: A X B: A B <: C C Matriz: existe, no máximo, um valor verdadeiro em cada linha da matriz. Grafo: existe, no máximo, um arco partindo de cada nó. 17

Relação Injetora o inverso (dual) de uma funcional. Seja a relação R: A B. R é injetora se e somente se: ( b B)( a1 A)( a2 A)(a1Rb a2rb a1=a2) Ou seja, em uma relação injetora, cada elemento de B está relacionado com, no máximo, um elemento de A. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São relações injetoras: : A B {(0,a), (1,b)}: C B =: A B A X B: A B Não são relações injetoras: B X A: B A <: C C Matriz: existe, no máximo, um valor verdadeiro em cada coluna da matriz. Grafo: existe, no máximo, um arco chegando em cada nó. 18

Relação Total Seja a relação R: A B. R é total se e somente se: ( a A)( b B)(aRb) Ou seja, em uma relação total, para cada elemento de A, existe pelo menos, um elemento de B. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São relações totais: =: A B A X B: A B Não são relações totais: : A B {(0,a), (1,b)}: C B <: C C Matriz: existe, pelo menos, um valor verdadeiro em cada linha da matriz. Grafo: existe, pelo menos, um arco partindo de cada nó. 19

Relação Sobrejetora Seja a relação R: A B. R é sobrejetora se e somente se: ( b B)( a A)(aRb) Ou seja, em uma relação sobrejetora, para cada elemento de B, existe pelo menos, um elemento de A. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São relações sobrejetoras: =: A A {(0,a), (1,b)}: C B A X B: A B Não são relações sobrejetoras: =: A B : A B <: C C Matriz: existe, pelo menos, um valor verdadeiro em cada coluna da matriz. Grafo: existe, pelo menos, um arco chegando em cada nó. 20

Monomorfismo ou monorrelação Seja a relação R: A B. R é um monomorfismo se e somente se for simultaneamente TOTAL e INJETORA. Ou seja, em um monomorfismo, cada elemento de B, está relacionado com, no máximo, um elemento de A e para cada elemento de A, existe pelo menos, um elemento de B. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São monomorfismos: =: A B A X B: A B Não são monomorfismos: B X C: B C : A B {(0,a), (1,b)}: C B <: C C Matriz: existe, pelo menos, um valor verdadeiro em cada linha (total) e no máximo um valor verdadeiro em cada coluna(injetora) da matriz. Grafo: existe, pelo menos, um arco partindo (total) e no máximo, um arco chegando (injetora) em cada nó. 21

Epimorfismo ou Epirrelação Seja a relação R: A B. R é um Epimorfismo se e somente se for simultaneamente FUNCIONAL e SOBREJETORA. Ou seja, em um Epimorfismo, cada elemento de A, está relacionado com, no máximo, um elemento de B e para cada elemento de B, existe pelo menos, um elemento de A. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São epimorfismos: =: A A {(0,a), (1,b)}: C B Não são epimorfismos: =: A B : A B A X B: A B <: C C Matriz: existe, pelo menos, um valor verdadeiro em cada coluna (sobrejetora) e no máximo um valor verdadeiro em cada linha(funcional) da matriz. Grafo: existe, pelo menos, um arco chegando (sobrejetora) e no máximo, um arco partindo (funcional) em cada nó. 22

Isomorfismo ou Isorrelação Seja a relação R: A B. R é um Isomorfismo se e somente se for simultaneamente TOTAL, FUNCIONAL, INJETORA E SOBREJETORA. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São isomorfismos: : {(0,1), (1,2), (2,0)}: C C Não são isomorfismos: : A B A X B: A B <: C C Definição para grafos e matrizes? Enviar por e-mail jorge.cavalcanti@univasf.edu.br 23

Exercício 1. Dados os conjuntos A = {2,3,4,5} e B = {3,4,5,6,10}, determine as relações R 1 = A X B: A B e R 2 = <: A X B A B, determinando o(s) tipo(s) de relação de R 1 e R 2 e faça a representação de cada uma por matriz e por grafo. 24

Funções Parciais Uma função parcial é uma relação funcional. Se a relação funcional for total, então é denominada de função total ou simplesmente função. Relações Funções Parciais Funções Totais É uma função que não é definida para todos os elementos do domínio. Normalmente, as abordagens matemáticas são focadas no conceito de função total, mas o estudo de funções parciais é tão importante quanto o de total. 25

Função Parcial Todos os conceitos vistos para uma relação funcional são válidos para funções parciais, como por exemplo: As terminologias de domínio, imagem etc.. Os tipos injetora, sobrejetora etc.. Definição: uma Função Parcial é uma relação funcional f A x B Cada elemento do domínio está relacionado com no máximo, um elemento do contradomínio. Uma função parcial é denotada por f: A B e o par (a,b) f é denotado por f(a)=b. Ex.: Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São funções parciais: : A B {(0,a), (1,b)}: C B =: A B Não são funções parciais: A X B: A B <: C C T A x B, T={(a,a), (a,b)} 26

Função Parcial Matriz: existe, no máximo, um valor verdadeiro em cada linha da matriz. Grafo: existe, no máximo, um arco partindo de cada nó. Ex.: Sejam A ={0,1,2}, B ={a,b} e f={(0,a), (1,b)}: A B f a b 0 1 0 1 0 1 2 0 0 0 a 1 b A operação div: tal que div(x, y) = x/y é uma função parcial pois não é definida para (x, 0), qualquer que seja x. 27

Função Parcial Dual (oposta, inversa) A relação dual de uma função parcial não necessariamente é uma função parcial. Seja A={0,1,2} e a função parcial f:a x A tal que f={(0,2),(1,2) }. Assim, a relação dual (inversa) de f é f -1 ={(2,0),(2,1)}, que claramente não é uma relação funcional e então, não é uma função parcial. Lembrar que o dual de uma relação funcional é injetora. Composição de Funções Parciais Por definição, a composição de relações funcionais é uma relação funcional. Daí, a composição resultante de funções parciais também é uma função parcial. 28

Composição de Funções Parciais Ex.: A composição das funções parciais f: A B e g: B C é g f: A C, sendo que: f = {(a,1), (c,5), (d,5)} g = {(1,x), (2,y), (4,y), (5,z)} g f = {(a,x), (c,z), (d,z)} A composição das funções é mostrada no diagrama abaixo: g f A a b c d f B 1 2 3 4 5 g x y z C 29

Função Total Uma função total ou simplesmente função é uma função parcial f: A B a qual é total. É uma função que é definida para todos os elementos do domínio (A), ou seja devem ser válidas as seguintes proposições: ( a A)( b B)(aRb) e ( a A)( b1 B)( b2 B)(aRb1 arb2 b1=b2) Sejam A={a}, B={a,b} e C={0,1,2}. Então: São funções: h C X B, h={(0,a), (1,b), (2,b)} {(0,a), (1,b), (2,b)}: C B p A X B, xpy x=y, p = {(a,a)} =: A B Não são funções: R A X B, R= : A B S C X B, S={(0,a), (1,b)} {(0,a), (1,b)}: C B <: C C 30

Função Em termos de notação como matriz ou grafo, basta considerar que uma função é uma relação funcional e total. Assim: Matriz: existe, exatamente, um valor verdadeiro em cada linha da matriz. Grafo: existe, exatamente, um arco partindo de cada nó. Função Injetora - Seja a função f: A B. f é injetora se e somente se: ( b B)( a1 A)( a2 A)(f(a1) =b f(a2) =b a1=a2) Ou seja, em uma função injetora, cada elemento de B está relacionado com, no máximo, um elemento de A. Ex1. f: f(x) = x 3, é injetora. Ex2. f: f(x) = x 2, não é injetora. Ex3. f: f(x) = x 2, é injetora. 31

Em uma Função injetora, cada elemento do co-domínio é imagem de no máximo, um elemento do domínio. Função Sobrejetora - Seja a função f: A B. f é sobrejetora se e somente se: ( b B)( a A)(f(a)=b) Ou seja, em uma relação sobrejetora, para cada elemento de B, existe pelo menos, um elemento de A. Em uma Função sobrejetora, todo elemento do co-domínio é imagem de pelo menos, um elemento do domínio. Função bijetora (ou isomorfismo) Quando uma função é, simultaneamente, injetora e sobrejetora. Em uma Função bijetora, todo elemento do co-domínio é imagem, exatamente, de um elemento do domínio. A 3 4 5 f x y x B 32

Exercício 1. Considerem-se as funções adição sobre o conjunto dos números naturais (+: x ), divisão, sobre o conjunto dos números reais (/: x ), e raiz quadrada, sobre o conjunto dos números inteiros ( : ). Verificar as propriedades (injetora, sobrejetora e total) de cada função (1). = Números naturais {0,1,2..} =Números inteiros {...-2,-1,0,1,2...} = Números reais. Injetora Sobrejetora Total +: x Não Sim Sim /: x Não Sim Não : Sim Não Não (1) Do Livro Linguagens Formais Teorias, Modelagem e Implementação, Ramos, M. V. M., Neto, J.J. e Vega, I. S. Bookman, 2009. 33

Função Dual (Oposta) Da mesma forma que em funções parciais, a relação dual de uma função (total) não necessariamente é uma função. Exemplos Seja A = {0,1,2} e a função R A x A tal que R={(0,2),(1,2),(2,1)}. Assim, a relação dual (inversa) de R é R -1 = {(2, 0), (2, 1), (1, 2) }, que não é uma relação funcional e então, não é uma função. Seja f: {0, 1} {0, 1, 2} tal que f = { (0, 0), (1, 1) }. Assim, sua dual possui o mesmo conjunto de pares ordenados, { (0, 0), (1, 1) }, mas não é função. 34

Composição de Funções Totais A composição das funções totais f: A B e g: B C é g f: A C, sendo que: f = {(a,1), (b,2), (c,5), (d,5)} g = {(1,x), (2,y), (3,y), (4,y), (5,z)} g f = {(a,x), (b,y), (c,z), (d,z)} A composição das funções é mostrada no diagrama abaixo: g f A a b c d f B 1 2 3 4 5 g x y z C 35

Composição de Funções Sejam f: A B e g: B C, então a função g f: A C, é uma função definida por (g f)(a) = g[f(a)] onde a A. Ex. 1: Sejam A={1,2,3,4,5}, B={6,7,8,9} e C={10,11,12,13}. Sejam f: A B e g: B C, definidas por: f = {(1,6), (2,6), (3,9), (4,7), (5,7)} g = {(6,10), (7,11), (8,12), (9,13)} Então g f = {(1,10), (2,10), (3,13), (4,11), (5,11)} (g f)(2) = g[f(2)] = g[6] = 10 A 1 2 3 4 5 f B 6 7 8 9 g 10 11 12 13 C

Composição de Funções Ex. 2: Sejam f, g: dada por f(x) = x 2 +1 e g(x)=2x-3. Quanto vale (g f)(4)? (g f)(4) = g[f(4)] = g(4 2 +1) = g(17) = 2(17)-3 = 31. De modo geral: (g f)(x) = g[f(x)] = g(x 2 +1) = 2(x 2 +1) -3 = 2x 2 +2-3 = 2x 2-1 Por que g f e não f g? A notação g f significa que primeiro calculamos f e em seguida g (em g f (a), f está mais próximo de (a)). O domínio de g f é o mesmo domínio de f. A existência da função g f, não assegura a definição de f g. Veja g(6) no Ex. 1. Quando ambas são definidas, geralmente g f f g.

Composição de Funções Ex. 3: Sejam A={1,2,3,4,5}, f: A A e g: A A, definidas por: f = {(1,1), (2,1), (3,1), (4,1), (5,1)} g ={(1,5), (2,4), (3,3), (4,2), (5,1)} Então g f e f g são: g f = {(1,5), (2,5), (3,5), (4,5), (5,5)} f g = {(1,1), (2,1), (3,1), (4,1), (5,1)} g f f g Exercício: Sejam f, g: dada por f(x) = x 2 +1 e g(x)=2x-3. Mostre que: a) (g f)(4) (f g)(4) b) (g f)(x) (f g)(x)

Composição de Funções Associatividade Sejam os conjuntos A, B, C e D e sejam f: A B, g: B C e h: D C, então: h (g f) = (h g) f [h (g f) (a)] = h [(g f) (a)] = h[g[f(a)]] [(h g) f](a) = (h g) [f(a)] = h[g[f(a)]] Logo: h (g f) = (h g) f

Função Identidade Seja um conjunto A. A função identidade em A (Id A ) é a função cujo domínio é A e para todo a A, Id A = a, ou f(a) = a. Id A = [(a,a) a A] Sejam os conjuntos A e B, f: A B, então: f Id A = Id B f = f (f Id A ) (a)= f (Id A (a)) = f(a) = f (Id B f) (b)= Id B (f (b)) = Id B (b) = f Ex.: Seja A={1,2,3}, B={4,5,6}, f: A B dada por f:{(1,4), (2,5), (3,6)}. Verifique que f Id A = Id B f = f Id A = {(1,1), (2,2), (3,3)} Id b = {(4,4), (5,5), (6,6)}

Ex.: Seja A={1,2,3}, B={4,5,6}, f: A B dada por f:{(1,4), (2,5), (3,6)}. Verifique que f Id A = Id B f = f Id A = {(1,1), (2,2), (3,3)} Id b = {(4,4), (5,5), (6,6)} f Id A = f[id A ] = {(1,4), (2,5), (3,6)} = f Id B f = Id B [f] = {(1,4), (2,5), (3,6)} = f f Id A Id B f 1 2 3 Id A 1 2 3 f 4 5 6 Id B 4 5 6 A A B B 41