7 DEMONSTRAÇÕES DO TEOREMA DE MORLEY

Documentos relacionados
Equilátero Isósceles Escaleno

Triângulos classificação

Teorema de Tales. MA13 - Unidade 8. Resumo elaborado por Eduardo Wagner baseado no texto: A. Caminha M. Neto. Geometria.

Geometria plana. Índice. Polígonos. Triângulos. Congruência de triângulos. Semelhança de triângulos. Relações métricas no triângulo retângulo

Matemática. Nesta aula iremos aprender as. 1 Ponto, reta e plano. 2 Posições relativas de duas retas

Geometria plana. Índice. Polígonos. Triângulos. Congruência de triângulos. Semelhança de triângulos. Relações métricas no triângulo retângulo

Aula 09 (material didático produzido por Paula Rigo)

EMENTA ESCOLAR III Trimestre Ano 2014

MAT-230 Diurno 1ª Folha de Exercícios

Geometria Plana - Aula 05

MATEMÁTICA. Capítulo 2 LIVRO 1. Triângulos. Páginas: 157 à169

Duração: 90 minutos (3 valores) Sabe-se que a b. Atendendo à gura, calcule a medida do ângulo D indicado.

8 EXTENSÕES DO TEOREMA DE MORLEY

DEMONSTRAÇÃO DOS TEOREMAS DE NAPOLEÃO E PITÁGORAS COM AUXÍLIO DO GEOGEBRA

MATEMÁTICA APLICADA À AGRIMENSURA PROF. JORGE WILSON

META Introduzir e explorar o conceito de congruência de segmentos e de triângulos.

PERÍMETRO O perímetro de um triângulo é igual à soma das medidas dos seus lados. Perímetro ABC = AB + AC + BC TRIÂNGULOS

TRIÂNGULOS. Condição de existência de um triângulo

1. Área do triângulo

Ângulos, Triângulos e Quadriláteros. Prof Carlos

Geometria Plana. Exterior do ângulo Ô:

NOME: ANO: 3º Nº: PROFESSOR(A):

Propriedades do ortocentro

Sobre a Reta de Euler

LUGARES GEOMÉTRICOS Geometria Euclidiana e Desenho Geométrico PROF. HERCULES SARTI Mestre

1º Banco de Questões do 4º Bimestre de Matemática (REVISÃO)

Teorema do ângulo externo e sua consequencias

Triângulos DEFINIÇÃO ELEMENTOS

Semelhança de triângulos

1ª Aula. Introdução à Geometria Plana GEOMETRIA. 3- Ângulos Consecutivos: 1- Conceitos Primitivos: a) Ponto A. b) Reta c) Semi-reta

Aula 1. Exercício 1: Exercício 2:

» Teorema (CROSSBAR) Seja ABC um triângulo e seja X um ponto em seu interior. Então todo raio AX corta o lado BC.

Grupo de exercícios I.2 - Geometria plana- Professor Xanchão

1. Posição de retas 11 Construindo retas paralelas com régua e compasso 13

MATEMÁTICA FRENTE IV. Capítulo 2 LIVRO 1. Triângulos

Lugares geométricos básicos I

MATEMÁTICA 3 GEOMETRIA PLANA Professor Renato Madeira. MÓDULO 5 Quadriláteros

MATEMÁTICA 3 GEOMETRIA PLANA

TEOREMA DE CEVA E MENELAUS. Teorema 1 (Teorema de Ceva). Sejam AD, BE e CF três cevianas do triângulo ABC, conforme a figura abaixo.

CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS E DEMONSTRAÇÕES nível 1

Trigonometria no Triângulo Retângulo

Axiomas e Proposições

LISTA DE EXERCÍCIOS MAT GEOMETRIA E DESENHO GEOMÉTRICO I

CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS E DEMONSTRAÇÕES nível 2

MA13 Geometria AV1 2014

CM127 - Lista Mostre que os pontos médios de um triângulo isósceles formam um triângulo também isósceles.

Exemplo Aplicando a proporcionalidade existente no Teorema de Tales, determine o valor dos segmentos AB e BC na ilustração a seguir:

(A) 30 (B) 6 (C) 200 (D) 80 (E) 20 (A) 6 (B) 10 (C) 15 (D) 8 (E) 2 (A) 15 (B) 2 (C) 6 (D) 27 (E) 4 (A) 3 (B) 2 (C) 6 (D) 27 (E) 4

4. Saber a relação entre o número de lados e diagonais em polígonos convexos.

Circunferência e círculo. Posições relativas de ponto e circunferência. Posições relativas de reta e circunferência

MATEMÁTICA III. Pág 404. Prof. Eloy Machado 2015 EFMN

Geometria Euclidiana Plana Parte I

Polígonos PROFESSOR RANILDO LOPES 11.1

CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS FUNDAMENTAIS

Conceitos básicos de Geometria:

A respeito da soma dos ângulos internos e da soma dos ângulos externos de um quadrilátero, temos os seguintes resultados:

Áreas IME (A) (B) (C) (D) 104 (E) e 2

Congruência de triângulos

Aula 2 Congruência de Triângulos

Semelhanças, Congruências, Razões e alguns tópicos adicionais

BANCO DE EXERCÍCIOS - 24 HORAS

FICHA de AVALIAÇÃO de MATEMÁTICA A 11.º Ano de escolaridade Versão 4

Desenho Geométrico. Desenho Geométrico. Desenho Geométrico. Desenho Geometrico

PONTOS NOTAVEIS NO TRIANGULO

As referências que seguem serão as nossas fontes principais de apoio:

FICHA de AVALIAÇÃO de MATEMÁTICA A 11.º Ano de escolaridade Versão 3

C A r. GABARITO MA13 Geometria I - Avaliação /2. A área de um triângulo ABC será denotada por (ABC).

Lúcio Sebastião Coelho da Silva. O Teorema de Morley. Dissertação de Mestrado

Av. João Pessoa, 100 Magalhães Laguna / Santa Catarina CEP

MESTRADO PROFISSIONAL EM MATEMÁTICA EM REDE NACIONAL. ENQ Gabarito. a(x x 0) = b(y 0 y).

01- Quais são as medidas dos ângulos de um quadrilátero cujas medidas são expressas por X , 3X, X e 2X ? R.: x + 30º x + y R.

MATEMÁTICA. Teorema de Tales e Semelhança de Triângulos. Professor : Dêner Rocha. Monster Concursos 1

DESENHO GEOMÉTRICO Matemática - Unioeste Definição 1. Poligonal é uma figura formada por uma sequência de pontos (vértices)

Números e Funções Reais, E. L. Lima, Coleção PROFMAT.

Objetivos da aula. 1. Saber usar o ângulo externo de um polígono. 2. Saber que ângulos alternos internos têm a mesma medida.

ENSINO PRÉ-UNIVERSITÁRIO PROFESSOR(A) TURNO. 01. Determine a distância entre dois pontos A e B do plano cartesiano.

Lista de Exercícios OBMEP NA ESCOLA N2 ciclo 3 ENUNCIADOS: três questões para serem resolvidas em casa com discussão posterior

Geometria Euclidiana Plana Parte I

1.0. Conceitos Utilizar os critérios de divisibilidade por 2, 3, 5 e Utilizar o algoritmo da divisão de Euclides.

GEOMETRIA PLANA. Prof. Fabiano

REVISÃO 9º ANO - MATEMÁTICA MATEMÁTICA - PROF: JOICE

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS TRIÂNGULOS

Semi-Reta: é uma parte da reta limitada por apenas um ponto. É representada como mostra a figura acima.

Mat. Monitor: Rodrigo Molinari

TRIÂNGULOS SEMELHANTES

Aula 3 Polígonos Convexos

1. Primeiros conceitos

Paralelismo. MA13 - Unidade 3. Resumo elaborado por Eduardo Wagner baseado no texto: A. Caminha M. Neto. Geometria.

MESTRADO PROFISSIONAL EM MATEMÁTICA EM REDE NACIONAL. ENQ Gabarito

Relatório Sobre a Exposição do Tema A Reta de Euler

Geometria 8 Ano A/B/C/D Prof. Israel Lopes

Aula 11 Polígonos Regulares

Modulo 1. Seja x a medida do ângulo procurado. x complemento: 90º x suplemento: 180º x Interpretando o enunciado temos:

Teorema de Ceva AULA. META: O Teorema de Ceva e algumas aplicações. OBJETIVOS: Enunciar e demonstrar o Teorema de Ceva; Aplicar o Teorema de Ceva.

Proposta de Prova Final de Matemática

Preparar o Exame Matemática A

Os problemas em Desenho Geométrico resumem-se em encontrar pontos. E para determinar um ponto basta obter o cruzamento entre duas linhas.

MATEMÁTICA - 3o ciclo Lugares geométricos (9 o ano) Propostas de resolução

CADERNO DE ATIVIDADES DE GEOMETRIA PLANA DESENHO GEOMÉTRICO. Aluno: nº: turma: Disciplina: Profº: data: Disciplina: Matemática QUESTIONÁRIO

Transcrição:

7 DEMONSTRAÇÕES DO TEOREMA DE MORLEY 7.1. Através da Geometria Euclidiana Plana Observando a prova de Dan Sokolowsky publicada na Revista Escolar de la Olimpíada Iberoamericana de Matemática [15], foi feita uma demonstração que se vale apenas da Geometria Euclidiana Plana. A opção pela apresentação de diversas figuras tem por objetivo facilitar a visualização das propriedades aplicadas, sem a necessidade de retorno ao enunciado. Incialmente, se faz necessário provar o seguinte lema:. Lema: Para um triângulo qualquer ABC, no qual as medidas dos ângulos internos são dadas por BÂC = 3, = 3 e = 3 ; se BF e CF são trissetrizes adjacentes ao lado BC, então os segmentos FP e FQ, perpendiculares às outras trissetrizes de mesma origem que as primeiras, formam entre si um ângulo cuja medida é igual a 120 2. Figura 22: Um lema importante. Demonstração Sendo = 180 ( + ), = 90 e = 90, então: = 360 [180 ( + ) + 90 + 90 ] = 2( + ). Mas, 3 + 3 + 3 = 180, ou seja, + + = 60 e daí decorre que: ( + ) = 60 e, finalmente, = 2(60 ) = 120 2.

43 A seguir, passo a passo conduz-se a demonstração do Teorema de Morley propriamente dita: de Passo 1: Dado um triângulo ABC, constroem-se as trissetrizes de AB ˆ C e AC ˆ B, assim obtendo os pontos F e G. Assim, e são, respectivamente, bissetrizes de CB ˆ G e BC ˆ G, portanto, F é incentro do triângulo BCG. Figura 23: Demonstração geométrica Passo 1. Passo 2: Traçando e, respectivamente perpendiculares a e, obtém-se os pontos R e S, médios desses segmentos e, consequentemente, as mediatrizes e. Mas, F é incentro do triângulo BCG, logo = = = e, obviamente, =. Figura 24: Demonstração geométrica Passo 2.

44 Passo 3: Traçando uma circunferência definida pelos pontos A, P e Q, obtém-se os pontos X e Y, respectivamente, sobre e. Também são obtidos T e U em e, respectivamente. Sendo O o centro de, tem-se PÔQ = 6 e = = = =. Figura 25: Demonstração geométrica Passo 3. Passo 4: Sendo = e =, ligando os pontos O e F, são obtidos, pelo caso LLL 1, os triângulos congruentes OPF e OQF. Neles, os ângulos internos opostos ao lado OF são dados por: = = 180 (3ª + 60 ) = 120 2 e, consequentemente, OF é bissetriz de e de PÔQ. Logo, = = e = = 60. Analogamente, OTF e OUF também são triângulos congruentes e sendo OPT e OQU triângulos isósceles, tem-se: = = 180 (120 2 ) = 60 + 2. Daí pode-se concluir que OU e PF são paralelos e FÔU = FÔT = 60, então FÔU = FÔT = = e assim, o quadrilátero OTFU é um losango, pois = = =. Além disso, OPFU é um trapézio isósceles (OU // PF e = ), portanto, a semirreta é mediatriz tanto de PF, quanto de OU e daí, então temse = =, ou seja, o triângulo OXU é equilátero. Mas, se FÔU = 60 e XÔU = 60, então FÔX = a. 1 Caso de congruência segundo o qual os lados de dois triângulos têm medidas respectivamente iguais.

45 Figura 26: Demonstração geométrica Passo 4. Passo 5: Construindo-se um ponto Y nas mesmas condições impostas ao ponto X, pela simetria em relação ao segmento OF, pode-se afirmar que XÔY = 2 e, então, os pontos X e Y trissectam o arco PQ. Figura 27: Demonstração geométrica Passo 5. Decorre desse fato que AX e AY são trissetrizes de BÂC e = =. Como X e Y foram construídos sobre mediatrizes, tem-se = =. Logo, X, Y e F são os vértices do triângulo de Morley.

46 7.2. Através das Relações Trigonométricas Outra demonstração pode ser feita com aplicações de relações trigonométricas, tema frequente nas aulas do Ensino Médio. Trata-se de aplicar basicamente a Lei dos Senos, a Lei dos Cossenos, adição de arcos e as transformações em produto. O desenvolvimento a seguir, se baseia no artigo publicado na revista EUREKA! [18]. A figura 17, apresentada anteriormente, será o ponto de partida. Nela, serão considerados ângulos BÂC = a, AB ˆ C = b e AC ˆ B = c. Inscrevendo ABC em uma circunferência de raio R, pela Lei dos senos, pode-se afirmar que:, ou seja, = 2R.sen a. (1) Fazendo uso da identidade trigonométrica demonstrada no Apêndice III,, substituindo em (1), decorre que: = 8R.. No triângulo BCF, onde pela Lei dos Senos, tem-se: BF ˆ C = ( ) = ( ) = Novamente logo, = 8R..

47 Analogamente, Repetindo o processo para o triângulo ABD, tem-se: = 8R.. Para simplificar os cálculos, faz-se k = 8R. e, assim são obtidos: = e =. Com essas medidas, aplica-se a Lei dos Cossenos no triângulo BDF: = ( ) + ( ) ( ) ( ) = ( ) ( ) ( ) = ( ) [( ) ( )] = [ ( ) ( ) ( )] = [ ( ) ( ) ( )] = [ ( ) ( ) ( )] = [ ( ( ) ) ( ) ( )] = [ ( )] = [ ] = [ ] Como > 0, tem-se. Mas, k = 8R. e assim:. Fazendo as mesmas aplicações partindo, respectivamente, dos triângulos ABD e ACE, obtém-se = =. Logo, = = e daí decorre que DEF é equilátero.