Processo de envelhecimento



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Processo de envelhecimento O idoso não é uma versão mais velha do adulto jovem O idoso tem características metabólicas distintas que alteram as necessidades em relação a nutrientes específicos

Nutrição e envelhecimento Metabolismo basal Dispêndio de energia Necessidades energéticas (VCT) Ingestão alimentar Anorexia do idoso Morley e Silver -1988

Nutrição e envelhecimento Necessidades energéticas (VCT) Ingestão alimentar Perda de peso Modificação da composição corporal SARCOPÉNIA

Nutrição e envelhecimento Anorexia do idoso Ingestão alimentar Actividade física Sarcopénia

Necessidades energéticas (VCT) Ingestão alimentar Outros factores Sociais Mudanças de hábitos Isolamento Pobreza Medicação crónica?

Nutrição e envelhecimento Anorexia do idoso

Anorexia do idoso Ingestão alimentar Regulador central (Hipotálamo) Sistema periférico (saciedade) Sinalizadores celulares (leptina, ) Nutrientes absorvidos Hormonas circulantes O envelhecimento determina alterações a diferentes níveis do sistema Anorexia do idoso

Anorexia do idoso Adulto jovem Idoso Após jejum prolongado apetite apetite Após refeição standard saciedade saciedade Atraso no esvaziamento gástrico no idoso John E. Morley, Am J Clin Nutr 1997

Anorexia do idoso NO Relaxamento do fundo gástrico Capacidade de reservatório do fundo gástrico < Passagem do bolo alimentar ao antro SACIAÇÃO No idoso NO SACIAÇÃO PRECOCE

Anorexia do idoso No idoso Aumento do efeito saciante da colecistoquinina Menos eficácia do NPY (orexígeno) Saciedade Apetite

Anorexia do idoso Insulina Agente saciante Amilina Agente anoréxico O envelhecimento condiciona desenvolvimento de IR

Envelhecimento e aparelho digestivo O envelhecimento está associado a: Perda quimio-sensorial significativa Menos habilidade para identificar odores e sabores Sensibilidade reduzida ao doce, ácido, salgado e amargo. Queixas de sabor amargo/metálico não relacionado com os alimentos Estas alterações são exacerbadas, por vezes, com a medicação Há uma correlação significativa entre o risco de malnutrição e a percepção diminuída aos odores Griep MI e col.; Eur J Clin Nutr - 1996

Envelhecimento e aparelho digestivo O declínio do paladar e do olfacto com a idade Risco de maior consumo de sal e doces Menos prazer na ingestão de alimentos Aumento da probabilidade de ingestão de comida adulterada

Alterações patológicas e funcionais do tubo digestivo no envelhecimento Alterações patológicas Alterações funcionais Estômago Gastrite atrófica Hipocloridria; crescimento bacteriano; deficiência em vitamina B12 ; deficiência em Fe Esvaziamento lento Saciedade precoce e hiporexia Pâncreas Atrofia / fibrose Declínio da função da célula β Declínio da secreção exócrina Possível esteatorreia cólon Disfunção motora Atraso no trânsito intestinal

Envelhecimento Alterações da composição corporal Aumento da massa gorda Diminuição da massa magra Diminuição da massa muscular Diminuição da água total Diminuição da massa óssea

Músculo e Envelhecimento A SARCOPENIA é um fenómeno central no ENVELHECIMENTO determina fragilidade física e psíquica diminuição da qualidade de vida institucionalização (muitas vezes)

Músculo e envelhecimento Sub-nutrição Inactividade física 2 dos factores contributivos Sarcopénia

Sarcopénia Sub-nutrição é um dos factores contributivos da sarcopénia A adequação da ingestão alimentar pode ajudar a corrigir a sarcopénia Como? Aumentando o valor energético? Aumentando as proteínas? Suplementos? Nutritivos? De proteínas?

Músculo esquelético 40-45% do peso corporal total 70-80% da massa celular 75% localizam-se nas 4 extremidades 18-20% da massa muscular são proteínas FUNÇÕES Viabilização da locomoção Importantes funções metabólicas Maior repositório de proteínas (±50% do total das proteínas corporais) Fonte de percursores para: Glicose (via neoglicogénese) Síntese de proteínas de outros tecidos

Metabolismo proteico A síntese proteica muscular basal declina com a idade No idoso verifica-se menos sensibilidade anabólica à ingestão de AA Eficácia anabólica reduzida no idoso, quando da ingestão duma refeição normal

Necessidades em proteínas Necessidade de maximizar a estimulação da síntese proteica muscular Aumentando a ingestão de proteínas Adequando a sua qualidade

Sarcopénia estratégia de prevenção Ingestão adequada de proteínas Quantidade? Qualidade? Não há consenso quanto à quantidade de proteínas

Necessidades em proteínas Proteínas = 0,8 g / Kg / dia VCT = 40 Kcal / Kg / dia RDA Recommended Dietary Allowance É sugerido uma ingestão moderadamente mais elevada 1 1,3 g / Kg peso / dia Nos diferentes estudos não foram reportados efeitos adversos

Sarcopénia estratégia de prevenção Qualidade das proteínas Diferentes fontes alimentares de proteínas Fornecer AA essenciais em quantidade adequada Especial atenção aos AACR

Aminoácidos de cadeia ramificada Leucina Isoleucina Valina Promovem Síntese proteica Neoglicogénese Representam cerca de 1/3 das proteínas musculares O seu consumo diminui a degradação das proteínas corporais

Aminoácidos de cadeia ramificada Fontes alimentares Proteínas animais (carne, peixe, marisco) ovos Lacticínios Leguminosas Oleaginosas

Músculo e envelhecimento Sub-nutrição Inactividade física 2 dos factores contributivos Sarcopénia

Sarcopénia A sarcopénia afecta essencialmente as fibras musculares de tipo I As fibras de tipo I são responsáveis pelos movimentos que requerem força (por exemplo: levantar-se da cadeira)

Exercício físico e Prevenção da sarcopénia Exercícios de resistência Actividade aeróbica (marcha)

Balanço hídrico e envelhecimento A água corporal total desce linearmente com o avançar da idade Decresce 0,3 l por década a partir da idade adulta A maior perda acontece no compartimento intra-celular Nos muito idosos atinge valores < 50% (normal 50-65%) Perda de peso > 3% em poucos dias é sinal de desidratação Perda de 1-2% é sinal de balanço hídrico negativo

Necessidades hídricas Idade Volume (ml/kg/dia) 1 dia 60 2 dias 90 3 dias 120 9 meses 135 12 meses 92 2 anos 83 4 anos 66 8 anos 62 12 anos 58 20 anos 35 50 anos 35 >65 anos 30 Federico Bozzetti; Critical Reviews in Oncology/Hematology - 2003

Necessidades hídricas Idade Volume (ml/kg/dia) 1 dia 60 2 dias 90 3 dias 120 9 meses 120135 12 meses 92 2 anos 83 4 anos 66 8 anos 62 12 anos 58 20 anos 35 50 anos 35 >65 anos 30 Federico Bozzetti; Critical Reviews in Oncology/Hematology - 2003

Osteoporose A Saúde do Osso é um continuum para qualquer grupo etário: Geneticamente determinado Modificado pelo estilo de vida e factores ambientais. A Osteoporose Senil é uma doença pediátrica Charles Dent - 1978

Fontes alimentares de Cálcio Lacticíneos leite yogurt queijo Vegetais verdes Peixe em conserva (com espinha) oleaginosas Alimentos enriquecidos em cálcio sumos bolachas cereais

Suplemento de Cálcio Devemos recorrer ao suplemento quando a ingestão adequada de cálcio, através dos alimentos, não é possível Absorção de cálcio diminui quando há sobrecarga O cálcio é melhor absorvido quando dado junto a uma refeição A quantidade diária de cálcio nunca deve exceder os 2.500 mg Cada dose de suplemento de cálcio não deve exceder os 500 mg Deve ser dado junto a uma refeição pouco rica em cálcio

Fontes de Vitamina D > 90% das necessidades em vitamina D são formadas na pele através da exposição solar casual. Muito poucos alimentos naturais contêm vitamina D Gordura do peixe (salmão, bacalhau, sardinha, ) Gema do ovo Muito poucos alimentos são enriquecidos com vitamina D Leite Sumo de laranja Alguns pães Cereais

Vitamina D e População Idosa Deficiência em Vitamina D Comum nos idosos Associa-se a fraqueza muscular Predomina nos músculos proximais Sensação de peso nas pernas Dificuldade em subir escadas Dificuldade em levantar-se Tremor fácil Factores de risco Diminuição da ingestão alimentar Diminuição da exposição solar Redução da espessura da pele Diminuição da absorção intestinal Perturbação da hidroxilação no fígado e rim

CONCLUSÕES Com o envelhecimento há um risco de desequilibrio dos balanços energético e metabólico. O envelhecimento determina alterações da composição corporal que condiciona muitas das alterações que são imputadas à idade. A adequação da alimentação e da actividade física é um modo de contrariar esse tipo de evolução.