EM PONTOS: vale a pena planejar

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NO NEGÓCIO TEXTO DE MARCELO CASAGRANDE 5 EM PONTOS: vale a pena planejar A Gestão&Negócios reuniu cinco importantes motivos pelos quais o planejamento financeiro é fundamental para uma empresa. Saber o quanto se pode investir, ou o quanto se deve poupar, é uma informação decisiva para a saúde financeira do seu negócio 50

A estimativa do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pode parecer assustadora no primeiro contato: sete em cada dez microempresas fecham as portas antes de completar cinco anos de existência. Entre os principais motivos está a falta de planejamento financeiro. Na vontade de crescer, o empreendedor acaba se esquecendo de construir uma base sólida e, antes de qualquer coisa, é preciso colocar ideias, entradas e saídas em uma planilha, ver onde se quer, e o principal, onde se pode chegar. Quando deixou a informalidade, a cabelereira Lélia Rezende não pensou no planejamento. Constituiu uma empresa, abriu uma conta bancária de pessoa jurídica e teve acesso ao financiamento. Reformou o imóvel alugado, comprou equipamentos, contratou duas funcionárias e agregou três prestadoras de serviço (maquiadora, depiladora e manicure). Trabalhei por quase dez anos em uma sala de casa. O dinheiro que recebia das clientes era usado para comprar os produtos e pagar as contas pessoais, relembra Lélia. Era uma verdadeira vala comum: contas pessoais e profissionais todas misturadas. Lélia reconhece que tem a desorganização como vício, tanto que quando inaugurou o tão sonhado salão de beleza em Vinhedo, interior de São Paulo, percebeu que precisava mudar de postura. Os seis primeiros meses foram de muito prejuízo. Antes ganhava cerca de R$4 mil por mês e quando abri o salão vi a conta no vermelho chegar a quase R$7 mil, revela. A volta por cima veio quando Lélia resolveu pedir ajuda. Ela buscou auxílio com um consultor de empresas. A primeira missão dada à empresária foi descobrir o que consumia mais dinheiro. Aprendi o que era um fluxo de caixa, brinca Lélia. A descoberta da empresária é apenas um importante item que deve fazer parte do dia a dia de empreendedores que precisam conhecer outros pontos importantes. A Gestão&Negócios selecionou cinco deles, confira! 51

NO NEGÓCIO 1 CAPITAL DE GIRO A importância do capital de giro ainda é desconhecida por muitos empreendedores. Há quem pense que se trata de um dinheiro extrausado para emergências, outros acreditam que é usado para fazer investimentos. Mas não. Segundo a docente da Business School São Paulo, Berenice Damke, o capital de giro é o conjunto de recursos financeiros necessário para fazer frente às atividades do dia a dia das empresas. Engloba o dinheiro que está no caixa, na conta corrente e/ou em aplicações financeiras da empresa, os estoques e as contas a receber, explica. O capital de giro será utilizado pela empresa para pagar os fornecedores, as duplicatas, os salários e benefícios dos funcionários, os empréstimos, os financiamentos e os impostos. Ter capital de giro é primordial para uma empresa ser saudável do ponto de vista financeiro e, claro, continuar existindo. Berenice reforça que o capital de giro é o dinheiro de curto prazo e só deve ser usado para pagar as contas do dia a dia, aquelas que vencem em prazo inferior a um ano. Se o empreendedor precisar fazer uma reforma de maior porte ou adquirir um novo equipamento, por exemplo, não deve usar esse recurso. Caso contrário, o empresário estará descapitalizando a empresa e poderá faltar recursos para pagar, por exemplo, os funcionários. Em especial, se a empresa passar por um período de queda no faturamento, justamente quando se descapitalizou para investir, diz Berenice. Mas, afinal, quanto a empresa deve ter de capital de giro? Para calcular a necessidade é preciso levar em conta: o investimento em estoques; os gastos com folha de pagamento, custos fixos (considerando o valor médio das contas, como, por exemplo, aluguel, água, luz, internet, máquinas de cartão de crédito e pequenas despesas de manutenção); as parcelas e juros de empréstimos e financiamentos a vencer nos próximos meses; os impostos; além de incluir o saldo em bancos e as duplicatas a receber (entrada de caixa) e a pagar (saída de caixa). Empresas pequenas, com um único e grande cliente principal precisam dispor de capital de giro suficiente para enfrentar um eventual atraso de pagamento e um período de renovação de contrato, orienta a especialista da BSP. Empresas pequenas, com um único e grande cliente principal precisam dispor de capital de giro suficiente para enfrentar um eventual atraso de pagamento e um período de renovação de contrato BERENICE DAMKE, DA BSP 52

2 GESTÃO DOS CUSTOS Você precisa e deve confiar em seus auxiliares, delegando, mas sempre cobrandolhes metas, pois quem delega e não cobra, está querendo é ser enganado LUIZ FELIZARDO BARROSO, DA COBRART Para conseguir ganhar mais e melhor é preciso, entre outras coisas, saber gerir os custos da empresa. Ao se ter clareza sobre o que é gasto, fica mais fácil saber onde cortar. O presidente da Cobrart Gestão de Ativos, Luiz Felizardo Barroso, explica que para se fazer uma boa gestão dos custos é preciso computar todas as saídas financeiras. Na sequência, vale submetê-las a uma análise criteriosa para saber o que cortar e o que postergar. Tudo dentro de um planejamento estratégico econômicofinan ceiro que deve ter sido feito, previamente, sempre com vistas aos próximos três, seis, nove e doze meses, assim escalonadamente, adaptando suas decisões às intercorrências não previsíveis, esclarece Barroso. Cada departamento deve gerar renda proporcional ao seu custo, de preferência deixando um superávit. Os setores exclusivamente administrativos podem gerar diretamente sobra de caixa, mas indiretamente estes poderão ser sempre computáveis. Só que ao se pensar em um negócio de pequeno porte, em que as finanças são sempre apertadas, a administração se torna um desafio. Os micros e pequenos empreendedores quem o digam. Geralmente, o proprietário é que tem que desempenhar diversos papéis. Ora ele é puramente o gestor, ora é o homem de marketing, do financeiro, do comercial da empresa, ou até tudo junto, ao mesmo tempo e misturado, destaca o presidente da Cobrart. Os custos devem ser cortados primeiro com foco no desperdício: de material do escritório, de higiene e conservação, e até de alimentação, os quais devem ser evitados. Você precisa e deve confiar em seus auxiliares, delegando, mas sempre cobrando-lhes metas, pois quem delega e não cobra, está querendo é ser enganado, afirma. 53

NO NEGÓCIO 3DÍVIDAS Quando os cuidados com as finanças não são levados a sério, os sintomas da crise podem aparecer. Primeiro vem a diminuição de margem para investimentos, depois é a vez de atrasos nos pagamentos. Diante disso, o que fazer para evitar que as dívidas virem uma bola de neve? O diretor da Nota 10 Consultoria, Laerte Oliveira, responde: Antes de tudo, é importante entender o que está acontecendo na empresa. Existem situações momentâneas e outras de médio e longo prazo. O planejamento financeiro normalmente prevê os acontecimentos e permite que o empresário tome decisões antes mesmo deles se tornarem um grande problema. Oliveira diz ainda que se o problema for de falta de vendas, o diálogo com os fornecedores tem que acontecer com o intuito de fazer uma negociação de novos prazos para os pagamentos em atraso e refazer o capital de giro de curto prazo. Se existirem títulos a vencer, poderão ser utilizados como caução para uma antecipação de valores junto ao banco. A última saída é a busca de recursos em agentes financeiros que liberam facilmente valores, mas que cobram juros exorbitantes. O melhor remédio é estabelecer um valor mínimo de venda e buscar constantemente esse objetivo, até que as coisas melhorem. Enquanto elas não melhoram, é preciso rever os planos. O crescimento está ligado diretamente ao aumento da demanda. Ela pode acontecer em função de um crescimento econômico do país, como também de um propósito da própria empresa. Se durante um período de crise o empresário fizer seu planejamento estratégico, no sentido de não perder mercado, no momento em que houver a retomada econômica, ficará mais fácil a expansão do negócio, explica o executivo da Nota 10 Consultoria. Antes de tudo, é importante entender o que está acontecendo na empresa. Existem situações momentâneas e outras de médio e longo prazo. O planejamento financeiro normalmente prevê os acontecimentos e permite que o empresário tome decisões antes mesmo deles se tornarem um grande problema LAERTE OLIVEIRA, DA NOTA 10 CONSULTORIA 54

4 PRAZOS Ao se conhecer com detalhes o fluxo dos recursos durante o tempo, o empresário poderá se programar com mais tranquilidade, dando menor margem para erros que podem custar muito caro para a sobrevivência do seu empreendimento RODRIGO PIAZZETA, DA PACTUM CONSULTORIA EMPRESARIAL Outro ponto que é motivo de dúvidas para muitos empreendedores é a questão dos critérios a serem adotados para negociar prazos de pagamentos. O economista e diretor financeiro da Pactum Consultoria Empresarial, Rodrigo Piazzeta, afirma que, ao negociar prazo com fornecedores, deve-se ter o fluxo de caixa bastante claro e exato. Vale a pena ter atualizado o custo dos financiamentos no mercado financeiro para poder comparar se a taxa de juros cobrada pelo fornecedor está mais barata ou mais cara que a das instituições financeiras. Ao se conhecer com detalhes o fluxo dos recursos durante o tempo, o empresário poderá se programar com mais tranquilidade, dando menor margem para erros que podem custar muito caro para a sobrevivência do seu empreendimento garante Piazzeta. O especialista explica ainda que a negociação por prazos e taxas depende, muitas vezes, do tamanho do seu fornecedor. Quando o fornecedor é muito grande e não tem muitos competidores no mercado, geralmente é muito difícil obter benefícios com uma negociação. Em casos que há espaço para negociação, pode ser útil ter um profissional com boa capacidade de negociação para fazer esse trabalho, diferencia. É importante cumprir regularmente as condições de pagamento para se ter melhor poder de barganha. 55

NO NEGÓCIO 5 RESULTADOS Os resultados financeiros são fundamentais para qualquer estratégia de uma empresa. Só é possível manter uma operação ao conseguir atingir metas minimamente satisfatórias. Todas as estratégias pensadas com relação a produtos, preço, mercado, equipe são baseadas em um único objetivo: gerar resultados financeiros. Assim, para que todas essas peças se encaixem, é preciso que o planejamento esteja no centro de toda essa discussão. Segundo o sócio-diretor da isetor, Erick Krulikowski, a estratégia a ser adotada baseada, em resultados, sempre vai depender de um balanço que aponte os motivos pelos quais a empresa se saiu bem ou nem tanto. Caso o ano seja negativo, é compreensível que o empreendedor sinta-se mal por saber que está devendo a alguém, mas não pode se deixar levar por esse sentimento. O problema não é a dívida, mas o que a gerou: má gestão, operação com problemas, competição acirrada no mercado, etc, destaca Krulikowski. A renegociação da dívida é um componente importante para diminuir as despesas com juros e melhorar o caixa da empresa. Mas parar de investir pode se torna um preço muito alto a pagar em médio prazo. Diante do resultado positivo, a postura não pode ser menos detalhista. É preciso buscar o equilíbrio em suas atitudes e investir de forma agressiva, sem perder o foco em ampliar um fundo de reserva. Esse equilíbrio entre fazer um fundo de reserva ou investir mais vai depender da situação da empresa. Se ela tiver um fundo de reserva considerável, para que vai guardar mais dinheiro? A empresa deve estabelecer um limite ótimo para o fundo de reserva e, depois disto, estudar outros tipos de investimento ou até distribuição de lucros para sócios e funcionários como forma de incentivo, complementa o diretor da isetor. 1 2 3 4 5 6 7 Não ter as informações sobre caixa, valor dos estoques, contas a pagar e receber Não fazer o cálculo corretamente do preço de venda dos produtos Não ter e não saber um valor fixo de remuneração dos sócios Não saber se a empresa está, ou não, obtendo lucro ou prejuízo Não saber o custo dos produtos vendidos, já que não se faz o acompanhamento adequado do estoque Não saber administrar corretamente o capital de giro Não saber exatamente quais as despesas fixas da empresa e particulares dos sócios O QUE É PLANEJAMENTO FINANCEIRO? Todo empreendedor, ao implantar seu próprio negócio, deverá levantar informações precisas e confiáveis quanto às possibilidades do seu empreendimento. Também precisará de recursos financeiros para constituir seu capital de giro. As necessidades de recursos estarão diretamente atreladas ao seu ciclo operacional e financeiro. Uma perfeita adequação desses dois ciclos possibilitará um perfeito gerenciamento do seu capital de giro. FONTE: SEBRAE FUJA DESSA: OS SETE ERROS MAIS COMUNS O problema não é a divida, mas o que a gerou: má gestão, operação com problemas, competição acirrada no mercado, etc ERICK KRULIKOWSKI, DA ISETOR 56