COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL



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Transcrição:

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO Ciências da Comunicação CONTEXTOS DE COMUNICAÇÃO: COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL Aspectos gerais Comunicação interpessoal e comunicação grupal Comunicação interpessoal e relações interpessoais O enquadramento social Avaliação da qualidade da comunicação Interpessoal Copyright, 2014 José Farinha, ESEC Aspectos Gerais O contexto de comunicação interpessoal verifica-se normalmente no âmbito da comunicação diádica; Comunicação interpessoal /relações interpessoais. 2 1

Comunicação interpessoal e comunicação grupal Aspectos distintivos: Responsabilidade pela manutenção; Na comunicação interpessoal: - normalmente partilhada por duas pessoas de forma equitativa; Na comunicação grupal: - Partilhada por várias pessoas, dependendo do seu estatuto e papel. 3 Finalidade da comunicação; Na comunicação interpessoal: - normalmente partilha de sentido; Na comunicação grupal: - Normalmente a realização de uma tarefa. 4 2

Comunicação interpessoal e relações interpessoais Aspectos gerais Noção de relação interpessoal: Num sentido mais geral (básico): - existe relação sempre que existe algum tipo de interacção; Num sentido mais específico (elaborado): - existe um sistema de interacções com um conjunto de características interacção minimamente estruturada durante um período alargado de tempo; 5 Existem diversos tipos de relações interpessoais: De intimidade; De amizade; De trabalho; De afinidade (familiar); Etc.. 6 3

Definição de relação interpessoal Critérios: (Meyers & Meyers, 1992) 1. As relações têm uma duração relativamente prolongada; 2. As pessoas que têm uma relação passam tempo juntas e fazem coisas em conjunto; 3. As pessoas numa relação partilham um mesmo espaço ou ambiente; / 7 4. As relações encorajam ou mesmo exigem a partilha de diversos tipos de informações; 5. As relações são igualmente definidas pelas pessoas envolvidas pela percepção que têm da sua relação e são percepcionados pelos outros da mesma maneira. 8 4

Critérios: (Delia, 1980) 1. A maior parte das relações não são iniciadas por factores pessoais, mas sim por factores circunstanciais; 2. As exigências da situação (actividades, contextos e instituições sociais) organizam as percepções e inferências, definem as expectativas, e moldam a forma como evolui a relação; 9 3. Muitas relações estão limitadas a determinados contextos e não envolvem intimidade; 4. A percepção e julgamento do outro dependem dos contextos e do tipo de relação. 10 5

O enquadramento social Aspectos básicos Importância do contexto para a compreensão do funcionamento das relações interpessoais. Normas sociais As normas são regras, implícitas ou explícitas, que regulam o comportamento e a partir das quais desenvolvemos certas expectativas acerca de como as pessoas se vão comportar; 11 As normas existem em muitos níveis sociais e são muitas vezes transferidas de umas relações para outras; No início de uma relação são activadas normas sociais ou individuais mais tarde podem aparecer normas próprias; Algumas relações parecem necessitar de mais normas que outras - aquelas em que existe uma distribuição equitativa do poder e influência. 12 6

Papéis e estatuto Um papel é um conjunto de normas que se aplicam a uma subclasse específica dentro de uma sociedade estatuto; Papéis esperados e papéis actuados como o papel tem uma dimensão pessoal e uma dimensão social, muitas vezes as pessoas interpretam de forma diferente as exigências associadas a um papel; Mas a originalidade tem limites! 13 Uma interpretação demasiado original do papel 14 7

Conflitos de papel Conflitos inter-papéis uma pessoa ocupa dois (ou mais) papéis que comportam diferentes expectativas acerca de um dado comportamento; Conflitos intra-papéis envolvem expectativas contraditórias relativamente a um único papel. 15 Avaliação da qualidade da comunicação interpessoal Aspectos básicos A questão da qualidade é crucial no contexto das relações diádicas; Em relações de alta qualidade: A informação necessária acerca da outra pessoa é basicamente psicológica, mais do que cultural ou sociológica; As regras necessárias para essa relação são criadas pelas duas pessoas envolvidas; 16 8

Os papéis são definidos em primeiro lugar pelas características das pessoas e menos pelas características da situação; O ênfase é posto mais nas escolhas individuais do que nas escolhas grupais. 17 Variáveis Auto-revelação Tornar conhecida informação acerca de nós próprios quando isso é feito de forma consciente e deliberada; Acontece mais frequentemente em contextos de comunicação diádica; Está relacionada com condições de saúde mental e desenvolvimento do auto-conceito; 18 9

Janela de Johari (Joseph LUFT & Harrington INGHAM, 1955) 19 Confiança e reciprocidade É normalmente um processo recíproco Efeito diádico (Jourard, 1979) quando alguém faz revelações acerca de si próprio a outra pessoa, este comportamento tende a estimular um comportamento recíproco; A auto-revelação tende a ser gradual após ter sido desenvolvido um nível básico de confiança; A confiança está relacionada com a reciprocidade. 20 10

Auto-revelar-se ou NÃO se auto-revelar Existem muitas situações que estimulam a autorevelação: A. Quando algo de muito bom ou muito mau nos aconteceu; B. Quando desejamos clarificar e partilhar experiências com outros; C. Quando desejamos obter um comportamento recíproco do outro; D. Quando desejamos que o outro crie uma determinada impressão a nosso respeito. 21 Condições de adequação da auto-revelação É importante perceber em que condições e que nível de auto-revelação é mais adequado; Luft (1969) aponta 5 características da autorevelação adequada: 1. É uma função da relação em curso entre duas pessoas; 2. Ocorre reciprocamente; 3. Está programada de forma a adaptar-se aquilo que decorre no contexto da relação; 4. Tem a ver com aquilo que está a acontecer dentro de e entre as pessoas; 5. Evolui em pequenos incrementos. 22 11

Intimidade A qualidade de uma relação é também medida pelo grau de intimidade envolvida; (Waring et al. 1980) O que significa intimidade? 5 categorias de resposta: - partilha de pensamentos, crenças, fantasias, objectivos e antecedentes; Definição: - Intimidade é um processo relacional no qual ficamos a conhecer os aspectos mais íntimos e subjectivos da outra pessoa e somos conhecidos da mesma maneira. 23 (Chelune et al., 1984) uma relação de intimidade é caracterizada por mutualidade, interdependência, confiança, envolvimento/ compromisso (commitment) e preocupação pelo outro. 24 12

Afiliação e compromisso Afiliação - tendência das pessoas para se associarem e manterem relações sociais com os seus semelhantes com a finalidade de satisfazerem necessidades de diversa ordem; Quanto maior for a necessidade de afiliação, maior será a disponibilidade para assumir os compromissos subjacentes a uma relação diádica. 25 Dominância, estatuto e poder Dominância Tendência a controlar o curso dos acontecimentos; Normalmente nas relações diádicas os parceiros diferem neste aspecto; 26 13

Wood (1983) define 3 tipos de estruturas relacionais: Complementar: - baseada nas diferenças entre os parceiros (cooperativas); Simétrica: - baseada na igualdade (competitivas); Paralela: - resultante de uma combinação das duas anteriores. 27 Estatuto Posição relativa dos parceiros: - one up, one down O estatuto tem efeitos significativos tanto na forma como no conteúdo da comunicação; As percepções de estatuto reflectem-se por exemplo nas fórmulas de saudação e tratamento. 28 14

Poder Capacidade que é outorgada para influenciar o curso dos acontecimentos. Quem tem a dominância numa relação nem sempre é quem tem o poder; O poder é uma característica relacional, não pessoal. Necessidade de clareza e flexibilidade gestão clara, consistente e aceite por todos; flexibilidade - alteração pontual da dominância. 29 15