Diretrizes Clínicas Protocolo Clínico
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- Nelson Barata Terra
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1 Diretrizes Clínicas Protocolo Clínico 029 Responsáveis/Unidade: Dra.Kênia de Castro Macedo HIJPII- FHEMIG Colaboradores: Drs. Luís Fernando Andrade de Carvalho, Wilson Rocha Filho, Vanderson Firmino, Lorena Nunes Validadores: Médicos do Hospital Infantil João Paulo II, em reunião clínica Última revisão: 24/10/2011 Estabelecido em: 20/01/2012 Acesso online: Protocolos aprovados clinicos Internet Intranet Protocolos em elaboração / consulta Intranet INTRODUÇÃO / RACIONAL A é a infecção do trato respiratório inferior mais comum (90%) em lactentes menores de 2 anos de idade, sendo uma importante causa de procura por atendimento médico de urgência e de internações. Ocorre principalmente durante a sazonalidade, nos meses de abril a agosto. As reinfecções são comuns e podem ocorrer em crianças maiores. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é seu mais frequente agente etiológico. Outros agentes menos comuns são metapneumovirus, influenza, adenovirus, parainfluenza e bocavírus, podendo haver co-infecção viral em 6-30% dos casos. Caracteriza-se por inflamação aguda, edema e necrose de células do epitélio respiratório inferior, produção aumentada de muco e broncoespasmo. Seus sinais e sintomas são rinorréia, obstrução nasal, taquipnéia, sibilos, tosse, crepitações e uso de musculatura respiratória acessória. O comprometimento respiratório pode ser leve, moderado ou grave, com evolução para apnéias ou insuficiência respiratória aguda. O diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sinais e sintomas físicos. Não se recomenda realização exames laboratoriais ou radiográficos rotineiramente. (grau de evidência B). OBJETIVOS 1. Sistematizar o atendimento hospitalar na bronquiolite; 2. Estabelecer critérios para o diagnóstico e tratamento adequados; 3. Identificar precocemente sinais de gravidade; 4. Estabelecer critérios para instituição de suporte ventilatório não invasivo ou invasivo; 5. Aplicar parâmetros ventilatórios adequados, considerando a fisiopatologia. Fale conosco: [email protected] Folha: 1/9
2 Fale SIGLAS ABD: Água Bidestilada BIPAP: Bilevel Positive Airway Pressure CPAP: Continuous Positive Airway Pressure DBP: Displasia Broncopulmonar ESP: Espaçador para Inalação FC: Freqüência Cardíaca PEEP: Positive end Expirtatory Pressure PCR: Proteína C reativa SATO 2 : Saturação Arterial de Oxigênio PA: Pressão Arterial PaCO 2 : Pressão Arterial de gás carbônico PaO 2 : Pressão Arterial de Oxigênio VTE: Volume Total Expirado VNI: Ventilação não Invasiva VSR: Vírus sincicial Respiratório UTI: Unidade de Tratamento Intensivo MATERIAL/ PESSOAL NECESSÁRIO 1. Equipe de enfermagem e médica capacitadas para os cuidados específicos de pacientes com bronquiolite e para suporte avançado de vida; 2. Fonte de oxigênio, vácuo, ventilador mecânico, máscara facial com reservatório, máscara de Venturi, máscara nasal ou facial e pronga para ventilação não invasiva, cânulas traqueais (com e sem balonete) e laringoscópios de diversas dimensões para intubação orotraqueal; 3. Oxímetro de pulso, monitor cardíaco, aparelho de PA; 4. Espaçadores de grande e pequeno volume para aplicação de medicamentos por inalação; 5. Micronebulizadores para inalação de solução salina hipertônica 6. Bombas de infusão contínua; 7. Teste rápido para detecção de vírus sincicial respiratório (VSR), influenza e adenovírus. 8. Medicações: Oxigênio; Analgésicos (solução oral e apresentação venosa); Solução salina hipertônica NaCl 3% (preparação: 0,5ml de NaCl 20% + 2,8ml de ABD, nebulizar em fluxo de 6L/min); Broncodilatadores - ß 2 agonistas (apresentação em spray); Carrinho de emergência, com desfibrilador/cardioversor; Drogas para intubação em seqüência rápida (vide Protocolo de Intubação Rápida nº 09); Drogas para reanimação cardiorrespiratória. ATIVIDADES ESSENCIAIS 1) Anamnese Identificar presença de pródromos de doença viral respiratória alta. (Evidência B); Pesquisar se há história pregressa de sibilância ou de atopia (inclusive cutânea) ou uso prévio de B2-agonista ou de corticóide ou história de asma na família, para diagnóstico diferencial; Avaliar se há fatores de risco para doença grave: prematuridade, idade menor que 12 semanas de vida, cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica (DBP, fibrose cística, anomalia congênita) ou imunodeficiência. (Evidência B). Folha: 2/9 3 conosco: [email protected]
3 2) Exame Físico Observar sinais clínicos de insuficiência respiratória aguda, hipoxemia com saturação em ar ambiente < 92%, letargia, freqüência respiratória acima de 60 irpm, utilização de musculatura acessória e recusa alimentar. Esses sinais indicam necessidade de observação em unidade pediátrica e reavaliações freqüentes. (Evidência B). 3) Oximetria Orienta a necessidade de O 2 suplementar se saturação abaixo de 92% em ar ambiente. (Evidência D) Escore Clínico Respiratory Distress Assessment Instrument (RDAI) Esse escore adaptado foi estabelecido para avaliar crianças com menos de 24 meses de idade durante tratamento de sibilância. Não há consenso de um score clínico específico para bronquiolite aguda, havendo várias adaptações de escores clínicos de Asma. Tabela 1 - Escala de sibilância e retração para avaliação do desconforto respiratório Pontos* Sintomas Sibilos Durante expiração 0 final 1º ½ 1º ¾ toda 4 Durante inspiração 0 parte toda N de campos pulmonares envolvidos Retração 0 1 ou 2 3 ou Supraclavicular 0 leve moderada profunda - 3 Intercostal 0 leve moderada profunda - 3 Subcostal 0 leve moderada profunda - 3 Total 17 *Quanto maior a pontuação, maior o comprometimento respiratório. Valores acima de 6 já são significativos. Lowell DI, Lister G, Von Koss H, McCarthy P. Wheezing in infants: the response to epinephrine. Pediatrics 1987; 79: Solicitação de Exames Laboratoriais e de Imagem Não se deve solicitar rotineiramente exames radiológicos e laboratoriais (evidência B); Considerar exames se o paciente não apresentar resposta satisfatória ou esperada ao tratamento inicial ou se sinais de toxemia. Fale conosco: [email protected] Folha: 3/9
4 Fale Indicações de internação em UTI: 1) Escore de desconforto respiratório > 8 associado a: - Saturação < 92 % em qualquer oferta de O2 - Persistência de taquipnéia: > 70 irmp em menores de 6 meses > 60 irpm de 6 a 12 meses > 40 irpm de 1 a 5 anos de idade 2) Apnéia ou bradicardia; 3) Exaustão ou falência respiratória; 4) Confusão mental ou sonolência; 5) Inconsciência; 6) Parada respiratória; 7) PaCO2 > 40 mmhg. Folha: 4/9 3 conosco: [email protected]
5 Fluxograma de Tratamento Episódio agudo de tosse e sibilância - Idade < 2 anos - Sem episódios de sibilância prévios - Pródromos de infecção viral VAS e posterior piora de esforço e taquipnéia - Apnéia (não é critério obrigatório) - Episódios prévios de sibilância ou - Uso prévio de β 2 agonista ou corticóide - História de atopia (inclusive cutânea) - História de asma na família Considerar diagnóstico de Lactente sibilante: protocolo específico de asma. (021) Provável bronquiolite Medir escore adaptado de desconforto respiratório (Tabela 1) - Oferecer O 2 suplementar se SatO 2 < 92%* - ß 2 agonista 4 jatos (100mcg)c/ ESP de min, 3 ciclos (Sem evidencia científica) - Micronebulização NaCl 3%-1 ciclo após ß 2 agonista (preparação: 0,5ml de NaCl 20% + 2,8ml de ABD, nebulizar em fluxo de 6L/min) RESPOSTA INICIAL Espaçar β 2 agonista inalatório e avaliar alta BOA: queda no escore - Manter ß 2 agonista de hora em hora (4 jatos 100 mcg, c/ ESP), espaçar de acordo com a demanda Micronebulização NaCl 3% 4/4h RUIM: igual ou pior escore - Suspender β 2 agonista - Manter NaCl 3% 4/4h - Observação clínica rigorosa - Diagnósticos diferenciais CONSIDERAR INTERNAÇÃO Se não houver melhora em 4-6 horas, se requer suporte nutricional ou de hidratação, se tem fatores de risco pré-existentes ou critério de doença grave Fale conosco: [email protected] Folha: 5/9
6 Fale Condutas na Crise de Grave 1) Monitorização Monitorização eletrocardiográfica e oximetria contínuas. Realização de gasometria arterial 2) Oxigenioterapia Oferecer oxigênio se SatO2 < 92% em ar ambiente Manter SatO2 > 95% e PaO2 > 60. 3) Tratamento Medicamentoso 3.1) Micronebulização com NaCl 3% ( preparação: 0,5ml de NaCl 20% + 2,8ml de ABD, nebulizar em fluxo de 6L/min): Solução salina hipertônica é o único tratamento com evidência científica de melhora no escore de gravidade clínico nos dias 1 a 3 de tratamento e capaz de reduzir tempo de hospitalização com moderada força de evidência científica. 3.2) ß2-agonista inalatório (Salbutamol ou Fenoterol): Se houver melhora do escore de desconforto respiratório após os 3 primeiros cursos de 4 jatos de 100 mcg, decidir pelo intervalo mais adequado de acordo com a sintomatologia clínica. Atenção: devem ser realizadas reavaliações freqüentes, pois na bronquiolite a melhora após o tratamento com B2-agonista é usualmente transitória. Caso não haja melhora clínica evidente e sustentada (melhora do padrão respiratório e da hipoxemia), deve-se optar pela suspensão do uso do ß2-agonista. (Evidência B) 3.3) Em pacientes em uso de ß2-agonista, utilizar inicialmente soro de manutenção com 2 a 4 meq/kg de potássio e monitorar regularmente seu nível sérico; 3.4) Espaçar a dose de ß2-agonista se FC > 200 bpm; 3.5) Não utilizar ß2-agonista venoso. (Evidência B); 3.6) Não utilizar corticóide (Evidência B); 3.7) Não utilizar Brometo de Ipratrópio. (Sem evidência científica de benefício); 3.8) Não utilizar adrenalina (bolus ou contínua) (Sem evidência científica de benefício estudos controversos); 3.9) Não utilizar sedação (bolus ou contínua) em pacientes com respiração espontânea; 3.10) Ribavirina não deve ser utilizada rotineiramente (Evidência B); 3.11) Manter hidratação adequada; 3.12) Não se recomenda manobras de fisioterapia respiratória, apenas aspiração de secreções e posicionamento adequado (Evidência B); 3.13) Antibióticos só devem ser utilizados em co-infecção bacteriana estabelecida (incidência de 0-3,7%) - (Evidência B). 4) Ventilação não Invasiva Pode ser uma opção, quando utilizada precocemente; CPAP (alto fluxo), conservando a pressão expiratória final em torno de 5 cmh2o ou BIPAP, com parâmetros que mantenham conforto do paciente; Contra-indicações da VNI: parada cardiorrespiratória, instabilidade cardiovascular, paciente não colaborativo, risco de aspiração e dificuldade de manipular secreções, depressão do nível de consciência, incapacidade de manter permeabilidade de vias aéreas, alterações anatômicas de nasofaringe e hipoxemia grave; Pacientes que não apresentem melhora na primeira hora de uso raramente se beneficiarão de um período maior de VNI. Neste caso não se deve postergar a intubação. Folha: 6/9 3 conosco: [email protected]
7 5) Indicações de Intubação Fadiga respiratória; Alteração do nível de consciência; Acidose respiratória; Bradicardia ou sinais de instabilidade hemodinâmica; Hipoxemia: PaO2 < 60 mmhg com FiO2 > 60%; PaCO2 > 55 mmhg ou elevação de 5 mmhg/h; Ausência de melhora clínica e/ou laboratorial após 1 h de VNI. Para o procedimento, sugere-se SRI e cânula traqueal com o maior calibre indicado para a idade. 6) Ventilação Invasiva na Modos ventilatórios: podem ser usados volume controlado (fluxo inspiratório alto e forma de onda descendente) ou pressão controlada (monitorização do volume corrente expirado), com cuidados para minimizar os riscos de auto-peep e baro/volutrauma. Parâmetros ventilatórios: Utilizar baixa freqüência respiratória (12 a 16 irpm), propiciando alto tempo expiratório; PEEP fisiológica de 3 a 5 cmh2o, não devendo ultrapassar a PEEP intrínseca; Limitar pressão de platô inspiratório em < 35 cmh2o; Limitar pressão de pico inspiratório em menor que 40 cmh2o (não ultrapassar 50 cmh2o); Tentar utilizar volumes correntes baixos (5 a 7 ml/kg); Usar a menor FiO2 que mantenha SatO2 > 95%. Acompanhar também o VTe; Sedação e analgesia adequadas (com midazolan e fentanil) são fundamentais para diminuir os riscos de baro/volutrauma e, em casos específicos, a curarização pode ser necessária para garantir o volume minuto adequado. Não há evidências de que o uso contínuo de Ketamina tenha benefício sobre outros analgésicos. Se hipoxemia, verificar presença de atelectasias, pneumotórax, colapso circulatório pela excessiva; Pressão intratorácica e/ou pneumonias concomitantes e/ou shunt intracardíaco direita esquerda; Deve-se evitar: medicações que promovem liberação de histamina (como meperidina e morfina), aspiração freqüente de secreções (a manobra pode desencadear piora do broncoespasmo) e instilação de ABD na cânula (utilizar sempre SF0,9%); Desmame da ventilação mecânica deve ser iniciado o mais breve possível, assim que houver melhora da função ventilatória. Fale conosco: [email protected] Folha: 7/9
8 Fale ITENS DE CONTROLE Número de pacientes diagnósticados com bronquiolite que necessitaram de internação; Entre pacientes internados na enfermaria, avaliar: uso de medicamentos durante internação: B2-agonista, corticóide, antibiótico e solução salina hipertônica REFERÊNCIAS Grau de Recomendação / Nível de Evidência 1. Evidence-Based Child Health: a Cochrane Review Journal: Evid.-Based Child Health 6:2011; Amirav et al. Hypertonic Saline or High Volume Normal Saline for Viral Bronchiolitis: Mechanisms and Rationale. Pediatric Pulmonology, 2010; 45: American Academy of Pediatrics -Subcommittee on Diagnosis and management of bronchiolitis. Diagnosis and Managemente of Bronchiolitis Clinical Practice Guideline, Pediatrics, volume 118, número 4, outubro Disponível em 4. Corneli H M e cols. A multicenter, randomized trial of dexamethasone for bronchiolitis. N Eng L Med, 2007; 357: Davison C e cols. Efficacy of interventions for bronchiolitis in critically ill infants: a systematic review and meta-analysis. Pediatr Crit Care Med, 2004; vol5, número 5, Archer N D. Guideline for the management for bronchiolitis in children. United Bristol Health Care-NHS Trust, novembro Disponível em 7. Bass J L, Gozal D. Oxygen Therapy for bronchiolitis Commentary. Pediatrics, 2007;119; III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica. Ventilação mecânica na crise de asma aguda. J Bras Pneumol. 2007; 33 (Supl 2): S 106 S III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica. Ventilação mecânica não invasiva com pressão positiva. J Bras Pneumol. 2007; 33 (Supl 2): S 92 S Amantéa S L, Piva J P, Garcia P C R. Asma Aguda Grave. In: Piva J P e Garcia P C R, Medicina Intensiva em Pediatria, 2005: Lowell DI, Lister G, Von Koss H, McCarthy P. Wheezing in infants: the response to epinephrine. Pediatrics 1987; 79: Folha: 8/9 3 conosco: [email protected]
9 Governador do Estado de Minas Gerais Antônio Augusto Anastasia Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais Antônio Jorge de Souza Marques Subsecretaria de Políticas e Ações de Saúde Maurício Rodrigues Botelho Presidente da FHEMIG Antônio Carlos de Barros Martins Vice-Presidente Ronaldo João da Silva Gabinete Fernando Eduardo Guimarães de Carvalho Procuradoria Júlio César Pinto Auditoria Seccional Alexandre Gorgulho Cunningham Assessoria de Comunicação Social Christina Guimarães Marândola Diretoria de Planejamento, Gestão e Finanças Mércia Fátima Cardoso de Andrade Diretoria Assistencial Lívia Mara Ferreira Diretoria de Gestão de Pessoas Flávia de Queiroz Lima Diretoria de Desenvolvimento Estratégico e Pesquisa Hilda Maria Silveira Mesquita Zschaber Comissão Central de Protocolos Clínicos da FHEMIG Comissão Local de Protocolos Clínicos da FHEMIG Fale conosco: [email protected] Folha: 9/9
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