Teoria das Probabilidades
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- Raquel Marques Vilaverde
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1 Experiência aleatória Observação de uma acção cujos resultados não são conhecidos a priori (conhecendo-se no entanto quais as possibilidades) Características: Possibilidade de repetição da experiência em condições similares Não se conhece o resultado final, mas conhecem-se quais os resultados possíveis Existem regularidades quando a experiência é repetida muitas vezes
2 Espaço de Resultados () É o conjunto de todos os resultados possíveis Ex: Quando lançamos um dado, não sabemos que resultado irá sair ao certo, mas sabemos que ={1, 2, 3, 4, 5, 6} Se o espaço de resultados for finito ou infinito numerável, diz-se espaço de resultados discreto Ex: O caso acima Contagem diária do nº de acidentes na A1 = N 0 ={0, 1, 2,...} Se o espaço de resultados for infinito não numerável, diz-se espaço de resultados contínuo Ex: Num centro telefónico de numa linha de apoio regista-se a hora de chegada das chamadas recebidas. O centro funciona 24h por dia. ={X: 0<=X<24}
3 Acontecimento (A, B, C, ) Um acontecimento é um qualquer subconjunto do espaço de resultados () Ex: Lança-se um dado e regista-se o nº saído Acontecimento: Saída de face par A={2, 4, 6} Saída de 6 B = {6} (Acontecimento elementar) Saída de nº inferior a 3 C={1, 2} Saída de um nº menor ou igual a 6 D= (Acontecimento certo) Saída de um 7 E={}= (Acontecimento impossível) Só após a realização da experiência poderemos afirmar que certo acontecimento se realizou, ou não. Sendo um resultado, diz-se que A se realizou se A.
4 Acontecimento Algo que a experiência aleatória pode produzir, mas não se realiza necessariamente. Este conceito só tem sentido antes da experiência aleatória se realizar. Resultado Algo que a experiência aleatória produziu. Este conceito só tem sentido depois de realizada a experiência. Nº subconjuntos do : 2 #
5 Álgebra de acontecimentos União de acontecimentos (AB) Dados dois acontecimentos A e B, a união dos acontecimentos é ainda um acontecimento, que se realiza sempre que A ou B se realizarem (um, outro ou os dois) Intersecção de acontecimentos (AB) Dados dois acontecimentos A e B, a intersecção destes acontecimentos é ainda um acontecimento, que se realiza sempre que A e B se realizarem (os dois em simultâneo) Diferença de acontecimentos (A-B ou A\B) Dados dois acontecimentos A e B, a sua diferença A-B é ainda um acontecimento: aquele que se realiza sempre que se realiza A mas não B
6 Álgebra de acontecimentos Teoria das Probabilidades Acontecimento complementar (A C ou A (o contrário de A) Dado um acontecimento A, chama-se acontecimento complementar a A ao conjunto de todos os elementos de que não estão em A, pois A C = - A Acontecimentos mutuamente exclusivos Os acontecimentos A e B dizem-se mutuamente exclusivos se a realização de um implica a não realização do outro, i.e., a intersecção é um conjunto vazio (AB = ) Acontecimentos idênticos (A = B) A e B são acontecimentos idênticos se e só se a realização de um implica a realização do outro A é subacontecimento de B (A С B) Diz-se que A é subacontecimento de B se e só se a realização de A implica a realização de B.
7 Álgebra de acontecimentos (em Diagramas de Venn) União de acontecimentos Intersecção de acontecimentos Diferença de acontecimentos Acontecimento complementar Acontecimentos mutuamente exclusivos
8 Propriedades das operações Comutativa Associativa Teoria das Probabilidades Sair 2 ou sair 4 é o mesmo que sair 4 ou sair 2 A B = B A A B = B A Sair 2 ou sair (4 ou 6) é o mesmo que sair (2 ou 4) ou sair 6 A ( B C ) = ( A B ) C A (B C) = (A B) C Distributiva Sair 2 e (par ou menor que 4) é o mesmo que sair (2 e par) ou (2 e menor que 4) A ( B C ) = (A B) (A C) A ( B C ) = (A B) (A C) Idempotência Sair 2 ou 2 é o mesmo que sair 2 Sair par e par é o mesmo que sair par A A = A A A = A
9 Propriedades das operações Leis do Complemento Sair par ou ímpar é o mesmo que tudo Sair par e ímpar é o mesmo que nada A A C = A A C = Leis de Morgan Não sair (2 ou 4) é não sair 2 e não sair 4 Não sair (2 e 4) é Não sair 2 ou não sair 4 (A B) C = A C B C (A B) C = A C B C Elemento neutro Sair (2) ou sair (maior que 7) (ou seja, impossível) é sair (2) Sair (2) e sair (menor que 7) (ou seja, certo) é sair (2) Elemento absorvente Sair (2) ou sair (menor que 7) (ou seja, certo) é certo Sair (2) e sair (maior que 7) (ou seja, impossível) é impossível A = A A = A A = A =
10 Conceitos de probabilidades Conceito clássico de probabilidade (a priori) Quociente entre o número de casos favoráveis à realização de certo acontecimento e o número total de casos possíveis, desde que todos os casos sejam igualmente prováveis Conceito frequencista de probabilidade (a posterior) Se em N realizações de uma experiência, o acontecimento A se realizou n vezes, P[A]=fA=n/N Conceito subjectivo de probabilidade Grau de credibilidade ou de confiança na realização de certo acontecimento expressado pelo agente decisor
11 Axiomas da teoria das probabilidades 1. Para todo o acontecimento A de, P[A] 0 2. Para todo o acontecimento A de, P[] = 1 3. Sendo A e B dois acontecimentos tais que A B = (e que se designam por mutuamente exclusivos), P[A B] = P[B] + P[A] (geralmente apresentado sob a forma da conjunção de n acontecimentos mutuamente exclusivos)
12 De onde resulta que: P[A C ] = 1 P[A] P[] = 0 P[A] 1 P[A B] = P[A] P[A B] P[A B] = P[A] + P[B] P[A B] Este resultado pode ser generalizado para mais acontecimentos. Caso particular: Teoria das Probabilidades P[A B C] = P[A] + P[B] + P[C] P[A B] P[A C] P[B C] + P[A B C]
13 Exemplo: Numa corrida de cavalos correm 3 cavalos A, B e C, tendo B o dobro da probabilidade de A de ganhar e C o dobro de B. Qual a probabilidade de B C?
14 Probabilidades condicionadas ( P[A B] ) A probabilidade de um acontecimento A condicionada à ocorrência de outro, B (de probabilidade não nula) consiste na restrição do espaço de resultados global,, ao sub-espaço B (ou seja, no cálculo da proporção entre a parte de A que é comum a B sobre o total de B). Isto é: para P[B] > 0 Teoria das Probabilidades PA B P A B P B
15 Axiomas e teoremas (válidos para probabilidades condicionadas) Sendo B um acontecimento tal que P[B] > 0: P[A B] 0 P[ B] = 1 Teoria das Probabilidades P[(A 1 A 2 ) B] = P[A 1 B] + P[A 2 B] P[A 1 A 2 B] P A B C P A B C PC P[A\B C] = P[A C] P[AB C] P[A B] = P[A]. P[B A] = P[B]. P[A B], com P[A] >0 e P[B] >0
16 Acontecimentos independentes Dois acontecimentos, A e B, de probabilidade não nula, dizem-se independentes se P[A B] = P[A] ou P[B A] = P[B] Ou seja, a probabilidade de realização de um não é influenciada pela realização do outro Como de P A B P A B P B se retira que P[A B] = P[A B]. P[B]
17 Acontecimentos independentes Então, se A e B forem independentes, P[A B] = P[A]. P[B] Reciprocamente, se P[A B] = P[A]. P[B], então os acontecimentos são independentes Isto significa que, em termos práticos, dois acontecimentos de probabilidade não nula são independentes se e só se a probabilidade da intersecção igualar o produto das respectivas probabilidades.
18 Teoremas (válidos para acontecimentos independentes) Se A e B são acontecimentos independentes, então: A e B C também o são A C e B também o são A C e B C também o são Os acontecimentos A, B e C dizem-se independentes se e só se: P[A B C] = P[A]. P[B]. P[C] P[A B] = P[A]. P[B] P[A C] = P[A]. P[C] P[B C] = P[B]. P[C]
19 Acontecimentos independentes vs acontecimentos mutuamente exclusivos Sejam A e B dois acontecimentos tais que P[A] >0 e P[B] >0 Assim, em geral, dois acontecimentos de probabilidade não nula não podem ser simultaneamente independentes e mutuamente exclusivos, já que, sendo independentes, P[A B] = P[A]. P[B] > 0 e se fossem mutuamente exclusivos P[A B] = 0 Caso particular: quando um deles for o acontecimento impossível. Este é sempre, por definição, independente e mutuamente exclusivo de todo e qualquer outro acontecimento.
20 Partição em (Teorema da probabilidade total) Definição de partição: Diz-se que n acontecimentos A 1, A 2,..., A n definem uma partição em, quando se verificam em simultâneo as seguintes condições: i) A união de todos os acontecimentos é o próprio espaço de resultados A 1 A 2... A n = ii) Os acontecimentos são mutuamente exclusivos dois a dois, i.e., Ai Aj =, ij, i, j = 1,..., n iii) Todos os acontecimentos têm probabilidade não nula, i.e., P[Ai] > 0, i = 1,..., n
21 Teorema da probabilidade total Se A 1, A 2,..., A n definem uma partição sobre, então para qualquer acontecimento B definido nesse espaço tem-se que: (ou seja,) P n B PB A i P A i i1 PB A i P B n i1
22 Teorema da probabilidade total BA BA 5 1 B A 2 B A 3 B A 4
23 Fórmula de Bayes Teoria das Probabilidades Se A 1, A 2,..., A n definem uma partição sobre, então, para qualquer acontecimento B definido nesse espaço, com P[B]>0, tem-se que: P A j B P B A P A n i1 j PB A P A i j i, para j 1,,n
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