PROVA DE DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL

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1 PROVA DE DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL (30/10/2005) Primeira parte: sentença. Valor: 6 (seis) pontos. A partir do relatório que se segue, o candidato deverá completar a sentença, com clareza e objetividade na abordagem dos temas. PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS 25ª VARA CÍVEL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DA CEILÂNDIA DF. Vistos etc. PALOMINO BUENDIA ajuizou ação em face de EMPREENDIMENTOS e INCORPORAÇÕES dizendo, em síntese, que, no início da década de 70 adquiriu da TERRACAP o lote 10, da Quadra Central, Ceilândia DF, nele construindo, com o produto de seus ganhos como pedreiro e com seu próprio trabalho, casa simples que passou a viver com sua companheira e filhos. No decorrer dos anos, alterado o gabarito do setor, tornou-se possível, no local, construir edifícios com vários pavimentos, destinados à residência e ao comércio. Como não dispunha de recursos financeiros para construir, pensou em parceria com uma incorporadora. Foi aí que surgiu a ré com proposta que lhe pareceu bastante vantajosa. E assim, em , mediante contrato particular de compra e venda, vendeu-lhe, por R$ ,00, o imóvel, negócio que, desde o início, é nulo, pois, celebrado por instrumento particular, quando, por se tratar de alienação de imóvel, era da substância do ato a escritura pública. Em pagamento, a ré comprometeu-se a lhe entregar, no empreendimento imobiliário que, no prazo de dois anos, com tolerância de três meses, edificaria no imóvel, quatro apartamentos, com área privativa, a unidade, de 82,5 metros quadrados, e compostos de dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço, varanda, no valor de R$ ,00 cada um. Ocorre que, devido a atraso na conclusão da obra, somente em recebeu os apartamentos. E para sua surpresa, ao visitá-los, constatou que a área era inferior a estipulada no contrato (79,8 metros quadrados), e o

2 2 acabamento não atendia suas expectativas: piso de cerâmica, quando esperava fosse de granito, fachada externa com pintura e não cerâmica como acreditava seria o revestimento do edifício, o que autoriza a rescisão do contrato ou abatimento proporcional ao preço. Não bastasse, a ré, aproveitando-se da premente necessidade que o autor tinha em vender o imóvel e da inexperiência desse - pessoa simples, de pouca instrução --, adquiriu imóvel que, após celebrado o negócio, teve significativa valorização. No local, imóvel como o que vendeu, mesmo sem qualquer construção, atualmente está avaliado em R$ ,00, conforme laudo que acompanha a inicial. Além do mais, a ré ergueu, no imóvel, empreendimento imobiliário com dezesseis apartamentos e seis lojas. Está anunciando à venda os apartamentos a R$ ,00 a unidade, e as lojas a R$ ,00 cada uma. Obterá, com a venda das unidades que lhe tocaram, R$ ,00 (dois milhões e cem mil reais), valor que, mesmo deduzidos os gastos com a construção, resultará em elevado e desproporcional lucro a ela. Sofreu o autor, em conseqüência, prejuízo enorme, lesão que macula o negócio, tornando-o passível de anulação. Contudo, se não declarado nulo, anulado ou rescindido o contrato e o autor reintegrado na posse do imóvel, quando menos, há que se reduzir o proveito que a ré terá, compensando-se o autor com a entrega de duas das quatro lojas do empreendimento, sem prejuízo dos apartamentos que já recebeu, solução que se chega para evitar a anulação do negócio, além de servir para emprestar vigor à função social do contrato, prestigiando-se os princípios da probidade e boa-fé, de observância obrigatória, pelos contratantes, na execução e conclusão de qualquer contrato. Mas mesmo que entregues ou não as duas lojas, porque menor a área dos apartamentos e ocorreu atraso na entrega, deve haver abatimento proporcional do preço, assim como indenizado o autor, a título de lucros cessantes, pelo atraso na entrega dos apartamentos, calculando-se a indenização com base no aluguel mensal de R$ 300,00, por apartamento, conforme laudo que acompanha a inicial. Pediu seja declarado nulo, anulado ou rescindido o contrato, reintegrando-se-o na posse do imóvel.

3 3 Se não acolhidos os pedidos anteriores, que a ré seja compelida a lhe entregar duas das lojas edificadas no imóvel, assim como abatimento proporcional no preço dos apartamentos, devido a menor extensão da área e o acabamento inferior, e indenização, a título de lucros cessantes, pelos aluguéis que deixou de auferir por não receber os apartamentos no prazo fixado no contrato. Citada, a ré ofereceu contestação e reconvenção. Argüiu, na contestação, em preliminar, nulidade da citação que, feita por AR, entregue em seu escritório, não foi recebida por um de seus diretores, únicos que, na forma de seu estatuto, a representam em juízo (CPC, art. 12, VI); incompetência do juízo, pois sua sede é em Brasília, local em que celebrado o contrato e deveria ser proposta a ação (CPC, art. 100, IV, a e d ); inépcia da inicial que faz pedidos incompatíveis entre si; Pediu sejam acolhidas as preliminares e julgado extinto o processo, sem exame do mérito. Sustentou, no mérito, que o contrato não é nulo, anulável ou rescindível, eis que não padece de vícios, e foram adimplidas as obrigações assumidas. Mas, na eventualidade de procedência do pedido de reintegração, porque possuidora de boa-fé, deve ser indenizada pelas benfeitoras que introduziu no imóvel, no valor especificado de R$ ,00, assegurado direito de retenção. E descabido o abatimento do preço e a compensação com a pretendida entrega de duas lojas. Aduziu que celebrou contrato com CONSTRUÇÕES e QUALIDADE, entregando-lhe a execução da obra a ser concluída no final do mês de abril de Não obstante, referida empresa só entregou a obra na data em que o autor recebeu os apartamentos. A responsabilidade, portanto, pelo atraso na conclusão da obra, pela área menor dos apartamentos e a qualidade inferior de acabamento, é dessa empresa que, denunciada a lide, contestou, dizendo, em resumo, que executou a obra de acordo com o projeto arquitetônico apresentado pela litisdenunciante, a qual forneceu o material utilizado, incluindo o de acabamento. E o atraso na conclusão não enseja indenização, a título de lucros cessantes, porque não estipulado no contrato entre o autor e a litisdenunciante. E não é razoável supor que o autor, caso recebesse os apartamentos antes, conseguiria locá-los. Na reconvenção disse a reconvinte, em síntese, que cumpriu sua obrigação, entregando os apartamentos. No entanto, o autor - que se comprometeu a lhe outorgar a escritura assim que recebesse os apartamentos --, se recusa adimplir a obrigação assumida.

4 4 A resistência do réu em outorgar a escritura, inadimplência contratual, impediu que a autora registrasse o imóvel em seu nome e conseguisse o habite-se da construção, dificultando, em conseqüência, a venda das unidades, o que lhe causou prejuízos, em situação de evidente constrangimento moral. Daí o dano moral a ser reparado. Requereu seja julgada procedente a reconvenção e o reconvindo compelido a lhe outorgar a escritura, no prazo de 15 dias. Caso não o faça, que sejam determinadas providências que assegurem o resultado prático equivalente ao adimplemento da obrigação. Postulou ainda indenização por dano moral, no montante de R$ ,00. O reconvindo contestou. Argüiu, em preliminar, nulidade da intimação para contestar que, na reconvenção, tendo os mesmos efeitos da citação, seu advogado deveria dispor de poderes especiais para receber citação. E não poderia ser feita por publicação. Necessário fosse pessoalmente e que, conforme exige a parte final do art. 285, do CPC, constasse no mandado que, se não contestada, presumir-seiam verdadeiros os fatos articulados. Pediu seja acolhida a preliminar e, na forma do art. 267, IV, do CPC, julgada extinta a reconvenção. Disse, no mérito, que legítima a recusa em outorgar a escritura. O contrato, eivado de vícios, não o obriga. De qualquer sorte, a obrigação de fazer, a exemplo da outorga de escritura, se não adimplida, resolve-se em perdas e danos. Inviável provimento judicial para compelir o devedor a adimpli-la ou substituir sua vontade. Aduziu que dano moral há quando se fere o lado íntimo da personalidade (a vida, a honra e a liberdade). Dele, portanto, não pode ser vítima a pessoa jurídica, a exemplo da litisdenunciante. Os fatos estão provados pelos documentos contidos nos autos ou foram admitidos pelas partes. Desnecessária a produção de outras provas. A hipótese é de julgamento no estado em que se encontra. É o relatório. Decido.

5 SEGUNDA PARTE: QUESTÕES 5 As questões a seguir formuladas devem ser respondidas com sucinta, suficiente e adequada fundamentação, consideradas a legislação de regência, a doutrina e a jurisprudência predominantemente. Cada questão tem o valor de um (01) ponto. 1ª Questão - Propôs o IDHAB/DF ação de rescisão de contrato, c/c reintegração de posse, contra Antonio de Tal e sua mulher, sob alegação de falta de pagamento das prestações do imóvel descrito na inicial. Em contestação, os réus admitiram o atraso, justificando que este se deu por estarem desempregados. Rogaram a compreensão da autora, possibilitando renegociação da dívida. Julgado procedente o pedido, por sentença datada de , apelaram os vencidos exibindo prova de que em , fizeram acordo de parcelamento da dívida com o autor. Pediram a cassação da sentença e a extinção do processo sem apreciação do mérito. Em contra-razões, o apelado aduz que o recurso não abalou os fundamentos da sentença, impondo-se o não-conhecimento do recurso, tanto mais porque à hipótese não se aplica o art. 462 do CPC. Qual deve ser a correta decisão do tribunal? 2ª Questão - João ajuizou ação possessória contra Mauro que, citado, não contestou. Intimadas as partes para especificarem provas e constatando que não as tinha, o autor desistiu da ação. Como deve proceder o juiz, tendo em conta o disposto no 4º do art. 267 do CPC? 3ª Questão - O Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito Federal impetrou Mandado de Segurança contra ato do Diretor de Recursos Humanos da Secretaria de Educação, consubstanciado na negativa de concessão de reajuste de vencimentos da classe. Indeferida a liminar, o servidor Pedro Augusto impetrou outro Mandado de Segurança com o mesmo objeto, distribuído a juízo diverso, obtendo a liminar. A autoridade coatora, alegando litispendência, requereu reconsideração dessa decisão. Como deve o juiz decidir, corretamente? 4ª Questão - Eufrázio, menor, propôs ação indenizatória contra a TCB, decorrente de acidente de trânsito em que faleceu seu genitor. O Ministério Público, atuando como fiscal da lei e à vista da prova documental trazida com a inicial e da contestação apresentada, requereu antecipação da tutela, visando a concessão de pensão ao autor. Indaga-se: desconsiderada a irreversibilidade, é, ou não, admissível o pleito ministerial?

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