VILMA FERNANDES FERREIRA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Simples Nacional x Lucro Presumido

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1 FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MONSENHOR MESSIAS CENTRO UNIVERSITÁRIO DE SETE LAGOAS Unidade Acadêmica de Ensino de Ciências Gerenciais Curso de Ciências Contábeis VILMA FERNANDES FERREIRA PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Simples Nacional x Lucro Presumido SETE LAGOAS 2011

2 VILMA FERNANDES FERREIRA PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Simples Nacional x Lucro Presumido Artigo Científico apresentado ao curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Ciências Gerencias, UNIFEMM- Centro Universitário de Sete Lagoas, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Ciências Contábeis. Área de concentração: Contabilidade Tributária Orientador: Prof. Ricardo Rosa Dutra SETE LAGOAS 2011

3 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE SETE LAGOAS UNIFEMM Unidade Acadêmica de Ensino de Ciências Gerenciais Curso de Ciências Contábeis VILMA FERNANDES FERREIRA PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Simples Nacional x Lucro Presumido Artigo apresentado à Unidade Acadêmica de Ensino de Ciências Gerenciais do Centro Universitário de Sete Lagoas UNIFEMM, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis. Sete Lagoas, de de Aprovado com nota. BANCA EXAMINADORA: ORIENTADOR: Prof. Ricardo Rosa Dutra AVALIADOR: Prof. AVALIADOR: Prof.

4 3 RESUMO Este trabalho tem como objetivo principal mostrar a importância do planejamento tributário através da comparação entre dois regimes tributários: Simples Nacional (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e o Lucro Presumido, para uma empresa de comércio. Na comparação entre os dois regimes tributários são apresentados os principais conceitos, cálculos, as formas que os impostos e contribuições são tratados e a apuração. Para qualquer empresa a diminuição de gastos é vital, o preço de produtos e serviços deve estar compatível com o mercado, a carga tributária traz ônus que a empresa não pode ter além dos que já são devidos, para conseguir lucro e crescimento. Na conclusão do estudo é encontrada grande diferença nos resultados, o que pode significar a continuidade de uma empresa, essa diferença representa a importância do planejamento tributário, uma ferramenta importante para tomada de decisão. Palavras-chave: Planejamento Tributário, Simples nacional, Lucro Presumido. ABSTRACT This work has as main objective to show the importance of tax planning by comparing two tax regimes: Simple National (Special Regime Unified Collection of Taxes and contributions payable by Micro and Small Enterprises) and Assumed Income for a trading company. In comparing the two tax regimes are the main concepts, calculations, forms that taxes and contributions are treated and counting. For any company to reduce expenses is vital, the price of products and services must be compatible with the market, the tax load burden that brings the company cannot have other than those already are due to achieve profit and growth. At the conclusion of the study is found big difference in the results, which may mean the continuation of a company, this difference represents the importance of tax planning, an important tool for decision making. Keywords: Tax Planning, National Simple, Presumed profit. 1 INTRODUÇÃO No Brasil a história da tributação vem desde a época da Coroa Portuguesa, recebemos como herança um sistema tributário não justo e não comprometido com a construção e o desenvolvimento da nação, com o objetivo de explorar e custear as despesas da Coroa. No decorrer do tempo muitos movimentos revoltosos históricos foram originados ou motivados por questões tributárias como exemplo a Inconfidência Mineira e a Guerra dos Farrapos (REZENDE, 2010).

5 4 As criticas ao sistema tributário brasileiro permanecem até os dias de hoje, sendo por sua complexidade, seu grande número de tributos, a legislação extensa, a grande carga tributária e seus efeitos sobre a economia das empresas, pessoas e do país. As criticas são também baseadas quanto ao emprego dos recursos arrecadados pelo governo, que devem ser direcionadas para o atendimento das necessidades sociais (saúde, educação segurança, etc.), talvez a insatisfação da contrapartida dada pelo Estado em troca dos tributos pagos, seja um dos principais motivos pelos quais muitos sonegam. (REZENDE, 2010). Com altas taxas e tantas críticas ao sistema tributário brasileiro, o planejamento tributário é um instrumento que as empresas dispõem, para diminuir seus custos tributários, sem afrontar a legislação. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Planejamento Tributário No planejamento tributário é comparado o ônus tributário em âmbito federal, estadual, municipal e previdenciário entre regimes tributários. Com o planejamento tributário o contribuinte tem a vantagem de escolher, entre as opções legais disponíveis, as que forem mais satisfatórias, objetivando a economia tributária de impostos, evitando perdas desnecessárias para a empresa (OLIVEIRA, 2011). Entende-se por planejamento tributário uma forma lícita de reduzir a carga fiscal, o que exige alta dose de conhecimento técnico e bom senso dos responsáveis pelas decisões estratégicas no ambiente corporativo. Trata-se do estudo prévio à concretização dos fatos administrativos, dos efeitos jurídicos, fiscais e econômicos de determinada decisão gerencial, com o objetivo de encontrar a alternativa legal menos onerosa para o contribuinte (OLIVEIRA, 2011, p.19). 2.2 Simples Nacional O Simples Nacional é um sistema tributário diferenciado, simplificado, que estabelece normas gerais sobre o tratamento dado as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte especialmente quanto à apuração e recolhimento impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação; ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias; inclusive suas respectivas obrigações acessórias e ao acesso a crédito e ao mercado, desde 01 de julho de 2007 (LEI COMPLEMENTAR 123/2006).

6 5 Consideram-se Microempresas ou Empresas de Pequeno Porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I - no caso das microempresas, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ ,00 (duzentos e quarenta mil reais); II - no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ ,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ ,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) (LEI COMPLEMENTAR 123/2006 art. 3 ). Microempresa e Empresa de Pequeno Porte são definidas de acordo com a Receita Bruta no ano calendário, observando o início da atividade no próprio ano-calendário e a proporção de meses em que a empresa houver exercido a atividade. Receita bruta é [...] o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (LEI COMPLEMENTAR 123/2006 art. 3 1 ). A base de cálculo do Simples Nacional é a receita bruta auferida no mês. Estão impedidas de optar pelo Simples Nacional as pessoas jurídicas: I - de cujo capital participe outra pessoa jurídica; II - que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; III - de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V - cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; VI - constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; VII - que participe do capital de outra pessoa jurídica; VIII - que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; IX - resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anoscalendário anteriores; X - constituída sob a forma de sociedade por ações. (LEI COMPLEMENTAR 123/2006 art. 3 4). Estão inclusos no Simples Nacional os seguintes tributos: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ; II - Imposto sobre Produtos Industrializados [...]

7 6 III - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL; IV - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, [...] V - Contribuição para o PIS/Pasep, [...] VI - Contribuição Patronal Previdenciária - CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no 5º-C do art. 18 desta Lei Complementar; VII - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS; VIII - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS (LEI COMPLEMENTAR 123/2006 art. 13) Conforme o 1º do art. 13 da Lei Complementar 123 não exclui da incidência dos seguintes impostos ou contribuições na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: I - Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF; II - Imposto sobre a Importação de Produtos Estrangeiros - II; III - Imposto sobre a Exportação, para o Exterior, de Produtos Nacionais ou Nacionalizados - IE; IV - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR; V - Imposto de Renda, relativo aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável; VI - Imposto de Renda relativo aos ganhos de capital auferidos na alienação de bens do ativo permanente; VII - Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF; VIII - Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS; IX - Contribuição para manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador; X - Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual; XI - Imposto de Renda relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica a pessoas físicas; XII - Contribuição para o PIS/PASEP, COFINS e IPI incidentes na importação de bens e serviços; XIII - ICMS devido: a) nas operações ou prestações sujeitas ao regime de substituição tributária; b) por terceiro, a que o contribuinte se ache obrigado, por força da legislação estadual ou distrital vigente; c) na entrada, no território do Estado ou do Distrito Federal, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, bem como energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou industrialização; d) por ocasião do desembaraço aduaneiro; e) na aquisição ou manutenção em estoque de mercadoria desacobertada de documento fiscal; f) na operação ou prestação desacobertada de documento fiscal; g) nas operações com bens ou mercadorias sujeitas ao regime de antecipação do recolhimento do imposto, nas aquisições em outros Estados e Distrito Federal: 1. com encerramento da tributação, [...]; 2. sem encerramento da tributação, hipótese em que será cobrada a diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sendo vedada a agregação de qualquer valor; h) nas aquisições em outros Estados e no Distrito Federal de bens ou mercadorias, não sujeitas ao regime de antecipação do recolhimento do imposto, relativo à diferença entre a alíquota interna e a interestadual; XIV - ISS devido: a) em relação aos serviços sujeitos à substituição tributária ou retenção na fonte;

8 7 b) na importação de serviços; XV - demais tributos de competência da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, não relacionados nos incisos anteriores. Segundo Cardoso (2006, p.8) a inscrição no Simples Nacional dispensa a pessoa jurídica do recolhimento das contribuições destinadas ao SESC, SENAI, SENAC, SEBRAE e a entidades congêneres, bem assim as relativas ao salário-educação, sendo assim as contribuições sobre a folha de salários não são devidas as pessoas jurídicas incluídas no Simples Nacional. 2.3 Lucro Presumido Lucro Presumido é uma forma de tributação, apurado trimestralmente, o montante determinado pela soma das parcelas do valor resultante da aplicação dos percentuais, específicos, sobre a receita bruta da atividade e os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas diferentes da atividade e demais valores determinados pela legislação vigente (COAD, 2010). Estão impedidas de optar pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas enquadradas em qualquer das seguintes situações: a - cuja receita total, no ano-calendário anterior, tenha sido superior ao limite de R$ ,00 ou de R$ ,00 multiplicado pelo número de meses do período, quando inferior a 12 meses; b - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, banco de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretaras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; c - que explorem o factoring [...]; d - que exerçam atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, caso exista empreendimento para o qual haja registro de custo orçado; e - que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital no exterior; f - que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de renda; g - que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal do imposto pelo regime de estimativa, na forma do artigo 2º da Lei 9.430/96; h - que seja sociedade de Propósito Específico (SPE) constituída, exclusivamente, por ME ou EPP optantes pelo Simples Nacional, na forma que dispõe o artigo 56 da Lei Complementar 123/2006, com redação da Lei Complementar 128/2008; e i - que explorem atividades de securitização de créditos imobiliários do agronegócio (COAD, 2010, p.1). A receita bruta das vendas e serviços sobre o qual incidirá o percentual de determinação do lucro presumido compreende o produto da venda de bens nas operações de

9 8 conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, ou seja, os negócios realizados pela empresa em nome de terceiros. Integram a receita bruta em cada trimestre, as receitas resultantes do objetivo social da empresa e são deduzidas da receita bruta as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais concedidos (COAD, 2010). Para efeito de determinação da parcela da receita bruta tributável em cada trimestre, os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta (receita da atividade) da contribuição social sobre o lucro líquido e do imposto de renda estão relacionados nas TAB. I e II a seguir: Os acréscimos somados as valor do resultado da aplicação dos percentuais sobre a receita bruta da atividade são os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras e as demais receitas e resultados positivos que não são da atividade fim da empresa. Conforme COAD (2010) a alíquota da contribuição social corresponde a 9% e do imposto de renda trimestral será calculado mediante a aplicação: a) da alíquota de 15% sobre a totalidade do lucro presumido apurado no trimestre; b) da alíquota adicional de 10% sobre a parcela do lucro presumido trimestral que exceder a R$ ,00 ou, no caso de início ou encerramento de atividades no trimestre, sobre o limite equivalente ao resultado da multiplicação de R$ ,00 pelo numero de meses do período de apuração. TABELA I Percentuais presumidos da contribuição social sobre o lucro líquido Atividade % Revenda para consumo de combustível derivado do petróleo, álcool etílico carburante e gás natural Vendas de produtos de fabricação própria Industrialização por encomenda Atividade rural Representação comercial por conta própria 12 Loteamento de terrenos, incorporação imobiliária Execução de obras da construção civil com emprego de matérias Prestação de serviço de transporte de cargas Serviços hospitalares Serviços de auxilio diagnóstico e terapia Outras atividades não caracterizadas como prestação de serviços Prestação de serviços, pelas sociedades civis, relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas Intermediação de negócios Administração, locação ou cessão de bens móveis e imóveis 32 Administração de consórcios de bens duráveis Cessão de diretos de qualquer natureza Construção por administração ou por empreitada unicamente de mão de obra Prestação de serviço em geral Fonte: COAD, 2010, p.28

10 9 TABELA II Percentuais presumidos do imposto de renda Atividades Percentual Aplicável Revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, 1,6% álcool etílico carburante e gás natural. Serviços de transporte (exceto o de cargas); 16% Serviços (exceto hospitalares, de transporte e de sociedades civis de profissões regulamentadas) prestados por empresas (exclusivamente prestadoras de serviços) com receita bruta anual não superior a R$ ,00. Se a empresa ultrapassar o limite anual de R$ ,00, a empresa ficará sujeita ao percentual normal de 32%, retroativamente ao mês de janeiro do ano em curso, impondo-se o pagamento das diferenças de imposto, apuradas em cada mês, até o último dia do mês subseqüente ao da verificação do excesso, sem acréscimos legais (multa e juros); Intermediação de negócios; Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; 32% Construção por empreitada, quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, ou seja, sem o emprego de materiais; Serviços em geral (inclusive se prestados por sociedades civis de profissão regulamentada), que não tenham percentual específico mencionado neste quadro. Inclusive Factoring. Venda de produtos de fabricação própria; Venda de mercadorias adquiridas para revenda (exceto revenda de combustível para consumo); Industrialização de produtos em que a matéria-prima, o produto Intermediário e o material de embalagem tenham sido fornecidos pelo autor da encomenda; Serviços hospitalares; 8% Prestação de serviço de transporte de carga; Atividade rural; Construção por empreitada, quando houver emprego de materiais próprios, em qualquer quantidade; Outras atividades não caracterizadas como prestação de serviços ou que não tenham percentual específico mencionado neste quadro; Atividades Imobiliárias (loteamento, construção de prédios destinados à venda, imóveis adquiridos para revenda). Fonte: COAD, 2010, p PIS e COFINS O Programa de Integração Social (PIS) foi instituído pelas Leis Complementares n os 7

11 10 e 8 de 1970, a sua destinação é custear o programa do seguro-desemprego e o abono do PIS (RODRIGUES, 2011). A contribuição Social sobre o Faturamento (COFINS) foi instituída pela Lei Complementar nº 70/1991 e tem como destinação financiar a seguridade social (RODRIGUES, 2011). Os regimes de apuração destas contribuições são: a) Regime cumulativo: são contribuintes as pessoas jurídicas de direito privado em geral a as equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, inclusive as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, exceto as microempresas e as empresas pequeno porte submetidas ao regime do Simples Nacional e aquelas sujeitas à modalidade não cumulativa da contribuição (RODRIGUES, 2011). A base de cálculo é o faturamento (receita bruta pura e simplesmente) auferido pelas pessoas jurídicas, excluídos: o IPI; as vendas canceladas e os descontos incondicionais; o ICMS ST; as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perdas, que não representam ingresso de novas receitas; a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação; a receita isenta ou não alcançadas pela incidência das contribuições, ou seja, sujeitas à alíquota zero; as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou a industrialização na Zona Franca de Manaus (RODRIGUES, 2011). As alíquotas das contribuições cumulativas são de: 3% para a COFINS e 0,65% para o PIS aplicadas sobre a base de cálculo. A COFINS e o PIS devem ser pagos mensalmente, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz e até o vigésimo quinto dia do mês subsequente ao da decorrência do fato gerador (RODRIGUES, 2011). b) Regime não cumulativo: são contribuintes as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, em regra geral, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (RODRIGUES, 2011). A base de cálculo das contribuições é o valor do faturamento mensal, ou seja, o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações de conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluídos: as receitas isentas ou sujeitas a alíquota zero; as receitas não operacionais, decorrentes da venda de Ativo Permanente; as receitas cuja contribuição seja exigida da empresa vendedora na condição de substituta tributária, as vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perdas, que não representam ingresso de novas receitas; a receita decorrente

12 11 da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação. Dedução a pessoas jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: bens adquiridos para revenda; bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica utilizados nas atividades da empresa; valor de contraprestação de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Simples Nacional; encargos de depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados nas atividades da empresa; bens recebidos em devolução; armazenagem de mercadorias e frete na operação quando o ônus for suportado pelo vendedor; aquisição dos produtos sujeitos as alíquotas diferenciadas; vale-transporte, vale-refeição, uniformes fornecidos aos empregados por pessoas jurídicas que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Se a pessoa jurídica não aproveitar o crédito em determinado mês ela poderá aproveitá-lo nos meses subseqüentes sem atualização monetária ou incidência de juros (RODRIGUES, 2011) As alíquotas das contribuições não cumulativas são de 7,6% para a COFINS e 1,65% para o PIS aplicadas sobre a base de cálculo e também para determinação dos créditos (RODRIGUES, 2011) ICMS O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) é um imposto estadual, tendo os estados e o Distrito Federal competência para instituí-lo. O ICMS corresponde a um imposto que incide em todas as fases da cadeia comercial (OLIVEIRA, 2011). A base de cálculo do ICMS é o preço de venda da mercadoria, porém por existir diversas possibilidades de transações, como por exemplo, a substituição tributária, a base de calculo pode ser composta de outros valores. A alíquota é o percentual estabelecido pelo fisco para ser aplicado sobre a base de cálculo, podendo ser alíquotas internas: para operações realizadas dentro do estado ou interestaduais: para operações realizadas fora do estado. As alíquotas de cada produto podem ser verificadas no RICMS 2002 (OLIVEIRA, 2011).

13 12 Conforme o Código Tributário Nacional o mecanismo utilizado para o ICMS é o da não cumulatividade. Toda vez que o contribuinte adquire uma mercadoria ou um serviço com incidência do imposto gera um crédito e toda saída com incidência de imposto gera um débito fiscal. Em um determinado período de apuração são somadas as entradas e saídas tributáveis, sendo mais débitos que créditos geram imposto a pagar e menos débitos mais créditos geram um crédito para o período seguinte (OLIVEIRA, 2011). A substituição tributária é caracterizada pelo fato da legislação atribuir a uma pessoa vinculada ao fato gerador do ICMS a responsabilidade pelo pagamento do imposto devido por outra pessoa, é quando surge a condição de substituto. A aplicação da substituição tributária é um recolhimento antecipado do imposto, porém, mesmo que o fato gerador seguinte não venha ocorrer, o Fisco cobrará do responsável tributário o imposto como se fosse devido (OLIVEIRA, 2011). Por exemplo: No caso de vendas ao consumidor final, na cadeia produtiva do cimento, para o fisco é muito mais fácil controlar e tributar um grande fabricante de cimento do que os milhares de pequenos revendedores de cimento para o consumidor final. No regime de substituição tributária, portanto, o grande fabricante vai recolher o ICMS nas vendas futuras, ainda não concretizadas, dos milhares de pequenos revendedores de cimento para o consumidor final. A base de calculo da substituição tributária do ICMS será o valor correspondente ao preço de venda acrescido do valor do frete, IPI e demais despesas debitadas ao estabelecimento destinatário, bem como a parcela resultante da aplicação (sobre esse total) do percentual de valor agregado (margem de lucro Margem de Valor Agregado MVA) (OLIVEIRA, 2011) Contribuições sobre a folha de pagamento no lucro presumido Além dos vários impostos já citados a empresa tem os encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento. A Contribuição Previdenciária Patronal representa 20% sobre a folha de pagamento. As Contribuições para Terceiros (SESI, SESC OU SEST 1,5%; SENAI, SENAC OU SENAT 1%; INCRA 0,2%; SEBRAE 0,6%; Salário Educação 2,5%) representa 5,8%. O SAT 1%, 2% e 3% conforme atividade preponderante da empresa e correspondente grau de risco conforme anexo V do Decreto 3.048/99. Conforme demonstrado no QUADRO III, os valores incidentes sobre a folha de salários traz um grande ônus para a empresa optante pelo Lucro Presumido.

14 13 3 METODOLOGIA Quanto aos fins de delineamento foi utilizada uma pesquisa descritiva, pois pretende expor as características da empresa para realizar uma comparação entre regimes de tributação. Os meios de investigação que foram utilizados nesta pesquisa são a bibliografia, para estudo de tema e as experimental e documenta. Experimental, pois se pode manipular e controlar variáveis independentes e observar as variações que tal manipulação e controle produzem em variáveis dependentes. Documental, porque será feito uso de documentos de trabalho e demonstrações contábeis, não disponíveis para consultas públicas. A abordagem do problema foi feita de forma qualitativa quando da elaboração das formas de tributação e também quando da análise, visando a melhor forma de tributação. O estudo foi realizado na empresa Doces Rapam Ltda, os dados foram coletados a partir de planilhas e formulários. 4 ANÁLISE DOS DADOS Para o estudo sobre o Planejamento Tributário, houve comparação entre os regimes tributários Simples Nacionais e Lucro Presumido, foram utilizadas como base informações cedidas pela empresa Doces Rapam Ltda, situada em Matozinhos/MG. A empresa em questão teve seu início no ano de 2000, não tem filial, era uma pequena loja que obteve crescimento e hoje é conhecida e bem aceita pelos clientes da região. Doces Rapam tem como atividade principal o comercio varejista de produtos descartáveis, balas, doces, bombons e outros e conta com quatro funcionários. Para o estudo dos dados será considerado todo o ano de No Simples Nacional foi utilizada a alíquota de 7,6% (IRPJ 0,35%, CSLL 0,35%, COFINS 1,05%, PIS 0,25%, CPP 3,02%, ICMS 2,58%) conforme o ANEXO I Partilha do Simples Nacional Comércio e de acordo com o acumulado da receita dos últimos 12 meses da empresa, o quesito que é utilizado para se determinar a correta alíquota sobre a receita, sendo que a empresa teve o início de suas atividades anterior ao período analisado. Na apuração do valor do Simples Nacional foi reduzido o percentual correspondente a alíquota de 2,58% do ICMS referente substituição tributária, conforme o inciso I-c do 14 art. 18 da Lei Complementar 123. Não foram calculadas as contribuições sobre a folha de pagamento já que as empresas optantes pelo simples Nacional estão dispensadas, os dados da apuração do Simples Nacional podem der verificados no QUADRO I.

15 14 QUADRO I Doces Rapam Simples Nacional Período Receita Acumulada Receitas DAS ICMS ST DAS devido Janeiro , , ,00 (1.032,00) 2.008,00 Fevereiro , , ,00 (1.044,90) 2.033,10 Março , , ,24 (1.070,44) 2.082,80 Abril , , ,44 (1.101,40) 2.143,04 Maio , , ,48 (1.134,68) 2.207,80 Junho , , ,60 (1.150,68) 2.238,92 Julho , , ,86 (1.184,37) 2.304,48 Agosto , , ,17 (1.209,94) 2.354,23 Setembro , , ,70 (1.238,30) 2.409,40 Outubro , , ,16 (1.261,88) 2.455,28 Novembro , , ,84 (1.279,42) 2.489,42 Dezembro , , ,56 (1.310,90) 2.550,66 Total , ,04 (14.018,92) ,12 No Lucro Presumido foram calculados mensalmente PIS e COFINS, trimestralmente IR e CSLL (QUADRO II) e as contribuições sobre a folha de salários (QUADRO III) que também são devidas mensalmente. A receita foi considerada integralmente como Substituição Tributária de acordo com RICMS/2002, anexo XV e os produtos comercializados pela empresa. QUADRO II Doces Rapam - Lucro Presumido Mês Receita PIS COFINS IR Adic IR CSLL * Cont. salários Total Jan ,00 260, ,00 918, ,72 Fev ,00 263, ,00 918, ,97 Mar ,00 269, , , ,49 918, ,48 Abr ,00 277, ,70 918, ,91 Maio ,00 285, ,40 918, ,99 Jun ,00 289, , , ,72 918, ,58 Jul ,00 298, ,18 918, ,29 Agos ,00 304, ,91 918, ,46 Set ,00 311, , , ,63 918, ,79 Out ,00 317, ,30 918, ,94 Nov ,00 322, ,70 918, ,76 Dez ,00 330, , , ,55 918, ,56 Total , , , , , , ,45 *Vide detalhamento no Quadro III

16 15 QUADRO III Contribuições sobre a Folha de salários - Lucro Presumido Mês Salários CPP 20% SAT 3% Terceiros 5,8% Total Janeiro 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Fevereiro 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Março 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Abril 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Maio 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Junho 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Julho 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Agosto 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Setembro 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Outubro 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Novembro 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Dezembro 3.190,00 638,00 95,70 185,02 918,72 Total , , , , ,64 5 CONCLUSÃO Através do estudo, verifica-se mais vantajoso o regime tributário Simples Nacional, sendo o principal fator as contribuições sobre a folha de salários (que representam 2,03% da receita) incidentes no Lucro Presumido, o que aumenta muito o desembolso da empresa para o pagamento de impostos. Vale lembrar que este é um dos motivos e provavelmente o maior deles para que muitas empresas ainda contratem trabalhadores sem carteira assinada e os devidos benefícios que lhe são assegurados. A apuração de impostos no Simples Nacional equivale a 5,02% da receita anual, enquanto no Lucro Presumido é de 7,96%, que significa uma economia de R$15.969,30 no fim do ano. Na competição por mercado, vários detalhes devem ser observados, a carga tributária é um, incorreta pode fazer com que a empresa não consiga se desenvolver. Deve se considerar o planejamento tributário como uma ferramenta importante na administração e tomada de decisão da empresa, otimizando custos que podem ser direcionados para ampliação da própria empresa. 6 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei Complementar n dez Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Brasília: Diário Oficial da União, 15 dez

17 16 CARDOSO, Ana Lucia F. C. Manual prático do Simples. Rio de Janeiro: COAD, p. COAD, Equipe Técnica. Curso Prático IRPJ Rio de Janeiro: COAD, p. OLIVEIRA, Luís Martins de et al. Manual de Contabilidade Tributária. 10. Ed. São Paulo: Atlas, p. PÊGAS, Paulo Henrique. PIS E COFINS: Coleção tributária. Rio de Janeiro: Freitas Bastos Editora, p. REZENDE, Amaury José; PEREIRA, Carlos Alberto; ALENCAR, Roberta Carvalho de. Contabilidade Tributária: Entendendo a lógica dos tributos e seus reflexos sobre os resultados das empresas. São Paulo: Atlas, p. RODRIGUES, Aldemir Ortiz et al. Manual do IRPJ e CSLL ed. São Paulo: IOB, p. ANEXO I Partilha do Simples Nacional Comércio Receita Bruta em 12 meses (em R$) ALÍQ. IRPJ CSLL COFINS PIS PASEP CPP ICMS Até ,00 4,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 2,75% 1,25% De ,01 a ,00 5,47% 0,00% 0,00% 0,86% 0,00% 2,75% 1,86% De ,01 a ,00 6,84% 0,27% 0,31% 0,95% 0,23% 2,75% 2,33% De ,01 a ,00 7,54% 0,35% 0,35% 1,04% 0,25% 2,99% 2,56% De ,01 a ,00 7,60% 0,35% 0,35% 1,05% 0,25% 3,02% 2,58% De ,01 a ,00 8,28% 0,38% 0,38% 1,15% 0,27% 3,28% 2,82% De ,01 a ,00 8,36% 0,39% 0,39% 1,16% 0,28% 3,30% 2,84% De ,01 a ,00 8,45% 0,39% 0,39% 1,17% 0,28% 3,35% 2,87% De ,01 a ,00 9,03% 0,42% 0,42% 1,25% 0,30% 3,57% 3,07% De ,01 a ,00 9,12% 0,43% 0,43% 1,26% 0,30% 3,60% 3,10% De ,01 a ,00 9,95% 0,46% 0,46% 1,38% 0,33% 3,94% 3,38% De ,01 a ,00 10,04% 0,46% 0,46% 1,39% 0,33% 3,99% 3,41% De ,01 a ,00 10,13% 0,47% 0,47% 1,40% 0,33% 4,01% 3,45% De ,01 a ,00 10,23% 0,47% 0,47% 1,42% 0,34% 4,05% 3,48% De ,01 a ,00 10,32% 0,48% 0,48% 1,43% 0,34% 4,08% 3,51% De ,01 a ,00 11,23% 0,52% 0,52% 1,56% 0,37% 4,44% 3,82% De ,01 a ,00 11,32% 0,52% 0,52% 1,57% 0,37% 4,49% 3,85% De ,01 a ,00 11,42% 0,53% 0,53% 1,58% 0,38% 4,52% 3,88% De ,01 a ,00 11,51% 0,53% 0,53% 1,60% 0,38% 4,56% 3,91% De ,01 a ,00 11,61% 0,54% 0,54% 1,60% 0,38% 4,60% 3,95%

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