AVALIAÇÃO DE PONTAS E SISTEMA DE BARRAS AUXILIARES PARA CONTROLE DA Sclerotinia sclerotiorum NA CULTURA DA SOJA

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1 AVALIAÇÃO DE PONTAS E SISTEMA DE BARRAS AUXILIARES PARA CONTROLE DA Sclerotinia sclerotiorum NA CULTURA DA SOJA Thiago Martins Machado 1, Étore Francisco Reynaldo 2 1 Professor Adjunto do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Federal de Mato Grosso - Campus Sinop - Sinop - MT - Brasil 2 Pesquisador da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA) - Guarapuava - PR - Brasil Recebido em: 08/04/2016 Aprovado em: 30/05/2016 Publicado em: 20/06/2016 DOI: /Enciclopedia_Biosfera_2016_013 RESUMO Uma das principais causas de queda do potencial produtivo da soja, é a ocorrência de doenças como mofo-branco. O objetivo do presente ensaio, foi avaliar o uso de diferentes pontas e sistemas auxiliares de pulverização para o manejo e controle do mofo-branco na cultura da soja. A cultivar de soja utilizada para o ensaio foi a Apolo semeada com densidade populacional de 440 mil plantas por hectare. A adubação de base de 240 kg ha -1 na formulação Os fungicidas utilizados em associação com o adjuvante para o controle de mofo-branco em soja foi Novazin + Zignol + TA35 as aplicações foram realizadas com a cultura nas fases R3 e R5.3, respectivamente. Foram avaliadas oito modelos de pontas de pulverização diferentes, sendo com jato plano, duplo plano, plano com indução de ar, cônico cheio e barra auxiliar. O delineamento experimental realizado no experimento foi em blocos ao acaso com 4 repetições. Após, a coleta dos dados estes, foram analisados pelo teste F e as médias pelo teste de Tukey. Em relação ao controle de mofobranco, todos os sistemas avaliados foram semelhantes. O sistema de barra auxiliar obteve produtividade superior em relação as pontas AD-D e BD. PALAVRAS-CHAVE: bicos, maquinas agrícolas, tecnologia de aplicação EVALUATION AND BARS AUXILIARY SYSTEM FOR CONTROL OF SCLEROTINIA SCLEROTIORUM ON SOYBEAN CROP ABSTRACT One of the main causes of the production of soy potential drop is the occurrence of disease such as white mold. The objective of this trial was to evaluate the use of different nozzles and spray systems for the management and control of white mold in the culture of soybean. The soybean cultivar sown for the trial was the Apollo seeded with a population density of 440 thousand plants per hectare. Fertilization base of 240 kg ha -1 in the formulation Fungicides used in combination with the adjuvant for white mold control in soybean was Novazin + Zignol + TA35 applications were performed with culture in stages R3 and R5.3, respectively. Eight models were evaluated different spray tips, and with flat fan, twin flat, air induction with flat and ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p

2 conical full and auxiliary bar. The test was performed in experimental design of randomized blocks with 4 repetitions. After the results were statistically by F test and means were compared by Tukey test. The white mold control, all systems reviews tips were similar. The auxiliary bar system better productivity compared to nozzles AD-D and BD. KEYWORDS: application technology, nozzles, agricultural machinery INTRODUÇÃO Na cultura da soja, estima-se que há uma perda de 10 a 20 % na produção, em decorrência da incidência de Sclerotinia Sclerotiorum (ALMEIDA et al. 2005). Ainda não se tem à disposição dos agricultores, cultivares de soja resistentes à Sclerotinia Sclerotiorum, sendo que o controle do fungo é realizado por um conjunto de medidas preventivas e caso a lavoura já esteja contaminada, o melhor controle encontrado é o químico GÖRGEN et al. (2009). O controle químico do mofo-branco na cultura da soja pode ser ineficiente devido às dificuldades de atingir uma cobertura total da planta, principalmente as partes do baixeiro das plantas, onde se concentram doenças evidenciando assim a dificuldade de se fazer chegar produto no interior da cultura (CUNHA et.al., 2014). Portanto, as aplicações de fungicidas devem romper a barreira densa de folhas, para promover melhor cobertura dessa parte da planta. O índice de área foliar da soja tem alta influência na penetração e deposição de gotas no dossel da cultura conforme estudos de (TORMEN et al., 2012). Algumas alternativas surgem no mercado com intuito de melhorar a deposição e penetração em plantas com elevada massa foliar. ALVES & CUNHA (2011) estudando o sistema de barras auxiliares de pulverização verificaram que o sistema proporcionou maior massa dos grãos e maior cobertura das folhas pela calda de fungicida apenas no terço superior das plantas, na parte inferior das plantas não houve diferença para o sistema tradicional com barras de pulverização. Na tecnologia de aplicação, alguns fatores como plantas alvo, fungicida e adjuvante utilizado, taxa de aplicação, tamanho de gotas pulverizadas, espalhamento das gotas evaporação ângulo de pulverização, condições meteorológicas durante a pulverização, entre outros, influenciam no nível de controle das doenças e estes fatores estão relacionados com a eficiência das aplicações de agrotóxicos (FERREIRA et al., 2011; CHECHETTO & ANTUNIASSI, 2012). Uma das formas de se obter maior deposição do ingrediente ativo sobre alvos biológicos é a seleção correta das pontas de pulverização (CUNHA et al., 2008). O objetivo deste trabalho foi avaliar o uso de diferentes pontas e sistema auxiliar de pulverização para o manejo e controle do mofo-branco na cultura da Soja. MATERIAL E MÉTODOS O ensaio foi realizado no munícipio de Guarapuava PR, localizada nas seguintes coordenadas geográficas: latitude ' 32" e longitude ' 50, com altitude 1120 m. A cultivar de soja utilizada para o ensaio foi a Apolo, semeada em 12/12/2010 com uma população de 435 mil plantas por hectare. A adubação de semeadura foi de 240 kg ha -1 na formulação Os fungicidas utilizados em conjunto com o adjuvante para o controle de mofo-branco em soja foram Novazin + Zignol + TA35 as aplicações foram realizadas em 19/02 e 01/03/2011 estando a cultura nas fases R3 e R5.3 respectivamente. Foram avaliados oito modelos de pontas diferentes, sendo com ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p

3 jato plano, duplo plano, plano com indução de ar, cônico cheio, cônico vazio com indução de ar (Quadro 1). QUADRO 1. Tratamentos realizados no experimento Descrição da ponta Taxa de aplicação BD Magno 200 l ha -1 AD -20 D Magno 200 l ha -1 CH 100 Magno 200 l ha -1 ADIA 02D Magno 200 l ha -1 CV IA Magno 200 l ha -1 TT Teejet 200 l ha -1 TJ VS Teejet 200 l ha -1 IDKT Lechler 200 l ha -1 Kit Alvo l ha -1 Kit Alvo l ha -1 Testemunha 0 Outro equipamento utilizado, foram as barras auxiliares mais conhecidas como Kit Alvo, uma alternativa para se tentar melhorar a penetração de gotas, sendo esta, montada abaixo da barra principal com pontas defletoras e arrastada sobre o solo ou cultura sendo presa por cabos de aço. Antes de iniciar o ensaio, foi realizado um pré-ensaio com papéis hidrossensíveis para analisar a cobertura na parte superior, intermediaria e inferior da planta. Para avaliar o ângulo de trabalho da barra de PVC, a regulagem na posição superior (primeiro traço) obteve melhor cobertura (Figura 1). FIGURA 1. Regulagens da barra de PVC angulação de aplicação, primeiro traço posição superior, segundo traço posição inferior. Foram avaliadas duas configurações do Kit Alvo, uma ligando a barra principal e o Kit Alvo ao mesmo tempo (1) e outra, ligando somente o Kit Alvo (2) (Tabela 1). As aplicações foram realizadas através de um pulverizador de arrasto da ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p

4 marca Jacto, modelo Columbia Cross Jacto com 18 m de comprimento de barras e 2000 litros de capacidade do reservatório com porta bicos espaçados a 0,5 m. O pulverizador foi acoplado ao trator da marca New Holland, modelo 7630 com TDA. A taxa de aplicação utilizada foi de 200 l ha -1. As parcelas tinham 8 m de largura por 20 m de comprimento, a ocorrência de doença foi mensurada contando-se o número de plantas atacadas em uma linha por parcela, em seu comprimento total. Para obtenção da produtividade, foram colhidas ao longo de cada parcela, sub parcelas, de 2 m de largura por 5 metros de comprimento. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com 4 repetições, as análises estatísticas realizadas pelo teste F e as médias pelo teste de Tukey a 5% de significância através do programa Sisvar. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 2 estão apresentadas as condições climáticas no momento da primeira e da segunda aplicação. A condição de umidade relativa do ar e a temperatura mostraram estar dentro do recomendado. Somente na segunda aplicação em que as condições do vento estavam desfavoráveis. TABELA 1. Condições climáticas no momento das aplicações de fungicida. Condição Data da Aplicação 19/02/11 01/03/11 Temperatura Média ( C) Umidade Relativa (%) Velocidade do Vento (Km -1 ) 7,5 10 TABELA 3. Número de plantas contaminadas em relação as pontas e ao sistema utilizado Pontas e sistemas de aplicação Número de plantas contaminadas Testemunha 13,8 A AD-D 10,8 AB BD 9,1 AB IDKT 7,3 AB TJ60 7,1 AB Kit Alvo 2 6,3 AB TT 4,5 AB CH-100 3,6 AB CV-IA 1,8 B Kit Alvo 1 1,6 B O sistema de aplicação com Kit Alvo 1 obteve os melhores resultados quantitativamente, mesmo não diferindo estatisticamente dos demais tratamentos. Este resultado se deve em parte ao fato do sistema ter como característica realizar a aplicação após provocar a inclinação lateral e movimentação nas plantas, assim, atinge com maior eficiência o alvo, ou seja, o terço inferior da planta. Os cabos que fixam a barra de PVC do Kit Alvo, com o tempo os cabos soltam os arames causando danos nas folhas de soja (Figura 2), podendo ser esse um dos motivos do ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p

5 Kit não ser o mais produtivo (Tabela 4). Outro problema relatado pelo usuário e também constatado durante o ensaio, que durante as manobras de cabeceira a barra de pulverização deve ficar aberta e erguida devido a fixação do Kit Alvo (Figura 3). FIGURA 2. Corte de folhas da soja causados pela soltura dos arames do cabo de aço de fixação do PVC FIGURA 3. Forma para erguer as barras de pulverização para manobras ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p

6 TABELA 4. Produtividade da cultura da soja em relação as pontas e barra auxiliar. Pontas e sistemas de aplicação Produtividade (Kg ha -1 ) Testemunha 2454 C AD-D 4216 B BD 4307 B IDKT 4369 AB TJ AB Kit Alvo AB CH AB TT 4617A Kit Alvo A CV-IA 4756 A Segundo CUNHA et al. (2014) pontas que proporcionam a geração de gotas médias sofrem menos intensamente o fenômeno da deriva e evaporação, tendo um tempo de vida superior às gotas finas, sendo mais eficientes no combate de doenças. Essas afirmações são semelhantes aos resultados (Tabela 4) a ponta CV- IA, TT e Kit Alvo 1 apresentam gotas de tamanho médio na qual apresentaram resultados superiores de produtividade em relação as pontas BD e AD-D. ZHU et al. (2004), em estudos de pontas, relatam que as pontas que possuem indução de ar, geram gotas de maior tamanho e peso tendo maior facilidade de alcançar o alvo, principalmente na parte inferior das culturas. As gotas contem ar em seu interior, faz com que estas executem um impacto diferente no alvo, resultando em maior cobertura. Outros autores discordam, trabalhar com gotas finas nas aplicações, tem se mostrado viável, as gotas finas apresentam maior facilidade de penetração no dossel da cultura (TORMEN et al., 2012). ALVES & CUNHA (2011) avaliando o sistema com barras auxiliares não encontraram ganho de produtividade, em relação ao sistema tradicional. Os autores concluem que são necessárias mais avaliações da barra auxiliar em condições diferentes de aplicação. Não observaram melhorias na cobertura de aplicação da planta na parte inferir, mesmo utilizando as barras auxiliares. O fato de os tratamentos apresentarem baixa ou inexistente diferença estatística (Tabela 4) quanto à produtividade e número de plantas contaminadas, (Tabela 3) possivelmente está relacionado à característica da doença em apresentar distribuição randômica, ou seja, ocorre em manchas ou reboleiras na extensão da área. Em muitos ensaios não apresentam diferenças de produtividade utilizando diferentes pontas, no qual geralmente está ligada à ocorrência e agressividade da infestação na área ou é dependente da resistência da cultivar ou ainda da interação da cultivar com o manejo realizado (SILVA et al., 2011). CONCLUSÕES O sistema de barra auxiliar obteve produtividade superior em relação as pontas AD-D e BD A barra auxiliar ligada em conjunto com a barra principal apresentou desempenho semelhante a barra auxiliar ligada separadamente. A barra auxiliar demostrou ser uma alternativa para alta densidade populacional de plantas que tenham problemas para chegada de produto até a parte inferior da cultura. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p

7 REFERÊNCIAS ALVES, G. S.; CUNHA, J. P. A. R. Deposição de calda em diferentes posições da planta e produtividade da cultura da soja com o uso de barra auxiliar de pulverização. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v.7, n.12, p.1-8, Disponível em:<http://www.conhecer.org.br/enciclop/2011a/agrarias/deposicao%20de%20calda. pdf>.30 Out ALMEIDA, A. M. R.; FERREIRA, L. P.; YORINORI, J. T.; SILVA, J. F. V.; HENNING, A. A. DOENÇAS DA SOJA. IN: KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A. CAMARGO, L. E. A.; REZENDE, J. A. M. Manual de Fitopatologia. Vol. 2. Doenças das plantas cultivadas. 4 ed. São Paulo: Agronômica Ceres, Cap. 61, p CHECHETTO, R. G., ANTUNIASSI.; U. R. Espectro de gotas gerado por diferentes adjuvantes e pontas de pulverização1. Energia na Agricultura, Botucatu, v. 27, p , CUNHA, J. P. A. R.; JULIATTI, F. C.; REIS, E. F. Tecnologia de aplicação de fungicida no controle da ferrugem asiática da soja: resultados de oito anos de estudos em Minas Gerais e Goiás. Bioscience Jornal. Uberlândia, v.30, n.4, p CUNHA, J. P. A. R.; MOURA, E. A. C.; SILVA JÚNIOR, J. L.; ZAGO, F. A.; JULIATTI, F. C. Efeitos de pontas de pulverização no controle químico da ferrugem da soja. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v.28, n.2, p , FERREIRA, M. C.; LOHMANN, T. R.; CAMPOS, A. P, VIEL, S. R.; FIGUEIREDO A. distribuição volumétrica e diâmetro de gotas de pontas de pulverização de energia hidráulica para controle de corda-de-viola. Planta Daninha, Viçosa, v. 29, p , GÖRGEN, C. A.; NETO, A. N. S.; CARNEIRO, L. C.; RAPAGNIN, V.; JUNIOR, M. L. Controle do mofo-branco com palhada e Trichoderma harzianum 1306 em soja. Pesquisa agropecuária brasileira, Brasilia, v.44, n. 12 p , SILVA, J. V.; JULIATTI, F. C.; SILVA, J. R. V.; BARROS, F. C. Soybean cultivar performance in the presence of soybean Asian rust, in relation to chemical control programs. European Journal of Plant Pathology, Wageningen, v. 131, n. 3, p , TORMEN, N. R.; DA SILVA, F. D. L.; Debortoli, M. P. Deposição de gotas no dossel e controle químico de Phakopsora pachyrhizi na soja. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v.16, n.7, p , ZHU, H.; DORNER, J. W.; ROWLAND, D. L.; DERKSEN, R. C.; OZKAN, H. E. Spray penetration into peanut canopies with hydraulic nozzle tips. Biosystems Engineering, London, v.87, n.3, p , ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.13 n.23; p

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