PROCESSO PENAL 1. PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. Reclusão e detenção está reservada para os crimes e a prisão simples para as contravenções.

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1 1 PROCESSO PENAL PROCESSO PENAL PONTO 1: Pena Privativa de Liberdade PONTO 2: Princípio da Individualização da Pena PONTO 3: Individualização Judicial São três: a) Reclusão b) Detenção c) Prisão Simples 1. PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE Reclusão e detenção está reservada para os crimes e a prisão simples para as contravenções. DIFERENÇAS ENTRE RECLUSÃO E DETENÇÃO: a) Se o réu for condenado a pena de reclusão e detenção, ele deve cumprir primeiro a pena de reclusão. b) Se a pena for de reclusão, a execução pode iniciar no regime fechado, semiaberto ou aberto; se for de detenção somente pode ser iniciada no regime semi-aberto e aberto. c) Medida de Segurança pode ser: detentiva e restritiva. Se o crime for de reclusão, a medida de segurança deverá ser detentiva (internação); se o crime for de detenção, a medida de segurança poderá ser detentiva ou restritiva (tratamento ambulatorial). d) art. 92, II do CP Efeitos específicos não automáticos da sentença condenatória: incapacidade para o pátrio poder se o crime contra filho, tutelado ou curatelado for de pena de reclusão. Art São também efeitos da condenação: II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; 2. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA: CF diz que a individualização será processada nos termos da lei. Essa individualização se processa em três níveis: legislativa, judicial e administrativa três fases distintas e complementares. Primeiro com o legislador diz qual a conduta punível e qual é a pena. Segundo: individualização judicial etapas: 1º) Juiz deve optar pelas penas culminadas alternativamente. Ex: PPL ou multa. 2º) Caso ele opte pela pena de multa, deverá respeitar um sistema chamado BIFÁSICO. Se optar pela PPL, deverá respeitar um sistema TRIFÁSICO, art. 68 do CP. 3º) Optando pela PPL, ele deverá fixar o regime inicial do cumprimento da PPL imposta. 4º) Substitui a PPL imposta por PRD ou pena de multa, presente os pressupostos legais.

2 2 ( sursis ). PROCESSO PENAL 5º) Conceder ou não a suspensão condicional da execução da PPL imposta A última individualização se processa em sede de execução da pena. CF, art. 5º, XVI. 3. INDIVIDUALIZAÇÃO JUDICIAL A opção entre as penas culminadas alternativamente observa o art. 59 do CP. Art O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. Optando pela multa SISTEMA BIFÁSICO: 1ª fase: quantidade em dias multa. Limite de 10 a ª fase: o valor de cada dia multa considerando principalmente a situação econômica do réu. Limite entre 1/30 e 5 salários mínimos da época do fato. Optando pela PPL SISTEMA TRIFÁSICO: 1ª fase: Pena-base - considera as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP. 2ª fase: Agravantes e atenuantes previstas e lei e provadas no processo. É a pena provisória. Súmula 231 do STJ (pena não pode ir aquém do mínimo nem além do máximo). 3ª fase: Majorantes e minorantes previstas na parte geral e especial, obrigatórias e facultativas. Nesta fase o juiz se liberta dos limites legais. Gera a pena definitiva. PENA-BASE, considera: Circunstâncias subjetivas (do réu): a) Culpabilidade; b) Conduta social. Inquéritos e processos findos são admitidos para a caracterização de má conduta social. c) Personalidade; d) Antecedentes. STF e STJ entendem que inquéritos e processos não findos não servem para respaldar juízo de maus antecedentes em virtude do

3 PROCESSO PENAL princípio da presunção de inocência. Prof. discorda, pois não se trata de reincidência. Circunstâncias objetivas: e) Motivos do crime f) Circunstâncias do crime g) Conseqüências do crime. Ex: material: morre o pai de família com 8 filhos; moral: filhos ficam sem o pai. h) Comportamento da vítima. A vítima às vezes colabora para que o crime aconteça. Quando o juiz individualiza a pena, ele deve motivar todas as suas opções, pois é um poder discricionário. Conforme o STF, se o juiz entender que todas as circunstâncias são favoráveis ao réu, o juiz não precisa fundamentar. Professor discorda deste entendimento do STF, pois a sociedade também deve ser protegida. Jurisprudência não vincula juiz, apenas súmula vinculante, assim o juiz trabalha com as circunstâncias discricionariamente, fundamentando. Aspectos majoritários na jurisprudência: 3 Favorabilidade absoluta: a pena-base ficará no mínimo legal. Possuindo todas as circunstâncias favoráveis, não tendo sido atribuída a pena mínima, o Tribunal a concederá. Desfavorabilidade absoluta: pena-base deve ser fixada próxima do termo médio, que corresponde ao mínimo, mais o máximo, dividido por dois. Desfavorabilidade relativa (algumas circunstâncias favoráveis e outras desfavoráveis): não há, nesse caso, uma posição majoritária na jurisprudência. Juiz deve fixar fundamentando, considerando que as circunstâncias subjetivas sempre devem valer mais que as objetivas, e dentre elas, a culpabilidade é a que tem maior valor. AGRAVANTES/ATENUANTES PENA PROVISÓRIA Agravantes: art. 61 e 62 do CP. Código é taxativo com relação a agravantes. Atenuantes: art. 65 do CP. Código é exemplificativo com relação as atenuantes, pois o art. 66 do CP prevê as atenuantes inominadas. REINCIDÊNCIA: quando o agente comete novo crime depois de transitada em julgada a sentença no Brasil ou no exterior. É reincidente no dia do trânsito em julgado do segundo processo. Art Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Art. 7º da LCP: Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado,

4 PROCESSO PENAL no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou no Brasil, por motivo de contravenção. Processo 1 Processo 2 Reincidência Crime X Crime Y Reincidente Crime Contravenção Reincidente Contravenção Contravenção Reincidente Contravenção Crime Não reincidente PPPR/PPI Crime Não reincidente PPE Crime Reincidente Abolitio criminis Crime Não reincidente Indulto Crime Reincidente (pois indulto atinge a pena e não a condenação) Perdão Judicial Crime Não reincidente (súmula 18) Art. 64 do CP Prazo de 5 anos. Art Para efeito de reincidência: I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos. I O período de 5 anos é chamado por alguns de PERÍODO DEPURADOR DA REINCIDÊNCIA, outros chamam de período da prescrição da reincidência, mas o prof. discorda desta última nomenclatura. O período depurador é contado da data do cumprimento ou extinção da pena. Art. 64 não se refere apenas à pena de prisão, mas também a de multa. Da audiência admonitória começa o período de prova do sursis. O período depurador começa a contar da audiência admonitória. Se o juiz da execução revogar o sursis (deverá cumprir toda a pena), o período depurador começará do término do cumprimento da pena. Inciso II do art. 64 do CP: Crime próprio Crime Não reincidente Crime contra Segurança Nacional Crime Não reincidente 4 MAJORANTES E MINORANTES PENA DEFINITIVA Nesta fase o juiz está livre dos limites legais.

5 PROCESSO PENAL A operação é cumulativa. Ex: Pena de 6 anos. Maj /6 = 7 anos; maj. 2 + ½ = 10 anos e 6 meses. Ex2: maj. + 1/6 = 7 anos (se o crime fosse consumado) + min. de tentativa (redução de 1 a 2/3). Tanto faz começar diminuindo ou aumentando. Entretanto, tratando-se da minorante da tentativa, não pode haver inversão, ela tem que ser a última diminuição. O resultado será o mesmo, mas formalmente, se inverter a pena estará incorreta. Art Diz-se o crime: II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Pena de tentativa Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. Art A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua. Havendo duas majorantes ou duas minorantes, o juiz pode se limitar a uma majoração ou uma diminuição, nesse caso, utilizará a que mais aumente e a que mais diminua. Jurisprudência entende que não é facultativo, o juiz deve aplicar. A mesma jurisprudência que aduz esse entendimento, manda aplicar a majorante ou minorante não utilizada como circunstância do crime, na fixação da pena-base. Professor discorda, pois frustraria a intenção inicial de beneficiar o réu. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE IMPOSTA Critérios: 1) Quantidade da pena e reincidência: Mais de 8 anos regime fechado (deverá) Mais de 4 anos até 8 anos, não reincidente regime semi-aberto (poderá) Até 4 anos, não reincidente regime aberto (poderá) 2) Reclusão: regime fechado, aberto ou semi-aberto. Detenção: regime aberto ou semi-aberto. 3) Circunstâncias do art. 59 do CP. 5

6 6 PROCESSO PENAL Exemplos: Réu condenado a 9 anos de reclusão e não é reincidente = fechado Réu condenado a 9 anos de reclusão e é reincidente = fechado Réu condenado a 9 anos de detenção e não é reincidente = semi-aberto Réu condenado a 9 anos de detenção e é reincidente = semi-aberto Réu condenado a 7 anos de reclusão e não reincidente = fechado ou semiaberto Réu condenado a 7 anos de reclusão e é reincidente = fechado.

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