SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA CAPÍTULO IV DO CÓDIGO PENAL

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1 SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA CAPÍTULO IV DO CÓDIGO PENAL Marlon Ricardo Lima Chaves CONCEITUAÇÃO: penal. Suspensão condicional da pena é mais conhecido como SURSIS O termo sursis é uma palavra francesa que tem a tradução de suspensão, derivando de surseoir que significa suspender. Umas das melhores conceituações existente vem de Nucci: Tratase de um instituto de Política Criminal, tendo por fim a suspensão da execução da pena privativa de liberdade, evitando o recolhimento ao cárcere do condenado não reincidente, cuja pena não é superior a dois anos (ou quatro se septuagenário ou enfermo), sob determinadas condições fixadas pelo juiz, bem como dentro de um período de prova pré-definido (art. 77, CP). 1 NATUREZA JURÍDICA: 1 NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Direito Penal. Editora Revista dos Tribunais. 8ª Edição. fl

2 Tratando-se de natureza jurídica temos duas posições principais: - Forma de execução de pena: é uma medida penal de natureza restritiva de liberdade e não um benefício. Tal posição foi tem sido adotada no STF e STJ apesar de não ser defendida pela maioria da doutrina. - Direito público subjetivo do sentenciado o juiz não pode negá-lo quando estão presentes os requisitos legais para sua concessão, no entanto, resta alguma discricionariedade ao julgador já que a presença ou não dos requisitos objetivos e subjetivos deve ficar indubitavelmente comprovada não sendo admitida a sua presunção. (CAPEZ, NUCCI, DAMÁSIO, MIRABETE entre outros). SISTEMAS: Sistema belga-francês (europeu continental) o juiz condena o réu, mas suspende a execução da pena imposta desde que aquele seja primário e a pena não ultrapasse dois anos (Adotado no Brasil) Sistema anglo-americano (probation system) o juiz declara o réu culpado mas não o condena, suspende o processo independentemente da gravidade do delito desde que as circunstâncias indiquem que o réu não voltará a cometer delitos.

3 REQUISITOS: Objetivos: 1) Deve haver a aplicação e uma pena privativa de liberdade (reclusão, detenção ou prisão simples) não superior a dois anos. * não é admitido o sursis em relação a penas restritivas de direito, multa, prisão administrativa u prisão civil, assim como medidas de segurança; ** a pena não pode ser superior a quatro anos no caso de condenados com mais de 70 anos (sursis etário) ou enfermo grave (sursis humanitário); *** a pena não pode ser superior a três anos em relação aos crimes contra o meio ambiente (Lei 9.605/98); 2) O condenado não pode ser reincidente em crime doloso. * pode ser aplicado se reincidente em crime culposo. ** mesmo sendo reincidente em crime doloso, se a pena anterior for de multa é permitido o sursis (art. 77, 1º, CP). Subjetivo: 1) Circunstâncias judiciais favoráveis deve ser analisados quesitos como culpabilidade, antecedentes, conduta social,

4 personalidade, motivos e circunstâncias do crime. * para o indeferimento do sursis o juiz deve se embasar em elementos concretos que indiquem que haverá uma futura reincidência por parte do condenado. Objetivo-subjetivo: 1) Não se aplica a suspensão condicional do processo quando é indicada ou cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos tendo em vista que em sendo possível a substituição está é considerada mais benéfica que a aplicação do sursis: ESPÉCIES: 1) Simples (ou Comum) é aquele no qual o réu fica submetido a prestação de serviços a comunidade ou limitação de final de semana (art. 78, 1º, CP) naturalmente o tipo mais rigoroso portanto para sua aplicação devem ser analisadas as condições pessoais do condenado. 2) Especial naturalmente menos rigoroso é aquele onde o condenado é submetido a proibição de frequentar certos lugares, proibição de ausentar-se da comarca onde reside sem autorização do juiz, comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente para informar e justificar suas atividades

5 (art. 78, 2º, CP). CONDIÇÕES IMPOSTAS: Existem dois tipos básicos de condições impostas durante a suspenção condicional da pena: legal e judicial: 1) Legal impostas pela lei são diferentes no caso de sursis simples (prestação de serviços a comunidade e submeter-se a limitação de final de semana; não ser condenado em sentença irrecorrível por crime doloso; não frustrar, sendo solvente, a execução de pena de multa; efetuar, salvo motivo justificado, a reparação do dano; não ser condenado por crime culposo ou contravenção a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos) e especial (proibição de frequentar certos lugares; proibição de ausentarse da comarca onde reside sem prévia autorização do juiz; comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades). 2) Judicial impostas livremente pelo juiz embora não previstas expressamente no Código Penal (ex: obrigação de frequentar curso de habilitação profissional ou instrução escolar, submeter-se a tratamento de desintoxicação). * o juiz não pode impor condições que comprometam a liberdade ou garantias constitucionais do apenado, nem que o exponham ao ridículo

6 (ex: condicionar a doação de sangue, visitação da vítima de acidente) PERÍODO DE PROVA: É o prazo em que a execução da pena privativa de liberdade imposta fica suspensa, mediante o cumprimento das condições estabelecidas. A regra é que o prazo pode variar de 2 a 4 anos porém isto apenas se aplica a penas que não ultrapassem a dois anos. No caso do sursis etário ou humanitário, em penas que não ultrapassem quatro anos o período de prova imposto deve ser de 4 a 6 anos. Ainda quando falamos em penas provenientes de contravenções penais o período é de 1 a 3 anos (art. 11, LCP). O início do período de prova se dá a partir da audiência de advertência (admonitória) onde se dá o conhecimento da sentença ao beneficiário (art. 158, LEP). CAUSAS DE REVOGAÇÃO: Revogação obrigatória:

7 Ocorrendo qualquer uma delas o juiz está obrigado a proceder a revogação do sursis. (art. 81, CP). 1) Superveniência de condenação definitiva pela prática de crime doloso neste caso não importa o momento em que tenha sido praticada a infração penal, o importante é que a condenação ocorra no período de prova. * a pena de multa não tem força para impedir a concessão da medida portanto, se a condenação for apenas em pena de multa não ocorre a revogação obrigatória. 2) Frustração da execução da pena de multa, sendo o condenado solvente. (Duas correntes: a 1ª considera que este é um motivo para a revogação: NUCCI, MIRABETE; a 2ª considera que, tendo em vista as alterações legais, onde não é mais possível converter pena de multa em privativa de liberdade com a nova redação do art. 51, CP, o não pagamento não poderia resultar na revogação do benefício. (BITENCURT, CAPEZ). 3) Descumprimento das condições de prestação de serviços à comunidade ou limitação de finais de semana. * quando em sede recursal a pena for aumentada de forma que exclua a possibilidade de concessão do sursis o mesmo se imposto será revogado (art. 706, CPP). ** quando o réu ou condenado, intimado pessoalmente ou por edital não comparece a audiência admonitória sem justo motivo a lei

8 preceitua que o sursis fica sem efeito (art. 161, LEP). Revogação Facultativa: 1) Descumprimento das condições judiciais o juiz pode revogar o sursis caso haja o descumprimento de alguma das condições extralegais impostas. A não obrigatoriedade da revogação indica que o juiz, antes de revogar, deve tentar fazer com que o agente cumpra a determinação. 2) Condenação irrecorrível, por crime culposo ou contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. PRORROGAÇÃO DO PERÍODO DE PROVA: Se o condenado, durante o período de prova, for processado (com recebimento de denúncia ou queixa) por outro crime ou contravenção, considera-se automaticamente prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo (art. 81, 2º, CP). Lembrem-se que se houver nova condenação, em regra, o benefício será revogado. Nas hipóteses de revogação facultativa o juiz pode prorrogar o

9 período de prova até o máximo, se este já não foi fixado (art. 81, 3º, CP). * Caso haja condenação por crime doloso durante a suspensão condicional da pena, não importa a data do fato, mas sim a data da condenação definitiva a suspensão é revogada. Percebam a falha já que se o réu for condenado, no mesmo processo, a duas penas de seis meses, cada uma referindo-se a delitos diferentes, poderia receber o sursis. Entretanto, caso esteja no gozo do benefício, por condenação a uma pena de 6 meses e receber outra, também de 6 meses, terá a suspensão revogada. 2 EXTINÇÃO DA PENA: Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de liberdade (art. 82, CP). Também se expirado o prazo de suspensão, ou de prorrogação, sem que tenha havido motivo para revogação, o juiz deve declarar extinta a pena privativa de liberdade. É uma sentença declaratória de extinção de punibilidade. Mesmo que o juiz demore a proferir a decisão declaratória, considera-se a extinção da pena no término do período de prova. Para que haja a declaração de extinção da pena é necessária a prévia manifestação do Ministério Público sob pena de nulidade (art. 67, 2 NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Direito Penal. Ed. Revista dos Tribunais. Fl. 555, 2012.

10 LEP). OUTROS PONTOS IMPORTANTES SOBRE O TEMA: - Quando concedido o benefício do sursis, para a maioria da doutrina, ocorre a suspensão dos direitos políticos tendo em vista que a Constituição Federal (art. 15, III) define que ocorre esta suspensão em caso de condenação criminal transitada em julgado enquanto durarem seus efeitos. O STF (RTJ 82/647) já decidiu o contrário afirmando que o sursis não implica na suspensão dos direitos políticos. - Existe divergência também quanto a compatibilidade entre o sursis e o indulto: Minoritária não são compatíveis pois o indulto é destinado a condenados que cumprem pena em regimes carcerários, quem está em liberdade não precisa do indulto; Majoritária são compatíveis pois o indulto é destinado a condenados em cumprimento de pena, sendo o sursis uma forma alternativa do cumprimento de pena, - No caso de revelia após a intimação pessoal válida, tratando-se de um direito do réu decorrente do direito de silêncio e de não produzir provas contra sí, em caso de condenação é perfeitamente possível a aplicação do sursis, porém, caso o condenado não compareça a audiência admonitória o sursis perde o efeito. - A prescrição é suspensa enquanto durar o sursis.

11 - A sentença que concede o sursis faz coisa julgada porém as condições podem ser alteradas posteriormente. - O estrangeiro pode obter sursis tendo em vista que o Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/80) não impõe esta impossibilidade assim como o art. 5º, caput, da Constituição Federal preceitua que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. (Curiosidade: na Espanha é preferível expulsar um estrangeiro que comete um crime mais brando do que mantê-lo encarceirado). - A aplicação do sursis a crimes hediondos é controversa: 1ª posição cabe sursis pois a lei não o vedou não competindo ao juiz criar restrições não previstas em lei; 2ª posição não cabe sursis, pois, mesmo que a lei não tenha expressado impedimento, a prática de um crime hediondo impõe o regime inicial fechado sendo irracional a concessão do benefício.

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