EFEITO DE DIFERENTES DOSES DO ÓLEO ESSENCIAL DE AÇAFRÃO NO CONTROLE DO PULGÃO BRANCO (APHIS GOSSYPII) NA CULTURA DO ALGODOEIRO

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1 EFEITO DE DIFERENTES DOSES DO ÓLEO ESSENCIAL DE AÇAFRÃO NO CONTROLE DO PULGÃO BRANCO (APHIS GOSSYPII) NA CULTURA DO ALGODOEIRO Marcos Fernandes Oliveira 1, Fábio Shigeo Takatsuka 2, Paulo Marçal Fernandes 3 ; Cecilia Czepak 4 (1) CNPq/PIBIC, Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos/UFG, Caixa Postal 131, Goiânia/GO (2) Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos/UFG e- mail (3) Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos/UFG (4) Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos/UFG RESUMO Este trabalho foi conduzido no Setor de Controle Biológico da Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da UFG, com o objetivo de testar diferentes doses do óleo essencial de açafrão no controle do pulgão (A. gossypii). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com cinco tratamentos e quatro repetições, cada repetição com 20 pulgões. Os tratamentos foram: óleo essencial de açafrão a 1 % (v/v) + 1 ml de óleo mineral/100 ml de água; óleo essencial de açafrão a 5 % (v/v) + 1 ml de óleo mineral/100 ml de água; óleo essencial de açafrão a 10 % (v/v) + 1 ml de óleo mineral/100 ml de água; 1 ml de óleo mineral/100 ml de água e a testemunha. As avaliações foram feitas aos um, dois, três, quatro, cinco, seis e sete dias após aplicação dos tratamentos. Observou-se que os tratamentos com óleo essencial de açafrão a 5 e 10% (v/v) tiveram eficiência de controle de 100% em dois dias após aplicação, entretanto apresentaram efeito fitotóxico. Na dose de 1% (v/v) houve redução na taxa de crescimento populacional dos pulgões, sem efeito fitotóxico. INTRODUÇÃO O pulgão é praga chave da cultura do algodoeiro, pois além de atacar diretamente as plantas sugando sua seiva, pode, indiretamente, transmitir os vírus vermelhão e mosaico das nervuras, afetando consideravelmente a sua produção (Fundação MT 2001, Gallo et al 2002). Os pulgões ocorrem durante todo o ciclo da cultura, mas as infestações mais importantes surgem dos 30 aos 70 dias de idade das plantas, como também na fase de maturação (Gallo et al, 2002 ). Para o controle destes insetos são utilizados inseticidas sistêmicos, no tratamento de sementes, solo e em pulverizações foliares. Também recomenda-se a adoção, dentro do manejo integrado de pragas (MIP), de variedades resistentes, inseticidas seletivos aos inimigos naturais, eliminação dos restos culturais e de plantas hospedeiras, entre outras ( Santos 1997, Delano 1999). Outra opção, seria a utilização de extratos naturais, principalmente quando o objetivo é reduzir a taxa de crescimento populacional de certas pragas, como é o caso dos pulgões. Assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar os efeitos inibidores e/ou inseticidas de diferentes doses do óleo de açafrão em A. gossypii.

2 MATERIAL E MÉTODOS A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Controle Biológico da Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás à Temperatura de 25 ºC ± 2 ºC e Umidade Relativa de 95% ± 5%. Foram coletadas, nas áreas experimentais da Escola de Agronomia, folhas de algodão da cultivar ITA 90 sadias, inteiras e com aproximadamente 95 dias de idade. Essas folhas foram lavadas com água corrente e deixadas sobre papel absorvente à sombra para retirar o excesso de umidade. O óleo essencial de açafrão foi obtido a partir de extração por arraste a vapor (Simões & Spitzer 2002) em aparelhagem do Laboratório de Controle Biológico. Os tratamentos foram: o óleo essencial de açafrão a 1% (v/v) + 1 ml de óleo mineral/100 ml de água; óleo de açafrão a 5% (v/v) + 1 ml de óleo mineral/100 ml de água; óleo de açafrão a 10% (v/v) + 1 ml de óleo mineral/100 ml de água; 1 ml de óleo mineral/100 ml de água e a testemunha. Os tratamentos com óleo essencial de açafrão foram preparados no momento da aplicação dos mesmos. A testemunha consistiu na aplicação de água destilada. Todos tratamentos foram pulverizados sobre as folhas de algodão, até ponto de escorrimento, utilizando-se pulverizador manual. Pulgões, coletados na mesma área, foram transferidos com auxílio de pincel fino, para as folhas lavadas e pulverizadas, num total de 20 pulgões sadios/folha, população máxima considerada como nível de controle por Santos (1999) para cultivares resistentes à viroses. Após a aplicação dos tratamentos e infestação com os pulgões, as folhas foram colocadas em potes previamente preparados, compostos por: um pote de 500 ml encaixado sobre um pote de 200 ml e uma tampa confeccionada com crepe italiano. O pote maior foi perfurado no fundo para permitir a passagem do pecíolo da folha de algodão com os pulgões, ficando a mesma imersa na água armazenada no pote menor. Foram realizadas avaliações aos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, dias após a aplicação dos tratamentos, contando-se o número de pulgões vivos/folha. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância, as médias foram comparadas pelo teste de Duncan a 5% e a eficiência de controle foi calculada pela fórmula de Abbott (Nakano et al. 1981). RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados obtidos no experimento estão apresentados na Tabela 1. Um dia após a aplicação, pôde ser observada uma redução significativa da população de pulgões em todos os tratamentos, com exceção da testemunha. Sendo que o óleo essencial de açafrão a 1% (v/v) e o óleo mineral, na dose de 1ml, apresentaram um número estatisticamente inferior de pulgões, quando comparados com a testemunha e superior, quando comparados ao óleo de açafrão a 5 e 10% (v/v). Quanto a eficiência, somente as doses de 5 e 10% (v/v) de óleo essencial de açafrão apresentaram um controle acima de 80%. Dois dias após a aplicação dos tratamentos, as doses de 5 e 10% do óleo essencial de açafrão atingiram 100% de eficiência de controle, enquanto que a menor dose do óleo essencial de açafrão e o óleo mineral chegaram a um controle de 58% e 45%, respectivamente. A partir do terceiro dia de observação, o óleo mineral manteve a eficiência de controle em torno de 40%, enquanto que a menor dose do óleo essencial de açafrão, apresentou um aumento na eficiência, indicando uma possível interferência do mesmo na taxa de crescimento populacional do inseto. O mesmo resultado foi observado nas avaliações seguintes, chegando ao final de sete dias com uma eficiência de controle em torno de 70%, para o óleo de açafrão a 1% e 46%, para o óleo mineral. Confirmando o efeito inibidor do óleo de açafrão na população de pulgões testada. Porém novos estudos,

3 em laboratório e campo serão conduzidos para a confirmação dos resultados obtidos, bem como doses menores do óleo essencial de açafrão devem ser testadas. Observou-se efeito fitotóxico nas doses de 5 e 10% do óleo essencial de açafrão. CONCLUSÕES O óleo essencial de açafrão a 5 e 10% (v/v), apresentaram um efeito inseticida, com 100% de eficiência no controle para A. gossypii, porém com efeito fitotóxico nas folhas pulverizadas; O óleo essencial de açafrão a 1%, teve efeito inibidor na taxa de crescimento populacional dos pulgões, sem efeito fitotóxico nas folhas pulverizadas.

4 Tabela 1. Número médio de pulgões vivos/folha (P) e percentagem de eficiência (%E) dos diferentes tratamentos para controle de A. gossypii, na cultura do algodoeiro, em Goiânia GO, Dias após a aplicação Tratamentos (1) P (2) E% (3) P E% P E% P E% P E% P E% P E% Testemunha 20,2 a - 21,4 a - 26,2 a - 37,4 a - 62,6 a - 84,8 a - 109,4 a - Óleo mineral 16,2 b 20 11,8 b 45 15,0 b 43 22,6 b 39 34,0 b 46 45,8 b 46 58,8 b 46 Óleo de açafrão 1% 13,0 b 36 9,0 b 58 9,4 b 65 13,2 bc 64 17,8 bc 72 22,4 bc 73 29,6 bc 73 Óleo de açafrão 5% 3,0 c 85 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c 100 Óleo de açafrão 10% 1,6 c 92 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c 100 0,0 c Dose = ml/100ml de água; 2 Médias seguidas de mesma letra, não diferem estatísticamente pelo teste Duncam a 5%; 3 Eficiência de controle calculada pelo método de Abbott (Nakano et al.,1981).

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FUNDAÇÃO MT. Boletim de pesquisa de algodão. Rondonópolis, p. GALLO D.; NAKANO, O. NETO, S. S.; CARVALHO, R. P. L.; BAPTISTA, G. C.; FILHO, E. B.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B.; VENDRAMIM, J. D.; MARCHINI, L. C.; LOPES, J. R. S.; OMOTO, C. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, p. v. 10 NAKANO, O.; NETO, S. S.; ZUCCHI, R. A.; Entomologia econômica. Piracicaba: ESALQ, p. SANTOS, W. J. dos. Monitoramento e controle das pragas do algodoeiro. In: CIA, E.; FREIRE, E. C. ; SANTOS, W. J. dos. Cultura do algodoeiro. Piracicaba: Potafós, p SIMÕES, C. M. O. ; SPITZER, V. Óleos voláteis. In: SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P.; GOSMANN, G. MELLO, J. C. P. De; MENTZ, L. A. & PETROVICK, P. R. (org.), Farmacognosia Da planta ao medicamento. 4. ed. Florianópolis: Ed. Universidade/UFRGS/Ed. Da UFSC, p DELANO M. C. GONDIM, J-L. BELOT, P. SILVIE ; N. PETIT. Manual de identificação das pragas, doenças, deficiências minerais e injúrias do algodoeiro no Brasil. 3. ed. Cascavel, PR., COODETEC/CIRAD-CA., 1999,120p. ( Boletim Técnico, 33). SANTOS W. J. DOS. Manejo integrado de pragas do algodoeiro. In: FUNDAÇÃO MT. Mato Grosso: Autoeficiência - o algodão a caminho do sucesso. Rondonópolis, MT, p. (Boletim de Pesquisa).

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