DA INTERVENÇÃO FEDERAL (ARTS. 34 A 36) (vários autores) Disciplina: Direito Constitucional II

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1 DA INTERVENÇÃO FEDERAL (ARTS. 34 A 36) (vários autores) Disciplina: Direito Constitucional II Prof. Dr. João Miguel da Luz Rivero O Estado Federal fundamenta-se no princípio da autonomia política das entidades que o compõem. Portanto, numa federação, a regra é o exercício da autonomia pelos entes estatais, caracterizada pela tríplice capacidade de auto-organização e normatização, autogoverno e autoadministração. Autonomia é a capacidade de agir dentro de círculo preestabelecido, como se nota pelos arts. 25, 29 e 32 que a reconhecem aos Estados, Municípios e Distrito Federal, respeitados os princípios estabelecidos na Constituição. Conceitos Importantes Intervenção: Consiste em medida excepcional de supressão temporária da autonomia de determinado ente federativo, fundada em hipóteses taxativamente previstas no texto constitucional, e que visa à unidade e preservação da soberania do Estado Federal e das autonomias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Alexandre de Moraes Intervenção é antítese da autonomia. Por ela afasta-se momentaneamente a atuação autônoma do Estado, Distrito Federal ou Município que a tenha sofrido. A União em regra, somente poderá intervir nos Estados-membros e no Distrito Federal, enquanto os Estados somente poderão intervir nos Municípios integrantes de seu território. Causas da Intervenção Federal nos Estados e no D.F. Esse ato extremado e excepcional de intervenção na autonomia dos Estadosmembros e do Distrito Federal, pela União, somente poderá ser consubstanciado por decreto do Presidente da República (CF, art. 84, X); e no caso da intervenção municipal, pelos governadores de Estado. É, pois, ato privativo do Chefe do Poder Executivo.

2 Defesa do Estado (País): art. 34, I e II. É autorizada a intervenção para: a) manter a integridade nacional; b) repelir invasão estrangeira; Defesa do Princípio Federativo: art. 34, II, II e IV. É facultada a intervenção para: a) repelir invasão de uma unidade da Federação em outra; b) pôr termo a grave comprometimento da ordem pública; c)garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação; Defesa das Finanças Estaduais: art. 34, V. É permitida a intervenção para a organização das finanças da unidade da Federação que: a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo força maior; Nota: a dívida fundada compreende os compromissos de exigibilidade superior a 12 meses, contraídos para atender o desequilíbrio orçamentário ou a financiamentos de obras e serviços públicos. Art. 98 da Lei 4.320/67 Defesa da Ordem Constitucional: art. 34, VI e VII. Autoriza a intervenção: a) para prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; b) para exigir a observância dos seguintes princípios constitucionais: b.1) forma republicana, sistema representativo, regime democrático; b.2) direitos da pessoa humana; b.3) autonomia municipal; b.4) prestação de contas da administração pública, direta e indireta; b.5) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendidos a procedente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde (EC nº 29/2000). Requisitos Formais para a Intervenção Nas hipóteses de intervenções espontâneas, em que o Presidente da República verifica a ocorrência de determinadas hipóteses constitucionais permissivas da intervenção federal, ouvirá os Conselhos da República (CF, art. 90, I) e o de Defesa Nacional (CF, art. 91, 1º, II), que opinarão a respeito. Após isso, poderá discricionariamente decretar a intervenção no Estado-membro. Nota: A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio (CF, art. 60, 1º). São hipóteses de intervenção federal espontânea: A) para a defesa da unidade nacional (CF, art. 34, I e II); B) para a defesa da ordem pública (CF, art. 34, III); C) para a defesa das finanças públicas (CF, art. 34, V)

3 São hipóteses de intervenção federal provocada: Garantir o livre exercício dos Poderes Executivo e Legislativo (CF, art. 36, I). Solicitação do respectivo Poder coacto ou impedido. Garantir o livre exercício do Poder Judiciário (CF, art. 36, I). Requisição do STF. Prover a execução de lei federal ou a observância dos princípios sensíveis (CF, art. 36, III). Representação do Procurador Geral da República perante o STF. Prover a execução de ordem ou decisão judicial (CF, art. 36, II e III). Requisição do STF, STJ ou TSE. Provimento do S.T.F., Representação do Procurador Geral da República (ação direta de inconstitucionalidade interventiva): art. 34, VI, início (ação de executoriedade de lei federal), e VII (ação direta de inconstitucionalidade interventiva). EC. nº 45/2004. Controle Político O decreto presidencial interventivo será submetido a apreciação do Congresso Nacional (art. 36, 1º), exceto nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV. Apreciando o decreto poderá o Congresso aprovar ou suspender o ato (art. 49, IV). Se suspenso, ganha caráter de ato inconstitucional e deve ser finalizada, sob pena de crime de responsabilidade do Presidente da República (art. 85, II). Requisitos do decreto: especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e se couber, nomeará o interventor (CF, art. 36, 1º). Controle Jurisdicional Não existe, propriamente, controle jurisdicional sobre o ato de intervenção, tampouco sobre esta, haja vista tratar-se de ato de natureza eminentemente política, insuscetível de apreciação pelo poder Judiciário. Entretanto, poderá haver fiscalização do Poder Judiciário nas hipóteses de manifesta violação às normas constitucionais que regulam o procedimento (art. 34 a 36), e também quando a suspensão da intervenção tenha sido determinada pelo Congresso Nacional mas ela permaneça sendo executada, pois, nesse caso, o ato perde sua legitimidade e se torna inconstitucional.

4 Poderá ocorrer, ainda, controle pelo Poder Judiciário dos atos praticados pelo interventor, quando prejudiquem interesses de terceiros. Cessação da Intervenção Findado o ato interventivo temporário a normalidade é restabelecida e as autoridades afastadas, salvo impedimento legal, retornam a seus postos (art. 36, 4º). O interventor tem a sua atribuição limitada ao ato interventivo, e os prejuízos advindos da prática destes serão de responsabilidade civil da União (art. 37, 6º) ou do Estado. Intervenção nos Municípios Todos os princípios, natureza, pressupostos de fundo e de forma, controle político, nomeação e responsabilidade de interventor, adotados na intervenção federal são aplicados na intervenção municipal. A intervenção em município localizado em Território Federal é da competência da União, que o fará por meio de decreto do Presidente da República. Os casos em que é, excepcionalmente, permitida a intervenção nos Municípios estão previstos no art. 35 da CF/88. I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada; II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; III - Não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviço públicos de saúde (EC nº 29/2000); V - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. O decreto interventivo municipal é proposto pelo Governador do Estado competente, ou, no caso de município de Território Federal, pelo Presidente da República. Na hipótese de intervenção prevista no inciso IV do art. 35, a decretação da intervenção dependerá de provimento pelo Tribunal de Justiça de representação interventiva do Procurador-Geral de Justiça (Chefe do Ministério Público do Estado), e, nos termos do art. 36, 3º, será dispensada a apreciação pela Assembléia Legislativa.

5 Segundo orientação do STF, a decisão do TJ na representação interventiva para viabilizar a intervenção estadual no Município reveste-se de caráter políticoadministrativo, sendo, portanto, definitiva. Significa dizer que contra a decisão do TJ, proferida na representação interventiva, não cabe recurso extraordinário perante o STF (Súmula 637 do STF).

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