À descoberta da Geologia da Praia Grande, Sintra

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1 À descoberta da Geologia da Praia Grande, Sintra

2 Para observar as pegadas de dinossáurio preservadas na laje vertical do extremo sul da Praia Grande, suba as escadas até as encontrar.

3 Nas pegadas que observa peça aos seus alunos para reconhecerem as características que permitem identificar os dinossáurios que as produziram. In Santos & Cascalho, 2008

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6 As impressões maiores e algo triangulares foram produzidas pelos pés de um saurópode, um dinossáurio quadrúpede e herbívoro. Junto a esta marca há uma outra de menores dimensões deixada pela mão.

7 Peça aos seus alunos para procurarem uma pegada de dinossáurio carnívoro parcialmente preservada. Entre as pegadas do saurópode há marcas das pontas dos três dedos longos com garras afiadas, característicos dos terópodes. Seja um paleontólogo com os seus alunos: Registem os valores do comprimento e largura das pegadas, do passo e da passada, tome nota da localização da jazida, da data da observação e da idade dos estratos, adotando as indicações seguintes.

8 Como medir a passada de um dinossáurio? Num trilho de um saurópode podemos medir distâncias e estimar as dimensões do dinossáurio que ali passou. Para isso registem no caderno de campo, as seguintes medidas, a partir da pista por ele deixada, como exemplifica a imagem. Meça os valores do passo (P) e da passada (λ). Registe os seguintes valores: (Cp) (P) (λ)

9 No caderno de campo faça um esboço das camadas que observa neste local e registe todos os pormenores que lhe pareçam importantes para melhor as descrever e perceber a sua estrutura verticalizada. Numa camada superior à que tem as pegadas poderá observar fósseis de bivalves. Para o ajudar nesta tarefa veja os PDF s Formação da Serra de Sintra e Sintra_120Milhões de anos nos supporting materials.

10 No caderno de campo, recorrendo a um esquema, anote a idade relativa do estrato que contém as pegadas em relação à camada que sobre ele se formou e tem abundantes fósseis de bivalves. Recorde que um princípio fundamental da Estratigrafia é o Princípio da Sobreposição que diz que os estratos mais recentes se depositaram sobre os mais antigos. Outro princípio fundamental da Estratigrafia é o Princípio da Horizontalidade que diz que os estratos se depositam originalmente na horizontal.

11 Reflita com os seus alunos, sobre o significado da verticalidade dos estratos, tanto no que respeita à movimentação das rochas da crosta terrestre (movimentos tectónicos) como ao tempo geológico, e às modificações do ambiente e da fauna ao longo de milhões de anos.

12 Uma outra questão interessante da Geologia desta praia é a sua AREIA. A areia é um componente essencial das rochas areníticas. É formada por um conjunto de partículas desagregadas, de origem diversa, sendo normalmente classificada de acordo com a dimensão das partículas que a compõem. De uma forma simples podemos dizer que a areia é muito grosseira quando a dimensão média dos seus grãos se situa entre 1 e 2 mm, grosseira quando esta dimensão se situa entre 1 e 0.5 mm, média quando ela se situa entre 0.5 e 0.25 mm, fina quando ela se situa entre 0.25 e mm e muito fina quando as partículas que a compõem possuem uma dimensão média entre e mm.

13 Se observarmos com atenção a areia da praia verificamos que, na maioria das situações, é composta por grãos de cores variadas. A presença de diferentes cores é consequência da composição mineralógica da areia (figura 1). Figura 1 Areia da Praia Grande (Colares, Sintra) Realize a atividade na praia que se encontra nos supporting materials.

14 Não se esqueça de relembrar aos seus alunos para recolherem todos os elementos necessários para que na sala de aula consigam dar continuidade à sua investigação em relação aos dinossáurios e às areias que encontram na Praia, Grande.

15 Glossário Rocha magmática rocha gerada pelo arrefecimento e solidificação de materiais do interior da Terra (material magmático), total ou parcialmente fundidos. Camada (estrato sedimentar) - Camada rochosa delimitada por duas superfícies ou planos de estratificação que o separam dos estratos superiores e inferiores. Nestes planos observam-se, frequentemente, pistas de animais enquanto que a maior parte dos outros fósseis estão contidos no próprio estrato. Fóssil Todo e qualquer vestígio identificável, do corpo (os chamados somatofósseis) ou de atividade orgânica (os chamados icnofósseis), de seres vivos do passado conservado nas rochas. Litificação Processo geológico através do qual os sedimentos são transformados em rochas consolidadas. Ma Milhão de anos, a unidade de tempo em Geologia. Um milhão de anos são séculos. Manto Camada intermédia da estrutura da Terra que se situa entre a crosta terrestre e o núcleo Material magmático Ver rocha magmática. Paleontologia Ciência que estuda a Vida do passado da Terra e seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de formação dos fósseis. Paleontólogo Cientista especializado em Paleontologia. Pista Conjunto de, pelo menos, três pegadas consecutivas produzidas pelo mesmo animal. Passada Distância entre pontos semelhantes de duas pegadas consecutivas do mesmo pé ou mão.

16 Bibliografia Alexander, R.M. (1976) - Estimates of speeds of dinosaurs. Nature, 261: Carvalho, A.M. Galopim (1994) O Cenozóico continental a norte da serra de Sintra (estudo tectono-sedimentar). Memórias de Geociências, 1: 110p. Carvalho, A. M. Galopim de (1999) Geomonumentos Uma reflexão sobre a sua caracterização e enquadramento num projeto nacional de defesa e valorização do Património Natural. Editado por Liga dos Amigos de Conimbriga Carvalho, A.M. Galopim (2003) Geologia Sedimentar, Volume 1 Sedimentogénese. Âncora Editora, 444p. Carvalho, A.M. Galopim (2003) Geologia Sedimentar, Volume 2 Sedimentologia. Âncora Editora, 475p. Kullberg, M.C. & Kullberg, J. C. (2000) Tectónica das regiões de Sintra e Arrábida). Memórias de Geociências, 2, 101p. Madeira, J. & Dias, R. (1983) - Novas pistas de dinossáurios no Cretácico inferior. Com. Serv. Geol. Portugal, 69: Ramalho, M.M. (1988) - Microfaciès des couches à pistes de dinosaures au Portugal-considérations paléoécologiques. Revue de micropaleontologie, 30(4): Ribeiro, M.L. & Ramalho, M.M. (1997) Carta Geológica Simplificada do Parque Natural de Sintra-Cascais à escala 1/ e Notícia Explicativa. Parque Natural de Sintra-Cascais e Instituto Geológico e Mineiro. Santos, V.F. (2003) Pistas de dinossáurio no Jurássico-Cretácico de Portugal. Considerações paleobiológicas e paleoecológicas. Tese de Doutoramento, Fac. Ciências da Universidade Autonoma de Madrid, 365 pp (inédito). Santos, V.F. & Cascalho, JP. (2008) Geologia da Praia Grande. Roteiro de Descoberta. Museu Nacional de História Natural. Universidade de Lisboa, Lisboa, 23 pp. ISNB:

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