CINEMA PEDAGÓGICO COMO INTERVENÇÃO PARA PRÁTICA DOCENTE. Elaine Fernanda Dornelas de Souza

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1 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, CINEMA PEDAGÓGICO COMO INTERVENÇÃO PARA PRÁTICA DOCENTE Elaine Fernanda Dornelas de Souza Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC RESUMO O objetivo do presente trabalho tem como foco apresentar o Projeto Cinema Pedagógico como Intervenção para prática docente. Esta atividade surgiu do trabalho da supervisão educacional, inquietado pelos acompanhamentos realizados aos docentes durante atividades em sala de aula como também do planejamento pedagógico. Deste acompanhamento algumas necessidades pedagógicas foram identificadas, sendo que neste momento será focada apenas uma, a utilização aleatória de filmes em sala de aula. Diante deste cenário, o grande desafio foi desenvolver o Projeto do Cinema Pedagógico contextualizando o com as necessidades pedagógicas do grupo de docentes, ou seja, os filmes que foram escolhidos sempre envolviam temáticas que permitiam articular ficção com realidade, ou seja, refletir sobre a ação docente em sala de aula. Esta ação foi muito significativa por favorecer trocas pedagógicas entre os docentes e ainda por permitir que este recurso ocupasse um espaço significativo na intervenção na prática pedagogia docente. Palavras chave: Prática docente, cinema pedagógico, docentes. O grande diferencial da utilização de filmes em sala de aula é poder trabalhar com a diversidade de conhecimentos que este instrumento possibilita, estimulando e propiciando uma visão ampliada do mundo. Refletir sobre questões polêmicas, políticas e geográficas, conhecer e instruir se sobre fatos e acontecimentos históricos, são situações possíveis de serem discutidas, quando subsidiadas pela ficção apresentada nos enredos dos filmes. Isso significa ampliar fontes de informação, de modo que atingirá cada pessoa de uma maneira, numa transversalidade de conhecimentos provocando mudanças. Diante deste cenário e subsidiado pelo ganho significativo que a atividade de exibição de filmes proporciona surgiu o Projeto do Cinema Pedagógico, como recurso implícito no desenvolvimento das competências do fazer docente. Do olhar do acompanhamento da supervisão educacional de uma Instituição que atua na modalidade de ensino profissionalizante de nível médio observando a prática docente e o perfil profissional do grupo de dos docentes que atuam na instituição, surgiu a necessidade deste projeto. Talvez pelo fato da maioria dos docentes que compõem a equipe serem profissionais de mercado, ou seja, profissionais que tem expertise na área de formação, são referências de profissionalismo no mercado de trabalho, mas desprovidos do referencial didático pedagógico, deixavam sempre implícitos a lacuna entre o saber fazer e o fazer. Diante deste cenário, o grande desafio foi identificar o como poderiam ser desenvolvidas intervenções pedagógicas para suprir

2 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, as carências didático pedagógicas do grupo e entender como poderiam vir às contribuições para o desenvolvimento das habilidades e competências que suprissem a formação deste profissional docente para atuação na escola contemporânea. O primeiro passo foi mapear as necessidades pedagógicas partindo do conhecimento das ações realizadas pela equipe docente e consequentemente desvelar como era desenvolvida prática docente. A partir desta análise, a ação da supervisão passou a ter foco definido e estruturado. Algumas situações foram evidenciadas, como: dificuldade na elaboração do plano de trabalho docente, preenchimento do diário de classe, e utilização dos filmes como instrumento pedagógico em sala de aula. Com foco nas dificuldades do plano de trabalho docente, o encaminhamento dado foi através do Grupo de Estudos, quando o grupo apoiado pela Proposta Pedagógica da Instituição e do Regimento Educacional, o grupo se reuniu para discutir e refletir sobre o fazer docente com foco na pratica pedagógica em sala de aula., já para a dificuldade do preenchimento do burocrático diário de classe foram desenvolvidos workshops com objetivo de capacitar o grupo para adequação dos procedimentos para o preenchimento correto do documento educacional e enfim, para os filmes utilizados em sala de aula, foi desenvolvido e planejado o Projeto do Cinema Pedagógico, com intuito de subsidiar esta ação pedagógica articulando o a interdisciplinaridade tema do momento em sala de aula. O grande entrave na atividade dos filmes foi perceber que este instrumento pedagógico era utilizado aleatoriamente, ou seja, quando faltava planejamento para aula, arbitrariamente era utilizado como aula, sem planejamento, foco e articulação com as atividades pedagógicas e conteúdos desenvolvidos em sala de aula. E a partir deste contexto, iniciou se o Projeto Cinema Pedagógico, sistematizado e elaborado de maneira que todos os docentes pudessem participar da atividade. Para Duarte (2006:17) ver filmes é uma prática social tão importante, do ponto de vista da formação cultural e educacional das pessoas, quanto à leitura de obras literárias, filosóficas, sociológicas e tantas mais. Dentro do contexto da utilização do cinema como veículo, ferramenta de ensinar temos a oportunidade de enfocar aspectos históricos, literários e cinematográficos, seja de forma separada e/ou em conjunto. Através destas possibilidades podemos trabalhar com os temas transversais, estabelecidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), estes constituem uma possibilidade do saber, da memória, do raciocínio, da imaginação, e da estética entre outros, ou seja, de integração dos saberes.

3 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, A sistematização, prática do projeto, foi bastante simples. Um convite foi disparado para todos os docentes da instituição, como também os demais colaboradores. No convite continha as informações do local onde aconteceria o filme, o nome o filme e dois horários para exibição (sendo um no período da tarde e outro no período noturno), porém o grande diferencial da atividade foi também constar no convite e depois da exibição dos filmes, teríamos um momento para discussão e reflexão e que poderíamos refletir e relacionar o conteúdo com a prática pedagógica contemporânea. O desfecho foi perceber o engajamento satisfatório do grupo na atividade, que aos poucos foram evidenciadas mudanças significativas na prática pedagógica em sala de aula. As reflexões e trocas aos poucos, foram contribuindo para construção da formação docente. Era nítida a percepção da necessidade pedagógica do grupo, mas em contrapartida era entusiasmante a dedicação destes profissionais envolveram se com a ação. Estes profissionais de mercado optaram por ser docentes e profissionais do mundo do trabalho e por isso as lacunas na construção pedagógica do fazer docente, eram implícitas na ação pedagógica velando a necessidade da didática como complemento da ação docente. Segundo Libâneo (2002), a didática é uma ponte mediadora entre a teoria e a prática docente. E ela que interliga as bases teóricas à ação prática, evitando o espontaneísmo e fornecendo aos profissionais da educação uma práxis educativa sólida. E ainda, segundo mesmo autor, A prática educativa não pode ocorrer de maneira espontânea, sem planejamento, metas e instrumentos, baseando se no puro praticismo como foi mencionado anteriormente. Ela deve estabelecer objetivos, que devem ser atingidos utilizando se da didática, que certamente facilitará o caminho a ser trilhado segundo meios viáveis e de acordo com cada realidade educacional, em proveito da ideia de ser humano que se deseja formar, de acordo com a sociedade em que ele está inserido, pois a didática não se limita ao fazer, só ação prática, mas também se vincula às demais instâncias e aspectos da educação formal (LIBÂNEO, 2002, p. 144). Enfim, o destaque da ação fica por conta da problematização que aconteceram após a exibição dos filmes, entendendo este como um momento impar, embasado nas discussões que propiciaram que o grupo percebesse quanto e necessitava desenvolver se no âmbito saber ensinar, problematizar e articular teoria e prática. A articulação didático pedagógica que o grupo incorporou puderam ser percebidas em sala de aula, no relato do grupo, na frequência e qualidade das escolhas dos filmes inseridos no plano de trabalho docente.

4 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, Didática é uma área da Pedagogia, uma das matérias fundamentais na formação dos professores, denominada por Libâneo (1990, p. 25) como teoria do ensino por investigar os fundamentos, as condições e as formas de realização do ensino. É coerente apresentar alguns filmes que foram exibidos durante o projeto e como as discussões foram conduzidas. Entre outros, foram apresentados: Educação de Pequena Árvore, Entre os Muros da Escola, Invictus, a escolha dos títulos não era aleatória, mas um desdobramento do momento em que o grupo estava, ou seja, as necessidades eram mapeadas no grupo de estudos, e lá ficavam evidentes as lacunas que devíamos organizar o enfrentamento com a prática pedagógica. Então, num primeiro momento tomando como referencia o filme Educação de Pequena Árvore, discutimos educação formal da informal, a valorização do conhecimento do aluno, os hábitos e costumes de uma geração, já no Filme Invictus, o enfoque foi no estímulo do trabalho em equipe, e Entre os Muros da Escola, foi possível trabalhar e desenvolver com o grupo o cenário atual das escolas, comportamento e regras sociais no ambiente escolar. Enfim, o projeto do Cinema Pedagógico permitiu ao grupo de docentes envolverem se implicitamente com o fazer docente. Atualmente o grupo já mais amadurecido consegue problematizar e articular teoria e prática, esta apto a realizar escolhas e comunicar se numa linguagem que integra o saber com o fazer docente, demonstrando seu aprendizado na execução do plano de trabalho e ainda na pratica docente. As escolhas dos filmes em sala de aula, atualmente são compartilhadas com o grupo de docentes, enfatizando o ganho pedagógico que a atividade despertou nos alunos, e isso esta ação pode ser traduzida como qualidade educacional. quando: Rehem (2009) conclui que, ações como estas contribuem para formação docente...o momento histórico esta a exigir que o professor de educação técnica desenvolva a capacidade de integrar teoria e pratica; enfrente o desafio de superar a especialização fragmentária do conhecimento reforçada pela tradicional organização de disciplinas estanques no currículo que forma os profissionais; aguce a investigação critica dos processos produtivos e das dinâmicas sociais pelos alunos, bem como promova o estudo dos avanços científicos e tecnológicos materiais básicos da formação entre os educandos (REHEM, pag.13) E Rehem (2009), complementa quando define o professor profissional. (...) como uma pessoa autônoma, dotadas de competências específicas e especializadas que repousam sobre uma base de conhecimentos racionais, reconhecidos, oriundos da ciência,

5 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, legitimados pela universidade, ou de conhecimentos explicitados, oriundos da prática. Quando sua origem é uma pratica contextualizada, esses conhecimentos passam a ser autônomos e professados, isto é, explicitados oralmente de maneira racional, e o professor é capaz de relata los. (REHEM, 2009 apud ALTLET, 2001 pag 23 32) É importante ressaltar que além do ganho cultural que este projeto atingiu, trazendo o conhecimento através dos filmes, houve também um resgate da adequação desta atividade como instrumento pedagógico, sendo indiscutível atualmente em sala de aula, sermos surpreendidos com atividade FILME, sem esta ter sido planejada, contextualizada e executada de maneira responsável entre os docentes, pois percebemos que a informação foi introjetada, ou seja, até dos momentos de lazer podemos planejar para que tenhamos mais qualidade. Este foi o diferencial desta ação, com docentes comprometidos e envolvidos com o saber fazer e dispostos ao envolvimento do aprender. Para tanto, trazer a experiência deste grupo de docentes, remete a construção do perfil do profissional docente do ensino técnico profissionalizante capaz de estabelecer e desenvolver competências técnicas de acordo com os requisitos demandados para atuação docente. Que Santos, traduz muito bem ao afirmar que: (...) a transformação começa com a mudança no olhar do docente. Ao questionar os conceitos que conformam o modo de ensinar e ao elaborar novas respostas para velhas interrogações o que é o ser, o que é o saber, o que é o aprender e o que é o educar, o professor verá o mundo de um outro modo. (Santos, pag. 33) É importante ressaltar que a participação dos docentes neste projeto, eram livres, não tinham obrigatoriedade, mas eram contadas horas de trabalho/planejamento. REFERÊNCIAS DUARTE, Rosália. Cinema e Educação.Belo Horizonte:Autêntica,2ª ed., 2002,128p. LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, Prática educativa, pedagogia e didática. In: Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

6 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, SANTOS, Akiko. Didática sob a ótica do pensamento complexo. Porto Alegra: Sulina, REHEM, Cleuonice Matos. Perfil e formação do professor de educação profissional técnica. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2009

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