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1 TÍTULO: PERFIL DAS ADOLESCENTES MÃES NAS ESCOLAS MUNICIPAIS ESTADUAIS DE BELO JARDIM - PE AUTORES: Ana M. S. Silva*, Amélia S. R. Lima*, Ivanildo M. Silva*, Joselito S. Medeiros*, Simão D. Vasconcelos**. *Alunos do curso de Especialização em Zoologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco. **Laboratório de Ensino de Zoologia, INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. ÁREA - TEMÁTICA: Saúde PALAVRAS CHAVE: Gravidez; Adolescência; Prevenção; Educação Sexual De acordo com dados fornecidos pela Secretária de Saúde de Belo Jardim/PE, nos últimos três anos não houve alteração na porcentagem de nascimento, no município de Belo Jardim, de modo a propor atividades de extensão universitária envolvendo as escolas públicas, as secretarias de saúde municipais e a comunidade local. Para tal estudo foram visitadas todas as escolas públicas estaduais (7), onde se aplicou um questionário com 586 jovens na idade de 13 a 17 anos. Verificou-se que 89% das meninas afirmam nunca ter praticado relação sexual, enquanto 11% mantêm relações sexuais periodicamente. Das adolescentes entrevistadas, 24% já engravidaram. Em relação ao conhecimento sobre métodos anticoncepcionais, observou-se que 40% das adolescentes conhecem a camisinha, 30% a pílula, 20% o DIU e 10% conhecem o método da tabelinha. 25% das jovens obtiveram informação sobre sexo com o namorado, 20% em revistas, 15% obtêm informação pela TV, e apenas 10% citam escolas e livros como fonte de informação. O grau de instrução dos pais parece não ter influência na gravidez entre as adolescentes, pois as mesmas afirmam conhecer métodos contraceptivos, embora não os usem com regularidade por acreditar que não correm riscos. Na maioria das vezes elas engravidam na primeira relação sexual, o que revela a carência das escolas quanto a uma boa educação sexual. Destaca-se a fraca participação das universidades em programas de educação sexual junto às comunidades, que abordem de maneira contínua aspectos relacionados ao comportamento sexual de adolescentes. Sugere-se uma maior interação escola-comunidade-universidade para que seja implantado nas escolas um programa de educação sexual tanto para pais como para os jovens como uma das ferramentas não apenas para reduzir a gravidez precoce, mas também para auxiliar as adolescentes a lidar com esta nova realidade.

2 INTRODUÇÃO A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências para a vida dos adolescentes. No Brasil a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 70 (Bocardi, 1998) Durante a adolescência ocorrem mudanças morfofisiológicas e comportamentais oriundas do efeito dos hormônios que atuam especificamente no homem e na mulher, e conseqüente amadurecimento dos órgãos sexuais (CABRAL, 1999). Em muitos casos, o início da vida sexual ocorre sem haver ainda maturação psicológica e física do adolescente. Nesta fase, as mudanças psicológicas, a busca de identidade e a curiosidade sexual são acentuadas (MACIEL,1983), o que é estimulada pelos meios de comunicação, devido, entre outros fatores, à tendência de banalização da sexualidade presente na mídia. Apesar de toda exposição a programas, revistas, livros, peças, músicas de forte conteúdo sexual, umas das causas mais comuns da gravidez na adolescência é a desinformação quanto aos métodos anticoncepcionais. Existe ainda um alto grau de ignorância em relação às conseqüências do sexo sem proteção, inclusive em termos de doenças sexualmente transmissíveis. Na adolescência é comum acreditar que se correm menos riscos e que se possui o controle sobre tais situações. Esta descrença está relacionada, em muitos casos, com uma inadequada orientação recebida tanto por parte dos pais como das escolas. As escolas compreendem um ambiente ideal para difusão de idéias e informações corretas sobre saúde e educação. Infelizmente, pode ser também um local para transmissão e perpetuação de mitos e inverdades sobre temas considerados tabus, tais como sexualidade. As escolas nem sempre dispõem de especialistas em seus quadros, e tópicos relacionados a sexualidade são tratados (quando o são) de maneira exclusivamente fisiológica e descontextualizada, dentro de aulas tradicionais de Programas de Saúde. Não é raro encontrar abordagens eivadas de preconceitos. Por este motivo, é fundamental perceber de que maneira os estudantes lidam com sexualidade, gravidez e temas associados. Detectando lacunas e áreas prioritárias, as universidades podem promover atividades de extensão, tais como capacitação de professores, que podem contribuir para minimizar as deficiências educacionais.

3 O presente trabalho teve como objetivo caracterizar o perfil das adolescentes mães do município de Belo Jardim, a fim de sugerir medidas não somente de prevenção, mas também de acompanhamento de casos de gravidez indesejada. METODOLOGIA O município de Belo Jardim está localizado no agreste de Pernambuco a 187 km do Recife. O município dispõe de 8 Escolas Municipais, 8 Escolas Estaduais, uma Escola técnica agrícola e uma Faculdade (FABEJA- Faculdade de Belo Jardim), bem como várias instituições de ensino particulares. escolas públicas estaduais de Belo Jardim, entre março e maio de 2002, localizadas na periferia e na região central da cidade. O método constou da realização de questionários individuais anônimos, a fim de preservar a intimidade das alunas. Foram elaboradas 15 perguntas diretas com intuito de verificar o comportamento sexual e as características sócio-econômicas da entrevistada. As principais perguntas do questionário foram: idade, grau de instrução dos pais, métodos anticoncepcionais, fontes de informação sobre sexo, existência de algum tipo de educação sexual na escola, manutenção de relações sexuais e utilização de métodos anticoncepcionais. Perguntou-se ainda se a entrevistada já havia engravidado, e se tal gravidez havia sido planejada. RESULTADOS E DISCUSSÃO Das 586 adolescentes entrevistadas, 89 % afirmaram não ter praticado sexo e 11% afirmaram já haver mantido relação sexual. Destas, 24 % engravidaram (Figuras 1). Segundo estimativas, a cada ano um milhão de adolescentes brasileiras entre 10 e 20 anos dão à luz. Esse número corresponde a 20% do total de nascidos vivos no ano, esta gravidez precoce, além dos danos sociais, prejudica o físico ainda imaturo e o crescimento da adolescente (Duarte,1998) Observou-se que 60 % dos pais são alfabetizados e 40% são analfabetos, sendo que as mães de modo geral apresentaram grau de instrução mais elevado (Figura 2). Notamos também que houve incidência de adolescentes que já engravidaram cujos pais são analfabeto e de nível superior. Nas classes populares é comum a gravidez precoce, o que pode estar relacionado a carência afetiva, muitas vezes o problema começa em casa, pois a maioria das jovens indicam problemas de relacionamento com seus pais. Uma das chaves para evitar uma gravidez precoce está na família, que tem papel fundamental na formação da identidade do indivíduo (Dadoorian, 2002).

4 Em relação ao conhecimento de anticoncepcionais, 40 % das adolescentes conhecem camisinha, 30 % pílula, 20% DIU (Dispositivo Intra Uterino) e 10 % conhecem o método da tabelinha (Figura 3). Boa parte das jovens busca no namorado informações sobre sexo, já que 25 % dos jovens consideram o parceiro como a principal fonte; 20 % obtêm informações através leitura de revista, e 15% adquirem as informações pela TV, ficando a escola e livros com apenas 10 % (Figura 4). A freqüência de gravidez entre adolescentes parece estar incompatível com os dados fornecidos pela Secretaria de Saúde de Belo Jardim município. De acordo com dados fornecidos pela Secretaria de Saúde de Belo Jardim, nos últimos três anos não houve alteração no perfil de nascimentos no município, mas 70% dos nascimentos foram gerados por mulheres na faixa etária de 20 a 50 anos, ficando 30% provenientes de mulheres de 10 a 20 anos. Há indícios que as adolescentes mães encontram-se ausentes das escolas, provavelmente devido a gravidez precoce. É comum encontrar jovens que após o nascimento do filho interrompem os estudos, principalmente para ocupar-se da criação do bebê. O grau de instrução dos pais parece exercer influência na ocorrência de gravidez indesejada entre as adolescentes. Não que não se tenha observado casos de gravidez entre adolescentes cujos pais têm ensino médio completo, porém a maior proporção de gravidezes ocorreu entre jovens cujos pais eram analfabetos. As adolescentes demonstram ter conhecimento de métodos contraceptivos, porém não podemos afirmar se elas conhecem o funcionamento adequado dos mesmos. Informações sobre sexualidade são obtidas de diversas fontes, mas a família não parece constituir uma das fontes mais consultadas. Embora afirmem conhecer métodos contraceptivos, as jovens parecem não utiliza-la com freqüência, pois a maioria delas acredita que com elas nunca vai acontecer, uma das respostas mais citadas. Segundo as entrevistadas, a gravidez ocorreu em decorrência de simples descuido. Na maioria das vezes elas engravidam nas primeiras relações sexuais, indicando a falta de prática, iniciativa, conhecimento ou até mesmo coragem para sugerir ao parceiro o uso da camisinha. Com este trabalho percebemos uma enorme carência das escolas quanto a forma e profundidade na abordagem do temas relacionados a sexualidade. Só através de programas de conscientização serão capazes de sensibilizar os adolescentes. É sugerido que seja implantado nas escolas um programa de educação sexual tanto para pais como para os jovens, objetivem uma melhor reflexão sobre as causas e conseqüências de uma gravidez indesejada na adolescência.

5 As informações adquiridas nestes estudo serão disponibilizadas nas escolas, secretaria de saúde e educação do município. As instituições de Ensino Superiores, públicas e particulares de Pernambuco podem contribuir neste processo, desenvolvendo programas de extensão que envolvam a capacitação de agentes multiplicadores em escolhas, secretárias de saúde, ONG s, e outras instituições envolvidas com a educação sexual de crianças,jovens e adultos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOCARDI, M. I. B. Gravidez na Adolescência.Ed :Arte & Ciências -UNIMAR, p.128,1998. CABRAL, Maria G. S R. Conseqüências da Gravidez na Adolescência: Riscos para a Saúde da Mãe e do Recém-Nascido. Dissertação de mestrado, Departamento de Nutrição, Universidade Federal de Pernambuco,1999. DUARTE, ALBERTINA. livro Gravidez na Adolescência. Editora Rosa, p.152, 1998 DADOORIAN, D. Pronta para voar:um novo olhar sobre a gravidez na adolescência.ed Rocco: Online, p.180,2002. INTERMET. - 7k MACIEL, CARLOS. Gravidez na Adolescência- I Ciclo de Estudos. Coleção Professor Carlos Maciel. Governo de Pernambuco. Secretaria de educação, Cultura e Esportes,1983.

6 100 Porcentagem (%) Mantém relação sexual sim não Já engravidou Figura 1. Porcentagem de adolescentes que já mantiveram relações e engravidaram, durante a pesquisa realizada em maio de 2002,nas escolas estaduais no município de Belo Jardim. 50 Porcentagem (%) Analfabeto Ensino fundamental Pai Mãe Ensino médio Ensino superior Figura 2. Grau de instrução dos pais das adolescentes mães, durante a pesquisa realizada em maio de 2002, nas escolas estaduais no município de Belo Jardim.

7 Porecentagem (%) Preservativo Pílula DIU Tabela Outros Figura 3. Métodos anticoncepcionais mais conhecidos pelas as adolescentes, durante a pesquisa realizada em maio de 2002, nas escolas estaduais no município de Belo Jardim Porcentagem (%) Namorado Revista TV Amigos Livros Escola Pais Figura 4. Fontes de informação sobre sexo dos adolescentes que matem relações sexuais, durante a pesquisa realizada em maio de 2002,nas escolas estaduais no município de Belo Jardim.

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