O COMPROMISSO POLÍTICO DO PEDAGOGO NA ESCOLA: SABER E SABER FAZER

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1 O COMPROMISSO POLÍTICO DO PEDAGOGO NA ESCOLA: SABER E SABER FAZER Maisa Haeglifer 1 Marizete Tavares Nascimento da Silva 2 Neiva Gallina Mazzuco 3 Sérgio Almeida da Silva 4 O presente trabalho é resultado de reflexões realizadas durante as aulas da disciplina Organização do Trabalho Escolar III (OTPGE III) que objetiva refletir sobre a atuação do educador pedagogo exercendo funções de Orientador Educacional, Administrador Escolar, Supervisor Educacional e Coordenador Pedagógico, tendo como perspectiva a construção do trabalho coletivo na organização escolar. Considera-se este estudo relevante haja visto que o papel do pedagogo ainda está indefinido no cotidiano escolar, entendendo, como Grinspun (2001), que este cotidiano não envolve apenas questões particulares do currículo escolar, do projeto-político-pedgógico, mas também as relações de poder, de saber, etc.. Também comungamos com Ferreira (2001) quando fala que os pedagogos considerados especialistas estão perdidos na busca de sua identidade, o que os levam a serem desconsiderados e desrespeitados. São portadores de uma especialização desespecializada (FERREIRA, 2002, p. 91). Partindo do pressuposto que a escola está subordinada ao Estado e que objetiva, a priori, o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias para o campo produtivo e que sua finalidade deveria ser a transmissão e produção do conhecimento numa 1 Acadêmica do 3º ano do Curso de Pedagogia matutino da UNIOSTE Campus de Cascavel. ou - Tel: (45) Acadêmica do 3º ano do Curso de Pedagogia matutino da UNIOESTE Campus de Cascavel. Tel: (45) Professora Ms. do Colegiado de Pedagogia - CECA UNIOESTE Campus de Cascavel. - Tel: (45) e ou (45) Acadêmico do 3º ano do Curso de Pedagogia matutino da UNIOESTE Campus de Cascavel. ou - Tel: (45)

2 perspectiva de totalidade e formadora do homem omnilateral, embora sabendo que este homem não existe na sociedade capitalista, buscaremos refletir sobre a função do pedagogo no interior da escola que, por sua vez, esta é entendida por muitos educadores como o espaço de transmissão e produção do conhecimento. Contudo, ela é muito mais do que isso: é uma instituição que compõe uma das partes do todo que é a sociedade e, ao mesmo tempo em que contribui para a organização do Estado, influencia e é influenciada pelo processo histórico de produção do conhecimento. No entanto, ela não está dando conta da sua especificidade visto o estrangulamento de seu financiamento que, por exemplo, obriga o professor a sobrecarregar-se de aulas para poder sobreviver, sem tempo para prepará-las, sem recursos para pesquisa, sem acesso à qualificação, além de ser levado a desenvolver muitas outras atividades periféricas tais como: comemoração de datas cívicas ou festivas, organização de festas para angariar fundos, aplicação de flúor, exploração de cartilhas advindas de órgãos hierarquicamente superiores, entre outras. Nesta realidade, o pedagogo tem um vasto campo de trabalho, porém, no decorrer da história, ele tem atuado mais como um fiscal/controlador e não como um competente assessor pedagógico que pudesse contribuir significativamente para o bom andamento do processo ensino-aprendizagem. Seu trabalho deve criar condições favoráveis para que os educadores possam rever suas atuações. Portanto, ele não só deve saber como é que se faz, mas, como defende Rangel (1997) saber-fazer, organizando, dirigindo grupos de estudos e discussões com o objetivo de estar interagindo com todos os envolvidos no processo educacional, orientando o professor quanto ao planejamento, seleção de conteúdos, currículo, avaliação, etc., de modo a contribuir para que os conteúdos aprendidos na escola não sejam apenas memorizados, mas efetivamente compreendidos e articulados com a prática social do aluno, a qual deve ser vista como ponto de partida e de chegada, porém, sabendo que o de chegada deve estar repleto de

3 significado, porque compreendido, o que exige que o supervisor deva ser educador, tendo a docência como base para seu trabalho. O empenho pelo saber-fazer e não apenas pelo saber deve ser assumido por todos os envolvidos no processo educacional. Porém, ainda se percebe muito autoritarismo na atuação de pedagogos em suas diferentes funções, seja ele diretor, supervisor ou coordenador, ao levar os profissionais da escola a subordinarem suas necessidades e prioridades às determinações dos órgãos centrais de ensino, em detrimento da especificidade da escola. Esta relação entre as pessoas em diferentes funções imprime-se em uma conotação de inferioridade/superioridade, dependendo do cargo ocupado na hierarquia do sistema educacional. Nesse sentido, os diferentes encaminhamentos necessários para o bom andamento das atividades escolares ficam a critério de cada integrante que tem o poder de decidir e o fazem, muitas vezes, sem considerar as decisões coletivas. Nesta perspectiva, é importante superar a relação de submissão existente na escola, de modo a possibilitar que o pedagogo preste constante assessoria pedagógica ao corpo docente, para que juntos possam planejar o Projeto Político-Pedagógico da instituição a qual pertencem e levar o aluno a compreender e a reelaborar saberes. Assim, o pedagogo deve estar sempre atento às situações vivenciadas no cotidiano escolar, buscando dar suporte pedagógico ao professor sempre que houver necessidade ou lhe for solicitado, além de estar oportunizando, freqüentemente, momentos de reflexões teórico-metodológicas. Todavia, não podemos vê-lo como detentor de um receituário pronto, capaz de resolver todos os problemas educacionais, nem como alguém que objetive a imposição de novas teorias visando a superação do velho, mas como um profissional que analisa histórica e criticamente a realidade e que, portanto, guia seu entendimento de mundo e define suas prioridades na escola, à luz do materialismo

4 histórico dialético. Porém, na prática de muitos pedagogos que se consideram defensores da transformação da sociedade ainda se percebe a falta de compromisso político, seja por ingenuidade (como conseqüência da precariedade em sua formação), na medida em desconhecem o uso que podem fazer, politicamente, de seu trabalho ou por opção, agindo passivamente às imposições da ideologia da elite dominante via encaminhamentos das instituições a que está subordinado. Contudo, mesmo que as instituições na sociedade sejam burocráticas e autoritárias, o pedagogo deve encontrar seu espaço de atuação, pois não está de todo engessado. Pode levar os alunos, professores e pais de alunos a refletirem sobre a realidade: suas relações políticas, econômicas e sociais, visando uma consciente participação social. Concluindo, há que se compreender que o pedagogo tem uma prática sobre a qual deve buscar reflexão que lhe possibilite melhor compreendê-la no conjunto da educação, o que o levará a rever seus encaminhamentos tendo por base o projeto educacional coletivamente definido. Enfim, o pedagogo deve estar comprometido com uma proposta de trabalho que vislumbre a superação da sociedade de classes e não com o cumprimento de um papel alienadamente assumido e hierárquica e autoritariamente desenvolvido. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FERREIRA, Naura S. Carapeto. Supervisão educacional: novas exigências, novos conceitos, novos significados. In: RANGEL, Mary (org.) Supervisão pedagógica: princípios e práticas. Campinas: Papirus, GRINSPUN, Mírian, P. S. Z. A orientação educacional: conflito de paradigmas e alternativas para a escola. São Paulo: Cortez, 2001.

5 RANGEL, Mary et. Al. Nove olhares sobre a supervisão. Campinas: Papirus,

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