A Prática Pedagógica do Professor

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1 A Prática Pedagógica do Professor Autor: Ms Maria das Mercês da Cruz e Silva (Texto adaptado de sua tese de Mestrado em Educação UERJ, 1997) Na diversidade de explicações sobre a aprendizagem do aluno tem-se dado pouca ênfase à dinâmica da prática educativa, da avaliação e ao contexto do currículo educacional no processo ensino-aprendizagem. Analisando a relação pedagógica da sala de aula fica evidenciada a importância das interações aluno/conhecimento, professor/aluno e professor/aluno/conhecimento na construção do sucesso/fracasso escolar. Analisando a prática pedagógica do professor em sala de aula, podemos verificar a importância de seu papel como educador na formação de consciências críticas e participativas. Se o seu trabalho for significativo para o aluno irá contribuir para sua permanência na escola, pois o objetivo da ação pedagógica é ter interesse na aprendizagem do aluno. Se nós, professores, na sala de aula, não podemos dar conta da política de ofertas de vagas e de acesso dos educandos à escola, podemos dar conta de um trabalho educativo significativo para aqueles que nela têm acesso. Trabalho esse que, se for de boa qualidade, será um fator coadjuvante de permanência dos educandos dentro do processo de aquisição do saber e conseqüentemente também um fator dentro do processo de democratização da sociedade. (Luckesi,1990:12) O inter-relacionamento professor/aluno deve ser fundamentado no incentivo à criatividade, ao debate, ao estudo, empenhados em criar a reflexão crítica. O professor como sujeito de criação, coordenando os estudos, questionamentos e debates; o aluno, como sujeito do seu aprendizado, no exercício e desenvolvimento de seu potencial crítico e participativo. Para isso é necessário ao professor ter conhecimento de sua área de especialização e que esteja informado da realidade como um todo, para que possa proporcionar ao aluno o desenvolvimento do potencial de uma reflexão crítica.

2 Partindo do pressuposto que o professor precisa ter domínio não só de conhecimentos como também o domínio de habilidades didáticas que constituam os instrumentos técnicos e metodológicos de sua profissão, ele precisa estar preparado não só tecnicamente, mas também didaticamente para sua função educativa em sala de aula. O professor criativo, de espírito transformador, está sempre buscando inovar sua prática e um dos caminhos para tal fim seria dinamizar as atividades desenvolvidas em sala de aula. ( Lopes in Veiga, 1991:35) O livro "Medo e Ousadia "(1986) retrata um diálogo entre Paulo Freire e Ira Shor, onde os dois educadores abordam o trabalho diário do professor, fonte de numerosas contradições e conflitos. Apesar de viverem em países diferentes, as questões que preocupam os professores norte-americanos coincidem em alguns pontos com as dos brasileiros. São ligados pelo mesmo enfoque - a educação libertadora - e pelo mesmo sonho - uma sociedade de iguais, ambos estão preocupados com a potencialidade criadora e dinâmica da educação para a mudança. Diz Shor: "O professor deve ser um aprendiz ativo e cético na sala de aula, que convida os estudantes a serem curiosos, críticos... e criativos". (Freire/Shor, 1986:18) Para que a educação libertadora ocorra Paulo Freire considera alguns indicadores: o professor precisa entender o contexto social e pedagógico do ensino; a necessidade do diálogo entre professores e alunos, levados a interagir e compartilhar conhecimentos; a questão do dinamismo e o conteúdo das aulas, devendo estimular o pensamento crítico dos alunos; as diferenças de linguagem entre o professor e o aluno que precisam ser sanadas, pois tais diferenças possuem um fundamento político e ideológico. Através do diálogo e da participação efetiva de todos no processo ensino-aprendizagem operaremos a superação e a contradição entre educador e educando. O diálogo é, portanto, uma exigência existencial que possibilita a comunicação e permite ultrapassar o imediatamente vivido.

3 Sendo assim, um trabalho de qualidade exige, prioritariamente dos professores, que eles tenham um relacionamento democrático e participativo, um trabalho de equipe que propicie a construção do conhecimento, centrando-se sempre na aprendizagem como um processo estimulante do pensamento crítico do aluno. Isto requer o repensar e a reorientação do trabalho pedagógico no cotidiano escolar, a partir de uma redefinição teórica e metodológica, onde a idéia de construção e reconstrução se sucedem nessa prática pedagógica na busca constante de melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem como um todo. O papel do professor no processo ensino-aprendizagem surge como o de facilitador da interiorização de conteúdos e valores pelos alunos, criando condições de informações e organizando estratégias de ação no sentido de se chegar a uma perfeita interação entre alunos, professor e matéria. Sentimos o quanto é importante para o professor o conhecimento e a interação entre todos os elementos do processo pedagógico que darão a ele as condições necessárias para desenvolver seu projeto educativo visando o aprimoramento do conhecimento e da aprendizagem do aluno. A elaboração do plano de ensino, o estabelecimento de objetivos a alcançar, os critérios de avaliação e de auto-avaliação são procedimentos didáticos que não devem faltar no planejamento pedagógico de quem se propõe a ensinar algo a alguém. É necessário desejar e se empenhar na transformação, com o professor procurando desenvolver uma prática pedagógica mais participativa, mais coerente como tipo de cidadão que queremos formar. Só assim ele conseguirá também mudar a prática da avaliação que, via de regra, se apresenta formal, repetitiva e autoritária. É importante que nós, professores, tenhamos sempre a clareza do que pretendemos avaliar, preocupando-nos com a construção do saber, levando o aluno aprender a relacionar as idéias com os fatos.

4 Se a avaliação não assumir a forma diagnóstica ela não poderá estar a serviço da proposta política - "estar interessado que o educando aprenda e se desenvolva" - pois se a avaliação continuar sendo utilizada de forma classificatória, como tem sido até hoje, não viabiliza uma tomada de decisão em função da construção da aprendizagem, como temos definido em outras ocasiões, nada mais tem feito do que classificar o educando num certo estágio de desenvolvimento e dessa forma não auxilia a construção dos resultados esperados. ( Luckesi, 1990:31) Ela é um processo sistemático, não é improvisada e se insere num sistema mais amplo que é o sistema ensino-aprendizagem; é contínua, acontece ao longo de todo o processo; é integral, pois ocupa-se do aluno como um todo, julgando não apenas os aspectos cognitivos mas também os domínios afetivo e psicomotor. É uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente que deve acompanhar passo a passo o processo ensino-aprendizagem. Todos os envolvidos no processo educacional da escola podem e devem avaliar - o professor, a prática pedagógica; a escola, o projeto educacional; o próprio sistema, a produtividade da política educacional; o aluno, a construção do conhecimento. Podemos dizer que a prática educativa na escola torna-se mais democrática quando envolvemos os alunos como sujeitos do próprio processo de construção de conhecimento. Para que isto possa ocorrer, há necessidade de um maior aprimoramento no campo didático-pedagógico daqueles que propõem a atuar como docentes. A necessidade de competência didático-pedagógica é pressuposto essencial para o exercício da atividade magisterial no Ensino Fundamental e Ensino Médio, garantindo aos alunos um professor habilitado especificamente para as funções de magistério, com conhecimentos específicos voltados ao processo ensino-aprendizagem, visando a socialização do saber. Podemos dizer que o perfil do professor adequado ao ensino seria o daquele que estaria preparado não só em conteúdo, mas em um conjunto de conhecimentos, técnicas e habilidades para desempenhar de forma consciente e coerente com a realidade do aluno. Pensamos que isso se torne necessário para podermos chegar ao perfil do aluno que nos propomos a formar, ou seja, aquele que se enquadre ao perfil de um aluno crítico, construtivo e participativo, se

5 consciente da necessidade de seu interesse pelas questões e problemas sociais. Nesse caso, é de maior importância que no processo ensinoaprendizagem as informações teóricas se completem com exercícios práticos. Teoria e Prática não são compartimentos estanques, são elementos que se interagem para a produção do conhecimento do aluno. A educação, no contexto sócio-cultural atual deve ter outras preocupações que não a reprodução de uma ideologia que mantém os interesses de uma minoria. O aluno é um ser ativo, que pensa, que questiona os pressupostos que lhe são apresentados. E ele deve discutir, deve se colocar inteiramente dentro do assunto a ser apreciado com esta capacidade crítica que é inerente a qualquer ser humano. O professor deve ser o bom ouvinte, deve observar e conhecer o alunado, propondo metodologias, compatíveis com que o aluno tenha como formação, e buscar melhorar com este comportamento a relação ensino-aprendizagem. (Aragão, 1993:42) O importante é despertar no aluno uma imaginação que produza o novo, a realização de um programa de democratização dos processos e métodos de ensino, é transformar a sala de aula num laboratório de criatividade. O professor que domina totalmente o conteúdo da disciplina que leciona pode ser um bom professor, mas nem sempre será um educador, pois educador é aquele que dá aos alunos os instrumentos necessários ao seu desenvolvimento como elemento crítico e transformador da realidade social. (Maria das Mercês da Cruz e Silva Mestre em Educação, especialista em Avaliação Institucional, Professora Universitária, Diretora do Centro Educacional Guairá Itaguaí, RJ.) E.Mail:

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAGÃO, Selma Regina. 2 Ensaios. Rio de Janeiro: UFRJ,1993. FREIRE & SHOR,Ira. Medo e Ousadia: O Cotidiano do Professor. Rio de Janeiro:Paz e terra, LOPES, Antonia O. Aula Expositiva: Superando o tradicional. in VEIGA, Ilma.P.A.(Org.)et alli. Técnicas de Ensino - Porque Não? Campinas: Papirus,1991. LUCKESI, Cipriano C. et alli. Fazer Universidade: Uma Proposta Metodológica. 6ª edição. São Paulo:Cortez, Prática Docente e Avaliação. Rio de Janeiro: ABT, 1990.

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