APRENDER E ENSINAR: O ESTÁGIO DE DOCÊNCIA NA GRADUAÇÃO Leise Cristina Bianchini Claudiane Aparecida Erram Elaine Vieira Pinheiro

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1 APRENDER E ENSINAR: O ESTÁGIO DE DOCÊNCIA NA GRADUAÇÃO Leise Cristina Bianchini Claudiane Aparecida Erram Elaine Vieira Pinheiro Resumo Neste texto, discute-se o estágio em docência desenvolvido em cursos de graduação, uma atividade que faz parte dos programas de pós-graduação em educação stricto sensu, mestrado e doutorado, e tem por objetivo possibilitar o desenvolvimento da experiência docente em cursos de graduação, permitindo ampliar os conhecimentos sobre a docência, desenvolvendo reflexões acerca da formação de licenciados para atuar na realidade escolar. Tal estágio foi normatizado pelo Artigo 18 da Portaria 76/2010 da Capes, que o assinala como parte obrigatória aos alunos bolsistas de programas de pósgraduação visando a preparação para a docência e a qualificação do ensino da graduação. Questiona-se, aqui, qual o significado do estágio em docência na pósgraduação e que importância tem esta atividade para formação do pós-graduando? As análises são desenvolvidas, a partir de discussões bibliográfica e documental sobre o papel do estágio na pós-graduação. Também é pauta das análises desenvolvidas a constituição do ser professor no ensino superior. Defende-se o espaço do estágio como um momento importante ao desenvolvimento profissional daqueles que pretendem seguir na carreira docente universitária, que, aliado aos conhecimentos do professor orientador, se traduz em uma formação completa aos discentes do programa. Como resultados verifica-se que no estágio, os pós-graduandos desenvolvem e aprimoram os saberes que já possuem pela oportunidade de refletir sobre os conhecimentos que estão em processo. Esta fase da formação na pós-graduação é uma experiência ímpar para aqueles que nunca atuaram como docentes na graduação e se constitui como campo de pesquisa, a fim de aprimorar-se na prática docente, ampliando seus horizontes profissionais e problematizando a realidade. Palavras-chave: Pós-graduação, Estágio, Docência. Introdução Este texto se origina de desenvolvimento de reflexão e análise do estágio de docência realizado no programa de mestrado em educação. O estágio de docência na graduação é parte do processo de formação dos futuros mestres. Nele, pretendemos discutir o significado do estágio de docência na graduação, sendo esta uma atividade desenvolvida por pós-graduandos do stricto sensu em programas de mestrado ou doutorado. Para além do simples cumprimento de créditos, o objetivo do estágio em docência é possibilitar a experiência docente na graduação. Este estágio é realizado por discentes e bolsistas de demanda social da Capes. De acordo com o Artigo 18 da Portaria 76/2010 da Capes: 9342

2 2 O estágio de docência é parte integrante da formação do pósgraduando, objetivando a preparação para a docência e a qualificação do ensino de graduação, sendo obrigatório para todos os bolsistas do Programa de Demanda Social (CAPES, 2010, p. 31). O cumprimento do estágio pelo pós-graduando, além de ser uma exigência feita ao aluno bolsista, deve, também, constituir-se o estágio em docência como uma possibilidade de reflexões teórico-práticas, que visem a compreender o significado de ser professor nos dias de hoje. Por isso é esse estágio é aberto aos demais alunos não bolsistas do programa. A análise desta questão é importante, pois se trata do desenvolvimento do estágio no momento da formação acadêmica em que se privilegia a constituição de pesquisadores, aspecto que contribui para o processo de reflexão sobre ser professor. Estes argumentos nos levam a questionar: Qual o significado do estágio de docência na pós-graduação? Que importância tem o estágio para formação do pósgraduando? Entendemos que ser professor é um constante desafio e que os profissionais da educação devem estar preparados para proporcionar ao aluno o conhecimento necessário ao desenvolvimento das atividades requeridas, instrumentalizando-os no momento em que há possibilidade de transformação e superação de desafios. Para o desenvolvimento das reflexões aqui apresentadas, utilizamos pesquisa bibliográfica e análise dos documentos norteadores do estágio em docência. O estágio de docência segundo a pós-graduação Ao possibilitar ao aluno da pós-graduação a participação no estágio durante sua formação, proporcionando a vivência de atividades docentes, fica clara a necessidade de problematizar a realidade escolar. Este processo de reflexão permite não só projetar ideias visando a transformar a realidade escolar, como também desenvolver-se, mediado pela práxis; A práxis é, na verdade atividade teórico-prática ou seja, tem um lado ideal, teórico e um lado material, propriamente prático [...]. O objetivo (produto) é o resultado de um processo que tem seu ponto de partida no resultado ideal (finalidade) [...] produz-se sempre certas inadequações entre o modelo ideal e sua realização [...]. O que significa que a consciência não pode limitar-se à imprevisibilidade do processo exige também um dinamismo de consciência (VASQUEZ, 1968, p ). 9343

3 3 Apropriar-se dessa categoria como elemento central de mediação para reflexões sobre o fazer docente na graduação permite ao pós-graduando mobilizar tanto os conhecimentos de sua formação quanto aqueles que se encontram em processo, os quais envolvem o exercício da docência de modo específico. Estes aspectos são fundamentais para a realização do estágio, uma vez que a atuação docente na graduação exige empenho para que os conteúdos não sejam simplesmente transmitidos, mas que se prestem a ser ponto de partida para o diálogo que se estabelece na relação entre o ensinar e o aprender. Por isso é fundamental ao estagiário o conhecimento do currículo, do projeto pedagógico e do plano de curso, além de se oferecer a ele condições de conhecer a turma na qual seu estágio será desenvolvido. Ao chegar a uma sala de aula, estagiário e professor precisam lembrar-se de que há um projeto pedagógico norteador do curso. O projeto pedagógico, que traduz a identidade da instituição, configura-se como norte para o professor selecionar os conhecimentos necessários ao ensino com qualidade. É fundamental, portanto, que se tenha bem clara esta noção de que os pressupostos da formação no curso de graduação constantes no projeto pedagógico são elementos norteadores do desenvolvimento de cada disciplina. Cada série possui um objetivo para formação, assim como cada série estabelece uma relação com as demais visando, no conjunto, a alcançar o objetivo que se espera com a formação. Ao estagiário cabe conhecer o projeto do curso e a disciplina, a fim de contribuir para com o desenvolvimento da atividade docente. Neste sentido, o estágio na graduação permite uma reflexão sobre o que é preciso para formar o graduando, assim como o que é necessário para ser professor. Este processo possibilita rever o entendimento da unidade teoria e prática como forma de sintetizar seus resultados. Entendemos que o estágio propicia colocar em prática os conhecimentos adquiridos, ação que requer reflexão desde o primeiro momento, tarefa que se apresenta constante aos futuros docentes. Conhecer e problematizar a realidade, para além de uma atividade obrigatória, configura-se em uma formação reflexiva e ativa, figurando como um espaço privilegiado e imprescindível para a formação, no qual, a vivência da atividade docente é, em essência, a atividade formativa. Em síntese, Nos processos de formação de professores, é preciso considerar a importância dos saberes das áreas de conhecimento (ninguém ensina o que não sabe), dos saberes pedagógicos (pois o ensinar é uma prática educativa que tem diferentes e diversas direções de sentido na 9344

4 4 formação do humano), dos saberes didáticos (que tratam da articulação da teoria da educação e da teoria de ensino para ensinar nas situações contextualizadas), dos saberes da experiência do sujeito professor (que dizem do modo como nos apropriamos do ser professor em nossa vida). Esses saberes se dirigem às situações de ensinar e com elas dialogam, revendo-se, redirecionando-se, ampliando-se e criando (PIMENTA, 2005, p. 71 apud OLIARI et al, 2012, p.6,7). Portanto, torna-se fundamental discutir a concepção de estágio com o pósgraduando para ser possível, pensar o ato de ensinar no campo da prática. Reforçando a ideia anterior, Paulo Freire (2001) diz que não existe ensinar sem aprender. Trata-se de uma aprendizagem mútua. O autor ressalta: É que não existe ensinar sem aprender e com isto eu quero dizer mais do que diria se dissesse que o ato de ensinar exige a existência de quem ensina e de quem aprende. Quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende, de um lado, porque reconhece um conhecimento antes aprendido e, de outro, porque, observado a maneira como a curiosidade do aluno aprendiz trabalha para apreender o ensinando-se, sem o que não o aprende, o ensinante se ajuda a descobrir incertezas, acertos, equívocos. (FREIRE, 2001, p. 259). O autor destaca a preciosidade da relação que se estabelece entre ensinante e ensinado e observa a impossibilidade de ensinar, de ser professor, sem estudar. Só pode ensinar aquele que estuda. Considerações Finais O estágio na graduação favorece a formação dos mestrandos e doutorandos que pretendem seguir a carreira docente. É uma etapa para além da formação inicial que traz como contribuição a maturidade para desenvolver reflexões daquele que adentra o universo do graduando que, no caso das licenciaturas, também está sendo preparado para ser professor. Esta característica peculiar nos programas de mestrado e doutorado em educação permite aos pós-graduandos estagiários terem contato não apenas com a realidade acadêmica da educação superior, mas com o confronto com os pontos de vista dos alunos sobre o encaminhamento da educação escolar brasileira. Percebe-se pelo exposto a importância do estágio de docência no âmbito da pósgraduação stricto sensu, o que, em nosso entendimento, se configura, para além do cumprimento de uma atividade própria dos estudantes bolsistas. Trata-se de espaço de aprendizagem e de formação e se constitui como espaço de ampliação de conhecimentos 9345

5 5 em que o convívio entre alunos em processo de formação para a docência aprimora seu conhecimento a respeito da educação, da escola e do sentido de ser professor. Referências: FREIRE, Paulo. Carta de Paulo Freire aos Professores Ensinar e aprender: leitura do mundo, leitura da palavra. In: Estudos Avançados, N. 15, v p Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=s &lng=en&nrm=iso&tlng=pt> Acesso em 31/01/2016. OLARI, Fátima A.S.TENROLLER, Regane M.; ROQUETTE Rosângela F., NEZ, Egeslaine. Refletindo sobre a Identidade e a Formação do Professor da Educação Superior Disponível em: <http://unifia.edu.br/revista_eletronica/revistas/educacao_foco/artigos/ano2012/refletin do_sobre_identidade.pdf> Acesso em 03/02/2016. VASQUEZ, A. S. Filosofia da Práxis. Rio de Janeiro: Paz e Terra, CAPES. Portaria n. 76 de 14 de abril de Aprova o regulamento do Programa de Demanda Social. Brasília: Diário Oficial da União. N. 73. p Disponível em: <https://www.capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/portaria_076_regulame ntods.pdf> Acesso em 15/02/

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