3.2 Companhias de seguros

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1 Desenvolvimento de produtos e serviços Tendo em conta o elevado grau de concorrência dos serviços bancários, os bancos têm vindo a prestar uma vasta gama de produtos e serviços financeiros, por um lado como forma de satisfazer a procura crescente, por parte do público, de produtos personalizados, e por outro para diversificar as suas fontes de rendimento. As inovações tecnológicas são indispensáveis e os bancos têm vindo a disponibilizar serviços bancários automáticos através da Internet banking, phone banking e mobile banking para complementar os seus serviços bancários tradicionais. Além disso, os SVCs destinados a várias utilizações têm vindo a ser cada vez mais adoptados pelo público em geral. No final de 2008, os SVCs emitidos por instituições de crédito não bancárias atingiram , em comparação com no ano prévio. O âmbito de aplicação dos SVCs tem também aumentado, abrangendo estes agora não apenas transportes público, mas também pagamentos em supermercados e outros pagamentos de micro retalho. Perspectivas para o futuro Tem-se registado a ocorrência de injecções de liquidez por parte de vários países, com o objectivo de ajudar empresas que incorreram em dificuldades. Têm também sido implementadas várias políticas de estímulo económico desde o início da crise económica, de modo a estabilizar a situação do mercado e a prevenir a deterioração adicional da situação económica. No entanto, existem ainda, indubitavelmente, muitas incertezas que podem requerer uma atenção e supervisão ainda maiores. No que se refere ao desenvolvimento económico global, o FMI prevê que a actividade económica global em 2009 possa cair 1,3%, prevendo-se que a actividade económica dos países mais avançados possa decrescer 3,8%. Por outro lado, antecipa-se que a pressão sobre os mercados financeiros globais continue, já que continuam a ser necessários esforços para o processo de retoma, o qual, por sua vez, irá continuar a limitar o desempenho deste sector. Considera-se que a economia de Macau continuará a ser influenciada por estes factores externos, e que continuará em contracção durante Apesar de o sector bancário de Macau não ter sido directamente afectado pela crise, os bancos terão de continuar a estar atentos aos desenvolvimentos nesta área, a adoptar processos de gestão de risco adequadas, bem como a implementar políticas de controlo interno e de auto-fiscalização efectivas, de modo a poder enfrentar os desafios futuros. 3.2 Companhias de seguros A actividade seguradora na RAEM, à data de 31 de Dezembro de 2008, era exercida por 24 seguradoras, dedicando-se 13 à exploração dos ramos gerais e as restantes 11 ao ramo vida que, cumulativamente, proporcionam serviços de gestão aos fundos privados de pensões. No que respeita à localização da respectiva sede social, as seguradoras autorizadas a exercer a actividade são maioritariamente sucursais de seguradoras com sede no exterior, representando interesses de 6 países e ainda uma da Região Administrativa Especial de Hong Kong, sendo 8 seguradoras constituídas localmente. Entretanto, continua em curso o processo de running-off de uma seguradora do exterior que explora os ramos gerais. 93

2 O sector segurador, em finais de Dezembro de 2008, empregava 418 trabalhadores, o que equivalia a um acréscimo anual de 2,7%. Quanto à colaboração indirecta, estavam registados mediadores de seguros, dos quais 75,6% eram agentes individuais, 21,8% como angariadores de seguros e os restantes eram agentes em nome colectivo (1,9%) e corretores (0,7%). Em termos do número de licenças concedidas aos mediadores de seguros acima referenciados, representavam na globalidade autorizações, sendo licenças para mediação de seguros do ramo vida e para os ramos gerais. Em 2008, o sector segurador comercializou produtos que geraram uma receita de MOP3.446,9 milhões, ou seja, 6,9% superior ao volume da produção bruta do ano anterior, salientando-se, no entanto, que a taxa de crescimento foi bastante inferior em relação a 2007, que atingiu 30,2%, traduzindo, por conseguinte, o abrandamento do desenvolvimento económico da RAEM. Como aspectos mais salientes da evolução global do sector no ano de 2008 deve destacar-se que, apesar da crise financeira mundial, o sector do ramo vida local, à semelhança dos anos anteriores, continuou a revelar taxa de crescimento positiva, desta vez de 13,0%, embora esta seja bastante inferior à do ano transacto que foi de 28,6%. No que se refere ao sector dos ramos gerais, face à suspensão das obras de construção do sector imobiliário na RAEM, devido à crise económica, registou, como impacto imediato, um decréscimo de -7,5% contra os +34,0% do ano precedente. A produção bruta do ramo vida, atingiu MOP2.547,7 milhões, correspondendo a 73,9% do total da facturação do mercado segurador, tendo os ramos gerais arrecadado apenas uma quota de 26,1%, traduzido em termos absolutos MOP899,1 milhões. Analisando a produção bruta dos ramos gerais, verificou-se que as modalidades de acidentes de trabalho e diversos tiveram taxas de crescimento negativas, devido ao factor acima referenciado. Em termos de evolução, o ramo diversos foi o mais afectado, com uma produção de MOP335,1 milhões contra MOP447,5 milhões do ano anterior, registando um decréscimo de 25,1% em relação a 2007 (+28,6%), mas, mesmo assim, em termos de posicionamento, ainda continua na liderança pelo sétimo ano consecutivo, com a quota de 37,3%, quando, em 2007, era de 46,1%. Seguiu-se o ramo incêndio, com MOP235,5 milhões, revelando uma taxa de crescimento de +17,2%, a que correspondeu 26,2% do QUADRO II.17 EVOLUÇÃO DOS PRÉMIOS BRUTOS, (10 3 Patacas) Valor Δ% Valor Δ% Valor Δ% - Vida ,7% ,6% ,0% - Ramos Gerais ,4% ,0% (7,5%) - Total ,5% ,2% ,9% Nota: Valores provisórios para

3 GRÁFICO II.23 COMPOSIÇÃO DOS PRÉMIOS BRUTOS (RAMOS GERAIS), % 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Acidentes de trabalho Incêndio Automóvel Marítimo carga Diversos total de prémios deste sector, contra 20,7% do ano anterior. O ramo acidentes de trabalho deteriorou-se em -2,6%, com MOP188,3 milhões de produção, representando uma quota de 21,0%, situando-se na terceira posição, logo seguido pelo ramo automóvel que protagonizou um aumento de 7,7%, com MOP126,2 milhões alcançados, mantendose na 4ª posição, com uma quota superior à do ano transacto, ou seja, 14,0% contra 12,0%. Finalmente, o ramo marítimo-carga, a componente menos relevante no contexto da carteira de prémios do mercado segurador de Macau, em termos de evolução registou um acréscimo de 10,5%, sendo a sua quota de 1,5%, muito semelhante à do ano transacto, equivalente a MOP13,9 milhões. Em 2008, as indemnizações brutas do sector segurador da RAEM atingiram o total de MOP1.544,3 milhões, quando, em 2007, foram de MOP1.083,8 milhões. Desse montante global cerca de 75,0% foram suportados pelo ramo vida, ou seja, MOP1.158,1 milhões e os remanescentes, contabilizados em MOP386,3 milhões, a pertenceram aos ramos gerais. Comparando com o ano anterior, as indemnizações, na sua globalidade, revelaram agravamentos ao registar, em 2008, 42,5% contra 39,8% em 2007, sendo de destacar os ramos gerais que, apesar de se terem deteriorado na evolução dos prémios brutos, por outro lado, teve comportamento favorável ao conseguir registar, no ano em apreço, 8,9% contra 71,4% de 2007, no que respeita à evolução das indemnizações brutas. Como reflexo, a taxa de sinistralidade do sector segurador situou-se em 44,8% contra 33,6% do ano anterior, ou seja, um acréscimo de 11,2 pontos percentuais. A evolução do sector dos ramos gerais registou uma evolução menos penosa, em relação ao ano transacto, ao revelar uma taxa de crescimento de cerca de 32,6%, sendo o ramo acidentes de trabalho o pior com um volume de MOP127,8 milhões, uma quota de 33,1% do total das indemnizações processadas pelos ramos gerais, logo seguido pelo ramo diversos, com 32,2%, traduzindo 95

4 GRÁFICO II.24 COMPOSIÇÃO DAS INDEMNIZAÇÕ BRUTAS (RAMOS GERAIS), % 80% 60% 40% 20% 0% Acidentes de trabalho Incêndio Automóvel Marítimo carga Diversos QUADRO II.18 EVOLUÇÃO DOS RESULTADOS DO SECTOR SEGURADOR, (10 3 Patacas) Valor Variação Valor Variação Valor Variação Prémios brutos ,5% ,2% ,9% Proveitos de serviços prestados ,7% ,3% ,6% Custos técnicos ,1% ,4% ,5% Resultado de reeseguro cedido ,9% ,0% ,8% Resultado técnico ,8% ,0% ,3% Encargos de gestão ,6% ,1% ,1% Resultado de exploração ,8% ,4% ,5% Proveitos diversos (líquido) ,8% ,4% ,2% Resultado do exercício ,2% ,0% ,1% Nota: Valores provisórios para

5 um valor de MOP124,2 milhões. Contudo, o ramo automóvel, tradicionalmente o mais gravoso, registou, no ano em apreço, uma quota de 24,6%, correspondendo a MOP95,2 milhões, tendo-se posicionado no terceiro lugar, enquanto que o ramo incêndio situou- -se no quarto lugar com MOP38,0 milhões e um peso de 9,8%. Por último, o ramo marítimo-carga com um peso irrelevante de 0,3%, o que, em termos de valor absoluto, representou cerca de MOP1,2 milhões. em 2008 totalizaram MOP112,1 milhões, representando um decréscimo de 71,1% em relação ao ano anterior, pelo que, apesar de se ter constatado uma fraca performance na evolução dos prémios brutos, a actividade seguradora alcançou, mais uma vez, um resultado final positivo, graças aos proveitos diversos (líquido) com MOP309,4 milhões, embora tenha sido menos favorável, quando comparado com o ano anterior, conseguiu superar o resultado negativo de exploração. Em termos de resultados finais do sector, 97

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