PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO EM RELAÇÃO AO ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE NOVO HAMBURGO

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1 PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO EM RELAÇÃO AO ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE NOVO HAMBURGO Milena Rossetti (1) Biomédica, Especialista em acupuntura clínica. Técnica Química da Comusa - Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo/RS. Atua na Coordenação Socioambiental da empresa, onde desenvolve diversos trabalhos na área de educação socioambiental, ministrando cursos e palestras em instituições públicas e privadas. Atua também como técnica no tratamento de água e esgoto. Celso Palma Técnico em Química. Graduando em Engenharia Química. Técnico em Tratamento de Água e Esgoto da Comusa Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo/RS. Atua na Coordenação Socioambiental da empresa orientando visitas técnicas e ministrando cursos e palestras em instituições públicas e privadas. Fábio Hickmann Técnico em administração. Atua na área de mobilização social na Coordenação Socioambiental da Comusa Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo. Jorge Luiz Maciel Ortiz Educador social. Atua na área de educação socioambiental na Coordenação Socioambiental da Comusa Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo. Nemar Gil Limeira Neto Administrador com habilitação em Gestão Hospitalar. Especialista em Planejamento Estratégico. Graduando em Formação Docente e graduando em Psicologia Clínica. Rodrigo Luis Schilling Tecnólogo em Processos Gerenciais. Graduando em Filosofia Licenciatura. Atua como auxiliar administrativo e atua na área de educação socioambiental na Comusa Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo. Endereço (1) : Av. Cel Travassos, nº287 Bairro Rondônia Novo Hamburgo - RS - CEP: Brasil - Tel: +55 (51) ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 1

2 RESUMO O grau de evolução de uma comunidade é identificado pela forma como ela trata seus recursos hídricos e seu lixo. No passado, a água e o esgoto seguiram caminhos diferentes em Novo Hamburgo. Enquanto quase 99% da população hamburguense tem acesso à água potável encanada, pouco mais de 4,5% desse total é atendido pelo tratamento de esgoto, logo o esgotamento sanitário não é culturalmente compreendido pela população. A presente pesquisa foi realizada com o objetivo de conhecer a percepção dessa população atendida pela coleta e tratamento de esgoto cloacal, em relação a seu funcionamento e aos benefícios oriundos desse ao meio ambiente. Para isso foi aplicado um questionário por amostragem, para um universo de 1755 economias. Após o término da pesquisa e correlação das informações obtidas, constatamos que grande maioria da população atendida pelo esgotamento sanitário não sabe como é realizada a coleta e tratamento do esgoto, logo não tem consciência de como seu comportamento em relação ao descarte de alguns resíduos pode afetar a qualidade desses processos. Como solução para esses problemas, acreditamos em futuras ações de educação ambiental no município relacionadas à conscientização dos prejuízos causados ao meio ambiente e ao sistema de esgotamento sanitário pelo descarte incorreto de resíduos sólidos. Palavras-chave: Esgotamento sanitário, esgoto cloacal, percepção, resíduos sólidos, saneamento. INTRODUÇÃO/OBJETIVOS O saneamento básico é um serviço que tem como principal objetivo a manutenção da vida com qualidade através da oferta de água potável e do esgotamento sanitário com sua coleta e tratamento devendo ser, portanto, um direito de todos, conforme rege a Constituição Brasileira de 1988 (OLIVEIRA, C. F., 2005). A falta de sistemas de esgotamento sanitário adequados faz com que a população utilize-se de ligação do seu esgoto doméstico em galerias de águas pluviais e do lançamento in natura. Essas formas inadequadas de encaminhar os esgotos sanitários trazem sérias conseqüências para o meio ambiente e para a saúde pública, poluindo mananciais e contaminando águas naturais, que nem sempre passam por estações de tratamento eficientes antes do abastecimento público (GIESTA et al, 2005). ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 2

3 A Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo, no ano de 1998, como alternativa para suprir os constantes colapsos no sistema de abastecimento de água na cidade ocorridos na época, passa a gerenciar o saneamento básico do município, compreendido pelo abastecimento de água potável e esgotamento sanitário. No passado, a água e o esgoto seguiram caminhos diferentes em Novo Hamburgo, cuja realidade não difere dos demais municípios brasileiros. Enquanto quase 99% da população hamburguense têm acesso à água potável encanada, com uma produção mensal em torno de 1,7 bilhões de litros de água, pouco mais de 4,5% desse total é atendido pelo tratamento de esgoto. Todavia, os recentes programas do governo federal, com investimentos para a melhoria do saneamento básico, vêm mudando esse cenário em todas as regiões do País, como é o exemplo do município de Novo Hamburgo. O município iniciou em 2011 a maior obra de saneamento da sua história, a qual, depois de concluída, coletará e tratará 80% do esgoto cloacal da cidade. Hoje Novo Hamburgo possui 13 loteamentos com coleta e tratamento de esgoto cloacal. O município de Novo Hamburgo situa-se a noroeste do estado do Rio Grande do Sul, possui uma área territorial é de 223,821km², e tem uma população estimada de habitantes, conforme dados do IBGE Com base na ausência do tema tratamento do esgoto cloacal em Novo Hamburgo por muitos anos, devido ao pouco tempo em que se encontra em funcionamento as estações de tratamento de esgoto (ETEs) e ao pequeno percentual da população contemplada com tratamento de esgoto cloacal, o mesmo não é culturalmente compreendido pela população do município. A presente pesquisa foi realizada com o objetivo principal de conhecer a percepção da população hamburguense atendida pela coleta e tratamento de esgoto sanitário em relação ao mesmo, ao seu funcionamento e aos benefícios oriundos desse tratamento ao meio ambiente e, fazer um levantamento sobre a percepção da população em relação ao descarte dos resíduos de suas atividades diárias, tendo em vista o aspecto histórico e cultural. METODOLOGIA Para alcançarmos o objetivo de conhecer a percepção da população atendida pelo esgotamento sanitário em relação ao serviço, foi utilizado o sistema de questionário para levantamento de dados por via direta. O universo da pesquisa compreende a população urbana atendida pela coleta e tratamento de esgoto cloacal no município de Novo Hamburgo, num total de 1755 economias (residências). ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 3

4 Para esse estudo se usou o método de amostragem calculada de acordo com técnica estatística de amostragem para população finita sendo utilizado um nível de confiança de 95% com precisão de 7% gerando uma amostra mínima de 177 economias. Os instrumentos adotados para a coleta dos dados deste trabalho estão descritos na tabela 1. Tabela 1 Resumo dos instrumentos de coleta de dados pra realização do estudo, seu universo pesquisado e a finalidade de cada instrumento. Instrumento de coleta de Universo Pesquisado Finalidade do instrumento dados Entrevista Biólogo responsável pelo Coletar informações sobre os tratamento de esgoto, principais resíduos que operadores das ETEs, interferem na coleta e servidores da equipe de tratamento de esgoto desobstrução de rede. Observação direta Redes coletoras de esgotos Compreender como é cloacal e pluvial, gradeamento das ETEs. realizada a desobstrução da tubulação de esgoto; observar os resíduos sólidos presentes nessas e no gradeamento das ETEs. Revisão bibliográfica Sites, artigos científicos, Levantar informações monografias de conclusão de curso. bibliográficas para servir de embasamento e material de apoio para nosso estudo. Aplicação do questionário População atendida pela Buscar a percepção do público coleta e tratamento de esgoto alvo em relação ao cloacal na população de Novo esgotamento sanitário. Hamburgo. O questionário aplicado se constituiu de 19 perguntas, sendo essas de múltipla escolha e dissertativas. Para uma melhor elaboração desse questionário foram realizadas entrevistas com o biólogo da autarquia, operadores das estações de tratamento de esgoto e servidores do setor de desentupimento da rede de esgoto, a fim de averiguar o tipo e a quantidade de resíduos que chegam às estações e que são encontrados nas tubulações da rede de esgoto, os principais resíduos responsáveis pelas obstruções das mesmas e os principais problemas causados nestas ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 4

5 obstruções. Também foi acompanhado o trabalho da equipe de desentupimento de esgoto e realizadas visitas as ETEs com o mesmo objetivo. De posse das informações, o questionário foi elaborado e aplicado à população jovem (a partir de 15 anos) e adulta residente em loteamentos que possuem coleta e tratamento de esgoto cloacal em áreas urbanas do município. A seleção dos entrevistados foi de forma aleatória considerando somente o local geográfico da economia (rua e avenida). Foram aplicados 201 questionários, número um pouco acima do necessário. As aplicações dos questionários foram realizadas entre os dias 05 e 30 de janeiro de RESULTADOS O tratamento de esgoto não está culturalmente implantado na cidade de Novo Hamburgo. Para confirmar essa tese, foram incluídas no questionário de percepção em relação ao esgotamento sanitário as perguntas elencadas a seguir. Você sabia que seu loteamento possui tratamento de esgoto? A maioria dos entrevistados, 83,25%, responderam afirmativamente, porém uma parcela significativa, 16,75%, afirmaram não ter conhecimento que seu loteamento possui tratamento de esgoto. Qual o destino do esgoto de sua residência? As respostas para essa questão de múltipla escolha encontram-se na Figura 01. Figura 01: Respostas a pergunta sobre o destino do esgoto das residências. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 5

6 Você sabia que seu loteamento tem duas redes de esgoto distintas, uma para o esgoto doméstico e outra para água da chuva? Dos entrevistados 57,7% responderam ter conhecimento que o loteamento possui duas redes coletoras e 42,3% responderam que não. Voce sabia que toda a água que você utiliza dentro de casa vai para o tratamento de esgoto e a água da chuva (pátio e telhado) não? Praticamente metade dos entrevistados, 54,2%, reponderam não ter essa informação e a outra metade, 45,8%, responderam ter conhecimento dessa informação. Você sabia que os canos de esgoto têm diâmetros pequenos e que os resíduos podem entupir os mesmos? A maioria dos entrevistados responde ter conhecimento dessa informação, 71,1%, e 28,9% relatou desconhecer a mesma. Quem tem a responsabilidade pelo esgoto cloacal na sua cidade? Mais da metade da população antedida pelo esgotamento sanitário, 64,1%, sabe que é de responsabilidade da Comusa o tratamento de esgoto cloacal da cidade. As demais respostas dessa pergunta de múltipla escolha se encontram demonstradas na figura 02. Figura 02: Respostas para a pergunta de quem é a responsabilidade do esgoto cloacal no município de Novo Hamburgo. Quem tem a responsabilidade sobre o esgoto pluvial em sua cidade? Apenas 27,1% dos entrevistados acreditam ser de responsabilidade da Comusa. A maioria da população tem a informação correta de que a Prefeitura Municipal é responsável pelo esgoto pluvial no município de Novo Hamburgo. O restante das respostas para essa questão de múltipla encolha se encontram representadas na figura 03. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 6

7 Figura 03: Respostas dadas à pergunta sobre quem é o responsável do esgoto pluvial no município de Novo Hamburgo. Você sabia que sua casa não precisa ter fossa e sumidouro ou filtro porque seu loteamento tem tratamento de esgoto? Dos entrevistados 62,7% reponderam negativamente e 37,3% responderam saber a informação. Através dos relatos dos operadores das estações de tratamento de esgoto, do biólogo da Comusa, e da equipe de desentupimento das redes de esgoto, elencamos os principais resíduos encontrados nas tubulações e no gradeamento das estações, os quais são: bitucas de cigarro, tampas de garrafa PET; absorventes, preservativos, papéis, cabelos, sacos plásticos, pedaços de madeira, roupas e resíduos de óleo. Conforme conversa com o biólogo da Comusa, os resíduos sólidos podem obstruir parcialmente e até mesmo totalmente os sistemas de gradeamento e as tubulações das redes de esgoto, danificar as bombas hidráulicas das estações de bombeamento de esgoto e ETEs, dentre outros problemas. Nas visitas as ETEs e acompanhamento de equipe de desentupimento de rede cloacal, podemos observar a presença de muitos resíduos sólidos, os mesmos relatados nas entrevistas descritas anteriormente. Esses relatos e observações originaram as perguntas descritas a seguir. Quais os resíduos que não devem ser colocados na rede de esgoto? Para essa pergunta dissertativa, os itens mais respondidos foram óleos, restos de comida, papel higiênico, plásticos, latas e demais resíduos sólidos. Você descarta ou varre alguma sujeira para os ralos do pátio? 98,4% responderam que não descarta resíduos nos ralos do pátio e apenas 1,6% admite descartar resíduos nos ralos do pátio. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 7

8 Qual seria o local adequado para descarte dos resíduos do pátio? As respostas para essa pergunta dissertativa encontram-se representadas na Figura 04. Figura 04: Resposta sobre o local adequado para descarte dos resíduos do pátio. O que você faz com o óleo de cozinha? A resposta para essa questão de múltipla escolha encontra-se na Figura 05. Figura 05: Respostas sobre o local de descarte do óleo de cozinha. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 8

9 Onde você descarta os seguintes materiais: papel higiênico, camisinha, papel de bala, garrafa plástica, frasco de xampu, tecido/pano de limpeza, escova de dente e pasta de dente, escova de cabelos? Trata-se de uma pergunta dissertativa, cujas respostas encontram-se na Tabela 02. Tabela 2 Respostas obtidas no questionamento quanto ao local de descarte de alguns resíduos sólidos. Lixo (%) Reciclagem (%) Não sabe (%) Papel higiênico 100% 0% 0% Camisinha 99,5% 0% 0,5% Papel de bala 100% 0% 0% Garrafa plástica 78,5% 21,5% 0% Frasco de xampu 88,3% 11,7% 0% Tecido/pano de limpeza 99,5% 0,5% 0% Escova de dente/pasta 99,0% 1,0% 0% Cabelos 98,5% 0,5% 1,0% Além dos resíduos sólidos informados, o biólogo chama a atenção para solventes, tintas, óleo de cozinha, óleo lubrificante, medicamentos, dentre outras substâncias, que a população tem por costume descartar na rede de esgoto (derrama no vaso sanitário). Estes produtos podem inibir o desenvolvimento dos microrganismos que realizam a depuração dos poluentes do esgoto, diminuindo assim a eficiência da estação de tratamento de esgoto. Essa observação originou as perguntas a seguir: Você sabia que são bactérias que realizam o tratamento de esgoto e que tintas, óleos, inseticidas, medicamentos podem matar essas bactérias? Para essa pergunta, 76,8% dos entrevistados responderam que não sabiam e, apenas 23,2% afirmaram ter essa informação. Em caso de medicamentos vencidos, qual seria o local adequado para descarte? As respostas para essa questão de múltipla escolha encontram-se na Figura 06. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 9

10 Figura 06: Respostas sobre o local adequado para descarte dos medicamentos vencidos. Você considera importante o tratamento de esgoto no seu loteamento? Quase a totalidade dos entrevistados, 99%, responderam que consideram importante ter tratamento de esgoto no loteamento. Quando questionados sobre o porquê da importância em ter um tratamento de esgoto no loteamento, as respostas mais freqüentes foram: pela manutenção da saúde; para manter as condições de limpeza e higiene e não haver proliferação de mosquitos e outros vetores no local; para evitar a degradação do meio ambiente; para termos uma água de melhor qualidade; para preservar o rio e os córregos. Por que o esgoto cloacal precisa ser tratado antes do seu lançamento nos córregos e no rio? A maioria dos entrevistados se referiu à diminuição da carga poluidora lançada no rio e consequentemente uma melhor qualidade da água do mesmo. Em menor número relataram a saúde e a preservação da vida aquática do rio como fatores relacionados ao tratamento do esgoto cloacal antes do lançamento no córrego/rio. Na sua percepção quais os pontos positivos e negativos do tratamento de esgoto cloacal no seu loteamento? A maioria dos entrevistados não nos forneceu exemplos claros de pontos positivos e negativos, apenas respondiam que só viam pontos positivos. Alguns relataram como pontos negativos o mau cheiro proveniente de algumas das ETEs e o valor cobrado pelo mesmo, 70% do valor do consumo de água potável. Você ou um familiar já apresentou doenças relacionadas à falta de saneamento? Dos entrevistados, 22 pessoas, 10,4%, responderam sim a esse questionamento. Quando perguntado qual seria a doença, as respostas foram: diarréia (17 respostas), dor de estômago (2 respostas), vômito (1 resposta), parasitose (1 resposta) e azia (1 resposta). ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 10

11 DISCUSSÃO No Brasil, segundo dados do IBGE 2008, 55,16% dos municípios possuem rede coletora de esgoto. Entre esses, apenas um pouco mais da metade, 51,71%%, trata o esgoto cloacal antes do seu lançamento nos córregos ou rios. No Rio Grande do Sul a situação do esgotamento sanitário fica um pouco abaixo desta, com 40,52% dos seus municípios com coleta de esgoto e, apenas 37,31% destes com tratento de esgoto. Em outras palavras, dos 496 municípios que compõe o estado do Rio Grande do Sul, apenas 118 municípios, 15,12% do total, tratam seu esgoto cloacal, muitos em pequenas quantidades, como é o caso de Novo Hamburgo, com 4,5% do seu esgoto cloacal tratado. O esgoto cloacal não tratado além de prejudicar o meio ambiente, influencia negativamente a saúde da população. O contato com esgoto cloacal contaminado com agentes patogênicos pode causar doenças como diarréia, cólera, hepatite, leptospirose, febre tifóide, algumas parasitoses, dentre outras. Podemos verificar a influencia positiva do esgotamento sanitário na saúde da população durante a aplicação do questionário, pois dos 10,4% dos entrevistados que responderam já ter tido doenças relacionadas a falta de saneamento ou saneamento inadequado, praticamente todos informaram a doença foi anterior a implantação do tratamento de esgoto cloacal. Apesar da maioria da população, 81,4%, saber que é contemplada com coleta e tratamento de esgoto cloacal, apenas 61% entende que o esgoto de sua residência vai para esse tratamento. Podemos perceber que a população não recebeu e/ou não compreendeu de forma eficaz informações básicas referentes ao funcionamento do esgotamento sanitário, tendo em vista que praticamente metade dos entrevistados não sabe que o loteamento possui duas redes de esgoto distintas, uma para o cloacal e outra para o pluvial, e que as águas provenientes do pluvial não são tratadas e sim lançadas diretamente no arroio, diferentemente das águas do esgoto cloacal, as quais são enviadas para as ETEs. Uma preocupação surgida no decorrer do questionário é de que uma parcela muito pequena dos entrevistados, 23,2%, sabe como é realizado o tratamento de esgoto e que os resíduos lançados na rede de esgoto podem influenciar negativamente a eficácia do tratamento deste. Mais da metade da população não sabe onde descartar um medicamento vencido, sendo o descarte incorreto prejudicial ao meio ambiente e ao sistema de esgotamento sanitário. Averiguamos também que uma parte significativa da população está confusa em relação aos órgãos responsáveis pelos esgotamentos no município de Novo Hamburgo, os quais são: Comusa responsável pelo cloacal - e Prefeitura Municipal responsável pelo pluvial. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 11

12 As respostas dadas sobre os locais de descarte de resíduos sólidos não condizem com a realidade, uma vez que nas respostas dadas sobre o local adequado para descarte de papel higiênico, camisinhas e cabelos, a grande maioria afirma colocar os mesmos no lixo, porém encontramos grandes quantidades destes nas ETEs e nas tubulações de esgoto. Isso nos mostra que a população possui informações sobre o local adequado de descarte, porém não dá o destino correto. O valor cobrado pela Comusa para o esgotamento sanitário, 70% do valor do consumo de água potável, ou seja, em torno de 50% do valor da conta de água, citado por vários entrevistados como um dos pontos negativos fazem parte do grupo de 47% dos municípios do Rio Grande do Sul que aplicam cobranças de tratamento de esgoto com taxas maiores que 50% em relação ao valor da conta de água, conforme dados do IBGE, CONCLUSÃO Após o término da pesquisa, compilação dos resultados e avaliação das informações, constatamos que, apesar da maioria da população saber que é contemplada com tratamento de esgoto, uma parcela ainda não tem essa informação. Constatamos que grande maioria da população atendida pelo esgotamento sanitário não sabe como é realizado o tratamento do esgoto, logo não tem consciência de como seu comportamento em relação ao descarte de alguns resíduos pode afetar o tratamento do esgoto. Como solução para esses problemas, acreditamos em futuras ações de educação ambiental relacionadas à conscientização sobre os prejuízos causados pelo descarte incorreto desses materiais no meio ambiente e ao tratamento do esgoto cloacal. Devido a uma cultura de não tratamento de esgoto no município de Novo Hamburgo em conjunto com as respostas dadas ao questionário aplicado durante nosso estudo, concluímos que a população carece de esclarecimentos em relação ao esgotamento sanitário, sua função e sobre seu funcionamento. Se faz necessário um trabalho de educação ambiental com intuito de transmitir conhecimentos relacionados aos cuidados necessários com as redes coletoras de esgoto, sobre a importância do bom funcionamento do tratamento de esgoto cloacal, o custo do processo e, principalmente, referentes às atitudes de cada indivíduo e de como uma escolha correta pode influenciar diretamente no sucesso do tratamento de esgoto e, consequentemente, na preservação do ambiente e até mesmo na melhoria das condições ambientais atuais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 12

13 IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, Disponível em <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: [02/02/2015]. GIESTA, J. P.; NETO, C. O. A.; SCUDELARI, A. C. Efeitos da implantação de sistemas de esgotamento sanitário sobre doenças infecciosas e parasitárias em um bairro da cidade de Natal / RN. In: Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, 23, 2005, Campo Grande. Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. Saneamento ambiental Brasileiro: Utopia ou realidade? Rio de Janeiro, p.1-9. SANTOS, GLAUBER EDUARDO DE OLIVEIRA. Cálculo amostral: calculadora on-line. Disponível em: <http://www.calculoamostral.vai.la>. Acesso em: [29/01/2015]. LIMA, CLAUDIA REGINA O.P., Cálculo das Probabilidades e Estatísticas I: Notas de Aula: Período 1998/1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Pernambuco. OLIVEIRA, J. C. Saneamento e urbanização. Diário de Natal, Caderno Cidades. Natal, p6, 22, maio ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 13

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