DESIGUALDADE AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE SALINAS MG

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1 DESIGUALDADE AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE SALINAS MG BRENO FURTADO LIMA 1, EDUARDO OLIVEIRA JORGE 2, FÁBIO CHAVES CLEMENTE 3, GUSTAVO ANDRADE GODOY 4, RAFAEL VILELA PEREIRA 5, ALENCAR SANTOS 6 E RÚBIA GOMES MORATO 7 com.br, 1, 2,3,4,5,6 Graduandos do Curso de Geografia Unifal-MG 7 Professora do Curso de Geografia Unifal-MG Palavras-chave: Desigualdade Ambiental, Salinas, Geoprocessamento 1- Introdução Com o crescimento urbano desordenado das médias e grandes cidades, a qualidade ambiental e a infra-estrutura das mesmas ficaram comprometidas, pois a estrutura das cidades não comportam a chegada de migrantes, tendo a falta de planejamento por falta das esferas políticas, existindo então a desigualdade ambiental. Conforme cita Brasil (2010), aproximadamente 80% da população brasileira concentram-se nas regiões urbanas, gerando os chamados ecossistemas construídos, os quais trazem por si só, problemas ambientais de toda ordem com a conseqüente diminuição da qualidade ambiental. Como menciona o autor, aprimorar as condições dessa qualidade ambiental, a qual está intimamente ligada à qualidade de vida da população é uma obrigação do setor público. A desigualdade ambiental pode ser entendida como Justiça Ambiental, mas sendo preferível e utilizado a primeira. Como diz MORATO e KAWAKUBO (2007), conjunto de princípios que asseguram que nenhum grupo de pessoas, sejam grupos étnicos, raciais ou de classe, suporte uma parcela desproporcional das conseqüências ambientais negativas. Desigualdade ambiental pode ser definida como a exposição diferenciada de indivíduos e grupos sociais a amenidades e riscos ambientais. Ou seja, os indivíduos não são iguais do ponto de vista do acesso a bens e amenidades ambientais (tais como ar puro, áreas verdes e água limpa), assim como em relação à sua exposição a riscos ambientais (enchentes, deslizamentos e poluição). Dessa forma, fatores como localização do domicílio, qualidade da moradia e disponibilidade de meios de transporte podem limitar o acesso a bens ambientais, bem como aumentar a exposição a riscos ambientais (TORRES, 1997). 1

2 Partindo dessa premissa, foi estudado o município de Salinas, estando localizado há Latitude (S) e 42 17' 33" Longitude (W), na bacia do Rio do Jequitinhonha, na subbacia do Rio Salinas, na porção norte do estado de Minas Gerais, na região de Montes Claros. A área total do município é de 1.891,33 Km², sendo que a zona rural possui 1.850,87 Km² e a zona urbana 40,46 Km². A população total do município é de habitantes, segundo o Censo de Metodologia Na metodologia empregada neste trabalho, foram utilizados dados tabulares do Resultados do Universo do Censo 2000 (IBGE, 2002). Com base nessas tabelas e análise dos dados que poderiam ser utilizados como indicadores de desigualdade ambiental, foi feito o processamento necessário para que se obtivessem os mapas apresentados neste trabalho. Primeiramente, foram selecionados quais as variáveis seriam utilizadas segundo os dados dos RESULTADOS DO UNIVERSO DO CENSO 2000 (op. cit). Foram selecionados sete indicadores que demonstram informações referentes à desigualdade ambiental entre as zonas definidas pelo próprio IBGE para o Censo 2000 do município de Salinas/MG. No software Ilwis, os dados do IBGE foram espacializados, resultando mapas com informações referentes ao meio ambiente, infra-estrutura e educação. Destarte, foram criados mapas sobre o abastecimento de água, responsáveis dos domicílios que possuem curso superior, domicílios que têm o lixo jogado nos rios, domicílios sem banheiro, domicílios que possuem banheiro com esgotamento sanitário para a rede geral de esgotos, domicílios que têm o lixo coletado e os domicílios que tem o lixo jogado nas ruas e terrenos baldios. Foram estes os mapas criados para demonstrar a qualidade ambiental do município de Salinas. Os mapas que tem em sua natureza informações ambientais e de infraestrutura foram feitos em porcentagem, enquanto os mapas com dados educacionais foram confeccionados em número absoluto 3- Resultados Conforme o mapa Domicílios particulares com Lixo jogado em ruas e terrenos baldios (Figura 1), o resíduo descartado em vias públicas e terrenos baldios predomina apenas na parte sul do mapa. Enquanto que na Figura 2 é perceptível que grande parte do lixo coletado apresenta apenas na parte central da cidade, deixando a desejar a periferia. Ao analisar o mapa do abastecimento de água na área urbana do município de Salinas MG (Figura 3) nota-se que a região central e praticamente toda abastecida, e conforme os 2

3 bairros vão se afastando do centro o abastecimento vai ficando mais escasso. Avaliando em números, a região norte da cidade possui apenas 82% dos domicílios abastecidos. Ao leste do município os números de domicílios abastecidos também não é dos maiores, chegando a apenas 95%. Analisando o mapa Domicílios particulares sem banheiro ou sanitário (Figura 4), os mesmos bairros que carecem de abastecimento de água, também possuem um número reduzido de domicílios sem banheiros ou sanitários, inclusive havendo um bairro ao sul de Salinas MG com 25% dos domicílios sem um sanitário. Na periferia do município ainda há bairros com alto índice de domicílios sem banheiro, variando de 10% até 20%. A área central da cidade já possui números menos alarmantes, que pode ser justificado pelo alto índice de abastecimento de água na região. Os bairros no setor Leste do município de Salinas - MG são os que apresentam os maiores índices de domicílios que descartam o lixo no rio (Figura 5), como apresenta o mapa, o principal bairro a Leste em Salinas, apresenta um índice de 4 a 6 % de residências que descartam seu lixo no rio, já o bairro limítrofe a este, próximo a região Central, é o que possui o maior índice de domicílios que jogam o seu lixo no rio, isto devido ao fato do mesmo estar próximo ao rio, Já os demais bairros ao Norte, apresenta uma variância de 2 a 6% de domicílios que descartam o lixo no leito do rio. Os bairros ao Sul de Salinas praticamente não descartam seu lixo no rio. O Centro de Salinas é a única região que possui uma rede de esgoto em sua totalidade (Figura 6), jogando cerca de 100% do esgoto sanitário para a rede geral, já os seus bairros limítrofes variam um para o outro, apresentando áreas de coleta de esgoto sanitário entre 45% a 85%, sendo que aparentemente o restante do esgoto sanitário é descarto no próprio leito do rio que corta a cidade, A região Leste é a que demonstra pior saneamento, sendo que cerca de 25% dos domicílios depositam o seu esgoto sanitário na rede geral, o que acarreta em um maior volume de esgoto jogado no rio ou em fossas. A região Central é a de maior relevância entre os responsáveis com curso superior (Figura 7), apresentando os maiores índices que variam entre 6 a 37% de responsáveis com curso superior. Porém na região Sul, apresenta o maior numero de bairros com o menor índice de responsáveis com curso superior, variando de 1 a 2%, já um bairro a noroeste da cidade, indica o ponto mais critico, sendo quase nula a presença de responsáveis com curso superior. A região Norte apresenta um índice elevado, porém não tão alto como na região central, sendo que na região Norte o numero de responsáveis com curso superior varia de 8 a 9%. 4- Conclusão 3

4 Em resumo, os resultados para o conjunto de regiões pobres e periféricas do município de Salinas revelam que as áreas de risco ambiental apresentam concentração significativamente maior de população com baixa escolaridade e saneamento, em comparação às áreas de não-risco. Portanto, estes resultados confirmam a hipótese da existência de associação positiva entre piores condições socioeconômicas e maior exposição a risco ambiental, mesmo no interior das regiões pobres e periféricas de Salinas. Em relação ao SIG utilizado, o ILWIS se mostrou bastante eficiente e prático para a elaboração dos mapas, dado que o software permite trabalhar com dados tabulares, realizando operações de porcentagem e relações entre colunas com diferentes naturezas de dados. O SIG permite a criação de representações para se demonstrar os dados nos mapas de acordo com um degradê de cores, o que facilita a visualização dos mapas. 5- Bibliografia BRASIL, Ministério do Meio Ambiente. QUALIDADE AMBIENTAL. Disponível em < acessado no dia 07/Jun/2010. IBGE: Base de Informações por Setor Censitário: Censo Demográfico 2000 Resultados do Universo (Salinas/MG). Rio de Janeiro: IBGE, CD-ROM. MORATO. R.G, KAWAKUBO. F.S. Análise espacial da desigualdade ambiental na subprefeitura do Butantã. São Paulo/SP. Hygeia, 66-73, TORRES, H. Desigualdade ambiental em São Paulo. Tese (Doutorado em Ciências Sociais). Campinas: IFCH-Unicamp, p Figuras Figura1 Figura 2 4

5 Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 5

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