Centro Social Paroquial de Pinhal Novo. Projeto Empreender Social

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1 Centro Social Paroquial de Pinhal Novo Projeto Empreender Social Documentação de Apoio 10 Passos para a Criação de uma Empresa Fonte: IAPMEI

2 Índice 1º Passo: o empreendedor º Passo: como encontrar, desenvolver e proteger uma ideia º Passo: a envolvente legal, económica e social º Passo: um primeiro balanço º Passo: a envolvente externa e o estudo de mercado º Passo: a política comercial º Passo: os meios financeiros, materiais e humanos º Passo: contabilidade e planeamento financeiro º Passo: o plano de negócios º Passo: constituição legal da empresa Fonte : IAPMEI Página 2 de 42

3 1º Passo: o empreendedor A criação de uma empresa está sujeita a várias condicionantes, internas e externas, que podem determinar ou pelo menos influenciar decisivamente o resultado de uma iniciativa empresarial. Com efeito, a transformação de uma boa ideia de negócio numa empresa com perspetivas de sucesso (sucesso que se poderá traduzir, quer pela permanência em atividade, quer pela taxa de crescimento) depende, numa primeira aproximação, da capacidade empresarial revelada pelo seu promotor. Por outro lado, uma ideia só conduzirá a uma empresa bem sucedida se corresponder a uma oportunidade de mercado ou seja se for capaz de dar resposta a uma necessidade ainda não satisfeita ou de responder em melhores condições a necessidades para as quais já existe oferta de produtos ou de serviços. Neste contexto, poder-se-á afirmar que a taxa de sucesso de uma iniciativa de criação de empresa depende das características de cada elemento de per si, mas também, da relação que venha a existir entre os elementos que constituem o trinómio fundamental da criação de uma empresa: o Homem, a Ideia e o Mercado. O desafio da criação de uma empresa Numa pequena empresa, o empresário ocupa uma posição fulcral, sendo as características do empreendimento determinadas, em larga escala, pelo seu carisma e as suas qualidades pessoais. Ouve-se dizer, frequentemente, que a qualidade de empresário nasce com as pessoas. Esta afirmação é, no entanto, só em parte verdadeira. É evidente que o empresário deve ter um certo número de qualidades, mas não as pode ter todas. O importante é que ele tome consciência dos seus pontos fortes e fracos (e dos seus associados) e adote as atitudes necessárias para que, através de formação, complementaridade, etc., obtenha um nível de competência adequado às exigências da iniciativa empresarial que vai desenvolver. Motivação A motivação pode decorrer de situações relacionadas com a formação e com a experiência profissional acumuladas ao longo dos anos, que lhe permitiram conseguir um know how que o potencial empresário considera essencial para criar o seu próprio negócio, ou ainda de outras situações de que são exemplo: Fonte : IAPMEI Página 3 de 42

4 Um desejo de mudança face à situação actual (não querer trabalhar por mais tempo para um patrão, ter estagnado em termos de carreira ou não conseguir arranjar um emprego). Estes aspetos, embora vistos do exterior como negativos, podem ser compensados por excelentes qualidades empresariais e serem a verdadeira mola impulsionadora da criação de um negócio; O aproveitamento dos conhecimentos adquiridos com o desenvolvimento de um determinado produto, que quando adaptado, por exemplo, a um outro segmento de mercado, se pode tornar numa iniciativa rentável; O facto de considerar que um negócio próprio é a melhor forma de dar expressão às suas qualidades. A procura de melhoria da situação financeira, o desejo de cooperação com outros, a luta por um ideal e a existência de uma oportunidade de mercado podem constituir outras motivações relevantes para a criação de uma empresa. Em conclusão, não se prosseguirá, em princípio, no sentido da criação de uma empresa, se não existirem motivações, que poderão ser de dois tipos: As "circunstanciais" - determinadas por fatores externos ao empresário e de que poderá ser um exemplo a necessidade de encontrar um rendimento alternativo a um emprego por conta de outrem; As "profundas": - diretamente associadas às características pessoais e de que são exemplo, na maioria dos casos, a vontade de ganhar dinheiro, o desejo de independência, a necessidade de realização pessoal e, em menor número de situações a procura de estatuto social, através da criação da própria empresa. Frequentemente, estes dois tipos de motivações adicionam-se em vez de se excluírem e quanto mais fortes foram as motivações, maiores serão as hipóteses de levar a bom termo a "criação de uma empresa". As reflexões anteriores levam a que cada vez mais se faça uma aposta séria na avaliação da capacidade empreendedora dos promotores de projectos de criação de empresas. Neste âmbito, a elaboração de um pré-diagnóstico e de um balanço pessoal Fonte : IAPMEI Página 4 de 42

5 revela-se da maior importância no despiste de pontos fortes e fracos e na preconização de ações tendentes a valorizar os primeiros e a minimizar os últimos. 2º Passo: como encontrar, desenvolver e proteger uma ideia A intenção de criar uma empresa está, de um modo geral, ligada à existência de uma ideia de negócio. Mas se esta é a situação mais comum, casos há em que, não obstante a intenção de investimento, o potencial empresário não é, nesse momento, portador de uma ideia precisa da atividade da futura empresa. Ausência de ideia de negócio Quando o investidor potencial não dispõe de uma ideia precisa sobre o sector, o produto ou o serviço onde irá aplicar os recursos sabe, contudo, o que não quer fazer. Esta situação permite-lhe já uma certa seleção relativamente ao tipo de atividade a desenvolver ou ao tipo de clientela a atingir. Esta primeira seleção associada à experiência adquirida, às qualificações profissionais, aos desejos e às motivações, permitem construir um primeiro quadro de referências com vários cenários de empresa ou de atividade possíveis. Ser empresário com ideias alheias A observação da realidade circundante poderá ser um bom ponto de partida para se começar a definir um projeto e a identificar um mercado. Com efeito, poder-se-á acrescentar um "pequeno nada" a um produto ou a um serviço para o tornar distinto de um já existente e conferir-lhe uma melhor qualidade ou uma melhor adaptação às necessidades dos clientes. É esta característica diferenciadora que poderá permitir conquistar uma fatia do mercado existente ou atingir um nicho de mercado. Uma outra fórmula possível de ser empresário neste cenário de utilização de ideias alheias, é a "franchise", que permite ao empresário, correndo um menor risco, aproveitar a experiência, o prestígio e o "know-how" acumulados por terceiros. Transformar a profissão em empresa Criar a própria empresa não implica necessariamente um corte radical com a atividade profissional exercida enquanto empregado. O conhecimento das características dos produtos ou dos serviços oferecidos pela empresa onde trabalha e a sua adaptação a determinada faixa de clientes pode permitir-lhe desenvolver um projeto de empresa. Fonte : IAPMEI Página 5 de 42

6 A existência de ideia Neste caso, é possível surgirem atitudes demasiado pessimistas que poderão sintetizarse no pensamento "se esta ideia não foi ainda explorada, é porque não tem valor" ou demasiado otimistas, levando o seu detentor a pensar possuir "uma ideia extraordinária a que corresponderá necessariamente um projeto de sucesso". Em qualquer dos casos, há que tomar algumas precauções, adotando-se uma atitude realista, face a todas as condicionantes que podem determinar o sucesso ou o fracasso de um empreendimento. Principalmente, nunca se deverá esquecer que o mercado é sempre o melhor teste e que, por exemplo, uma boa ideia de empresa numa grande cidade pode não ser exequível numa pequena vila ou aldeia, sendo o contrário igualmente verdadeiro. Adequação produto / mercado Uma empresa nascente tem, de um modo geral, meios limitados e deverá, portanto, visar um segmento de mercado bem definido. Este segmento corresponde a um conjunto de clientes potenciais com características comuns ou próximas, capaz de consumir os produtos ou utilizar os serviços da nova empresa. Complementarmente, a adequação entre produto e mercado deverá constituir uma preocupação constante do empreendedor. Da ideia ao projeto A construção de uma ideia é o ponto de partida para a arquitetura do projeto. Assim, é essencial trabalhar e desenvolver a ideia de modo a aproximá-la de um anteprojeto de criação de empresa. Para o efeito, são utilizados vários métodos normalmente enquadrados em duas categorias: Os relacionados com a envolvente socioeconómica; Os relacionados com a criatividade. Para a análise da envolvente socioeconómica existem, basicamente, quatro técnicas que permitem aprofundar a ideia: A análise documental, consubstanciada no estudo da informação de carácter técnico e/ou estatístico disponível sobre o assunto; O estudo de casos práticos, relacionados com a criação de empresas e publicados em revistas ou jornais ou obtidos diretamente, através de contactos com empresários já estabelecidos; Fonte : IAPMEI Página 6 de 42

7 O recurso a consultores, peritos em determinados domínios vitais para a avaliação da valia e exequibilidade da ideia; A observação do quotidiano e a visita a feiras e exposições, bem como a leitura da imprensa especializada. Para o enriquecimento de uma ideia, em termos de criatividade, vários processos podem ser utilizados, sendo os mais comuns: o brainstorming, técnica de grupo que tem por objetivo suscitar o aparecimento do maior número possível de ideias relacionadas com um problema específico. Este método compõe-se de duas fases distintas: a expressão livre e a avaliação, discussão, triagem e hierarquização das ideias que resistiram às críticas; as listas de atributos, listagem das características de um produto ou serviço e posteriores modificações e combinações, com o objetivo de introduzir melhorias;. as associações forçadas, técnica que consiste em gerar um elevado número de ideias, relacionando-as, posteriormente, entre si. Esta técnica permite, por vezes, boas aproximações ao produto ou ao serviço final. Os métodos referidos têm apenas carácter indicativo, implicando alguns deles o domínio de determinadas técnicas não acessíveis a todos. Resultados semelhantes podem, no entanto, ser conseguidos recorrendo-se à imaginação de cada um. A proteção da ideia Certas conceções de produtos e processos, pela sua originalidade e grau de inovação devem ser protegidos legalmente através de um conjunto de direitos que lhe conferem a utilização, em exclusivo, da respetiva informação técnica, comercial e industrial. É este conjunto de direitos que se designa propriedade industrial. Mas as ideias, só por si, não podem ser protegidas legalmente. Para que se possa solicitar o registo para efeitos de proteção, deve fazer-se corresponder à ideia um suporte material consubstanciado na satisfação de três requisitos: 1. Indicação das reivindicações; 2. A memória descritiva do invento; 3. Apresentação de desenhos (se for caso disso). Fonte : IAPMEI Página 7 de 42

8 Para que um invento seja patenteável existem, à partida, três condições: A novidade (não estar contido no estado da técnica); A aplicação industrial (reprodutibilidade industrial); A atividade inventiva (algo que não é obvio). As modalidades de direito de propriedade industrial são as seguintes: Patente de invenção direito atribuído ao seu titular, de explorar comercialmente um invento (num território e tempo determinados) e impedir que terceiros o façam sem o seu consentimento: Modelo de Utilidade protege uma forma específica de nova que possibilita o aumento de utilidade ou o melhor aproveitamento de um produto; Modelo Industrial protege uma nova forma (segundo os aspetos geométrico ou ornamental) que se utiliza no processo de fabrico de um produto industrial; Desenho industrial combinação de linhas e cores aplicadas, com fim comercial, à ornamentação de um produto; Marca sinal ou conjunto de sinais nominativos, figurativos ou emblemáticos que fazem distinguir um produto de outros semelhantes; Nome e insígnia do estabelecimento sinais objetivos destinados a identificar e propagandear um estabelecimento. Denominação de origem denominação de localidade, região ou território, que serve para designar um produto cujas características se devam essencialmente ao meio geográfico, englobando tanto fatores naturais como humanos. O registo da propriedade industrial envolve alguns custos, materializados no pagamento de taxas periódicas, nos prazos legais, de forma que os direitos não percam a validade. No entanto, alguns destes direitos têm prazos de validade, findos os quais expiram, como são os casos das patentes, dos desenhos e dos modelos. As marcas, por seu lado, podem ser mantidas através da renovação do pagamento das taxas devidas. Em Portugal, compete ao INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial a atribuição e registo dos direitos de propriedade industrial. No entanto, no que concerne o desenvolvimento de aplicações informáticas, a competência nesta matéria é da Associação Portuguesa de Software. Fonte : IAPMEI Página 8 de 42

9 3º Passo: a envolvente legal, económica e social Antes de passar à ação, é importante conhecer a envolvente legal e socioeconómica. A passagem da ideia à empresa implica, necessariamente, o contacto com um conjunto de entidades cujas atribuições e atividades se enquadram no processo de criação de uma empresa. Referem-se, em seguida as mais significativas, agrupadas por áreas de atuação. INFORMAÇÃO A informação, seja de carácter económico, técnico-jurídico ou estatístico é um instrumento indispensável na economia moderna e reveste um particular interesse para aqueles que se propõem desenvolver um novo empreendimento. APOIO TECNOLÓGICO E DE INSTALAÇÃO Centros Tecnológicos Os centros tecnológicos são organismos de apoio técnico e tecnológico a empresas de um mesmo sector industrial ou de sectores afins ou complementares. Resultam da associação, por complementaridade de interesses, de empresas industriais ou das respetivas associações com organismos públicos de diferentes ministérios. Parques Tecnológicos São áreas de terreno devidamente urbanizadas e equipadas, vocacionadas para apoiar o desenvolvimento de atividades de alta intensidade tecnológica e promover a criação de sinergias inovadoras interempresariais e interinstitucionais, visando aprofundar mecanismos de transferência de tecnologia e desenvolver formas de cooperação. Parques Industriais São espaços de dimensão considerável geridos por entidades públicas ou privadas que dispõem de infraestruturas físicas indispensáveis ao desenvolvimento da atividade industrial. Os parques industriais visam promover a concentração e o desenvolvimento industrial em zonas determinadas pelas suas áreas de influência. Fonte : IAPMEI Página 9 de 42

10 Centros de Empresas e Inovação Vulgarmente designados por BIC (Business Innovation Centres) são estruturas integradas na Rede Europeia de Centros de Empresas e Inovação (EBN), cujos objetivos são estimular e aumentar as hipóteses de sucesso de um novo negócio com vista a potenciar adicionais oportunidades de trabalho, numa base local ou regional. Centros de Incubação São estruturas que visam promover a criação de empresas que aumentem as potencialidades regionais por meio da inovação tecnológica ou utilizando tecnologia tradicional, disponibilizando para o efeito as infraestruturas adequadas. Ninhos de Empresas São espaços físicos dotados de infraestruturas inerentes à atividade empresarial, que contam com o apoio de Universidades e técnicos altamente qualificados, destinados a apoiar jovens empresários, recém-licenciados ou com formação profissional especializada, que se queiram agrupar para constituir a sua empresa de consultoria e projeto. CACE - Centros de Apoio à Criação de Empresas São infraestruturas de âmbito local, da iniciativa do IEFP - Instituto do Emprego e Formação Profissional, que integram a disponibilização de instalações, mediante uma renda simbólica pela ocupação do espaço, e proporcionam apoio de secretariado, telefone, telex e sala de reuniões. GAE Gabinetes de Apoio Empresarial Estruturas criadas por iniciativa de várias autarquias no âmbito do desenvolvimento económico e social da região que se inserem, que disponibilizam informação relevante aos potenciais empreendedores. FINANCIAMENTO De uma maneira geral, o objetivo financeiro da empresa consiste em conseguir, num dado momento, o financiamento necessário em condições de custo e prazos adequadas. Isto é, não se trata apenas de conseguir o montante de financiamento necessário, mas sim de encontrar fontes mais económicas, de tal forma que o risco financeiro da empresa seja minimizado, através de uma relação equilibrada entre meios próprios e alheios. Fonte : IAPMEI Página 10 de 42

11 Financiamento Bancário O financiamento bancário tanto pode ser de curto como de médio e longo prazos, apresentando em todos os casos a característica de ser negociável, o que significa a possibilidade da empresa influenciar no seu montante, prazo e custo. Sendo assim, o empréstimo deverá começar a ser negociado, formalmente, algum tempo antes de ser necessário, uma vez que tal facto melhora a posição negocial da empresa e permite, em alguns casos, recorrer ao banco quando a procura geral de crédito for mais baixa, situação que diminui os critérios de seletividade do banco. A análise do crédito por parte da entidade financiadora que recebe o pedido centra-se na análise da operação, propriamente dita, na avaliação da capacidade do empresário e na análise do negócio. Capital de Risco Dependendo das características dos projetos o recurso ao capital de risco poderá constituir uma alternativa válida relativamente ao financiamento bancário. As sociedades de capital de risco têm por objetivo principal a participação temporária e minoritária no capital social das empresas, tendo em vista o apoio e a promoção do investimento e da inovação tecnológica nas empresas ou em projetos específicos desenvolvidos por estas. Business Angels Os Business Angels são, na sua maior parte, antigos empreendedores que alienaram, na totalidade ou em parte, o seu negócio e que pretendem reinvestir uma parte dos seus capitais em empresas que lhes possam permitir continuar a participar no «jogo» empresarial e obter resultados atrativos no futuro. Garantia Mútua A garantia mútua é um instrumento de inovação financeira com os seguintes objetivos: Prestar garantias financeiras e serviços às empresas de menor dimensão, numa base mutualista; Ser uma alternativa competitiva, satisfazendo as necessidades das empresas no acesso ao crédito, de acordo com os seus planos de investimento e em condições mais próximas das maiores empresas. Fonte : IAPMEI Página 11 de 42

12 Podem ser garantidas todas as operações em que o sistema financeiro ou terceiras entidades as solicitem às empresas ou ao empresário, nomeadamente: Empréstimos de médio e longo prazo; Garantias Financeiras e/ou de boa execução de projectos no âmbito dos Sistemas de Incentivos; Garantias técnicas e/ou cauções para fornecedores, Estado, clientes, (v.g. IVA, EDP, importações matérias primas, contratos de exportação); Operações especiais de crédito, designadamente: -Emissão de Programas de Papel Comercial; -Empréstimos Obrigacionistas. Locação Financeira A locação financeira é um contrato mediante o qual uma sociedade de locação financeira se obriga a adquirir e a pôr à disposição do investidor os bens que esta escolheu. Como contrapartida este deverá proceder ao pagamento de rendas periódicas durante um lapso de tempo que varia entre os dois e cinco anos, de acordo com o prazo de amortização dos bens em causa. No termo do contrato, o locatário poderá optar pela compra do equipamento, mediante o pagamento do valor residual que varia entre 2% e 6% do respectivo valor de aquisição. FORMALIDADES LEGAIS Durante o percurso de criação de empresas o novo empresário atingirá um momento em que se depara com a necessidade de legalização da sua futura atividade. Para este efeito, o futuro empresário deve contactar as seguintes entidades: Lojas da Empresa As Lojas da Empresa são espaços de atendimento integrado destinado aos empreendedores que desejam criar, alterar, transformar ou extinguir a sua empresa. Integrando a iniciativa dos Novos Modelos de Atendimento da Administração Pública. Nestes espaços é possível aos empresários usufruírem do serviço da Criação da Empresa na Hora ou Pedido de Certidão Permanente, bem como outros serviços tais como prestação de informação sobre legislação inerente à actividade económica e sobre passos a dar para criação de negócio próprio, entre outros serviços associados ao ciclo de vida das empresas. Fonte : IAPMEI Página 12 de 42

13 Registo Nacional de Pessoas Coletivas RNPC, para efeitos de requerimento do certificado de admissibilidade de firma ou denominação e para a obtenção do número nacional e do cartão de registo provisório; Cartórios Notariais, para outorga da escritura pública de constituição da sociedade; Conservatórias do Registo Comercial, para o registo comercial da constituição da sociedade, pedido de inscrição no RNPC e de cartão de definitivo de identificação de pessoa coletiva, bem como para as publicações obrigatórias; Repartições de Finanças, para a obtenção do número fiscal de contribuinte, da declaração de início de atividade e para a abertura dos livros de escrita, obrigatórios; Autoridade para as Condições do Trabalho, entidade à qual devem ser comunicados o endereço, local ou locais de trabalho, ramo de atividade e número de trabalhadores; Centros Regionais de Segurança Social, para efeitos de inscrição dos trabalhadores na segurança social. Associativismo Empresarial Outra classe de interlocutores que os potenciais empresários vão encontrar no processo de criação da sua empresa, ou após este, são as associações empresariais. É possível identificar dois grandes tipos de associações empresariais, não obstante a existência de outros igualmente importantes: - As associações sectoriais, que congregam as empresas de um sector de atividade ou sectores afins, que voluntariamente se lhes associam; - As associações regionais, que abrangendo uma multiplicidade de sectores de atividade cobrem manchas territoriais definidas e mais ou menos extensas. As associações empresariais, qualquer que seja o tipo, contribuem para a resolução de problemas que o empresário isoladamente enfrenta permitindo, por exemplo, o acesso a informação económica, jurídica, técnica e estatística, e organizando certames, colóquios e outros eventos, que contribuem para desenvolver a atividade. Por outro lado, as associações constituem uma forma de representação perante terceiros e funcionam como grupos de pressão no sentido de influenciar e alterar os condicionalismos externos à atividade. Fonte : IAPMEI Página 13 de 42

14 4 º Passo: um primeiro balanço Esta etapa corresponde à identificação, ou melhor, à recapitulação dos pontos fortes e dos pontos fracos existentes e ao seu confronto. A fim de integrar uns e outros na sua estratégia, o novo empresário deverá fazer um esforço no sentido de melhor os conhecer, fazendo para tal um diagnóstico triplo: Sobre si mesmo; Sobre o projeto; Sobre a futura empresa. A fim de conseguir um maior grau de objetividade, o potencial empresário deverá responder, ele próprio, a todas as questões postas num diagnóstico definidor do seu perfil e pedir a alguém das suas relações (alguém que o conheça bem), que responda ao diagnóstico por si. Em seguida, devem-se comparar os resultados e analisar e discutir os pontos de eventual divergência. O DIAGNÓSTICO DO EMPREENDEDOR Fonte : IAPMEI Página 14 de 42

15 Deste questionário o potencial empresário retirará um conjunto de opiniões sobre as hipóteses de levar o seu projeto a bom termo e alguns elementos a incluir na sua estratégia. O DIAGNÓSTICO DO PROJECTO Embora sendo impossível listar todo o tipo de questões, dado que a especificidade de alguns projetos determina questões particulares, pode-se, no entanto, apresentar um esboço que poderá servir de referencial ao diagnóstico do projeto. I - Dificuldades e oportunidade associadas ao produto / mercado O produto ou o serviço é suscetível de ser produzido ou fornecido por uma nova pequena empresa? Fonte : IAPMEI Página 15 de 42

16 Existe capacidade de oferecer ao cliente um serviço pós-venda? Em caso afirmativo, em que condições esse serviço poderá ser assegurado? Caso se trate de um produto novo ou de um produto já existente no mercado relativamente ao qual se pensa que há uma vantagem comparativa através, por exemplo, da integração de alguma qualidade "extra" ou alguma inovação, procedeu-se a um teste junto dos clientes potenciais para aferir da sua aceitação? Para responder a esta questão é necessário ter em conta a situação da concorrência, da distribuição e os hábitos de compra dos clientes potenciais. II - Dificuldades e oportunidades associadas aos meios Tendo em conta a natureza do produto e o mercado escolhido, haverá que verificar a dimensão dos meios humanos, técnicos, logísticos e financeiros necessários. O potencial empresário deverá já ter nesta fase uma noção dos níveis mínimos necessários para o arranque do seu empreendimento. III - Dificuldades e oportunidades associadas à legislação É absolutamente necessário verificar se existe legislação especial relativamente ao sector de atividade onde a nova empresa se irá enquadrar Em Portugal, determinadas atividades estão sujeitas ao cumprimento de requisitos técnicos especiais de segurança e proteção da saúde humana e do ambiente, bem como de garantia para o consumidor. O promotor do projeto deverá igualmente certificar-se de que está em condições de obter as licenças ou as qualificações exigidas. A recapitulação das dificuldades existentes e das oportunidades que se abrem, permitirá ver até que ponto um projeto, no estado atual, é realizável. Por outro lado, as informações recolhidas dão hipóteses de reformulação do projeto e de escolha das estratégias mais adequadas. O DIAGNÓSTICO DA NOVA EMPRESA O diagnóstico da nova empresa pode ser realizado segundo duas perspectivas: do interesse / oportunidade do projeto; das funções da empresa. Fonte : IAPMEI Página 16 de 42

17 I - Interesse e oportunidade do projeto Esta técnica consiste em relacionar as qualidades do novo empresário (pontos fortes) com o maior ou menor interesse do projeto (ou seja com as oportunidades que se abrem através da combinação dos fatores produto-mercado-meios-legislação). II - As funções da empresa O diagnóstico da empresa realiza-se dissecando a empresa por funções e verificando, relativamente a cada uma delas, quais são os pontos fortes e os pontos fracos existentes. Numa empresa é necessário assegurar várias funções: A função financeira, que diz respeito à tesouraria, aos balanços e às contas de exploração; A função marketing, que abrange as tarefas com vista à comercialização em boas condições, como a força de vendas, a distribuição e a concorrência; A função produção, que engloba os aspetos relacionados com o produto, com as tecnologias, materiais, quantidades, etc.; A função pessoal, onde se enquadra tudo o que é relevante do ponto de vista da qualidade da equipa e da sua gestão; A função gestão e organização, que constitui a função central na condução da empresa. Esta técnica vai permitir-nos atuar de forma a assegurar o funcionamento das diversas áreas funcionais da empresa. A informação anterior, de carácter basicamente teórico, reúne um conjunto de métodos que poderão constituir instrumentos capazes de ajudar o potencial empresário a conhecer-se melhor, a avaliar os problemas e as oportunidades do seu projeto e a medir antecipadamente os "prós" e os "contras" do projeto de criação da sua futura empresa. A vantagem destes instrumentos está no facto de facilitarem a análise e a redução dos riscos. Partindo deste pressuposto, será preferível o potencial empresário utilizá-los do que deixar-se guiar somente pela intuição. Fonte : IAPMEI Página 17 de 42

18 5º Passo: a envolvente externa e o estudo de mercado A envolvente externa corresponde a um conjunto de elementos que o futuro empresário não pode precisar nem controlar. Do conjunto de fatores não diretamente controláveis fazem parte, os futuros clientes, os fornecedores, as empresas concorrentes, os prescritores, os banqueiros, as instituições e ainda as leis, regulamentos e costumes relativos à atividade que pretende desenvolver. Reunindo todas as informações disponíveis sobre a envolvente externa, o futuro empresário estará em muito melhores condições de avaliar a viabilidade do seu projeto, tomando, também, consciência dos inúmeros fatores que podem condicionar o sucesso do seu empreendimento. A exploração da envolvente externa O conhecimento e exploração dos fatores externos ao projeto devem ser orientados por um conjunto de atitudes que permitam ao potencial empresário concretizar, modificar ou, num caso extremo, abandonar o projeto que tem em mente. De entre esse leque de atitudes salientam-se, a oportunidade, a objetividade, a seletividade, a curiosidade, a abertura de espírito, a prudência, o rigor e a perseverança A técnica de exploração da envolvente externa A exploração da envolvente externa é, fundamentalmente, uma técnica baseada na recolha, seleção, tratamento e validação de informações várias. A condução deste processo pode ser feita realizando o seguinte percurso: 1. Predefinição do projeto com um razoável grau de precisão, indicando: 2. Listagem das questões relacionadas com o projeto relativamente às quais se torna necessário encontrar resposta e dos locais (fontes) prováveis de obtenção das informações correspondentes. 3. Auscultação do sector onde o futuro empresário pensa vir a exercer a sua atividade. 4. Obtenção de dados "quantificados" (e outros de interesse para o projeto) 5. Recolha de outra informação relevante de carácter "não quantitativo" Fonte : IAPMEI Página 18 de 42

19 6. Realização de um inquérito informal, direto ou indireto, sobre os concorrentes. 7. Estudo da clientela potencial O estudo de mercado O estudo de mercado, para além do estudo documental, compõe-se, basicamente de duas análises parcelares: o Estudo dos Consumidores e o Estudo da Concorrência havendo, em qualquer destes que realizar sempre uma análise quantitativa e uma análise qualitativa. ESQUEMA BASE DE UM ESTUDO DE MERCADO Estudo documental Deve permitir reunir informação já disponível sobre um dado especto (estado de consumo ou de utilização de um produto ou serviço) e sendo as fontes múltiplas é imprescindível prestar atenção à data dos dados obtidos, registar as fontes e comparar a informação (cruzamento de dados), com o objetivo de testar a sua fiabilidade. Análise qualitativa Constitui a primeira etapa de pesquisa directa de informação pelo recurso à entrevista junto de potenciais clientes e consiste na obtenção de informação rica em qualidade. Tendo por base uma amostra restrita de pessoas. Conhecer os motivos que levam um consumidor a comprar ou não um produto permitirá a adaptação do produto que se pretende lançar no mercado às exigências, gostos e tendências dos potenciais clientes. Análise quantitativa Corresponde ao inquérito por questionário, sendo uma sondagem que se poderá fazer a uma parte dos clientes, extrapolando, posteriormente, os elementos recolhidos. Convém referir que, tanto a entrevista como a sondagem implicam o domínio de técnicas e a verificação de regras que normalmente não cabem na esfera de competências do futuro empresário. Estudo dos consumidores Fonte : IAPMEI Página 19 de 42

20 ANÁLISE QUANTITATIVA 1. Definição dos consumidores número de consumidores por categoria; 2. Definição do mercado; 3. Definição do nível dos preços; 4. Definição das condições de venda; 5. Definição dos canais de distribuição e dos pontos de venda. ANÁLISE QUALITATIVA 1. Definição dos objetivos e motivações de compra; 2. Comportamento dos consumidores perante a compra; 3. Definição da forma como decidem comprar; 4. Hábitos de consumo; Estudo da concorrência ANÁLISE QUANTITATIVA 1. Definição da concorrência; 2. Inventariação dos produtos concorrentes; 3. Quotas de mercado que detêm; 4. Canais de distribuição que utilizam, condições de venda que praticam e ações promocionais que desenvolvem; 5. Potencial de distribuição. ANÁLISE QUALITATIVA 1. Características dos produtos da concorrência; 2. Adequação destes produtos às necessidades e desejos dos consumidores; 3. Pontos fortes e fracos desses produtos 4. Verificação dos aspetos psicológicos, favoráveis e desfavoráveis, que a marca transmite aos consumidores; 5. Análise do comportamento dos concorrentes para motivarem a compra dos seus produtos. A recolha da informação, que integra o estudo de mercado, deve ser objeto de análise e permitir ao empresário tomar decisões, com um mínimo de risco, sobre: Fonte : IAPMEI Página 20 de 42

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