ISSN: Mylena Carla Almeida Tenório Deise Juliana Francisco

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1 BRINCADEIRAS E ATIVIDADES LÚDICAS ENQUANTO ESTRATÉGIA NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO: RELATANDO VIVÊNCIAS DE UMA CRIANÇA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO - TEA Mylena Carla Almeida Tenório Deise Juliana Francisco RESUMO O presente trabalho discute o relato de experiência vivenciado com um aluno diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo - TEA, na faixa etária de 9 anos de idade, inserido em classe regular de ensino, em uma escola privada do município de Garanhuns-PE. Dessa forma, analisamos como se dá o processo de desenvolvimento desse aluno a partir do contato com jogos e brincadeiras que favorecem a aprendizagem e interação social presente no âmbito da inclusão escolar. A proposta foi analisar o brincar enquanto ferramenta auxiliar as atividades de sala de aula. Os resultados alcançados apontaram para o uso dessas ferramentas como auxiliares na construção da autonomia, de conceitos e de aprendizagens significativas, bem como de maneira mais prazerosa e atrativa. PALAVRAS-CHAVE: Autismo. Brincadeiras. Ludicidade. 1 PROBLEMÁTICA DA PESQUISA O Autismo é caracterizado por um conjunto de sintomas que afeta a tríade comportamento, socialização e comunicação, e acomete cerca de 70 milhões de pessoas no mundo. Se há dez anos a incidência era de um caso para cada grupo de 500 crianças, hoje esse índice pode chegar a um caso para cada grupo de 110, considerando todo o espectro do autismo, desde casos mais leves aos mais severos, como aborda Silva (2012, p. 11). Com base nisso, a partir da análise de estudos sobre as mais variadas formas de intervenções no processo de desenvolvimento de crianças com autismo, práticas educativas eficazes e formas de contribuir no processo de ensino e aprendizagem, este trabalho busca analisar as práticas educativas por meio de jogos, brincadeiras e atividades lúdicas, numa perspectiva de que o brincar é importante para o desenvolvimento do indivíduo, em seus mais variados aspectos. Acredita-se que com crianças com Autismo não seja diferente, pois esse pode ser um instrumento 1

2 capaz de favorecer a interação com o mundo, a comunicação e o aprendizado dessas crianças. Dessa forma, Rolim et al (2008) mostra que o brincar se relaciona ainda com a aprendizagem, pois brincar é aprender, sendo o lúdico uma proposta educacional para o enfrentamento das dificuldades no processo ensino e aprendizagem. Para o autor, a brincadeira é o lúdico em ação e o brincar é importante em todas as fases da vida, por isso, deve ser encarada como algo sério e que é fundamental para o desenvolvimento infantil. Esse brincar ainda prepara para futuras atividades de trabalho, evoca atenção e concentração, estimula a autoestima e ajuda a desenvolver relações de confiança consigo e com os outros, sendo as atividades lúdicas um dos melhores caminhos para o desenvolvimento da interação com os outros. De acordo com as muitas estratégias levantadas de como se trabalhar com crianças com Autismo, Andrade et al (2011) ressalta através de um estudo de caso realizado que [...] por intermédio de atividades lúdicas, tais como desenhos, jogos, pinturas e brincadeiras. Ressalta-se que o lúdico é vivenciado em sua essência na infância, permitindo que o sujeito possa expressar sua autonomia, repense ações, avalie e busque as alternativas críticas e criativas para os desafios de seu dia a dia (ANDRADE et al, 2011, p. 46). O presente relato é decorrência de um estudo acerca do uso do brincar e das atividades lúdicas no processo de desenvolvimento de uma criança com 9 anos de idade, diagnosticada com Transtorno do Espectro do Autismo- TEA e incluída em uma turma regular de ensino, em uma escola privada do município de Garanhuns- PE. Partiu-se do contato com jogos e brincadeiras que favorecem a aprendizagem e interação social presente no âmbito da inclusão escolar. Com isso, acredita-se que esta pesquisa contribuirá no entendimento do uso do brincar e das atividades lúdicas como estratégia de ensino, aprendizagem e interação social dessas crianças no meio social, de forma a mostrar como tais atividades podem contribuir no processo de desenvolvimento dessas crianças. 2 OBJETIVOS Buscamos analisar como as atividades lúdicas podem auxiliar o desenvolvimento dessa criança em situações de sala de aula e fora dela; identificar 2

3 através de algumas atividades as habilidades que poderiam ser exploradas e/ou adquiridas; bem como entender a educação de crianças com TEA por meio do brincar e das atividades lúdicas como fonte de interação social, comunicação e aprendizagem. 3 METODOLOGIA A análise foi realizada em uma escola privada, localizada na cidade de Garanhuns-PE, na qual as crianças com alguma necessidade especial são incluídas em classes regulares e contam com uma sala de apoio, onde são realizadas atividades extraclasse. No caso, as atividades mais lúdicas, brincadeiras e demais atividades dirigidas por uma facilitadora (estagiária) que auxilia na realização das atividades, trabalhando em conjunto com a professora regente. Nesse estudo de caso, buscou-se além de analisar a utilização do lúdico como fator relevante no processo de desenvolvimento de crianças com TEA, mostrar estratégias eficazes na vida dessas crianças, observadas a partir da sua realidade, respeitando o tempo da criança. O sujeito da pesquisa é uma criança com TEA, com nove anos, o mesmo apresenta dificuldades de socialização, dificuldades motoras, na área de linguagem e concentração, bem como não gosta de dividir ou jogar com outras crianças. Para isso, o contato com essas atividades foi feita inicialmente com auxílio do professor mediador, responsável por apresentar e tentar introduzir a criança nesse processo. Em meio às observações das atividades lúdicas, brincadeiras e utilização de jogos pela criança com TEA em parceria com a pesquisadora, tanto na sala de apoio como em alguns momentos de atividades realizadas em sala de aula, sendo realizadas também atividades com o grupo de alunos com que a criança está inserida em classe regular. Com isso, busca-se identificar quais os jogos, brincadeiras e atividades lúdicas que podem contribuir para o processo de desenvolvimento de uma criança com autismo, sendo essa uma estratégia adotada em prol do desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas e sociais, além de ser uma forma de incorporar o lúdico em sala de aula. Para isso, os dados foram coletados por meio de registros em um diário de campo e de filmagens dos momentos de atividades lúdicas e brincadeiras, buscando descrever como as atividades, jogos e brincadeiras realizadas ao longo dos dias 3

4 podem contribuir no processo de interação social e de aprendizagem da criança com TEA, sendo analisadas a interação da criança com o outro, a influência do lúdico no processo de desenvolvimento da criança em sala de aula e em suas aprendizagens. 4 RESULTADOS Ao longo das observações realizadas buscamos perceber como a criança utilizava-se de atividades extraclasse no âmbito escolar, caracterizadas pelo uso do lúdico e concreto. As brincadeiras eram propostas em momentos de educação física e/ou recreio, sendo elas esconde-esconde, pega-pega, queimado e circuitos, em que inicialmente o aluno não demonstrava interesse em participar de nenhuma delas, preferindo ficar isolado ou realizando outra atividade. A proposta foi fazer com que as brincadeiras fossem reconhecidas como divertidas e prazerosas, os contatos iniciais foram com um pouco de resistência, mas aos poucos se tornaram algo presente na rotina do aluno, que queria sempre participar das atividades, mesmo que precisasse do apoio de uma professora, que mediava e conduzia o momento a partir de instruções individuais. Além disso, percebemos que por meio dessas brincadeiras que a interação social e a autonomia sofreram grandes avanços, deixando o aluno mais centrado e ligado às relações estabelecidas no contexto escolar. Alguns jogos e atividades lúdicas também eram utilizados a fim de explorar e aprimorar habilidades do cotidiano escolar, tais como jogos de tabuleiro, quebracabeça e jogos pedagógicos ligados a temáticas específicas e abordadas em sala de aula. Essas atividades foram realizadas em contato com a pesquisadora, partindo das que a criança demonstrou interesse e participação, sendo necessário a construção de laços de confiança para que houvesse uma interação e troca nas atividades propostas, pois a criança muitas vezes não queria esperar sua vez de jogar ou jogava sozinha. Com o passar do tempo, após a análise das brincadeiras, jogos e atividades propostas, a interação e participação já estava presente, passando a envolver a inserção de outras crianças algo que ainda necessita de uma exploração mais intensa, mas a participação e interação aluno e professora deu seu primeiro passo para o desenvolvimento no que se é indispensável. 4

5 Assim, podemos entender que a partir da brincadeira a criança com Autismo passa a desenvolver suas habilidades sociais, que acreditamos ser o primeiro passo para o seu desenvolvimento, mesmo que essa seja uma atividade não tão simples como parece, pois para que se alcance o resultado esperado é necessário paciência, estratégias atraentes, contato e persistência, em qualquer atividade dirigida para essa criança. Nessa perspectiva, Martins (2009) apud Chiote (2013) afirma que: A brincadeira [...], é uma possibilidade de desenvolvimento da criança com Autismo a partir de sua interação social, em uma prática social específica da infância que também pertence a essa criança, como sujeito que apresenta especificidades na maneira como se relaciona com o outro, mas tem o direito de participar da cultura (p. 102). Portanto, ao término da análise foi possível perceber que a criança com TEA permitiu o uso de jogos e atividades lúdicas que auxiliassem as atividades de sala de aula, demonstrando maior interesse e aprendizagens mais significativas aos conteúdos ministrados em sala. Nesse contexto, algumas habilidades também foram exploradas e aprimoradas, despertando a atenção e concentração nas atividades em grupo e propostas em sala de aula, mesmo que ainda seja necessária uma exploração e trabalho continuo nesse processo, a fim do desenvolvimento integral do sujeito. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Consideramos que o brincar e as atividades lúdicas podem contribuir no processo de desenvolvimento de uma criança com TEA, necessitando de uma abordagem lenta e que respeite o tempo do aluno, levando em conta as habilidades e dificuldades que ele apresenta, buscando sempre minimizar e aprimorar jogos e brincadeiras capazes de auxiliar e intervirem no processo de desenvolvimento dessa criança. Portanto, o uso desses instrumentos torna-se relevante ao processo de escolarização e inclusão desses alunos que necessitam de suporte, adequações e estratégias capazes de mediar a aprendizagem. Nesse sentido, acredita-se que todas as estratégias de intervenção devem ser levadas em consideração na busca pelo processo de desenvolvimento de crianças com TEA, a fim de construir e reconstruir a prática e a inclusão escolar e social. 5

6 REFERÊNCIAS ANDRADE, Andréa Costa [et al]. O Autismo e o Brincar: Um estudo de caso a partir de acompanhamento em grupo psicoterapêutico. Revista HUGV- Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas CHIOTE, Fernanda de Araújo Binatti. Inclusão da criança com autismo na educação infantil: trabalhando a mediação pedagógica. Rio de Janeiro: Wak Editora, ROLIM, A. A. M; GUERRA, S. S. F; e TASSIGNY, M. M. Uma leitura de Vygotsky sobre o brincar na aprendizagem e no desenvolvimento infantil. Fortaleza: Revista Humanidades, P SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mundo singular: entenda o autismo. Rio de Janeiro: Objetiva,

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