Congresso Internacional de Gestão de Inovação da Educação no Setor Público - CIGISP. De 15 a 17 de abril de 2015 Brasília (DF), Brasil.

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2 O Evento O Congresso Internacional de Gestão de Inovação da Educação do Setor Público - CIGISP 2015, consiste em um fórum para apresentação, discussão e promoção das inovações no setor público. Tem por objetivo compartilhar experiências práticas de sucesso, instruir e disseminar processos inovadores relacionados à educação e à Administração Pública em geral. O CIGISP será constituído por duas sessões. A sessão principal consistirá na apresentação de casos de destaque em inovação no setor público, realizada por gestores e pesquisadores líderes em seus campos de atuação. A sessão de workshops do CIGISP configurar-se-á como um espaço de debate e fomento à exploração sobre o tema; na qual serão apresentados trabalhos aprovados pelo comitê técnico de avaliação, a partir de submissões de gestores públicos e de acadêmicos. O CIGISP está sendo organizado pelo Ministério da Educação em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), com o apoio do PrêmioIdeia. Durante o evento será realizada a premiação do Desafio da Sustentabilidade, consulta pública que ocorreu entre os meses de novembro de 2014 a fevereiro de 2015 e recebeu mais de 18 mil ideias referentes à busca de soluções para a redução dos gastos com água e energia elétrica nas instituições federais de ensino.

3 Realização Apoio Ministério da Saúde

4 Sumário. Inovações no setor público. Palestrantes da Sessão Principal. Workshop técnico/científico. Palestrantes do Workshop. Trabalhos aprovados Casos Práticos. Trabalhos aprovados Estudos Acadêmicos. Organização

5 Inovações no setor público As inovações no setor público consistem na implementação de novas ideias estruturantes de Políticas governamentais concretas que [...] criam as condições para prosperidade econômica, civilidade nos relacionamentos sociais, o avanço da justiça [ ] a promoção do interesse público 1 e de forma crescente norteiam o desenvolvimento de programas na Administração Pública. "Governos de todo o mundo estão procurando por soluções inovadoras que aprimorem a concepção e prestação de serviços públicos, se aproximando do setor privado e dos cidadãos, para se tornarem parceiros na solução dos principais desafios sociais" 2. Referências 1 Benington, J.; Moore, M. H. Public value: theory and practice. Palgrave Macmillan, UNDP. United Nations Development Porgramme. Public Service Innovation Lab Disponível em 5

6 Palestrantes da Sessão Principal Em ordem de apresentação Prof. Vishanth Weerakkody Brunel University London, UK Professor of Digital Governance Transformação digital da Administração Pública no Reino Unido: lições do passado e trajetórias futuras Wagner Vilas Boas de Souza - Ministério da Educação Paulo Henrique de Souza Bermejo - Universidade Federal de Lavras Carolina Cristina Martins Cavalcante - Ministério da Educação Desafio da sustentabilidade: soluções para redução do consumo com água e energia elétrica nas IFEs Genildo Lins Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento Secretário de Gestão Pública O Sistema SEI - Secretaria de Gestão Pública - Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Prof. José Roberto Scolforo Universidade Federal de Lavras Reitor Eco Universidade Inovação com o plano ambiental para uma universidade socioambientalmente correta Prof. José Arimatéia Dantas Lopes Universidade Federal do Piauí Reitor Inovações para sustentabilidade por meio da participação social: o caso da UFPI Jeremy Millard Danish Technological Institute (Denmark) Senior Policy Advisor Inovações educacionais no terceiro milênio Antônio Claret dos Santos Polícia Militar de Minas Gerais Coronel Participação social e inovações na segurança pública: o caso da PMMG Prof. Seija Mahlamäki-Kultanen Häme University of Applied Sciences (HAMK) - Finland Dean Modelo Inovador de Ensino Finlandês Professores para o futuro Miguel Marques da Silva Secretaria de Comércio Exterior SECEX do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC Analista de Comércio Exterior Sistema Radar Comercial 6

7 Palestrantes da Sessão Principal Em ordem de apresentação Gleisson Cardoso Rubin Escola Nacional de Administração Pública Presidente Prêmio ENAP de Inovação na Administração Pública: um balanço de 20 anos Prof. Vantoil de Souza Júnior Orquestra Sinfônica de Barra Mansa Diretor Artístico Projeto Música na Escola: inovação e eficiência no ensino fundamental e médio Carlos Eduardo Moreno Sampaio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep Diretor de Estatísticas Educacionais Indicadores na Gestão Pública: o caso do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) Fábio Félix Cunha da Silva Controladoria-Geral da União Analista de Finanças e Controle Lançamento do Portal da Transparência: desafios e limitações Roziane Marinho Ribeiro Governo da Paraíba Secretária Executiva de Gestão Pedagógica da Educação Inovações na gestão do ensino: o caso do Governo do Estado da Paraíba Prof. Yogesh K Dwivedi Swansea University, Wales, UK Professor of Digital and Social Media Inovação Social no Setor Público: atualidades e perspectivas futuras Prof. Ricardo S. Morse School of Government, University of North Carolina, USA Associate Professor of Public Administration and Government Transformando a liderança pública para o século 21 Denio Menezes da Silva Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep Diretor de Gestão e Planejamento Enem Da crise em 2009 ao novo modelo de monitoramento de processos e gestão de riscos 7

8 Workshop técnico/científico A sessão de workshops do CIGISP configura-se como um espaço de debate e fomento à exploração sobre o tema: Inovação no Setor Público. Norteado pela proposta de identificar e compartilhar soluções teóricas e práticas que contribuam com a busca pela eficácia, eficiência e efetividade no setor público, são bem vindos relatos de Casos Práticos e Estudos Acadêmicos que abordem a introdução de algum grau de novidade no setor público. O Workshop CIGISP tem como objetivos:. promover uma experiência educacional para cidadãos, empreendedores públicos, representantes de organizações estatais e não estatais e pesquisadores.. inspirar e induzir o estabelecimento de conexões co-criativas entre indivíduos e organizações (cidadão e governo).. fomentar o desenvolvimento da cultura, do ecossistema e da geração de inovações no setor público. 8

9 Palestrantes do Workshop Em ordem de apresentação Sessão Especial Nicir Maria Gomes Chaves Ministério da Previdência Social - MPS Design thinking em gerenciamento de processos: o caso da Previdência Social Kátia Maria Barreto Souto Ministério da Saúde Gestão estratégica e participativa no Ministério da Saúde Prof. André Pimenta Freire Universidade Federal de Lavras A Inclusão como instrumento de promoção da Inovação em Serviços Públicos Prof. André Grützmann Universidade Federal de Lavras Tecnologias Internet para Inovação no Setor Público Herman Resende Santos Universidade Federal de Lavras E-democracia e Interações Sociopolíticas Digitais: Analisando a Co-criação na Inovação do Setor Público Em ordem de apresentação Casos Práticos e Estudos Acadêmicos Morgana Souza Militão; Alan Diego Vieira Alvarenga; Hiasmin Pimpão Torres; Laura Vieira Coelho Ministério da Educação Moderação de conteúdo em consulta pública: o caso do Desafio da Sustentabilidade do MEC Rodrigo Amancio Briozo Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares Método multicritério de tomada de decisão: localização espacial de uma Unidade de Saúde Pública UPA 24h Patrícia Junqueira Grandino; Ulisses Ferreira de Araújo; José Felipe de Souza Spina; Juliana Brito dos Santos Universidade de São Paulo- Escola de Artes, Ciências e Humanidades Design Thinking como recurso para proposições inovadoras na política institucional da Universidade Alexandre Marino Costa; Ana Maria Ferreira Menezes; Marcos Tanure Sanábio; Teresa Cristina Janes Carneiro Universidade Federal de Santa Catarina Cinco anos do Programa Nacional de Formação em Administração Pública PNAP: articulações e resultados obtidos Eduardo Shigueo Fujikawa Consultor para a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República A atuação Estratégica da Rede dos Centros de Referência em Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República 9

10 Palestrantes do Workshop Em ordem de apresentação André Pimenta Freire; Bruno da Silva Gonçalves; André Grützmann Universidade Federal de Lavras Princípios de Governo Eletrônico Centrado no Cidadão para Melhoria da Acessibilidade de Portais Web Governamentais Brasileiros Luiz Pereira Pinheiro Junior; Fabio Massashi Kuribara; Rodrigo Assunção Rosa; Ana Paula Mussi Szabo Cherobim Universidade Federal do Paraná A relação entre os investimentos em P&D nas universidades públicas e a produção intelectual brasileira Rodrigo Assunção Rosa; Tais Sandri Avila; Luiz Pereira Pinheiro Junior; Tiago Satur Droppa; Ana Paula Mussi Szabo Cherobim Universidade Federal do Paraná A relação dos Investimentos do Fundo Setorial Verde-Amarelo com a Produção Bibliográfica e Técnica de Projetos Científicos Pedro Paulo Papi; Jonatã Da Silva Mariani; Luiz Fernando De Lara; Juliane Sachser Angnes Unicentro - PR Governança em ambientes de inovação Um estudo de caso na Incubadora Tecnológica de Guarapuava - Paraná (INTEG) Fábio Massashi Kuribara; Eduardo de Carli; Andrea Paula Segatto; Farley Simon Nobre Universidade Federal do Paraná Programa Piloto de Patentes Verdes aceleração de patenteamento de tecnologias verdes e incentivo ao desenvolvimento tecnológico no Brasilicos Fernanda Capdeville Fajardo de Queiroz; Thiago Hector Nakashiro Uehara; Jhéssica Ribeiro Cardoso Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Sustentabilidade na logística pública: Análise dos planos de gestão de logística sustentável da Administração Federal Rejanne Alves Melo; Fábio Rocha Barbosa; Bartolomeu Ferreira dos Santos Junior; Nelber Ximenes Melo; Marcos Antônio Tavares Lira Universidade Federal do Piauí Estudo da viabilidade de implantação de biodigestor para a produção de energia elétrica a partir dos resíduos orgânicos dos Restaurantes Universitários da UFPI Lucas Cruz Sousa; Rafael Rocha Matias; Fabíola Maria Alexandre Linard; Fábio Rocha Barbosa Universidade Federal do Piauí Documento Básico de Economia de Energia (DBEE) Luíz César Ribas; Thais Indiano Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Proposta de equacionamento de conflito ambiental e urbanístico: plantio de eucalipto na faixa lateral de segurança de estrada vicinal municipal 10

11 Trabalhos aprovados Os trabalhos aprovados em forma de resumo para apresentação no Workshop CIGISP foram classificados em duas categorias: Casos Práticos e Estudos Acadêmicos CASOS PRÁTICOS Moderação de conteúdo em consulta pública: o caso do Desafio da Sustentabilidade do MEC Design Thinking como recurso para proposições inovadoras na política institucional da Universidade A atuação Estratégica da Rede dos Centros de Referência em Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Cinco anos do Programa Nacional de Formação em Administração Pública PNAP: articulações e resultados obtidos 11

12 Moderação de conteúdo em consulta pública: o caso do Desafio da Sustentabilidade do MEC Morgana Souza Militão; Alan Diego Vieira Alvarenga; Hiasmin Pimpão Torres; Laura Vieira Coelho O Desafio da Sustentabilidade do MEC surgiu da necessidade de reduzir os gastos com o consumo de água e energia elétrica nas instituições federais de ensino. O método utilizado foi a consulta pública, realizada por meio de uma plataforma virtual. A consulta pública trata-se do chamamento da sociedade e posterior coleta de suas opiniões nos rumos da Administração Pública, sendo uma importante ferramenta de exercício da cidadania. Ao ser feita por meio de mecanismos abertos fomenta o debate e a troca de ideias. De início, os dirigentes do projeto pensaram em trabalhar sem moderação, como foi feito em outras várias consultas realizadas tanto por empresas privadas como pelo Setor Público. No entanto, como o Desafio da Sustentabilidade possibilitava que os participantes pudessem visualizar as publicações dos demais, surgiu a necessidade de se assegurar que o conteúdo estivesse de acordo com o escopo da consulta para que não se desvirtuasse do que se pretendia ao realiza-la. Com base nisso, convencionou-se estruturar a moderação do conteúdo. Não é a primeira vez então, que o poder público realiza consultas dessa natureza, mas a adoção da ferramenta de moderação representa uma inovação, já que nesse formato nunca havia sido feito no Brasil. Foi formada uma equipe de moderadores para que estes realizassem a filtragem de conteúdos de acordo com o edital, monitoramento de metas e prazos devido ao grande volume de conteúdo recebido, atendimentos individualizados, classificação prévia de ideias e respostas às denúncias e possíveis recursos. A moderação consistiu então, em homologar ou rejeitar as ideias e comentários enviados, devendo a atividade nesse aspecto ser dinâmica já que só era permitida a postagem de uma ideia por participante ao dia; ao se identificar que a ideia não atendia ao quanto proposto a mesma era rejeitada, dando a oportunidade ao usuário de postar nova ideia, não perdendo esse a pontuação devida. Em razão do limite de postagem diário o trabalho não poderia ser acumulado, motivo pelo qual foi estipulado controle de metas e prazos, sendo as ideias analisadas até às 18 horas de cada dia. Simultaneamente, as denúncias feitas pelos próprios participantes eram julgadas procedentes ou improcedentes conforme critérios de duplicidade, abusividade de conteúdo, inadequação ao escopo, etc. O atendimento individualizado foi realizado através de disponibilizado aos usuários, oportunidade em que a equipe respondia dúvidas e sugestões acerca do Desafio. Os resultados do trabalho superaram as expectativas, uma vez que o objeto do trabalho realizado, quais sejam as ideias e comentários homologados, foram de excelente qualidade e atendeu satisfatoriamente à proposta original do Projeto, que era a elaboração de uma coletânea de boas práticas para economia de água e energia elétrica. No contexto da inovação como sendo também um processo social, o trabalho da moderação mostrou-se altamente inovador, já que os próprios moderadores interagiam com o público, envolvendo, portanto, sociedade e serviço público, por meio dos moderadores. Percebeu-se com a moderação a necessidade de se aprimorar certas características do software utilizado, ficando a cargo desse, por exemplo, a identificação de repetições ou a seleção múltipla de conteúdos semelhantes para aprovação ou mesmo, alocando o conteúdo recebido em categorias preordenadas, otimizando o tempo da moderação, ficando o moderador incumbido do julgamento e avaliação do objeto do projeto. A moderação realizada durante o Desafio da Sustentabilidade serviu como modelo para o desafio Solução Nota 10 realizado pelo Governo da Paraíba com o apoio do Ministério da Educação, tendo como base a experiência apresentada, no qual puderam aperfeiçoar tanto o sistema como a técnica de moderação. Palavras-chave: Consulta Pública. Moderação. Inovação. Participação Social. Prêmio ideia. Agradecimentos e Patrocinadores: A equipe de moderação do Desafio da Sustentabilidade agradece aos idealizadores do projeto, especialmente ao então subsecretário de planejamento e orçamento Wagner Vilas Boas de Souza, a coordenadora imediata Carolina Cristina Martins Cavalcante e ao professor Paulo Henrique Bermejo, que nos permitiram contribuir com os excelentes resultados do Projeto. 12

13 Design Thinking como recurso para proposições inovadoras na política institucional da Universidade Patrícia Junqueira Grandino, Ulisses Ferreira de Araújo, José Felipe de Souza Spina, Juliana Brito dos Santos As transformações históricas que marcam a atualidade exigem respostas inovadoras da universidade para atender à sua enorme e complexa responsabilidade social e educacional no século XXI. Dentro desse quadro, e em consonância às reflexões propostas por Souza Santos (2004) - na direção daquilo que nomeia como um pacto de globalização contra-hegemônica da universidade, que restabeleça e consolide o seu papel nesse novo milênio - a gestão democrática da universidade aparece como quesito chave para a viabilização de propostas que possam articular interesses e expectativas diversas, dada a heterogeneidade de demandas e âmbitos de atuação do tripé que a constitui, a saber: ensino, pesquisa e extensão universitária. Nesse cenário, a criação de novas modalidades de participação e agilização da gestão são importantes para alcançar transparência e maior democratização na tomada de decisões da universidade. Este trabalho tem o objetivo de relatar os resultados de uma atividade experimental de aplicação do Design Thinking (DT) como recurso de proposições inovadoras de participação ampliada na política institucional e participação ativa dos estudantes na vida universitária. A atividade ocorreu na Universidade de São Paulo (USP), responsável por cerca de 25% de toda produção científica do Brasil sendo reconhecida como uma das melhores universidades do mundo. Em 2013 foram realizadas eleições para os cargos de Reitor e Vice-Reitor, tradicionalmente eleitos indiretamente por um colégio eleitoral restrito e nomeado pelo governador do Estado. Esse modelo apresenta grande déficit de representatividade, fator que estimulou diversos atores, excluídos até então, a realizarem pressão por mudanças, sendo as mais significativas: consulta pública e exigência de apresentação e divulgação de um programa de gestão por parte dos candidatos aos cargos. Atenta às mudanças e comprometida com a garantia de maior participação estudantil, uma das candidaturas convidou os participantes de um grupo de pesquisa vinculado ao Núcleo de Pesquisas sobre Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP para a elaboração de uma estratégia de aproximação e reconhecimento dos anseios dos estudantes sobre melhorias na vida universitária. O grupo recorreu às estratégias previstas na abordagem do DT, método que é um de seus objetos de investigação, pois enfatiza a importância em colocar o ser humano como centro do processo de inovação, além de considerar a interdependência e complexidade dos problemas atuais e buscar soluções criativas dentro dos contextos sociais. O DT segue três premissas: empatia, design centrado no ser humano e o desenvolvimento de protótipos inovadores. Com base no referencial de apoio, realizou-se uma pesquisa qualitativa junto a 103 alunos da USP. Os dados foram colhidos por meio de formulário on-line enviado por a todos alunos e por entrevistas realizadas individualmente por estudantes vinculados ao núcleo nos campus da Cidade Universitária e Leste da USP, ambos na cidade de São Paulo. As respostas foram tabuladas e classificadas em categorias por afinidade temática. Os resultados preliminares foram analisados e discutidos numa oficina criativa com a participação dos estudantes e pesquisadores. Os estudantes que realizaram as entrevistas relataram suas percepções e acrescentaram observações sobre os temas revelados pela tabulação. Dessa discussão, foram elegidas duas temáticas mais frequentes para a criação de protótipos inovadores que atendessem aos anseios dos estudantes e que pudessem ser incorporados como estratégias para a nova gestão da reitoria, sendo a primeira Participação Institucional, que destaca o desejo dos estudantes de participar das decisões da universidade. A segunda temática, Mobilidade, surgiu das críticas à insuficiência do transporte público dentro do campus, que possui área territorial de m², com m² de edificações. Dessa questão, desenvolveu-se o protótipo nomeado USP de Bike, uma alternativa aos ônibus circulares da universidade. Consiste em implantar no interior do campus um sistema de empréstimo gratuito de bicicletas controlado por meio de um cadastro realizado pelo aluno, que permitiria desbloquear as bicicletas em terminais digitais instalados em diversos pontos do campus e em outros estratégicos. Os protótipos foram aprovados pela chapa candidata à eleição e incorporados ao seu programa de ações. No entanto, como não saiu vitoriosa no pleito não houve continuidade e implementação. 13

14 Além dos resultados objetivos, a experiência corroborou as considerações do núcleo de pesquisas sobre a pertinência e eficácia das estratégias da abordagem do DT, uma vez que o processo ganha operatividade frente às metas assumidas pelo grupo. A previsão de que as ideias geradas sejam submetidas aos usuários para apreciação aumenta a possibilidade das políticas institucionais serem mais efetivas quando de fato implantadas. Trazer o estudante para o centro do processo de aprendizagem garante maior qualidade desta e o fortalece como sujeito crítico e reflexivo. Nessa atividade, a centralidade foi alcançada tanto na perspectiva de ouvir um maior número de estudantes e criar espaços de participação, como na realização do processo de geração de ideias, tendo os estudantes membros do núcleo como atores centrais. Palavras-chave: Design Thinking. Política institucional. Inovação Referências DE SOUSA SANTOS, Boaventura. A universidade no século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. Cortez, HCD, Human centered design: kit de ferramentas. 2 ed Disponívelem: <https://hcdconnectproduction.s3.amazonaws.com/toolkit/en/portuguese_download/ide o_hcd_toolkit_complete_portuguese.pdf>. Acessoem: 29 jan RANKING WEB OF UNIVERSITIES, Webometrics 2013.Disponível em: <http://www.webometrics.info/en/detalles/usp. br.> Acesso em: 29 Jan RODRIGUES, P. Novo modelo de eleições para reitor é discutido na USP. Carta Capital, São Paulo, 10 Out Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/educacao/novomodelo-de-eleicoes-para-reitor-e- discutido-na-usp-7848.>acessoem: 29 Jan THE WORLD REPUTANCION RANKING, Powered by Thomson Reuters. Disponível em:< rankings/2013/reputationranking/range/61-70> Acesso em: 29 Jan UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, Anuário Estatístico 2013 da Universidade de São Paulo.São Paulo, Disponível em: <https://uspdigital.usp.br/anuario/br/acervo/anuariousp_2013.pdf.> Acesso em: 29 Jan UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, Estatuto Universidade de São Paulo. Resolução no 3461, de 7 de Outubro de 1988.Baixa o Estatuto da Universidade de São Paulo. Disponível em: <http://www.leginf.usp.br/?resolucao=resolucao-no-6640-de-2-de-outubro-de-2013.> Acesso em: 29 Jan UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, Estatuto Universidade de São Paulo.daResolução no 3461, de 7 de Outubro de 1988.Baixa o Estatuto da Universidade de São Paulo. Disponível em: <http://www.leginf.usp.br/?resolucao=resolucao-no-6640-de-2-de-outubro-de-2013.> Acesso em: 29 Jan UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, Eleições (2013). Resolução No 6640, de 2 de Outubro de 2013.Dispõe sobre a eleição para a composição da lista tríplice para a escolha do(a) Reitor(a) e do(a) Vice-Reitor(a) da Universidade de São Paulo. Disponível em: <http://www.leginf.usp.br/?resolucao=resolucao-no-6640-de-2-de-outubro-de-2013.> Acesso em: 29 Jan UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, No dia 10/12, USP realiza consulta à comunidade sobre a escolha de reitor. Sala de imprensa USP. 06 Dez Disponível em: <http://www.usp.br/imprensa/?p=35371.> Acesso em: 29 Jan UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, No dia 10/12, USP define lista tríplice de chapas de candidatos a reitor e vice-reitor. Sala de imprensa USP. 19 Dez Disponível em: <http://www.usp.br/imprensa/?p=35893.> Acesso em: 29 Jan UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, Novo reitor da USP toma posse ressaltando desafio de revisar a governança da Universidade. Sala de imprensa USP. 27 Jan Disponível em: <http://www.usp.br/imprensa/?p=36431> Acesso em: 29 Jan. Acesso em: 29 Jan

15 A atuação Estratégica da Rede dos Centros de Referência em Direitos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Eduardo Shigueo Fujikawa Os Centros de Referência em Direitos Humanos (CRDH) da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) se propõem a atuar na promoção e defesa dos direitos humanos nos estados e municípios brasileiros. Atualmente, existem 29 CRDH em vigência espalhados no território. A partir do final de 2013, a implementação do CRDH passou, de forma mais intensificada, por uma profunda reformulação metodológica. Os CRDH, compostos, geralmente, por equipe técnica formada por assistente social, psicólogo e advogado, encontraram um posicionamento estratégico na sua rede de atuação. Considerando outras políticas, instituições e serviços que dispõe de equipe similar, o CRDH buscou atuar em um escopo diferenciado evitando a sobreposição de serviços já consolidados como os casos dos Centros de Referência da Assistência Social, do Centro de Atenção Psicossocial, da Defensoria Pública dentre outros. Somente a partir de 2014, o posicionamento do CRDH em relação às demais políticas locais passou a se consolidar como uma estrutura diferenciada. Esta distinção se dá pela transversalidade de temáticas e públicos do CRDH e pela visão holística de seus profissionais em consideração as multifaces das violações em direitos humanos. A partir da adoção de uma rotina de trabalho padronizada para diagnóstico das diversas necessidades de seus usuários, o CRDH poderá informá-los sobre temas das áreas jurídica, psicológica e assistência social, sobre os serviços disponíveis na sua rede de atuação realizando a articulação de rede necessária e o acompanhamento dos casos. O CRDH passou, neste contexto, a ser um articulador local de vasta amplitude em contato com inúmeras instituições de diversos campos de atuação ao invés de atuar como um balcão de informações restrito à realização de atendimentos. Esta mudança no posicionamento estratégico do CRDH foi inspirada a partir da observação da interação deste com os demais serviços nos estados e municípios. O acompanhamento da SDH/PR, por meio da Coordenação-Geral dos Centros de Referência em Direitos Humanos (CGCRDH) e consultorias especializadas, diagnosticou a necessidade de correção conceitual. Tratava-se de oportunidade para distinguir o CRDH das demais políticas contribuindo para a compreensão e reconhecimento dos profissionais que atuam nas demais instituições considerando o CRDH como política complementar e cooperativa na rede existente. Outras opções estratégicas foram concebidas neste processo. Verificou-se a necessidade de aprofundamento com órgãos competentes para aperfeiçoar o trabalho do CRDH como, por exemplo, a abertura de diálogo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e com os Conselhos da Assistência Social e de Psicologia para além do debate institucional a nível local. Ademais, constatou-se que, para atender as exigências impostas pela complexidade dos direitos humanos, as equipes técnicas deveriam ser capacitadas sistematicamente em vista à dinamicidade dos marcos legais e das metodologias de trabalho. Busca-se, atualmente, o estabelecimento de comunicação permanente com atores que possam refinar a atuação do CRDH que fazem parte da rede interna e interministerial da SDH/PR e da rede local dos CRDH nos estados e municípios. Os resultados desta articulação ainda são preliminares. Contudo, verifica-se que a rede dos CRDH vem adquirindo reconhecimento como ação estratégica da SDH/PR na ponta. Os avanços verificados se materializam nas discussões acerca do fluxo de materiais informativos produzidos pela SDH/PR bem como o desenvolvimento de planejamento para formações periódicas para os profissionais da rede dos CRDH. Este alinhamento institucional representa a importância do CRDH como extensão das políticas e estratégias desenvolvidas pela SDH/PR. Cabe ressaltar que o redesenho dos CRDH considerou a atuação prática desenvolvida historicamente pela rede de parceiros executores dos CRDH formada por Instituições de Ensino Superior, governos de estado, prefeituras e Organizações da Sociedade Civil. Embora fértil, a variedade de atores envolvidos e a complexidade inerente aos direitos humanos oferecem alguns desafios de gestão. A SDH/PR tem se empenhado em considerar as inúmeras contribuições conforme interesses e objetivos particulares que, por vezes, divergem. Para mitigar este processo difuso e organizar as práticas condizentes à atuação do CRDH, buscou-se, nos últimos anos, um estudo estruturado por meio de diagnóstico desenvolvido por consultores junto à CGCRDH onde foram analisados a estrutura física, os instrumentais adotados, os meios de registro, monitoramento e avaliação, atribuições das equipes e os marcos institucionais norteadores do CRDH. Estes estudos culminaram no novo desenho embasado por informações coletadas e sistematizadas que fundamentam a adoção desta nova proposta. A apresentação dos argumentos fundados nas diversas pesquisas é importante fator de mitigação do problema de gestão relacionado ao diálogo com os variados atores envolvidos. As lições aprendidas neste processo de construção conjunta incluíram a adoção de um planejamento participativo em prol do desenvolvimento dos CRDH como estrutura padronizada e referencial para a população. Almeja-se, a partir deste desenvolvimento, a consolidação dos CRDH como uma das principais políticas públicas continuadas da SDH/PR. Palavras-chave: Direitos Humanos. Setor Público. Intersetorialidade. Trabalho em Rede. 15

16 Cinco anos do Programa Nacional de Formação em Administração Pública PNAP: articulações e resultados obtidos Alexandre Marino Costa; Ana Maria Ferreira Menezes; Marcos Tanure Sanábio; Teresa Cristina Janes Carneiro O Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de expansão do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), lançou o Programa Nacional de Formação em Administração Pública (PNAP). O PNAP é integrado pelos cursos de Bacharelado em Administração Pública e Especializações Lato Sensu em Gestão Pública, Gestão Pública Municipal e Gestão em Saúde, ofertados na modalidade a distância. O PNAP representa uma contribuição significativa à necessidade de formação de gestores públicos para todos os níveis governamentais, sejam de funcionários públicos já em atuação em órgãos públicos ou do terceiro setor, ou pessoas que tenham aspirações ao exercício da função pública. A proposta visou a criação de um perfil nacional do administrador público, propiciando a formação de gestores que utilizem uma linguagem comum e que compreendam as especificidades de cada uma das esferas públicas: municipal, estadual e federal. A construção do PNAP ocorreu de forma coletiva e colaborativa, contando com o envolvimento de várias universidades públicas no âmbito da UAB, com a experiência dos coordenadores do Projeto Piloto de oferta do curso Bacharelado em Administração na modalidade a distância, com a participação do Conselho Federal de Administração, com a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e com o Ministério da Saúde através da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Em termos metodológicos, o texto se apoia em dados do sistema de acompanhamento de cursos da UAB/CAPES (SISREL) e em documentos da memória dos cinco anos ( ) de acompanhamento do Programa realizado pela Comissão de Apoio à Gestão do Programa Nacional de Formação em Administração Pública - PNAP/UAB instituída pela Capes para esse fim. Dentre os principais resultados já alcançados pode-se destacar a definição de projeto pedagógico nacional para cada um dos cursos, contando com 44 disciplinas no Bacharelado no período mínimo de integralização de quatro anos e outras 24 disciplinas para integralização das especializações entre 18 e 24 meses. Os projetos pedagógicos das especializações contam, ainda, com disciplinas comuns agrupadas em núcleo básico e outras disciplinas que exploram a especialidade dos cursos no núcleo específico. A elaboração dos conteúdos instrucionais das disciplinas contou com a participação de 90 autores (62 Bacharelado e 28 Especializações) e 69 leitores (46 Bacharelado e 23 Especializações) escolhidos mediante edital publico. Anualmente a Diretoria de Educação a Distância DED/CAPES promove a realização do Fórum de Coordenadores de Cursos do PNAP, buscando a integração e articulação das atividades pedagógicas, inclusive com a apresentação de boas práticas e demais trabalhos técnicos. Com a publicação de editais para oferta e expansão do PNAP a UAB/CAPES promoveu a articulação com 66 Instituições Públicas de Ensino Superior com a oferta dos cursos em 346 polos de apoio presencial da UAB, instalados em municípios de todas as regiões do País. No período de cinco anos conta com resultados significativos na conclusão de alunos formados (1.114 bachareis e especialistas) e oferta de vagas ( bacharelado e especializações). Pode-se registrar, ainda, o processo inovador de elaboração do material didático e o aprendizado colaborativo em rede nacional, inserindo o uso de tecnologias de educação a distância, promovendo a elaboração e produção de diversos Recursos Educacionais Abertos (REA). Palavras-chave: Administração Pública. Formação de Gestores. UAB/PNAP. Educação a distância. Agradecimentos e Patrocinadores Conselho Federal de Administração (CFA), Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), Ministério da Saúde através da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Ministério da Educação através da CAPES 16

17 Trabalhos aprovados ESTUDOS ACADÊMICOS Governança em ambientes de inovação Um estudo de caso na Incubadora Tecnológica de Guarapuava Paraná (INTEG) A relação dos Investimentos do Fundo Setorial Verde-Amarelo com a Produção Bibliográfica e Técnica de Projetos Científicos A relação entre os investimentos em P&D nas universidades públicas e a produção intelectual brasileira Sustentabilidade na logística pública: Análise dos planos de gestão de logística sustentável da administração federal Programa Piloto de Patentes Verdes aceleração de patenteamento de tecnologias verdes e incentivo ao desenvolvimento tecnológico no Brasil Estudo da viabilidade de implantação de biodigestor para a produção de energia elétrica a partir dos resíduos orgânicos dos Restaurantes Universitários da UFPI Documento Básico de Economia de Energia (DBEE) Método multicritério de tomada de decisão: localização espacial de uma Unidade de Saúde Pública UPA 24h Princípios de Governo Eletrônico Centrado no Cidadão para Melhoria da Acessibilidade de Portais Web Governamentais Brasileiros Proposta de equacionamento de conflito ambiental e urbanístico: plantio de eucalipto na faixa lateral de segurança de estrada vicinal municipal 17

18 Governança em ambientes de inovação Um estudo de caso na Incubadora Tecnológica de Guarapuava - Paraná (INTEG). Pedro Paulo Papi; Jonatã Da Silva Mariani; Luiz Fernando De Lara; Juliane Sachser Angnes Há muito se discute sobre uma parte significativa do êxito das empresas ser atribuído à sua competência em criar valor econômico maior que o dos seus concorrentes. Sob esta ótica costuma-se afirmar que a sua capacidade inovadora tornou-se condição sine qua non para se obter vantagem competitiva (FIGUEIREDO; GRIECO, 2013). A necessidade de cooperação para inovação em ambientes competitivos sugere novos tipos de relações de governança entre os atores envolvidos no processo. Neste sentido, este estudo visa aprimorar a compreensão dos instrumentos existentes na gestão dos interesses entre a INTEG - Incubadora Tecnológica de Guarapuava Paraná, vinculada e administrada pela Universidade Estadual do Centro-Oeste UNICENTRO, e uma empresa nela incubada, que representa a interação com o setor privado, sob a perspectiva funcionalista dada à governança corporativa pela Nova Economia Institucional e a Teoria da Agência. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, realizada por meio de entrevista individual semiestruturada aplicada a um representante da INTEG e outro de uma empresa incubada. Tais entrevistas se propuseram a examinar, sob a ótica desses profissionais, dois aspectos vinculados diretamente à governança: boas práticas e aspectos legais. Em complemento, se utilizou ainda como técnicas de coleta de dados a pesquisa bibliográfica, a observação participante e o diário de pesquisa. Por sua vez, a análise de conteúdo pautou-se na categorização das entrevistas trianguladas com a descrição das observações realizadas e registradas em campo. Os resultados apresentaram como principais mecanismos de Governança Corporativa presentes na relação entre INTEG e Incubada os seguintes pontos: a) Regulamento Interno da Incubadora; b) Regimento de funcionamento e progressão das empresas incubadas; c) Contrato de Utilização de Sistema Compartilhado de Incubação; d) Assembleias e; e) Prestação de Contas ao TCE (Tribunal de Contas do Estado). Foi observada, portanto a aplicabilidade da proposição teórica com resultados positivos, mesmo se tratando de um ambiente cujos atores diferem ligeiramente, em características e em número, daqueles para os quais a Nova Economia Institucional (WILLIANSON, 1996 apud ROCHA JR, 2004) e a Teoria da Agência (CARVALHO,2001) haviam forjado as bases para a Governança Corporativa. De fato, estes resultados apontam para uma relação mais flexível e harmoniosa do que se pode encontrar nas interações da agência convencional, retratada pela relação entre acionistas e administradores, onde questões de disputa de poder e controle de recursos são mais críticas. Não se pode afirmar, contudo, que os atores consultados neste caso são alheios diante da necessidade de instrumentos de governança e da possibilidade de divergência de interesses. A análise do conteúdo das entrevistas sugere que ambas as partes demonstram conhecimento sobre o tema e a maioria das respostas dadas legitima os mecanismos de governança existentes. Os ambientes de inovação similares aos do caso estudado têm como fundamento a cooperação. Portanto, é de se esperar que exista uma pré-disposição tácita entre os atores para o bom andamento da governança, diminuindo a necessidade de instrumentos regulatórios mais contundentes e coercitivos. A busca do melhor entendimento sobre os instrumentos de governança em ambientes inovadores que envolvam incubadoras mantidas por instituições públicas podem encontrar nessa investigação um ponto de partida para estudos mais amplos que incluam métodos e técnicas capazes de acrescentar detalhes, beneficiando a formulação de futuras teorias. Um maior nível de detalhamento pode ser obtido, por exemplo, incluindo-se atores não investigados no presente caso, como as empresas graduadas pela incubadora, novas empresas candidatas à incubação e outros representantes da Universidade envolvidos no processo de gestão da incubadora. A reprodução do estudo em outras incubadoras ou em ambientes cooperativos similares destinados a inovação também pode contribuir para uma construção teórica mais robusta em torno do tema. Palavras-chave: Incubadoras. Governança. Nova Economia Institucional. Teoria da Agência. Inovação. 18

19 Referências ANPROTEC Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas. As incubadoras de empresas no Brasil - Panorama ANPROTEC, BALESTRIN, A.; BUENO, B.Inovação colaborativa: uma abordagem aberta no desenvolvimento de novos produtos.revista de Administração de Empresas, São Paulo. v. 52, n. 5, p BERTUCCI, J. L. O. ; BERNARDES, P.; BRANDÃO, M. M. Políticas e práticas de governança corporativa em empresas brasileiras de capital aberto. Revista de Administração, São Paulo, v.41, n.2, p , abr./maio/jun BRANDÃO, M. M.; BERNARDES, P. Governança Corporativa e o Conflito de Agência entre os Acionistas Majoritários e os Acionistas Minoritários no Sistema de Decisões Estratégicas das Corporações Brasileiras. In: ENANPAD, 29, Rio de Janeiro, Anais... Rio de Janeiro: ANPAD, CARVALHO, A. G. Governança corporativa no Brasil em perspectiva. Revista de Administração, São Paulo v.37, n.3, p.19-32, julho/setembro 2002 CASSIOLATO, J.E. e SZAPIRO, M. Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais no Brasil, Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ, CHAN, K.F. e LAU, T. Assessing technology incubator programs in the science park: the good, the bad and the ugly. Technovation, 25, p COHEN, W.M.; LEVINTHAL, D. A. Absorptivecapacity: anewperspectiveoflearningandinnovation. Administrative Science Quarterly, v.35, p , March COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Recomendações da CVM para Governança Corporativa, Disponível em Acesso em 08 de agosto de FIGUEIREDO, J. C. B.; GRIECO, A. M.O papel da inovação aberta na internacionalização de empresas em rede: o caso Brasil Foods. Revista Brasileira de Inovação, v.10, n. 4, p , FLICK, U. Entrevistas semi-estruturadas. p In: FLICK, U. Uma introdução à pesquisa qualitativa. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004 GONÇALVES, Alcindo. O conceito de governança. CONPEDI, Manaus, Anais, Disponível em:www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/alcindo%20goncalves.pdf. Acesso em 07 de agosto de HOLLINGSWORTH, J. Rogers, BOYER, Robert. Contemporary capitalism the embeddedness of institutions. Cambridge: Cambridge University Press, IBGC. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa, 2009, 4º edição. Disponível em: <http://www.ibgc.org.br> Acesso em 02 de novembro de INTEG. Incubadora Tecnológica de Guarapuava. Regulamento Interno. Disponível em:<http://sites.unicentro.br/wp/integ/> Acesso em 4 de novembro de JENSEN, Michael C., MECKLING, William H. Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, v. 3, p , october, MACHADO, H. P. V.; CASTRO, S. C. de. Reflexões sobre mecanismos de avaliação para incubadoras de empresas de base Tecnológica. In: SIMPÓSIO DE GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, 24, Gramado, Anais; Rio de Janeiro: ANPAD, MARTINS, H. H. T. de S. Metodologia qualitativa de pesquisa. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p , maio/ago Disponível em: Acesso em: 10 de outubro de MORAIS, E.F.C. Manual de Acompanhamento e Auto-Avaliação de incubadoras e empresas incubadas. Brasília, UNB MOZZATO, A. R.; GRZYBOVSKI, D. Análise de conteúdo como técnica de análise de dados qualitativos no campo da administração: potencial e desafios. Revista de Administração Contemporânea, v. 15, n. 4, p , Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/rac/v15n4/a10v15n4 Acesso em: 5 de novembro de NOGUEIRA, Marco Aurelio. Em defesa da política. São Paulo: Ed. Senac, REDE de Incubadoras do RJ REINC. Modelo de Gestão para incubadoras de empresas uma estrutura de indicadores de desempenho. E-Papers Serviços Editoriais Ltda, 2001, 96 p. ROCHA JR. F. W. A Nova Economia Institucional Revisitada 2004 SANTOS, Maria Helena de Castro. Governabilidade, Governança e Democracia: Criação da Capacidade Governativa e Relações Executivo-Legislativo no Brasil Pos-Constituinte. In: DADOS Revista de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, volume 40, n. 3, pp STEINBERG. H. A dimensão humana da governança coorporativa. São Paulo: Gente, YIN, R. K. Estudo de caso: Planejamentos e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2001.

20 A relação dos Investimentos do Fundo Setorial Verde-Amarelo com a Produção Bibliográfica e Técnica de Projetos Científicos Rodrigo Assunção Rosa; Tais Sandri Avila; Luiz Pereira Pinheiro Junior; Tiago Satur Droppa; Ana Paula Mussi Szabo Cherobim As políticas e os investimentos em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) possuem relevância para o desenvolvimento de um país, causando impactos favoráveis, por meio de parcerias que visam a comercialização de novos produtos, serviços, e a geração de desenvolvimento econômico, social e educacional. Nesse sentido, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio dos Fundos Setoriais, foi criado com a finalidade de ampliar o financiamento às atividades de pesquisa científica e tecnológica do país (MCTI, 2009; LEMOS; DE NEGRI, 2010). Esta pesquisa, investiga os investimentos em CT&I e alguns de seus resultados, tendo como foco o Fundo Setorial Verde-Amarelo (FVA). O principal objetivo é analisar a relação dos investimentos do FVA com a produção bibliográfica e técnica de projetos associados ao fundo, entre os anos de 1999 a De abordagem quantitativa, a presente pesquisa caracteriza-se como exploratória e descritiva. O estudo não visa a generalização estatística, no entanto investiga a relação entre variáveis a partir do teste de hipóteses (CRESWELL, 2010). Dessa forma, foram criadas oito hipóteses a fim de responder ao objetivo da pesquisa. A coleta de dados foi realizada a partir de dados secundários (GIL, 2006), fornecidos no sítio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O objeto principal de análise foram os projetos de pesquisa do CNPq que receberam recursos do FVA na consolidação de cooperação tecnológica entre universidades, centro de pesquisa e empresas, nos anos de 1999 a A amostra é composta por 765 projetos, oriundos dos editais de carta convite, chamada pública e encomenda realizados pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Utilizou-se o software estatístico SPSS v.20 para as análises de estatística descritiva, correlação e de diferença entre grupos. Em relação aos dados descritivos, grande parte dos projetos do FVA iniciaram entre os anos de 2001 e 2005 (n=589), representando cerca de 77% do total de projetos do Fundo. Já os términos concentram-se entre 2003 e 2007 representando 72% dos projetos, sendo a média de duração de 2,83 anos, com desvio padrão de 1,20. Os valores contratados e das publicações bibliográficas e técnicas, no seu total, foram financiados R$ ,83 em contratos e R$ ,12 em bolsas gerando um total de produções bibliográficas e 7516 produções técnicas. No teste de hipóteses de H1 a H4, utiliza-se o teste de correlação de Spearman. Desse modo, ao correlacionar os valores totais dos investimentos dos contratos e bolsas com as quantidades de produção bibliográfica e técnica, verificou-se em sua grande maioria que não existe correlação significante. No entanto, foi possível identificar algumas correlações significantes fracas em relação aos investimentos em bolsas e os resultados de publicação bibliográfica (0,074) e apresentação de trabalhos (0,098), com um nível de confiança de 95%. No que se refere as hipóteses H5 e H6, o teste de Mann Whitney-U, identifica-se que existe diferença estatisticamente significante entre as agências FINEP e CNPq (sig <0,05). Os investimentos realizados na agência FINEP apresentam maior impacto que os do CNPq no total de publicações e trabalhos técnicos concretizados pelos projetos. Já nas hipóteses H7 e H8, com o teste dekruskal-wallis, verificou-se que há diferença estatisticamente significante entre os tipos de instrumentos. Em ambos os tipos de produção s cartas convites geraram maiores resultados no total de publicações, sendo a segunda maior média para as encomendas e em terceiro as chamadas públicas. Em síntese é possível afirmar que o impacto dessa fonte de financiamento é reduzido; ou seja, o volume de investimentos em fomento à pesquisa nos projetos realizados em parcerias universidade-empresa não resulta em produção bibliográfica e técnica significativa. Algumas limitações desse estudo estão em sua metodologia, pois investiga apenas de forma quantitativa os impactos, não considerando os aspectos qualitativos dos resultados gerados pelos investimentos no FVA. Desse modo, sugere-se a realização de pesquisas futuras com uma abordagem qualitativas que investiguem outros indicadores para mensurar os impactos dos investimentos dos Fundos Setoriais. Estudos de caso múltiplos com projetos de diferentes níveis de investimentos e de resultados são também oportunos para compreender por que alguns projetos geram maiores resultados que outros. Por fim, é também oportuno investigar se as produções bibliográficas e técnicas são resultados desejados dessas fontes de financiamento. 20

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