COMÉRCIO EXTERIOR: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO SOBRE OS PROCESSOS E AS BARREIRAS À EXPORTAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES BRASILEIRAS

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1 COMÉRCIO EXTERIOR: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO SOBRE OS PROCESSOS E AS BARREIRAS À EXPORTAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES BRASILEIRAS RESUMO Karina Ferrarini 1 O presente trabalho tem como objetivo um estudo dos processos e barreiras referentes à exportação nas organizações Brasileiras. Para tanto, foi apresentado importantes praticas do comércio internacional, como por exemplo, a utilização de sistemas fornecidos pelo Governo, no qual facilitam e diminuem a burocracia das exportações. Foram discutidas também as questões relacionadas às barreiras geradas durante o processo e que algumas se inter-relacionam com questões políticas. Constatou-se que a estrutura de uma venda ao exterior é semelhante à no mercado interno e sendo bem organizada gera também os mesmos benefícios, porém a mesma tem algumas particularidades que muitas vezes se caracterizam como barreiras por falta de preparo da empresa que se propõe. Conclui-se que após vários contextos possuímos um potencial promissor nesta área, no entanto necessita ser melhor explorado. Palavras Chaves: Comércio Internacional. Barreiras a Exportação. Processos. ABSTRACT The present work aims to study processes and impediments regarding export in the Brazilian organizations. For both important practices of international trade were presented, for example, the use of systems provided by the Government, which facilitates and reduces paperwork exports. Were also discussed issues related to impediments generated during the process and that some are interrelated with political issues. It was found that the structure of a sale abroad is similar to the domestic market and being well organized also creates the same benefits, but it has some characteristics that are often characterized as impediments due to lack of preparation company that proposes. We conclude that after several contexts possess a promising potential in this field, however needs to be further explored. KEYWORDS: Foreign Trade. Export Impediments. Process. 1 INTRODUÇÃO Este artigo expõe conhecimentos teóricos (obtidos de pesquisa bibliográfica) que podem servir como base para a reflexão sobre o comércio 1 Graduada em Administração na Faculdade Catuaí.

2 exterior, demonstrando os meios oferecidos e as barreiras na exportação brasileira, as abordagens com relação aos itens necessários para se fazer uma exportação e alguns programas de incentivo do governo e, também, descrever os processos de uma exportação. Partindo da hipótese de que uma empresa pode ter como saída de competitividade seus produtos no mercado externo, verifica-se que a organização ao entrar neste mercado, terá que desenvolver uma cultura internacional para manter seus objetivos no mercado exterior, mesmo que a economia interna volte a melhorar. A pesquisa de mercado será enfocada no sentido de viabilizar a compreensão do quanto é importante que esta seja feita adequadamente. Neste processo de exportação, as barreiras que inferem no contexto (sejam econômicas, culturais ou sanitárias) podem definir o sucesso e/ou atratividade de buscar mercados alem das fronteiras geográficas próximas. Para alcançar o objetivo de identificar a estrutura e os aspectos do comércio exterior no Brasil, serão apresentados e discutidos alguns autores que defendem esta idéia, por meio disso este estudo pretende contribuir sendo um recurso para melhoria dos processos de exportação. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Histórico do Sistema Brasileiro de Comércio Exterior Segundo reflexões de Vazquez (2004) pode-se identificar que no Brasil as transações internacionais começaram a tomar forma mais consistentes através da Lei n 2.145, de 29/12/1953 onde foi criada a Cacex (Carteira de Comércio Exterior) do Banco do Brasil S.A., com o objetivo de substituir a Carteira de Exportação e Importação. A Cacex em suas atribuições teve a competência de controlar as transações como: normas, licenças, fiscalização, classificações etc. Cacex se reportava ao Ministério da Fazenda, mas o mesmo foi excluído a partir da Lei 8.028, de 12/04/1990 que criou o Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento agregados a Secretaria

3 Nacional da Economia. Vazquez (2004) cita a Lei n 8.490, de 19/11/1992 como revogação da Lei 8.028, onde criou novamente o Ministério da Fazenda, Indústria, do Comércio e do Turismo. É também nesta Lei que acontece a substituição da Cacex pela Secretaria de Comércio Exterior que é agregada no Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. Vazquez (2004, p. 27) discorre como estranho à maneira com que foi tratado o Ministério da Fazenda, devido a demonstra-se com nenhuma força política. Causa-nos estranheza a alocação de um órgão voltado para o comércio exterior, num Ministério tradicionalmente sem força política. Tanto é que o mesmo foi extinto em 1990 pela Lei n e ressuscitado pelo governo de Itamar Franco, em O Decreto n , de 10/05/1990, que dispõe sobre a reorganização e o funcionamento dos órgãos da Presidência da República e dos Ministérios, relegou o antigo Ministério da Indústria e do Comércio a um simples departamento, junto a Secretaria Nacional de Comércio Exterior (artigo 164 do citado Decreto), no mesmo nível do Departamento de Comércio Exterior. Gonçalves (2003, p. 88) discute que, na década de 90, a inserção do Brasil no comércio mundial aconteceu de forma regressiva, ou seja, perdendo competitividade internacional com o passar desta década, [...] a participação das exportações do país no total das exportações mundiais reduziu-se de 0,96% em 1997, para 0,94% em 1998, e 0,86% em 1999 [...] A receita de exportação reduziu-se de US$ 53 bilhões em 1997, para US$ 51 bilhões em 1998, e US$ 48 bilhões em Gonçalves (2003) indica que para uma exportação ser rentável, a mesma depende de três fatores, onde o primeiro seria os preços de cada produto em dólares, o custo da exportação e o câmbio, e que eles podem ter contribuído para a baixa dos anos 90. O mesmo autor expõe que na segunda metade desse período houve uma estratégia, por parte do governo, que visava à abertura comercial, financeira e cambial do país, o que acabou fazendo com que o índice de rentabilidade para a exportação caísse em 11,1% entre a primeira e a segunda metade desta década.

4 Ainda de acordo com o autor (2003, p. 101) os preços internacionais podem também exercer influência sobre a competitividade internacional de um país, [...] a questão reside na relação entre a evolução dos preços recebidos pelos produtores brasileiros e os preços recebidos pelos seus competidores no mercado internacional [...]. Ao se tratar de produtos manufaturados, o autor indica que essa relação de preço recebidos por produtores nacional e internacional não teve deteriorização, e que mesmo com essa fase amena do mercado brasileiro esse tipo de produto teve uma melhoria em seu preço de 9,7% com relação ao mercado internacional, demonstrando que os preços não foram responsáveis pela baixa da competitividade dos produtos manufaturados mas sim a evolução desfavorável das quantidades exportadas pelo Brasil. Vazquez (2004) indica alguns benefícios sobre as exportações do Brasil. O de trazer recursos em moeda estrangeira o que ajuda o país a pagar os gastos com a importação; A tecnologia chega ao mercado nacional, junto as negociações que baixam barreiras; O prestigio que é criado na marca do produto, pois a exportação se dá a partir do momento em que tem qualidade o suficiente; Outro beneficio seria a defesa de seus produtos que pode ocorrer em caso de crise nacional havendo assim o mercado internacional a ser trabalhado; Uma forma do país vendar aquilo que sobra em seu consumo interno; E enfim o lucro que em alguns casos pode ser maior, ou favorecer o aumento do mesmo Mercosul Com base nos autores Carvalho e Silva (2006) as negociações para criação do Mercosul (Mercado Comum do Sul), tiveram inicio através de acordos entre o Brasil e a Argentina em julho de 1986, onde na ocasião foi instituído o Programa de Integração e Cooperação econômica (Pice). Foram assinados 24 protocolos em uma primeira fase da implantação do Mercosul, entre estes se destaca o Acordo de complementação Econômica que se foi assinado em 1990 sendo que em 1991 foi assinado também pelo Paraguai e Uruguai, onde foram instituídas algumas medidas para facilitar o comércio entre os países com, por exemplo, a Tarifa Externa Comum (TEC) e a

5 eliminação de direitos alfandegários. Essa ultima data é destacada por ser também reconhecida como o inicio da efetiva criação do Mercosul. Carvalho e Silva (2006) discutem que houve uma fase, depois de 1991, de adaptação entre os países participantes, por se tratar de um acordo que possui influência sobre a exportações e importações visto que proporciona a abertura econômica e aceleração da integração. Essa adaptação por sua vez teve duas frentes, a de eliminação progressiva de barreiras nãotarifárias e a de um programa de desagregação progressiva, linear e automática com o objetivo de atingir tarifa zero. Com o passar dos anos também foi formada uma estrutura básica para controle, existindo o Conselho do Mercado Comum, Grupo de Mercado Comum, Comissão de Comercio do Mercosul e dez subgrupos para tratar de temas específicos, como pode ser visto na figura 2. Figura 2 - Estrutura básica do Mercosul. Conselho do Mercado Comum Composto pelos Ministros da Economia e das Relações Exteriores Grupo de Mercado Comum Órgão Executivo Implementa medidas para a integração Subgrupos de Trabalho Comissão de Comércio do Mercosul Aplica e acompanha os instrumentos de política Comercial Comum Energia Indústria Mineração Comunicação Meio Ambiente Agricultura Regulamentos Técnicos Assist. Trabalhista. Emprego e Seg Social Transporte e Infra-Estrutura Assuntos Financeiros Fonte: CARVALHO; SILVA (2006, p.237).

6 Vigevani e Lorenzetti (1998) defendem que a que a globalização foi um fator muito importante e irreversível que contribuiu para a criação do Mercosul, pois nessa as economias Mundiais passavam por um processo de internacionalização o que impulsionou também as lideranças Latino-Americanas a tomarem providencias. Conforme site do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2010a) o Mercosul possui uma Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que funciona como facilitadora nos processos de transações internacionais, por se tratar se um conjunto de códigos, capaz de identificar uma determina mercadoria conforme a combinação de números apresentados de forma crescente de acordo com o nível de sofisticação da mercadoria Siscomex Segundo Segre (2006) a sigla significa Sistema Integrado de Comércio Exterior. É um sistema de informações, criado pelo Decreto n 660, de setembro de 1992, que conta com a ajuda da informatização para controlar de forma efetiva os trâmites das exportações/importações, ou seja, integra as atividades de registro, acompanhamento e controle de comércio exterior. Barbosa (2004) dá uma outra definição mais especifica sobre este sistema, mostrando que ele não se trata de mais uma simples ferramenta, mas que sua sofisticação tem suma importância com relação à realização e ao controle das etapas administrativas de uma exportação. Mas especificamente, poderíamos encarar o Siscomex como sendo um sistema em que ocorre um fluxo sequencial único e consolidado de dados e informações consistentes, articulado através de um sofisticado aparato técnico e instrumental, e destinado a integrar e processar, a um só tempo, as atividades de registro, acompanhamento e controle das diferentes etapas constantes numa operação de exportação de bens e serviço [...] (BARBOSA, 2004, p. 473). Quanto ao acesso, conforme Rebono (2006) é dado somente usuários habilitados que observem normas de segurança que permitem a identificação do usuário, local e horário de acesso e preserva a integridade das informações relativas a transações e rotinas realizadas no sistema.

7 Barbosa (2004) salienta que é através deste sistema, a empresa que deseja efetuar essas transações, poderá obter registros necessários no Registro de Exportadores e Importadores da Secretaria do Comércio Exterior (REI), e também os registros de exportação, venda e de operações de crédito. Segundo Vazquez (2002) esse sistema pode ser considerado como uma sistemática administrativa do comércio exterior brasileiro e integra a Secretaria do Comércio Exterior, Secretaria da Receita Federal e Banco Central do Brasil, onde facilita os processos, pois o que é introduzido ao sistema pode ser facilmente acessado, de modo on line, pelos órgãos já citados e também por outros Ministério da Saúde, Departamento da Polícia Federal, Ministério do Exército - que atuam em situações mais específicas. Se faz importante salientar que o Siscomex tornou o processo totalmente informatizado, de forma a trazer benefícios de redução de custos, confiabilidade, entre outros. Segundo o site Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior (2010a), o sistema tem várias vantagens como: simplificações com relação a documentos e até a eliminação de coleta redundante de dados, maior facilidade para os interessados já que o acesso pode se dar de um computador comum, facilita também com relação as nomenclaturas possibilitando a uniformidade das mesma, e por fim tende também a baixar os custos devido a agilização do processo e as melhorias já citadas. 2.2 Questões Legais e Administrativas da Exportação Quanto à prática de comércio exterior por parte de pessoa jurídica Segre (2006) salienta que deve constar nos objetivos do contrato social que a empresa realiza a importação/exportação. Assim, também, deve possuir cadastro no sistema aduaneiro que controla as empresas com relação ao comércio exterior (RADAR). Segundo Segre (2006, p. 48), um item de relevância é a contratação de um profissional chamado despachante aduaneiro. [...] Ele deve ser cadastrado pelo representante legal da empresa, com a utilização da senha

8 de acesso ao sistema Radar [...]. Este despachante deve ser dotado de vários conhecimentos tanto de legislação como de procedimentos do comércio exterior, pois seu contato com esses itens é bastante amplo. Os Despachantes Aduaneiros preparam e assinam os documentos que servem de despacho aduaneiro, na importação e exportação, verificando o enquadramento tarifário da mercadoria respectiva e providenciando o pagamento dos impostos de importação e sobre os produtos industrializados (atualmente mediante a débito automático), bem como o do imposto sobre circulação de mercadorias, do frete marítimo, rodoviário e ferroviário, da demurrage, da taxa de armazenagem e de capatazias, do adicional ao frete para renovação da Marinha Mercante, etc. Atuam perante vários órgãos públicos vinculados a inúmeros Ministérios do Governo (da Saúde, da Agricultura, da Indústria e do Comércio, da Fazenda e outros), finalizando a obtenção de documentos via Siscomex necessários ao procedimento fiscal aqui referido (licenças de importação, registros de exportação, certificados de origens e de tipos, certificados fitossanitários, fechamento de cambio, entre outros) (SEGRE, 2006, p. 49). Já Cinti (2006, p. 77) destaca uma questão administrativa de suma importância, o câmbio. Cambiar é trocar por definição. O mercado utiliza este conceito agregado ao de moeda (como um meio de troca). O câmbio é expresso em unidades de uma moeda [...]. Sendo assim ele deve ser observado no ato das transações, sua variação pode causar perca ou ganho à empresa que esteja negociando seus produtos ou serviços. Conforme Vazques (2002, p. 183) existe a necessidade do preenchimento da fatura pró-forma que quando assinada pelo comprador significa que o mesmo esta de acordo as negociações, nela são contidas as seguintes informações: Nome do comprador e endereço; Data da referência do comprador e data do pedido; Breve descrição e listagem dos produtos solicitados; Preço de cada item, preferencialmente em dólares dos Estados Unidos; Peso líquido e bruto; Total do volume e dimensões da mercadoria acondicionada para a exportação (fornecer em metros cúbicos); Desconto comercial, se necessário;

9 Local de entrega; Condições de venda: FOB, CFR, CIF (Incoterms); Custos de frete e seguro; Validade da cotação (até tal data, por tantos dias, etc); Total das despesas a ser pagas pelo comprador; Data estimada de despacho de mercadoria (da fábrica, do porto, etc); Data estimada de chegada no porto/aeroporto de destino. O Vazques (2002) discorre também que a partir da fatura próforma é gerado a fatura comercial, que se trata de um documento que comprova internacionalmente a venda da mercadoria, onde também é transferida a posse da mercadoria mas não a propriedade da mesma, ao comprador. São incorporados nela todos os dados descritos na fatura próforme e pode se dizer que semelhante a nota fiscal que circula em território brasileiro. Outra questão administrativa que Vazquez (2002) indica é dos certificados, que segundo ele são documentos emitidos por órgãos do país exportador ou exigidos pelo importador, que podem contribuir para a qualidade e até mesmo imagem do produto, favorecendo as vendas e aquisições, sendo os mais utilizados são o certificado de origem, fitossanitário, de análise e qualidade Processos de Exportação Quando Rodrigues (2007) leva em consideração a internacionalização das organizações, coloca em discussão o fato de que as empresas precisam direcionar-se, de forma bem profissional, para que se crie uma cultura exportadora e caso o mercado interno volte a melhorar não deixe de exportar. Há também, por parte da empresa exportadora, uma necessidade de planejamento com relação aos produtos e serviços, [...] ela deverá definir dentro de sua linha de produtos ou serviços qual ou quais ela exportará e para qual mercado deseja colocar esse seu produto ou serviço (RODRIGUES, 2007, p. 196).

10 Rodrigues (2007) diz que, após a internacionalização da cultura e o planejamento de exportação de produtos ou serviços, a atenção da organização tem que ser voltada a linha de produção onde quase sempre é necessário fazer adaptações para atender as exigências do mercado externo, o que acaba deixando os produtos de forma geral globalizados o que facilita a serem vendidos em diversas regiões e consumidores do mundo. Rodrigues (2007) salienta, também, um outro tópico de grande relevância quando se pensa em exportar que seria a pesquisa de mercado, pois ela pode mostrar as características e tendências do mercado estudado, identifica os compradores em potencial e aponta, também, os aspectos legais e tarifários da economia do país que se pretende trabalhar, o que evitaria desencontros e até mesmo o fracasso dos produtos no exterior. Vazquez (2002) salienta que a pesquisa de mercado e a interação da empresa com o meio internacional pode ocorrer através de feiras, eventos, publicações, artigos, bancos de dados oficiais, estudos de mercados e suas tendências, interação sobre acordos feitos entre os países e suas exigências, tudo isso visando que aconteça o conhecimento do mercado pretendido, visto que cada país tem sua particularidade e sua cultura. É necessário fazer a divulgação do produto internacionalmente, a pesquisa de mercado feita de modo adequado, também ajuda a empresa exportadora, no quesito de marketing, pois como vimos traz informações de legislação e do mercado a ser explorado. Toda empresa que se inicia como exportadora precisa se lembrar de sua divulgação através da propaganda deve ser feita com muita clareza e o máximo de ética, pois o exportador, além de levar em conta as preferências dos consumidores, deve atentar para os problemas ou barreiras que poderão advir de uma pesquisa mal feita. Algumas das barreiras ou problemas encontrados no mercado internacional por não se fazer uma pesquisa adequada são: exigências legais quando se tratar de saúde e segurança, legislação sobre a defesa do consumidor, no aspecto das especificações técnicas do produto, tais como voltagem, durabilidade, dimensão etc., e desempenho e composição do material para sua fabricação, levando em conta durabilidade, resistência, facilidade de manutenção e garantia (RODRIGUES, 2007, p. 198).

11 A pesquisa de mercado também ajuda em outro aspecto, a elaborações de tabelas de valores de venda, mas não é só isso, [...] a fixação de preço de venda de exportação deve ser precedida de um estudo detalhado das condições de mercado, de forma de viabilizar a manutenção do esforço exportador, sem qualquer prejuízo para empresa [...] (RODRIGUES, 2007, p. 204). Ainda com relação à formulação de valores Rodrigues (2007, p. 204) nos alerta para alguns fatores: Devem-se levar em conta alguns fatores que podem auxiliar a empresa na fixação desses preços para exportação que são, a saber: despesas com a exportação, incentivos para exportação, tratamento tributário aplicável nas exportações, financiamento à exportação etc. É importante saber também se existe algum acordo entre os países, e se esse acordo visa somente ao aspecto tecnológico ou dá ao importador a possibilidade de ter os impostos reduzidos ou até mesmo sofrer isenções, como no caso dos acordos entre os mercados comuns. Vazquez (2002) argumenta sobre a importância das negociações com os importadores devido a se tratar de assuntos como: seguro transporte, transporte, armazenagem da mercadoria (que pode ocorrer quando a mercadoria esta disponível a ser embarcada mas o avião/navio não), questões sanitárias, fitossanitárias ou algum outro tipo de barreira ou certificado necessário, documentação e registros necessários a exportação, e finalmente sobre o despacho e forma de pagamento.

12 Tabela 1. Fases do processo de exportação. Mercadológica Comercial Administrativa Aduaneira Recebimentos Elaboração: Ferrarini (apud Vazquez, 2002) Pesquisa de mercado. Tendências de mercado. Exigências técnicas dos países importadores. Embalagens adequadas. Inserir na organização a cultura da internacionalização. Negociação com importador. Obtenção de certificados adequados a situação (ex: certificado de origem, fitossanitário). Obtenção do registro de importaçãoexportação e romaneio para transporte. Fatura pró-forma. Habilitação no RADAR. Preenchimento de registro de exportação. Preenchimento da declaração de exportação. Despacho aduaneiro (conforme cargas e documentos). Podem acontecer de três formas: Cobrança documentária. Ordem de pagamento. Carta de crédito. Vazquez (2002) defende que a melhor forma para o exportador receber, é através da carta de crédito, que se havendo a confirmação de crédito o banco brasileiro assume todas a obrigações em nome do banco estrangeiro e em caso de algum problema entre os bancos o risco é todo transferido ao banco confirmado, pois este tipo de negociação é feita sem regresso, ou seja, quando o exportador apresenta ao seu banco a documentação toda em ordem - que é enviada pelo importado/cliente -, o mesmo pode receber o dinheiro referente a venda da mercadoria/serviço, e a partir daí sua responsabilidade cessa e os tramites ocorrem entre os dois bancos. Conforme Vazquez (2002) há alguns registros ou passos burocráticos a ser seguidos, sendo que muitos deles acontecem através do

13 Siscomex, levando em consideração o tipo de mercadoria/serviço a ser exportado, são eles: Registro de Exportação (RE), trata-se do fornecimento de informações do gênero comercial, cambial e fiscal, sendo que este pode ser considerado o passo inicial da exportação; Registro de Operação de Crédito (RC), apresentação de informações cambiais e de ordem financeira relacionados a pagamentos a cima de 180 dias (exportações financiadas); Registro de Venda (RV), trata-se também do fornecimento de informações do gênero comercial, cambial e fiscal mas relacionados a produtos negociados em bolsas internacionais de mercadorias ou de commodites; Declaração Simplificada de Exportação (DES), pode ser utilizada em substituição do RE, mas somente em casos que o valor não ultrapasse $10.000,00, pessoas físicas e jurídicas tem acesso a mesma; Registro de Exportação Simplificado (RES), também utilizado em transações até $10.000,00, com cobertura cambial e embarque imediato, tendo cinco dias para o mesmo após a emissão do RES; Despachos Aduaneiro de Exportação, acontece quando é feito a solicitação de despacho, através do Siscomex, é um documento fiscal para que haja o desembaraço da mercadoria no exterior. 2.3 Principais Barreiras em Exportar para as Organizações Brasileiras Ao se tratar de barreiras Rodrigues (2007, p. 195) deixa claro que na área de exportação a dificuldades por fatores internos e externos das organizações que podem complicar o fechamento de contratos e de transações. Sendo eles: Cultura, habito, tarifas, legislação e falta do completo domínio da língua do país com que esta se negociando Tarifas Conforme Carvalho e Silva (2006) as tarifas eram utilizadas no passado como importante fonte de capitação de recursos para os governos, o que continua sendo ainda hoje em países menos desenvolvidos, isso em muitos casos acontece devido à tributação ser mais fácil e menos burocrática do que a tributação de renda ou consumo, visto que a mesma é aplicada sobre as importações, sendo assim é só controlar a entrada de mercadorias no país.

14 Carvalho e Silva (2006) defendem que apesar de uma tarifa poder ser fonte de arrecadação para o governo seu objetivo primário é inibir a entrada de determinados produtos em um país, para que haja uma proteção do mercado interno deste produto e se elimine/amenize a concorrência externa. Isso pode ser feito de três maneiras: Especifica, ou seja, quando se cobra um valor por unidade importada independente do preço do produto; Ad valorem, onde se calcula uma taxa ou porcentagem em cima do valor do produto; Mista, aqui o produto recebe a cobrança de um valor por unidade e um percentual sobre seu preço. Quanto à tarifação no Brasil Carvalho e Silva (2006, p.56) dizem que no passado, o governo brasileiro impunha tarifa específica sobre o comércio. Com a reforma tarifária de 1957, o sistema predominante passou a ser do tipo ad valorem[...] em particular pela maior facilidade de administração. Krugman e Obstfeld (1999) chamam a atenção para duas situações que são criadas através da tarifação, o custo e o beneficio. Para o país importador os valores da mercadoria irão subir e para o exportador o valor interno do produto irá baixar, isso faz com que no país importador os clientes irão deixar de consumir o produto em específico o que tende a ter efeito contrário no país exportador Barreiras técnicas e/ou não-tarifárias Lima (2005) discorre que esse tipo de barreira surgiu por volta de 1964 a 1979 onde ocorreram as rodadas de negociações de Kennedy e a de Tóquio, cujo tema focado era o de eliminação das barreiras não-tarifárias, o regulamento lá tratado passou a ser chamado de Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio ou Standards Code, que veio a suprir as deficiências deste assunto existentes no GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio). Long (2003) expõe as barreiras técnicas como sendo medidas distintas administradas por diferentes organismos que abrangem diversos aspectos, as mesmas são móveis, ou seja, podem mudar constantemente em seus tipos de exigências. Ao se tratar de produtores de médio porte ou mais simples, situações como essas podem ser expostas como barreiras de grandes

15 dificuldades ou quase aparentemente impossíveis de serem vencidas, visto a experiência exigida, pois são assuntos como qualidade de produtos, aspectos sanitários, saúde, segurança, meio ambiente, entre outros. Barreiras técnicas podem refletir condições complexas, difíceis de entender ou respeitar por produtores modestos, se não contam com uma assessoria técnica sobre o assunto. Para empresas com experiência em comércio internacional, disposições de tipo tarifário, ao contrário, costumam exigir menos conhecimento tecnológico. Além disso, são mais calculáveis (LONG, 2003, p. 390) Conforme Gonçalves (2003) no Brasil o meio ambiente esta sendo prejudicado, o mesmo sita como exemplo a questão da exportação do fumo em folhas em 1999 que chegou a estar no 11 lugar na pauta dos produtos mais importantes da exportação do país, só que o problema é que para seu cultivo é necessário a aplicação de um determinado inseticida que é proibido no Brasil, mas a legislação específica acaba não sendo aplicada ou em caso de ser acontece de maneira precária. O autor ainda salienta que o Brasil pode sofrer futuramente problemas no cenário internacional relacionados ao meio ambiente e que podem ocorrer situações de dumping, expondo que o meio ambiente brasileiro deve ser levado a sério devido a sua considerável importância por seu [...] porte continental, sua extraordinária dotação de recursos naturais, sua energia nas exportações e o histórico de degradação ambiental [...] (GONÇALVES, 2003, p.79). Lima (2005) salienta que este tipo barreira é interessante quando se trata da resguarda de bens jurídicos importantes dos países membros, mas ressalta quanto ao protecionismo, que pode ocorrer quando essas barreiras não são pautadas em fundamentos que a justifique, ou seja, quando são adotadas para proteger interesses de um país e não para manter em ordem alguns itens como: a segurança nacional, o meio ambiente, os consumidores, a saúde e a vida humana, animal e vegetal. O mesmo autor (2005) alerta para o fato da necessidade da consideração de evidências cientificais para se justificar a aplicação dessas barriras, isso para controle, visto que os países podem utilizá-las conforme as normas da OMC (Organização Mundial do Comércio) ou as nacionais, segundo

16 que na segunda pode ocorrer protecionismo Medidas sanitárias e fitossanitárias Lima (2005) define medidas sanitárias e fitossanitárias como um instrumento para proteger a vida humana, animal e vegetal. A medida sanitária é uma barreira não-tarifária, por exemplo, caso haja o risco de febre aftosa no país exportador o país importador pode barrar a compra da carne. Medidas fitossanitárias cuida da saúde das plantas, onde pode ocorrer mudanças ou especificações na produção, ou algum tipo de embalagem e/ou transporte específico para o determinado tipo de produto, pode haver também aqui a proibição da entrada de alguns alimentos, por parte do país importador. Segundo o site Icone Brasil (2010d) afim de regulamentar essas medidas a OMC após a Rodada do Uruguai (GATT), instituiu o acordo SPS que trata de algumas exceções ao livre comércio e também restrições a fim de proteger a saúde humana, vegetal e animal dentre os países participantes. Essas medidas destinam-se a: a) proteger a vida ou a saúde animal ou vegetal dentro do território de um Membro, dos riscos procedentes da entrada, estabelecimento ou disseminação de pestes, doenças ou organismos hospedeiros ou causadores de doenças; b) proteger a vida ou a saúde humana ou animal dentro do território de um Membro, dos riscos procedentes de aditivos, contaminantes, toxinas, organismos causadores de doenças vindos de alimentos, bebidas ou suprimentos alimentares; c) proteger a saúde ou a vida humana, dentro do território de um Membro, dos riscos procedentes de doenças causadas por animais, plantas ou produtos desses, ou provenientes da entrada, estabelecimento ou disseminação de pestes; d) prevenir ou limitar outros danos dentro do território de um Membro, provenientes da entrada, estabelecimento ou disseminação de pestes. O site Icone Brasil (2010d) defende que, existe um pré requisito a esta medida, um Membro da OMC afim de proteger seu território pode aplicar-la, somente quando cientificamente justificáveis. É necessário a verificação dos riscos no caso da entrada da mercadoria, levando em consideração também as potenciais conseqüências biológicas e econômicas.

17 Para que aconteça essa analise foram criados padrões internacionais onde são indicados limites máximos de resíduos para determinado alimento, critérios que determinam um local livre de determinada doença e também cuidados para se evitar a transmissão de pestes e doenças, são permitidos padrões próprios entre os países membros, desde que se justifique a necessidade. O site Icone Brasil (2010d) expõe que antes de uma medida sanitária ou fitossanitária entrar em vigor, o país tem que notificar o Comitê do SPS, e publicar seus padrões afim dos demais países membros tomarem conhecimento, podendo ou não ser passível de comentários e tempo para adequação as novas regras. Há medidas emergenciais para casos extremos de surtos de determinadas doenças, como por exemplo, a vaca louca, que podem não passar por este processo Medidas atidumping Amaral (2004) relata dumping como a venda de produtos similares, por uma empresa internacional, em um determinado mercado com valores inferior aos trabalhados por uma empresa nacional, causando prejuízo a mesma e até mesmo a setores da economia nacional. As medidas antidumping são aplicadas no intuito de ser barreiras a empresas que pretendem agir de forma desleal, onde para dificultar a importação pode haver um aumento de taxas/alíquotas, onde a indústria/comércio interna acaba sendo de certa forma compensada. Segundo Icone Brasil (2010a) nos casos em que se suspeita de duping, o direito antidumping será baseado na diferença entre o preço de exportação praticado por aquela(s) empresa(s) e o valor normal das vendas no seu país de origem, conferindo o direito à imposição de taxas antidumping (antidumping duties). Icone Brasil (2010b) faz a observação de que deve haver uma verificação detalhada dos cálculos e das vendas do país suspeito, se ai comprovado o dumping podem ser aplicadas as taxas e medidas necessárias contra o país praticante. As taxas podem ser cobradas sobre o produto importado a fim de equiparar o valor e amenizar se não sanar os prejuízos causados pelo dumping.

18 2.3.4 Medidas compensatórias Segundo Amaral (2004), medidas compensatórias são utilizadas quando uma indústria de um país é prejudicada comercialmente por subsídios, ou seja, contribuições financeiras, que foram autorizados a uma indústria de outro país, havendo assim a possibilidade de revogação desta autorização, ou então ser compensado através de medias o prejuízo sofrido para que seja neutralizado o subsídio concedido. Segundo Icone Brasil (2010c) trata-se de um mecanismo de defesa utilizado pelo país que sofre os prejuízos, onde o governo pode [...] impor uma sobretaxa tarifária especial ao produto importado objeto da investigação, visando a compensar os prejuízos causados à economia em função daquelas práticas ilegais de comércio[...]. Para a imposição desta medida é necessário também que seja realizada uma investigação detalhada onde se constate a concessão de subsídios e os danos as industrias domésticas Medidas de salvaguarda São aplicadas conforme Amaral (2004, p. 105) quando os países cujas industrias foram prejudicadas encontra-se ameaçadas por um surto imprescindível de importações podem aumentar a tarifa de importação ou estabelecer restrições quantitativas (quotas) para a importação de determinado produto. O mesmo autor também indica que a medida pode ser compensada ao país exportador com a redução de tarifas de outros produtos. Amaral (2004) discuti a diferença entre as medidas antidumping e compensatórias com relação à de salvaguarda. Defende que ao contrário do que ocorre nas duas primeiras medidas, na salvaguarda a prática comercial é leal, mas o que deve ser controlado é o aumento significativo de importações de determinado produto para que não haja prejuízo a economia interna. Conforme Icone Brasil (2010c), indica que existe uma outra diferença com relação as salvaguardas, [...] são aplicadas a todos os

19 Membros da OMC indistintamente, enquanto os direitos antidumping e medidas compensatórias são aplicados a empresas ou países específicos que foram objeto de investigações [...]. Em caso de aplicação, deve-se respeitar o prazo máximo de aplicação dessa medida que é de três anos, o que pode ser negociado entre os países Cotas de importações Segundo Krugman e Obstfeld (1999) cotas de importação são restrições de maneira direta a quantidade que é importada de um produto, onde são emitidas licenças a determinados indivíduos ou empresas, ou seja, somente os licenciados poderão comprar o determinado item. É importante salientar que cotas da mesma forma que em tarifas elevam o valor do item, a menos que haja um monopólio nacional que consiga segurar os preços. Para o governo a cota não o beneficia, devido a não obtenção de impostos para a entrada do produto. 3 CONCLUSÃO Através da realização deste trabalho, observou-se em algumas referências, importantes praticas do comércio internacional, acreditando-se que o mesmo pode ser ferramenta útil para empresas que operam na área e/ou trabalhos futuros, das quais são relacionadas a seguir. Quanto às questões legais e administrativas da exportação apresentadas neste trabalho, verificou-se que para empresas exportarem de maneira legal deve haver cadastros em sistemas do Governo como, por exemplo, o Siscomex. Ainda foram apresentados alguns itens que tendem a auxiliar para evitar a pedca de tempo e custos desnecessários, sendo eles: despachante aduaneiro, observar no ato da transação a questão do cambio, preenchimento da fatura pró-forma, obtenção de certificados, entre outro. Os processos de uma venda no exterior são bem semelhante a uma no mercado interno, nos requisitos mercadológicos, comerciais e administrativos. O que se destaca é que uma empresa ao se decidir a exportar tem que se internacionalizar, a fim de a exportação aconteça de melhor

20 maneira possível e assim obtendo o sucesso almejado. Constata se também, que existem muitas barreiras com relação às exportações, são impostas em alguns casos por estarem ligadas em questões políticas como, por exemplo, a barreira antiduping. Ou seja, acabam sendo utilizadas de maneira errada e assim prejudicando o país exportador. De contra partida existem também as barreias que protegem países de entrada/saídas de doenças/epidemias. Várias dificuldades de relacionamento e comercialização entre o Brasil e outros países estão presentes, conclui-se, entretanto, devido a organizações realizadas na economia mundial e interna possuímos potencial promissor. Faz-se necessário lembrar que este tema depende da economia mundial e seus reguladores, que podem sofrer alterações e mudar totalmente o quadro econômico de um país. Apesar de ainda existirem limitações referentes a literaturas sobre o assunto no âmbito nacional, o tema é bastante amplo e dinâmico, possibilitando desenvolver novos estudos sobre os processos e novas tendências das exportações brasileiras, sistemas de informações utilizados em processos aduaneiros e importações realizadas por organizações do Brasil. REFERÊNCIAS AMARAL, Antonio Carlos Rodrigues do. Direito do comércio internacional: aspectos fundamentais. São Paulo: Aduaneiras, BARBOSA, Paulo Sérgio. Competindo no comércio internacional: uma visão geral do processo de exportação. São Paulo: Aduaneiras, BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em : stro.html. Acesso em: 15 agosto 2010a. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em : Acesso em: 03 maio 2010a.

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