Editorial. A forma urbana, espaços livres e territórios dispersos em Iporá-GO AULA DE CAMPO NA CHAPADA DOS VEADEIROS

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1 Universidade Estadual de Goiás Edição 06 Iporá, setembro/outubro de 2014 ISSN: A forma urbana, espaços livres e territórios dispersos em Iporá-GO AULA DE CAMPO NA CHAPADA DOS VEADEIROS LINGUAGEM, PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO Editorial PRIMEIRAS NOÇÕES SOBRE ANÁLISE DO DISCURSO 5 CULTURA NO CURRíCULO ESCOLAR E A FORMAÇÃO HUMANA 6 NOTAS SOBRE O CURSO: LETRAMENTO, PRODUÇÃODE SENTIDOS E ESCRITA 7 DOCENTE DO CÂMPUS DE IPORÁ 8 REALIZA ESTÁGIO SANDUÍCHE NO CANADÁ A Universidade Estadual de Goiás passa por um momento de transformação. Os indicadores internos da instituição melhoram e a avaliação externa mostra sinais de avanço. No ranking promovido pelo Jornal Folha de São Paulo, publicado no dia 08 de setembro, a UEG avançou 40 posições em relação a última avaliação feita em No âmbito interno, a Universidade realizou uma avaliação de todos os seus cursos de graduação. A avaliação foi desenvolvida pelo Grupo de Trabalho de Política de Oferta e Demanda de Vagas, ligado à Pró-Reitoria de Graduação. Uma avaliação preliminar, em relação ao documento final, relatório do GT, indica uma nova postura da universidade: 1º o documento pouco foi contestado, em seus resultados, pelos membros do Conselho Universitário; 2º não foi necessário distribuir o documento para a grande mídia, promovendo um alarde na comunidade acadêmica para depois cair no esquecimento, como já ocorreu com outras tentativas de avaliação interna; 3º o documento já provocou reações positivas em relação a diretrizes de oferta de vagas na UEG. Em relação à avaliação propriamente dita, alguns resultados merecem destaque: foram usados cinco (5) grupos de avaliação. Cada grupo com uma faixa de nota: grupo 1, notas de 0,0 4,9; grupo 2 notas de 5,0 5,9; grupo 3, notas de 6,0 6,9; grupo 4, notas de 7,0 7,9 e grupo 5, notas de 8,0 10. O resultado mostra que apenas um (1) curso está inserido no grupo 1, trata-se do Curso de Licenciatura em Informática do Câmpus de Sanclerlândia. No grupo 2 estão inseridos quarenta e um (41) cursos de graduação, destes dezenove (19) são cursos de licenciatura e treze (13) tecnólogos. No grupo 3 estão inseridos cinquenta e sete (57) cursos. No grupo 4, são trinta e um (31) cursos. No grupo 5, estão apenas quatro (4) cursos de graduação, sendo três (3) bacharelados e um (1) de licenciatura. A UEG tem trinta e cinco (35) cursos com problemas de demanda, destes 77, 1% são de licenciaturas. No Câmpus de Iporá os problemas mais graves estão relacionados a demanda e as suas consequências. Nossos cursos em sua maioria estão no grupo 2. Do relatório apresentado ao CsU/Reitoria surgiram alguns resultados práticos. Foram suspensos os vestibulares de quatro (4) cursos de graduação, algo inédito na UEG e no ensino superior público brasileiro. Para os cursos avaliados com baixo desempenho foi acordado no CsU sessão 85º, e posto em resolução um protocolo de compromisso dos gestores responsáveis pelas graduações da UEG (Coordenação de Curso, Colegiado de Curso, Direção do Câmpus e Administração Central) com superação das deficiências identificadas pelo grupo de trabalho nos referidos cursos. A sorte foi lançada e a lógica da zona de conforto ruiu. É necessário encarar a avaliação com seriedade e promover uma ampla discussão de nossas deficiências e qualidades, com o objetivo fim de oferecer cursos que possam formar cada vez melhor. Prof. valdir specian

2 A forma urbana, espaços livres e territórios dispersos em Iporá - GO Prof. Gustavo Zen de Figueiredo Neves Geografia A forma da cidade brasileira não possui uma padronização apesar de apresentar características comuns. O desenho da malha urbana de Iporá está intimamente ligado ao seu processo de produção, que segundo o historiador Gomis, foi pensado no período de sua fundação. Na década de 1940, Israel de Amorim, o fundador da cidade, contratou dois engenheiros da capital Goiânia para elaborar um projeto urbanístico com ruas e avenidas virtuosas com canteiros centrais, praças e jardins para usufruto da população. A mancha urbana da cidade de Iporá, segundo o arquiteto Silvio Macedo, é classificada como mista, pois o primeiro período de ocupação da cidade foi o traçado ortogonal e homogêneo, com quadras formadas por áreas não edificadas no fundo e frente dos lotes. Ou seja, compacta. Com o aumento da população, nas décadas seguintes, a cidade tomou uma forma tentacular, estruturada por um núcleo central compacto do qual irradiam braços de urbanização ao longo do eixo viário e dos corpos d'água. A cidade apresenta elementos de tendência a fragmentação e dispersão, traço que identifica os territórios contemporâneos, a ruptura das continuidades urbanas, dos núcleos de atividades de apropriação da população e desagregados do ponto de vista funcional. O traçado do eixo rodoviário que perpassa a malha urbana da cidade impulsionou o espalhamento desta sobre o espaço terrestre, a disseminação de formas construtivas como condomínios residenciais populares na região Norte e Oeste; centralidades no comércio e serviços em nichos urbanos ao longo dos setores Nordeste/Sudoeste, nas Avenidas Rio Claro, XV de Novembro, Pará, R2 e prolongamento da Rua Serra dos Den. A dispersão dos territórios é notadamente identificada na fachada Norte, Nordeste e Leste da cidade, respectivamente nos bairros Novo Horizonte, Monte Alto e Vila Brasília, com a formação de espaços livres não consolidados, ausentes de edificação, que margeiam alguns dos principais córregos da cidade e o eixo rodoviário. Ressalta-se a importância que os espaços livres urbanos possuem na articulação com a cidade. São elementos como as ruas, calçadas, edifícios, parque municipal e suas relações com a preservação da dinâmica ecológica, a manutenção de monumentos naturais como lagoas, quedas d'água e áreas de preservação permanentes urbanas para apropriação e práticas sociais (Figura 1). O esboço e concepção do presente texto é parte de um projeto temático intitulado "Sistemas de Espaços Livres Urbanos e a Constituição da Esfera Pública Contemporânea no Brasil", coordenado pelo Laboratório de Paisagismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Iporá, Goiás. O ACADÊMICO Iporá, setembro/outubro

3 PROFESSOR DA GEOGRAFIA MINISTRA AULA DE CAMPO NA CHAPADA DOS VEADEIROS O professor Flávio Alves de Sousa promoveu uma importante aula de campo sobre Geomorfologia e Pedologia, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com as turmas do 3º e 4º ano de Geografia do Câmpus de Iporá. A aula teve por objetivo mostrar na prática como são os processos geomorfológicos e quais os resultados da ação dos fatores internos e externos do planeta na configuração do relevo terrestre. A geomorfologia da região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros apresenta caráter sui generis, em termos de fisionomia, tornando possível entender melhor o embate das forças tectônicas e climáticas na formação da paisagem. Aproveitou-se ainda a visita ao local para constatar a relação entre o relevo e a formação dos solos, bem como para avaliar algumas características físicas do solo, mediante experimentos de campo. LINGUAGEM, PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO Prof. Alan Oliveira Machado Letras Para Lacan, a linguagem e sua estrutura são preexistentes à entrada de cada indivíduo num dado período de seu desenvolvimento mental. Por aí, inevitavelmente, concluímos que o homem é um ser de linguagem. Essa afirmação envolve-nos em uma série de questões cujas respostas nem sempre atendem a expectativas que rondam a compreensão de que os processos educativos atingem ou atendem aos melhores propósitos da civilização. O primeiro problema a observar é que, sendo o homem esse construto simbólico, movido por variáveis movimentos pulsionais, não seria possível sustentar ou prever até que ponto certos encadeamentos de significantes, certas narrativas de envolvimento e enquadramento numa ordem social conseguiriam tensionar esses movimentos oriundos das profundezas psíquicas (FREUD. Vol. VII, XIV, XIX, XXIII, 1986) de modo a sustentar um processo de educação ideal, sem furos. Ocorre que a prevalência do inconsciente na base de estruturação do campo simbólico tira do homem a sua primazia sobre o que diz, o que quer e o que compreende de tal forma que, a depender do arranjamento pulsional, quase sempre onde ele está ele não é o que é e não sendo, provavelmente a teia simbólica na qual está enredado pelas trilhas do desejo cedo ou tarde se rompe. Essa ruptura coloca o homem numa deriva, a de sempre, só parcialmente dissipada por arranjos simbólicos substitutivos que prefiguram, por sua natureza parcial, o acossamento pela insatisfação, por um malestar persistente. Por uma questão de lógica, não podemos ignorar que esse processo ocorre de modo denso no âmbito educacional. Afinal, é a educação 3O ACADÊMICO Iporá, setembro/outubro 2014

4 4O ACADÊMICO Iporá, setembro/outubro 2014 que procura ajustar as arestas dos sujeitos assim configurados dentro de uma ordem de civilização o que pressupõe uma ética e um modo de implicação com a realidade não necessariamente em convergência com o destino das pulsões. Nessa seara, a perspectiva adotada por Lacan, ao convocar as contribuições da linguística, propicia um redimensionamento da reflexão freudiana. A teoria freudiana, calcada na ideia de inconsciente, toma o campo da fala como lugar fundamental de observação de seu objeto e desenvolve um modo peculiar de observá-lo monitorando e analisando a linguagem, seus deslocamentos e condensações, seja nas manifestações oníricas, seja ouvindo ou acompanhando a escrita. Lacan, nesse caminho, busca promover a tese segundo a qual o nascimento da linguagem, a utilização do símbolo, operam uma disjunção entre a vivência e o signo que lhe vem substituir. Essa disjunção interessa-nos, pois é nas fissuras que ela provoca, nos paradoxos que ela cria que surgem os questionamentos sobre a integridade do sujeito, sobre as limitações representativas da linguagem, sobre as possibilidades de uma ética da educação que não a envolva em um engodo pernicioso. Sustentar a existência do inconsciente produz uma série de implicações demolidoras. Uma delas diz respeito ao domínio sobre o saber, sua validade, outra sobre a centralidade do sujeito uma vez que este no pensamento que Lacan enlinha ao de Freud não é mais que produto de uma teia simbólica tecida a partir do inconsciente, sem acesso propriamente à matéria de sua constituição e sem controle real das forças que atuam em sua materialização. O resultado disso é que nos encadeamentos simbólicos e nas narrativas que fiamos como lugar da civilidade, do possível de um tipo de ser humano ideal sempre emergem forças que fazem esses encadeamentos e narrativas falharem, condicionando o humano à inconstância, rondada sempre pela insatisfação. Em 1930, Freud publicou o O mal-estar na civilização um ensaio vertical que procura refletir sobre se há possibilidade de satisfação plena para a humanidade ou se essa empresa humana está fadada à frustração, devido por um lado ao que ele identifica como um pendor inerente para a agressão presente na constituição humana: uma parte do instinto é desviada no sentido do mundo externo e vem à luz como um instinto de agressividade e destrutividade (FREUD, 1974) e por outro à impossibilidade do prazer pleno sem implicar ou a destruição do indivíduo ou um seguido dissabor produzido pelo processo de materialização desse prazer. Toda a reflexão de Freud nesse ensaio é atravessada pela concepção de uma força psíquica que se manifesta sob dois desígnios: princípio do prazer (PP) e princípio da realidade (PR), que ora se antagonizam, ora se complementam sempre na tangência de um mesmo processo. O princípio do prazer empurrando para a satisfação das pulsões e o PR pressionando, cercando, barrando ou reconfigurando o PP de modo a impedir a satisfação total, que significaria um desvio perigoso da realidade, da funcionalidade da vida ou mesmo sua destruição, uma vez que o PP por si só não se separa da precariedade que é o aparelho psíquico. De certo modo, Freud nos faz crer que é nesse jogo de impulso ao prazer e interdição ou reinvestimento desse impulso que se assenta a civilização e mais: se o mundo civilizado não pode prescindir dos mecanismos de repressão para se constituir como tal, também não pode se livrar da insatisfação do indivíduo. Por mais que o princípio do prazer opere com deslocamentos e trilhos de compensação, o prazer acaba sempre parcial o que não livra o indivíduo do mal-estar, da sensação de que a plenitude do seu gozo está sempre fora do alcance. Nesse sentido, Lacan (1991) nos diz: a função do princípio do prazer é fazer com que o homem busque sempre aquilo que ele deve reencontrar, mas que não poderá atingir. Instaura-se nesse entroncamento um paradoxo que se desdobra e se replica tanto no macrocosmo quanto

5 no microcosmo. Assim, há um desencontro entre a realização plena do desejo do indivíduo e a manutenção de sua integridade física e há um visível desencontro entre os propósitos mais íntimos do indivíduo e os da civilização. Se o propósito mais visceral do indivíduo é realizar o seu desejo e alcançar o prazer pleno, certamente ele encontrará barreiras muito sólidas na civilização e isso paradoxalmente porque o propósito mais inerente da civilização é proteger a espécie, portanto, o indivíduo, embora num plano secundário Se o princípio do prazer e o princípio da realidade atravessam a constituição do sujeito, apontando esse paradoxo que é ser o indivíduo em busca da realização de seu desejo uma ameaça à civilização e a civilização uma necessidade para a preservação do indivíduo, no cerne desse paradoxo Lacan sustenta que na constituição do ego, do sujeito, há sempre algo que sobra, há sempre um resto incômodo que lança suas sombras ou anuncia o vazio de sua ausência presente, um resíduo para além do princípio do prazer, da ordem do que o psicanalista francês chama de das Ding ( a Coisa), algo que ele nomeia como o forado-significado. Essa Coisa não entra na ordem simbólica, apenas podemos vislumbrar os vincos que faz em uma ou outra palavra, em um ou outro encadeamento significante. E todo discurso aí é um discurso sobre a Coisa que está e nunca está. Eis que nos vemos novamente diante do paradoxo. O sentido é a realização do prazer é a concretização do gozo, mas o sentido de ser isso é o seu contrário. A plenitude está na Coisa, mas a coisa não é possível no mundo simbólico, a Coisa é a ausência desse mundo, a coisa é o fim do eu que é resultante da instituição desse mundo. O desafio que, como educadores, temos pela frente é o seguinte: como situar a educação na ordem desses paradoxos, como extrair da ordem simbólica um trilho ético que alcance a complexidade do sujeito? PRIMEIRAS NOÇÕES SOBRE ANÁLISE DO DISCURSO Juliana Minotto - 4 ano de Letras A Análise do Discurso (AD) é um campo interpretativo, mas não pratica a interpretação de forma aleatória, uma vez que a AD segue um dado rigor científico. Então, como são feitas essas interpretações? Como lidar com esse campo que é, ao mesmo tempo, movente e fixo? Esse rigor cientifíco são as obrigações teóricas, que seriam os campos fixos de interpretação. Mas, mesmo que haja determinado rigor, existe a possibilidade de o analista do discurso se mostrar naquilo em que ele interpreta. Segundo o professor Cleudemar Fernandes (2005), o termo Discurso (...) é constantemente utilizado para efetuar referência a pronunciamentos políticos, a um texto construído a partir de recursos estilísticos mais rebuscados, a um pronunciamento marcado por eloquência, a uma frase proferida de forma primorosa, à retórica, e muitas outras situações de uso da língua em diferentes contextos sociais. Discurso é assim uma palavra que tem uma infinidade de significados. Discurso pode ser um pronunciamento, pode ser uma discussão, um diálogo. Mas, para a AD, o termo discurso tem uma característica que difere de outras concepções. Ele vem romper essa noção clichê que as pessoas costumam ter sobre discurso, que não é diferente de palavra. Para a Análise do Discurso de origem francesa, o discurso é exterior à língua, mas necessita dela para se manifestar. Podemos pegar como exemplo a palavra democracia, que é uma materialidade, faz parte da língua. A palavra em si não constitui um discurso. O discurso são esses efeitos de sentido que irão atravessar essa palavra. Sentido é diferente de significado. Sentido está relacionado ao campo da semiótica (com que está sendo falado, enunciado) e significado está relacionado ao campo da semântica (ordem da língua). Como é ano de eleições, podemos retomar a palavra democracia como exemplo. Quando se tem essa palavra enunciada por um sujeito do Partido dos Trabalhadores (PT), será possível 5

6 perceber que a palavra democracia não terá o mesmo sentido caso seja enunciada por um sujeito filiado ao PSDB. Esses sentidos são discursos que atravessam essa palavra, constituídos a partir dos sujeitos e do contexto situacional e histórico em que estão inseridos. Sendo assim, discurso são os efeitos de sentidos entre interlocutores, porque a mesma palavra pode mudar de sentido de acordo com o sujeito que enuncia e do lugar que surge no jogo interlocutório. É por meio do discurso que se estabelece uma relação entre um sujeito e um discurso maior como, por exemplo, o da religião, da política, da filosofia, da literatura. O que dizemos e o que pensamos só se torna possível por meio de signos. O signo não é só palavra, ele pode ser uma imagem também. O discurso não atravessa apenas a fala, pode atravessar também uma roupa, um gesto, uma cor. Todo discurso é determinado por um contexto histórico, então, encontraremos vozes saturadas de ideologias nos signos em uso. O papel do analista do discurso é identificar e interpretar essas vozes que, discursivamente, atravessam o objeto de análise. CULTURA NO CURRíCULO ESCOLAR E A FORMAÇÃO HUMANA Prof ª Núbia Cristina dos Santos Lemes Matemática O ACADÊMICO Iporá, setembro/outubro O que inserir nos currículos escolares? Essa pergunta pode envolver diferentes respostas, a depender do teórico consultado, porém numa coisa os mais variados pensadores se igualam: o currículo deve fazer alusão à cultura. Aqui nos deparamos com um conceito recorrente, desde os anos iniciais escolares, mas que alguns de nós temos dificuldades em defini-lo. Diante das preocupações que essa discussão enseja, decidi compartilhar um conceito a partir da palestra do professor Newton Duarte, ministrada para professores da rede pública de um município do Estado de São Paulo. Para Newton Duarte, a cultura nasce quando o ser humano começa a transformar a natureza, produzindo aquilo que necessita para viver. Cultura está relacionada ao cultivo da terra, envolve a relação entre o ser humano, a natureza e o social, quando o homem produz instrumentos que nela não se apresentavam. Por exemplo, uma pedra pode simplesmente existir na natureza, mas quando o homem lasca a pedra e a usa como uma lança, ele está transformando a natureza. Temse então, na atividade humana a produção de cultura primitiva do objeto natural a objeto social. O avanço na cultura se dá quando o homem produz a sua própria lança. Cultura é então atividade humana acumulada. Por exemplo, a linguagem é atividade humana acumulada. Conhecimentos compõem cultura, são representações simbólicas do mundo. É uma objetivação humana. É o acúmulo de atividade no objeto, aquilo que se transforma do sujeito para o objeto. E quando o homem se apropria de cultura, daquilo que outros já produziram ele está fazendo apropriação, está aí o conceito do subjetivo. Na apropriação do que já foi produzido há a mediação. Ela constitui forma de incorporação da cultura acumulada de um ambiente transformado por outras gerações passadas. Desse modo, o social se funde ao cultural e juntos carregam a afirmação de que o ser humano é histórico, pois cultura e sociedade estão em permanente transformação. Por isso mesmo não temos como nos apropriar de toda a experiência humana acumulada. Quando muito alcançamos suas sínteses. Um livro, por exemplo, é um portador de atividade pensante, objetivada no texto, daí o sujeito que lê esse livro incorpora, se apropria sinteticamente da atividade pensante ali contida que se transforma em atividade pensante sua. É pela cultura que o indivíduo se relaciona com a sociedade. O currículo então é produto, síntese da história, entretanto sua incorporação tem que ser viva. Diante dos processos de conquistas históricas da humanidade poderíamos ser indivíduos mais desenvolvidos, com uma vida que tivesse mais conteúdo e sentido, contudo isso não se concretiza para a grande maioria da humanidade. Eis o ponto de partida para se pensar a

7 elaboração dos currículos escolares. Devemos atuar na escola para socializar o conhecimento e não reproduzir um cotidiano alienado. Devemos tentar alterá-lo sempe. A escola não está distante do cotidiano, ela não está produzindo rupturas da alienação. A escola está distante da riqueza acumulada pela sociedade. Ela está próxima à vida limitada e alienada. Só reproduzir não basta, quando não produzimos transformação, não criamos algo novo, superior. Os conhecimentos na escola deveriam promover mudanças nos indivíduos, ampliação de perspectivas e aprofundamento de rupturas, na direção de incorporar riquezas produzidas pela humanidade, superando-a, elevando-a ao nível superior, predispondo-a à produção de novos conhecimentos. Nosso trabalho, assim, é ensinar conhecimentos na sua forma mais desenvolvida. Nesta sociedade das ilusões, a atividade central do professor é vivenciar e produzir cultura, é formação humana. NOTAS SOBRE O CURSO LETRAMENTO, PRODUÇÃODE SENTIDOS E ESCRITA Prof. Guilherme Figueira Borges - Letras Nos seus Escritos sobre Educação, Nietzsche, ao questionar o papel de Schopenhauer como educador, pondera que vivemos o período dos átomos, do caos atômico, dizendo de outro modo, vivemos o período do heterogêneo, do múltiplo, da mudança, de uma efervescência histórica que instaura, continuamente, e a contragosto dos sujeitos, relações outras de poder. Esse caos atômico se manifesta, tensivamente, na escola ou talvez tenha na escola ou, mais precisamente, na educação, a sua razão de existência fato que é sentido na pele, não sem produzir sintomas, pelos professores. Faz-se necessário, portanto, incidir na constituição dos sujeitos professores, através do saber, de modo a interpelá-los a aceitar esse caos e afirmá-lo na formação dos alunos. No bojo da problemática elencada, o curso de especialização Letramento, Produção de Sentidos e Escrita nasceu de um desejo de se contribuir com a formação continuada dos egressos dos cursos do Câmpus Iporá e dos professores da rede municipal e estadual de ensino. O projeto está, nesta primeira edição, sob minha coordenação, mas foi discutido e escrito com a participação singular dos professores Alan Oliveira Machado e Liliam Oliveira. Convém mencionar, por um lado, que este curso só se tornou possível a partir do envolvimento de vários setores da unidade. Nesse sentido, imprescindível é agradecer: aos funcionários da secretaria por receber as inscrições e fornecer informações aos candidatos; à Marineide e à Vanusa por viabilizarem a confecção dos materiais e a disponibilidade das salas; à Karla Angélica por trabalhar na arte do curso e no design do material fornecido aos alunos; especialmente, ao diretor da unidade, Valdir Specian, que não poupou esforços para que o projeto fosse protocolado na Próreitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Por outro lado, convém mencionar que o curso emerge, na história da UEG, Câmpus Iporá, com uma série de fragilidades que não posso deixar de mencionar: i) falta de um anfiteatro para os eventos do curso, fato que obrigou a aula de abertura ocorrer no anfiteatro do IFGoiano; falta de infraestrutura básica como, por exemplo, salas climatizadas, Data-Show e computador; mais de 90% dos livros que constam nas referências básicas e complementares não fazem parte do acervo da biblioteca do Câmpus Iporá (apesar de eles já terem sido pedidos nos anos de 2012 e 2013). Apresentar essas fragilidades é relevante na medida em que se aposta, também, na formação política dos alunos. Nesse sentido, a coordenação do curso espera que os discentes nos ajudem a cobrar, de uma reitoria que tem sido negligente com o Câmpus Iporá, melhorias estruturais (a partir da implementação de reformas e ampliação das salas), bibliográficas O ACADÊMICO Iporá, setembro/outubro

8 (com a compra dos livros que são pedidos pelos professores) e profissionais. Gostaria de finalizar esta breve nota sobre o curso mencionando que, conforme consta no livro de Rosa Maria Dias, Nietzsche Educador, Nietzsche previu que um dia virá em que só se terá um único pensamento: a educação. Preocupados com esse pensamento nietzschiano, não pensamos um curso com o objetivo de fornecer estritamente técnicas, metodologias, modelos de exercícios ou outros recursos didáticos. Queremos antes munir os sujeitos de um saber teórico que lhes permita compreender melhor o ambiente da sala de aula, a fim de que eles possam suportar a dura realidade que atravessa o ensino em um âmbito nacional. O que impera nesse curso de especialização é o desejo de contribuir para a autonomia dos sujeitos envolvidos, na medida em que, como assevera Nietzsche nos seus Escritos sobre Educação, ninguém pode construir no teu lugar a ponte que te seria preciso tu mesmo transpor no fluxo da vida ninguém, exceto tu. Certamente, existem as veredas e as pontes e os semideuses inumeráveis que se oferecerão para te levar para o outro lado do rio, mas somente na medida em que te vendesses inteiramente: tu te colocarias como penhor e te perderias. Há no mundo um único caminho sobre o qual ninguém, exceto tu, poderias trilhar. DOCENTE DO CÂMPUS DE IPORÁ REALIZA ESTÁGIO SANDUÍCHE NO CANADÁ Conheça os programas da CAPES que concedem bolsas para o exterior. João Paulo de Paula Silveira, professor do curso de História do Campus de Iporá, tornou-se Visiting Scholar do Departamento de Sociologia e Estudos Legais da Universidade de Waterloo, Ontário, Canadá. A permanência do docente, que atualmente é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Goiás, terá a duração de 11 meses. O objetivo de sua visita é ampliar a experiência acadêmica no interior da Sociologia dos Novos Movimentos Religiosos, subcampo sobre o qual desenvolve pesquisa. A estada do docente no Canadá deve-se ao Programa Institucional de Bolsas de Doutorado Sanduíche no Exterior (PSDE) da CAPES. ACESSE bolsas-no-exterior 8O ACADÊMICO Iporá, setembro/outubro 2014 expediente O jornal O Acadêmico é fruto de um projeto de extensão coordenado pelo professor Alan Oliveira Machado e conta com a colaboração dos docentes, discentes e técnico-administrativos da UEG Câmpus Iporá. Conselho Editorial Edição 06. Iporá, setembro/outubro de Contato: Impresso na Gráfica UEG. 500 exemplares. Coordenação Geral de Comunicação UEG Diagramação e Projeto Gráfico: João Daniell Oliveira Prof Luis Henrique Mantovani - Biologia Profª Thalitta F. de Carvalho Peres - Matemática Profª Maria Geralda de Almeida - História Wilton de Oliveira Barbosa - História Profª Núbia Cristina dos S. Lemes - Matemática Gleicielle Costa de Freitas - Biologia Prof Valdir Specian - Geografia Prof Lisle Andrea Silva - Letras Suellen Marçal - Letras Profª Líliam de Oliveira- Letras Prof. João Paulo Silveira - História

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