PROFISSIONALISMO INTERATIVO E ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

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1 15/04/15 PROFISSIONALISMO INTERATIVO E ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO A escola como organização aprendente: buscando uma educação de qualidade. Michael Fullan e Andy Hargreaves. Escolas que aprendem são as que procuram crescer e se reinventar como organizações: uma escola é o produto de como seus membros pensam e interagem. Há necessidade de criar uma cultura de cooperação profissional na escola, com foco na melhoria da aprendizagem dos alunos, o que significa: a formação de grupos colaborativos o desenvolvimento de uma atitude mentalde profissionalismo interativo ver a escola como uma comunidade de aprendizagem Romper com o isolamento dos professores não é Os alunos não vão se tornar pessoas que aprendem por toda a vida, nem serão capazes de colaborar, se os professores não tiverem essas características. O ensino não pode padronizar- se: jamais podemos saber quais as soluções específicas desejáveis, possíveis ou eficazes para as diversas situações enfrentadas pelos professores; os professores trabalham no imediatismo. tarefa fácil. Os autores destacam 12 orientações para os professores e 8 para os diretores. Essas orientações representam mais um conjunto de ideias do que uma obrigação. Cada qual pode selecionar uma combinação própria de ações adequadas à sua própria circunstância. Orientações para os professores 1. Localizar, ouvir e articular a voz interior (ter coragem de refletir, ousar); 2. Praticar a reflexão na ação, a partir da ação e sobre a ação; 3. Desenvolver uma mentalidade de alguém que assume riscos; 4. Confiar tanto nos processos quanto nas pessoas; 5. Ao trabalhar com pessoas, valorizá- las como um todo; 6. Comprometer- se a trabalhar com os colegas; 7. Buscar a variedade e evitar a balcanização (isolamento, cada um no seu balcão ); 8. Redefinir seu papel para além da sala de aula; 9. Equilibrar trabalho e vida pessoal; 10. Incentivar e apoiar os diretores e outros funcionários da administração para desenvolver o profissionalismo interativo; 11. Comprometer- se com o aperfeiçoamento contínuo e com a aprendizagem permanente; 12. Monitorar e fortalecer a conexão entre seu desenvolvimento e o desenvolvimento dos alunos. 1

2 15/04/15 Devemos compreender que : Não haverá melhoria sem os professores; eles devem realizar mudanças e mantê- las. Esforços individuais e coletivos dos professores são fundamentais como elementos para o aperfeiçoamento. Quando a liderança e o ambiente da escola são não- apoiadores, o sucesso das tentativas dos professores será pequena, inexistente ou de curta duração e eles aprenderão logo a não tentar mais nada. O diretor é para os professores o mesmo que estes são para os alunos. É aqui que o papel do diretor é crucial: apoiar e promover o profissionalismo interativo. Professores insatisfeitos costumam ser produto de escolas insatisfatórias. As escolas tendem a ter os líderes que merecem. Diretores que controlam todas as decisões, bloqueiam iniciativas, culpam em vez de elogiar, somente vêem problemas e nunca possibilidades, criam professores desencorajados e desestimulados Orientações para os diretores 1 - Compreender a cultura da escola Antes de tentar mudar a escola, o diretor deve investigar: Qual é a cultura da escola, seus valores, pressupostos, crenças, formas de realizar ações e eventos? Enfim, ler a cultura da escola, sua dinâmica de funcionamento. 2 - Valorizar os professores e promover seu crescimento profissional O diretor precisa valorizar o professor como um todo e não apenas como um feixe de competências e deficiências. É comum ver professores experientes sendo desvalorizados por diretores e colegas. O desafio do diretor é encontrar o que valorizar em cada um dos professores. Mesmo os professores mais fracos têm aspectos que podem ser elogiados e aumentar sua autoconfiança. Uma vez marginalizados, professores podem até ir para outra escola, mas o problema continua ( recebemos os rejeitados) 3 - Ampliar o que valoriza Ampliar o leque de coisas que valoriza possibilita ao diretor promover o desenvolvimento profissional de todos os professores e não apenas daqueles poucos mais inovadores. Quando uma escola tem um ou mais professores ruins, costuma ser um problema do professor. Quando ela tem muitos professores ruins, certamente temos um problema de liderança. Valorizar o professor é mais que generosidade de espírito ; implica também em uma visão educacional, adequando ações às circunstâncias. Conhecer os professores e reconhecer o real valor do corpo docente, não significa, no entanto, valorizar qualquer coisa ou não possuir critérios. 4 - Expressar o que valoriza Na direção, o diretor é valorizado por aquilo que faz e éa cada dia, do que por meio de discursos sobre políticas, fins da educação e missão da escola. O processo de formação e de reforma cultural deve ser democrático, debatido entre todos. Nesse sentido, o diretor é o símbolo do trabalho cooperativo e da aprendizagem permanente. Ele desenvolve comportamentos simbólicos: cerimônias, rituais de agradecimento a alunos e professores por esforços especiais. Caso contrário, o diretor não passará de um manipulador e suas atitudes serão percebidas como superficiais e arquitetadas, não como naturais, autênticas e sinceras. 5 - Promover a colaboração, e não a cooptação Diretores não têm o monopólio da sabedoria. Vale a pena lutar por um comprometimento real e não- superficial para com o trabalho cooperativo e a liderança compartilhada. A colaboração deve significar a criação de uma visão em conjunto e não em obedecer a visão do diretor. A articulação de diferentes vozes pode criar conflitos iniciais, mas isso deve ser confrontado e trabalhado. É parte do processo cooperativo. Se toda a cultura da escola precisa mudar, é importante que o diretor compartilhe sua liderança (seja um líder entre líderes), divida seu poder, distribua responsabilidades, recompense os professores por sua colaboração, tenha postura de abertura e inclusão, mostre suas vulnerabilidades e busque formas de envolver todos os professores 2

3 15/04/ Elaborar listas de opções, e não de obrigações O compromisso com a cooperação precisa ser exercitado de modo flexível e responsável. Impor o trabalho colegiado traz dois perigos: 1º perigo:presumir que os professores devem ser forçados a adotá- lo. Ofereça opções para escolha do que uma lista de obrigações. 2º perigo:acreditar que há uma taxa de 100% de adesão ao trabalho coletivo, o que é irreal. Há espaço para o trabalho coletivo e para o trabalho individual (mantenha o equilíbrio entre cooperação e individualidade). Há momentos em que todo professor trabalha melhor sozinho (planejar). Alguns têm dificuldades com os colegas, mas são muito bons em sala de aula. Insistir pode ser ruim. 7 - Utilizar os recursos burocráticos para facilitar e não para limitar A burocracia costuma ser vista como obstáculo à mudança ( a direção não permite, os pais não vão gostar, tal atividade não cabe no horário... ). Ela também é um freio quando a colaboração e o aperfeiçoamento são vistos como sistemas inflexíveis de controle. Sobre os dados de avaliação (internos e externos) : escolas cooperativas eficientes estão ativamente interessadas no seu desempenho positivo e buscam dados avaliativos para monitorar e melhorar seu progresso motivação na busca de objetivos e metas. 8 - Conectar- se com o ambiente mais amplo Escolas se aperfeiçoam se estiverem ligadas a ambientes educativos, contribuindo e reagindo a questões do momento. As escolas cooperativas conservam sua vitalidade e longevidade se fizerem parte de um movimento maior. Assim: 1º. o diretor precisa ter envolvimento em aprendizagens fora da escola; 2º. ele deve ajudar a escola a lidar com ambientes mais amplos, em especial os professores a que ampliem os contatos com o mundo profissional externo à escola, com outras instituições escolares. Os diretores podem encorajar o corpo docente a conectar- se com outros professores da região, pode buscar associação com uma faculdade local, encontrar parcerias pedagógicas e de gestão. Orientações para os sistemas Os sistemas escolares transferem diretores de uma escola para outra como se estivessem trocando figurinhas, o que é prejudicial à formação de escolas cooperativas. A interação e o fortalecimento do sistema escolar pode tornar uma escola cooperativa, mas não permanecem dessa forma sem seu apoio ativo dos seus gestores. A escola é uma unidade de mudança, mas quando isolada de seu contexto sociopolítico, não é capaz de realizar atividades milagrosas sem apoio das instâncias superiores. Conclusão Outros aspectos vitais para o futuro da educação não foram examinados neste texto. Os autores preferiram focalizar os professores porque eles são a chave que abrirá o futuro para pais e alunos e porque eles vêm sendo negligenciados e mal compreendidos. As culturas escolares fazem a diferença, qualquer que seja o tipo de situação que se enfrente. Transformá- la pode ser um gasto de energia que traz recompensas. Os administradores locais podem ajudar, mas são os indivíduos e os pequenos grupos de professores e de diretores que criam a cultura escolar e profissional que desejam. 3

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