TROCANDO OS FILHOS DE ESCOLA: UM PEQUENO GUIA PARA OS PAIS

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1 TROCANDO OS FILHOS DE ESCOLA: UM PEQUENO GUIA PARA OS PAIS Marisa Meira Assim como não existe a escola ideal para todas as crianças, também em muitos casos será preciso trocar de escola. Apresentamos abaixo em forma de perguntas e respostas, as dúvidas e angústias mais comuns quando essa mudança se faz necessária, bem como algumas orientações que podem auxiliar os pais a minimizarem possíveis consequências negativas. 1. Quais são as situações mais comuns em que os pais mudam o filho de escola? Nos casos que envolvem problemas relacionados ao desempenho do aluno tais como repetência e notas baixas, ou ainda quando o aluno é visto pela escola como alguém que apresenta problemas de comportamento (o que nem sempre é verdadeiro). Em ambos os casos a família percebe que a escola não está sendo capaz de cumprir sua função social que é a de socializar os conhecimentos historicamente acumulados e formar um cidadão crítico e participativo. No caso das escolas particulares há que se lembrar ainda dos casos de famílias que precisam mudar seus filhos de escola por estarem com dificuldades de pagar as mensalidades. 2. Se o aluno não está tirando notas boas é o caso de pensar em mudança? Por que? Não necessariamente. É preciso, antes de mais nada, compreender o que está acontecendo.várias questões precisam ser colocadas e respondidas:

2 - o que é uma boa nota? - será que todos precisam tirar notas máximas para serem considerados bons alunos? - será que os métodos de avaliação utilizados pela escola são justos e adequados? Será que levam em conta, o progresso possível de cada aluno, ou simplesmente comparam seu desempenho com aquilo que é o esperado para todos, independente de características pessoais e ritmos de aprendizagem? O aluno é avaliado de forma contínua e processual de várias formas ou apenas por meio de provas e trabalhos? - será que o aluno está suficientemente comprometido com seu processo de aprendizagem? Será que está fazendo o melhor possível para aquele momento? Em caso negativo, porque isto ocorre? O que o está impedindo de se dedicar aos seus estudos? Em síntese, esta questão é uma síntese de múltiplas determinações e por isto é totalmente inadequado querer responsabilizar apenas uma pessoa pelo que ocorre (seja o aluno, a família ou o professor). 3. Se a criança ou adolescente está desmotivado, infeliz e desenturmado é melhor mudá-lo de escola? Um aluno pode sentir-se desenturmado por vários motivos. É preciso verificar se a escola propicia condições para que os alunos construam relações significativas e se investe na formação pessoal e de valores e não apenas no cumprimento dos conteúdos. Em escolas mais tradicionais algumas crianças, principalmente as mais tímidas, podem ter problemas deste tipo. Nestas situações os pais devem cobrar, especialmente dos professores, auxílio para que a criança possa se sentir bem e acolhida. Em outros casos, a falta de motivação e o isolamento advém de problemas da própria criança. Para muitas é difícil conviver em grupo por vários motivos: não conseguem expressar sentimentos, tem dificuldades no

3 convívio social (como por exemplo, recusarem-se a repartir coisas e seguir regras) e de se ver como uma pessoa entra outras e não como o centro de todo o mundo (especialmente as crianças menores). Nesses casos, a criança e a família devem ser orientadas, e se for o caso, encaminhadas para atendimento psicológico. 4. Mudar a criança de escola também pode ser bem complicado para ela? Só é complicado quando ela não concorda com a decisão, ou não é consultada ou quando os pais não conseguem deixar claro que essa decisão, embora possa provocar alguns transtornos iniciais, foi tomada tendo em vista o seu bem estar dentro das condições que são possíveis para a família. 5. Qual o melhor momento para mudar os filhos de escola? E quando isso deve ser conversado com ele e de que forma? O melhor momento é aquele em que a família, depois de uma análise criteriosa e desapaixonada tem a certeza de que este é o melhor caminho a ser seguido. Se os pais compartilham estas questões com os filhos de forma aberta e com muito diálogo a tendência é a de que tudo se encaminhe bem. 6. Quando a escola deverá ser comunicada? Assim que a família tiver tomado sua decisão e já tiver certeza de que é definitiva, não importa qual seja o momento do ano. 7. No caso de impossibilidade financeira de manter o filho em um determinado colégio, como os pais devem proceder? Talvez procurar uma escola na mesma linha da que o filho estava? Ou preferir uma escola com mensalidades mais em conta, mas onde já estude algum colega do filho?

4 Ambos caminhos são interessantes. Neste caso, o peso maior da decisão deve ficar com a criança, até como forma de suavizar a situação. 8. Neste caso como apresentar a questão para o filho? De forma franca e aberta. A criança deve saber desde muito cedo quais são as possibilidades e limites financeiros de sua família. Isto não cria nenhum problema, ao contrário, é muito saudável e educativo; ajuda a criar pessoas responsáveis. 9. Como preparar a criança para a mudança? Levando-a para conhecer a escola, buscando se informar sobre o cotidiano, aulas, matérias, horários, projetos extras, normas e passando estas informações para a criança. Também é bom conversar diariamente com ela sobre seus sentimentos e impressões, solicitando ajuda dos professores e coordenadores para que a adaptação se dê da melhor forma possível. 10. Se o filho repetiu o ano, mas os pais consideram a escola boa, a criança deve ficar? Não se sentirá inferiorizada diante dos antigos colegas que passaram de ano? Os pais devem decidir em conjunto com a criança. Se ela não estiver com este tipo de sentimento não há mal nenhum em permanecer na mesma escola. 11. É comum que a criança repita sem aviso prévio aos pais? É muito raro. As escolas geralmente informam as famílias de diversos modos: através de boletins, cartas, reuniões e principalmente chamados para que compareçam na escola. Aliás, na maioria das vezes ocorre um verdadeiro abuso, pois as escolas chamam várias vezes os pais

5 para dizer que seus filhos não estão aprendendo. Isto é um absurdo, porque a tarefa de ensinar é da escola e não da família. Seria como uma família exigir que a escola fizesse com que seus filhos sejam gentis, educados, que escovem os dentes e durmam cedo, por exemplo. É claro que a família pode contribuir para que a vida escolar das crianças seja a melhor possível, mas esta é e sempre será uma responsabilidade da escola. 12. Algumas escolas não aceitam crianças repetentes. Isso é legal? Isto é ilegal e imoral, pois leva a criança a sentir-se como alguém não apenas incapaz de aprender, mas ainda como uma pessoa nociva para as outras. Ninguém deveria ter o direito de excluir uma criança da escola, não importa qual o motivo alegado.

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