LIÇÕES DE LÍNGUA PORTUGUESA

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1 1 LIÇÕES DE LÍNGUA PORTUGUESA Para desenvolver e consolidar as Competências/Habilidades e avançar na aprendizagem SEE/MG Maio/2014

2 2 Caro Professor, Cara Professora, É com grande prazer que apresentamos a vocês as sugestões das Lições de Língua Portuguesa para o desenvolvimento de competências e habilidades, destinadas aos alunos do 9º Ano do Ciclo da Consolidação do Ensino Fundamental. As Diretrizes Curriculares Nacionais, os CBC de Minas Gerais e a Resolução SEE/MG/ nº 2197/12 deixam clara a responsabilidade da escola e do professor de estruturar o seu planejamento de ensino, que seja dinâmico, que não esteja preso a moldes pré-estabelecidos ou seguindo rigidamente o livro didático. Essa liberdade dada ao professor é certamente muito positiva, exige preparo e trabalho cooperativo de todos para que se estabeleçam rotinas de planejamento e de acompanhamento do processo de ensino com qualidade. As sugestões das lições, ora organizadas nesse caderno, representam um esforço e uma contribuição da Equipe Central do PIP/EF e são decorrentes das observações realizadas em sala de aula, dos depoimentos dos professores e Especialistas e também das análises das avaliações internas e externas das escolas, que nos apontaram as competências e habilidades não consolidadas pelos alunos ao final do Ensino Fundamental. Assim, essas lições têm como objetivos: Contribuir para a melhoria da prática no ensino da Língua Portuguesa no 9º Ano do Ciclo da Consolidação do Ensino Fundamental; Garantir os direitos da aprendizagem e desenvolvimento dos alunos em Língua Portuguesa; Intensificar o atendimento pedagógico a todos os alunos do 9ºano do Ensino Fundamental em Língua Portuguesa, desenvolvendo a sua capacidade leitora; Melhorar os resultados das avaliações internas e externas de Língua Portuguesa do 9ºano do Ensino Fundamental. Essas lições estão longe de ser um receituário, uma prescrição fechada do que o professor deve fazer, especialmente, se lembrarmos de que cada aula é um acontecimento único e cheio de surpresas, envolvendo o professor e os alunos. Pretendemos com esse material oportunizar ao professor, enquanto sujeito da ação educativa, o acesso a algumas sugestões de atividades de ensino que possam ser desenvolvidas com alunos de diferentes níveis de aprendizagem, de maneira dinâmica e produtiva em sala de aula. Na elaboração dessas lições, algumas atividades sugeridas foram retiradas de livros didáticos, com adaptações, de sítios da internet, jornais, revistas e outras fontes. Este caderno foi preparado para você, Professor, Professora. Está elaborado em conformidade com o CBC de Língua Portuguesa, contemplando o Eixo Temático I Compreensão e Produção de Textos, uma vez que as lições elaboradas e sugeridas têm como principal objetivo o desenvolvimento da leitura com compreensão e da produção coerente de textos. A escolha por organizar as lições na sequência dos Tópicos do PROEB de Língua Portuguesa (I) Procedimento de Leitura, (II) Implicações do Suporte, do Gênero e/ou do Enunciador da Compreensão do Texto, (III) Relação entre Textos, (IV) Coerência e Coesão no Processamento do Texto, (V) Relações entre Recursos Expressivos e Efeitos de Sentido e (VI) Variação Linguística deve-se ao fato de esses tópicos reforçarem a necessidade de a escola trabalhar as habilidades de leitura com seus alunos. Oferecemos lições que objetivam possibilitar o desenvolvimento das habilidades básicas essenciais para o trabalho no 9 ano. Sabemos que nenhuma lição deste caderno esgota os temas, tópicos, ou assuntos tratados e que cada uma, aqui apresentada, se constitui, em síntese, no que julgamos significativo para o trabalho em sala de aula. Sugerimos que pesquisas sejam feitas para permanente enriquecimento e atualização, cabendo ao professor, com sua criatividade, complementá-las e adaptá-las à realidade dos alunos. Esperamos que nosso trabalho seja recompensado pelo alcance dos objetivos propostos. Que o material ajude o professor, no desenvolvimento do processo de ensino/aprendizagem eque, com sua rica experiência e dedicação ao trabalho, possibilite aos seus alunos consolidarem as competências e habilidades e indispensáveis no aprendizado de Língua Portuguesa, para que possam exercer, efetivamente, a sua cidadania na sociedade contemporânea. Bom trabalho! Conte conosco!equipe Central PIP/EF

3 3 Sumário Sumário... 3 LIÇÃO 01 Identificar o tema ou o sentido global de um texto... 4 LIÇÃO 02 Localizar informações explícitas em um texto LIÇÃO 03 Inferir informações implícitas em um texto LIÇÃO 04 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão LIÇÃO 05 Distinguir um fato de uma opinião relativa a esse fato LIÇÃO 06 Identificar o gênero de um texto LIÇÃO 07 Identificar a função de textos de diferentes gêneros LIÇÃO 08 Interpretar texto que conjuga linguagem verbal e não verbal LIÇÃO 09 Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema 136 LIÇÃO 10 Reconhecer diferentes formas de abordar uma informação ao comparar textos que tratam do mesmo tema LIÇÃO 11 Reconhecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc LIÇÃO 12 Estabelecer a relação causa/consequência entre partes e elementos do texto LIÇÃO 13 Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a sua continuidade LIÇÃO 14 Estabelecer relações entre partes de um texto a partir de mecanismos de concordância verbal e nominal LIÇÃO 15 Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que compõem a narrativa LIÇÃO 16 Identificar a tese de um texto LIÇÃO 17 Estabelecer relações entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la LIÇÃO 18 Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto LIÇÃO 19 Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados LIÇÃO 20 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão LIÇÃO 21 Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e outras notações LIÇÃO 22 Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso de recursos ortográficos e morfossintáticos LIÇÃO 23 Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto

4 4 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO I PROCEDIMENTOS DE LEITURA (PROEB) LIÇÃO 01Identificar o tema ou o sentido global de um texto COMPETÊNCIA Identificar tema HABILIDADE Identificar o tema ou o sentido global de um texto Habilidade CBC 3.3.Reconhecer a organização temática de um texto, identificando: -a ordem de apresentação das informações no texto; -o tópico (tema) e os subtópicos discursivos do texto. Em que consiste essa habilidade? Um texto é tematicamente orientado, isto é, desenvolve-se a partir de um determinado tema, o que lhe dá unidade e coerência. A identificação desse tema é fundamental, pois só assim é possível apreender o sentido global do texto, discernir suas partes principais das secundárias, parafraseá-lo, dar-lhe um título coerente ou resumi-lo. Em um texto dissertativo, as ideias principais, sem dúvida, são aquelas que mais diretamente convergem para o tema central do texto. Um trabalho pedagógico voltado para o desenvolvimento dessa habilidade deve centrar-se na dimensão global do texto, no núcleo temático que lhe confere unidade semântica. Ao desenvolver essa habilidade, o aluno torna-se capaz de identificar do que trata o texto, com base na compreensão do seu sentido global, estabelecido pelas múltiplas relações entre as partes que o compõem. Isso é feito ao relacionarem-se diferentes informações para construir o sentido completo do texto. A consolidação dessa habilidade é resultado do desenvolvimento de todas as demais habilidades de leitura que permitem ao aluno ler com compreensão e, inclusive, depreender do que, em essência, fala o texto. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? O professor deve trabalhar a leitura com compreensão, em um nível de atividade que ultrapasse a superfície do texto. É importante começar refletindo sobre o seu título, conduzindo o aluno a estabelecer relações entre as informações explícitas e implícitas, a fim de que ele faça inferências textuais e possa dizer do que fala o texto e elaborar síntese do texto. Ou seja, o aluno deve considerar o texto como um todo, mas prender-se ao eixo no qual o texto é estruturado. Os textos informativos são excelentes para se desenvolver essa habilidade. Começar com textos menores, de gêneros variados, entretanto apropriados para alunos dessa etapa, isto é, com níveis crescentes de complexidade, com vocabulário adequado, (caso mais complexo, trabalhado no texto e com ajuda do dicionário), assunto do interesse para que a discussão seja mais participativa. O professor deve estar atento para o trabalho com a oralidade. As discussões sobre o texto, sobre as informações contidas nele e a partir dele são básicas para o desenvolvimento da habilidade de identificar o sentido global do texto. A seguir, apresentamos uma sequência de textos, de gêneros variados, mas dentro da mesma temática, que poderá, junto às práticas de leitura do professor, contribuir para que os alunos cada vez mais leiam com compreensão e depreendam a temática desenvolvida em cada texto.

5 5 Relembramos que as orientações para o antes, o durante e o depois da leitura devem ser nossa prática permanente. Apresentamos uma proposta para o trabalho com a leitura. O professor poderá ampliar o seu trabalho pedagógico, a cada exploração de leitura, trabalhando outras habilidades de outros eixos, conforme seu planejamento e as possibilidades que o texto oferece. Estão disponibilizadas 5 (cinco) SUGESTÕES DE AULASdirecionadas principalmente para o desenvolvimento dessa habilidade. As aulas seorganizam por ordem crescente de dificuldade, sendo as primeiras mais elementares, destinadas a alunos cujas dificuldades em consolidar a habilidade em questão sejam latentes; e as últimas, mais elaboradas, pretendendo fechar o ciclo de consolidação da habilidade estudada e avaliar os possíveis entraves que ainda possam restar.

6 6 SUGESTÕES DEAULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA1 TEXTO

7 7 DESENVOLVIMENTO ORIENTAÇÕE INICIAIS Professor, a atividade que se segue tem como objetivo principal fazer o aluno pensar e levar em conta todo o contexto apresentado, na hora de identificar o tema ou o sentido global de um texto. Para tanto, o trabalho será realizado, nesse momento, com base apenas na capa do livro Mais respeito, eu sou criança! de Pedro Bandeira, incentivando os alunos a levantar hipóteses sobre a temática durante todo o processo e,depois, confirmar essas hipóteses com a leitura de um dos textos que faz parte da coletânea. Mas isso não o impede de trabalhar o livro com a turma, utilizando a aula aqui sugerida também como motivação para essa leitura. Antes de apresentar a sugestão para o desenvolvimento da aula, leia a seguir um pequeno parágrafo utilizado pelo site das Lojas Americanas para dar publicidade ao livro. Essa pequena descrição tem o objetivo de dar maior conhecimento a respeito do livro que será trabalhado em sala de aula. Todo mundo diz que as crianças devem respeitar os adultos. E os adultos? Não têm de respeitar as crianças? Este é um assunto sério, mesmo... E, toda vez que um assunto é sério, mesmo, o jeito é pensar nele através da poesia. Por meio dela, a gente consegue dizer melhor o que sente, o que sonha e o que nos incomoda. A poesia é uma maneira gostosa de tirar o retrato dos nossos sentimentos. E este livro é uma maneira muito gostosa de responder aos adultos quando eles vêm com abusos, como "Cala a boca, menino!" "Pare quieto, menino!", "Vá pro seu quarto, menino, que isso não é conversa pra criança!" E coisas do tipo... (fonte: acessado em 24/04/2014.) Primeiro passo Antes da leitura 1. Sem informar que se trata de um livro, apresentar aos alunos, em cartaz, Datashow ou no próprio quadro, a frase que dá título a ele Mais respeito, eu sou criança! e instigá-los a expressar a opinião e o entendimento que têm acerca do exposto, procurando questioná-los sobre os argumentos que sustentam suas colocações; Sugestões de perguntas para explorar a frase: Qual o significado de respeito para vocês? É o mesmo da frase? Por que se utilizou a palavra mais antes da palavra respeito? Vocês se consideram crianças? Por que (sim ou não)? Quem poderia estar dizendo essa frase? Em que pistas vocês se baseiam para dizer que o locutor dessa frase é uma criança? Com que entonação você leria essa frase? (Professor, escute várias entonações diferentes e questione os motivos de o aluno tê-la escolhido); Por que a criança está pedindo/exigindo mais respeito? Dentre outras.

8 8 Professor, aproveite a oportunidade para trabalhar com os alunos o uso da vírgula separando duas ideias e do ponto de exclamação na frase expressar emoção, sentimento, ênfase, representar entonação na escrita, etc. 2. Apresentar aos alunos, em cartaz ou datashow, somente a imagem que ilustra a capa do livro e instigá-los a expressar suas percepções sobre o que veem, procurando questioná-los sobre os argumentos que sustentam suas observações; Sugestões de perguntas para explorar a imagem: O que esse menino está fazendo? Ele está em cima de quê? Por que ele precisou subir em uma escada? Pela fisionomia do menino, pode-se dizer que ele está feliz? O que pode ter gerado essa indignação/raiva? Ele está falando alguma coisa, o que pode ser? 3. Apresentar aos alunos, em cartaz ou datashow, a imagem que ilustra a capa acrescida da frase que dá título ao livro em um balão que represente a fala do menino e instigá-los a expressar suas conclusões, procurando questioná-los sobre os argumentos que as sustentam; Sugestões de perguntas para explorar a imagem com a frase: Vocês acham que o garoto poderia estar falando a frase Mais respeito, eu sou criança!? Olhando para a imagem, vocês acham que os motivos de ele estar dizendo essa frase são os mesmos que levantamos anteriormente? Onde poderíamos encontrar essa imagem? Por quê? Segundo passo Durante a leitura Informar aos alunos que a ilustração e a frase fazem parte da capa de um livro de Pedro

9 9 1. Bandeira; Pedro Bandeira Santos, 9 de março de é um escritor brasileiro de livros infantojuvenis. Recebeu vários prêmios, como o Prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, e o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, entre outros. É o autor de literatura juvenil mais vendido no Brasil - vinte e três milhões de exemplares até e, como especialista em letramento e técnicas especiais de leitura, profere conferências para professores em todo o país. É autor da série Os Karas, de O fantástico mistério de Feiurinha e de A marca de uma lágrima, entre mais de 80 títulos publicados e ainda à venda até Apresentar a capa do livro Mais respeito, eu sou criança!, lançando perguntas aos alunos para que levantem hipóteses acerca da temática do livro. Sugestões de perguntas para descobrir a temática do livro: Sabendo que se trata de um livro, que gênero textual pode-se encontrar nele (poesias, contos, romance, história de aventura, etc.)? Sabendo que Pedro Bandeira escreve para crianças e adolescentes, o que vocês esperam encontrar nesse livro dele? Esses textos (poesias, contos, romances, histórias de aventuras, etc.) falam sobre o quê? Na verdade, o livro é uma coletânea de poesias escritas por Pedro Bandeira, isso muda alguma coisa no que vocês imaginam que seja a temática dos textos dele? Por quê? Professor, conduza os alunos a levarem em conta o título, a ilustração, o autor e o gênero na hora de levantarem suas hipóteses sobre o tema, chamando a atenção para esses aspectos no momento em que eles estiverem levantando as suas hipóteses. Terceiro passo Depois da leitura 1. Informar aos alunos que descobrimos o tema de um texto quando conseguimos identificar sobre o que o texto trata, ou seja, quando conseguimos definir o assunto do texto; Professor, o SAEB traz, em sua coletânea de itens, a seguinte descrição dessa habilidade, que poderá auxiliá-lo no momento de retomada com os alunos: O tema é o eixo sobre o qual o texto se estrutura. A percepção do tema responde a uma questão essencial para a leitura: O texto trata de quê? Em muitos textos, o tema não vem explicitamente marcado, mas deve ser percebido pelo leitor quando identifica a função dos recursos utilizados, como o uso de figuras de linguagem, de exemplos, de uma determinada organização argumentativa, entre outros. 2. Contrastar as hipóteses levantadas pelos alunossobre o tema do livro, e a real temática que o livro apresenta (encontrada nas orientações inicias);

10 10 3. Confirmar as hipóteses levantadas pelos alunos e a temática apresentada pelo professor, a partir da leitura do texto abaixo, que faz parte da coletânea apresentada no livro; Mais respeito, eu sou criança Pedro Bandeira Prestem atenção no que eu digo, pois eu não falo por mal: os adultos que me perdoem, mas ser criança é legal! Vocês já esqueceram, eu sei. Por isso eu vou lhes lembrar: pra que ver por cima do muro, se é mais gostoso escalar? Pra que perder tempo engordando, se é mais gostoso brincar? Pra que fazer cara tão séria, se é mais gostoso sonhar? Se vocês olham pra gente, é chão que veem por trás. Pra nós, atrás de vocês, há o céu, há muito, muito mais! Quando julgarem o que eu faço, olhem seus próprios narizes: lá no seu tempo de infância, será que não foram felizes? Mas se tudo o que fizeram já fugiu de sua lembrança, fiquem sabendo o que eu quero: mais respeito eu sou criança! 4. Fazer as intervenções necessárias para corrigir possíveis equívocos, oportunizando aos alunos terem suas próprias conclusões; 5. Após concluir as discussões, pedir aos alunos que escrevam, no caderno, um pequeno parágrafo resumindo o que foi desenvolvido no decorrer da aula; 6. Contrastar as produções dos alunos, verificando se o que foi trabalhado no decorrer da aula foi adequadamente compreendido por eles. Orientar os alunos para que formulem um conceito adequado para tema de um texto. Professor, veja esse conceito extraído do site portugues.com.br: Chamamos de tema o assunto abordado em um texto: ele dá as diretrizes do texto ao expor a ideia que deve ser defendida ao longo de uma dissertação, por exemplo.

11 11 AULA 2 TEXTO PIRATARIA Produtos são apreendidos na alfândega do porto do Rio; importadora da boneca Barbie enfrenta o mesmo problema. Nike manda destruir 45 mil pares de tênis falsificados MARCELO BILLI DA REPORTAGEM LOCAL Cerca de 45 mil pares de tênis começaram a ser destruídos ontem pela Receita no Rio de Janeiro. Os produtos, falsificações da marca Nike, foram apreendidos no porto da cidade. A destruição foi solicitada pela empresa. Segundo Carlos Eugênio Seiblitz, inspetor substituto da alfândega do porto do Rio de Janeiro, existem 80 mil pares de tênis apreendidos. Cerca de 75 mil são da marca Nike. Ele explica que existem quatro destinos para bens apreendidos na alfândega: leilão, doação, incorporação para uso do Estado e destruição. No caso de falsificação, a doação precisa ser autorizada pelo detentor da marca. Segundo Katia Gianone, gerente de comunicação da Nike, a empresa opta pela destruição para garantir a qualidade dos produtos comprados pelo consumidor e para proteger a marca. Ela afirmou que a empresa tem programas de auxílio à comunidade que não se misturam com o combate à pirataria. "Quando decidimos doar produtos, eles são originais", disse. Os tênis falsificados estão sendo destruídos por máquina comprada pela empresa especialmente para esse fim. A Nike estima que entrem todo ano no mercado brasileiro 1 milhão de pares de tênis falsificados. Segundo Katia, a estimativa é que a empresa deixa de faturar, no Brasil, por causa da pirataria com seus produtos, R$ 50 milhões todo ano. Outra empresa que enfrenta problemas com pirataria é a Mattel, que importa a boneca Barbie. Segundo Cristina Lara, gerente de produto da empresa, são vendidas, todo ano, no Brasil, aproximadamente 1,5 milhão de bonecas falsificadas. O número é idêntico ao de bonecas

12 12 originais vendidas no mercado brasileiro. Cristina afirma que a pirataria de bonecas gera um prejuízo estimado em US$ 10 milhões para a empresa. "Isso não contabiliza a falsificação de outros itens, como roupas e acessórios", diz. Ela afirmou que a empresa não tem programas específicos de combate à pirataria. "Estamos apenas há dois anos no Brasil e só descobrimos as falsificações quando elas chegam ao mercado. Não encontramos ainda um meio eficiente para combater a pirataria" afirmou Cristina. (fonte: Folha de S. Paulo, Caderno Dinheiro, São Paulo, 9 ago ) DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Criar expectativa para a aula, incentivando os alunos para o que será lido, lançando perguntas sobre pirataria, questionando sobre os argumentos que sustentam suas opiniões; Sugestões de perguntas para essa etapa: Vocês sabem o que é pirataria? Quais os produtos que vocês acham que são mais pirateados? Por quê? Vocês conseguem distinguir um produto pirateado de um original? Como? Vocês são contra ou a favor da pirataria? Por quê? Vocês conhecem as implicações legais de se comercializar produtos pirateados? Quando, em uma ação de busca e apreensão,a polícia federal recolhe produtos pirateados, vocês sabem ou conseguem imaginar que destino terão esses artigos? Se fossem vocês os responsáveis em dar um destino aos produtos pirateados que foram apreendidos, o que vocês fariam? 2. Ilustrar o texto a partir de imagens, que podem ser apresentadas em PowerPoint, vídeo, cartaz ou outros suportes, deixando que os alunos levantem suas hipóteses sobre o que será discutido na aula e apresentem suas leituras sobre o que está sendo visto; Professor, ao inserir no google.com a expressão produtos pirateados ou produtos pirateados no Brasil, encontramos várias imagens que podem ser utilizadas nessa etapa da atividade; os links seguem abaixo: - Produtos pirateados: https://www.google.com.br/search?q=produtos+pirateados&source=lnms&tbm=isch&sa=x&ei=mdfqu7qpc8nqsqsgryggaq&sqi=2&pjf=1 &ved=0cayq_auoaq&biw=1366&bih=667 - Produtos pirateados no Brasil: https://www.google.com.br/search?q=produtos+pirateados&source=lnms&tbm=isch&sa=x&ei=mdfqu7qpc8nqsqsgrygga Q&sqi=2&pjf=1&ved=0CAYQ_AUoAQ&biw=1366&bih=667#q=produtos+pirateados+no+Brasil&tbm=isch 3. Apresentar o título, no quadro ou em um cartaz, deixando que os alunos levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido; Nike manda destruir 45 mil pares de tênis falsificados Professor, aproveite para trabalhar com os alunos a estrutura do título da notícia e o uso, nesses casos, do verbo no presente do indicativo, mesmo sendo a notícia um fato do passado, contrastando com a mesma frase escrita no pretérito perfeito do indicativo (Nike mandou destruir 45 mil pares de tênis falsificados) e questionando sobre os efeitos de sentido de cada uma das formações e sobre os motivos que levam o jornalista a escolher uma forma verbal em detrimento da outra, mostrando que o presente do indicativo dá à notícia um ar de maior agilidade e de novidade.

13 13 4. Para propiciar um contexto adequado para a leitura, apresente a fonte (Folha de S. Paulo Caderno Dinheiro), enfatizando o suporte (jornal) e o autor (Marcelo BilliBernardo nasceu em 30 de maio de 1975, em São Paulo, SP. Em 1999, graduou-se em Economia na Unicamp, em Campinas, SP. Começou no Jornalismo em dezembro de 1999, como repórter da Folha de S.Paulo, único lugar onde trabalhou até hoje. Foi pauteiro por um ano, em 2003, e atualmente é repórter do caderno Dinheiro). Professor, os alunos podem precisar de uma maiormediação para a correta interpretação dos objetivos da aula (identificar o tema ou sentido global do texto), para tanto, ao construir as expectativas de leitura com seus discentes, tenha sempre a preocupação de trabalhar a fonte de onde o texto foi extraído, mostrando a importância que ela tem para construírem juntos a credibilidade social, política e cultural da notícia. Segundo passo Durante a leitura 1. Distribuir a notícia para os alunos, orientando-os quanto à leitura em voz alta, a dinâmica que será utilizada (leitura compartilhada meninos e meninas, frente e fundo, fileira a fileira, etc.) e os objetivos de sua realização (identificar o tema ou sentido global do texto); 2. Em seguida ler com os alunos, em voz alta, parágrafo por parágrafo do texto, usando a estratégia da leitura protocolada (parando em cada parágrafo e lançando perguntas acerca das informações veiculadas e do vocabulário utilizado pelo autor, formulando hipóteses para as informações que virão nos próximos parágrafos e conferindo se essas hipóteses foram confirmadas ou negadas pelo texto). Professor,faça a mediação dos conhecimentos e hipóteses levantadas pelos alunos, ajudando-os a encontrar pistas textuais que permitam a interpretação que produziram. Terceiro passo Depois da leitura 1. Levantar com os alunos as ideias veiculadas pelo texto, e discutir com eles sobre a pirataria e suas implicações sociais, políticas, econômicas e culturais; 2. Lançar a pergunta: Se você fosse o dono da Nike, o que faria com os 45 mil pares de tênis falsificados? E discutir as ideias apresentadas pelos alunos; 3. Separar a turma em grupos de até 5 (cinco) integrantes para que, após discussão, possam registrar qual é a palavra-chave de cada um dos parágrafos e qual a palavra-chave do texto; 4. Contrastar as palavras-chave dos grupos, levando-os a discutir e defender suas ideias através de argumentos que possam ser embasados em pistas textuais; 5. Mediar a discussão a fim de que a turma a entre em consenso acerca de quais as palavraschave de cada um dos parágrafos e do texto como um todo, finalizando com a pergunta: Qual o tema do texto lido?. Tendo em vista que o objetivo dessa aula é identificar o tema ou o sentido global de um texto, e sabendo que, em sala de aula, o professor pode ampliar os objetivos de sua atividade para contemplar, por exemplo, a argumentatividade, pode-se realizar, ao final do processo, um júri simulado, ampliando também o tema pirataria.

14 14 AULA 3 TEXTO Igual-Desigual Carlos Drummond de Andrade Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers são iguais. Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais e todos, todos os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais. Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. Todos os amores, iguais iguaisiguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa. Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar. (fonte: A paixão medida ed. Rio de Janeiro: Record, 2002, p ) DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Criar expectativa para a aula, motivando os alunos para o que será lido, lançando perguntas sobre igualdade e desigualdade de direitos, de deveres, de características físicas e psicológicas das pessoas, etc., questionando sobre os argumentos que sustentam suas opiniões; Sugestões de perguntas para essa etapa: O que quer dizer a palavra igualdade para vocês? E a palavra desigualdade? Vocês já ouviram falar em equidade? (Professor, converse com os alunos sobre equidade: significa igualdade, simetria, retidão, imparcialidade, conformidade. Esse conceito também revela o uso da imparcialidade para reconhecer o direito de cada um, usando a equivalência para se tornarem iguais. A equidade adapta à regra para um

15 15 determinado caso específico, a fim de deixá-la mais justa.) Equidade e igualdade significam a mesma coisa? Igualdade/equidade e justiça significam a mesma coisa? As pessoas são todas iguais? Em que elas são iguais? Em que elas são diferentes? 2. Sugerir ao professor de História, para num trabalho interdisciplinar, a realização de um estudo do Estatuto da Criança e do Adolescente ECA, para favorecer as discussões sobre os seus direitos e deveres, produzindo um painel ilustrado, transcrevendo os principais direitos e deveres lidos no Estatuto, adaptando a uma linguagem mais próxima e mais acessível aos alunos; 3. Ilustrar o texto a partir da imagem apresentada abaixo, em PowerPoint, cartaz ou outros suportes, deixando que os alunos levantem suas hipóteses sobre o que será discutido na aula e apresentem suas leituras sobre o que está sendo visto; Professor, a imagem pode ser trabalhada de forma fragmentada (apresentar o primeiro quadro e o segundo, sem o texto verbal, em momentos distintos), deixando que os alunos levantem as hipóteses sobre cada um e confirmando-as na apresentação da imagem completa. 4. Apresentar o título do texto, no quadro ou em um cartaz, deixando que os alunos levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido;

16 16 Igual-Desigual 5. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura, apresentar a fonte (livro A paixão medida de 1980), enfatizando o suporte (livro de poemas) e o autor (Carlos Drummond de Andrade Itabira, 31 de outubro de 1902 / Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987 foi um poeta, contista, e cronista brasileiro, considerado o mais influente poeta brasileiro do século XX); Professor, caso os alunos necessitem de mediação para a correta interpretação dos objetivos da aula (identificar o tema ou sentido global de um texto), construa com eles as expectativas de leitura, tendo como base o suporte e o autor do texto. Segundo passo Durante da leitura 1. Distribuir o texto para os alunos, orientando-os quanto à leitura em voz alta e os objetivos de sua realização (identificar o tema ou sentido global de um texto); Ler com os alunos, em voz alta, os versos do poema, parando em cada um deles e lançando perguntas como: Vocês concordam com essa afirmação? O que o eu-lírico pretende ao dizer isso? Perguntar também acerca do vocabulário utilizado pelo autor. Professor, faça a mediação dos conhecimentos e das hipóteses levantadas pelos alunos, orientando-os para encontrar pistas textuais que permitam as interpretações feitas. Terceiro passo Depois da leitura 1. Levantar com os alunos as ideias veiculadas pelo texto, discutindo a dicotomia entre as igualdades e desigualdades apresentadas no poema. 2. Lançar o concurso Encontre o tema em que os alunos devam representar o tema do texto lido através de uma produção, seja emdesenho oufrase. 3. Proporcionar um momento para que os alunos possam votar nas produções feitas por eles e colher os votos. Professor, aproveite esse momento para trabalhar a justiça perante as escolhas das produções. 4. Analisar, junto aos alunos, as produções ganhadoras, verificando sua proximidade com o tema do texto trabalhado e fazendo as correções que se fizerem necessárias. Professor, esse pode ser o momento de rever com seus alunos as concepções e conceitos para se trabalhar com o tema. 5. Lembrando que o objetivo dessa aula é identificar o tema ou o sentido global de um texto, e sabendo que, em sala de aula, o professor pode ampliar os objetivos de sua atividade para contemplar, por exemplo, temas transversais como valores, igualdade e desigualdade social, entre outros, pode-se realizar uma roda de conversa com o tema Igual e desigual: os vários sentidos da palavra. Para tanto, o professor poderá:

17 17 I. Fazer um levantamento de imagens ou outros textos que retratem a igualdade e a desigualdade de gêneros, de etnia, econômica, cultural, financeira, política, etc.; II. Dividir a turma em grupos, de no máximo 5 integrantes, para distribuição dos textos (imagens, charges, artigos, reportagens, vídeos, etc.); III. Orientar os alunos para os objetivos da leitura (discutir o tema proposto), levando-os a uma leitura silenciosa; IV. Mediar as discussões, proporcionando aos alunos o desenvolvimento de atitudes de respeito para com a opinião dos colegas e o turno de fala, bem como expor suas opiniões, instigando-os a sustentá-las com argumentos dos textos lidos; V. Concluir as discussões dos alunos, procurando explicitar as opiniões que foram debatidas e se foram apresentados argumentos. Professor, retome o titulo: Igual-Desigual e aproveite a oportunidade para trabalhar a formação de substantivos a partir de adjetivos como em IGUAL IGUALDADE e DESIGUAL DESIGUALDADE. Dar outros exemplos (FIEL FIDELIDADE; FELIZ FELICIDADE; HUMANO HUMANIDADE; etc.), e a partir deles estimule os alunos que formulem uma regrinha para o uso do sufixo DADE em substantivos.

18 18 AULA 4 Onde estão os ETs? Marcelo Gleiser especial para a Folha São mais de 100 bilhões de estrelas apenas na nossa galáxia, a Via Láctea. Inúmeras observações recentes provaram que a existência de planetas não é um privilégio do nosso sistema solar, mas uma consequência corriqueira do processo de formação de estrelas. Na Terra, que tem em torno de 4,6 bilhões de anos, a vida surgiu bem cedo; amostras de rochas australianas contêm bactérias fossilizadas com 3,5 bilhões de anos. E, para chegar a essas bactérias, a evolução de seres vivos já devia ter começado bem antes, talvez 4 bilhões de anos atrás. Ou seja, a vida teve início por aqui tão logo as condições ambientais -temperatura, quantidade de água, nitrogênio e oxigênio- o permitiram. É difícil imaginar que o mesmo não tenha se repetido pela galáxia afora, em talvez milhões de planetas. A vida extraterrestre é, a meu ver, praticamente certa. E a vida inteligente? Aí já são outros quinhentos. Vários cientistas levam a possibilidade da existência de civilizações extraterrestres ultra avançadas muito a sério. Programas como o Seti (do inglês, "Busca por Inteligência Extraterrestre") vêm vasculhando os céus em busca de sinais de rádio gerados por outros seres inteligentes. O leitor interessado em uma lista desses programas pode consultar o site "Sky and Telescope" (www.skypub.com/news/special/setitoc.html). A ideia é que outras civilizações também tenham desenvolvido tecnologias para transmitir e receber ondas de rádio, que poderiam ser captadas por antenas daqui. Dadas as absurdas distâncias interestelares, "ouvir" vida extraterrestre é uma solução muito mais em conta do que embarcar em explorações ao vivo de outros sistemas solares. Mesmo supondo que essas civilizações existam, estabelecer um diálogo seria muito frustrante. Imagine uma civilização em um planeta orbitando uma estrela em nossa vizinhança cósmica, a, digamos, 50 anos-luz daqui. (A Via Láctea tem um diâmetro aproximado de 100 mil anos-luz; um raio de luz -ou uma onda de rádio- demora 100 mil anos para atravessá-la, viajando a uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo). Se, um dia, recebermos uma transmissão de lá, ela saiu há 50 anos. Se nós a respondermos, sempre uma questão a ser considerada com muito cuidado, eles só a receberão em 50 anos. Não vai dar para muita conversa, pelo menos em uma geração. Até o momento, não ouvimos nada. Defensores do programa Seti argumentam que a galáxia é muito grande, que civilizações precisam de transmissores potentes, para que seus sinais cheguem até nós ou que, talvez, essas civilizações não estejam interessadas em conversar conosco. Como dizia Carl Sagan, "a ausência de evidência não significa evidência de ausência". Talvez. Muito possivelmente, a resposta está na raridade que é o desenvolvimento de inteligência dentro do processo evolucionário. Um cálculo simples mostra que, se inteligência fosse uma

19 19 consequência automática da vida, nossa galáxia deveria ter milhões de civilizações, a maioria bem mais antiga e desenvolvida do que a nossa. Essas civilizações teriam tecnologias de exploração espacial que nós nem podemos ainda conceber, e a galáxia inteira já estaria colonizada por elas. A menos que nós mesmos sejamos uma criação dessas civilizações, uma possibilidade bastante absurda, não encontramos evidência da sua presença na Terra ou em outros planetas. Onde estão esses visitantes quase divinos de outros mundos? Se a vida não é tão rara, a inteligência, ao menos aqui na Terra, surgiu por acaso, consequência de uma série de eventos completamente aleatórios. É importante lembrar que os dinossauros reinaram sobre a Terra durante 150 milhões de anos. Nada indicava que essa situação fosse se alterar. Uma colisão com um asteroide ou cometa, há 65 milhões de anos, mudou o balanço da vida no planeta, criando condições para que os até então insignificantes mamíferos pudessem evoluir, enquanto os dinossauros foram extintos. Podemos mesmo dizer que, se a história da vida, ao menos a que podemos imaginar, é um experimento evolucionário que depende delicadamente de condições muito particulares, a história da vida inteligente depende de uma combinação de fatores que a torna extremamente rara. Quem sabe não seremos nós a civilização que irá colonizar a galáxia? (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 jul. 2000, Caderno Mais!, p. 29)

20 20 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da Leitura 1. Criar expectativa para a aula, motivando os alunos para o que será lido, pedindo que contem algum caso de contatos imediatos com extraterrestres ou visões de discos voadores que tenham presenciado ou tenham conhecimento; 2. Lançar perguntas aos alunos sobre o tema que será trabalhado, instigando-os a apresentarem os argumentos que sustentam suas opiniões; Sugestões de perguntas para essa etapa: Vocês acreditam que existe vida fora da Terra? Se existe/existisse vida extraterrestre, como ela seria? Alguém sabe quais as últimas descobertas da ciência em relação a esse assunto? Como são/seriam os ETs fisicamente? Os ETs são/seriam amigáveis ou hostis com os terráqueos? Por quê? 3. Ilustrar com o Incidente de Varginha, levantando os conhecimentos que os alunos já possuem e introduzindo outros; Incidente de Varginha ou Incidente em Varginha, como ficou conhecido pela imprensa brasileira, é uma possível série de aparições de OVNIs - Objetos Voadores Não Identificados (neste caso, naves espaciais e sondas de origem alienígena ou extraterrestre), uma apreensão de nave e a captura de seres extraterrestres inteligentes (pelo menos um deles ainda vivo) pelas autoridades militares brasileiras em 20 de janeiro de 1996, no município de Varginha, sul do estado de Minas Gerais, município conhecido como centro de região produtora de café. Segundo uma testemunha, nove dias antes do Incidente de Varginha, as autoridades brasileiras já tinham sido alertadas antecipadamente pelo NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte) sobre prováveis invasões do espaço aéreo brasileiro, com sobre voos na região do sudeste de Minas Gerais. Em 1996 e nos anos seguintes, um grande número de matérias jornalísticas e documentários relacionados ao fato foram editados com base em relatos, testemunhos e entrevistas com mais de 100 testemunhas, realizados por um grande número de jornalistas brasileiros e estrangeiros, mas não apresentaram provas físicas. O elevado número de relatos e testemunhos de moradores do município de Varginha sobre esse caso e a transmissão desses relatos e testemunhos pelos programas de televisão, pela imprensa local, pela imprensa nacional e pela imprensa estrangeira fez a cidade de Varginha conhecida no Brasil e no exterior como a "Terra do ET", chamando a atenção de curiosos e turistas. (Mais informações em: 4. Apresentar o título do texto, no quadro ou em um cartaz, deixando que os alunos levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido; Onde estão os ETs? 5. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura, apresentar a fonte (Folha de S. Paulo Caderno Mais!), enfatizando o suporte (jornal) e o autor (Marcelo Gleiser Rio de Janeiro, 19 de março de 1959 é um físico, astrônomo, professor, escritor e roteirista. Conhecido nos Estados Unidos por seus lecionamentos e pesquisas científicas, no Brasil é mais popular por suas colunas de divulgação científica na Folha de S. Paulo, um dos principais jornais do país. Escreveu sete livros e publicou três coletâneas de artigos. Jáparticipou de programas de televisão do Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, entre eles,

21 21 Fantástico. Em 2007, foi eleito membro da Academia Brasileira de Filosofia). Segundo passo Durante a leitura 1. Distribuir o texto para os alunos, combinando o tempo que será gasto para a realização da leitura silenciosa. Terceiro passo Depois a leitura 1. Contrastar os conhecimentos prévios e as hipóteses levantadas anteriormente pelos alunos com os conhecimentos veiculados pelo texto lido, levando-os a identificar aquilo que será confirmado, aquilo que será corrigido e aquilo que não foi mencionado. CONFIRMADO PELO TEXTO NEGADO PELO TEXTO NÃO MENCIONADO PELO TEXTO Professor, se achar necessário, pode-se fazer um painel de três colunas no quadro para sistematizar a discussão; 2. Separar a turma em grupos de até 05 (cinco) integrantes para que, após discussão, possam registrar, em uma única frase, o que foi discutido em cada um dos parágrafos e, em outra frase, qual é o tema do texto, combinando a apresentação para uma próxima aula. Professor, para deixar o trabalho mais interessante na apresentação, peça aos alunos que ilustrem cada uma das frases com desenhos, colagens ou figuras que retratem o que querem transmitir. 3. Organizar a turma para a apresentação das produções elaboradas na aula anterior, mediando o desenvolvimentodos alunos quando se perderem em informações secundárias do texto; 4. Contrastar, ao final das apresentações, as ideias mostradas por cada um dos grupos para que todos cheguem a uma única conclusão acerca da temática do texto e de cada um dos seus parágrafos. Professor, aproveite a oportunidade para retomar a formação de substantivos compostos e o plural de siglas.

22 22 AULA 5 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem de questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de identificar o tema ou o sentido global de um texto. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a) Leia o texto para os alunos. b) Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c) Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d) No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e) Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f) Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g) Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE QUESTÃO 01. Leia o texto abaixo. Quando foram introduzidos os cartões de futebol? No mundial da Inglaterra de 1966, ocorreu o episódio que finalmente convenceria os cartolas do futebol de que era necessário um sistema visual de comunicação entre árbitros e jogadores. A certa altura da partida entre Argentina e Inglaterra, o apoiador argentino Rattin tentou falar com o juiz, mas como não falava inglês, começou a gesticular na tentativa de se fazer entender. O árbitro, por sua vez, imaginou estar sendo afrontado pelo jogador, expulsando-o de campo. Com isso, a Argentina acabou perdendo a partida por 1 x 0. O fato gerou muita polêmica, fazendo com que, no mesmo ano, os senhores da International Board oficializassem os cartões de advertência (amarelo) e expulsão (vermelho). Houve até mesmo uma tentativa de se utilizar um cartãoazul, como nos primórdios do futebol de salão, representando uma puniçãointermediária. Mas a ideia não pegou. Após todo esse percurso, na Copa de 1970 foi inaugurado o uso de cartões no futebol, no jogo entre México e URSS. A instituição do sistema de cartões foi um grande passo no desenvolvimento do esporte. Mas, pensando bem, no caso do jogo entre Argentina e Inglaterra, Rattin teria sido expulso de qualquer jeito, já que o alemão continuaria a não entender lhufas do que ele dizia. A diferença seria a de que a expulsão teriasido realizada com um cartão vermelho. (Almanaque das Curiosidades. São Paulo: Editora Sinapse. p. 16.)

23 23 Esse texto trata: (A) dos árbitros da copa (B) da criação dos cartões de futebol. (C) da história de antigos jogadores. (D) dos jogos da copa de QUESTÃO 02. Leia a tirinha abaixo. Qual é o assunto tratado nesse texto? (A) Sonho. (B) Preguiça. (C) Migração. (D) Ambiente. QUESTÃO 03. Leia o texto abaixo. O Galo e a Pedra Preciosa Esopo Um Galo, que procurava no terreiro, alimento para ele e suas galinhas, acaba por encontrar uma pedra preciosa de grande beleza e valor. Mas, depois de observá-la por um instante, comenta desolado: Se ao invés de mim, teu dono tivesse te encontrado, ele decerto não iria se conter diante de tamanha alegria, e é quase certo que iria te colocar em lugar digno de adoração. No entanto, eu te achei e de nada me serves. Antes disso, preferia ter encontrado um simples grão de milho, a que todas as joias do Mundo! Moral da História: A necessidade de cada um é o que determina o real valor das coisas. (www.sitededicas.com.br)

24 24 O tema desse texto é: (A) o alimento preferido de galos e galinhas. (B) o encontro do galo com a pedra. (C) a relação entre valor e necessidade. (D) a beleza e o valor da pedra preciosa. QUESTÃO 04 Leia o texto abaixo. Na porta a varredeira varre o cisco varre o cisco varre o cisco Ritmo Na pia a menininha escova os dentes escova os dentes No arroio a lavadeira bate roupa bate roupa bate roupa até que enfim se desenrola toda a corda e o mundo gira imóvel como um pião. (Mário Quintana. Apontamentos de história sobrenatural ) Esse texto trata, principalmente, (A) da descrição de atividades. (B) de ações feitas no dia-a-dia. (C) dos trabalhos feitos em casa. (D) do movimento rítmico do pião.

25 25 QUESTÃO 05. Leia o texto abaixo e responda: Qual é o assunto abordado nesse texto? (A) A ação do vírus da gripe. (B) A prevenção contra o vírus da gripe. (C) A vacinação contra a gripe. (D) A venda de remédios sem prescrição médica. (Disponível em: <http://www.portal.saude.gov.br/portal/saude>. Acesso em: 28 mar. 10.)

26 26 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO I PROCEDIMENTOS DE LEITURA (PROEB) LIÇÃO 02Localizar informações explícitas em um texto Competência Localizar informações Habilidade Localizar informações explícitas em um texto Habilidade CBC 3.4.Reconhecer informações explícitas em um texto. Em que consiste essa habilidade? A competência de localizar informação explícita em textos pode ser considerada uma das mais elementares. Com o seu desenvolvimento o leitor pode recorrer a textos de diversos gêneros, buscando neles informações de que possa necessitar. Essa competência pode apresentar diferentes níveis de complexidade - desde localizar informações em frases, por exemplo, até fazer essa localização em textos mais extensos - e se consolida a partir do desenvolvimento de um conjunto de habilidades que devem ser objeto de trabalho do professor em cada período de escolarização. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? O professor deve levar para a sala de aula textos de diferentes gêneros e de temáticas variadas para que as atividades de leitura sejam diversificadas. Dessa forma pode estimular o aluno articular o sentido literal do que lê com outros fatores de significação. Deverá trabalhar com Interpretação de textos ou itens que perguntem diretamente a localização da informação, completando o que é pedido ou relacionando o que é solicitado no enunciado. Foram disponibilizadas 5 SUGESTÕES DE LIÇÕES direcionadas principalmente para o desenvolvimento dessa habilidade. As aulasorganizam-se por ordem crescente de dificuldade, sendo as primeiras mais elementares, destinadas a alunos cujas dificuldades em consolidar a habilidade em questão sejam latentes; e as últimas, mais elaboradas, pretendendo fechar o ciclo de consolidação da habilidade estudada e avaliar os possíveis entraves que ainda possam restar.

27 27 SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA1 TEXTO

28 28 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Criar expectativa para a aula, motivando os alunos para o que será lido, lançando perguntas que abarquem elementos referentes ao texto que será trabalhado e fazendo com que os alunos justifiquem suas colocações com argumentos convincentes; Sugestões de perguntas para essa etapa:para que nós podemos usar um cartaz? (fazer com que os alunos percebam que, com o cartaz, também podemos fazer propagandas) Que tipo de propaganda podemos fazer, usando um cartaz? (fazer com que os alunos cheguem à conclusão de que, com o cartaz, podemos fazer propaganda de shows, consertos, etc.) Vocês sabem o que é uma orquestra?já viram alguma orquestra de perto? Onde as orquestras podem se apresentar? Já ouviram falar do Parque do Ibirapuera? Dentre outras. 2. Ilustrar o texto com o vídeo que pode ser encontrado no link apresentado abaixo, falando o que é uma orquestra, que tipos de orquestra existem, etc.; Link para o vídeo Orquestra toca Estilos Musicais diferentes em uma só Música : - https://www.youtube.com/watch?v=cnr0laasfco Professor, o vídeo trabalha com instrumentos variados e diferentes, caso ache pertinente, substitua o vídeo por outro mais próximo da caracterização que se espera de uma orquestra. Talvez um vídeo da própria Orquestra Sinfônica de Berlim, que pode ser encontrado no link abaixo: - https://www.youtube.com/watch?v=0y4l828csam 3. Falar que os alunos estão prestes a analisar um cartaz, fazendo um levantamento dos conhecimentos que eles têm a respeito da função social de um cartaz e deixando que levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido; 4. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura,retomar com os alunos sobre o Parque do Ibirapuera, introduzir a Orquestra Sinfônica de Berlim e o Clube de Criação de São Paulo. Parque do Ibirapuera: é o mais importante parque urbano da cidade de São Paulo, Brasil. Foi inaugurado em 21 de agosto de 1954 para a comemoração do quarto centenário da cidade. É superado em tamanho apenas pelo Parque do Carmo e pelo Parque Anhanguera. Orquestra Sinfônica de Berlim: é uma orquestra baseada em Berlim, Alemanha. Em 2006 foi considerada uma das dez melhores orquestras da Europa na lista "Top TenEuropeanOrchestras", ficou atrás somente da Orquestra Real do Concertgebouw. Desde 2002 o maestro principal é Sir Simon Rattle. Clube de Criação de São Paulo (CCSP): foi criado em 1975 por publicitários de São Paulo. Tem o intuito de registrar em seu anuário as peças mais criativas feitas pela publicidade no ano. As categorias são (até 2005): TV e Cinema, Revista, Jornal, Outdoor, Rádio, Internet e Material Promocional/Design. Os prêmios são divididos em Grand Prix (prêmio máximo), Ouro, Prata e Bronze. O júri é eleito pelos sócios do Clube. Professor, caso os alunos necessitem de mediação para a correta interpretação dos objetivos da aula (identificar informações explícitas no texto), construa com eles as expectativas de leitura, tendo como base o suporte (cartaz) e sua função social, bem como o

29 29 público alvo (pessoas que gostam de música clássica), construindo com eles um perfil possível para esse público (social, econômico e cultural). Segundo passo Durante a leitura 1. Distribuir o texto para os alunos, ou, se preferir, apresentar o cartaz à frente da sala, fazendo uso do Data Show, orientando-os que serão dados 30 segundos para que analisem o cartaz; 2. Pedir aos alunos que guardem o texto, ou, no caso do Data Show, finalize a visualização do texto, e informá-los de que serão feitas algumas perguntas sobre o cartaz e que eles terão que responder rapidamente. Terceiro passo Depois da leitura 1. Lançar perguntas sobre as informações que estão presentes no cartaz como: Quem vai tocar? Onde? Quando? Qual o horário? Quem pode ir ao concerto? Que imagens foram apresentadas no texto? 2. Pedir aos alunos que consultem novamente o texto, confiram as respostas que foram dadas a todas as perguntas e corrijam, se necessário. Indague sempre sobre a localização exata da resposta dada; 3. Explorar a associação de ideias, trabalhando as informações implícitas da linguagem não verbal explorada pelo cartaz, associando-a com as informações do evento; Sugestões: uma folha foi escolhida como matéria-prima da imagem porque o evento acontecerá em um parque, a imagem explora o formato de um violino porque este é talvez um dos instrumentos mais conhecidos/populares de uma orquestra. 4. Sabendo, professor e alunos, que a anúncio publicitário trabalhado faz parte do 21 Anuário de Criação, publicação onde são encontradas todas as peças publicitárias que levaram estrela de ouro, prata e bronze de um determinado período de tempo, levantar quais podem ser os motivos que levaram os organizadores do da premiação a considerarem o texto como bem elaborado; 5. Concluir as discussões; 6. Pedir aos alunos que pesquisem sobre os eventos que irão acontecer na cidade nos próximos dias e que tragam as informações para a próxima aula (o que, quando, onde, que horário, entre outras); 7. Pedir aos alunos que confeccionem um cartaz para divulgar o evento que eles pesquisaram, utilizando o cartaz em estudo como modelo, ou criando um layout próprio; Professor, se preferir, o trabalho pode ser realizado com grupos de alunos com, no máximo, 5 integrantes em cada um. 8. Afixar os cartazes produzidos pelos alunos e escolher alguns para realizar os mesmos procedimentos de análise da aula anterior; Expor os trabalhos dos alunos na escola.

30 30 AULA 2 TEXTO

31 31 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Criar expectativa para a aula, motivando os alunos para o que será lido, lançando perguntas que abarquem elementos referentes ao texto a ser trabalhado, e fazendo com que os alunos justifiquem suas observações com argumentos convincentes; Sugestões de perguntas para essa etapa: Como vocês veem as ciências? Ela se resume somente àquilo que aprendemos na escola?vocês saberiam dar um exemplo de algum avanço científico interessante que tenha acontecido recentemente? Existem publicações (jornais, revistas, etc.) que servem para divulgar novidades científicas para vários públicos diferentes, desde aqueles que não conhecem a ciência a fundo como aqueles que são cientistas e pesquisadores. Vocês conhecem alguma(s) dessas publicações? Vocês já ouviram falar de uma revista chamada Galileu? 2. Ilustrar o texto a partir de imagens de outras capas de revistas variadas, que podem ser apresentadas em PowerPoint, vídeo, cartaz ou outros suportes, deixando que os alunos levantem suas hipóteses sobre o que será discutido na aula e apresentem suas leituras sobre o que está sendo visto; Professor, seria interessante contrastar várias capas de revistas com funções diversificadas (de ciências Superinteressante, de atualidades Veja, adolescente Capricho; de moda ou feminina Marie Claire, etc.) mostrando como cada uma procura chamar a atenção de seu público alvo através da formatação, dos assuntos e temáticas expostos nas reportagens de capa, das ilustrações, etc. 3. Falar que os alunos estão prestes a analisar uma capa de revista, fazendo um levantamento dos conhecimentos deles a respeito de sua função social e deixando que levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido; 4. Apresentar a fonte (Galileu), enfatizando o suporte (revista) e editora (Globo), para que os alunos criem o contexto correto para a leitura. Professor, caso os alunos necessitem de mediação para a correta interpretação dos objetivos da aula, construa com eles as expectativas de leitura, tendo como base o suporte e o autor do texto. Galileu: é uma revista de publicação mensal da Editora Globo, desde Criada com o nome de Globo Ciência, é uma publicação que aborda assuntos ligados à ciência, história, tecnologia, religião e saúde, entre outros. Professor, caso considere interessante, poderá ser trabalhado nesse momento por você, ou pelo professor de Ciências, os motivos de a revista ter o nome de Galileu. Galileu Galilei foi um físico, matemático, astrônomo efilósofo italiano, personalidade fundamental na revolução científica. Desenvolveu os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo;descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica newtoniana; melhorou significativamente o telescópio refrator e com ele descobriu as manchassolares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites dejúpiter,4 dos anéis de Saturno, as estrelas da Via Láctea. Essas descobertas contribuíram decisivamente na defesa do heliocentrismo. Contudo sua principal contribuição foi para o método científico, pois a ciência assentava numa metodologia aristotélica. Desenvolveu ainda vários instrumentos como a balança hidrostática, um tipo

32 32 de compasso geométrico que permitia medir ângulos e áreas, otermômetro de Galileu e o precursor do relógio de pêndulo. O método empírico, defendido por Galileu, constitui um corte com o método aristotélico mais abstrato utilizado nessa época, devido a este Galileu é considerado como o "pai da ciência moderna". Mais informações em: Organizações Globo: é o maior conglomerado de empresas do setor de mídia do Brasil, atuando também no setor detelecomunicações. É também o maior conglomerado de mídia de toda a América Latina, superando inclusive a Televisa doméxico, sendo um dos maiores de todo o mundo. A principal e mais conhecida empresa das Organizações Globo é a Rede Globo de Televisão, que é a maior rede de televisão do país e a segunda maior do mundo, atrás apenas da American Broadcasting Company, a ABC, dos Estados Unidos da América Segundo passo Durante a leitura 1. Distribuir o texto para os alunos, orientando-os quanto à leitura em voz alta, a dinâmica que será utilizada (leitura compartilhada meninos e meninas, frente e fundo, fileira a fileira, etc.) e os objetivos de sua realização (identificar informações explícitas no texto); 2. Ler com os alunos, em voz alta as apresentações dos principais assuntos expostos na capa da revista, parando em cada uma delas e lançando perguntas acerca das informações veiculadas e do vocabulário utilizado pelo autor. Professor,faça a mediação dos conhecimentos e hipóteses levantadas pelos alunos, levando-os a encontrar pistas textuais que permitam a interpretação que produziram. Terceiro passo Depois da leitura 1. Pedir para os alunos que encontrem algumas informações na capa da revista, fazendo perguntas como: Qual o nome da revista? Qualé a data dessa publicação? Qual a reportagem em destaque? Quais as outras reportagens que também estão presentes nessa publicação? Qual a editora responsável pela publicação da revista Galileu? e outras perguntas referentes à capa; 2. Pedir aos alunos que assistam a um jornal de sua preferência e que tragam as informações da notícia que mais lhe chamou a atenção para a próxima aula (o que, quando, onde, que horário, entre outras); 3. Fazer um levantamento das notícias coletadas pelos alunos e escolher, junto com eles, as que a turma considera mais importantes; 4. Falar com a turma que irão construir uma capa de revista coletiva em um cartaz; 5. Confeccionar com os alunos as chamadas para as notícias escolhidas, bem como imagens para ilustrá-las. As tarefas podem ser distribuídas entre grupos formados por até 5 (cinco) alunos; 6. Confeccionar com os alunos a capa da revista, fazendo-os discutir a disponibilização das chamadas construídas por eles no papel e quais os motivos da escolha; 7. Afixar o cartaz produzido pelos alunos e realizar os mesmos procedimentos de análise da aula anterior; Expor os trabalhos dos alunos na escola.

33 33 AULA 3 TEXTO

34 34 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Criar expectativa para a aula, motivando os alunos para o que será lido, lançando perguntas que abarquem elementos referentes ao texto a ser trabalhado e fazendo com que os alunos justifiquem suas observações, com argumentos convincentes; Sugestões de abordagem para essa etapa: levantar os conhecimentos que os alunos possuem sobre maioridade civil e penal no Brasil, questionando sobre a idade em que é permitido ao jovem dirigir, casar, votar, trabalhar, beber, etc., perguntando também se eles concordam com essas proibições ou permissões., 2. Apresentar o título do texto, no quadro ou em um cartaz, deixando que os alunos levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido; Os limites pelo mundo 3. Apresentar a fonte, enfatizando o suporte e o autor, para que os alunos criem o contexto correto para a leitura. Professor, caso os alunos necessitem de mediação para a adequada interpretação dos objetivos da aula, construa com eles as expectativas de leitura, tendo como base o suporte e o autor do texto. Segundo passo Durante a leitura 1. Distribuir o texto para os alunos, orientando-os quanto à leitura silenciosa e os objetivos de sua realização. Terceiro passo Depois da leitura 1. Lançar perguntas aos alunos acerca das informações veiculadas no texto como, por exemplo: Com que idade é permitido ao cidadão/moradorargentino/grego/iraniano/japonês/russo/alemão/italiano/francês/inglês/americ ano votar/dirigir/casar/beber?, entre outras; 2. Questionar aos alunos se eles concordam com o limite dos países e quais os argumentos que sustentam sua posição. Professor, identificar a informação explícita no texto é somente o primeiro passo para um trabalho mais amplo de exercício da argumentatividade, porém, caso veja necessidade e a turma não esteja com essa habilidade consolidada, pode focar mais em perguntas que identifiquem informações explícitas; 3. Pedir aos alunos que pesquisem os limites expostos no texto para o Brasil e se há alguma diferença entre os estados que o compõem, trazendo os resultados na próxima aula; 4. Pedir aos alunos que exponham os resultados da pesquisa realizada e anotar o consolidado no quadro, em um cartaz ou PowerPoint; 5. Lançar perguntas sobre as informações pesquisadas, questionando se os alunos concordam ou não com as posições e quais os argumentos que sustentam suas ideias; 6. Concluir a discussão e expor o trabalho na escola.

35 35 AULA 4 TEXTO Geração tipo assim Imagens comparativas e novas gírias reacendem a discussão sobre a erosão da linguagem entre os jovens Ao adolescente dos anos 90 que não consegue entender o que se conversa numa roda de contemporâneos, resta o consolo de não pertencer aos grupos acusados de promoverem a chamada erosão da linguagem. Para esses grupos, segundo estudiosos como o poeta, tradutor e ensaísta José Paulo Paes, tem sido cada vez mais cômodo seguir o caminho das imagens comparativas, evitando expor o próprio potencial intelectual ao risco de um raciocínio elaborado. Não é a toa que um dos recursos mais usados hoje para facilitar a explicação de uma ideia é o tipo assim ( Ele é um cara tipo assim... ). [...] Enquanto a discussão volta a mobilizar estudiosos, novas gírias são criadas e absorvidas numa velocidade impressionante. [...] A conversa de adolescentes é feita de diálogos exclamativos e sem fluência, próprios de quem apenas reafirma um comportamento de grupo, alerta Paes. O poeta reconhece, no entanto, que existem gírias muito saborosas. Mas restringe: Gíria é coisa de moda. Muitas vezes você substitui uma boa interação verbal de gírias anteriores sem que haja ganhos expressivos. Em outra vertente, o escritor Affonso Romano de Sant Anna acha normal que cada grupo social crie sua própria linguagem. E os jovens que passaram a existir socialmente a partir dos anos 60, com a emergência do poder juvenil, também têm a sua linguagem, diz. Esse é um ato que não recrimino nem reprovo, mas sua constatação é inevitável. O escritor vê a leitura como única solução para as divergências entre as linguagens usadas por jovens e adultos. É lendo que você aumenta seu vocabulário, sugere. Affonso Romano observa que os jovens não são a única tribo a usar uma linguagem própria, de difícil entendimento por quem está de fora. O mesmo acontece, por exemplo, com o pessoal que mexe com computador. Sua linguagem é restrita, falada em códigos. [...] Os adolescentes não veem problema no uso de gírias e expressões recém-criadas, e julgam seu

36 36 vocabulário inofensivo. As gírias são um meio muito legal de se comunicar e simplificar as coisas. Além disso, é irado falar de um jeito que os professores e o pessoal lá de casa não entendam, diz Thiago, 16 anos. A moda não muda? A decoração também não muda? Qual é o problema de atualizar também o vocabulário?, questiona Tatiana, 17 anos. Sua colega Maíra, 16 anos, tenta explicar o uso frequente de expressões como o tipo assim: Você quer falar alguma coisa e descobre uma expressão que consegue resumir seu pensamento. O tipo assim é o espaço que a gente usa para pensar e articular as palavras. É impossível contar uma história sem usar pelo menos um aí. As gírias mudam e não vão deixar de existir. A gente não fala mais é uma brasa, mora?, que era moda nos anos 70. No lugar disso, falamos outras coisas, justifica o estudante Marcos, 17 anos. O mais legal disso tudo é que ampliamos o nosso vocabulário, opina Thiago, afirmando em seguida: Eu também sei falar formalmente, mas não gosto. Não me dirijo ao padre do colégio com um aí, velhinho. Estou apto a usar a linguagem formal, quando necessário. A babel de gírias também afeta os diferentes grupos da mesma geração. Tenho amigos que convivem com o pessoal que frequenta bailes funk. Eles usam gírias próprias e eu não entendo nada, conta Tatiana. Não vejo problema nenhum no fato de as tribos não se entenderem. A gente traduz e aprende cada vez mais, assegura Gabriel, 17 anos. (Jornal do Brasil, 5 de maio de 1996, Caderno B, p. 07.) - O sobrenome dos adolescentes citados e o nomedo colégio em que estudam foram omitidos. DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antesda leitura 1. Criar expectativa para a aula, motivando os alunos para o que será lido; Estratégias sugeridas: a) Fazer um levantamento das gírias usadas pelos alunos e, para introduzir a aula, preparar um discurso, fazendo uso dessas palavras e expressões. O objetivo é causar estranheza nos alunos e chamar a atenção da sala. Quando questionarem os motivos de o professor falar diferente da forma como está acostumado, questioná-los sobre os motivos da estranheza e pedir argumentos, oportunizando a eles formar opinião a favor ou contra o uso das gírias. b) Preparar uma introdução para a aula selecionando gírias mais antigas e que já não fazem parte da convivência dos alunos. O objetivo é deixá-los curiosos acerca do que o professor está falando e do significado dessas palavras e expressões diferentes. Quando perguntarem sobre o que está sendo dito, ou que vocabulário está sendo utilizado, informar a eles que essas palavras ou expressões se tratam de gírias antigas que, assim como hoje, eram utilizadas pelos jovens de determinada época, auxiliando-os a formar opinião sobre gírias e sobre como elas retratam um grupo, uma época e uma geração. 2. Trabalhar a ilustração do texto com os alunos, questionando-os acerca do que perceberam de diferente, se conseguem definir a época/década em que essa foto foi tirada e em que suas hipóteses se baseiam.

37 37 Professor, aproveite a oportunidade para trabalhar as diferenças culturais, sociais, politicas e econômicas de uma geração para a outra, partindo de suas próprias experiências quando na idade de seus alunos. Se achar interessante, ilustre esse momento com situações reais que você, seus pais e os pais dos alunos tenham vivido, contrastando com situações semelhantes pelas quais a turma tenha passado. Explore as variações linguísticas existentes entre as gerações de 80, 90, 2000 aos dias atuais, mostrando como uma palavra ou expressão era usada para expressar uma ideia em cada uma dessas épocas. 3. Mostre aos alunos que, na moda e na vida, várias ideias do passado são aproveitadas no presente, contrastando a imagem do texto com a imagem abaixo que mostra traços da moda anos 90 que estão sendo revisitados nos guarda-roupas de hoje;

38 38 4. Apresentar o título do texto, no quadro ou em um cartaz, deixando que os alunos levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido; Geração tipo assim 5. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura, apresentar a fonte (Jornal do Brasil Caderno B), enfatizando o suporte (jornal) e o autor (nesse caso, como o artigo não tem autor, a autoria e as informações veiculadas por ele ficam sob a responsabilidade do Jornal do Brasil). Jornal do Brasil- é um tradicional jornal brasileiro, publicado diariamente na cidade do Rio de Janeiro e impresso até setembro de 2010, quando se tornou exclusivamente digital. Segundo passo Durantea leitura 1. Distribuir o texto para os alunos, orientando-os quanto à leitura silenciosa e os objetivos de sua realização (identificar informações explícitas no texto); 2. Orientar quanto à leitura em voz alta, a dinâmica que será utilizada (leitura compartilhada meninos e meninas, frente e fundo, fileira a fileira, etc.) e os objetivos de sua realização; 3. Ler com os alunos, em voz alta, parágrafo por parágrafo do texto, parando em cada um deles e lançando perguntas acerca das informações veiculadas e do vocabulário utilizado pelo autor. Professor, faça a mediação entre os conhecimentos e hipóteses levantadas pelos alunos e o que o texto realmente traz, orientando-os a encontrar pistas textuais que permitam o descarte ou confirmação das hipóteses levantadas, possibilitando-lhes a interpretação do texto. Terceiro passo Depois da leitura 1. Lançar, oralmente, perguntas simples sobre o texto lido, a fim de verificar a capacidade de os alunos identificarem informações explícitas e mesmo as que não sejam tão explícitas: A que se refere o título do texto: Geração tipo assim? A que o autor chama de erosão de linguagem? Para o autor, quais são os grupos responsáveis por promover a erosão da linguagem? Por que o autor diz que os jovens preferem seguir os caminhos das imagens comparativas? Qual a é a expressão usada pelos jovens para construir essas imagens comparativas? Qual é a opinião de José Paulo Paes sobre conversa de adolescentes? Para o escritor Affonso Romano de Sant Anna, qual é a solução para resolver as divergências entre as linguagens usadas por jovens e adultos? Qual é a opinião dos jovens consultados no texto sobre o uso de gírias? As gírias mudam de geração para geração? De acordo com o texto, como isso acontece? É adequado comunicar-se usando gírias, em todos os ambientes e com todas as pessoas? Quem no texto defende essa ideia e como o faz? Existem outros grupos que usam uma linguagem própria? Quais são citados no texto, além dos jovens? É possível o entendimento entre todos esses grupos? Por quê?

39 39 2. Fazer com os alunos a gincana: Encontre no texto : os alunos serão divididos em 3 grupos; cada grupo receberá uma bateria de perguntas (de 5 a 10 perguntas, dependendo da complexidade) e terão 15 minutos para respondê-las, identificando as informações no texto trabalhado na aula anterior; Sugestões de perguntas para a Gincana: a) No texto, são citados 2 autores literários conhecidos. Quais são eles? b) Vários adolescentes fazem depoimentos cujos trechos foram utilizados na reportagem. Identifique quem são esses adolescentes e qual a idade de cada um. c) De acordo com o texto, as gírias são de uso exclusivo dos adolescentes e não são entendidas somente pelas pessoas mais velhas. Confirme ou corrija essa assertiva com informações do texto. d) De acordo com José Paulo Paes, para que serve a expressão tipo assim? e) Qual é uma das funções da leitura para Affonso Romano de Sant Anna? f) De acordo com a reportagem, vários elementos de nossa cultura vivem sofrendo modificações. Enumere quais são os elementos citados no texto. 3. Ao final do tempo determinado, o professor recolherá as respostas dadas pelos grupos, trocando-as entre eles para o momento de correção; 4. O professor realizará a correção das respostas, pedindo que o próprio grupo leia a pergunta e a resposta, concordando ou discordando do que foi colocado; 5. Cada resposta terá um valor específico: resposta completa (10 pontos); resposta incompleta (5 pontos) e resposta errada (0 ponto). Professor, aproveite a oportunidade para trabalhar outros aspectos de coesão e coerência das respostas dos alunos: emprego de conectores, de conjunções, preposições, advérbios, pronomes, situações de ortografia, de formatação, de pontuação, etc.; g) Resuma em uma única frase o posicionamento de José Paulo Paes sobre as gírias. h) Resuma em uma única frase o posicionamento de Affonso Romano de Sant Anna sobre as gírias. i) Qual a expressão utilizada na reportagem que resume a comparação entre os posicionamentos dos dois escritores sobre as gírias? As gírias interferem na comunicação até das tribos de uma mesma geração. Que argumento o texto utiliza para ratificar essa assertiva?

40 40 AULA 5 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem dequestões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de localizarinformações explícitas em um texto. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a) Leia o texto para os alunos. b) Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c) Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d) No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e) Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f) Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g) Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho.

41 41 EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE QUESTÃO 01. Veja a tirinha abaixo e responda à questão. O que causou o afastamento do casal foi: (A) o fato de eles morarem em cidades distantes. (B) o tamanho do sofá. (C) a falta de desodorante. (D) o fato de os braços deles serem muito curtos. (Liners, Macanudo. In: Folha de S. Paulo, caderno Ilustrada, 4 ago ) QUESTÃO 02 (Prova Brasil). Leia o texto abaixo: A pipoca surgiu há mais de mil anos, na América, mas ninguém sabe ao certo como foi. Um nativo pode ter deixado grãos de milho perto do fogo e, de repente: POP! POP!, Eles estouraram e viraram flocos brancos e fofos. Que susto! Quando os primeiros europeus chegaram ao continente americano, no século 15, eles conheceram a pipoca como um salgado feito de milho e usado pelos índios como alimento e enfeite de cabelo e colares. Arqueólogos também encontraram sementes de milho de pipoca no Peru e no atual estado de Utah, nos Estados Unidos. Por isso, acreditam queela já fazia parte da alimentação de vários povos da América no passado. (Disponível em: De acordo com esse texto, no século 15, chegaram ao continente americano os: (A) nativos. (B) índios. (C) europeus. (D) arqueólogos.

42 42 QUESTÃO 03. Leia a reportagem abaixo e responda à questão. Ao longo da última década tem sido assim: para encontrar uma raridade dessas, o carteiro Rubens, de 56 anos, passa mais de três horas garimpando em sacolas abarrotadas de extratos bancários, contas e publicidade. Segundo os Correios, 20 milhões de objetos circulam por dia nos cinco centros de triagem da região metropolitana de São Paulo. Menos de 5% são cartas pessoais. O primeiro concorrente dos selos foi o telefone. Mas quem praticamente aposentou a caneta foi a internet, com o e os programas de mensagem instantânea. No entanto, ao contrário do que se pode imaginar, o serviço dos carteiros só aumentou. Atualmente, um número maior de faturas e boletos dá volume ao fluxo postal. O diretor regional dos Correios José Furian Filho aponta ainda um outro responsável pelo crescimento da demanda: a distribuição de encomendas do comércio eletrônico. (ZIEMKIEWICH, Nathalia. Querido Leitor, Época São Paulo,nº 16, São Paulo: Globo, ago. 2009, p.20 fragmento) Segundo o texto, o que quase aposentou o serviço dos Correios foi: (A) o telefone. (B) as sacolas abarrotadas de extratos bancários, de contas e de publicidade. (C) a Internet. (D) a distribuição de encomendas do correio eletrônico.

43 43 QUESTÃO 04 (Prova Brasil). Leia o texto abaixo: Minha Sombra De manhã a minha sombra com meu papagaio e o meu macaco começam a me arremedar. E quando eu saio a minha sombra vai comigo fazendo o que eu faço seguindo os meus passos. Minha sombra, eu só queria ter o humor que você tem, ter a sua meninice, ser igualzinho a você. E de noite quando escrevo, fazer como você faz, como eu fazia em criança: Depois é meio-dia. E a minha sombra fica do tamaninho de quando eu era menino. Depois é tardinha. E a minha sombra tão comprida brinca de pernas de pau. De acordo com o texto, a sombra imita o menino: (A) de manhã. (B) ao meio-dia. (C) à tardinha. (D) à noite. Minha sombra você põe a sua mão por baixo da minha mão, vai cobrindo o rascunho dos meus poemas sem saber ler e escrever. (LIMA, Jorge de. Minha Sombra In: Obra Completa. 19. ed. Rio de Janeiro: José Aguillar Ltda., 1958.)

44 44 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO I PROCEDIMENTOS DE LEITURA (PROEB) LIÇÃO 03Inferir informações implícitas em um texto Competência Realizar inferência Habilidade Inferir informações implícitas em um texto Habilidade CBC 3.5.Inferir informações (dados, fatos, argumentos, conclusões...) implícitas em um texto. Em que consiste essa habilidade? A compreensão de um texto se dá não apenas pelo processamento de informações explícitas, mas, também, por meio de informações implícitas. Ou seja, a compreensão se dá pela integração das informações expressas com os conhecimentos prévios do leitor e com os elementos pressupostos no texto. Para que tal integração ocorra, é fundamental que as proposições explícitas sejam articuladas entre si e com o conhecimento de mundo do leitor, o que exige uma identificação dos sentidos que estão nas entrelinhas do texto (sentidos não explicitados pelo autor). Tais articulações só são possíveis, no entanto, a partir da identificação de pressupostos ou de processos inferenciais, ou seja, de processos de busca dos vazios do texto, isto é, do que não está dado explicitamente no texto, mas que, pelas pistas deixadas pelo autor, é possível depreender. As atividades relativas a essa habilidade devem envolver elementos que não constam na superfície do texto, mas que podem ser reconhecidos por meio da identificação de dados pressupostos ou de processos inferenciais, isto é, pistas textuais. Esse trabalho consiste na discussão sobre as várias possibilidades de leitura que um texto permite, considerando a experiência que o leitor possui sobre o assunto. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? Atividades com textos sobre temas atuais, com espaço para as várias possibilidades de leitura possíveis, permitem desenvolver a interpretação, tanto do que está explícito como do que está implícito. O professor pode trabalhar com textos que contrariam a lógica formal para que o aluno perceba que, de fatos banais, podem ser criadas situações irreais, fantásticas, mas que são verossímeis no contexto. Considerando que a habilidade de inferir está relacionada às práticas de leitura dos alunos em diferentes contextos sociais, a escola pode colaborar para que isso se desenvolva, promovendo atividades que englobem gêneros textuais diversificados. Pode-se destacar que textos que, normalmente, compõem-se de escrita e imagem (tirinhas, propagandas, rótulos, etc.) colaboram para o desenvolvimento da habilidade de inferir com base na conjugação dessas duas linguagens. O professor deve ser um mediador para que os alunos estabeleçam relações entre os diferentes elementos presentes no texto, levantando as pistas aí presentes e discutindo também as diferentes possibilidades de interpretação apresentadas por eles. Foram disponibilizadas 5 SUGESTÕES DE AULASdirecionadas principalmente para o desenvolvimento dessa habilidade. As aulasorganizam-se por ordem crescente de dificuldade, sendo as primeiras mais elementares, destinadas a alunos cujas dificuldades em consolidar a habilidade em questão sejam latentes; e as últimas, mais elaboradas, pretendendo fechar o ciclo

45 45 de consolidação da habilidade estudada e avaliar os possíveis entraves que ainda possam restar. TEXTO SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA1 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antesda leitura 1. Informar aos alunos que eles farão uma leitura de uma tirinha. Caso seja necessário, explique ou volte a falar um pouco do gênero; 2. Contextualizar a tirinha Zoé e Zezé ; Baby Blues: é uma série de desenhos americana produzida por Rick Kirkman e Jerry Scott desde 7 de janeiro de 1990, que narra as histórias da família MacPherson. No Brasil, ficou conhecida como "Zoé e Zezé". Inicialmente, esta família era composta apenas pelos pais Wanda e DarrylMacPherson, e sua filha Zoé, que era um bebê recém-nascido. Com o tempo, Zoé foi crescendo, e mais dois bebês chegaram à família: Hammie, filho do meio e único menino, e Wren, a filha mais nova. Grande parte das histórias foi baseada em experiências dos produtores Kirkman e Scott com seus filhos e parentes. Baby Blues - Zoé e Zezé - é um desenho divertido, engraçado e o melhor: muito fácil de se identificar! 3. Caso seja possível, levar os alunos a um museu através de uma visita a um que a cidade tenha ou fazendo um tour virtual por algum que seja de interesse dos alunos ou esteja de acordo com os objetivos do professor (de Língua Portuguesa e de outros componentes curriculares); Segue abaixo um link contendo alguns museus interessantes que podem ser visitados virtualmente: -

46 46 4. Criar com os alunos a expectativa para a leitura, perguntando, por exemplo, quais poderiam ser os assuntos tratados em tirinhas com base no contexto apresentado. Segundo passo Durante a leitura 1. Apresentar a tirinha aos alunos em cartaz ou PowerPoint, orientando-os quanto à leitura compartilhada (meninos e meninas, frente e fundo, fileira a fileira, etc.) e os objetivos de sua realização (identificar informações implícitas no texto); 2. Voltar ao texto e realizar a leitura compartilhada, quadrinho por quadrinho, questionando os alunos sobre as pistas textuais que nos permitem inferir informações que não estão verbalizadas na tirinha. Sugestões de perguntas: O que é um museu?a fisionomia da menina no 1º quadrinho diz o que sobre a opinião dela em relação ao museu? E a fisionomia do garotinho, o que podemos perceber/inferir sobre a assertiva/informação dada pela menina? O garotinho sabe o que é um museu? A menina sabe o que é um museu? Ao saber o que é um museu, o garotinho gostou da ideia de ir a um? A visão das crianças e da mãe sobre o museu são parecidas? Terceiro passo Depois da leitura 1. Voltar às considerações acerca das características de uma tirinha e contrastá-las com as características de uma narrativa produzida em texto verbal; Professor, antes de contrastar as características do texto verbal com as características do texto não verbal, poderá ser feito um trabalho com os alunos de produção de tirinhas conforme o sugerido abaixo: I. Retomar o conceito de tirinha dado no item 1 do 1º passo, pegando o texto trabalhado como exemplo; II. Pedir para que os alunos identifiquem as características de uma tirinha no texto trabalhado; III. Disponibilizar a tirinha em branco para os alunos e pedir para que criem/recriem um diálogo condizente com as imagens apresentadas; Professor, essa etapa pode ser orientada a partir da tirinha trabalhada ou outras já existentes, bastando retirar o dialogo que ela apresenta, conforme orientação acima, ou poderá ser feita a partir da criação livre dos alunos, deixando-os responsáveis pela criação desde as ilustrações ao tema e os diálogos.

47 47 IV. Explorar as tirinhas criadas pelos alunos, fazendo com que identifiquem as características, que eles já elencaram, em suas produções; V. Concluir o trabalho, fazendo as intervenções que ainda se mostrarem necessárias e expor os trabalhos na escola. 2. Informar aos alunos que eles irão produzir uma narrativa em prosa com base na tirinha Zoé e Zezé e nas discussões acerca dele; 3. Resumir os comentários e considerações feitas na aula passada, a fim de reforçar para aos alunos aquilo que será abordado no texto; 4. Pedir aos alunos que transformem a tirinha em uma narrativa em prosa escrita, deixando explícitas na história as informações que discutiram na aula anterior; 5. Ler algumas produções dos alunos para conferir se entenderam bem a proposta, fazendo as considerações e mediações que forem necessárias.

48 48 AULA 2 TEXTO

49 49 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Apresentar aos alunos somente a ilustração da capa de revista que será trabalhada, perguntando o que ela significa ou em que contexto eles utilizariam a imagem; Professor, se achar necessário, registre as hipóteses levantadas pelos alunos no decorrer da atividade, elas serão importantes para o desenvolvimento da atividade e para o final da etapa. 2. Informar que a ilustração foi retirada da capa da revista VIVER Mente & Cérebro e pedir aos alunos que, com base nessa informação, elaborem novas hipóteses; 3. Apresentar para os alunos o título da reportagem cuja imagem ilustra A travessia da adolescência e continuar levantando as hipóteses com eles acerca da notícia que será lida; A travessia da adolescência 4. Apresentar aos alunos o subtítulo Desafios, riscos, sexualidade e contestação: as experiências necessárias para deixar a infância e virar adulto e continuar levantando as hipóteses com eles acerca da notícia; 5. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura, contextualizar a reportagem para os alunos, apresentando fonte (capa da revista VIVER Mente & Cérebro), imagem, título e subtítulo. VIVER Mente & Cérebro: começou a circular no Brasil em setembro de 2004, com a proposta de apresentar reportagens e artigos sobre o funcionamento psíquico voltado tanto para profissionais e estudantes da área da saúde quanto para leigos. Assim como ocorre com publicações similares que fazem parte do grupo internacional Scientific American - Mind, nos Estados Unidos, Gehirn&Geist, na Alemanha; Mente e Cervello, na Itália etc. -, os textos são embasados em estudos realizados em universidade e centros de pesquisas de vários países. Em pouco mais de sete anos de circulação foram publicados aproximadamente 900

50 50 artigos e mais de mil notas sobre psicologia, psicanálise, neurociência, psiquiatria, neurologia, além de temas que estabelecem interfaces com esses campos como educação e filosofia. A proposta de Mante & Cérebro é oferecer informação consistente, que sirva como referência para estudo, pesquisa, complementando a formação profissional e possibilitando reflexões a respeito das variadas formas de compreender o funcionamento do corpo, do cérebro e da mente. Uma característica fundamental ligada à identidade da revista é sua pluralidade, que privilegia diversos olhares sobre o ser humano, a partir de várias teorias. Nesse sentido, prevalece o desafio de apresentar informações, muitas vezes complexas, de forma acessível ao leitor, sem que a qualidade e a profundidade sejam perdidas. Segundo passo Durante a leitura 1. Apresentar para os alunos a capa da revista completa em um cartaz ou PowerPoint; 2. Realizar a leitura da capa da revista, indagando aos alunos os motivos que levaram a revista a escolher a imagem em questão para ilustrar a reportagem: a presença dos dois prédios um mais baixo e outro mais alto; o vazio entre os dois; a corda frágil entre ambos sugerindo a travessia; a presença de um indivíduo ainda menino frente a esse desafio; a relação entre o que a imagem sugere e a proposta da principal reportagem que aparece em letras maiores e com cores diferentes na capa da revista. 3. Discutir com os alunos qual o significado das palavras travessia, adolescência, desafios, riscos, contestação, etc. no contexto apresentado e como essas palavras são apresentadas na imagem. Terceiro passo Depois da leitura 1. Retomar a discussão da aula anterior; 2. Pedir aos alunos que ilustrem a adolescência conforme a visão que eles têm; 3. Trocar as ilustrações entre os alunos; 4. Pedir para que os alunos expliquem, em poucas palavras, a ilustração com a qual ficaram, mostrando na imagem a pista que o levou a levantar aquela hipótese, e contrastar com a visão de quem a criou, intervindo sempre que necessário; Fechar as discussões com as conclusões do professor.

51 51 AULA 3 TEXTO

52 52 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Apresentar aos alunos somente a ilustração da notícia que será trabalhada, perguntando o que ela significa ou em que contexto eles utilizariam a imagem; Professor, se achar necessário, registre as hipóteses levantadas pelos alunos, no decorrer da atividade, elas serão importantes para o desenvolvimento da atividade e para o final da etapa. 2. Informar que a ilustração foi retirada da revista Vida Simples, na sessão Mente Aberta e escute quais novas hipóteses os alunos levantarão; 3. Apresentar o título da notícia para os alunos e continuar levantando as hipóteses com eles acerca da notícia que será lida: Tire a gravata 4. Apresentar aos alunos o subtítulo e continuar levantando as hipóteses com eles acerca da notícia: E ajude a evitar o aquecimento global 5. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura, contextualizar a notícia para os alunos, apresentando fonte, imagem, título e subtítulo. Vida Simples: é baseada em 4 pilares relações mais éticas, transformação pessoal, ideias inovadoras e sustentabilidade. Vida Simples leva ao leitor matérias sobre jeitos de morar, relações interpessoais, cultura e tendências. O objetivo é trazer informações relevantes para o leitor que está em busca de uma rotina mais equilibrada damos as pistas de como descomplicar a vida, nos tornando um parceiro essencial.) e crie com os alunos uma correta expectativa para a notícia que será trabalhada. Se possível, apresente a notícia em seu suporte em um cartaz ou PowerPoint, certificando-se de que a formatação não permitirá a leitura antecipada por parte dos alunos.

53 53 Segundo passo Durante da leitura 1. Sem entregar o texto para os alunos, iniciar a leitura protocolada da notícia, lendo frase por frase e lançando perguntas que levem os alunos a elaborarem hipóteses sobre as informações seguintes na notícia. 2. Conferir as hipóteses criadas pelos alunos conforme elas forem aparecendo na notícia, confirmando, corrigindo ou verificando se são abordadas pelo texto. Terceiro passo Depois da leitura 1. Retomar a imagem e o título do texto, trabalhando com os elementos que foram utilizados neles e que ilustram a reportagem; 2. Professor, trabalhar a habilidade de inferir informações implícitas supõe fazer uma leitura que permita ao leitor ir além da superfície do texto, ler nas entrelinhas, isto é, ler o que não está dito, mas que as pistas sugerem. Portanto discutir com os alunos significados de palavras e expressões dentro do texto, fazer deduções são ações de leitura que permitem o desenvolvimento dessa habilidade. Sugerimos algumas questões como as seguintes: No texto, qual o significado da expressão não esquentam a cabeça? Qual relação existente entre as ações retirar a gravata e evitar o aquecimento global? Qual seria a sequência lógica das ações tiram o terno e a gravata, botam camisa e bermuda e vão direto para...? Por que essa sequência não se efetiva? Qual é a proposta que está implícita na frase: Agora que o sol dá as caras por aqui, que tal arregaçar as mangas?? 3. Pedir aos alunos que refaçam a ilustração do texto, mantendo o mesmo título, deixando pistas para que esse tenha um novo significado; Em plenária, apresentar para a turma.

54 54 AULA 4 TEXTO

55 55 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Apresentar o slogan Vista-se, no quadro ou em um cartaz, e pedir aos alunos que criem contextos para a frase (Em que situações vocês usariam a frase Vista-se!?); VISTA-SE 2. Explorar os contextos criados pelos alunos para a frase; 3. Informar aos alunos que a frase Vista-se faz parte de uma campanha publicitária e questioná-los sobre qual seria a temática/produto a ser divulgado e quais os argumentos sustentam suas opiniões; 4. Explorar os contextos criados pelos alunos. Segundo passo Durante a leitura 1. Apresentar o texto completo para os alunos, orientando-os quanto à leitura coletiva e os objetivos de sua realização (inferir informação implícita no texto); 2. Ler somente as informações que estão expostas no cartaz, levando os alunos a inferirem as demais informações a partir das pistas textuais; Professor, a partir das informações do cartaz, possibilite ao aluno: compreender que se trata de uma campanha publicitária do Governo Federal e do Ministério da Saúde (logos presentes); inferir, através do slogan, o período e o governo da época. (slogan Brasil, um país de todos ); inferir o período da campanha por meio das pistas textuais alegria, festa, distribuição de camisinhas, folheto;

56 56 inferir o significado do apelo VISTA-SE. 3. Disponibilizar para os alunos o texto presente abaixo do cartaz para que possam confirmar, negar e corrigir as hipóteses levantadas na atividade anterior. Terceiro passo Depois da leitura 1. Lançar perguntas aos alunos para que identifiquem informações implícitas no texto; Professor, seria interessante pedir aos alunos que copiem as perguntas no caderno e anotem suas respostas/conclusões a fim de servir de ponto de apoio para as discussões que serão realizadas a seguir. Sugestões de perguntas para essa etapa: No trecho durante e depois da festa, qual seria essa festa? Há diferença entre a festa antes, durante e depois? Por que a alegria continuaria com o uso da camisinha? Qual seria a alegria sentida durante a festa? E depois? No trecho use camisinha e fique tranquilo, sobre que tranquilidade o anúncio está dizendo? Essa tranquilidade seria a mesma para quem vive com AIDS e quem não vive? Essa é uma campanha elaborada pelo Ministério da Saúde, qual seria o interesse do governo em realizála? 2. Conduzir as percepções e discussões dos alunos para as interpretações permitidas pelas pistas textuais. Professor, a temática aqui desenvolvida é de grande importância para os alunos de 9º ano e poderá ser trabalhada, de forma interdisciplinar, com o professor de Ciências, como também com profissionais do Serviço de Saúde. A elaboração de panfletos, de cartilhas, de painéis é uma ação que poderá ajudar no desenvolvimento da habilidade e formar consciência.

57 57 AULA 5 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de Inferir informações implícitas em um texto. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a) Leia o texto para os alunos. b) Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c) Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d) No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e) Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f) Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g) Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE QUESTÃO 01. O texto conta a história de um homem que entrou pelo cano. O Homem que entrou pelo cano Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra um desvio, era uma seção que terminava em torneira. Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante. No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou: Mamãe, tem um homem dentro da pia. Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto. (BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras Proibidas. São Paulo: Global, 1988, p. 89.)

58 58 O conto cria uma expectativa no leitor pela situação incomum criada pelo enredo. O resultado não foi o esperado porque: (A) a menina agiu como se fosse um fato normal. (B) o homem demonstrou pouco interesse em sair do cano. (C) as engrenagens da tubulação não funcionaram. (D) a mãe não manifestou nenhum interesse pelo fato. QUESTÃO 02. Leia o texto abaixo. A LADEIRA Como Bobby mora num livro inclinado, no momento em que, por descuido, sua babá solta o carrinho em que está deitado, ele começa uma longa trajetória pela cidade. O primeiro a ser atingido foi o guarda: Bobby aproveitou para roubar um botão de sua farda. Depois, o bebê bateu num vendedor da Grécia. O estoque de produtos, que estavam numa carroça, foi espalhado pela rua inteira! Assim, os habitantes da cidade levam tombos, um por um. Janete, que vinha da fazendo com uma cesta de ovos, viu um omelete se formar no chão depois do choque com o carrinho. Os trabalhadores que estavam na rua segurando uma vidraça pesada berra: mas que menino peralta! Bobby chega até a cobrar a passagem de D. Dora, quando ela, ao colidir com o carrinho, se torna passageira. Depois de tirar uma vaca do pasto e de interromper o cochilo de um pescador, Bobby finalmente para: o carrinho bate num tronco pequeno, e o bebê cai num monte de feno. Afinal, todo carrinho em disparada tem de parar uma hora. (Educação. São Paulo: Segmento, nº 12. Abr. 2009, p. 14. Adaptado : Reforma Ortográfica.) A leitura desse texto leva a pensar que (A) a história tem muita aventura. (B) as cidades são agitadas. (C) o risco de acidentes é alto. (D) os livros podem oferecer riscos. QUESTÃO 03. Leia o texto abaixo. Casa de PET e isopor A construção de 4 moradias é suficiente para consumir garrafas PET e 120m³de isopor que iriam para o lixo. Essa tecnologia, desenvolvida pelo CEFET CentroFederal de Educação Tecnológica do Paraná, produz blocos fabricados com cimento, areia, isopor em vez de brita e garrafas de refrigerante (PET). A estrutura dos blocosdispensa ainda o uso de diversos itens na construção, como o chapisco e o reboco;gerando ainda mais economia de mão-de-obra e energia, e barateamento em cercade 30% o custo final da obra. (Revista Semeando - Edição anual ano pág. 38)

59 59 Esse texto indica que o uso de PET e isopor em construções (A) resolve o problema de moradia. (B) é bom para o meio ambiente. (C) gera empregos. (D) economiza tempo. QUESTÃO 04. Leia o texto abaixo. Urso é condenado por roubo de mel na Macedônia O sabor de mel foi tentador demais para um urso na Macedônia, que atacou várias vezes as colmeias de um apicultor. Agora, o animal tem ficha na polícia. Foi condenado por um tribunal por roubo e danos. O caso foi levado à Justiça pelo apicultor irritado depois de um ano de tentar, em vão, proteger suas colmeias. Durante um período, ele conseguiu afugentar o animal com medidas como comprar um gerador e iluminar melhor a área onde os ataques aconteciam ou tocar músicas folclóricas sérvias. Mas quando o gerador ficava sem energia e a música acabava, o urso voltava e lá se ia o mel novamente. Ele atacou as colmeias de novo, disse o apicultor Zoran Kiseloski. Como o animal não tinha dono e é uma espécie protegida, o tribunal ordenou ao Estado pagar uma indenização por prejuízos causados pela destruição de colmeias, no valor de US$ 3,5 mil. O urso continua à solta em algum lugar da Macedônia. (http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080314_ursomel.shtml) O que é um apicultor? (A) Caçador de urso. (B) Homem irritado. (C) Criador de abelhas. (D) Morador de Macedônia. QUESTÃO 05. Leia o texto abaixo. O Drama das Paixões Platônicas na Adolescência Bruno foi aprovado por três dos sentidos de Camila: visão, olfato e audição. Por isso, ela precisa conquistá-lo de qualquer maneira. Matriculada na 8ª série, a garota está determinada a ganhar o gato do 3º ano do Ensino Médio e, para isso, conta com os conselhos de Tati, uma especialista na arte da azaração. A tarefa não é simples, pois o moço só tem olhos para Lúcia - justo a maior "crânio" da escola. E agora, o que fazer? Camila entra em dieta espartana e segue as leis da conquista elaboradas pela amiga. (Revista Escola, março 2004, p. 63.) Pode-se deduzir do texto que Bruno: (A) chama a atenção das meninas. (B) é mestre na arte de conquistar. (C) pode ser conquistado facilmente. (D) tem muitos dotes intelectuais.

60 60 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO I PROCEDIMENTOS DE LEITURA (PROEB) LIÇÃO 04Inferir o sentido de uma palavra ou expressão Competência Realizar inferência Habilidade Inferir o sentido de uma palavra ou expressão Habilidade CBC 4.1.Inferir o significado de palavras e expressões usadas em um texto. Em que consiste essa habilidade? As palavras são providas de sentido e, na maioria das vezes, são polissêmicas, ou seja, podem assumir, em contextos diferentes, significados também diferentes. Assim, para a compreensão de um texto, é fundamental que se identifique, entre os vários sentidos possíveis de uma determinada palavra, aquele que foi particularmente utilizado no texto. O aluno precisa perceber, então, entre vários significados, aquele que apresenta o sentido com que a palavra foi usada no texto. Ou seja, o que sobressai aqui não é apenas que o aluno conheça o vocabulário dicionarizado, pois todas as acepções trazem significados que podem ser atribuídos à palavra analisada. O que se pretende é que, com base no contexto, o aluno seja capaz de reconhecer o sentido com que a palavra está sendo usada no texto. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? O professor pode utilizar algumas estratégias para possibilitar aos alunos desenvolver a compreensão do sentido que algumas palavras ou expressões ganham, de acordo com as circunstâncias em que o texto foi produzido, e com a visão de mundo que cada um tem. Uma boa estratégia é a técnica de os alunos compartilharem o que leram, após leitura silenciosa de textos. Dessa forma, o professor pode aproveitar o relacionamento que cada um faz entre a estrutura e o conteúdo do texto, associado às experiências que cada um traz, com o objetivo de explorar os diferentes significados que palavras ou expressões podem assumir. Como sugestão, o professor pode trabalhar essa habilidade, analisando uma mesma palavra em textos diferentes, de diferentes gêneros textuais. É necessário ressaltar que essa habilidade deve levar em consideração a experiência de mundo do aluno. É importante que o professor mostre para seus alunos que o sentido das palavras não está no dicionário, mas nos diferentes contextos em que elas são enunciadas. Isso não significa que o professor não deva incentivar o aluno a localizar o significado das palavras no dicionário. Os textos poéticos, literários e publicitários são especialmente úteis para o trabalho com os diferentes sentidos das palavras. Foram disponibilizadas 4 SUGESTÕES DE AULASdirecionadas principalmente para o desenvolvimento dessa habilidade. As aulas seorganizam por ordem crescente de dificuldade, sendo as primeiras mais elementares, destinadas a alunos cujas dificuldades em consolidar a habilidade em questão sejam latentes; e as últimas, mais elaboradas, pretendendo fechar o ciclo de consolidação da habilidade estudada e avaliar os possíveis entraves que ainda possam restar.

61 61 SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA 1 TEXTO Primeira Carta FREIRE Paulo Cartas a Cristina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p.37. (extraído do Livro Didático Perspectiva Língua Portuguesa 9º ano NormaDiscini e Lúcia Teixeira p.81. Primeira Carta Voltar-me sobre minha infância remota é um ato de curiosade necessário. Um desses donos de quintais me flagrou um dia, manhã cedo, tentando furtar um lindo mamão em seu quintal. Apareceu inesperadamente em frente a mim, sem que eu tivesse tido a oportunidade de fugir. Devo ter empalidecido. A surpresa me desconcertou. Não sabia o que fazer de minhas mãos trêmulas, das quais mecanicamente tombou um mamão. Não sabia o que fazer do corpo todo se ficava empertigado, se ficava relxado, em face da figura sisuda e rígida, toda ela expressão de uma dura censura a meu ato. Apanhando a fruta, tão necessária a mim naquele instante, de forma significativamente possessiva, o homem me fez um sermão moralista que não tinha que ver com minha fome. Sem dizer palavra sim, não, desculpe ou até logo deixei o quintal e fui andando sumido, diminuído, achatado, para casa, metido no mais fundo de mim mesmo. O que eu queria naquele instante era um lugar em que nem eu mesmo pudesse me ver. Muitos anos depois, em circunstância distinta, experimentei novamente a estranha sensação de não saber o que fazer das mãos, do corpo todo: Capitão, mais um passarinho pra gaiola, disse, debochadamente, no corpo da guarda de um quartel do Exército no Recife, depois do golpe de estado, de 1º de abril de 1964, o polícia que me trouxera preso de casa. Os dois, o policial e o capitão, com riso desdenhoso e irônico, me olhavam a mim; em pé, frente a eles, sem saber de novo o que fazer de minhas mãos, de meu corpo todo. Uma coisa eu sabia naquela vez não havia furtado nenhum mamão. FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994.p.37. Primeiro passo Antes da leitura Professor, ao trabalhar esse texto com seus alunos, busque situá-lo no tempo e no espaço, uma vez que, é uma carta depoimento de Paulo Freire, quando exilado do Brasil, na época da Ditadura Militar. É um dos textos da obra Cartas a Cristina. Lembre a seus alunos que o enunciador, nessa carta, faz o depoimento tender para carta aberta. Notamos que houve o apagamento do destinatário da carta. Cristina é a destinatária, entretanto o enunciador quis criar um leitor coletivo, sensível, capaz de entender os movimentos do enunciador, para tornar legítima a própria história da vida, relatando fatos como politicamente corretos ou não. É um leitor que conhece a História do Brasil. O professor deve: 1. Retomar as características do gênero: carta depoimento; 2. Solicitar aos alunos que façam pesquisa sobre o autor; 3. Mediar roda de conversa para que os alunos discutam e situem o autor no tempo histórico:

62 62 Educação Brasileira e Período da Ditadura Militar; 4. Apresentar em data show a foto do autor e a legenda página 80; Sugerimos que esse momento seja realizado, de forma interdisciplinar, com o Professor de História, considerando os 50 anos do Golpe Militar. Segundo passo Antes da leitura ( continuação) 5. Situar o texto no tempo histórico; 6. Solicitar que levantem hipóteses sobre o seu conteúdo, apresentando o título: Primeira Carta; 7. Apresentar em data show e discutir com os alunos a ilustração e a legenda que aparecem no texto página 81;

63 63 8. Apresentar, em fichas, afixando-as no quadro, frases do texto, que contenham palavras ou expressões pouco usadas, discutindo as possibilidades de significado de cada uma. Usar o dicionário se necessário, anotando seus significados também em fichas. Voltar-me sobre minha infância remota A surpresa me desconcertou Não sabia se ficava empertigado em face da figura sisuda O homem me fez um sermão moralista Muitos anos depois, em circunstância distinta Capitão, mais um passarinho pra gaiola Depois do golpe de estado de 1º de abril de 1964 Com riso desdenhoso e irônico Terceiro passo Durante a leitura 9. Distribuir o texto para os alunos, orientando-os quanto à leitura em voz alta e os objetivos de sua realização: exercitar a fluência, a entonação para a leitura com compreensão; 10. Ler, com os alunos, frase por frase, a começar do título do texto, construindo o sentido do texto. 11. Verificar se as hipóteses sobre o texto se confirmam e se os significados das palavras e expressões fazem sentido dentro do texto ou se se modificam por causa do contexto.

64 64 AULA 2 TEXTO (extraído da revista Mundo estranho, da Abril. Edição 125, Jun Pág.: 37.)

65 65 Transcrição do texto na íntegra: MEDICINA DESTRUTIVA Como era feita uma lobotomia? por Ranielly Marques Edição 125 Com um corte na conexão entre o lobo frontal e o resto do cérebro. A técnica, polêmica, foi muito usada entre as décadas de 30 e 50 para tratar pacientes com distúrbios como depressão e esquizofrenia. Após a cirurgia, tornavam-se apáticos para sempre, o que levava a crer, inicialmente, que estariam normalizados. Com o tempo, muitos entravam em estado vegetativo. Alguns morriam. E quase todos tinham as funções cognitivas comprometidas. A prática caiu em desuso nos anos 50, quando os medicamentos psiquiátricos se mostraram mais eficazes e menos destrutivos. QUEBRA-CABEÇA Procedimento enfiava estaca pelo olho até o cérebro 1. A lobotomia que não durava mais do que cinco minutos era feita em qualquer lugar, mesmo sem assepsia, como residências e quartos de hotéis. O paciente recebia um choque elétrico que o deixava inconsciente por alguns minutos. 2. Com a ajuda de um martelo, o médico introduzia um quebra-gelo chamado orbitoclast no crânio do paciente. Para isso, existiam diversos métodos, mas o mais comum era fincá-lo diagonalmente no canal lacrimal entre o olho e a pálpebra. 3. O médico então movia a ferramenta várias vezes, bruscamente, da frente para o fundo do crânio, cortando as conexões do cérebro com o lobo frontal que controla nosso planejamento de ações, os movimentos e o raciocínio abstrato. O precursor da lobotomia foi o neurologista português Egas Moniz, que até levou o Nobel da medicina em 1949 por isso. FONTES:Sites UOL e HowStuff Works e revista SUPERINTERESSANTE CONSULTORIA:Paulo Dalgalarrondo, professor do departamento de Psicologia Médica e Psiquiatrica da Unicamp. DESENVOLVIMENTO O Priberam traz o significado de lobotomia (http://www.priberam.pt/dlpo/lobotomia): lo.bo.to.mi.a substantivo feminino (grego lóbos + tomia) Operação cirúrgica, hoje em desuso, que consiste no seccionamento das fibras nervosas da região pré-frontal dos núcleos medianos do tálamo. (A técnica da lobotomia deve-se ao médico português Egas Moniz.).

66 66 Primeiro passo Antes da leitura 1. Escrever para os alunos a frase no quadro Como era feita uma lobotomia? e deixar que eles respondam à pergunta e formulem hipóteses a respeito do significado da palavra lobotomia; 2. Dar outros exemplos de frases em que a palavra lobotomia seja utilizada, construindo com os alunos o seu significado; Sugestões de frases para os exemplos: Paciente esquizofrênico passou por cirurgia de lobotomia bem sucedida. Rosemary Kennedy ( ) - Passou a maior parte de sua vida internada por sofrer de deficiência mental e por causa de uma lobotomia mal sucedida. (Folha de S. Paulo) Em épocas antigas, a lobotomia era usada em pacientes com certos tipos de doenças mentais como forma de acalmá-los. (Superinteressante) 3. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura, informar que a reportagem que estão prestes a ler foi retirada da revista Mundo Estranho. Mundo Estranho: também conhecida como ME, é uma revista de curiosidades científicas e culturais, publicada pela Editora Abril desde agosto de Antes com um viés científico inspirado pela Superinteressante, atualmente tem um foco em um público jovem, primariamente o público adolescente masculino. DESENVOLVIMENTO O Priberam traz o significado de lobotomia (http://www.priberam.pt/dlpo/lobotomia): lo.bo.to.mi.a substantivo feminino (grego lóbos + tomia) Operação cirúrgica, hoje em desuso, que consiste no seccionamento das fibras nervosas da região pré-frontal dos núcleos medianos do tálamo. (A técnica da lobotomia deve-se ao médico português Egas Moniz.). Primeiro passo Antes da leitura 4. Escrever para os alunos a frase no quadro Como era feita uma lobotomia? e deixar que eles respondam à pergunta e formulem hipóteses a respeito do significado da palavra lobotomia; 5. Dar outros exemplos de frases em que a palavra lobotomia seja utilizada, construindo com os alunos o seu significado; Sugestões de frases para os exemplos: Paciente esquizofrênico passou por cirurgia de lobotomia bem sucedida. Rosemary Kennedy ( ) - Passou a maior parte de sua vida internada por sofrer de deficiência mental e por causa de uma lobotomia mal sucedida. (Folha de S. Paulo)

67 67 Em épocas antigas, a lobotomia era usada em pacientes com certos tipos de doenças mentais como forma de acalmá-los. (Superinteressante) 6. Para que os alunos criem o contexto correto para a leitura, informar que a reportagem que estão prestes a ler foi retirada da revista Mundo Estranho. Mundo Estranho: também conhecida como ME, é uma revista de curiosidades científicas e culturais, publicada pela Editora Abril desde agosto de Antes com um viés científico inspirado pela Superinteressante, atualmente tem um foco em um público jovem, primariamente o público adolescente masculino. Segundo passo Durantea leitura Professor, não se esqueça de chamar a atenção dos alunos para o fato de que essa prática, dentro da Medicina, como muitas outras, com a evolução da Ciência e da Tecnologia, foram substituídas, modificadas, em favor do bem estar e melhor qualidade de vida dos pacientes. 1. Distribuir o texto para os alunos, orientando-os quanto à leitura em voz alta e os objetivos de sua realização; 2. Ler, com os alunos, o título e o lide da reportagem, construindo o sentido da palavra lobotomia com as pistas lá fornecidas. Professor, escreva no quadro, juntamente com os alunos, as palavras que servirão de pistas para inferir o sentido da palavra lobotomia : corte na conexão entre o lobo frontal e o resto do cérebro;/técnica;cirurgia.). Formação da palavra lobo + tomo +ia Do Grego LOBÓS, parte de um órgão, mais TOMOS, parte, pedaço. Terceiro passo Depoisda leitura 1. Separar os alunos em aproximadamente 5 grupos e pedir para que identifiquem no texto as palavras desconhecidas. 2. Em seguida, o professor poderá escrever as palavras desconhecidas no quadro e as dividir entre os grupos. 3. Pedir que os grupos procurem, no dicionário, o significado das palavras que lhes foram atribuídas. 4. Os grupos deverão escrever uma frase com cada uma das palavras, dando pistas para o seu sentido. 5. Trocar as frases entre os grupos. 6. Pedir aos grupos que atribuam um significado à palavra na frase recebida.

68 68 7. Em seguida, cada grupo irá ler a frase e o significado atribuído. Ouvir as considerações dos colegas, discutindo as hipóteses levantadas e as colocações do grupo que construiu a frase. Validar ou não a resposta dada pelos colegas.

69 69 AULA 3 TEXTO: O Jogador de Palavras Fernando Sabino "Destarte", "outrossim", "obtemperar" são verdadeiros palavrões, que, francamente, não há cristão que me obrigue a empregar. Caio na asneira de dizer isso a um professor meu velho conhecido e meio abilolado que encontro na rua. Entusiasmado, ele me arrasta a um bar, a fim de repartir comigo uma cerveja e suas ideias: -Tudo é jogo de palavras. Mas o verdadeiro jogador sabe que é do som das palavras que vem o sentido delas. Se você não compreender isso, não vai compreender mais nada. Nunca chegará a entender, por exemplo, que a palavra "almoçar" na verdade significa um templo árabe. Ou que a palavra "sinecura" quer dizer um cantinho em forma de nicho de certas sacristias. Ou que o nome "Chiquinha" é a terceira pessoa do verbo chiquinhar. Que significa simplesmente chatear. Estou chiquinhando? Como eu dissesse que não, ele renovou os copos e prosseguiu dizendo de passagem que fora iniciado nesses mistérios por um poeta chamado Hélio Pellegrino: -Veja a palavra "distância": não vá me dizer que, em matéria de beleza, você a põe em pé de igualdade com a palavra "umbigo", por exemplo, ou "perereca". Aliás, toda palavra terminada em "eca" é feia, ridícula ou gaiata: panqueca, cueca, sapeca, rabeca, munheca, careca, moleca. E toda palavra em "ância", já que falei em "distância", é agradável e harmoniosa, qualquer que seja a significação: fragrância, infância, substância... -Por causa do sentido -- resolvi provocá-lo. -Não senhor: por causa da eufonia, meu velho. A palavra "úlcera" é uma das mais belas da língua portuguesa e "cancro" uma das mais feias, significando coisas tão semelhantes. É que em geral uma palavra bela acaba adquirindo um belo sentido. E a recíproca (que palavra!) é verdadeira. "Tu" acabou cedendo lugar a "você", de que os poetas tanto abusaram. Que rima você arranjaria para "tu"? Antes que a conversa descambasse, ele prosseguia: -Os maus poetas são, aliás, os grandes corruptores de palavras. Por causa deles é que "saudade" e "luar" acabaram caindo na vida fácil. Já um Vinicius de Moraes, por exemplo, escreve versos assim: "Munevadaglimouvestassudente". Não quer dizer nada e quer dizer tudo. Leia o poema "Isso é aquilo", do Carlos Drummond. Esses não brincam em serviço. Ou Manuel Bandeira, com a sua protonotária... Você sabe o que quer dizer "protonotária"? Não me deu tempo de responder: -O Aurélio dirá que protonotário era um dignitário da cúria romana. E dignitário? Nada disso, tetrarca! Protonotária é apenas aquela a quem o poeta pede: "Pousa na minha a tua mão..." Ordenou outra cerveja e continuou: -As palavras em "ária" são sempre inspiradoras, a começar pela própria. Foi por isso que o poeta pediu: "Mária, digam por favor". Assim também, devíamos dizer "calmária", e não "calmaria", que já sugere algum vento. A sabedoria popular, aliás, acaba se impondo. O homem da rua, sem perceber, vai corrigindo o engano e devolvendo às palavras o seu verdadeiro sentido, quando diz, por exemplo, que uma mulher é "púdica", pois sabe muito bem que "pudica" só pode ser uma mulher sem-vergonha. Assim também "rapariga", que acabou mulher da vida, ao passo que "donzela" aguentou firme. As palavras em "iga" sempre acabam mal: barriga, lombriga, formiga -- que têm no nome a expressão de sua pequenez: se fosse "formaga", "formote" ou "formante", poderia ter o tamanho de um elefante. Por que a palavra "convescote", lançada para substituir um francesismo, não pegou? Porque convescote jamais foi piquenique. Podia ser um animal das regiões árticas, ou um tempo de verbo que significa vadiar, distrair-se: trabalhe mais e convescote menos. O povo é que sabe das coisas. "Marmelada", por exemplo: dizer que no jogo

70 70 de futebol houve goiabada ou que nas concorrências públicas há sempre pessegada não faz nenhum sentido -- é marmelada mesmo. Enfim, as palavras é que falam por nós, elas é que nos usam: Deixemos que ajam e reajam como queiram. E vamos pedir outra cerveja, que esta já está môrna. - Mórna -- corrigi. - Não: é môrna mesmo. "Mórna" é quente. Aos poucos você vai aprendendo. DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura A falta que ela me faz. Rio de Janeiro: Record, 1984, p O professor deve: 1. Apresentar para os alunos em data show ou fichas o quadro a seguir: 2. Convidar os alunos a ler as palavras, dizendo que, provavelmente, não as conheçam, mas podem refletir sobre elas: Quais dessas palavras são bonitas, harmoniosas, agradáveis aos ouvidos? Quais são feias, soam mal, são desagradáveis aos ouvidos? Há uma relação da palavra e seu significado? Com base no som, que significado daria a cada uma delas? 3. Anunciar que, na crônica que os alunos vão ler,encontrarão um professor meio abilolado que dará reposta a essas perguntas. Segundo passo Durante a leitura 1. Solicitar que os alunos leiam silenciosamente o texto e, que, quando encontrarem uma palavra entre aspas, devem pronunciá-la, ainda que em voz baixa, só para si mesmos. 2. Ler em voz alta para os alunos, pronunciando bem as palavras em destaque. 3. Realizar a leitura compartilhada com os alunos, cada um lê um trecho, discutindo o conteúdo do texto, parte por parte. Terceiro passo Após a leitura 1. Retomar com os alunos o gênero textual, sua finalidade e o assunto do texto. 2. Apresentar a seguinte frase do texto: "Destarte", "outrossim", "obtemperar" são

71 71 3. verdadeiros palavrões... e solicitar aos alunos: Dizer em voz alta essas três palavras, prestando atenção ao seu som. Procurar o significado no dicionário. Concluir: Por que o narrador considera essas palavras palavrões? 4. Retomar com os alunos o conteúdo do texto: - O professor abilolado fala: de palavras cujo som sugere um sentido diferente daquele que elas têm; de palavras belas, agradáveis, harmoniosas, inspiradoras; de palavras feias ridículas, gaiatas. - Propor aos alunos que complementem o quadro com as palavras, mediante a classificação sugerida pelo professor, personagem do texto, como sugerimos a seguir: (almoçar- Chiquinha sinecura protonotário convescote - fragrância infância - substância úlcera você-perereca- panqueca- cueca- tu pudica - sapeca- rabeca- cancro lombriga rapariga barriga formiga - munheca careca- moleca- protonotária ária donzela) Palavras que sugerem outro sentido Palavras belas Palavras feias - Solicitar aos alunos que façam outro quadro com as demais classificações de que o professor do texto fala, complementando com as palavras: Quarto passo: Após a leitura (continuação) Trabalho em grupo: - Dividir a turma em 6 grupos. - Entregar a cada grupo uma ficha contendo uma das afirmativas e a proposta de questionamento a seguir.

72 72 - Solicitar que os grupos leiam a afirmativa, discutam e respondamao questionamento correspondente. Disponibilizar dicionário, caso haja necessidade. - Realizar a plenária, possibilitando aos alunos compartilhar as respostas. - O professor da turma deverá fazer as intervenções necessárias para que o trabalho com a inferência do significado de palavras no texto tenha sucesso. A) E a recíproca (que palavra!) é verdadeira. O que quer o professor dizer com a exclamação entre parênteses? O que quer dizer recíproca? Qual é a recíproca a que se refere o professor? B) Os maus poetas são os grandes corruptores de palavras Por que os maus poetas corrompem as palavras? Marquem a alternativa correta: Porque usam mal as palavras, alterando o seu sentido. Porque tornam feias palavras que antes eram belas. Porque usam tanto as palavras belas que elas se tornam vulgares. C) O poeta dá dois exemplos de palavras corrompidas pelos maus poetas, palavras que, segundo ele, caíram na vida fácil. Quais são elas? Com a expressão caíram na vida fácil, o que quer dizer o professor? D) O professor menciona palavras que, segundo ele, deveriam ter uma pronúncia diferente da que têm. Ele afirma que o homem da rua, sem perceber, vai corrigindo o engano, e devolve à palavra pudica seu verdadeiro sentido. Qual o significado da palavra pudica? Para esse significado qual deveria ser a pronúncia da palavra? Com a pronúncia que tem, pudica parece ter qual significado? E) Quando o professor, personagem do texto, chama o narrador de tetrarca, aplica, em sua conversa, suas ideias a respeito das palavras. Veja o significado da palavra tetrarca: tetrarca - chefe ou governador de uma tetrarquia. tetrarquia cada uma das quatro partes (províncias ou governos) em que se dividiam alguns Estados. O professor atribui a tetrarca outro significado: qual? F) Enfim as palavras é que falam por nós, elas é que nos usam. Propor aos alunos que analisem a conclusão do professor e respondam à pergunta, marcando uma das alternativas: Nem sempre usamos as palavras com seu exato significado. A pronúncia das palavras nos leva a cometer muitos enganos. O significado das palavras nos é imposto pelas próprias palavras. Respondam argumentando: Você concorda com essa conclusão do professor? Justifique. 5. Professor, todos os grupos compartilharam suas conclusões e você fez as intervenções, melhorando, corrigindo as respostas apresentadas pelos grupos. Retome, agora, o título da crônica: O jogador de palavras e comente com seus alunos que, no texto, o professor começa a exposição de suas ideias com esta frase: Tudo é jogo de palavras. Solicite aos alunos de toda a sala que respondam à pergunta:

73 73 Das frases da crônica, apresentadas abaixo, qual é a que expressa a regra fundamental do jogo de palavras? É do som das palavras que vem o sentido do delas Uma palavra bela acaba adquirindo um belo sentido O homem da rua vai devolvendo às palavras seu verdadeiro sentido. Justificar a resposta. Quinto Passo _ Após a Leitura (continuação) Na crônica, a personagem professor cita um verso de Vinícius de Moraes feito com palavras inventadas: Munevadaglimouvestasudente ( Poema Sombra e luz Rio de Janeiro, 1946) Sobre esse verso diz: Não quer dizer nada e quer dizer tudo. Apresente aos alunos seguinte orientação: Munevada poderia ser um substantivo, como madrugada, alvorada... glimou poderia ser um verbo, como falou, cantou... vestasudente poderia ser um adjetivo como resplandecente, candente... Munevadaglimouvestasudente é uma frase semelhante a, por exemplo: A madrugada surgiu resplandecente. Propor que os alunos reflitam e respondam: Por que o verso não quer dizer nada? Por que quer dizer tudo? Agora, proponha aos alunos fazer como os poetas: ler e compreender texto com palavras inventadas.

74 74 AULA 4 TEXTO PROBLEMA NA CLAMBA Naquele dia, depois de plomar, fui ver drãoo Zé queria ou não ir comigo lá na clamba. Achei melhor grulhar-lhe. Mas, na hora de tungaro número, vi-o passando com a golipesta e me dei conta de que ele já tinha outro programa. Então resolvi ir à clamba. Ao chegar na clamba, estacionei o zulpinhobem nacinho, pus a chave no bolso e desci correndo para aproveitar ao chintaaquele sol gostoso e o mar plisulapente. Não parecia haver nem galpona clamba. Tirei os grispes, pus a bangoula. Estava pliquieto ali que até me saltipou. Mas esqueci logo das saltipaçõesno prazer de nadar no tode, inclusive tirei a bangoulapara ficar mais à vontade. Não sei quanto tempo fiquei nadando, siltando, corriscando, até estopandono tode. Foi depois, na hora de voltar à clamba, que vi que nem os grispesnem a bangoulaestavam mais onde eu tinha deixado. O quefazer? Scott, M., 1981, "Teaching &Unteaching Coping Strategies",Working Papers of Brazilian ESP Project, No. 1, São Paulo: PUC-SP (Scott, M., 1981, "Teaching &Unteaching Coping Strategies",Working Papers of Brazilian ESP Project, No. 1, São Paulo: PUC-SP) DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Uma vez que o objetivo da aula é inferir sentindo de palavra ou expressão, não será feito um trabalho minucioso de motivação para a leitura, nesse momento. A sugestão é que sejam lançadas perguntas aos alunos sobre suas amizades e os locais que costumam frequentar quando procuram por entretenimento; 2. Separar as palavras utilizadas no texto em uma ficha, recortá-las e distribuí-las aos alunos (de acordo a quantidade de alunos frequentes em sala, algumas palavras poderão ser repetidas, a critério do professor, podendo ser escolhidas aquelas consideradas mais passíveis de ter dois ou mais significados atribuídos a elas); CLAMBA PLOMAR DRÃO GRULHAR TUNGAR GOLIPESTA ZULPINHO NACINHO CHINTA PLI SULAPENTE GALPO GRISPES BANGOULA PLI SALTIPOU SALTIPAÇÕES TODE SILTANDO CORRISCANDO ESTOPANDO 1.Pedir para que os alunos abram a ficha que receberam e, diante do estranhamento que poderá se estabelecer, perguntar se eles reconhecem as palavras que estão escritas nas fichas e se conseguem atribuir-lhes algum significado; 2. Avisar aos alunos que as palavras e expressões que eles receberam não existem, mas estão dentro de um texto de onde eles tentaram dar um sentido a elas, tendo como ponto de partida

75 75 as pistas que o texto oferece. Segundo passo Durante a leitura 1. Apresentar o texto Problema na clamba em uma lâmina/data show ou no quadro, apresentado frase por frase, começando do título, instigando os alunos a descobrirem o significado de suas palavras e expressões a partir do contexto; Professor, nas turmas em que essa habilidade ainda apresentem muitas dificuldades, as pistas textuais que auxiliam na atribuição de significado às palavras trabalhadas podem ser destacadas durante a leitura. 2. Pedir aos alunos que realizem uma última leitura silenciosa do texto para a atividade que será realizada a seguir; 3. Deixar o texto exposto na sala. Terceiro passo Depois da leitura 1. Distribuir para os alunos fichas em branco para que possam escrever uma palavra ou expressão existente na língua portuguesa e que possa substituir a palavra que eles receberam, prestando atenção se ela fará sentido no texto; 2. Apresentar o texto Problema na clamba em uma lâmina/data show ou no quadro, substituindo as palavras destacadas por lacunas, conforme a sugestão dada abaixo; PROBLEMA NA Naquele dia, depois de, fui ver o Zé queria ou não ir comigo lá na. Achei melhor -lhe. Mas, na hora de o número, vi-o passando com a e me dei conta de que ele já tinha outro programa. Então resolvi ir à. Ao chegar na, estacionei o bem, pus a chave no bolso e desci correndo para aproveitar ao aquele sol gostoso e o mar. Não parecia haver nem na. Tirei os, pus a. Estava quieto ali que até me. Mas esqueci logo das no prazer de nadar no, inclusive tirei a para ficar mais à vontade. Não sei quanto tempo fiquei nadando,,, até no. Foi depois, na hora de voltar à, que vi que nem os nem a estavam mais onde eu tinha deixado. O que fazer? 3. Pedir aos alunos que encaixem suas novas palavras no texto; Professor, essa pode ser uma boa oportunidade para revisar com os alunos as características e o comportamento das classes de palavras em uma frase, uma vez que, ao substituírem as palavras inventadas por outras conhecidas, eles observaram esses elementos no texto. 4. No caso de alunos que tiraram a mesma palavra colocarem significados diferentes, contrastar os significados, observando qual o que melhor se aplica ao contexto apresentado (ou se todos os significados dados se aplicam), concluído as discussões;

76 76 Professor, nesse momento é importante que os alunos possam argumentar sobre sua escolha e as motivações dela. 5. Ler o texto completo com as palavras que foram colocadas pelos alunos, fazendo os últimos ajustes necessários; 6. Concluir a aula lançando perguntas à turma para levá-la a refletir sobre a possibilidade de atribuir sentido a palavras desconhecidas a partir do contexto de produção. Quarto passo Sugestão de produção de texto 1. Despois que a história passa a fazer sentido para os alunos, lançar a pergunta: E agora, o que você faria no lugar da personagem? ; 2. Ouvir os alunos que quiserem expor, ou direcionar as discussões para ouvir aqueles que o professor considera ter maiores dificuldades em produção oral e/ou escrita; 3. Depois de ouvir algumas ideias, pedir para que os alunos produzam um pequeno texto, dando um final à história; 4. Circular pela sala, a fim de auxiliar os alunos que necessitam de intervenção quanto à produção textual; 5. Inicialmente, pedir para que os mesmos alunos, que fizeram a exposição oral do final pretendido, lerem o texto que produziram, chamando a atenção de todos para as diferenças dos registros oral e escrito; 6. Ouvir outros alunos que também quiserem fazer exposição de seu texto. Professor, caso ache interessante, a produção textual pode seguir o mesmo mote inicial. Os alunos então farão uso das palavras inventadas no texto e inventarem outras. Você também poderá instigar os outros alunos a tentarem descobrir os significados escondidos nas palavras inventadas pelo aluno autor.

77 77 AULA 5 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem de questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de Inferir o sentido de uma palavra ou expressão. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a) Leia o texto para os alunos. b) Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c) Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d) No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e) Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f) Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g) Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE QUESTÕES QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE QUESTÃO 01. Leia o texto abaixo. Na Europa, com Lulu Para quem não sabe: hotéis de luxo aceitam, sim, bichinhos de estimação. E o enchem de agrados Salão do Crillon, em Paris: luxo também presente nas acomodações para totós Pessoas que viajam e não aguentam ficar longe de seu animal de estimação têm à mão uma solução cara, mas amplamente difundida: hospedar-se em hotéis cinco-estrelas, palácios de mordomias que, em sua maioria, não só deixam o dono ficar com seu bichinho no quarto como recebem a ambos como reis. Quanto mais luxo, mais os bichos são bem tratados. No começo do mês, o Trianon Palace (diárias: 340 a 470 dólares o casal), de Versalhes, anunciou que a partir de outubro, por preço ainda não fixado, oferecerá um "pacote" para cães, que consistirá de acomodação de primeira (cesto e cobertor de grife), serviço de quarto e uma caixinha de, digamos cosméticos lenços umedecidos, xampu, perfume, etc. Na mesma linha, a StarwoodHotelsand Resorts, empresa americana dona dos Sheraton,, Westin (a rede do Trianon) e W,

78 78 Perfume especial: mimo do Trianon para hóspedes caninos anunciou em agosto que todos os hotéis desses nomes nos Estados Unidos e no Canadá passariam a aceitar hóspedes acompanhados de cães de estimação, com direito a agrados variados. Nos cinco W de Nova York, os lulus podem desfrutar de massagem de uma hora (125 dólares) com terapeuta especializada em animais.. "Donos de cachorros são um nicho de mercado muito mal servido pela indústria de turismo", justifica o comunicado anunciando o novo serviço. [...] (VEJA, 17 de setembro de p Adaptado: Reforma ortográfica.) No trecho a partir de outubro, por preço ainda não fixado, oferecerá um pacote para cães..., a palavra grifada tem o sentido de: (A) presente irrecusável. (B) conjunto de serviços. (C) complemento alimentar. (D) atendimento gratuito. QUESTÃO 02.Leia o texto abaixo. Cabeça no mundo da lua em plena sala de aula, notas em queda livre, falta de disposição para tudo e reclamações cada vez mais frequentes por bagunça, brigas e discussões em classe se esse quadro lhe parece familiar, seu filho pode estar dormindo menos do que deveria. Ou na hora errada. (http://www.escala.com.br/detalhe.asp?id=8753&grupo=64&cat=293>. Acesso em: 20 ago Fragmento.) Nesse texto, a expressão cabeça no mundo da lua significa que o filho A) dorme pouco à noite. B) é bagunceiro. C) está disperso. D) está fora da sala de aula.

79 79 QUESTÃO 03. Leia o texto abaixo. O relógio da igreja - Corre, minha gente, corre! O relógio da igrja sumiu!!! A moça esbravejava, calçada acima, acordando os habitantes que moravam na Praça junto à igreja. As venezianas das casas foram se abrindo de par em par, como num efeito dominó. As caras das beatas apareceram quase que simultaneamente nas janelas. Era um espanto só. Os olhos arregaladas de D. Izabel e de D. Bona denunciavam a tragédia. - Meu Deus, Bona! Quem se atreveria a tal coisa? - É um sacrilégio exclamou D. Izabel. E nós, que moramos ao pé da igreja, não vimos nada! - Quem terá sido, meu Deus? - É o fim dos tempos dizia Maria do Perpétuo Socorro. D. Luizinha, descendente de escravos, conhecia histórias do tempo do ronca. Ela sempre contava pra nós que no fim do mundo ia aparecer uma besta-fera que ia destruir a casa dos ricos, mas que não alteraria nada para os pobres porque, na casa destes, a besta entraria e passaria direto da porta da sala para a porta da cozinha. - Cruz credo benzeu-se D. Luizinha. Vou chamar Cônego Theodomiro. - Dianta não, D. Luizinha. Cônego Theodomiro foi pra a capital com o Dr. Juiz e só volta com ele na segunda. - Oxente! E a gente vai fazer o que, até lá? - Sei, não. Chama o Dr. Delegado! (GOMES, Elba. O relógio da igreja. Brasília-DF: LGE, p. 3-4) A expressão histórias do tempo do ronca tem o sentido de histórias: (A) antigas. (B) compridas. (C) inventadas. (D) românticas.

80 80 QUESTÃO 04. Leia o texto abaixo. MORADA DO INVENTOR A professora pedia e a gente levava, achando loucura ou monte de lixo: latas vazias de bebidas, caixas de fósforo, pedaços de papel de embrulho, fitas, brinquedos quebrados, xícaras sem asa, recortes e bichos, pessoas, luas e estrelas, revistas e jornais lidos, retalhos de tecido, rendas, linhas, penas de aves, cascas de ovo, pedaços de madeira, de ferro ou de plástico. Um dia, a professora deu a partida, e transformamos, colamos e colorimos. E surgiram bonecos (...), bichos (...) e coisas malucas (...) E a escola virou morada do inventor. (Elias José. Nova Escola, junho 2000, n. 133.) No trecho Um dia, a professora deu a partida, e transformamos, colamos e colorimos., a expressão em destaque significa: (A) saiu do local. (B) quebrou um objeto. (C) ligou o carro. (D) iniciou a atividade. QUESTÃO 05. Leia o texto abaixo. O HOMEM DO OLHO TORTO No sertão nordestino, vivia um velho chamado Alexandre. Meio caçador, meio vaqueiro, era cheio de conversas - falava cuspindo, espumando como um sapocururu. O que mais chamava a atenção era o seu olho torto, que ganhou quando foi caçar a égua pampa, a pedido do pai. Alexandre rodou o sertão, mas não achou a tal égua. Pegou no sono no meio do mato e, quando acordou, montou num animal que pensou ser a égua. Era uma onça. No corre-corre, machucou-se com galhos de árvores e ficou sem um olho. Alexandre até que tentou colocar seu olho de volta no buraco, mas fez errado. Ficou com um olho torto. (RAMOS, Graciliano. História de Alexandre. Editora Record. In Revista Educação, ano 11, n. 124, p. 14.) Leia novamente a frase: Alexandre rodou o sertão, mas não achou a tal égua. Nessa frase, rodou significa: (A) girou. (B) percorreu. (C) rodopiou. (D) analisou.

81 81 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO I PROCEDIMENTOS DE LEITURA (PROEB) LIÇÃO 05 - Distinguir um fato de uma opinião relativa a esse fato Competência Distinguir posicionamentos Habilidade Distinguir um fato de uma opinião relativa a esse fato Habilidade CBC 9.2.Distinguir fato de opinião em um texto ou sequência de relato. Em que consiste essa habilidade? É comum, sobretudo em textos dissertativos que, a respeito de determinados fatos, algumas opiniões sejam emitidas. Ser capaz de localizar a referência aos fatos, distinguindo-a das opiniões relacionadas a eles, representa uma condição de leitura eficaz. Uma atividade que permita desenvolver essa habilidade deve apoiar-se em um material que contenha um fato e uma opinião sobre ele, a fim de poder estimar a capacidade do aluno para fazer tal distinção. É importante que o aluno identifique uma opinião marcada por elementos do texto ou aquelas aí deixadas por um elemento modalizador só percebido por um leitor maduro ou trabalhado por um professor consciente dessas pistas, sobre um fato apresentado. Esse exercício diário da leitura permite que o aluno compreenda o texto, quem são os locutores e, consequentemente, tenha uma visão global do texto. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? Sugerimos que o professor, para trabalhar a habilidade do aluno em estabelecer a diferença entre fato e opinião sobre o fato, recorra a gêneros textuais variados, especialmente os que apresentam estrutura narrativa, tais como contos (fragmentos), notícias, crônicas. Os textos argumentativos também se prestam para trabalhar essa habilidade. Entretanto, torna-se necessário trabalhar, nos textos, as situações criadas por instrumentos gramaticais, como as expressões adverbiais e as denotativas em relações de mera referencialidade textual ou de influência externa de intromissão do locutor/produtor/narrador. Foram disponibilizadas, nessa Lição, 6 SUGESTÕES DE AULASdirecionadas principalmente para o desenvolvimento dessa habilidade. As aulasorganizam-se por ordem crescente de dificuldade, sendo as primeiras mais elementares, destinadas a alunos cujas dificuldades em consolidar a habilidade em questão sejam latentes; e as últimas, mais elaboradas, pretendendo fechar o ciclo de consolidação da habilidade estudada e avaliar os possíveis entraves que ainda possam restar.

82 82 SUGESTÕES DE AULA QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA 1 TEXTO (extraído do site A causa da Chuva Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos.uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão. Chove só quando a água cai do telhado do meu galinheiro esclareceu a galinha. Ora, que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas. Como assim? disse a lebre. Está visto que só chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d água que têm dentro. Nesse momento começou a chover. Viram? gritou a galinha. O telhado do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva! Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo. Mas, como assim? tornou a lebre. Parecem cegos! Não veem que a água cai das folhas das árvores? Moral: Todas as opiniões estão erradas. (Fernandes, Millôr. Novas fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Editora Desiderata, 2007.) DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura 1. Criar expectativa para a aula, motivando os alunos para o que será lido. O professor poderá, por exemplo, questionar os alunos acerca dos conhecimentos que têm sobre a chuva e suas causas/consequências, questionando sobre os argumentos que sustentam suas colocações; 2. Ilustrar o texto a partir de imagens, que podem ser apresentadas em PowerPoint, vídeo, cartaz ou outros suportes, deixando que os alunos levantem suas hipóteses sobre o que será

83 83 discutido na aula e apresentem suas leituras sobre o que está sendo visto; 3. Apresentar o título do texto, no quadro ou em um cartaz, deixando que os alunos levantem as hipóteses sobre o texto e criem a expectativa acerca do que será lido; 4. Apresentar a fonte, enfatizando o suporte e o autor, para que os alunos criem o contexto correto para a leitura. Professor, caso os alunos necessitem de mediação para a correta interpretação dos objetivos da aula, construa com eles as expectativas de leitura, tendo como base o suporte e o autor do texto. Segundo passo Durante a leitura 1. Distribuir o texto para os alunos, orientando-os quanto à leitura em voz alta e os objetivos de sua realização. Terceiro passo Depois da leitura 1. Seguir o roteiro de perguntas abaixo, intervindo para que os alunos não fujam do foco da aula e para que cheguem à conclusão correta. Sugestões de perguntas para essa etapa: a) Por que os animais começaram a discutir sobre a chuva? b) Cada animal disse saber a causa da chuva, porém cada um atribuiu a chuva a um fator diferente. Eles estavam certos? Suas colocações eram baseadas em quê? c) Vocês concordam com algum dos animais? Por quê? d) Para vocês, o que realmente causa a chuva? e) Os animais atribuíram uma causa para a chuva com base no que eles achavam, ou seja, com base em suas opiniões. O que é uma opinião? f) Para situações como essas, podemos dar uma opinião ou devemos ter certeza a respeito? O que é fato? g) Qual a diferença entre fato e opinião? Deem exemplos. AULA 2 Jogos Fato X Opinião Observação Geral: Professor, esses jogos podem servir de diagnóstico e mostrar o desenvolvimento da turma na consolidação dessa habilidade. Caso a turma ainda apresente muitas dificuldades no desenvolvimento dessas atividades, é momento de elaborar uma aula mais detalhada para o trabalho em sala de aula. JOGO 1 Tabela de Opiniões 1. Distribuir para os alunos (ou grupos de até cinco alunos) uma tabela de categorias, contendo duas colunas: uma para fato e outra para opinião; 2. Escrever no quadro ou apresentar em PowerPoint várias frases que expressem fatos e opiniões, pedindo aos alunos para que transcrevam as frases na coluna da tabela que consideram fazer parte; 3. Corrigir a tabela com os alunos, lendo cada uma das frases e perguntando-lhes se é fato ou opinião. Se for um fato, eles devem dar um exemplo de uma fonte onde ele possa ser encontrado; se for uma opinião, os alunos devem estar preparados para explicar os motivos

84 84 de acharem isso. Quem acertar mais vence o jogo; Professor, é importante, nesse momento, chamar a atenção dos alunos para o efeito dos modalizadoresnaprodução das frases e dos textos opinativos,considerando que a modalização é o fenômeno pelo qual o sujeito expressa sua adesão ao texto. Através da modalização é possível perceber qual a atitude do locutor na defesa do que pretende. Assim, é possível perceber se ele crê no quediz, se atenua ou impõe algo que diz. Na verdade, é a expressão de um ponto de vista que pode ser mais explícita ou mais discreta. No texto, percebemos a presença dos modalizadores pelos elementos linguísticos que os expressam. Esses funcionam como indicadores de intenções, sentimentos e atitudes do locutor com relação a seu discurso. Eles revelam o grau de engajamento do falante em relação ao conteúdo proposicional veiculado. Os modalizadores no discurso são marcas deixadas por quem assume a voz no texto. Há dois tipos básicos de modalizadores: a) Modalidades que se referem ao eixo do saber (Epistêmicas), sugerem certeza/ probabilidade; Crer eu acho, é possível / Provavelmente virei. Saber eu sei, é certo / Viajarei com certeza. a) Modalidades que se referem ao eixo da conduta (Deônticas), sugerem obrigatoriedade/ permissibilidade. Proibido: Não se deve estacionar na faixa amarela. Obrigatório: Você precisa se alimentar melhor. Recursos Linguísticos para a expressão da modalização: modos e tempos verbais; advérbios: talvez, felizmente, infelizmente, lamentavelmente, certamente...; predicados cristalizados: é certo, é preciso, é necessário; performativos explícitos: eu ordeno, eu proíbo, eu permito...; verbos auxiliares: poder, dever, ter que/ de, haver de, precisar de...; verbos de atitude proposicional: eu creio, eu sei, eu duvido, eu acho Concluir o trabalho, refletindo com os alunos acerca dos fatos e opiniões das frases trabalhadas no jogo. Sugestão de Fatos para o Jogo: As baleias-brancas respondem ao estímulo musical, expressando curiosidade e, por vezes, até dançando. Os cientistas ainda não sabem exatamente quanto tempo vive a baleia-narval, espécie que possui um chifre pontudo. Nos últimos 16 anos, os pesquisadores começaram a percebem que as baleias-jubarte fêmeas não só fazem amizades como se reúnem todo ano. Alguns documentos de pesquisadores da década de 40 relatam que baleias-belugas selvagens emitem sons semelhantes aos de uma criança. Em 2013, cientistas acompanharam baleias-cachalotes e descobriram que algumas dormem na vertical, balançando na superfície, e outras dormem com a cauda para cima. O escritor Herman Meville baseousua ideia para escrever o livro Moby Dick em uma baleia de verdade chamada Mocha Dick. Em 2011, um grupo de baleias-cachalotes adotou um golfinho com uma deformidade na coluna. As baleias aparecem em histórias desde o Livro de Jó, na Bíblia, aos clássicos da literatura

85 85 universal, como Moby Dick. Existem 78 espécies diferentes de baleias já estudadas. Em 2007, uma baleia-narval foi encontrada morta em uma praia e, em sua pele, os pesquisadores encontraram um projétil datado de Sugestão de Opiniões para o Jogo: As baleias-brancas são os mais belos mamíferos do fundo do mar. Muitos cientistas, biólogos e oceanógrafos consideram a baleia o melhor animal marinho para se estudar. Os cientistas acreditavam que as baleiras-jubarte não eram muito sociáveis umas com as outras. Na maioria dos parques aquáticos espalhados pelo mundo, as crianças acham as baleiasbelugas as mais divertidas. Os hábitos de sono das baleias-cachalotes são considerados pela comunidade científica como os mais diferentes e bizarros do reino animal. O livro Moby Dick, de Herman Meville, é um dos romances de ação mais interessantes e empolgantes que vocês leram em suas vidas. As baleias são consideradas como as espécies mais gentis do reino animal, mesmo com outros animais que não são de sua espécie. As baleias são consideradas alguns dos animais mais misteriosos da Terra. As baleias podem proporcionar à ciência algumas das descobertas mais fascinantes e surpreendentes que podemos imaginar. Os pesquisadores acham que a baleia-narval encontrada morta em 2007 tenha sobrevivido a um ataque à bala ocorrido mais de cem anos antes. Observações: 1. As frases acima foram adequadas de um texto encontrado em um site da internet. Caso o professor ache conveniente conhecer melhor o assunto antes de abordá-lo em sala de aula, vale verificar a reportagem na íntegra em: fatos-estranhos-e-surpreendentes-sobre-as-baleias.htm; 2. Os fatos e opiniões aqui expostos pretendem ser desconhecidos dos alunos, para que o trabalho seja focado, principalmente, nas pistas textuais que permitiriam classificar a frase como um fato ou uma opinião; 3. Esse mesmo jogo pode ser feito com outros fatos e outras opiniões, seria interessante fazer um levantamento de quais os assuntos e temas mais agradam aos alunos. AULA 3 Jogos Fato X Opinião Observação Geral: Professor, esses jogos podem servir de diagnóstico e mostrar o desenvolvimento da turma na consolidação dessa habilidade. Caso a turma ainda apresente muitas dificuldades no desenvolvimento dessas atividades, é momento de elaborar uma aula mais detalhada para o trabalho em sala de aula. JOGO 2 Responda Rápido 1. Escolher um texto contendo informações interessantes para os alunos, o texto deve conter frases que expressem fatos e opiniões a respeito de algo;

86 86 2. Ler o texto para os alunos, parando-o em alguns momentos, escolhendo um aluno e perguntando-lhe se a informação que acabou de ser lida é um fato ou uma opinião; 3. Perguntar a outro aluno se o colega está correto e pedir para que justifique; 4. Voltar ao primeiro aluno, perguntando-lhe se concorda ou discorda da colocação do segundo aluno; 5. Intervir sempre que necessário, tentando fazer com que os alunos cheguem a uma resposta correta; 6. Concluir o trabalho, refletindo com os alunos acerca dos fatos e opiniões percebidas no texto. Sugestão de texto para o Jogo: (fonte: Estado de Minas, Minas Gerais, 2 mai. 2014, p. 07.)

87 87 Transcrição do texto na íntegra: Barulho urbano e o direito ao sossego Frederico Oliveira Freitas Advogado, professor da Faculdade de Direito Arnaldo Janssen e Faminas-BH A poluição sonora, infelizmente, atinge cada vez mais os grandes centros urbanos. Após concluir a jornada de trabalho, o cidadão retorna para o seu lar em busca de paz e tranquilidade, mas, frequentemente, esse intuito é frustrado por causa dos sons emitidos por bares, restaurantes, igrejas, academias, vizinhos desprovidos de bom senso etc. Viver em comunidade pressupõe o respeito para com o outro. Emitir ruídos exageradamente ataca a dignidade da pessoa. O sossego é fundamental na vida de qualquer indivíduo e a sua ausência provoca sérios males para a saúde humana. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) destacou no julgamento do Recurso Especial n /MG que o direito ao silêncio é uma das manifestações jurídicas mais atuais da pós-modernidade e da vida em sociedade, inclusive nos grandes centros urbanos. O Código Civil regulamenta as relações privadas com normas que privilegiam a boa-fé e o interesse da comunidade. Atitudes causadoras de quaisquer prejuízos precisam ser repelidas pelo poder estatal, seja por meio de multas, seja por cassação de alvarás, interdições e indenizações. O Estado precisa promover campanhas educativas para conscientizar a população da importância de respeitar o direito ao silêncio, bem como fiscalizar a sua observância e punir os infratores. Preservar o sossego significa proteger a integridade física e psíquica do cidadão e via de consequência a sua a vida. Grande parte da população belo-horizontina tem reclamado do excesso de barulho. O objetivo do presente texto é abordar sinteticamente as questões jurídicas que permeiam o tema. Cabe desmitificar o pensamento de muitos que acreditam que o barulho só pode ser combatido pelo poder público após as 22h, o que é um engano. O individuo não pode extrapolar na emissão de sons independentemente do horário. O bom senso deve prevalecer 24 horas por dia. O ordenamento jurídico tem meios de coibir e punir os excessos. De acordo com o artigo 187 do Código Civil, o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes, comete ato ilícito. Como consequência, poderá ser condenado a pagar indenizações pelos danos ocasionados. Também é possível o ajuizamento de ações cíveis objetivando a imposição de obrigações de fazer, como por exemplo, obrigar uma academia a manter isolamento acústico, ou obrigações de não fazer para que sons em demasia sejam evitados, sobpena de imposição de multa. Caracterizado o barulho excessivo, é possível requerer, na esfera cível, a sua cessação, indenizações pelos danos sofridos e tutelas judiciais para obter obrigações de fazer ou de não fazer. Cabe mencionar que alguns municípios têm serviços de fiscalização de estabelecimentos que excedem no barulho e que o excesso de barulho pode também gerar consequências na esfera penal.

88 88 Por fim, é preciso destacar que não podemos ser extremistas e achar que qualquer som e em qualquer situação vai gerar todas as consequências jurídicas narradas acima. Precisamos lembrar que vivemos em comunidade e algumas condutas esporádicas que não sejam de má-fé podem ser toleradas, desde que razoáveis. O que precisa ser evitado é o excesso, a extrapolação do bom senso, condutas reiteradas e/ou exageradas que lesam o direito ao sossego. A conclusão a que se chega é inevitavelmente que a educação é a base para vivermos em harmonia respeitando o direito do outro, e o conhecimento faz-se necessário para exigirmos que os nossos direitos sejam respeitados. Primeiro passo Antes da leitura 1. O professor poderá iniciar a aula, instigando os alunos a respeito do título do texto, poderá fazer perguntas a respeito da fonte, do gênero e do autor do texto. 2. Após definir que o texto se trata de um artigo de opinião, o professor poderá indagar aos alunos quanto à autoridade do articulista para falar sobre o assunto, ficando atento se o aluno será capaz de identificar que o autor do texto se trata de um advogado, professor de direito e por isso, com competência para falar do assunto. Segundo passo Durante a leitura 1. Propor a leitura silenciosa do texto, marcando as palavras desconhecidas pelos alunos. 2. Em seguida, verificar quais foram as palavras desconhecidas destacadas pelos alunos e iniciar a intervenção contextualizando- as. Caso persista a dúvida, procurar no dicionário. 3.Fazer, novamente, uma leitura compartilhada, entre alunos e professor. Terceiro passo Após a leitura 1. Dividir a turma em 6 grupos e distribuir entre eles um parágrafo do texto. 2. Pedir a cada grupo que identifique e separe, no parágrafo recebido, o fato da(s) opinião(ões). 3. Em seguida, pedir aos grupos que apresentem o seu parágrafo, explicando como eles separaram o fato da(s) opinião(ões). 4. Perguntar aos grupos se eles concordam ou discordam da colocação feita pelo grupo anterior. 5. O professor poderá intervir, tentando fazer com que os alunos cheguem a uma resposta correta, caso seja necessário. 6. Concluir, chamando atenção para: 1º parágrafo: opinião 2º parágrafo: inicia-se com opinião alternando para um fato 3º parágrafo: inicia-se com fato alternando para opiniões 4º parágrafo: inicia-se com opiniões alternando para um fato 5º parágrafo: opinião 6º parágrafo: opinião

89 89 AULA 4: PESQUISA DESENVOLVIMENTO Primeiro passo 1. Lançar para a turma o desafio de descobrir os interesses dos colegas da escola através de uma pesquisa, incentivando-os a se questionarem sobre quais são suas curiosidades a respeito dos gostos, preferências dos seus colegas; 2. Elencar quais podem ser os temas das perguntas da pesquisa que será realizada; 3. Dividir a turma em grupos de, no máximo, 5 (cinco) componentes e distribuir os temas para que os alunos possam redigir as perguntas que farão parte de sua pesquisa. Professor, para que a atividade possa ser mais ágil, é interessante que os alunos realizem a pesquisa com base em apenas uma pergunta. Para tanto, circule pela sala e interaja com a turma a fim de que os integrantes do grupo escolham a melhor pergunta para a atividade; 4. Peça aos alunos que façam a pesquisa com o número de alunos da sala de aula e façam as anotações. Segundo passo 1. Fazer o levantamento das informações coletadas na pesquisa para apresentação. Professor, nesse momento, poderão ser trabalhadas várias maneiras de apresentar os dados, desde gráficos de coluna, pizza, entre outros, até as tabelas; 2. Realizar uma pequena apresentação dos dados por parte dos alunos. Terceiro passo 1. Pedir para que os alunos retomem as informações do consolidado que fizeram e respondam à pergunta: Por que as pessoas entrevistadas responderam em sua maioria tal alternativa?. Nesse momento, os alunos levantarão hipóteses a respeito dos motivadores de seus entrevistados; 2. Ouvir as opiniões dos alunos; 3. Trabalhar com os alunos a diferença entre os dados obtidos nas pesquisas (fatos) e as hipóteses levantadas para responder à pergunta lançada no início da aula (opiniões), alertando para a necessidade de se saber quais são as fontes para dar maior ou menor credibilidade aos fatos que são analisados.

90 90 Professor, você poderá desenvolver ainda a sugestão com o texto abaixo: Atividade adaptada do livro didático: Português: uma proposta para o letramento/magda Soares. 1.ed. São Paulo: Moderna,2002-6º ano-pág.125 e 126. Primeiro Passo Antes da leitura 1. Professor, apresente o texto para seus alunos mostrando a referência bibliográfica, fonte, autor, data e título do texto. 2. Diga que as informações do texto foram retiradas do artigo Mãe pra valer, e apresentadas em tabelas. 3. Discutir com os alunos a estrutura de uma tabela como: título, informações, fontes e os dados. Segundo Passo Durante a leitura 1. Professor, divida a turma em 6 grupos; 2. Leia em voz alta cada uma das perguntas abaixo e, depois de ouvir a pergunta, cada grupo irá analisar as tabelas e buscar, oralmente, as respostas; 3. Faça o seguinte combinado: Um participante do grupo levantará a mão, quando tiver encontrado a resposta e deverá esperar o professor indicar qual grupo irá responder. Todos os alunos deverão prestar atenção à resposta do colega e, se achar que ela não está certa, deverá pedir a palavra para discordar. Perguntas a serem feitas: O maior número de adotados são crianças mais novas ou mais velhas? Parece que as pessoas preferem adotar crianças de certa cor de pele. Que cor? Crianças de que cor de pele constituem o menor grupo de adotados? O número de meninos adotados é maior ou menor que o número de meninas adotadas? De que idade, de que cor e de que sexo são as crianças mais adotadas? De que idade, de que cor e de que sexo são as crianças menos adotadas?

91 91 Terceiro Passo Depois da leitura 1. Distribuir as perguntas, uma para cada grupo, por escrito. Cada grupo deverá criar um pequeno texto, unindo pergunta e resposta, construindo o fato e omitindo sua opinião a respeito desse fato. Exemplificando (pergunta1): De acordo com a tabela, o maior número de adotados são crianças mais novas. Isso acontece porque... Professor, nesse momento esteja atento às intervenções em todos os grupos, tanto na elaboração dos fatos, chamando atenção para citar a fonte ou outras referências, para dar mais credibilidade, como também chamar atenção para o uso de conectivos e outros elementos coesivos para ligar o fato à opinião. 2. Distribuir os fatos e as opiniões referentes a eles, todos misturados em fichas. O número de crianças brancas adotadas é muito maior que o número de crianças negras. O número de crianças com mais de 8 anos é bem menor que o número de adoções de crianças com menos de 5 anos. O número de adoções de crianças com menos de 2 anos é o maior. Há mais meninos que meninas entre os adotados. O preconceito racial influencia na escolha da criança a ser adotada. Numa sociedade extremamente machista, é mais fácil educar um menino que uma menina. O preconceito de cor ou etnia leva os casais a desejarem filhos brancos. Futuros pais preferem educar a criança desde bem pequena. Os pais adotivos tem medo de a criança maior já ter adquirido maus hábitos e maus comportamentos. Preconceitos culturais levam as pessoas a achar que o filho homem dá menos trabalho e que não precisa ser tão protegido quanto à filha.

92 92 3. Apresentar o quadro abaixo, pedindo para os grupos separarem os fatos das opiniões. QUEM SÃO OS ADOTADOS FATOS OPINIÕES 4. Os alunos deverão registrar as atividades no caderno. 5. Proponha, para finalizar, que os alunos produzam textos, podendo ser coletivamente com o professor ou com o grupo, utilizando todos os fatos e opiniões vistos nas atividades anteriores. 6. Apresente os textos produzidos para toda a turma, após ter feito as intervenções. AULA 6 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de distinguir um fato de uma opinião relativa a esse fato. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho.

93 93 EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE QUESTÃO 01. Leia o texto abaixo. As enchentes de minha infância Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma tamareira junto à varanda, mas eu invejava os que moravam do outro lado da rua, onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a casa dos Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com varanda fresquinha dando para o rio. Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã lá no quintal deles ver até onde chegara a enchente. As águas barrentas subiam primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras, vinham subindo o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite, o volume do rio cresceu tanto que a família defronte teve medo. Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso para nós era uma festa, aquela faina de arrumar camas nas salas, aquela intimidade improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas contentes, riam muito; como se fazia café e se tomava café tarde da noite! E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a favor da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio baixara um palmo aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras, então dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as enchentes. BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, p A expressão que revela uma opinião sobre o fato... vinham todos dormir em nossa casa é (A) Às vezes chegava alguém a cavalo... (B) E às vezes o rio atravessava a rua... (C) e se tomava café tarde da noite! (D) Isso para nós era uma festa... QUESTÃO 02. Leia o texto abaixo. Aleijadinho Antônio Francisco Lisboa nasceu em 1730 em Vila Rica (atual Ouro Preto),Minas Gerais e viveu 84 anos. Filho de Manoel Francisco Lisboa, português e deuma escrava deste, africana, de nome Izabel, tornou-se o maior escultor do Brasil,tendo trabalhado até as vésperas de sua morte. Deixou uma obra vastíssima e degrande valor artístico. Sua formação se deu no próprio meio familiar, aprendendo com o pai, que era,junto com o irmão, mestre na arte em cantaria e na talha do estilo Barroco. Sua vida muda completamente a partir do momento em que uma grave doençadeformante o acomete. A doença se agrava com o correr do tempo, a ponto decaírem-lhe os dedos das mãos. Daí o apelido de Aleijadinho.[...] (COELHO, Ronaldo Simões. Pérola torta. Dimensão. Fragmento.)

94 94 O trecho que expressa uma opinião é (A)... nasceu em 1730 em Vila Rica, Minas Gerais. (B) Deixou uma obra de grande valor artístico.. (C) Sua formação se deu no próprio meio familiar,. (D) A doença se agrava com o correr do tempo,. QUESTÃO 03.Leia o texto abaixo. ENTENDA MELHOR ESSE FENÔMENO Primeiro o céu fica bem escuro e começa a chover. Aí vem um clarão bem forte, seguido de um barulho enorme. E a gente toma o maior susto! O nome desse fenômeno, poderoso e às vezes assustador, é raio. O raio nasce em nuvens grandes e escuras, que têm a parte de baixo lisa. Elas são conhecidas como cúmulos-nimbos e ficam bem altas, entre 2 e 18 quilômetros do chão. Quando estão cheias de gotículas de água e pequenos pedaços de gelo, caem grandes tempestades. Com o vento as pedrinhas de gelo batem umas nas outras. Essa agitação cria partículas de eletricidade na nuvem. Se uma nuvem com muitas partículas elétricas negativas encontra outra com muitas partículas positivas, elas trocam essas partículas, formando uma corrente elétrica poderosa. Também pode acontecer de se formar uma corrente elétrica entre uma nuvem e o solo. Nos dois casos, o resultado final é o raio. A opinião da autora desse texto, a respeito dos raios, é que eles (A) são fenômenos poderosos e assustadores. (B) são formados por corrente elétrica. (C) surgem em um clarão seguido de um barulho. (D) nascem em grandes nuvens escuras. (MOIÓLI, Júlia. Revista Recreio n.411. Janeiro/2008)

95 95 QUESTÃO 04. Leia o texto abaixo. O CÁGADO NA FESTA DO CÉU Certa vez houve uma grande festa no céu para a qual foram convidados os bichos da floresta. Todos se encaminharam para lá, e o cágado também mas este era vagaroso demais, de modo que andava, andava, e não chegava nunca. A festa era só de três dias e o cágado nada de chegar. Desanimado, pediu a uma garça que o conduzisse às costas. A garça respondeu: Pois não. E o cágado montou. A garça foi subindo, subindo, subindo. De vez em quando perguntava ao cágado se estava vendo a terra. Estou, sim, mas lá longe. A garça subia mais e mais. E agora? Agora já não vejo o menor sinalzinho de terra. A garça, então, que era uma perversa, fez uma reviravolta no ar, desmontando o cágado.coitado! Começou a cair com velocidade cada vez maior. E enquanto caía, murmurava: Se eu desta escapar, léu, léu, léu, se eu desta escapar, nunca mais ao céu me deixarei levar. Nisto avistou lá embaixo a terra. Gritou: Arredai-vos, pedras e paus, senão eu vos esmagarei! As pedras e paus se afastaram e o cágado caiu. Mesmo assim arrebentou-se todo, em cem pedaços. Deus, que estava vendo tudo, teve dó do coitado. Afinal de contas aquela desgraça tinha acontecido só porque ele teimou em comparecer à festa no céu. E Deus, juntou outra vez os pedaços. É por isso que o cágado tem a casca feita de pedacinhos emendados uns nos outros. O autor dá sua opinião sobre a garça em (A) A garça, então, que era uma perversa.... (B) A garça foi subindo, subindo, subindo.... (C) A garça respondeu: Pois não.. (D) A garça subia mais e mais.. (Monteiro Lobato. Histórias de Tia Nastácia. Obras Completas, v.3.)

96 96 QUESTÃO 05.Leia o texto para responder a questão abaixo. Cidadania, direito de ter direitos Cidadania é o direito de ter uma ideia e poder expressá-la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. [...] Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de cidadania: respeitar o sinal vermelho no trânsito, não jogar papel na rua, não destruir telefones públicos. Por trás desse comportamento está o respeito à coisa pública. [...] Foi uma conquista dura. Muita gente lutou e morreu para que tivéssemos o direito de votar. O trecho que indica uma opinião em relação à cidadania é (A)... é o direito de ter uma ideia e poder expressá-la.... (B)... É poder votar em quem quiser.... (C)... revelam estágios de cidadania:... (D)... Foi uma conquista dura. (DIMENSTEIN, Gilberto. O Cidadão de papel. São Paulo: Ed. Ática, 1998.)

97 97 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO II IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 06 - Identificar o gênero de um texto. Competência Identificar o gênero, a função e o destinatário. Habilidade Identificar o gênero de um texto. Habilidade CBC 1.1.Reconhecer o gênero de um texto a partir de seu contexto de produção, circulação e recepção. Em que consiste essa competência? A competência de identificar gênero, função ou destinatário de um texto envolve habilidades cujo desenvolvimento permite ao leitor uma participação mais ativa em situações sociais diversas, nas quais o texto escrito é utilizado com funções comunicativas reais. Essas habilidades vão desde a identificação da finalidade com que um texto foi produzido até a percepção de a quem ele se dirige. O nível de complexidade que esta competência pode apresentar dependerá da familiaridade do leitor com o gênero textual, portanto, quanto mais amplo for o repertório de gêneros de que o aluno dispuser, maiores suas possibilidades de perceber a finalidade dos textos que lê. É importante destacar que o repertório de gêneros textuais se amplia à medida que os alunos têm possibilidades de participar de situações variadas, nas quais a leitura e a escrita tenham funções reais e atendam a propósitos comunicativos concretos. Em que consiste essa habilidade? O desenvolvimento dessa habilidade permitirá ao aluno fazer uma leitura do universo letrado que o cerca, porque, seja em casa, na escola, no trajeto que fazemos de um lugar a outro, no parque de diversões, no shopping, enfim, em muitos outros, deparamo-nos com uma diversidade de textos. Saber identificar as características comuns que os classificam como um determinado gênero textual facilitará essa leitura, tornando-o um leitor mais proficiente. O professor poderá auxiliar o desenvolvimento dessa habilidade, primeiramente, oportunizando o contato dos alunos com a maior diversidade possível de Gêneros Textuais e assim, explorar as pistas textuais, características de cada gênero, tais como: a diagramação do texto disposta na página, o título, o assunto abordado, a linguagem utilizada, a estrutura formal, dentre outras. É necessário apresentar aos alunos vários exemplos do mesmogênero para que eles possam analisar, também, as semelhanças quanto à sua estrutura, linguagem, conteúdo e finalidade, que permitem classificá-los como um determinado Gênero Textual. Sugestões para melhor desenvolver essa habilidade O professor deve trabalhar a leitura com compreensão de textos de gêneros diversos, de notícias, por exemplo, destacando as características específicas do gênero. É importante começar refletindo sobre o título e o lide que levam os leitores a decidirem se terão ou não interesse para ler o texto. O professor poderá iniciar a discussão utilizando-se das imagens, relacionando-as com o título e subtítulos, realizando debates a respeito do tema abordado. É importante dar continuidade às práticas para o ANTES, odurante e o DEPOISda leitura.

98 98 SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE TEXTO Será utilizado nas aulas 1 e 2. AULA1 COMPORTAMENTO Quem são eles? Espremidos entre a infância e a adolescência, os pré-adolescentes vivem a dualidade dessas duas fases de vida a um só tempo. Beatriz Teixeira de Salles Quando os pais querem que eles façam alguma coisa, lá vem o discurso: Você já é bem grandinho ; mas quando não querem liberá-los para ir a algum lugar ou fazer determinada coisa, falam: Você ainda é muito novo, não pode! Afinal, são muito novos ou já cresceram? Esse é apenas um exemplo da dificuldade de ser pré-adolescente, ou melhor, de quase adolescente, pois o termo pré-adolescência não é reconhecido cientificamente. Eles estão na faixa entre 10 e 13 anos, vivem uma enorme diferença de maturação, não só sexual quanto psicológica, entre meninos e meninas e até dentro do mesmo sexo, e vivem entre a alegria infantil da falta de responsabilidade e a tão sonhada adolescência, quando algumas regalias do mundo adulto lhes são permitidas. Em conversa com Thiago, 12 anos, Isabella, 12, Cecília, 11, e Frederico, 10, a gente pode ver um pouco do perfil dessa moçada que vive nesse hiato entre a infância e a adolescência. Eles mesmos admitem que, dependendo da situação, sentem-se crianças ou adolescentes. Às vezes me incomoda ver que ir sozinha ao shopping, não posso. Mas, se quero brincar de boneca, eles falam que já sou grande, conta Isabella. Para Fernanda, a preocupação dos pais se divide entre a ameaça da violência real e um pouco de neura. Os pais são muito imaginativos, só pensam que coisas ruins vão acontecer, emenda Thiago. Frederico se queixa de não poder ir a reuniões de grupo sozinho, Cecília não tem autorização para andar de ônibus sozinha e por aí vai. Porém, todos reconhecem que dá para entender a preocupação dos pais e que, levando em conta a forma como foram criados, hoje são até liberais. Estado de Minas, Caderno Feminino. Belo Horizonte, 14 maio 2000, p. 10.(Fragmento).

99 99 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Trabalhando com o jornal Para desenvolver esta atividade, o professor poderá levar para a sala um jornal composto de cadernos. Segundo passo Antes da Leitura Levantar hipóteses junto aos alunos sobre o suporte jornal e os gêneros, assuntos, cadernos e formatações que esse suporte pode apresentar; Apresentar o texto Quem são eles? para os alunos, levantando os conhecimentos prévios a respeito desse gênero (o conhecimento desse gênero, quais são as características que o compõem). Terceiro passo Durante a leitura Após levantar os conhecimentos prévios, demonstre para os alunos as características que compõem o gênero reportagem, através das estratégias sugeridas abaixo: - Onde veiculou o texto, chamando a atenção para o nome do jornal; - Mostrar que alguns jornais são divididos em cadernos, (Esportes, Economia, Literário entre outros) chamando atenção para o caderno em evidência; - Destacar a importância da numeração das páginas; - Observar junto com eles o local e a data da publicação; - Observar que o jornal possui uma diagramação específica (colunas); - Chamar atenção para o título da reportagem (letras em negrito, garrafais) e de forma que chama atenção do leitor; - Destacar a importância da legenda; - Indagar a importância e a finalidade do lide; - Explicar a importância da imagem para a composição do gênero.

100 100 Caderno Lide Título ou manchete Foto Artigo Legendas Fotos ou ilustrações Quarto passo Apósa leitura Explicar aos alunos que para entender a linguagem jornalística, é bom conhecer alguns termos usados no dia a dia das redações. Artigo - Texto que traz a opinião e a interpretação do autor sobre um fato. Geralmente é assinado e não reflete necessariamente a opinião da publicação. Editorial - É a opinião da empresa que publica o periódico sobre temas relevantes. Não é assinado. Entrevista - Contato pessoal entre o repórter e uma ou mais pessoas (fontes) para coleta de informações. Também designa um tipo de matéria jornalística redigida sob a forma de perguntas e respostas (também conhecida como pingue-pongue). Legenda - Texto breve colocado ao lado, abaixo ou dentro de foto ou ilustração, que acrescenta informações à imagem. Lide - Abertura de um texto jornalístico. Pode apresentar sucintamente o assunto, destacar o fato principal ou criar um clima para atrair o leitor para o texto. O tradicional responde a seis questões básicas: o quê, quem, quando, onde, como e por quê. Manchete - Pode ser tanto o título principal, em letras grandes, no alto da primeira página de

101 101 um jornal, indicando o fato jornalístico de maior importância entre as notícias contidas na edição, como título de maior destaque no alto de cada página. Nota - Pequena notícia. Notícia - Relato de fatos, acontecimentos atuais, de interesse e de importância para a comunidade e para o público leitor. Pauta - Agenda ou roteiro dos principais assuntos a ser noticiados numa publicação jornalística. Reportagem - Conjunto de providências necessárias à confecção de uma notícia jornalística: pesquisa, cobertura de eventos, apuração, seleção dos dados, interpretação e tratamento. Quinto passo Orientações finais Para finalizar esta aula, é interessante o professor proporcionar aos alunos, em grupo, a análise de um exemplar de jornal, local ou de circulação nacional, para que analisem esse suporte e os elementos que o compõem. Para tanto, poderá seguir o roteiro sugerido abaixo: - Dividir a turma em 5 grupos para que possam analisar: Grupo 1: Primeira página; Grupo 2: Editorial e Cartas dos Leitores; Grupo 3: Cadernos; Grupo 4: Classificados; Grupo 5: Textos Publicitários; - Pedir aos grupos que anotem as considerações acerca de suas análises: formatação, vocabulário, destaques, as características que compõem a parte analisada para apresentação a seguir; - Ouvir as colocações dos alunos, mediando suas observações. É importante o trabalho com o material autêntico. Ele favorece o contato dos alunos com situações reais de comunicação, contribuindo assim, para um trabalho mais significativo. Por meio de textos veiculados no jornal, é possível desenvolver atividades, nas quais a Língua Portuguesa esteja a serviço da comunicação. O professor poderá levar vários jornais para a sala de aula e distribuí-los aos alunos. Organizar a classe em grupos e cada grupo ficar com um caderno. Como tarefa, os grupos selecionariam as notícias e após identificariam os termos usados no dia a dia das redações (lide, título da reportagem, legenda e outros); Professor, pretendeu-se nesse trabalho até aqui, desenvolver as competências para que o aluno saiba identificar o jornal como um meio de comunicação, um suporte para diversos gêneros, como para o gênero Reportagem. O professor poderá após, trabalhar o texto, destacando o gênero textual reportagem e considerar as estratégias de leitura abordadas neste caderno.

102 102 AULA 2 TEXTO COMPORTAMENTO Quem são eles? Espremidos entre a infância e a adolescência, os pré-adolescentes vivem a dualidade dessas duas fases de vida a um só tempo. Beatriz Teixeira de Salles Quando os pais querem que eles façam alguma coisa, lá vem o discurso: Você já é bem grandinho ; mas quando não querem liberá-los para ir a algum lugar ou fazer determinada coisa, falam: Você ainda é muito novo, não pode! Afinal, são muito novos ou já cresceram? Esse é apenas um exemplo da dificuldade de ser pré-adolescente, ou melhor, de quase adolescente, pois o termo pré-adolescência não é reconhecido cientificamente. Eles estão na faixa entre 10 e 13 anos, vivem uma enorme diferença de maturação, não só sexual quanto psicológica, entre meninos e meninas e até dentro do mesmo sexo, e vivem entre a alegria infantil da falta de responsabilidade e a tão sonhada adolescência, quando algumas regalias do mundo adulto lhes são permitidas. Em conversa com Thiago, 12 anos, Isabella, 12, Cecília, 11, e Frederico, 10, a gente pode ver um pouco do perfil dessa moçada que vive nesse hiato entre a infância e a adolescência. Eles mesmos admitem que, dependendo da situação, sentem-se crianças ou adolescentes. Às vezes me incomoda ver que ir sozinha ao shopping, não posso. Mas, se quero brincar de boneca, eles falam que já sou grande, conta Isabella. Para Fernanda, a preocupação dos pais se divide entre a ameaça da violência real e um pouco de neura. Os pais são muito imaginativos, só pensam que coisas ruins vão acontecer, emenda Thiago. Frederico se queixa de não poder ir a reuniões de grupo sozinho, Cecília não tem autorização para andar de ônibus sozinha e por aí vai. Porém, todos reconhecem que dá para entender a preocupação dos pais e que, levando em conta a forma como foram criados, hoje são até liberais. Estado de Minas, Caderno Feminino. Belo Horizonte, 14 maio 2000, p. 10.(Fragmento). DESENVOLVIMENTO Trabalhando o gênero Reportagem Primeiro passo Antes da leitura Sugerimos que o professor explique aos alunos que a reportagem é um gênero de texto jornalístico que transmite uma informação por meio da televisão, rádio, revista. O objetivo da reportagem é levar os fatos ao leitor ou telespectador de maneira abrangente. Por essas questões, a subjetividade está mais presente no gênero reportagem do que na notícia. É importante destacar com eles que o objetivo da reportagem é levar os fatos ao leitor ou ao telespectador de maneira abrangente. Isto exige do jornalista ser capaz de falar e escrever bem.

103 103 Segundo passo Durante a leitura Para a leitura da reportagem uma boa técnica é ler o texto em partes. O professor poderá ler o título e o lide da reportagem, em seguida perguntar aos alunos qual será o assunto a ser desenvolvido no texto. Após ler parágrafo por parágrafo, instigar e dialogar com os alunos sobre o que está sendo abordado e destacado. É importante também o trabalho sistematizado com o vocabulário. Em seguida, informar para os alunos as características do gênero reportagem que estão apontadas abaixo: A reportagem escrita é dividida em três partes: manchete, lide e corpo. Esses conceitos já foram trabalhados na aula de jornal. Basicamente, o lide, também chamado de abertura, responde a quatro perguntas: quem? o quê? quando? onde? já corpo ou desenvolvimento contempla informações mais detalhadas: como? por quê? contexto e consequências. O que se pode dizer sobre a reportagem Quanto à situação de produção Quanto à situação de interação Quanto ao objeto Quanto ao objetivo Os leitores podem ser múltiplos ou desconhecidos; os jornais podem ser de grande circulação ou de circulação mais restrita, sérios ou populares, sensacionalistas. A notícia raramente vem assinada. O discurso construído é autônomo. Tem-se enunciados mais referenciais e menos opinativos, já que relata fatos, acontecimentos, etc. A notícia visa informar aos leitores, o mais imparcial possível e com grande fidedignidade. Predomina a 3ª pessoa, posições e aferições subjetivas devem ser evitadas para que o próprio leitor faça sua avaliação. Quanto a temáticas e conteúdos A notícia é o relato de transformações, de deslocamentos e de enunciações observáveis no mundo de interesse do leitor, por isso a necessidade de uma seleção prévia de fatos mais importantes que devem ser ordenados criteriosamente, sempre tendo em mente a tentativa de tornar a leitura e a compreensão da notícia o mais fácil possível. Não se esqueça de retomar o trabalho realizado no jornal, enfatizando o título, subtítulo, lide e onde o texto foi veiculado. Destaque a importância do título no texto, ele é a chave. Para funcionar, precisa ter impacto. Sem impacto não chamará a atenção. Se não chamar a atenção, será inútil. Para ajudar o aluno a encontrar as informações, construa um quadro como no modelo abaixo: Título da reportagem Onde foi publicada a reportagem Data da publicação Argumento inicial da autora

104 104 Opinião expressada pelos adolescentes entrevistados: - Isabella - Fernanda - Thiago - Frederico - Cecília Terceiro passo Depois da leitura Professor, agora, sugerimos que peça aos alunos para produzirem uma reportagem abordando temas de interesse da turma. Essa atividade pode ser em grupo, estimulando a participação de todos. Oportunize aos alunos a realização da leitura de seus textos para a turma. Durante as apresentações, faça apreciações e intervenções necessárias. Escolha algumas e faça as correções, ressalte para os alunos a necessidade de reescrita dos textos, realizando as correções indicadas pelo professor. AULA 3 Trabalhando o gênero Crônica Primeiro passo Antes da leitura Para iniciar essa aula, o professor poderá dialogar com os alunos aspectos que serão abordados no texto como: - O papel da família na sociedade e em destaque o valor da mãe dentro da família; - As questões que envolvem o abandono de crianças; - O futuro incerto de uma criança criada sem a referência materna; - O papel da sociedade diante de tantas crianças abandonadas; - Como a criança abandonada está propícia ao mundo das drogas; - Os problemas sociais e suas consequências para as crianças abandonadas. Anote, no quadro, as palavras-chave comentadas pelos alunos durante o debate. Professor, não se esqueça de utilizar a imagem para sensibilização e fortalecimento das ideias que serão discutidas e aproveitar a oportunidade para, em um trabalho interdisciplinar com o professor de Geografia, discutir a questão social e política dos moradores de rua, em especial das crianças, e as políticas públicas existentes que pretendem atender a essas demandas.

105 105 O triste sono sem mãe Fritz Utzeri Na manhã fria de Ipanema, o menino dorme um sono profundo. Estaria sonhando? Enrolado numa manta, encolhido para proteger-se do frio, falta algo àquele menino sem nome no dia de festa. O Dia das Mães. Quem será a mãe do menino? Por que não estão juntos nesse dia, como tantos filhos e tantas mães, de todas as idades, que brincam na praia e fazem grandes filas em churrascarias, exibindo presentes? Como ele, centenas de meninos, milhares de meninos, em todo o Brasil, não tiveram a alegria de ver as mães em seu dia. Dorme o menino alheio a trabalhos de especialistas que registram aumento do consumo de cola de sapateiro entre os menores de rua nesses dias de festa. A droga-cola, que alivia, ajuda a fugir do triste dia-a-dia e acaba por matar. O que esperar desse menino que dorme? O que cobrar dele mais tarde? Provavelmente a sociedade lhe reserva repulsa e repressão e, se tiver sorte, chegará a ser um adulto. Que tipo de adulto? Inocente e indefeso, dorme o menino. Está só,todos passamos indiferentes por ele quando o vemos em sinais, vendendo doces, limpando vidros, pedindo esmola. Por que tem de ser assim? Que tipo de vida e de sociedade leva uma mãe a abandonar sua cria à própria sorte? Nem os animais fazem isso, mas as circunstâncias, muitas vezes, obrigam o ser humano a ser mais insensível do que os bichos. O que vamos fazer todos, a começar pelo governo das estatísticas sem alma? Esse menino não seria consequência de um modo de conduzir a sociedade? Não seria melhor que os políticos e governantes prestassem mais atenção nele e na legião de sem-mãe que assolam nossas ruas? E nós o que vamos fazer a respeito? Não seria a hora de, pelo menos no dia das mães, pensar um pouco a respeito disso? Dorme o menino, na frieza dura da pedra, e se pudesse sonhar, sonharia com o calor macio do regaço materno, com uma canção de ninar, cheia de carinho. Dorme o menino, dorme com frio... Jornal do Brasil, 1º caderno, 15/05/2000 Segundo passo Durante a leitura Diferentes técnicas poderão ser utilizadas para melhorar a participação e a compreensão do texto, tais como leitura silenciosa, leitura compartilhada e leitura protocolada.

106 106 Terceiro passo Depois da leitura Verifique todas as palavras desconhecidas e tente explicar seu significado a partir da situação explícita no texto. Caso a duvida persista, oriente ao aluno a consultar o dicionário. Volte às palavras chave anotadas no quadro e localize onde essas palavras se encaixam em cada parágrafo do texto, verificando se as hipóteses levantadas aparecem descritas no texto. Ajude agora os alunos a identificarem no texto quais são as características de uma crônica: - A forma como o cronista trabalha a linguagem, muitas vezes ele deixa o lado poético e parte para o lado crítico, sobretudo, quando o assunto se refere a fatos polêmicos, ou seja, fatos relacionados às problemáticas sociais; - Caráter reflexivo e interpretativo: Estaria sonhando? Quem será a mãe do menino? O que esperar desse menino que dorme? Por que tem de ser assim? - Texto breve; - Discurso na 1ª. ou na 3ª. pessoa Faça o aluno identificar os trechos no texto utilizados na 3ª. pessoa e a identificar quem é essa pessoa; - Modo de expressão predominantemente: Narração; - Discurso que vai do oral ao literário. Chamar atenção para o último parágrafo; - Predominância da linguagem emotiva; - Pontuação excessiva; - Apresenta episódios reais ou fictícios; - Narração da história pela ordem em que se deram os fatos; - Possui uma crítica indireta; - Segue um tempo cronológico determinado. Ao trabalhar as características do tempo cronológico, sugerir a construir um quadro com perguntas que conduzirão a essa narrativa e a sequência cronológica, conforme exemplo: PERGUNTAS ELEMENTOS RESPOSTAS (DADOS) QUEM? O QUÊ? QUANDO? ONDE? COMO? POR QUÊ? Personagens Fato Data Local Modo Motivo Chame atenção para o fato de que a crônica tramita entre o jornalismo e a literatura. Não se esqueça de verificar, oralmente, se os alunos entendem a diferença entre a reportagem e o texto do gênero crônica, tendo como suporte o jornal.

107 107 AULA 4 Trabalhando com o gênero Poesia Texto retirado do livro: Língua Portuguesa, Diálogo, Edição renovada, Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho, 9º ano. Primeiro passo Antes da leitura Para iniciar a leitura, torna-se interessante que o professor a realize oralmente ou leve gravado algumas poesias declamadas para que os alunos possam ouvir e perceber a sonoridade, o ritmo e compreender o sentido do texto. Em seguida, após despertar esses sentidos e motivá-los para o trabalho com esse gênero, o professor poderá apresentar a poesia que será estudada. É importante que o professor conduza os estudos de poesia de forma lúdica, sempre despertando a imaginação dos alunos sem deixar de lado a seriedade que o estudo exige. Para isso, o professor poderá utilizar técnicas e métodos que facilitarão o trabalho da leitura e posteriormente escrita de poesias, aguçando a sensibilidade e a imaginação do aluno.

108 108 Um aspecto é sondar o conhecimento prévio do aluno a respeito do tema para a compreensão de sua ideia central; O professor poderá fazer a leitura pedindo que os alunos acompanhem cuidadosamente, prestando atenção na entonação, no ritmo e outros; Destacar com os alunos as dificuldades do vocabulário; Oportunizar aos alunos apresentação da leitura do poema em forma de jogral; Terminando a técnica de leitura, chamar atenção dos alunos para as características do gênero poesia; - Chamar atenção do aluno que no poema, como na poesia, a voz que fala num poema nem sempre é a do poeta. Da mesma maneira que num romance ou num conto nem sempre o narrador da história é o autor da obra, num poema nem sempre o poeta está falando por si próprio. Assim, chamamos de eu lírico (ou eu poético ou sujeito) ao ser abstrato cuja voz fala no poema. Esse ser abstrato tanto pode consistir em uma invenção do poeta quanto representar o poeta, sendo a expressão do que ele pensa e sente. - O verso e a estrofe. Verso é uma sucessão de sílabas ou fonemas que formam uma unidade rítmica e melódica, corresponde em geral a uma linha do poema. Os versos organizam-se em estrofes. Estrofe ou estância é um agrupamento de versos. - Destacar a predominância da linguagem conotativa; - Trabalhar os recursos utilizados na construção do poema: métrica, ritmo e rima. Para finalizar, faça uma roda de conversa para sondar os conhecimentos adquiridos a partir do estudo do gênero poema. Solicitar aos alunos pesquisa sobre o poeta Mário Quintana, os alunos poderão produzir vídeos, cartazes e apresentações de outros poemas. Segundo passo Depois da leitura Leia para os alunos o poema Anjo. ANJO Em cada precipício me sento e um anjo me sussurra com calma as encruzilhadas, as estradas desconhecidas. Todos os meus anseios estão em suas mãos e com seu hálito me acalma, me acalanta. Durma, ele me diz, sentado na beira de minha sombra, não tenha medo dos sonhos. (Roseana Murray, Carteira de Identidade, ed. Lê.)

109 109 Dialogue com os alunos sobre o gênero textual poema a seguir, realizando as seguintes reflexões: - Qual é o gênero textual? - Qual é a sua finalidade, função sócio comunicativa, para que serve e o objetivo? - Quais são as principais características? - Qual é o público-alvo desse texto? Oportunize aos alunos a leitura, em forma de jogral, desse poema e de outros. Sugerimos que neste momento seja solicitada aos alunos a produção de um poema, apresentando as características estudadas. AULA 5 Consolidando conhecimentos Aula avaliativa A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem de questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de identificar o gênero de um texto. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho.

110 110 EXEMPLOS DE QUESTÕES QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 1. Leia o texto para responder a questão. Enrolados Era uma vez em um reino não tão distante assim, uma menina dos cabelos longos e loiros que tinha por volta de dezoito anos de idade e o sonho de conhecer o mundo além de seus olhos. E quem consegue impedir uma adolescente de realizar suas vontades? Isso até parece uma história comum, se essa menina não tivesse sido sequestrada, quando ainda era um bebê, por uma bruxa malvada, em busca da juventude eterna, que a manteve presa em uma torre no lugar mais escondido desse reino, onde cavalos comandam exércitos e camaleões são seus melhores e mais fiéis amigos. E o bandido charmoso, de coração nobre, acaba virando o príncipe encantado que cede aos encantos de tão bela princesa e, juntos, se aventuram em busca da verdade, do amor e do reencontro com sua família, mas no seu caminho muitos perigos irão encontrar até que seus destinos possam realizar. No melhor estilo conto de fadas, esse filme traz uma versão bastante divertida da história de Rapunzel e suas famosas tranças. Sensível, delicado e com boas e engraçadas cenas, esse filme te conduz pela magia do universo feminino através dessa história que pode ser antiga, mas, com uma boa pitada de modernidade, prende a sua atenção do começo ao fim. Meninos são bem-vindos! (http://blogburaco.blogspot.com/2011/01/resenha-filmes-enrolados.html. Acesso: 14/04/2011. Adaptado.) Segundo as suas características, esse texto se enquadra no gênero: A) anúncio publicitário, pois faz a divulgação de um filme para crianças. B) conto de fadas, pois narra a história de uma princesa de um reino distante. C) crônica, pois apresenta um olhar sobre o cotidiano nos reinos encantados. D) resenha, pois apresenta uma análise das qualidades de um filme infantil Questão 2. Leia o texto abaixo. Mauricio de Sousa Filho de Antônio Mauricio de Sousa (poeta e barbeiro) e de Petronilha Araújo de Sousa (poetisa). Mauricio de Sousa começou a desenhar cartazes e ilustrações para rádios e jornais de Mogi das Cruzes, onde viveu. Procurou emprego em São Paulo, como desenhista, mas só conseguiu uma vaga de repórter policial na Folha da Manhã. Passou cinco anos escrevendo esse tipo de reportagem, que ilustrava com desenhos bem aceitos pelos leitores. Mauricio de Sousa começou a desenhar histórias em quadrinhos em 18 de julho de 1959, quando uma história do Bidu, sua primeira personagem foi aprovada pelo jornal. As tiras em quadrinhos com o cãozinho Bidu e seu dono, Franjinha, deram origem aos primeiros personagens conhecidos da era Mônica. Esse texto apresenta características de: A) um relato pessoa B) um romance C) uma biografia D) uma crônica (http://pt.wikipedia.org/wiki/mauricio_de_sousa. Acesso: 25/10/2011. Adaptado)

111 111 Questão 3 Observe o texto abaixo. O texto acima pertence a qual gênero? a) Cartaz b) Capa de revista c) Receita d) Notícia

112 112 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO II IMPLICAÇÃO DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 07 - Identificar a função de textos de diferentes gêneros Competência Identificar o gênero, a função e o destinatário. Habilidade Identificar a função de textos de diferentes gêneros Habilidade CBC 1.7.Reconhecer o objetivo comunicativo (finalidade ou função sóciocomunicativa) de um texto ou gênero textual. Em que consiste essa competência? A competência de identificar gênero, função ou destinatário de um texto envolve habilidades cujo desenvolvimento permite ao leitor uma participação mais ativa em situações sociais diversas, nas quais o texto escrito é utilizado com funções comunicativas reais. Essas habilidades vão desde a identificação da finalidade com que um texto foi produzido até a percepção de a quem ele se dirige. O nível de complexidade que esta competência pode apresentar dependerá da familiaridade do leitor com o gênero textual, portanto, quanto mais amplo for o repertório de gêneros de que o aluno dispuser, maiores suas possibilidades de perceber a finalidade dos textos que lê. É importante destacar que o repertório de gêneros textuais se amplia à medida que os alunos têm possibilidades de participar de situações variadas, nas quais a leitura e a escrita tenham funções reais e atendam a propósitos comunicativos concretos. Em que consiste essa habilidade? É importante que, no trabalho com essa habilidade, sejam criadas estratégias de ensino em que se discuta a diferença entre relatar um acontecimento, um fato ou informar algo, enfatizando-se que, ao relatar, você estará contando um fato e trabalhando com textos narrativos, necessariamente, e, ao informar, tem-se o propósito de apresentar ideias ou dados novos com o objetivo de aumentar o conhecimento do leitor, entre outras funções que os textos apresentam. Para isso, é importante, também, que o professor trabalhe em sala de aula com textos de gêneros variados: notícias, avisos, anúncios, cartas, artigos, piadas, poemas, entre outros, evidenciando não o assunto do texto, mas a sua finalidade. Por exemplo, o aluno deve saber para que serve um currículo, ou a finalidade de um artigo de lei. Sugestões para melhor desenvolver essa habilidade A habilidade que pode ser trabalhada com textos de gêneros diversos sobre os quais os alunos vão descobrir, discutirpara que servem, identificando, dessa forma, qual o objetivo, qual a finalidade do texto: informar, convencer, advertir, instruir, explicar, comentar, divertir, solicitar, recomendar, instruir, entre outras. O professor pode trabalhar essa habilidade por meio da leitura de textos integrais ou de fragmentos de textos de diferentes gêneros, solicitando ao aluno a identificação explícita de sua finalidade.

113 113 SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA1 TEXTO Mais uma vez Mas é claro que o Sol Vai voltar amanhã Mais uma vez, eu sei... Escuridão já vi pior De endoidecer gente sã Espera que o Sol já vem... Nunca deixe que lhe digam Que não vale a pena acreditar no sonho que se tem Ou que seus planos nunca vão dar certo Ou que você nunca vai ser alguém... Tem gente que machuca os outros Tem gente que não sabe amar Mas eu sei que um dia a gente aprende Se você quiser alguém em quem confiar Confie em si mesmo! Quem acredita sempre alcança(7x) Renato Russo e Flávio Venturini. Mais uma vez. In: Presente. EMI, Brasil, 2003.

114 114 DESENVOLVIMENTO Trabalhando com música Aula de Leitura Texto: Música: Mais uma vez- Retirado do livro didático de Português: Para viver juntos, Greta Marchetti, Heidi Strecker e Mirella L. Cleto, 9º ano. Primeiro passo Antes da leitura Trabalhar com o gênero musical é uma oportunidade para fazer da língua um instrumento artístico capaz de tocar a sensibilidade de quem a escuta. Portanto, inicie a aula ouvindo a música, por meio de CD ou com um vídeo que contenha a canção e recursos de imagem. Após isso, identifique com os alunos as características do gênero, como: - Formato do texto: constituído de versos, agrupados em estrofes e se caracterizam pelo ritmo; - Recursos expressivos; - Linguagem poética; - Ritmo. Segundo passo Durante da leitura Em seguida, sugerimos que indague aos alunos qual a mensagem da música, qual a possível interpretação e como se sentiram ao ouvi-la. Para desenvolver essa habilidade, o professor poderá chamar atenção para os seguintes aspectos: - O nome sol que é empregado, metaforicamente, na primeira e na segunda estrofe. Motive o aluno a refletir sobre o sentido do nome sol na música; - Chame a atenção para o substantivo: escuridão na segunda estrofe; - Escreva no quadro os substantivos: esperança e confiança, e em seguida peça aos alunos para encontrar na música as estrofes que apresentam esses dois substantivos; - Peça aos alunos que façam a relação do título: Mais uma vez com o substantivo: esperança; Após esses questionamentos, certifique-se de que o aluno entendeu qual a ideia defendida no texto. Sabemos que os textos apresentam funções, finalidades, objetivos (informar, divertir, instruir, advertir, comentar, convencer e solicitar, dentre outros), discutir com os alunos, especificamente, a função desse texto. Terceiro passo Depois da leitura Professor, sugerimos que trabalhe com textos destacando a sua função ou finalidade, da seguinte forma: - Divida a turma em grupos; - Entregue aos alunos fichas contendo diferentes funções ou finalidades textuais, para que eles possam identificar as características de cada um; - Entregue para cada grupo blocos de textos para que os alunos agrupem, conforme as fichas com as respectivas funções; - Explique que a classificação se dará pelo critério da finalidade/função/objetivo. Após esses procedimentos, solicite aos grupos de alunos para apresentarem à turma os critérios e pistas textuais utilizadas para realizarem a identificação das funções de cada texto.

115 115 Peça, neste segundo momento, que o grupo de alunos, utilizando os textos recebidos, responda às questões seguintes sobre cada texto. Caso ache mais viável, esse trabalho poderá ser feito por escrito e, posteriormente, pode ser realizada uma plenárias, onde as possíveis respostas serão contrastadas; - A que gênero o texto pertence? - Com que objetivo o texto foi escrito? - Qual é o público-alvo desse texto, ou seja, a quem ele se destina? - Onde esse texto, geralmente, é encontrado? - E outras perguntas que achar pertinente, conforme o gênero textual indicado. Para finalizar, peça aos alunos que indiquem a função ou finalidade do texto trabalhado em sala. - Música: Mais uma vez. AULA 2 TEXTO A hora e a vez da mulher Nofilme "Quanto Mais Quente Melhor", Jack Lemmon e Tony Curtis, vestidos de mulher para fugir de gângsteres, observam fascinados o andar bamboleante de Marilyn Monroe, de saltos altos, na plataforma de uma estação de trens. Mal conseguindo se equilibrar sobre os saltos, Lemmon pergunta: "Como é que elas conseguem? Devem ter um sistema especial de molejo embutido". Por mais incongruente que pareça, lembrei dessa cena memorável ao assistir ao baile que as moças brasileiras deram nas americanas na semifinal da Copa do Mundo feminina de futebol. Foi o maior espetáculo futebolístico -de qualquer sexo- que vi nos últimos tempos. Não foi por acaso que a CBF se curvou e o próprio Dunga se encantou com o jogo das meninas. Já é tempo de deixarmos de olhar o futebol feminino com uma condescendência superior e reconhecermos que elas podem ter sobre nós algumas vantagens dentro de campo. Pois, se todos admitem que uma grande virtude num futebolista é o jogo de cintura, as mulheres estão muitos pontos à nossa frente nesse quesito. Cabrochas de escola de samba, bailarinas de dança do ventre... Que homem é capaz de requebrar como elas? Já que no futebol masculino predominam cada vez mais a força bruta e o condicionamento físico, a ponto de Tostão ter observado que o último grande atacante baixinho foi Romário, é possível que num futuro próximo tenhamos mais chance de encontrar a arte do futebol entre mulheres do que entre homens. Um exemplo evidente: é muito mais bonito ver jogar a seleção feminina alemã, que amanhã faz a final contra o Brasil, do que a masculina.e não me refiro apenas à beleza das pernas, mas ao jogo em si. Um lance como o drible de Marta, que, de costas para a adversária, deu um toque de calcanhar, girou o corpo e foi buscar a bola do outro lado, é de fazer inveja até a um Ronaldinho ou a um Messi. Vai jogar bem assim na China (de preferência amanhã). Dunga enfatizou o "espírito de sacrifício" das garotas. Tudo bem. Mas Marta, Cristiane, Formiga e companhia estão mostrando muito mais do que isso. Estão mostrando talento, ousadia, invenção e prazer de jogar. É isso o que as torna únicas. Sacrifício por sacrifício, qualquer brasileira da

116 116 classe média para baixo também faz, e não é de hoje. E bem feito para o técnico dos EUA. Um sujeito que magoa, deixando no banco uma mulher tão linda quanto a goleira Hope Solo, merece o pior dos castigos. [...] José Geraldo Couto. A hora e a vez da mulher. Folha de S. Paulo. 29 set p. D6. DESENVOLVIMENTO Trabalhando com a Crônica Esportiva Texto: Crônica Esportiva: A hora e a vez da mulher- Retirado do Livro: Português: Para Viver Juntos, Greta Marchetti, Heidi Strecker e Mirella L. Cleto, 9º ano. Primeiro passo Antes da Leitura Para iniciar essa aula, o professor poderá editar a parte do filme Quanto mais quente melhor do diretor Billy Wilder, que aborda a parte em que um das personagens observa a atriz Marilyn Monroe, de saltos altos. Em seguida, sugere-se também o filme: Ela é o cara do diretor Andy Fickman. Após passar o trecho dos dois filmes, abra para discussão dos alunos sobre o tema que os filmes abordam. Logo após, diga para os alunos que o texto que será trabalhado abordará a temática previamente discutida e que ao ler o texto os alunos deverão atentar para os fatos discutidos. Segundo passo Durante a leitura Direcione os alunos para a leitura silenciosa; Em seguida poderá ser feita a leitura compartilhada. Professor, fique atento ao início da leitura, normalmente os alunos se esquecem de ler o título do texto e o título é uma pista textual fundamental para a compreensão do todo. Ao final do texto, perceber se os alunos leram a referência bibliográfica, ela também apresenta informações importantes sobre a intenção do autor que a produziu. A leitura compartilhada possibilita ao professor verificar e comprovar a realização da leitura silenciosa, permitindo também observar os seguintes aspectos: - a fluência da leitura, o nível de leitura em que os alunos se encontram, o uso das pontuações, a entonação e o vocabulário desconhecido. Durante essa leitura, o professor poderá anotar no quadro as dificuldades percebidas e que precisam de intervenção. Professor, essa intervenção será realizada após a leitura integral do texto. Por exemplo: ao observar uma palavra que não faça parte do vocabulário dos alunos, o professor poderá retomá-la, trabalhando em diferentes contextos e caso a dúvida persista, deverá ser utilizado o dicionário; Uma segunda leitura deverá ser realizada pelo professor, para que o aluno possa ouvir a entonação adequada, o efeito da pontuação empregada, consolidando o processo de leitura.

117 117 Terceiro passo Depois da leitura Sugerimos que o professor certifique-se de que seu aluno é capaz de entender o conteúdo do texto, qual é seu gênero e para quê foi escrito. Apresente pistas que possibilitem a identificação do gênero, tais como: - É apresentado sempre dentro do jornalismo esportivo; - É baseado em fatos reais, apesar de se utilizar de um estilo literário próximo do ficcional; - Normalmente é escrito por um jornalista especializado em narrar jogos ou por um cronista esportivo. Agora é hora de trabalhar a função comunicativa do texto. Inicie chamando atenção para o título do texto: A hora e a vez da mulher, peça aos alunos para comentarem qual a relação do título com o texto que foi lido. Faça a relação do título com o terceiro parágrafo do texto, destacando o reconhecimento das mulheres dentro do futebol. Dialogue com os alunos sobre a função desse texto. A crônica esportiva tem uma função específica dentro do jornalismo esportivo, ao narrar e descrever opiniões a respeito de uma partida de forma literária. Esclareça aos alunos que no Brasil no início do século XX, o jornalista Mário Filho desenvolveu uma nova forma de descrever o futebol para os torcedores, utilizando títulos criativos, adjetivos e metáforas que construíam um novo imaginário sobre o esporte que viria a ser valorizado e utilizado por vários jornalistas. Retome o quarto parágrafo e construa o entendimento da metáfora: jogo de cintura. Qual o sentido da expressão jogo de cintura destacada no texto? Aponte o sétimo parágrafo, destacando a evolução da mulher no futebol e retome a metáfora jogo de cintura. Permita aos alunos, a participação nesses momentos. Deixe que eles se empolguem e comentem o fato narrado. Destaque no oitavo parágrafo a frase: Estão mostrando talento, ousadia, invenção e prazer de jogar. Para fechar a aula, não se esqueça de retomar as questões: - Qual o objetivo do texto? - O texto atendeu à sua função social? Justifique. Certifique-se de que os alunos entenderam que o texto tem como assunto principal o sucesso que as mulheres estão fazendo no futebol, esporte tradicionalmente masculino.

118 118 Trabalhando com a História em Quadrinhos Texto: Quadrinho: Geração Cyber. AULA 3

119 119 Primeiro passo Antes da leitura Para o início dessa aula, o professor poderá dividir a turma em grupos e distribuir aleatoriamente os quadrinhos e o título para os alunos. Em seguida, solicitar a eles que montem o texto observando a sequência dos fatos. Cada grupo deverá ler a sua sequência, nesse momento, o professor deverá observar se os quadrinhos apresentados possuem coerência no desenvolvimento e desfecho dos fatos, fique atento também para os recursos da pontuação. Peça para cada grupo que escolha dois alunos para dramatizarem a história em quadrinhos. Segundo passo Durante a leitura Apresente o texto original no data show, pois despertará o interesse do aluno e ampliará a sua participação na aula. Nesse momento, chame a atenção para a localização do título e de sua importância para o entendimento do texto e em seguida, promova uma discussão sobre o tema abordado e a relação do comportamento da personagem comparado a eles. Destaque junto aos alunos a função desse gênero textual, relembrando as diferentes funções de textos trabalhadas anteriormente. - A construção do gênero - Identifique com os alunos as características do gênero: As histórias em quadrinhos geralmente possuem acima de cinco quadros; circula em jornais e revistas em uma faixa horizontal; os autores utilizam recursos visuais que sugerem ação e movimento e conferem ritmo às cenas e dão vida às figuras; os tipos de balões determinam as falas e pensamentos das personagens; recursos da onomatopeia; o uso das interjeições. Em seguida, reflita junto aos alunos sobre o comportamento demonstrado pelo menino e pela mãe do menino na narrativa. Faça perguntas como: - Você fica muitas horas diante do computador? - O que você acha das pessoas que preferem passar horas diante de um computador em vez de manter o contato pessoal com os outros? - Você acha que a internet realmente modificou a vida das pessoas? A partir dessas perguntas, certifique-se, ao final, se o aluno é capaz de entender a função do texto, se divertir ou criticar um comportamento. Destaque para os alunos que a função social do quadrinho depende do contexto, pode entreter o leitor com histórias que expressam opiniões, situações e discussões sobre o cotidiano. No caso em estudo, o quadrinho tem a função de mostrar que o uso excessivo do computador tem interferido na comunicação entre as pessoas.

120 120 AULA 4 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem com questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de identificar a finalidade ou função de um texto. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldades na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE QUESTÕES QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 01.Leia o texto para responder à questão abaixo. A finalidade do texto é incentivar a (A) denúncia à violência infantil. (B) adoção de crianças. (C) necessidade de as crianças brincarem (D) divulgação de brincadeiras infantis. Questão 02.Leia o texto para responder à questão abaixo: Stress Ancestral Conhecido como um dos males do nosso tempo, o stress não é exclusividade deste século nem do anterior. Muito antes da era do trânsito caótico, e até mesmo da Revolução Industrial, a civilização inca, que viveu entre 550 e 1532, já sofria desse mal. A conclusão é de uma equipe de arqueólogos da Universidade de Ontário Ocidental, no Canadá, que analisaram amostras de cabelo de restos mortais de dez indivíduos, provenientes de cinco diferentes sítios arqueológicos no Peru. Os pesquisadores encontraram cortisol hormônio responsável pelo stress em níveis

121 121 superiores aos verificados em pessoas que passaram por estudos clínicos recentes. O cortisol estava mais alto naqueles que, depois de alcançar tais níveis, morreram. Esses indivíduos podem ter desenvolvido uma doença que levou algum tempo para matá-los e essa talvez tenha sido a causa do stress, diz a arqueóloga Emily Webb, que conduziu a pesquisa. Fonte:http://www.istoe.com.br/reportagens/35451_STRESS+ ANCESTRAL?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage A finalidade do texto é: (A) relatar as consequências negativas do stress. (B) informar que o stress já existe há mais de 400 anos. (C) identificar a doença que causou o stress na civilização Inca. (D) comparar o stress do homem moderno ao dos Incas. Questão 03.Leia o texto para responder a questão abaixo: Muitas pessoas hoje utilizam para se comunicar à distância com rapidez. O objetivo que melhor expressa a mensagem acima é: (A) enviar o contrato do novo fornecedor. (B) solicitar a definição da data da reunião. (C) enviar o contrato do novo fornecedor e solicitar a definição da data da reunião. (D) exigir com urgência a definição da data da reunião de março.

122 122 Questão 04.Leia o texto. A antiga Roma ressurge em cada detalhe Dos habitantes de Pompéia, só dois escaparam da fulminante erupção do vulcão Vesúvio em 24 de agosto de 79 D.C. Varrida do mapa em horas, a cidade só foi encontrada em 1748, debaixo de 6 metros de cinzas. Por ironia, a catástrofe salvou Pompéia dos conquistadores e preservou-a para o futuro, como uma jóia arqueológica. Para quem já esteve lá, a visita é inesquecível. A profusão de dados sobre a cidade permitiu ao Laboratório de Realidade Virtual Avançada da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, criar imagens minuciosas, com apoio do instituto Americano de Arqueologia. Milhares de detalhes arquitetônicos tornaram-se visíveis. As imagens mostram até que nas casas dos ricos se comia pão branco, de farinha de trigo, enquanto na dos pobres comia-se pão preto, de centeio. Outro megaprojeto, para ser concluído em 2020, da Universidade da Califórnia, trata da restauração virtual da história de Roma, desde os primeiros habitantes, no século XV A.C., até a decadência, no século V. Guias turísticos virtuais conduzirão o visitante por paisagens animadas por figurantes. Edifícios, monumentos, ruas, aquedutos, termas e sepulturas desfilarão, interativamente. Será possível percorrer vinte séculos da história num dia. E ver com os próprios olhos tudo aquilo que a literatura esforçou-se para contar com palavras. A finalidade principal do texto é: (A) convencer. (B) relatar. (C) descrever. Revista Superinteressante, dezembro de 1998, p. 63.

123 123 (D) informar. EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO II IMPLICAÇÃO DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 08Interpretar texto que conjuga linguagem verbal e não verbal Competência Realizar inferência Habilidade Interpretar texto que conjuga linguagem verbal e não verbal Habilidade CBC 5.1.Relacionar sons, imagens, gráficos e tabelas a informações verbais explícitas ou implícitas em um texto. Em que consiste essa competência? Fazer inferências é uma competência bastante ampla e que exige leitores mais experientes, que conseguem ir além daquelas informações que se encontram na superfície textual, atingindo camadas mais profundas de significação. Para realizar inferências, o leitor deve conjugar, no processo de produção de sentidos, associando as pistas oferecidas pelo texto aos seus conhecimentos prévios, à sua experiência de mundo. Estão envolvidas na construção da competência de fazer inferências as habilidades de: inferir o sentido de uma palavra ou expressão a partir do contexto no qual ela aparece; inferir o sentido de sinais de pontuação ou outros recursos morfossintáticos; inferir uma informação a partir de outras que o texto apresenta, conjugar linguagem verbal e não verbal ou, ainda, o efeito de humor ou ironia em um texto. Em que consiste essa habilidade? Levando-se em conta que grande parte dos textos com os quais nos deparamos, nas diversas situações sociais de leitura, exige que se integre texto escrito e material gráfico para sua compreensão, a escola pode contribuir para o desenvolvimento dessa habilidade explorando a integração de múltiplas linguagens como forma de expressão de ideias e sentimentos. Para trabalhar essa habilidade, o professor deve levar para a sala de aula a maior variedade possível de textos desse gênero. Além das revistas em quadrinhos e das tirinhas, podem-se explorar materiais diversos que contenham apoio em recursos gráficos. Esses materiais vão de peças publicitárias e charges de jornais aos textos presentes em materiais didáticos de outras disciplinas, tais como gráficos, mapas, tabelas, roteiros. Sugestões para melhor desenvolver essa habilidade Para trabalhar os textos verbais e não verbais, primeiramente, instigue os alunos a informarem o seu grau de conhecimento sobre esses textos. Sugira que eles observem, durante o percurso da casa até a escola, as diferentes formas de comunicação contidas nas placas, outdoors, comércio e etc.

124 124 SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA1 Texto: Propaganda: ANJ-Associação Nacional de Jornais- Retirado do livro didático: Português: Para viver juntos, Greta Marchetti, Heidi Strecker e Mirella L. Cleto, 9º ano. Gênero: Propaganda Imagem não-verbal Mensagem curta. Linguagem verbal. Primeiro passo Antes da leitura Inicie a aula certificando-se de que seus alunos reconhecem o texto como pertencente ao gênero propaganda. Caso os alunos identifiquem corretamente, pergunte a eles como identificaram o gênero. Após escutá-los, confirme as hipóteses levantadas, porém, se não forem capazes de identificar, apresente a eles as características pertencentes a esse gênero: - Mensagens curtas, breves, diretas e positivas; - Predomínio da forma imperativa (interlocução direta, com uso da terceira pessoa, vocativos, etc.), com objetivo de convencimento; - Compõe-se de linguagem verbal e não verbal; É sempre importante, para esse tipo de aula, que o professor reproduza a imagem no data show ou cópias, para demonstrar as partes que compõem a propaganda, proporcionando o envolvimento dos alunos. Segundo passo Depois da leitura Perguntar para os alunos qual a relação entre a frase: Sem liberdade, a verdade não aparece com a imagem da propaganda. Após ouvi-los, faça as interferências, destacando: - A relação entre liberdade e verdade; - A relação liberdade e verdade com a imagem das mãos aprisionadas pelas algemas; - Questione sobre o tipo de liberdade que se pretende nessa propaganda? Não se esqueça de fazer a relação nesse momento, inclusive, com quem publicou a propaganda e com qual objetivo, relacionando as justificativas com as imagens.

125 125 AULA2 Trabalhando o gênero Reportagem Primeiro passo Uma boa sugestão para se trabalhar com essa aula é começar a desenvolver com os alunos o entendimento e a leitura dos gráficos. Sugere-se que o gráfico seja exposto na sala de aula, utilizando data show, isso possibilita melhor visão e interatividade com os alunos. Destaque com os alunos, primeiramente, o título do gráfico: O perfil das mães de primeiraviagem.

126 126 Segundo passo Em seguida, analise por partes as tabelas apresentadas. Durante a exposição das tabelas, discuta com os alunos, questionando-lhes e fazendo-lhes expressar aquilo que eles entenderam. Pontos a serem explorados nas tabelas:

127 127 - Segundo a escolaridade (Brasil, em % de mães iniciantes); - Chamar a atenção na distribuição da faixa etária da tabela; - Destacar que a tabela está separada pelo grau de escolaridade; Principais análises: - A maior concentração de gravidez em mães iniciantes está concentrada entre a faixa etária que compõe a infância e a adolescência; - Quanto menor o grau de escolaridade, maior o número de mulheres gestantes; - Quanto maior o tempo de escolaridade, mais tarde ocorre a gravidez entre elas; - Segundo o rendimento mensal familiar (Brasil, em % de mães iniciantes); - Quanto menor a renda familiar, maior o índice de gravidez; - Quanto maior a renda, mais tarde ocorre a gravidez; - Quanto menor a renda familiar, mais cedo ocorre o início da gravidez; - Cresce o número de mães de primeira viagem; - Em uma década, dobrou o número de gravidez na faixa etária de 10 a 14 anos; - Embora haja aumento do número de gravidez em todas as faixas etárias, percebe-se que quanto maior a faixa etária, menor é o índice de gravidez; - Percebe-se também que na faixa etária de 35 a 39 anos, o aumento do índice de gravidez é significativo, podendo-se levar em consideração o aumento das mulheres no mercado de trabalho, grande parte das mulheres priorizam a vida profissional para depois engravidar. - Pode-se levar ainda em consideração que a mulher entra na fase da perda hormonal (diminuição do sistema reprodutivo). Terceiro passo O professor poderá convidar e estimular os alunos para a leitura do texto, enfatizando que toda a discussão, análise e estudo dos gráficos poderão ser confirmados dentro do texto. Quarto passo Antes da leitura Convide os alunos para, em dupla, realizarem a leitura, discussão e compreensão do texto. Quinto passo Durante a leitura Solicite que os alunos façam a leitura silenciosa e chame a atenção dos alunos para a fonte de onde foi retirado o texto. Verifique juntamente com os alunos se as informações que estão no texto correspondem às informações localizadas nos gráficos: - O título do texto; - Em que gráfico se localiza a informação exposta no lide; Confirmar, de acordo com os gráficos: a razão das políticas públicas de prevenção à gravidez precoce não terem sido suficientes; os dados apresentados nos gráficos com o segundo parágrafo do texto.

128 128 Sexto passo - Depois da leitura Faça algumas fichas contendo partes do texto e distribua para os alunos. Professor, você poderá fazer uso das sugestões de fichas dadas abaixo. O DOBRO DE MENINAS GRÁVIDAS No grupo de 10 a 14 anos, subiu 93,7% o número de mães iniciantes em O número de meninas de 10 a 14 anos que tiveram filhos pela primeira vez, em 2000, quase dobrou em relação a No grupo de 10 a 14 anos, aumentou 93,7% o número de mães iniciantes. Entre as jovens de 15 a 19 anos, o aumento foi de 41,5% na década de 90. No caso das mulheres mais ricas, cria-se um aparato para cuidar do filho e os cuidados com a criança são divididos na família. Após distribuir as fichas, peça aos alunos para lerem e em seguida, localizarem o gráfico que corresponde aos dados apresentados pelo texto. Aproveite para explorar a oralidade do aluno, pedindo a eles que expliquem o porquê da escolha do gráfico correspondente ao texto. Terminada essa atividade, trabalhe com os alunos o texto com o subtítulo Planejamento não é só dar pílula, afirma pesquisador. Retorne aos gráficos e discuta com os alunos se todos concordam com a opinião do pesquisador e se os gráficos apresentados, linguagem verbal e não verbal, reafirmam a opinião apresentada no texto. Professor, essa temática pode ser bem desenvolvida se trabalhada junto com o professor de Ciências. Os alunos estão em idade de compreender a própria sexualidade e de assumir as suas consequências. Para isso orientar é preciso.

129 129 AULA 3 Trabalhando o gênero Anúncio Publicitário Texto: Anúncio Publicitário: Revista Veja Kid+, n.4, dez.1998.

130 130 Primeiro passo Antes da Leitura Antes de iniciar a aula, mostre para os alunos o anúncio e peça para que após visualizarem digam qual o gênero destacado. Deixe-os dialogar sobre isso e verifique se eles conseguiram localizar as características que compõem um anúncio publicitário. Segundo passo Durante a leitura Após ouvir seus alunos, ajude-os a entenderem como o gênero se caracteriza; Chame a atenção para a função sóciocomunicativa do texto, indagando-lhes sobre qual a finalidade do gênero. Destaque a frase: Mania é proibido para adultos. Mas eles vão tentar de tudo. Deixe claro que na frase o anunciante tem o objetivo de convencer o leitor sobre a qualidade de um determinado produto, convencendo-o a adquiri-lo, vendendo produtos, serviços, ideias, etc. Indague a eles sobre a marca do produto, pedindo-os sempre para identificá-la no anúncio. Explique que a marca funciona como uma assinatura do anunciante. Destaque a importância do slogan junto à marca anunciada, para dar mais ênfase à comunicação. Chame a atenção para a função das cores; peça a eles para dizerem, através delas, a que público se destina o anúncio, justificando as respostas. Em seguida, direcione-os para localizar no texto a frase que determina esse público alvo: Proibido para adultos. Finalizando, deixe claro que o anúncio está em uma revista destinada a crianças e préadolescentes. Destaque a referência abaixo do texto: Revista Veja Kid+, n.4, dez Destaque a imagem do homem disfarçado de criança/pré-adolescente, logo pergunte aos alunos: - O que levou o homem a se utilizar desse disfarce? - Quais foram os elementos utilizados por ele para se passar como criança/préadolescente?(boné virado/skate/último exemplar do capitão foguete/lista de heróis de desenhos animados). Dialogue com os alunos sobre a importância da imagem no anúncio, pedindo a eles para descrevê-las. Peça também para identificar a relação da imagem com o texto do anúncio. Trabalhe a diagramação do anúncio, a forma como a letra foi produzida, dando um sentido lúdico à aula, possibilitando-lhes perceber a importância da conjugação do uso de imagens, cores e outros recursos não verbais ao texto escrito, para a construção da mensagem. Demonstre para eles que o texto foi produzido com frases curtas, claras e objetivas, adequando o vocabulário ao público destinado.

131 131 Terceiro passo Depois da leitura Pedir aos alunos que preencham um quadro, separando as partes do texto que apresentam linguagem verbal e linguagem não verbal. VERBAL NÃO VERBAL AULA 4 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem de questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de interpretar texto que conjuga linguagem verbal e não verbal. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho.

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133 133 EXEMPLOS DE QUESTÕES QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 01 Leia a tirinha e responda à questão. No segundo quadrinho, Chico Bento diz: Hum... Zé da Roça! indica: (A) dúvida (B) irritação (C) raiva (D) curiosidade Questão 02 Leia o texto abaixo. O desespero da mãe do Menino Maluquinho se justifica pela: (A) Pergunta do Menino Maluquinho. (B) Ação do Menino Maluquinho. (C) Ignorância do Menino Maluquinho. (D) Distração do Menino Maluquinho. Ziraldo. O menino Maluquinho. In: folha de Londrina, 10/04/2002.

134 134 Questão 03 Leia o texto para responder à questão abaixo: Fonte: Ao observar o quadro da previsão do tempo para o final de semana, pode-se afirmar que no sábado haverá sol com: (A) muitas nuvens durante o dia. Períodos nublados, com chuva a qualquer hora. (B) algumas nuvens ao longo do dia. À noite ocorrem pancadas de chuva. (C) muitas nuvens. À noite não chove. (D) pancadas de chuva ao longo do dia. À noite, tempo aberto sem nuvens.

135 135 Questão 04 Leia o texto para responder à questão a seguir: Segundo o texto, o motorista brasileiro: (A) respeita com naturalidade os sinais de trânsito. (B) interpreta com correção as placas de rua. (C) faz exatamente o oposto das regras fixadas. (D) segue em frente quando o guarda não está olhando.

136 136 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO III RELAÇÕES ENTRE TEXTOS (PROEB) LIÇÃO 09Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema Competência Realizar inferência Habilidade Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema Habilidade CBC 6.10.Reconhecer posicionamentos enunciativos presentes em um texto e suas vozes representativas. Em que consiste essa competência? Aos professores cabem oportunizar aos alunos o exercício de comparação de textos que abordem uma mesma temática. O desenvolvimento dessa habilidade ajuda o aluno a perceber-se como um leitor autônomo, capaz de inferir as possíveis intenções do autor marcadas no texto e ao identificar referências intertextuais presentes no texto. Isso ajudará o aluno a perceber-se como um ser autônomo, capaz de se posicionar e de transformar a realidade. Em que consiste essa habilidade? Pode-se avaliar a habilidade do aluno em reconhecer as diferenças de posicionamento entre textos que tratam do mesmo assunto, em função do leitor-alvo, da ideologia, da época em que foi produzido e das suas intenções comunicativas. Por exemplo: historinhas infantis satirizadas em histórias em quadrinhos, reportagens, ou poesias clássicas utilizadas como recurso para análises críticas de problemas do cotidiano. Essa habilidade é avaliada por meio da leitura de dois ou mais textos, de mesmo gênero ou de gêneros diferentes, tendo em comum o mesmo tema, para os quais é solicitado o reconhecimento das formas distintas de abordagem. Sugestões para melhor desenvolver essa habilidade Para desenvolver essa habilidade é importante trabalhar sempre com dois ou mais textos que apresentem diferentes opiniões a respeito de um mesmo tema. Não se esquecendo de trabalhar com gêneros variados e ampliando o trabalhado oral através de juris, debate, dentre outros.

137 137 Trabalho com texto SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA 1 Texto: Você é a favor da proibição de jogos eletrônicos com temas violentos?, Adaptação da Revista Nova Escola, 9º ano. Identificação do suporte, do gênero e/ou enunciador na compreensão do texto. VOCÊ É A FAVOR DA PROIBIÇÃO DE JOGOSELETRÔNICOS COM TEMAS VIOLENTOS? SIM Se queremos combater a violência, temos que lidar também com suas causas e uma delas pode ser esse tipo de jogo eletrônico. Por propiciar uma participação ativa do jogador na criação da violência, a influência que ele exerce sobre as pessoas é muito maior que a de filmes ou programas de televisão, por exemplo. Existem pessoas que são mais suscetíveis a essa influência. Aquelas com personalidade limítrofe ou compreensão limitada podem confundir jogo e realidade. Como crianças que assistem ao desenho do Homem-Aranha e depois agem como se realmente fossem o super-herói. Todos nós - mesmo os considerados normais - interiorizamos essa violência, ainda que de forma controlada. Mas em uma situação em que nosso controle é diluído, com o uso de álcool ou drogas, por exemplo, um comportamento agressivo pode aflorar. Uma sociedade tolerante à violência como a brasileira, em que há muita impunidade, é um complicador. Mesmo sem uso de drogas o jovem pode se tornar violento por acreditar que vá ficar impune. NÃO Içami Tiba, psiquiatra e educador Sou contra, pois não acredito que esses jogos, por si mesmos, gerem violência. Quando o Counter-Strike foi lançado, em 2000, levantou-se essa mesma polêmica e, oito anos depois, não se percebeu aumento da agressividade associado ao jogo. A forma lúdica de lidar com a violência, brincadeiras que envolvem uma dicotomia entre bem e mal são anteriores à era eletrônica. Há muito tempo que as crianças brincam de polícia e ladrão e o fato de uma pessoa interpretar um bandido não quer dizer que ela seja má ou vá se tornar má. É verdade que o jogo eletrônicodesperta uma série de sensações no usuário, pois os gráficos têm um realismo muito grande. É quase como vivenciar aquilo na vida real. A forma como a pessoa vai reagir a esse estímulo varia, mas o que percebemos é que, em geral, a utilização do jogo é muito mais catártica, ou seja, funciona como uma válvula de escape que permite vivenciar um conteúdo violento, num ambiente de simulação seguro. Acaba sendo algo saudável. Além disso, a proibição contribui para despertar a curiosidade e tornar o proibido ainda mais atrativo. Primeiro passo Antes da leitura Erick Itakura, núcleo de pesquisa da psicologia em informática da PUC-SP Levar, para sala de aula, imagens relacionadas aos jogos eletrônicos e/ou construa um Power Point com as imagens, mostrando-as para os alunos. Peça aos alunos que prestem atenção às imagens para, em seguida, levantar as hipóteses sobre qual será o tema abordado no texto que será oferecido a eles.

138 Sugestãode PowerPoint: 138

139 139 Em seguida, mantenha um diálogo com seus alunos, realizando perguntas como: - Vocês gostam de jogos eletrônicos? - Com que frequência vocês jogam? - Quais os tipos de jogos de sua preferência? - Qual a sua opinião sobre os jogos eletrônicos com temas violentos? Logo após, apresente um vídeo contendo opiniões diversas sobre o uso dos jogos eletrônicos com temas violentos. Procure um vídeo onde contenham diferentes opiniões como: opinião de adolescentes, opinião de pais e outros. Segundo passo Durante a leitura Apresente os textos do jornal e peça que façam uma leitura individual. Em seguida, faça uma leitura compartilhada. Inicie a leitura e vá trocando de leitor, proporcionando a participação de um maior número de alunos. Finalizando a leitura, peça aos alunos que indiquem as palavras desconhecidas e que impossibilitaram uma maior compreensão do texto. É importante, nesse primeiro momento, contextualizar as palavras desconhecidas em outras situações, verificando a compreensão dos seus significados, caso a dúvida persista, consulte o dicionário e explique o sentido das palavras. Dividir a turma em dois grupos: um grupo deverá identificar os quatro argumentos que o autor do texto "SIM" empregou para justificar a concordância com a proibição e o outro deverá identificar os quatro argumentos que o autor do texto NÃO empregou para justificar a não concordância da proibição. Os alunos poderão destacar esses argumentos no texto. Outra sugestão é que se entregue para eles um quadro para ser preenchido, conforme modelo abaixo: Argumento 01 TEXTO 01 TEXTO 02 Argumento 02 Argumento 03 Argumento 04 Convide um grupo a apontar um argumento, em seguida outro, até que os quatro argumentos tenham sido identificados. Verifique se os alunos reconheceram os seguintes fundamentos: 1) No caso dos jogos eletrônicos, o jogador tem uma participação mais ativa na construção da violência do que a que ocorre quando ele assiste à TV. 2) Algumas pessoas são mais propensas a confundir jogo e realidade e podem se deixar influenciar pelo conteúdo violento do jogo. 3) Mesmo que de forma controlada, as pessoas interiorizam a violência presente nos jogos eletrônicos e, em momentos em que o autocontrole está comprometido, um comportamento agressivo pode aflorar. 4) A pessoa pode manifestar-se de forma violenta por julgar que ficará impune.

140 140 Peça que seus componentes identifiquem em conjunto os quatro argumentos empregados pelo autor do texto NÃO. Convide os grupos que não se manifestaram a apontar um argumento cada um. Verifique se eles reconheceram os seguintes pontos: 1) O jogo Counter-Strike, lançado em 2000, não acarretou um aumento de violência nos oito anos que se seguiram. 2) A forma lúdica de lidar com a violência é anterior à era eletrônica e não torna uma pessoa violenta. 3) O jogo eletrônico conta com um realismo muito grande, o que permite vivenciar a situação de violência em um ambiente seguro de simulação, assim ele funciona como uma válvula de escape. 4) A proibição desperta a curiosidade pelo proibido. Estimule os alunos para que se posicionem quanto ao fato de ser contra ou a favor dos jogos eletrônicos violentos. Terceiro Passo - Depois da leitura Finalizando a aula, discuta com alunos que textos com o mesmo tema poderão apresentar posições explicitamente antagônicas, em relação à proibição de certos jogos eletrônicos.os dois textos apresentam posições divergentes em relação a um mesmo argumento. Em outras palavras, seus autores se utilizam da mesma ideia para justificar posições contrárias. Para ajudar os alunos nessa interpretação, indague: o que cada autor defende a respeito da relação entre realidade e fantasia? Verifique se a classe chegou às conclusões abaixo: - Autor do texto "SIM": julga que a fantasia pode ser confundida com a realidade e que a violência presente no jogo pode interferir na vida. - Autor do texto "NÃO": julga que, na esfera lúdica, a fantasia não se confunde com a realidade, citando o exemplo de brincadeiras como "polícia e ladrão".

141 141 AULA 2 Gênero: Reportagem Texto:Torcidas organizadas devem ser proibidas. Revista Mundo Estranho, Editora Abril. As organizadas provocam violência dentro e fora dos estádios brasileiros. Um dos piores episódios aconteceu em 1995, na final da copa São Paulo de Juniores. Palmeirense e são-paulinos protagonizaram uma batalha campal no gramado do estádio do Pacaembú, em São Paulo. Resultado: uma morte e 101 feridos. Em 2008, foi criada, no Rio de Janeiro, a Federação das Torcidas Organizadas, (FTORJ).além de cobrar as cartolas, a entidade cria ações para difundir a paz entre torcidas. O time do XV de Piracicaba, no interior paulista, também promove ações antiviolência em parceria com as organizadas, a Polícia Militar e empresas locais. Pessoas comuns deixam de ir ao estádiopor causa das organizadas. Um estudo realizado em 2009 pela TNS Sport Brasil revelou que 60% dos torcedores que só acompanham o time pelo noticiário voltariam aos jogos se as torcidas fossem banidas o que já chegou a acontecer, provisoriamente, com algumas organizadas paulistas, nos anos 90. Quem defende as organizadas argumenta que a violência dos integrantes é reflexo da sociedade. Por isso, acabar não diminuiria as brigas e o vandalismo. Na França, por exemplo, a Justiça já extinguiu muitas agremiações de torcedores sem diminuir a violência efetivamente. Para o desembargador Lineu Peinado, do Tribunal de Justiça de São Paulo, as torcidas atuam dentro dos clubes, com o apoio de dirigentes. Em 2010, Peinado despachou uma liminar obrigando a Federação Paulista de Futebol a prever incluir no regulamento dos campeonatos punições aos clubespor atos de violência cometidos por torcedores organizados. Após várias tentativas frustradasde cadastro dos participantes dessas agremiações, a fim de coibir crimes e manifestações violentas, a melhor solução seria cortar o mal pela raiz, banindo as torcidas organizadas de futebol. As organizadas promovem ações sociais. A Gaviões da Fiel, maior torcida do Corinthians, por exemplo, realiza, desde 2005, a Ação de Saúde, em parceria com hospitais. Durante um dia, o programa atende a comunidade gratuitamente, com serviços de oftalmologia, vacinação, cortes de cabelo, palestras sobre prevenção contra doenças, etc. Quando bem intencionadas, as torcidas embelezam o futebol, trazendo cantos, bandeiras e faixas ao estádio. Se o comportamento das organizadas tiver como objetivo apenas contribuir com suas equipes, é totalmente positiva a existência delas.

142 142 Primeiro Passo Antes da leitura Inicie a aula conversando com seus alunos, faça perguntas tais como: Quem gosta de jogos de futebol?quem já foi a um campo de futebol?qual o time de sua preferência? Em seguida, direcione a discussão para o tema que será tratado pelo texto: As torcidas organizadas: - O que é uma torcida organizada? - Você acha que as torcidas organizadas deveriam ser proibidas? À medida que os alunos forem se posicionando, vá anotando no quadro os principais argumentos apresentados, divida o quadro em duas partes, uma parte para quem acha que sim, e a outra para os que acham que não. Apresente a imagem que ilustra o texto, se possível, em data show, e deixe que os alunos levantem suas expectativas sobre ela: o que sugere, quais serão os possíveis argumentos levantados. Não se esqueça de mencionar qual a fonte e o autor. Segundo passo Durante a leitura Apresentar o texto aos alunos, reafirmando seu título, a fonte, a data de publicação e a imagem que o ilustra. Essa etapa pode ser realizada em grupo. Convide um dos alunos para ler o texto introdutório da reportagem (Texto: Mariana Nadai ) e logo após, peça a eles que comentem sobre a opinião da autora. Antes de trabalhar os argumentos expostos no texto, esconda os trechos em que o autor defende ou não a proibição das torcidas organizadas. Distribua os trechos apresentados no texto para os alunos. Em seguida, peça que eles, em grupo, separem os argumentos, dividindo o SIM e o NÃO de acordo com a sua compreensão. Leia os argumentos e faça as interferênciasà medida que for necessário. Terceiro passo Depois da leitura Esse momento pode se transformar em um júri simulado. Professor, organize a sua sala e sua turma para esse momento. Busque a dinâmica na Internet e boa aula! Descubra os trechos que foram previamente escondidos. Verifique junto com os alunos se a exposição dos argumentos do autor se encaixa com a argumentação apresentada pelos alunos. Peça aos alunos para identificarem as palavras chave que determinarão o posicionamento contra ou a favor das torcidas organizadas (SIM: a violência/ NÃO: embelezam o futebol). Para finalizar, não se esqueça de mencionar o objetivo da aula: Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo tema.

143 143 AULA 3 Gênero: Notícia Texto: Animais no prédio, sim ou não?, retirado do livro didático: Linguagem Criação e Interação, Cássia Garcia de Souza e Maria PaganiniCavéquia,9º ano. Primeiro passo Antes da leitura Criar uma expectativa para a aula do dia: Motivar os alunos para o que será feito, por exemplo, questionando se gostam de animais de estimação, quantos deles possuem animais

144 144 de estimação e qual o tipo de animal existente na residência, quantos moram em casa e quantos moram em apartamentos. Após a sondagem, questione se existem muitos animais de estimação nos prédios em que moram. Leve imagens de animas de estimação ou baixe um vídeo para estimulá-los a discussão, por exemplo: (https://www.youtube.com/watch?v=ilvuojwvh-a) Segundo passo Durante a leitura Apresente o título aos alunos e motive-os para a leitura. Inicie lendo o lide da notícia. Aponte ou questione aos alunos a razão do tema estar esquecido nos tribunais. Em seguida, chame a atenção para o segundo parágrafo do lide e mostre aos alunos que esse argumento servirá de base para os levantamentos a favor ou contra a presença de animas no prédio. Antes de iniciar a leitura dos argumentos, peça aos alunos que se posicionem e demonstrem os motivos pelos quais são contra ou a favor diante da pergunta feita no texto. Anote no quadro todos os argumentos, separando os que são a favor e os que são contra. Em seguida, leia o texto junto com os alunos, a leitura poderá ser feita item a item, sendo uma leitura de aluno contra e outra de aluno a favor. Nesse momento, verifique quais os argumentos que foram utilizados pelos alunos que coincidiram com a argumentação do autor. Terceiro passo - Depois da leitura Para finalizar, faça um debate. Divida os alunos em dois grupos, metade deverá ser a favor dos animais no prédio e outra metade deverá ser contra. No final, deixe claro para os alunos a importância de entender e reconhecer que textos contendo o mesmo fato ou tema poderão apresentar posições distintas e como o leitor poderá reconhecer essas posições.

145 145 AULA 4 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem de questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE QUESTÕES QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 01 (Prova Brasil). Leia os textos abaixo: Texto I Telenovelas empobrecem o país Parece que não há vida inteligente na telenovela brasileira. O que se assiste todos os dias às 6, 7 ou 8 horas da noite é algo muito pior do que os mais baratos filmes B americanos. Os diálogos são péssimos. As atuações, sofríveis. Três minutos em frente a qualquer novela são capazes de me deixar absolutamente entediado nada pode ser mais previsível. Antunes Filho. Veja, 11/mar/96. Texto II Novela é cultura Veja Novela de televisão aliena? Maria Aparecida Claro que não. Considerar a telenovela um produto cultural alienante é um tremendo preconceito da universidade. Quem acha que novela aliena está na verdade chamando o povo de débil mental. Bobagem imaginar que alguém é induzido a pensar que a vida é um mar de rosas só por causa de um enredo açucarado. A telenovela brasileira é um produto cultural de alta qualidade técnica, e algumas delas são verdadeiras obras de arte. Veja, 24/jan/96. Com relação ao tema telenovela (A) nos textos I e II, encontra-se a mesma opinião sobre a telenovela. (B) no texto I, compara-se a qualidade das novelas aos melhores filmes americanos. (C) no texto II, algumas telenovelas brasileiras são consideradas obras de arte.

146 146 (D) no texto II, a telenovela é considerada uma bobagem. Questão 02. Leia os textos para responder à questão abaixo: Texto I A moda e a publicidade Ana Sánchez de lanieta [...] Se antes os ídolos da juventude eram os desportistas e os atores de cinema, agora são as modelos. [...]. Se, no passado, as mulheres queriam presidir Bancos, dirigir empresas ou pilotar aviões, hoje muitas só sonham em desfilar pela passarelae ser capa da "Vogue". A vida de modelo apresenta-se para muitas adolescentes como o cúmulo da felicidade: beleza, fama, êxito e dinheiro. [...] [...] Os aspectos relacionados com o físico são engrandecidos. Esta é uma constante da chamada civilização da imagem, imperante na atualidade.[...] O tipo de atração que hoje impera é o de uma magreza extrema. Esta é a causa principal de uma enfermidade que ganha cada vez mais importância na adolescência: a anorexia, uma perturbação psíquica que leva a uma distorção, a uma falsa percepção de si mesmo. Na maioria dos casos, esta enfermidade costuma começar com o desejo de emagrecer. Se alguém se julga gordo sente-se rejeitado por esta razão. Pouco a pouco deixa de ingerir alimentos e perde peso. No entanto, a pessoa continua a considerar-se gorda, persiste a insegurança e começa a sentir-se incapaz de comer. Esta enfermidade leva a desequilíbrios psíquicos que podem acompanhar a pessoa para o resto da sua vida e em não raras ocasiões provoca a morte. Fonte: Texto II In CEREJA, William Roberto. Português: linguagens, 9º. Ano. São Paulo: Atual, Comparando os dois textos, pode-se dizer que tratam do mesmo tema, porém: (A) o texto 1 informa sobre o problema da anorexia e o 2, de forma humorística, faz uma crítica à magreza das modelos. (B) o texto 1 critica as modelos por seguirem a civilização da imagem e o 2 defende a perspectiva da civilização da imagem. (C) o texto 1 defende as modelos que sofrem de anorexia e o texto 2 indica os problemas mais comuns das modelos. (D) o texto 1 explica os problemas decorrentes da anorexia e o texto 2 elogia a magreza extrema das modelos.

147 147 Questão 03 (SADEAM) Leia os textos abaixo. Texto 1 CARTA A EL-REI D. MANUEL [...] E dali houvemos vista d homens, que andavam pela praia, de 7 ou 8, segundo os navios pequenos disseram, por chegarem primeiro. [...] A feição deles é serem pardos, maneira d avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto [...] Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem nenhuma cousa de metal, nem de ferro; nem lho vimos. A terra, porém, em si, é de muito bons ares, assim frios e temperados como os d Antre Doiro e Minho, porque neste tempo d agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem. Mas o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a el-rei dom Manuel sobre o achamento do Brasil. Intr., atual. Do texto e notas de M. Viegas Guerreiro; leit paleogr. de Eduardo Nunes. Lisboa: Imprensa Nacional, Texto 2 ÍNDIOS Quem me dera, ao menos uma vez, Ter de volta todo o ouro que entreguei A quem conseguiu me convencer Que era prova de amizade Se alguém levasse embora até o que eu não tinha. Quem me dera, ao menos uma vez, Esquecer que acreditei que era por brincadeira Que se cortava sempre um pano de chão De linho nobre e pura seda [...] Quem me dera, ao menos uma vez, Como a mais bela tribo, dos mais belos índios, Não ser atacado por ser inocente [...] Nos deram espelhos e vimos um mundo doente Tentei chorar e não consegui. RUSSO, Renato. Legião Urbana. Dois. (CD). *Adaptado: Reforma Ortográfica. Levando em consideração o tema Índios, qual é a principal diferença de opinião presente nesses textos? A) O Texto 1 apresenta os índios como seres exóticos, e o Texto 2 como enganados. B) O Texto 2 apresenta uma crítica aos índios, e o Texto 1 um elogio aos colonizadores. C) O Texto 1 relata a vida dos índios, e o Texto 2 critica a vida dos indígenas colonizados. D) O Texto 2 relata um fato histórico sobre os índios, e o Texto 1 como isso tudo aconteceu.

148 148 Questão 4. Leia os textos abaixo. Texto 1 Quanto bicho no Brasil! Tem a onça e o veado, tem também tamanduá. Tem a anta, tem a paca, papagaio e carcará. Tem mico-leão-dourado, tem calango e jabuti, ararinha-azul-pequena e o meu cachorro Tupi. Dizem que essa bicharada pode desaparecer. Que perigo, vejam só! Eu já sei o que fazer: esses bichos são bonitos e precisam de carinho. Vou tomar muito cuidado e esconder meu cachorrinho! BANDEIRA, Pedro. Mais respeito, eu sou criança. 2. ed. São Paulo: Moderna, p. 75. Texto 2 Procura-se Procura-se algum lugar no planeta onde a vida seja sempre uma festa onde o homem não mate nem bicho nem homem e deixe em paz as árvores na floresta. Procura-se algum lugar no planeta onde a vida seja sempre uma dança e mesmo as pessoas mais graves tenham no rosto um olhar de criança. MURRAY, Roseana. Classificados poéticos. São Paulo: Companhia Editora Nacional, p O que esses textos têm em comum é que os dois A) abordam a extinção de animais. B) apresentam um anúncio de jornal. C) ensinam cuidados com animais. D) foram escritos pelo mesmo autor.

149 149 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO III RELAÇÕES ENTRE TEXTOS (PROEB) LIÇÃO 10Reconhecer diferentes formas de abordar uma informação ao comparar textos que tratam do mesmo tema Competência Estabelecer relações entre textos Habilidade Reconhecer diferentes formas de abordar uma informação ao comparar textos que tratam do mesmo tema Habilidade CBC 3.10.Comparar textos que falem de um mesmo tema quanto ao tratamento desse tema Identificar relações de diversidade (contradição, oposição) ou de semelhança (aliança e/ou complementação) entre posicionamentos enunciativos presentes em um texto. Em que consiste essa competência? Comparar textos considerando o tema, características textuais, organização das ideias e finalidades. Pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer as diferenças entre textos que tratam do mesmo assunto, em função do leitor-alvo, da ideologia, da época em que foi produzido e das suas intenções comunicativas. Em que consiste essa habilidade? A escola pode favorecer o desenvolvimento da capacidade crítica do aluno a partir da leitura de textos com posições diferentes sobre um mesmo tema, formando leitores mais atentos, seguros e capazes de extrair o fato em meio às opiniões que se formam em torno dele. A habilidade de comparar dois ou mais textos sobre um mesmo tema exige maturidade do aluno e discernimento, proporcionando-lhe maior autonomia para se posicionar e analisar, criticamente, os argumentos usados pelo autor do texto. Trabalhar com leitura de vários textos de um mesmo gênero ou de gêneros diferentes tendo em comum o mesmo tema, reconhecendo diferentes formas de abordagem. Sugestões para melhor desenvolver essa habilidade Uma estratégia interessante para o desenvolvimento dessa habilidade é proporcionar aos alunos a leitura de textos diversos relacionados a um mesmo tema e contendo diferentes ideias e formas diferentes de tratar um assunto, como humor, ironia, dramaticidade, de forma crítica de jeito poético. Os textos podem ser retirados de jornais, revistas, internet, livros, campanhas publicitárias, entre outros.

150 150 SUGESTÕES DE AULAS QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA 1 Gêneros: Notícia e Fragmento do livro: A viagem maravilhosa Texto: A viagem Maravilhosa e Notícia, retirados do livro: Linguagem Criação e Interação, Cássia Garcia de Souza e Maria PaganiniCavéquia,9º ano. Primeiro passo Antes da leitura

151 151 Professor, no primeiro momento entregue para os seus alunos somente o primeiro texto: A viagem maravilhosa. Antes de iniciar a leitura, desperte o interesse e o envolvimento dos alunos para a recepção do texto. Mostre imagens ou projete em data show diferentes imagens da chuva e vá chamando a atenção dos alunos para os vários sentimentos que essas imagens podem nos proporcionar. Ao trabalhar com as imagens, permita que os alunos expressem seus sentimentos a respeito

152 152 da chuva, o que ela transmite para eles: medo, pavor, paz, tranquilidade e outros sentimentos que poderão aflorar. Segundo passo - Durante a leitura Em seguida, mencione que o texto que será trabalhado tratará desse tema. Ao iniciar a leitura, uma boa sugestão é colocar ao fundo o barulho da chuva, enquanto o professor lê, os alunos vão se permitindo escutar a leitura, prestar atenção na entonação da voz do professor, nas pontuações e sentir o texto se utilizando do recurso do som da chuva. Vídeo:http://www.youtube.com/watch?v=Qnxa7KXbRNo Incentive seus alunos a fecharem os olhos e sentirem o texto, imaginando a situação de uma chuva e a situação retratada no texto. Agora, peça aos alunos para lerem o texto silenciosamente. Em seguida, solicite para um ou mais alunos relerem o texto em voz alta. Chame sempre atenção para a entonação da voz e o uso correto da pontuação. Pergunte a eles qual a sensação que tiveram ao ler o texto: paz, tranquilidade, temor, etc. Trabalhe a linguagem utilizada no texto, chamando atenção para alguns aspectos como: a chuva começou a galopar morro abaixo. Pergunte a eles: como você visualiza essa chuva? Qual a imagem que vem a sua cabeça a expressão galopar? por entre a trepidação de relâmpagos e o estampido metálico e retumbante de raios e trovões. Retome o questionamento: como é a chuva aqui retratada: torrencial? Leve? Qual é a sensação que nos provocam os relâmpagos e os estampidos metálicos? No segundo parágrafo, chame atenção para as partes: desabou o aguaceiro e caíam raios, por entre relâmpagos, A chuva era infinita, envolvia tudo, suprimia horizontes, baía, ilhas, montanhas. Deixe-os relatar o sentimento deles e descrever como é essa chuva. Retome a frase: Água, água. Pergunte a eles qual a sensação que autor pretende descrever aqui? Certifique-se de que os alunos foram capazes de entender a abundância dessa chuva e complemente com o final do texto: Torrentes desciam os morros, avolumavam-se nas ladeiras, desaguavam nos asfaltos e as ruas transformavam-se instantaneamente em rios. Ao final, destaque para os alunos a referência bibliográfica do texto. Diga aos alunos que iremos agora proceder à leitura do segundo texto. Destaque a referência bibliográfica do texto. Leia o texto para os alunos. Em seguida, peça para um ou mais alunos ler o texto em voz alta. Agora, pergunte a eles: qual a sensação que eles tiveram ao ler o segundo texto? Os dois textos abordam o mesmo assunto?

153 153 Chame atenção dos alunos para os termos utilizados pelo autor do texto: chegou a cair granizo, O temporal, houve alagamento. Pergunte a eles: os dois textos apresentam o mesmo tema? Como vocês percebem a diferença de abordagem entre o primeiro e o segundo texto? Para conduzi-los nessa atividade, distribua um quadro ou faça esse quadro e peça que, em grupo,identifiquem: Texto 01 Texto 02 Fato que envolve os textos Elementos que caracterizam o fenômeno da natureza: chuva Consequências da chuva Terceiro passo Depois da leitura Para finalizar, deixe claro para seu aluno que os dois textos apresentam o mesmo tema, porém abordados de formas diferentes. Compare com os alunos a linguagem utilizada, no primeiro texto, ressalte que o autor falou da chuva, utilizando uma linguagem literária. Enfatize que essa linguagem foi o diferencial para a forma como o leitor vê e percebe o texto, fazendo com que o leitor tenha uma visão positiva da chuva. Já no segundo texto, demonstre para o aluno que foi usada uma linguagem fria, objetiva, de notícia e que trouxe ao leitor a sensação de pânico e pavor. Discuta com os alunos as características de um texto literário e de um texto não literário, podendo fazer uso do quadro abaixo. Professor, para essa última atividade com o quadro abaixo, concluindo a comparação entre as formas de abordagem em textos que tratam do mesmo tema, sugerimos: - Recortar em fichas todas as características do texto literário e do texto não literário; - Embaralhar as características e distribuí-las entre os alunos; - Construir o quadro, semelhante ao modelo abaixo, onde essas fichas serão afixadas; - Solicitar a cada aluno que analise a característica de sua ficha, fale um pouco sobre ela e coloque no espaço que considere mais apropriado; - Corrigir e intervir, se necessário.

154 154 Texto literário Linguagem pessoal, subjetiva Predomínio da linguagem conotativa, plurissignificativa Recriação da realidade Preocupação com evocar sentimentos e sensações Ênfase no modo de dizer algo Texto não literário Linguagem impessoal, objetiva Predomínio da linguagem denotativa Informação sobre a realidade Preocupação em informar Ênfase na informação, no conteúdo AULA 2 Gênero: Constituição da República Federativa do Brasil e Reportagem: Vale defende proteção à fauna e à flora do MA-(Reportagem). Aula de Leitura - Texto: A aventura da Linguagem, Luiz Carlos Travaglia, Maura Alves de Freitas Rocha e Vania Maria Bernardes Arruda. Primeiro passo Antes da leitura Dizer para os alunos qual será o objetivo da aula que pode ser a habilidade a ser desenvolvida. O objetivo poderá ser escrito no quadro ou poderá ser colocado em um cartaz. Pergunte aos alunos quem já leu a Constituição Brasileira e qual a finalidade da Constituição Brasileira. Indague-os sobre a estrutura textual de uma constituição, anotando todos os comentários levantados por eles.

155 155 Segundo passo - Durante a leitura Professor, para o desenvolvimento dessa aula, inicie distribuindo os dois textos para os alunos. Em seguida, chame atenção para os seguintes aspectos:

156 156 - Ler o primeiro texto que será trabalhado. Pedir que cada aluno leia uma parte do texto. - Trabalhar com os alunos o gênero do texto: artigo de lei. Como esse gênero é constituído. Chamando atenção para: o artigo, o parágrafo e o inciso. - Destacar que o texto se trata da nossa Constituição da República Federativa do Brasil. - Fazer relação entre o artigo 25 e o inciso VII. Após isso, passe para o segundo texto. Leia o texto com os alunos. Para esse momento, poderá ser realizada a leitura compartilhada. Chamar atenção dos alunos para: o título do texto, para o lide apresentado no texto. Destaque o quadro da fala da Marília Gabriela Diniz, supervisora do parque. Chamar atenção dos alunos para as partes do texto que tratam do mesmo tema abordado no texto 1 O título e o lide da reportagem. Impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A partir desse momento, o professor poderá fazer a comparação entre os textos, explicando para os alunos que a empresa Vale está fazendo sua parte na defesa do meio ambiente e trabalhando a coletividade; 1º parágrafo: com o intuito de conscientizar a população ; Impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Mencione que o parágrafo ressalta o trabalho de conscientização que a Vale propõe fazer junto à coletividade. Não se esqueça de dizer ou propor pesquisa sobre quem é a Vale e sobre sua atividade ao longo desses anos. 2º parágrafo: quem vier nos visitar vai poder conhecer a importância da fauna e de suas classes ; Inciso VII Terceiro passo Depois da leitura

157 157 Ao final do trabalho, certifique-se de que o aluno entendeu e que será capaz de reconhecer as diferentes formas de abordar uma informação. Sugira aos alunos uma produção de texto, trabalhando os dois gêneros, para isto escolha um tema e divida a turma em dois grupos. Cada grupo deverá trabalhar com um gênero. Ao final do trabalho, após fazer a análise dos textos feche a aula trabalhando as relações entre os textos produzidos. AULA 3

158 158 Gênero: Trailer, Cartaz e Sinopse do filme: Avatar. Aula de Leitura Textos: Retirados das referências acima citadas. SINOPSE

159 159 JakeSully (Sam Worthington) ficou paraplégico após um combate na Terra. Ele é selecionado para participar do programa Avatar em substituição ao seu irmão gêmeo, falecido. Jake viaja à Pandora, uma lua extraterrestre, onde encontra diversas e estranhas formas de vida. O local é também o lar dos Na'Vi, seres humanoides que, apesar de primitivos, possuem maior capacidade física que os humanos. Os Na'Vi têm três metros de altura, pele azulada e vivem em paz com a natureza de Pandora. Os humanos desejam explorar a lua, de forma a encontrar metais valiosos, o que faz com que os Na'Vi aperfeiçoem suas habilidades guerreiras. Como são incapazes de respirar o ar de Pandora, os humanos criam seres híbridos chamados de Avatar. Eles são controlados por seres humanos, através de uma tecnologia que permite que seus pensamentos sejam aplicados no corpo do Avatar. Desta forma, Jake pode novamente voltar à ativa, com seu Avatar percorrendo as florestas de Pandora e liderando soldados. Até conhecer Neytiri (Zoe Saldana), uma feroz Na'Vi que conhece acidentalmente e que serve de tutora para sua ambientação na civilização alienígena. TRAILER Acesse o link: Baixe o trailer e utilize-o em Data Show, ou, se possível, leve os alunos para a sala de informática e acesse o link dado acima para que possam assistir ao trailer. O professor poderá iniciar a aula, escrevendo no quadro qual será o objetivo da aula: - Reconhecer diferentes formas de abordar uma informação comparando textos de diferentes gêneros que tratam do mesmo tema. Criar uma expectativa para a aula do dia: estimular os alunos para o que será feito, por exemplo, questionando se gostam de assistir a filmes, onde preferem assistir, na TV ou no cinema, quais os tipos de filmes de que mais gostam e se assistiram ao filme Avatar. Logo após os questionamentos, trabalhe com o cartaz do filme. Defina o gênero textual para os alunos e peça a eles para realizarem uma leitura do cartaz, não se esquecendo de destacar: - Alguns pontos importantes - O significado do nome AVATAR;A função do convite expresso no cartaz: Descubra um novo mundo ;A função da referência citada no cartaz: DO DIRETOR DE TITANIC ; Ao discorrerem sobre as observações realizadas a partir do filme, baseando na imagem do cartaz,o professor poderá ficar atento em todas as observações feitas pelos alunos e intervir sempre que necessário. Finalizado o trabalho com o cartaz, o professor poderá iniciar falando sobre a Sinopse. Pode solicitar que a leiam em duplas e que discutam entre si seu conteúdo. Ler, em voz alta, o texto para os alunos e instigar as duplas a falarem sobre o que leram. Peça para os alunos localizarem, nos textos, as informações que comprovam os mesmos argumentos utilizados no cartaz e na sinopse.

160 160 (Descubra um novo mundo)...jake viaja a Pandora, uma lua extraterrestre......seres humanoides que, apesar de primitivos, possuem maior capacidade física que os humanos... Por último, o professor poderá trabalhar o gênero: Trailer de filme. Nesse momento, o professor deverá explorar tudo que foi mencionado nos dois gêneros trabalhados anteriormente. Descubra, junto com os alunos, todas as informações previamente vistas nos textos de gêneros diferente sobre o filme. Finalizando a aula, não se esqueça de retomar o objetivo exposto no quadro e perguntar aos alunos se esse objetivo foi alcançado. Peça aos alunos para produzirem seu próprio cartaz e após isto, redigirem uma resenha a respeito do filme. Essa atividade poderá ser feita em grupos. Para trabalhar a interdisciplinaridade, uma boa sugestão é solicitar aos alunos que pesquisem na internet, levando em consideração a opinião dos telespectadores, a avaliação do filme (número de estrelas), para trabalhar a habilidade Tratamento da Informação. AULA 4 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem de questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de reconhecer diferentes formas de abordar uma informação ao comparar textos que tratam do mesmo tema. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE QUESTÕES QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE

161 161 Questão 01 Leia os textos para responder à questão abaixo: Texto I Vocêé a favor de clones humanos? Sou contra. Engana-se quem pensa que o clone seria uma cópia perfeita de um ser humano. Ele teria a aparência, mas não a mesma personalidade. Já pensou um clone do Bon Jovi que detestasse música e se tornasse matemático, passando horas e horas falando sobre Hipotenusa, raiz quadrada e subtração? Ou o clone do Brad Pitt se tornando padre? Ou o do Tom Cavalcante se tornando um executivo sério e o do Maguila estudando balé? Estranho, não? Mas esses clones não seriam eles, e, sim, a sua imagem em forma de outra pessoa. No mundo, ninguém é igual. Prova disso são os gêmeos idênticos, tão parecidos e com gostos tão diferentes. Os clones seriam como as fitas piratas: não teriam o mesmo valor original. Se eu fosse um clone, me sentiria muito mal cada vez que alguém falasse: olha lá o clone da fulana. No fundo, no fundo, eu não passaria de uma cópia.. Texto II Vocêé a favor de clones humanos? Alexandra F. Rosa, 16 anos, Francisco Morato, SP.(Revista Atrevida nº 34) Sou a favor! O mundo tem de aprender a lidar com a realidade e as inovações que acontecem. Ou seja, precisa se sofisticar e encontrar caminhos para seus problemas. Assistimos à televisão, lemos jornais e vemos que existem muitas pessoas que, para sobreviver, precisam de doadores de órgãos. Presenciamos atualmente aqui no Brasil e também em outros países a tristeza que é a falta de doadores. A clonagem seria um meio de resolver esse problema! Já pensou quantas pessoas seriam salvas por esse meio? Não há dúvida de que existem muitas questões a serem respondidas e muitos riscos a serem corridos, mas o melhor que temos a fazer é nos prepararmos para tudo o que der e vier, aprendendo a lidar com os avanços científicos que atualmente se realizam. Acredito que não gostaríamos de parar no tempo. Pelo contrário, temos de avançar! Ao se compararem os textos I e II, pode-se afirmar que: Fabiana C.F. Aguiar, 16 anos, São Paulo, SP. (Revista Atrevida nº 34) (A) em I, há a negação da existência de pessoas diferentes; em II, afirma-se que a clonagem é uma sofisticação. (B) em I, há a afirmação de que a clonagem se constitui em distanciamento dos seres humanos; em II, a solução para a aproximação dos seres humanos. (C) em I, há indícios de que a humanidade ficará incomodada com a clonagem; em II, há a afirmação de que é preciso seguir os avanços científicos. (D) em I, discute-se o conceito de que a clonagem produz cópias perfeitas; em II, afirma-se que a clonagem é a solução para muitos dos problemas humanos. Questão 02. Leia os textos para responder a questão abaixo:

162 162 Texto I O ESPELHO(Marcello Migliaccio) Falar mal da TV virou moda. É "in repudiar a baixaria, desancar o onipresente eletrodoméstico. E, num país em que os domicílios sem televisão são cada vez mais raros, o que não falta é especialista no assunto. Se um dia fomos uma pátria de 100 milhões de técnicos de futebol, hoje, mais do que nunca, temos um considerável rebanho de briosos críticos televisivos. [..] Mas, quando os "especialistas" criticam a TV, estão olhando para o próprio umbigo. Feita à nossa imagem e semelhança, ela é resultado do que somos enquanto rebanho globalizado. [...] Aqui e ali, alguns vão argumentar que cultivam pensamentos mais nobres e que não se sentem representados no vídeo. [...] Folha de S. Paulo, 19/10/2003. Texto II A influência negativa da televisão para as crianças(jussara de Barros) Bem diziam os Titãs, grupo de rock nacional, quando cantavam que a televisão me deixou burro demais. A verdade é que, ao pé da letra dessa música, a televisão coloca-nos dentro de jaulas, como animais. Assim, paralisa o desenvolvimento de pensamentos críticos e avaliativos que se desenvolvem em outras formas de diversão, além de influenciar crianças e adolescentes com cenas de violência, maldade, psicopatia e sexo explícito a todo o momento e sem qualquer responsabilidade. Fonte: Vocabulário in [inglês] na moda brioso orgulhoso, vaidoso onipresente que está presente em todos os lugares. Os textos divergem sobre o mesmo tema: a influência da televisão. A afirmação do texto 1 que contradiz o texto 2 é (A) Falar mal da TV virou moda. É "in repudiar a baixaria, desancar o onipresente eletrodoméstico. (B) Feita à nossa imagem e semelhança, ela [a TV] é resultado do que somos [...]. (C) E, num país em que os domicílios sem televisão são cada vez mais raros, o que não falta é especialista no assunto. (D) Aqui e ali, alguns vão argumentar que cultivam pensamentos mais nobres [...]. Questão 03 (SAERS). Leia o texto abaixo e responda. Tem dias que eu fico pensando na vida E sinceramente não vejo saída. Como é, por exemplo, que dá pra entender: A gente mal nasce, começa a morrer. Depois da chegada vem sempre a partida, Porque não há nada sem separação. Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão. Texto 1 Seilá... a vida tem sempre razão

163 163 Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão. A gente nem sabe que males se apronta. Fazendo de conta, fingindo esquecer Que nada renasce antes que se acabe, E o sol que desponta tem que anoitecer. De nada adianta ficar-se de fora. A hora do sim é o descuido do não. Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão. Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão. TOQUINHO; MORAES, Vinícius de. Disponível em: <http:// letras.terra.com.br/toquinho/87372/>. Texto 2 Cançãodo dia de sempre Tão bom viver dia a dia... A vida assim, jamais cansa... Viver tão só de momentos Como estas nuvens no céu... E só ganhar, toda a vida, Inexperiência... esperança... E a rosa louca dos ventos Presa à copa do chapéu. Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro rio a passar. Nada jamais continua, Tudo vai recomeçar! E sem nenhuma lembrança Das outras vezes perdidas, Atiro a rosa do sonho Nas tuas mãos distraídas... QUINTANA, Mário. Disponível em: <http://www. pensador.info/textos_sobre_vida/>. Esses dois textos apresentam ideias A) complementares. B) convergentes. C) opostas. D) similares. Questão 04. (SAERJ) Leia o texto abaixo. Texto 1 AsBorboletas Brancas Azuis Amarelas E pretas Brincam na luz As belas borboletas

164 164 Borboletas brancas São alegres e francas. Borboletas azuis Gostam muito de luz. As amarelinhas São tão bonitinhas! E as pretas, então... Oh, que escuridão! MORAES, Vinícius de. A arca de Noé. Companhia das Letrinhas, Texto 2 Borboletas As borboletas são insetos com dois pares de asas. Vive melhor em regiões tropicais pelo clima quente e alimento abundante. Existem aproximadamente 200 mil espécies de borboletas, mas somente 120 mil estão registradas. As borboletas se alimentam de vegetais e néctar. Pesam cerca de 0,3 gramas sendo que a maior pode pesar 3 gramas. Chegam a ter 32 centímetros de asa a asa. As borboletas vivem em média duas semanas. Esses textos falam sobre A) preservação das borboletas. B) hábitos das borboletas. C) características das borboletas. D) alimentação das borboletas.

165 165 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 11Reconhecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc. COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico-discursivas HABILIDADE Reconhecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc. Habilidades do CBC 8.4. Reconhecer e usar marcas linguísticas e gráficas de conexão textual em um texto ou sequência narrativa Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência narrativa Reconhecer e usar marcas linguísticas e gráficas de conexão textual em um texto ou sequência de relato Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência de relato Reconhecer e usar marcas linguísticas e gráficas de conexão textual em um texto ou sequência descritiva Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência descritiva Reconhecer e usar marcas linguísticas e gráficas de conexão textual em um texto ou sequência expositiva Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência expositiva Reconhecer e usar marcas linguísticas e gráficas de conexão textual em um texto ou sequência argumentativa Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência argumentativa Reconhecer e usar marcas linguísticas e gráficas de conexão textual em um texto ou sequência injuntiva Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência injuntiva. Em que consiste a competência? A competência de estabelecer relações lógico-discursivas envolve as habilidades necessárias para que o leitor estabeleça relações que contribuem para a continuidade, progressão do texto, garantindo sua coesão e coerência. Em que consiste essa habilidade? Em todo texto de maior extensão, aparecem expressões conectoras sejam conjunções, preposições, advérbios e respectivas locuções que criam e sinalizam relações semânticas de diferentes naturezas. Entre as mais comuns, podemos citar as relações de causalidade, de

166 166 comparação, de concessão, de tempo, de condição, de adição, de oposição etc. Reconhecer o tipo de relação semântica estabelecida por esses elementos de conexão é uma habilidade fundamental para a apreensão da coerência do texto e para a compreensão de seu sentido. Uma atividade voltada para o reconhecimento de tais relações deve focalizar as expressões sinalizadoras e seu valor semântico, sejam conjunções, preposições ou locuções adverbiais. Com este trabalho, pretendemos possibilitar ao aluno desenvolver a habilidade de perceber a coerência textual, partindo da identificação dos recursos coesivos e de sua função dentro do texto. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? Para desenvolver essa habilidade, o professor pode se valer de textos de gêneros variados, a fim de trabalhar as relações lógico-discursivas, mostrando aos alunos a importância de reconhecer que todo texto se constrói, a partir de múltiplas relações de sentido que se estabelecem entre os enunciados que o compõem. As notícias de jornais, por exemplo, os textos argumentativos, os textos informativos, sem se esquecer dos textos narrativos são todos excelentes para trabalhar essa habilidade.

167 167 Primeiro passo SUGESTÕES DE LIÇÕES QUE CONTEMPLAM ESSA HABILIDADE AULA1 1. Neste primeiro momento da aula, pergunte aos alunos: - O que é um texto? Professor, o objetivo dessa pergunta é levantar os conhecimentos prévios dos alunos. Portanto, instigue-os a dar exemplos de textos verbais e não verbais, socialmente utilizados, bem como dê outros exemplos de produções, perguntando-lhes se são um texto ou não, e quais os critérios que eles levaram em conta para classificá-lo como tal. 2. Ouça suas respostas, estimule-os a construir, coletivamente, um conceito para texto que se aproxime do seguinte: "Texto é uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão. (Koch &Travaglia, 1992:08-09) 3. Em seguida, explique aos alunos que, para um texto apresentar sentido, é necessário que tenha coesão e coerência. Mas, o que é coesão e coerência? Pergunte-lhes. 4. É provável que os alunos não consigam responder a esse questionamento, então lhes apresente as seguintes frases: - A Seleção Brasileira foi desclassificada porque o grupo não estava coeso. (Faltou união.) - Vocês devem ter atitudes coerentes! - disse a professora aos alunos que estavam matando aula. (Atitudes lógicas) 5. Converse com os alunos sobre o sentido das palavras coeso(unido) e coerentes(lógicas) nos exemplos. Em seguida, estimule-os a transpor esses significados para o campo da produção textual: - Se coeso é unido, o que quer dizer a coesão dentro do texto? - Se coerente é lógico, o que significa a coerência textual? 6. A partir da compreensão dos sentidos das palavras grifadas, elabore, coletivamente, um conceito único para coesão e coerência e peça aos alunos que registrem suas conclusões no caderno. 7. A coesão é a ligação entre os elementos de um texto, que ocorre no interior das frases, entre as próprias frases e entre os vários parágrafos. Pode-se dizer que um texto é coeso quando os conectivos (conjunções, pronomes, preposições, por exemplo) são empregados corretamente. A coerência diz respeito à ordenação das ideias, dos argumentos. A coesão contribui para a coerência. Um texto com problemas de coesão terá, provavelmente, problemas de coerência.

168 Em seguida, projete os textos a seguir ou reproduza-os para os alunos: NÃO TE AMO MAIS Não te amo mais. Estarei mentindo dizendo que: Ainda te quero como sempre quis. Tenho certeza de que, Nada foi em vão. Sinto dentro de mim que: Você não significa nada. Não poderia dizer jamais que: Alimento um grande amor. Sinto cada vez mais que Já te esqueci! E jamais usarei a frase Eu te amo! Sinto, mas tenho que dizer a verdade É tarde demais... (Autor desconhecido - as redes sociais associam o texto à Clarice Lispector) 9. Peça que os alunos o leiam e respondam às seguintes questões: O texto apresenta sentido? Qual a mensagem transmitida por ele? A quem esta mensagem está sendo dirigida? Que palavras no texto são responsáveis por fazer a ligação entre as outras, ou seja, quais são os elementos de coesão? Qual a diferença de sentido entre as palavras mas e mais no texto? Que sentidos apresentam as palavras ainda e já no texto? Com que objetivo a palavra "que" foi usada repetidas vezes no texto?. 10. Em seguida, sugira a leitura de baixo para cima e peça que eles respondam as mesmas questões. Pergunte-lhes: O que mudou?o texto continua apresentando coerência e coesão? Professor, é importante que você e seus alunos tenham circulado, no texto, os advérbios e expressões adverbiais e os conectores, nesse caso, as conjunções, para que os alunos percebam que a escolha dessas palavras, (que, ainda, já, e, mas...) neste texto, foi fundamental para a construção das duas mensagens transmitidas. 11. Depois de ouvir as conclusões dos alunos e corrigir as respostas, projete o próximo texto, leia-o com a turma, em forma de coro falado, discutindo o seu conteúdo. Ao final, peça que eles expliquem qual o sentido da palavra "ou" no texto: Ou Isto ou Aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo

169 169 ou se põe o anel e não se calça a luva! Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares! e vivo escolhendo o dia inteiro! Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo. Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.. Meireles, C. Ou Isto ou Aquilo. In: Poesia Completa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2001, p AULA 2 Primeiro passo 1. Reproduza para os alunos os textos Circuito Fechado, de Ricardo Ramos, e A Pesca, de Affonso de Sant'Anna. Professor, os textos podem ser encontrados em diversos livros didáticos e também no link abaixo:http://www.pucrs.br/gpt/substantivos.php Circuito Fechado Ricardo Ramos Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, telefone, agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo. xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

170 170 A Pesca Affonso Ramos de Sant'Anna o anil o anzol o azul o silêncio o tempo o peixe a agulha vertical mergulha a água a linha a espuma o tempo a âncora o peixe a boca o arranco o rasgão aberta a água aberta a chaga aberto o anzol aquelíneo ágilclaro estabanado o peixe a areia o sol Segundo passo 1. Solicite a leitura silenciosa dos textoscircuito Fechado e A Pesca, pergunte-lhes: Quais os temas de cada um deles? - O que os dois textos têm em comum? - Como os autores elaboraram as mensagens a serem transmitidas? - Apesar da falta dos elementos de coesão, há coerência nos textos, ou seja, eles apresentam sentido? Professor, com a suaorientação, espera-se que os alunos percebam que os textos são construídos a partir de um encadeamento de substantivos que vão descrevendo para o leitor as situações. No primeiro, apresenta-se o cotidiano de um homem, a partir dos objetos que

171 171 ele utiliza; já o segundo, conta um momento de pesca, através dos substantivos relacionados a essa atividade. Apesar de não haver conectivos, a ordenação das palavras em ambos confere coerência aos textos e faz com que o leitor imagine a cena. Terceiro passo 1. Após a leitura e discussão sobre os textos, proponha que os alunos os reescrevam,utilizando os elementos coesivos (advérbios e expressões adverbiais, preposições e conjunções e suas respectivas locuções), sem que modifiquem a mensagem transmitida por meio de cada um. A tarefa poderá ser feita em duplas, o que permite a troca de informações e de ideias entre eles. Quarto passo 1. Proponha a leitura oral dos textos produzidos na aula anterior. Cada dupla deverá apresentar um de seus textos e os outros alunos deverão comentá-los, levando em conta a adequação à proposta, a manutenção do sentido da mensagem e o uso dos conectivos. 2. Observe se os alunos produziram, no primeiro texto, períodos compostos. Anote no quadro alguns exemplos e os analise com a turma. 3. Sugira a reescrita a partir dos comentários dos colegas e recolha os textos para correção. Primeiro passo AULA 3 1. A partir de uma correção cuidadosa dos textos, elabore uma apresentação de Power Point (ou uma transparência) ou um cartaz com os problemas de coesão e de coerência apresentados. 2. Apresente esse material para a turma, discuta com os alunos os problemas identificados nos textos e peça-lhes sugestões de correção. 3. Após essa atividade, produza coletivamente uma nova versão de cada um dos textos com os alunos e publique-a no blog da turma ou no mural da escola. Segundo passo Avaliação 1. Durante todo o processo de construção do conhecimento, observe se os alunos estão desenvolvendo a compreensão a respeito dos temas coesão e coerência textuais. Utilize os textos por eles produzidos para avaliar a aprendizagem desse conteúdo e a habilidade de organização textual. 2. Não se esqueça de perguntar aos alunos o que aprenderam a respeito dos temas estudados e peça que façam sugestões sobre as atividades propostas. É fundamental que os alunos reflitam sobre a sua aprendizagem, pois assim eles conseguirão perceber as habilidades desenvolvidas e as possíveis dúvidas que surgiram durante o processo.

172 172 AULA 4 Primeiro passo 1. Professor, para despertar o interesse e motivar os alunos, comece a aula comentando sobre a importância do texto bem escrito, que necessita, para isso, ter coesão e coerência. Apresente aos alunos dois exemplos. EXEMPLO 1 Joana criticou o partido. O Palmeiras venceu o jogo. Catarina foi ao cinema. O garoto usa boné. Fomos ao supermercado, por isso o carro não funcionou. Ele brigou com os amigos, logo o jantar esfriou. EXEMPLO 2 Protesto em Fortaleza chega ao hotel da seleção brasileira Após quase três horas de caminhada pelas ruas de Fortaleza, num protesto contra os gastos públicos na realização da das Confederações e da Copa do _ de 2014, os manifestantes chegaram na noite desta segunda-feira ao Hotel Marina Park, onde a _ brasileira está concentrada para o de quarta, contra o México. A manifestação transcorre sem violência e sem confrontos com a polícia. A manifestação pacífica, com centenas de participantes, que comandam palavras de ordem contra a Fifa e a realização da do _ no Brasil. Texto disponível em: Acesso em: 17 jun O primeiro apresenta apenas um conjunto de frases soltas e o segundo, do qual algumas palavras foram retiradas, apresenta coerência e coesão, caso o leitor consiga inferi as palavras que faltam. 3. A atividade intenciona mostrar que um amontoado de frases, sem coesão e sem coerência, não tem sentido, enquanto que o texto bem escrito, ainda que tenha palavras subtraídas, poderá ser compreendido, pois é possível inferir as palavras que faltam pelo contexto, caso o leitor tenha conhecimentos prévios. 4. Incentive os alunos a descobrir as palavras faltosas do texto 2. Trabalhe a inferência para descobrirem as palavras que faltam. (Copa / Mundo / seleção / jogo / Copa / Mundo) EXEMPLO 3 1. Leia o trecho abaixo e, depois, numere a segunda coluna de acordo com a primeira, para encontrar o que cada palavra sublinhada está substituindo. Mãe, hoje, depois da aula, vou à casa da Helena pegar meu casaco, porque ela me disse que eu o esqueci lá depois da festa. 1. ela ( ) casa da Helena

173 o ( ) Helena 3. lá ( ) casaco AULA 5 Primeiro passo 1. Professor, inicie a aula, retomando alguns pontos importantes sobre a coesão. 2. Relembre com os alunos os mecanismos linguísticos que estabelecem a coesão textual. Para tanto, reflita sobre o texto: Em seguida, destaque coletivamente, no texto acima, os elementos coesivos e discuta com os alunos a função desses elementos coesivos, conforme sugestão das caixas de texto. Professor, apresentamos abaixo toda uma discussão sobre os mecanismos de coesão que poderá servir de suporte para o seu trabalho com os seus alunos. OS MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL O texto não é simplesmente um conjunto de palavras; pois se o fosse, bastaria agrupá-las de

174 174 qualquer forma e teríamos um: "O ontem lanche menino comeu" Veja que, neste caso, não há um texto, há somente um grupo de palavras dispostas em uma ordem qualquer. Mesmo que colocássemos estas palavras em uma ordem gramatical correta: sujeito-verbo- complemento, precisaríamos ainda organizar o nível semântico do texto, deixandoo inteligível. "O lanche comeu o menino ontem" O nível sintático está perfeito: sujeito = o lanche verbo = comeu complementos = o menino ontem Mas o nível semântico apresenta problemas, pois não é possível que o lanche coma o menino, pelo menos neste contexto. Caso a frase estivesse empregada num sentido figurado e em outro contexto, isto seria possível. Pedrinho saiu da lanchonete todo lambuzado de maionese, mostarda e catchup, o lanche era enorme, parecia que "o lanche tinha comido o menino". A coesão e a coerência garantem ao texto uma unidade de significados encadeados. A coesão é essencial para evitar a repetição de termos: Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Os termômetros clínicos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria. Para evitar este inconveniente, podemos utilizar sinônimos ou outras palavras que substituam, sem fugir aos significados dos termos anteriores. a) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Os mesmos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria. b) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Esses instrumentos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria. Um texto com coesão é aquele que apresenta conexão entre suas ideias. Para que essa ligação seja estabelecida de forma clara, podemos utilizar diversas ferramentas. Há, na língua, muitos recursos que garantem o mecanismo de coesão. São eles: *Os pronomes, advérbios e os artigos são os elementos de coesão que proporcionam a unidade do texto. Ex: "O Presidente foi a Portugal em visita. Em Portugal o presidente recebeu várias homenagens." Esse texto repetitivo torna-se desagradável e sem coesão. Observe a atuação do advérbio e do pronome no processo de e elaboração do texto. "O Presidente foi a Portugal. Lá, ele foi homenageado." Veja que o texto ganhou agilidade e estilo. Os termos Lá e ele referem-se a Portugal e

175 175 Presidente, foram usados a fim de tornar o texto coeso. O trabalho que eu fiz mereceu destaque. (pronome relativo, retomando o termo trabalho e ligando as orações) Tenho dois objetivos: o primeiro é passar no vestibular; o segundo, arrumar um bom emprego. (numerais que substituem os respectivos objetivos ). Moramos no Brasil. Aqui, as leis não são respeitadas como deveriam. (advérbio retomando o substantivo próprio Brasil ). Leia com os seus alunos a tirinha a seguir: Vejam que os pronomes ISSO e ISTO funcionam como elementos coesivos, uma vez que conectam informações presentes na tira. Percebam que tais termos aparecem em situações diversas de fala e têm propósitos diferentes. DICA DE REDAÇÃO! Saibam utilizar corretamente os pronomes demonstrativos na redação: Lembrem-se: ISSO, ESSA, ESSE (e suas combinações) retomam, fazem

176 176 referência a algo dentro do texto já mencionado anteriormente. Vejam: I) A violência cresce a cada dia no Brasil. Esse problema deve ser combatido por meio de medidas mais eficazes. Notem que na frase, a referência foi feita anteriormente, portanto o pronome esse possui função de retomada. Observem: ISTO, ESTA, ESTE (e demais combinações)anunciam o que ainda virá no texto. Vejam:II)No Brasil, o problema é este: a violência. Já nessa frase, o referente violência está localizado posteriormente, logo o pronome este desempenha função de anunciação. 1. A Coesão também pode ser feita r referindo-se a um elemento fora do texto: Exemplo: A gente era pequena naquele tempo. E aquele era um tempo em que ainda se apregoava nas ruas. Não em todas as ruas, mas naquela onde vivíamos. Naquela rua, que tinha por nome a data de um santo, o tempo passava mais lentamente do que no resto da cidade de Porto Alegre. (Trecho inicial de uma crônica, postada no site por Letícia Wierzchowski) Notem que as expressões em destaque se referem a informações externas ao texto. 2. Ainda sobre a Coesão fazendo referência a algo dentro do texto, utilizando outros elementos linguísticos: I- Coesão por retomada: Não consegui passar o recado para seu pai, pois, quando eu voltei, ele já havia ido embora. II- Coesão por anunciação: Lá estava ela, ali parada, minha amiga! POR ELIPSE: Quando se omite um termo a fim de evitar sua repetição. "O Presidente foi a Portugal. Lá, foi homenageado." Veja que neste caso omitiu-se a palavra Presidente, pois é subentendida no contexto. LEXICAL: Quando são usadas palavras ou expressões sinônimas de algum termo subsequente: "O Presidente foi a Portugal. Na Terra de Camões foi homenageado por intelectuais e escritores." Veja que Portugal foi substituída por Terra de Camões para evitar repetição e dar um efeito mais significativo ao texto, pois há uma ligação semântica entre Terra de Camões e intelectuais e escritores. "O presidente viajou para Portugal nesta semana e o ministro dos Esportes o fez também." A expressão o fez também retoma a sentença viajou para Portugal. POR OPOSIÇÃO: Empregam-se alguns termos com valor de oposição (mas, contudo, todavia, porém, entretanto, contudo) para tornar o texto compreensível. "Estávamos todos aqui no momento do crime, porém não vimos o assassino. POR CONCESSÃO OU CONTRADIÇÃO: Referem-se a um fato que, embora contrário ao fato mencionado na oração principal, permite que este ocorra. São eles: embora, ainda que, se bem que, apesar de, conquanto, mesmo que. "Embora estivéssemos aqui no

177 177 momento do crime, não vimos o assassino." POR CAUSA: São eles: porque, pois, como, já que, visto que, uma vez que. "Estávamos todos aqui no momento do crime e não vimos o assassino uma vez que nossa visão fora encoberta por uma névoa muito forte." POR CONDIÇÃO (hípótese): São eles: caso, se, a menos que, contanto que. "Caso estivéssemos aqui no momento do crime, provavelmente teríamos visto o assassino." POR FINALIDADE (objetivo): São eles: para que, para, a fim de, com o objetivo de, com a finalidade de, com intenção de. "Estamos aqui a fim de assistir ao concerto da orquestra municipal." ELEMENTOS QUE ESTABELECEM A COESÃO Pronomes relativos - que, quem, o(s), a(s), qual(is), cujo(s), onde, como e quanto Pronomes possessivos meu, minha, seu, nosso etc. Pronomes pessoais ele(s), ela(s), lhe etc. Pronomes demonstrativos esse(a), este(s), isso, aquilo, aqueles Artigos definidos e indefinidos o(s), a(s), um, uns, umas Conjunções se, mas, e, ou, porque, embora, logo, pois, portanto, quando, etc. Preposições a, até, de, em, para, etc. Advérbios ontem, amanhã, aqui, lá, tarde, etc. Segundo passo Professor, esses conhecimentos apresentados a você, devem se transformar em conhecimentos para os alunos através de estudo nos textos. Portanto sugerimos que trabalhe com os seus alunos o texto: Um moleque enlouquece meio planeta. ( Superinteressante)

178 178 Retirado do livro didático: Oficina de Textos Leitura e Redação/Rosa Cuba Riche e Denise M. Souza. Editora Saraiva. 1. Siga todos os passos com que já trabalhamos para os momentos da leitura Antes, Durante e Depois da leitura, isto é, trabalhe a leitura com compreensão. 2. Após esse trabalho de leitura e de discussão do texto e das ideias que ele traz, mostrando aos alunos como estão dispostas para que o texto cumpra a sua função, realize as seguintes atividades: A)Professor, após ler o período que foi retirado do texto Um moleque enlouquece meio planeta

179 179 ( revista Superinteressante Especial: catástrofes da natureza. fev p.58.) discuta com seus alunos as seguintes questões: 1. De que fala esse trecho? 2. As palavras que traduzem o que está acontecendo no mundo estão relacionadas entre si? Como? 3. Qual é a palavra que retoma todas as demais, resumindo-as? 4. A palavra essas se refere a que no texto? Professor, nesse trecho, peça aos alunos para colorir a palavra calamidades. Para que os alunos percebam que ela é a palavra central do parágrafo e que retoma as ideias já expressas na primeira frase, peça-lhes que liguem com setas todas as palavras que indicam calamidades: trombas d água, queimadas, enchentes e secas. B) Converse com os seus alunos, dizendo que existem recursos, na língua, de retomada, de anunciação para o que há de vir no texto, de substituição, de explicação, dentre outros recursos de coesão, tornando o texto mais agradável de se ler, sem repetições, com continuidade, sem perder o fio condutor do assunto. Para isso, leia com os seus alunos o seguinte trecho e proponha que sobre ele façam a atividade de numerar a segunda coluna conforme a primeira, relacionando os termos à sua função: Qualquer lugar está sujeito acalamidades comoessas. Mas,quando elas acontecem, todas ao mesmo tempo, o culpado ésempreo mesmo : El Niño, o pandemônio climático causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. PRIMEIRA COLUNASEGUNDA COLUNA 1-calamidades ( ) o nome do culpado pelas calamidades 2-essas ( ) El Niño 3-elas ( ) calamidades 4-todas ( ) resume as calamidades 5-o culpado é sempre o mesmo ( ) trombas d água, queimadas, enchentes, 6-o mesmo secas 7-El Niño ( ) anuncia um elemento novo: El Niño ( ) significa desastres ambientais Resposta: Proponha a pergunta aos seus alunos: É preciso repetir palavras e expressões dentro de um texto?

180 180 Justifique a sua resposta. C)Releia com os seus alunos o trecho a seguir: Durante o período de efeito do El Niño, tudo pode ser previsível. Por isso ocorrem trombas d água no Chile, queimadas na Austrália, enchentes no Peru e seca no Nordeste brasileiro. Proponha aos alunos que identifiquem, por meio de setas, todos os elementos do texto que estão sendo anunciados pelo pronome tudo. D)Retome com seus alunos o texto O moleque que endoideceu o mundo (Revista Superinteressante). Proponha que, em grupos de 3 alunos, retirem dele todos os períodos compostos, circulando os conectivos e dizendo que ideia cada um desses elementos de ligação estabelecem entre as orações. E)o poema abaixo, de Charles Chaplin, sublinhe todas as palavras que substituem a palavra "pessoas": Durante a nossa vida: Conhecemos pessoas que vêm e que ficam, Outras que, vêm e passam. Existem aquelas que, Vêm, ficam e depois de algum tempo se vão. Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar... Charles Chaplin Convide os alunos a reler o último verso e a refletir sobre qual o sentido que a palavra mas acrescentou ao texto. F)Leia o trecho do poema Tabacaria, de Fernando Pessoa e responda às questões propostas: TABACARIA Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. a) Qual é a expressão que estabelece uma relação entre os três primeiros versos? Que recurso o poeta usou para estabelecer essa relação? b) Existe uma ideia de oposição entre os três primeiros versos e o último. Quais são as duas palavras que representam essa ideia? A. Complete o texto abaixo. Para isso, utilize os elementos coesivos que estão destacados no quadro, logo abaixo do texto.

181 181 Muito suor, pouca descoberta O trabalho do arqueólogo tem emoções, sim. não pense em Indiana Jones, bandidos e tesouros. É verdade os arqueólogos passam um bom tempo em lugares excitantes, como pirâmides e ruínas. as emoções acontecem mesmo é nos laboratórios, identificam a importância das coisas que acharam nos sítios arqueológicos., é preciso persistência para encarar a profissão, os resultados demoram, e muita gente passa a vida estudando sem fazer grandes descobertas. No Brasil, é necessário fazer pósgraduação, não há faculdade de Arqueologia., é preciso gostar de viver sem rotina, o arqueólogo passa meses no laboratório e outros em campo. O prêmio é fazer descobertas que mudam a história. Porque mas eles pois portanto mas além disso que - porque B. Para finalizar essa aula, prepare uma folha com um exercício no formato de palavras cruzadas para reforçar o aprendizado dos elementos coesivos textuais. Os alunos poderão trabalhar em duplas. Palavra cruzada

182 182 HORIZONTAIS 1. Pronome demonstrativo ( naquele- naquela- nisso- naqueles- naquelas) 2. Pronome demonstrativo plural ( aqueles- aquelas- aquilo- essas- isso- naquele- naquela) 3. Expressão usada para indicar continuação, adição de ideias. ( também- além disso- nem- e) 4. Pronome pessoal feminino da 3ª pessoa do plural usado para substituir substantivos femininos no plural. 5. Advérbio usado para indicar tempo.( amanhã- ontem- hoje- agora- depois) 6. Conjunção que expressa conclusão. ( logo- portanto- por isso- assim) 7. Um recurso que usamos para dar coesão ao texto, evitando a repetição de termos anteriores. 8. Conjunção usada para dar explicação.( que- porque- pois ) 9. Conjunção que inicia uma oração que indica uma condição ou hipótese. (caso- se- desde que) 10. Pronome relativo que indica o lugar em que, no qual. 11. Artigo indefinido masculino singular. ( uns- um- uma- umas)o dia que precede o de hoje. 12. Preposição usada para ligar duas palavras. (com- sem- para- de- em- entre) 13. Conjunção adversativa usada para indicar oposição de ideias. (mas, porém, contudo, todavia) 14. Pronome possessivo feminino singular da 1ª pessoa do singular. 15. Pronome possessivo feminino plural da 3ª pessoa referente a ele, a ela, a eles, a elas. VERTICAIS

183 Pronome pessoal da 1ª pessoa do singular, usado para substituir um substantivo feminino ou o pronome ela. 2. Pronome pessoal, usado para substituir a expressão a ela, a ele, por exemplo. 3. Pronome demonstrativo. (aquele- aquela- aqueles- aquelas- aquilo- essas- isso- naquela) 4. Advérbio que indica tempo. ( agora- já- após- depois- durante) 5. Conjunção que indica por finalidade. ( para que- a fim de que) 6. Pronome relativo que se refere a um termo que vem depois dele. ( cujo- cuja- cujos- cujas) 7. Advérbio que expressa modo. ( bem- mal- devagar- assim- depressa) 8. Conjunção usada para dar uma explicação. 9. Pronome indefinido, ( algum- alguma- todos- tudo) 10. Pronome demonstrativo. ( esse- esses- essa- essas- isso- isto) 11. Advérbio que indica naquele lugar. 12. Pronome pessoal plural que substitui um substantivo plural ou o pronome eles. 13. Pronome demonstrativo. ( esse- esses- essa- essas- isso- isto) 14. Artigo indefinido (um- uma uns umas) 15. Pronome pessoal plural que substitui um substantivo feminino plural ou o pronome elas. Terceiro passo Avaliação 1. A avaliação será feita por meio da observação da participação efetiva dos alunos durante as atividades propostas. 2. O professor poderá também propor uma atividade de avaliação quantitativa: pedir aos alunos que escrevam um pequeno parágrafo sobre um tema de sua escolha, utilizando os recursos coesivos aprendidos durante as aulas. Primeiro Passo AULA 6 Professor, a escolha dos elementos adequados para conectar as partes de um todo e orientar o desenvolvimento do tema de um texto é aspecto fundamental para a boa formação de um texto porque são eles que conferem unidade às ideias que constroem o mundo textual. A interpretação da ordem das instruções é relevante para o preparo de uma receita culinária. Dos passos para o preparo da seguinte receita foram retirados os elementos coesivos. Texto Injuntivo/Prescritivo - Receita Poética BOLO DA FELICIDADE Ingredientes: 1 xícara de amizade 2 colheres de sopa de compreensão 1 pitada de paciência 1 copo de humildade 1 xícara de café de alegria 1 colher de café de bom humor 1 colher de fermento de solidariedade

184 184 Modo de preparar Junte as palavras cuidadosamente. Junte a compreensão, a humildade e a paciência, Mistura tudo com muita calma. Use o fogo brando, nunca esquente ou ferva! Tempere com alegria, bom humor e a solidariedade e sirva porções generosas sempre com muito amor. Não deixe esfriar: a temperatura ideal é a do coração. A receita nunca falha. 1-Reescreva o preparo da receita, utilizando elementos de coesão sequencial, de modo coerente. Você pode utilizar qualquer forma de marcar esta sequenciação (ex.: Junte as palavras cuidadosamente e coloque a compreensão, a humildade e também a paciência, depois misture tudo com muita calma. Em seguida, use o fogo brando, nunca esquente ou ferva! Tempere com alegria, bom humor e a solidariedade e sirva porções generosas sempre com muito amor. Não deixe esfriar: a temperatura ideal é a do coração). 2- Releia seu texto e justifique a razão dos recursos coesivos, e a ordenação que você usou. Professor como é facilmente observável, pode haver uma certa flexibilidade na ordenação das orações, desde que seja possível, a partir dos elementos de coesão e do conhecimento de mundo, (re)construir um mundo textual coerente. O vocabulário ligado a um certo tema também contribui para a clareza das instruções de interpretação. A escolha do vocabulário pode, assim, ser mais um dos ingredientes da coesão textual. 3 - Destaque do texto (receita Bolo da Felicidade) as palavras que indicam ações, no modo de fazer: Professor esclareça para o seu aluno a mudança de sentido ao utilizar diferentes tempos verbais na construção do texto: juntei as palavras cuidadosamente as palavras juntarei... juntei... juntaram... Você poderá também, dividir a turma em grupos e pedir que elaborem a receita em tempos verbais diferentes e apresentem para a turma. 4- Agora, complete as frases com os verbos correspondentes(presente):

185 185 a) Eu os ingredientes no liquidificador. (colocar) b) Ela os ingredientes para fazer a torta. (misturar) c) Ana e Laura os legumes para adicionar na torta.(picar) d) Nós os ovos um a um e no liquidificador. (quebrar/adicionar) e) Eu o queijo ralado por cima da torta e ao forno. (polvilhar/levar) Professor, tanto o fenômeno da coesão como o da coerência ocorrem em todos os textos que produzimos, sejam orais ou escritos. Por isso, é interessante atrair a atenção dos alunos para alguma ocorrência desses mecanismos em textos produzidos diariamente. 5 - Amplie as frases com coerência e coesão: 1. Consegue-se êxito na vida Faz algum tempo que As amizades que mais nos ajudam Sabe-se enfrentar os desafios da vida, quando Começamos a ser adultos quando Nada me frustra tanto As melhores férias O momento mais inesquecível da minha vida foi Eu queria ser Quando tenho um problema difícil Coisas que me comovem Uma lembrança que guardo com saudades Amar, pra mim, significa Quando as pessoas me encontram pela primeira vez Fico muito feliz quando O mais importante, na amizade, é O que mais me aborrece na vida é é uma pessoa que admiro porque Aprendi muito com o sofrimento quando O que não gosto em mim mesmo é Se eu não fosse eu mesmo, gostaria de ser Senti-me útil quando A minha infância foi Um desafio que venci foi Resumindo, minha vida é... Professor procure explorar com os alunos a coesão e a coerência em outros textos injuntivos, como: questões de prova, receitas culinárias, manuais de instrução, algumas propagandas, instruções de jogos de tabuleiro, alguns textos de engajamento político ou religioso etc. Segundo passo

186 Depois de ter realizado essa introdução, o professor deve apresentar aos alunos o texto publicitário a seguir. Transcrição dos dizeres em branco sobre o fundo azul: No mês dos namorados, ligue 14. Fale até 1 hora e pague apenas 14 minutos no fim de semana. Transcrição dos dizeres em branco dentro do coração: Toda história de amor começa com um número de telefone. 2. Solicitar que eles respondam as questões de "a" a "f". Posteriormente, o professor deve corrigir oralmente o exercício com os alunos, observando a relação de sentido estabelecido pelos elementos coesivos e a coerência da imagem com o texto. a) Quem é o emissor e qual é o objetivo desta propaganda? b) Identifique o trecho em que se usa períodos apelativos. Como você pôde identificá-lo? c) Qual é o efeito que se produz utilizando o verbo ligar duas vezes seguidas? d) Explique os usos do substantivo "pulso". Qual é a relação entre eles? e) Explique o sentido da frase "Toda história de amor começa com um número de telefone"? f) Qual é a relação entre o trecho apelativo, a imagem e as outras frases da propaganda? Observação: O professor deve levar os alunos a perceber que o trecho apelativo é sustentado pelas demais frases e pela imagem, como se as demais frases fossem argumentos para o que se pede no trecho apelativo. Fonte: acessado em 08 de abril de 2010.

187 187 AULA 7 Primeiro passo 1. Sugerimos que o professor apresente aos alunos a receita a seguir e solicite que façam o que pedem as questões. PÃO DE QUEIJO MINEIRO Ingredientes 4 copos (americanos) de polvilho doce (500g) 1 colher de (sopa) fondormaggi ou sal a gosto 2 copos de (americano)de leite (300ml) 1 copo (americano) de óleo (150 ml) 2 ovos grandes ou 3 pequenos 4 copos (americano) de queijo minas meia cura ralado óleo para untar Modo de preparo Colocar o polvilho em uma tigela grande. À parte, aquecer o fondor, o leite e o óleo. Quando ferver, escaldar o polvilho com essa mistura, mexer muito bem para desfazer pelotinhas. Deixar esfriar. Acrescentar os ovos, um a um, alternando com o queijo e sovando bem após cada adição. Untar as mãos com óleo, se necessário. Enrolar bolinhos de 2 (cm) de diâmetro e colocá-los em uma assadeira untada. Levar ao forno médio (180º), pré-aquecido e assar até ficarem douradinhos. Fonte: acessado em 07 de abril de Sugestões de Questões: a) Assim como a maioria das receitas, esta que temos em mãos está dividida em duas partes. Quais são elas? Qual é a função de cada uma delas? b) Reconheça, nesta receita, o trecho que a caracteriza como um texto injuntivo. Justifique. c) Modifique os verbos de maneira que continuem a transmitir o sentido de ordenação, de direcionamento. Qual é o modo verbal que você utilizou? d) Modifique ainda uma vez os verbos de maneira que, desta vez, tenha um sentido de ordenação, de direcionamento, mas seja necessário interpelar o interlocutor com o pronome "você". Qual é modo verbal que você utilizou? e) Qual é o modo verbal que expressa mais nitidamente o sentido de ordenação, de direcionamento? Cite outras situações em que você faz uso deste modo verbal. 2. Finalmente, o professor deve corrigir as questões sanando as dúvidas que porventura os alunos tenham.

188 188 Terceiro passo 1. No terceiro momento da aula, o professor deve solicitar que os alunos levem para a sala de aula jogo de tabuleiro. 2. Os alunos devem se reunir em grupos ou em duplas e jogar uma partida. 3. Eles devem consultar o manual de instruções, reconhecer os trechos em que o texto seja injuntivo, ao final da aula, apresentar as regras aos seus colegas. 4. Caso os alunos não tenham jogos de tabuleiro, recomendamos que o professor peça que eles pesquisem sobre algum jogo de simples confecção, como "Dama" ou "Gamão", cujas regras podem ser facilmente encontradas na internet ou na casa de um amigo. 5. Se o professor julgar viável, sugerimos ainda que seja proposto um desafio, como aprender a jogar um jogo com maior nível de dificuldade, por exemplo, "xadrez", ou algum jogo que eles ainda não conheçam. Dessa forma, os alunos estariam fazendo uso efetivo de textos injuntivos. Recursos Complementares: Sobre o Xadrez: - ou - Sobre o Gamão: - ou - Sobre a Dama: - ou - Terceiro passo Avaliação 1. A compreensão das propostas pelos alunos será avaliada a partir do esclarecimento (correção) em sala de aula de cada uma das atividades. 2. Sugerimos que o professor proponha como trabalho avaliativo, ao final desta aula, que os alunos, reunidos em grupos de 3, produzam uma propaganda de um produto ou de um serviço a ser exposta no mural da escola. Eles devem utilizar pelo menos um trecho injuntivo. 3. O professor deve observar a relação entre o trecho injuntivo e os demais elementos da propaganda, avaliando se há coerência, isto é, se há funcionalidade na articulação entre texto injuntivo e demais elementos da propaganda.

189 189 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 12Estabelecer a relação causa/consequência entre partes e elementos do texto COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico- discursivas HABILIDADE Estabelecer a relação causa/consequência entre partes e elementos do texto Detalhamento da habilidade - CBC 2.4. Reconhecer e usar marcas linguísticas e gráficas de conexão textual em um texto ou sequência argumentativa Reconhecer relações de causa, consequência, concessão, condição, finalidade, tempo, comparação, proporção, conformidade, modo e lugar entre orações subordinadas e principais de um período composto. Em que consiste essa habilidade? Em geral, os fatos se sucedem numa ordem de causa e consequência, ou de motivação e efeito. Estabelecer esse nexo constitui um recurso significativo para a apreensão dos sentidos do texto, sobretudo quando estão em jogo relações lógicas ou argumentativas. É importante apresentar textos que permitam ao aluno identificar os elementos que, no texto, estão na interdependência de causa e consequência. É preciso possibilitar ao aluno, durante e após a leitura, identificar o motivo pelo qual os fatos são apresentados no texto, ou seja, o reconhecimento de como as relações entre os elementos organizam-se de forma que um torna-se o resultado do outro. Entende-se como causa/consequência todas as relações entre os elementos que se organizam de tal forma que um é resultado do outro. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? Para desenvolver essa habilidade, o professor pode se valer de textos de gêneros variados, a fim de trabalhar as relações lógico-discursivas, mostrando aos alunos a importância de reconhecer que todo texto se constrói a partir de múltiplas relações de sentido que se estabelecem entre os enunciados que compõem o texto. As notícias de jornais, por exemplo, os textos argumentativos, os textos informativos são excelentes para trabalhar essa habilidade. Para trabalhar as relações de causa e consequência, o professor pode se valer de textos verbais de gêneros variados, em que os alunos possam reconhecer as múltiplas relações que contribuem para dar ao texto coerência e coesão. As notícias de jornais, por exemplo, são excelentes para trabalhar essa habilidade, tendo em vista que, nesse tipo de gênero textual, há sempre a explicitação de um fato, das consequências que provoca e das causas que fizeram com que o fato se desse. Primeiro passo SUGESTÕESDE AULAS PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 1. Professor, é necessário saber quais conhecimentos prévios o aluno tem para esta aula.

190 190 Destacamos então, conceitos de sintaxe, como: frase, oração, período. O aluno também precisa saber reconhecer, basicamente, os articuladores textuais (conjunções, conectivos). 2. Antes de dar início à aula, para ainda no momento de preparar sua aula, apresentamos, como sugestão para sua reflexão,o trecho de um artigo científico que trata das relações de causalidade em textos diversos. Ele faz parte do livro Estudos da Língua em Uso, de autoria de Fonseca e Saraiva, publicado pela UFMG, em 2005: Dentro do universo das relações semântico-discursivas que podem manifestar-se quando se combinam cláusulas no texto, faz-se a opção de investigar um conjunto de relações que constituem instâncias do esquema geral de causalidade (Se P então Q). O objeto de análise é constituído, precisamente, por aquelas relações que envolvem a noção de causa entendida como condição suficiente para (i) explicar um estado-de-coisas que expressa fatos concebidos como reais ou (ii) para justificar um estado-de-coisas entendido como formulações de juízos ou (iii) para justificar o propósito ilocucionário de atos de fala. São exemplos dessas relações, respectivamente, os enunciados seguintes (constantes do corpus da pesquisa): (1) Eles [um grupo musical] foram definhando. Parece que não levaram pra frente justamente porque eles não pegaram o apoio a nível nacional, como foi o caso do grupo dos baianos (gênero conversação) (2) Pura e simplesmente, em nosso país, não pode haver pena capital. E isto porque é a Lei Maior, a Constituição do Brasil, que, no artigo 5º, inciso XLVII, alínea a, dispõe que não haverá pena de morte. (gênero artigo de opinião) (3) É bom que não nos enganemos, achando que o analfabetismo afeta tão-somente os excluídos. Digo isso porque todos somos tendentes a achar que o problema dos outros não tem nada a ver conosco. As relações causais, como todas as outras codificadas pela língua, derivam de um domínio mais concreto da experiência humana, no qual o ser humano aprende a reconhecer que todo fenômeno tem uma causa. De fato, o princípio da causalidade regula o comportamento humano, orientando não somente as ações individuais, mas também as ações sociais. A autora inclui uma nota dizendo que na descrição gramatical tradicional, essas relações [de causalidade] são identificadas como causais (no âmbito das construções subordinadas adverbais) e explicativas (no âmbito das construções ditas coordenadas). Fonte: SARAIVA, M. E. F. & MARINHO, J. H. C. (Orgs.). Instanciação e interpretação das relações causais em função do gênero de texto. In: Estudos da língua em uso: relações inter e intra-sentenciais. Belo Horizonte: NELU/GREF, FALE/UFMG, Seguindo a autora, avaliamos como dispensável essa distinção entre orações subordinadas causais e coordenadas explicativas, ao menos para o momento, e julgamos desnecessário apresentar essa nomenclatura ao aluno. Segundo passo 1. Professor, inicialmente apresentamos um texto e algumas questões de interpretação sobre ele. Após cada questão, fornecemos uma chave de resposta como parâmetro para que você possa discutir com os alunos. 2. Após essa atividade, há um quadro com os principais conectivos que expressam a relação

191 191 de causalidade entre orações. Sugerimos que você trabalhe esses conectivos com os alunos, em exercícios que tenham como foco a articulação no texto. Há uma segunda atividade, a partir do texto II, que fornecerá algumas diretrizes sobre o modo como idealizamos essa prática. TEXTO I Flores de casamento causam acidente aéreo na Itália Flores de casamento causam acidente aéreo na Itália. A tradição de jogar buquês de flores durante casamentos causou a queda de um avião na Itália, segundo o jornal "CorrieredellaSera". O acidente aconteceu no parque Montioni, na cidade de Suvereto, na Toscana. De acordo com a publicação, o casal de noivos contratou um pequeno avião para jogar o ramalhete de flores para as mulheres convidadas. As flores, no entanto, teriam sido sugadas pelo motor do avião no momento em que foram jogadas, causando um incêndio e uma explosão na aeronave. O avião acabou caindo nas proximidades do lugar. O piloto, Luciano Nannelli, 61, escapou sem ferimentos. No entanto, o passageiro Isidoro Pensieri, 44, que era o responsável por jogar o buquê para os convidados, sofreu traumatismos no crânio e na face e fraturas em ambas as pernas. (Folha Online 14/07/2009 Sugestões de questões Questão 01. Segundo a notícia, qual foi a verdadeira causa do acidente aéreo? Chave de resposta: A verdadeira causa do acidente (incêndio) foi o fato de as flores terem sido sugadas pelo motor do avião. Questão 02. O que explica o fato de as flores terem sido sugadas pelo motor do avião? Chave de resposta: O que explica foi o fato de elas terem sido jogadas durante o voo. Questão 03. O título da notícia procura sintetizar o fato ocorrido, chamando a atenção do leitor. Esse fato, na verdade, apresenta uma complexidade maior. Baseando-se nas respostas dadas às questões anteriores e nas demais informações presentes no texto, explicite as principais relações de causa e de consequência do acontecimento como um todo. Chave de resposta: O ato de jogar as flores trouxe como consequência o fato de elas terem sido sugadas pelo motor do avião. O fato de as flores terem sido sugadas pelo motor do avião trouxe como consequência um incêndio. O incêndio trouxe como consequência a queda do avião. E a queda do avião, por sua vez, ocasionou ferimentos em um dos passageiros. 3. Observe, agora, a lista a seguir. Ela contém algumas das estratégias que a língua portuguesa possui para expressar as relações lógicas de causalidade a partir de conectivos. Apresentamos um período, como exemplo, e várias possibilidades de articulação dele, conforme mostra o quadro. O motor do avião sugou as flores jogadas. (CAUSA) Houve um incêndio. (CONSEQUÊNCIA)

192 192 Possiblidades de articulação dos enunciados: UMA VEZ QUE VISTO QUE DADO QUE TENDO EM VISTA JÁ QUE HAJA VISTA PORQUE POIS PORQUANTO EM RAZÃO DE PELO FATO DE POR CAUSA DE EM VIRTUDE DE POIS QUE COMO (INÍCIO DE FRASE) NA MEDIDA EM QUE Houve um acidente uma vez que o motor do avião sugou as floresjogadas. Houve um acidente visto que o motor do avião sugou as flores jogadas. Houve um acidente dado que o motor do avião sugou as flores jogadas. Tendo em vista que o motor do avião sugou as flores jogadas, houve um acidente. Tendo em vista o fato de o motor do avião ter sugado asflores jogadas, houve um acidente. Já que o motor do avião sugou as flores jogadas, houve um acidente. Haja vista que o motor do avião sugou as flores jogadas, houve um acidente. Haja vista o fato de o motor do avião ter sugado as flores jogadas, houve um acidente. Houve um acidente porque o motor do avião sugou as flores jogadas. Houve um acidente, pois o motor do avião sugou as flores jogadas. Porquanto o motor do avião sugou as flores jogadas, houve um acidente. Em razão de o motor do avião ter sugado as flores jogadas, houve um acidente. Pelo fato de o motor do avião ter sugado as flores jogadas, houve um acidente. Houve um acidente por causa de o motor do avião ter sugado as flores. Em virtude de o motor do avião ter sugado as flores jogadas, houve um acidente. Pois que o motor do avião sugou as flores jogadas, houve um acidente. Como o motor do avião sugou as flores jogadas, houve um acidente. Na medida em que o motor do avião sugou as flores jogadas, houve um acidente. AULA 2 Primeiro passo 1. Faça uma leitura compartilhada com os alunos do texto Beleza não põe mesa TEXTO II - Beleza não põe mesa Ferreira Gullar (...) Passada a justa euforia que nos tomou ao ser anunciada a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016, é justo tentar entender o que realmente aconteceu. Se isso servirá para alguma coisa, não sei, mas sei que ver claro os fatos não faz mal a ninguém, a não ser aos que

193 193 se beneficiam do engano. A pergunta que me faço é, e procuro responder, a seguinte: o que determinou a escolha do Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional, em vez de Chicago, Tóquio ou Madri? Há quem diga que foi o excelente trabalho de marketing feito pelo Comitê Olímpico Brasileiro, enquanto para outros o fato decisivo foi a presença em Copenhague do presidente Lula. Chegou-se mesmo a afirmar que Obama, derrotado por ele, teria voltado para casa de cabeça baixa. Para esses, a escolha do Rio veio confirmar, segundo as palavras de nosso presidente, que enfim o Brasil tem coragem de encarar de igual para igual as nações tidas como avançadas. Com esta vitória no Comitê Olímpico Internacional, chegamos enfim ao Primeiro Mundo! Confesso que tais afirmações me deixam constrangido, pois, na verdade, indicam que continuamos amargando o complexo de vira-latas, preocupados, a todo instante, em mostrar que não somos cachorros, não. E é claro que não o somos, mesmo sem Olimpíada. Não há nenhuma lógica em afirmar que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo. O México os sediou, em 1968, e nem por isso entrou para essa categoria. Tampouco a Grécia (três vezes) e a Coreia do Sul, em Na verdade, não vale a pena perder tempo com semelhante discussão. Destituído igualmente de propósito é dizer que a escolha do Rio pelo COI deveu-se a Lula que, pelo visto, faz chover quando quer. Basta lembrar que ele já era presidente quando o Rio foi descartado, em primeiro escrutínio, na disputa pela Olimpíada de É uma tolice superestimar a influência de chefes de Estado, tanto que Chicago, apoiado por Obama e Madri, pelo rei Juan Carlos da Espanha, perderam. Ganhou o Rio porque Lula é mais influente que os dois? Acho que nem ele, em sua inquestionável megalomania, acredita nisso. Os fatos indicam o contrário: se Obama e o rei Juan Carlos não conseguiram a escolha de Chicago e Madri, é que os fatores decisivos eram outros e não o maior ou menor prestígio de qualquer deles. O que decidiu, como está evidente, foram os interesses do próprio COI e de seus dirigentes. É, portanto, fora de propósito achar que o Comitê Olímpico Internacional iria pôr em risco o êxito dos Jogos e arrostar com as consequências disso, apenas para agradar a governantes, seja ele Obama, Lula ou o rei da Espanha. Numa decisão como essa, estão em jogo desde o relacionamento do COI com a opinião pública das diferentes nações e continentes até - e sobretudo - interesses econômicos, envolvendo o prestígio de grandes empresas patrocinadoras do certame. É, desse modo, mais fácil de entender a exclusão da cidade de Chicago, já que boa parte de sua população não a queria como sede e, por outro lado, o seu fuso horário que obrigaria os Jogos a serem vistos na Europa tarde da noite e pela madrugada a dentro. A questão do fuso também pesou, ainda que menos, na exclusão de Tóquio, somando-se ao fato de que já três Olimpíadas se realizaram na Ásia, a última delas em Pequim, recentemente. E Madri? Por que não Madri, que se apresentou com a infraestrutura pronta, enquanto o Rio estava longe disso? A exclusão de Madri teve duas razões: a Espanha já ter sediado a Olimpíada em Barcelona e, sobretudo, o interesse da França, Alemanha e Itália em sediá-la em A escolha da Espanha em 2016 tornaria essa pretensão inviável. Restava o Rio de Janeiro, que, não tendo o problema do fuso horário e, por essa razão, atende melhor ao interesse das grandes empresas, patrocinadoras dos Jogos. Não foi porque o Rio de Janeiro continua lindo e a economia estável. Isso conta, claro, mas não decide, como não decidiu nas duas vezes anteriores em que ele se candidatou e perdeu. E, aliás, tinha ainda contra si, o grave problema da segurança, que é grave, sem dúvida. O Rio foi escolhido porque, das 26 Olimpíadas realizadas, 15 foram na Europa, seis na América do Norte, três na Ásia, duas na Austrália e nenhuma na América do Sul. Por exclusão, vencemos. Importante agora é mostrar ao

194 194 mundo que podemos dar conta do recado. (Ilustrada, E10 Jornal Folha de S. Paulo, 25/10/2009) Segundo passo 1. Comente com os alunos sobre o gênero discursivo do texto apresentado, sobre o autor e o seu trabalho. Ferreira Gullar nasceu em São Luís, em 10 de setembro de 1930, com o nome de José Ribamar Ferreira. É um dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart. Sobre o pseudônimo, o poeta declarou o seguinte: "Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome". Segundo Mauricio Vaitsman, ao lado de Bandeira Tribuzi, Luci Teixeira, Lago Burnet, José Bento, José Sarney e outros escritores, fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores. Muitos o consideram o maior poeta vivo do Brasil e não seria exagero dizer que, durante suas seis décadas de produção artística, Ferreira Gullar passou por todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira e participou deles. Morando no Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta, sendo então um poeta extremamente inovador, escrevendo seus poemas, por exemplo, em placas de madeira, gravando-os. Em 1956 participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta, tendo se afastado desta em 1959, criando, junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valorizava a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo. Posteriormente, ainda no início dos anos de 1960, se afastara deste grupo também, por concluir que o movimento levaria ao abandono do vínculo entre a palavra e a poesia, passando a produzir uma poesia engajada e envolvendo-se com os Centros Populares de Cultura (CPCs). Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Ele comentou que bacharelou em subversão em Moscou durante o seu exílio, mas que atualmente devido a uma maior reflexão, experiência de vida, e de observar as coisas irem acontecendo se desiludiu do socialismo e que o socialismo não faz mais sentido pois fracassou. (...) toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável. Ferreira Gullar. 2. Em seguida peça que respondam as questões seguintes: Questão 01. O título do texto Beleza não põe mesa é um conhecido provérbio, que, dentre outras coisas, significa que beleza não é tudo na vida. Há um trecho do texto que explica o sentido desse título, no contexto dos jogos olímpicos. Assinale-o: a) Ganhou o Rio porque Lula é mais influente que os dois? Acho que nem ele, em sua inquestionável megalomania, acredita nisso. (6º parágrafo) b) Os fatos indicam o contrário: se Obama e o rei Juan Carlos não conseguiram a escolha de

195 195 Chicago e Madri, é que os fatores decisivos eram outros... (7º parágrafo) c) Não foi porque o Rio de Janeiro continua lindo e a economia estável. Isso conta, claro, mas não decide... (10º parágrafo) d) O Rio foi escolhido porque, das 26 olimpíadas realizadas, 15 foram na Europa, seis na América do Norte... (10º parágrafo) Questão 02. O que significa, no contexto, a expressão continuamos amargando o complexo de vira-latas? Chave de resposta: A expressão significa que continuamos a nos dar pouco valor, o que gera um complexo de individualidade na população brasileira. Questão Leia o seguinte trecho: "Confesso que tais afirmações me deixam constrangido, pois, na verdade, indicam que continuamos amargando o complexo de viralatas, preocupados, a todo instante, em mostrar que não somos cachorros, não. E é claro que não o somos, mesmo sem Olimpíada". Segundo esse trecho, é INCORRETO afirmar que: a) o constrangimento do autor tem como causa o que ele denomina complexo de vira-latas. b) o complexo de vira-latas refere-se a um típico comportamento que o autor descreve nesse trecho. c) o autor aponta algumas consequências negativas, para os brasileiros, advindas do complexo de vira-latas. d) As possíveis causas ou explicações para o complexo de vira-latas não são explicitadas Agora, pensando na relação de causalidade, escreva um período fazendo a relação entre a afirmação de que sediar os Jogos Olímpicos nos põe no Primeiro Mundo e o citado complexo de vira-latas. Chave de resposta: O complexo de vira-latas é uma das causas da afirmação, de alguns, de que sediar os Jogos Olímpicos nos põe no Primeiro Mundo. Questão 04. Cada um dos itens a seguir contém um trecho retirado do texto. Você deverá lê-los e proceder ao que se pede. a) O que determinou a escolha do Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional, em vez de Chicago, Tóquio ou Madri? (2º parágrafo) Ao longo do texto, Ferreira Gullar procura responder a essa pergunta. Identifique as explicações que ele fornece, implícitas ou explícitas, e, em seguida, reescreva-as, com suas palavras, empregando os conectivos causais apresentados na lista da seção anterior. Escreva um período para cada conectivo, a partir da seguinte construção: Rio de Janeiro foi a cidade escolhida... Algumas possibilidades de respostas: Rio de Janeiro foi a cidade escolhida em razão do fato de que, das 26 Olimpíadas realizadas, 15 foram da Europa, seis na América do Norte, três na Ásia, duas na Austrália e nenhuma na América do Sul. Rio de Janeiro foi a cidade escolhida uma vez que, das 26 Olimpíadas realizadas, 15 foram da Europa, seis na América do Norte, três na Ásia, duas na Austrália e nenhuma na América do Sul. Rio de Janeiro foi a cidade escolhida em virtude dos interesses das grandes empresas patrocinadoras dos jogos. Rio de Janeiro foi a cidade escolhida, haja vista não ter o problema de fuso horário que outros países têm. Tendo-se em vista o problema de fuso horário e também o interesse das grandes empresas

196 196 patrocinadoras dos jogos, Rio de Janeiro foi a cidade escolhida. Além disso, das 26 Olimpíadas realizadas, 15 foram da Europa, seis na América do Norte, três na Ásia, duas na Austrália e nenhuma na América do Sul. b) Não há nenhuma lógica em afirmar por que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo. (4º parágrafo) Ferreira Gullar também responde a essa indagação em seu texto. Identifique as explicações que ele fornece, implícitas ou explícitas, e, conforme o modelo do item anterior, escreva períodos explicativos, empregando todos os conectivos do quadro apresentado. Faça as alterações necessárias. Inicie seus períodos a partir do trecho dado anteriormente, completando-o:não há nenhuma lógica em afirmar que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo... Algumas possibilidades de respostas: Dado que o México sediou os Jogos Olímpicos, em 1968, e nem por isso entrou para a categoria dos países desenvolvidos, a exemplo também da Grécia e da Coreia do Sul, não há nenhuma lógica em afirmar que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo. Não há nenhuma lógica em afirmar que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo, tanto que o México os sediou, em 1968, e nem por isso entrou nessa categoria. Não há nenhuma lógica em afirmar que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo. Professor, sugerimos que você explore esse tipo de atividade com os alunos, instigando-os a empregar o maior número possível de conectivos, conforme o quadro que apresentamos, bem como modificando a ordem dos termos constituintes do período. Questão 05. Para finalizar este estudo, responda: as relações de causalidade aparecem sempre articuladas por meio de conectivos ou podem ser inferidas? Justifique sua resposta. Chave de resposta: As relações de causalidade nem sempre são articuladas por meio de conectivos, até porque, muitas vezes, um período que esteja no final do texto pode servir como causa-explicação de uma afirmação que se faz no primeiro parágrafo, por exemplo, como no texto de Gullar. Terceiro passo Avaliação 1. Para a avaliação, sugerimos que o professor repita as atividades que apresentamos na seção anterior, utilizando novos textos. Por estarmos tratando da aquisição de estruturas linguísticas que expressam relações de causalidade, é importante que os alunos façam constantes exercícios que exijam o reconhecimento dos conectivos trabalhados bem como o seu correto uso. 2. Para isso, o professor poderá selecionar um texto, como uma crônica, um artigo de opinião, uma notícia, ou outro texto qualquer, e elaborar, num primeiro momento, atividades que visem à identificação da relação de causalidade, implícita ou explícita, entre as partes do texto. Num segundo momento, o professor poderá pedir que os alunos sugiram novas formas de articulação entre essas partes, tendo em vista o emprego de conectivos. REFERÊNCIAS GUIMARÃES, Eduardo. Texto e Argumentação: um estudo de conjunções do português. Campinas, Pontes, 1987.

197 197 KOCH, Ingedore Villaça. A interação pela linguagem. 8. ed. São. Paulo: Contexto, SARAIVA, M. E. F. & MARINHO, J. H. C. (Org.). Instanciação e interpretação das relações causais em função do gênero de texto. In: Estudos da língua em uso: relações inter e intrasentenciais. Belo Horizonte: NELU/GREF, FALE/UFMG, 2005.

198 198 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 13Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a sua continuidade COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico-discursivos HABILIDADE Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a sua continuidade Habilidadesdo CBC 8.6.Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência narrativa. 9.7.Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência de relato Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência descritiva Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência expositiva Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência argumentativa Reconhecer e usar mecanismos de coesão nominal em um texto ou sequência injuntiva. Em que consiste essa habilidade? O desenvolvimento da habilidade Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a sua continuidade consiste em possibilitar ao aluno o reconhecimento das relações coesivas do texto, mais especificamente, fazendo-o perceber as repetições ou substituições que servem para estabelecer a continuidade textual. O processo de compreensão das informações e ideias apresentadas pelo autor ultrapassa a simples decodificação e depende da devida percepção das relações entre as palavras, orações, parágrafos e ideias, realizadas pelos elementos coesivos, para o efetivo entendimento da leitura Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? O professor, ao trabalhar o texto com os alunos, possibilitar-lhes perceber a relação que as palavras, frases e parágrafos de um texto mantêm entre si. Os textos verbais de gêneros variados prestam-se a esse tipo de exercício. Sugere-se que sejam trabalhadas nos textos as relações de sentido que se estabelecem entre os enunciados que compõem o texto, fazendo com que a interpretação de um elemento qualquer seja dependente da do outro. É preciso que os alunos compreendam a função da presença dos pronomes, de palavras do mesmo campo semântico, dos sinônimos e até mesmo das repetições, nos textos, retomando, referindo-se a termos já mencionados, favorecendo o desenvolvimento do assunto do texto. O aluno só fará isso, se alertado, orientado pelo professor durante a leitura..

199 199 SUGESTÕESDE AULAS PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 Sequência de Atividades Gramática com textos: pronomes como elementos coesivos Objetivos - Analisar os pronomes como elementos de coesão. - Refletir sobre formas de referenciação na produção textual. Desenvolvimento Primeiro passo 1. Inicie a aula explicando aos alunos que eles vão realizar uma atividade de leitura, com base no texto abaixo. Diga que se trata da introdução de um livro sobre Idade Média, dedicado a crianças e jovens. Comente com a turma que você realizou algumas modificações no texto. 2. Peça que se dividam em duplas e proponha as seguintes atividades: - Leitura do texto e identificação das modificações realizadas. - Análise do efeito de sentido causado por essas modificações. - Reescrita do texto, suprimindo os problemas encontrados por meio do uso de pronomes. Para entrar neste livro quando se é jovem... e mais tarde É importante conhecer o passado para compreender melhor o presente, para saber em que estamos dando continuidade ao passado, em que estamos nos separando do passado. Os historiadores perceberam que compreendiam melhor o passado e podiam explicar o passado melhor, particularmente para as crianças e os jovens, quando dividiam o passado em sucessivas épocas, cada uma das sucessivas épocas com características das épocas. Em relação à época que chamamos Idade Média, temos dois problemas: duração da Idade Média e significado da Idade Média, pois existe uma interpretação favorável e outra desfavorável do período Idade Média. A Idade Média inspirou romances históricos aos escritores, entre os quais alguns tiveram grande sucesso, e filmes aos cineastas, desde que existe cinema, fascinando os espectadores, particularmente as crianças. Mais uma razão para tentar explicar a vocês o que foi a Idade Média e o que a Idade Média deve representar para nós. Segundo passo LE GOFF, Jacques. A Idade Média Explicada a meus Filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007 (Com Alterações) 1. Realize a correção da tarefa em sala. Observe se os alunos identificaram que as modificações que você fez consistiam na eliminação dos elementos que retomam as palavras e expressões apresentadas. Sem eles, ocorre uma repetição desnecessária de vocábulos. 2. Solicite às duplas a leitura da reescrita do primeiro parágrafo. Observe se usaram os pronomes adequados. Texto Original Os historiadores perceberam que compreendiam melhor o passado e podiam explicar o passado melhor, particularmente para as crianças e os jovens, quando dividiam o passado em sucessivas épocas.

200 200 Reescrita Os historiadores perceberam que compreendiam melhor o passado e podiam explicá-lo melhor, particularmente para as crianças e os jovens, quando o dividiam em sucessivas épocas. No trecho dois aspectos podem ser sinalizados: 1. A supressão da forma verbal infinitiva, quando essa se associa ao pronome oblíquo, dando lugar ao l - explicar/ explicá-lo. 2. O advérbio quando atuando como atrativo do pronome oblíquo - quando o dividiam em sucessivas épocas. Realize a mesma análise com os demais trechos do texto. Peça que os alunos apresentem a reescrita de cada parágrafo e comente-a. Complete a correção com a leitura do texto como ele se encontra no livro. É importante observar que não há uma única forma de reescrita possível. A versão apresentada é uma possibilidade, não é a única correta. Texto com as adequações Para entrar neste livro quando se é jovem... e mais tarde É importante conhecer o passado para compreender melhor o presente, para saber em que estamos dando continuidade a ele, em que estamos nos separando dele. Os historiadores perceberam que compreendiam melhor o passado e podiam explicá-lo melhor, particularmente para as crianças e os jovens, quando o dividiam em sucessivas épocas, cada uma delas com suas características. Em relação à época que chamamos Idade Média, temos dois problemas: sua duração e seu significado, pois existe uma interpretação favorável e outra desfavorável desse período. A Idade Média inspirou romances históricos aos escritores, entre os quais alguns tiveram grande sucesso, e filmes aos cineastas, desde que existe cinema, fascinando os espectadores, particularmente as crianças. Mais uma razão para tentar explicar a vocês o que foi a Idade Média e o que ela deve representar para nós. LE GOFF, Jacques. A Idade Média Explicada a meus Filhos. Rio de Janeiro: Agir, Durante a leitura, enfatize o uso dos pronomes pessoais retos, oblíquos, possessivos e demonstrativos. Comente que eles são empregados para retomar elementos já referenciados, evitar repetições e dar coesão ao texto. Para finalizar, peça que os alunos redijam um parágrafo sintetizando o conteúdo do texto. Nessa síntese, eles devem utilizar dois pronomes para substituir dois nomes ou duas expressões.

201 201 AULA 2 Continuação da sequência de Atividades Terceiro passo 1. Inicie a aula com a correção da tarefa. Peça que alguns alunos leiam a produção realizada. Mostre a eles que os pronomes pessoais, demonstrativos e possessivos concordam em gênero e número com as expressões que eles referenciam. A única exceção são os pronomes isso, isto e aquilo. Essa concordância permite ao leitor resgatar as referências feitas. É um dos mecanismos que garantem a textualidade. 2. Antes de passar a próxima atividade, retome o título do texto analisado. Assinale o pronome demonstrativo que aparece nele. Mostre aos alunos que, diferente dos pronomes presentes no corpo do texto, ele não retoma um elemento já dado, mas antecipa o que virá - neste livro. Comente com a turma os diferentes usos de este e esse. 3. Proponha que os alunos realizem a atividade abaixo. Nela, há espaços em branco que devem ser preenchidos com elementos coesivos de retomada. 4. Peça que os alunos usem os pronomes que acharem mais adequados e façam uma flecha associando-os aos elementos que eles retomam. A) "A Idade Média durou muito tempo pelo menos mil anos! É verdade que quando falamos pensamos quase sempre no período que vai de 1000 a Mas começou pelo menos cinco séculos antes, por volta do ano 500, portanto durante o século V depois de Cristo." B) A expressão Idade Média surgiu no decorrer da própria Idade Média, principalmente perto do fim, primeiro entre estudiosos e artistas que sentem que os séculos transcorridos antes que para nós era o coração da Idade Média - foram um intermédio, uma transição, e também um período obscuro, um tempo de declínio, em relação à Antiguidade, da qual têm uma imagem idealizada.... sentem saudades... civilização antiga, mais refinada (segundo...). São principalmente os poetas italianos, chamados de humanistas, que tiveram... sentimento, por volta do século XV e começo do século XVI.... achavam que os seres humanos tinham mais qualidades do que as que... eram atribuídas pela fé cristã medieval, que insistia no peso dos pecados do homem diante de Deus. Existe uma segunda razão. O século XVIII conheceu uma onda de desprezo pelos homens e pela civilização da Idade Média. A imagem dominante era a de um período de obscurantismo, no qual a fé em Deus esmagava a razão dos homens. Os humanistas e os iluministas não compreendiam a beleza e a grandeza... séculos. Resumindo, a Idade Média estende-se entre dois períodos que são tidos como superiores: a Antiguidade e os Tempos Modernos, que começou com o Renascimento - uma palavra também muito particular, a Antiguidade renasce, a partir dos séculos XV e XVI, como se a Idade Média fosse um parêntese!" LE GOFF, Jacques. A Idade Média Explicada a meus Filhos. Rio de Janeiro: Agir, (Com cortes) 5. Realize a correção da tarefa:

202 202 - Proponha que os alunos procurem, em casa, três notícias e tragam na aula seguinte. - Explique que eles devem sublinhar nelas os pronomes utilizados como mecanismo de retomada. - Solicite que também tragam a gramática utilizada pela classe. Continuação da Sequência de Atividades Quarto passo AULA 3 1. Inicie a aula pedindo que os alunos leiam trechos de algumas das notícias coletadas e sinalizem os pronomes utilizados como mecanismos coesivos. 2. Em seguida, leia com a turma os verbetes da gramática dedicados aos pronomes. Realize, junto com eles, uma síntese da caracterização dessa classe de palavras. Quinto passo 1. Para finalizar, pergunte à moçada os significados da palavra tecido. Leia para a classe as definições propostas em um dicionário. Pergunte se alguém consegue relacionar os significados de tecido e os mecanismos de referenciação textual estudados. 2. Ouça as hipóteses da turma e converse a respeito da etimologia da palavra texto. Ela origina-se da palavra latina textu, que significa tecido. Como o tecido, o texto é formado pelo entrelaçamento das partes, pela união entre os fios da trama. Um fio solto compromete a trama do tecido e o sentido do texto. Os elementos coesivos devem amarrar a tessitura, ligar as partes do texto e não deixar fios soltos. Como isso se dá? Isso se dá, entre outras coisas, pela pertinência das escolhas dos elementos de retomada. Por isso a importância da revisão das produções escritas. Mesmo um escritor hábil e profissional precisa revisar o seu texto - pois pode haver fios soltos, problemas de concordância, pronomes usados de maneira inadequada ou ideias sem conclusão. Bibliografia AZEREDO, J. C.. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha, BECHARA, E.. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, LE GOFF, J. LE GOFF, Jacques. A Idade Média Explicada a meus Filhos. Rio de Janeiro: Agir, KOCH, I. V. A Coesão Textual. São Paulo: Contexto, AULA 4 Primeiro passo Ensinando com a retomada de questões de avaliação 1. Através do item abaixo, que avalia a habilidade de os estudantes estabelecerem relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para sua continuidade, é possível realizar uma sequência de abordagens com relação ao texto que

203 203 conduzem o aluno a reflexão sobre as escolhas de suas respostas, contribuindo para o melhor entendimento do texto. 2. Procedimentos: a- Leia o texto para os alunos. b- Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c e d. c- Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d- No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e- Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos se estas justificativas procedem. f- Repita o procedimento com todas as alternativas começando dasopções erradas até a opção correta. g- Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome otexto quando acertarem para confirmação da resposta. 3. Leia o texto Faça chuva ou faça sol Apesar de o sertão ser logo lembrado quando se trata do tema, a relação de nossas vidas com o clima evidencia-se em todo canto. E, num país continental como o Brasil, tempo feio é expressão abstrata: pode querer dizer que cai uma chuva das boas, no Sudeste; ou que não há uma única nuvem no céu, no Nordeste. De Norte a Sul não há assunto mais recorrente no dia a dia: Será que chove logo?, E o calor? Tá demais..., Parece que o tempo vai firmar.... Não é para menos. As condições atmosféricas não interferem só no piquenique ou na praia; na roupa do dia ou no trânsito de fim de tarde. Importam à indústria, à aviação, ao comércio, ao turismo, à agricultura e à pesca. O tempo é soberano apesar das interferências nos ciclos da natureza que a humanidade vem causando. Por maiores que sejam os avanços tecnológicos, o homem não desenvolveu nenhum aparato capaz de controlar o tempo. Aprendeu, no entanto, a lidar com ele seja com os mais modernos equipamentos, seja com suas mandingas, crenças e sabedorias. PESCIOTTA, Natália. Almanaque da cultura popular. Mar. 2010, nº 131. (P060303B1_SUP) No trecho Aprendeu, no entanto, a lidar com ele... (l. 12), o pronome destacado refere-se ao termo A) aparato. B) clima. C) homem. D) tempo. Segundo passo 1. Professor, peça aos alunos que leiam o texto de Millor Fernandes, intitulado "A vaguidão específica" para fazer as atividades seguinte. Você poderá passar o texto no quadro, entregar impresso para os alunos, enviar-lhes por ou disponibilizar em blog: A vaguidão específica Millôr Fernandes La Insignia. Brasil, fevereiro de "As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica." -Richard Gehman-

204 204 - Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte. - Junto com as outras? - Não ponha junto com asoutras, não. Senão pode vir alguéme querer fazer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia. - Sim senhora. Olha, o homem está aí. - Aquele de quando choveu? - Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo. - Que é que você disse a ele? - Eu disse pra ele continuar. - Ele já começou? - Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse. - É bom? - Mais ou menos. O outro parece mais capaz. - Você trouxe tudo pra cima? - Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou para deixar até a véspera. - Mas traga, traga. Na ocasião nós descemos tudo de novo. É melhor, senão atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite. - Está bem, vou ver como. Sugestões de Atividades a) Reescreva o texto acima fazendo a substituição dos pronomes e palavras de sentido genérico como coisas, que estão em negrito, por possíveis substantivos que se adequem à situação do texto. Compare os dois textos e verifique se ocorreu alteração no efeito de sentido no texto com o uso de substantivo. Atenção para que a coerência textual seja mantida. b) Treinem a leitura dramatizada do texto após a substituição dos nomes que estão em negrito no texto original. Atenção para entonação, tom de voz, dicção, etc. c) Cada dupla deverá treinar uma leitura dramatizada. d) Apresentar para a turma o trabalho realizado. Após a apresentação da dramatização, cada dupla deverá explicar a diferença de sentido do texto dramatizado, tendo como base o texto original. Cada dupla terá 10 minutos para a apresentação. Terceiro passo Avaliação 1. Para avaliar os discentes, devem ser observados: a participação; o interesse e o empenho nas diferentes atividades propostas; a capacidade de trabalharem em dupla. 2. Verificar, ainda: o desempenho e a criatividade na atividade da dramatização do texto, especificamente quanto ao emprego dos nomes que substituíram o texto original. 3. Observar também: se os alunos conseguem relacionar os substantivos utilizados por eles no texto original de forma que mantenha a coerência e se são capazes de identificar essa estratégia como recurso de coesão textual.

205 205 AULA 4 Primeiro passo 1. Dizer para os alunos que a temática a ser abordada nessa aula trata-se da coerência e coesão textuais. Importante: Deixar claro para os alunos que, enquanto a coesão diz respeito às articulações gramaticais existentes entre palavras, frases e orações no plano linguístico, a coerência trata da relação lógica entre ideias, situações ou acontecimentos, subjacentes aos mecanismos formais, e construída a partir do conhecimento compartilhado entre os usuários da língua. O conceito de coerência está ligado ao conteúdo, ou seja, está no sentido constituído pelo leitor. 2. Apresentar aos alunos o texto, A incapacidade de ser verdadeiro e analisá-lo com a participação deles. Objetiva-se com essa atividade, mostrar aos alunos alguns mecanismos responsáveis pelo estabelecimento da coesão e da coerência em um texto. Texto A incapacidade de ser verdadeiro Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois Dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte, ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez, Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de SiáElpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia. Segundo passo ANDRADE, Carlos Drummond de. A cor de cada um. Rio de Janeiro, Ed. Record, Direcionar a análise do texto. Estas questões poderão ser respondidas no caderno e o professor deverá corrigi-las, auxiliando o aluno em suas dificuldades. Sugestões de Atividades a) Observe os termos em destaque no texto: - A que se referem os pronomes o e ele no segundo parágrafo? - Reescreva o trecho abaixo, substituindo os pronomes destacados pelo referente já mencionado no texto: A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola... Conclua: qual é a função dos pronomes e a sua importância na construção do texto? b) Observe:... um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos... - Que palavra está sendo modificada pelo adjetivo cheio?

206 206 Conclua: A concordância é um mecanismo de coesão textual? Explique. c) As conjunções também são responsáveis pela conexão entre partes do texto, possibilitando que se dê continuidade às ideias apresentadas. Explique que relações são expressas por estes elementos nos trechos seguintes, retirados do texto. - Quando o menino voltou [...] a mãe decidiu levá-lo ao médico. - Desta vez, Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. - A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contandoque caíra no pátio da escola um pedaço de lua..." d) O emprego de sinônimos também é um recurso para o estabelecimento da coesão textual. Essa afirmação pode ser exemplificada na frase seguinte? Explique. - Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram... e) Observe o emprego do artigo: Um dia chegou em casa... ; Quando o menino voltou... ; A mãe botou-o de castigo... Responda: Em que sentido os artigos (definidos e indefinidos) podem concorrer para a coesão de um texto? f) Explique o emprego do pronome demonstrativo este, no trecho seguinte: Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia. g) Comente a afirmação seguinte:em relação à coerência, isto é, à manutenção da mesma referência temática, pode-se afirmar que o texto A incapacidade de ser verdadeiro apresenta-se coerente a partir do título. h) Assinale a(s) afirmação (ões) verdadeira(s). i) Em relação à coerência pode se dizer que o texto apresenta: ( ) harmonia de sentido em decorrência da conexão estabelecida entre as partes. ( ) expõe uma informação nova. ( ) não apresenta contradições entre as ideias. () apresentar um ponto de vista, uma nova visão de mundo. Continuação da atividade anterior Terceiro passo AULA 5 1. O professor deverá propor aos alunos, em grupo de três pessoas, que realizem a análise do texto, Maneiras de amar de Carlos Drummond de Andrade, explorando os mecanismos responsáveis pelo estabelecimento da coesão e da coerência. 2. Para direcionar o trabalho dos alunos, o professor deverá destacar termos e expressões no

207 207 texto a serem analisados. Texto Maneiras de amar (Carlos Drummond de Andrade) O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza. Em vão, o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovarlhe a terra, na ocasião devida. O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho. Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido?" "Não", respondeu "estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso e gostava". 3. O professor deverá sortear dois grupos para expor a análise do texto para a sala. Os outros grupos participarão fazendo intervenções com a mediação do professor- a respeito da análise realizada por eles. Quarto passo Avaliação 1. A avaliação dar-se-á em todos os momentos em que os alunos estiverem participando das discussões propostas e também por meio da realização da atividade escrita: reconhecimento e análise dos mecanismos de coesão e coerência no texto proposto. Primeiro passo AULA 6 1. Professor oriente os alunos para lerem o texto e executar as atividades propostas Sugestão de Atividade Relacionar partes do texto Assaltos insólitos Assalto não tem graça nenhuma, mas alguns, contados depois, até que são engraçados. É igual a certos incidentes de viagem, que, quando acontecem, deixam a gente aborrecidíssimo, mas depois, narrados aos amigos num jantar, passam a ter sabor de anedota. Uma vez me contaram de um cidadão que foi assaltado em sua casa. Até aí, nada demais. Tem gente que é assaltada na rua, no ônibus, no escritório, até dentro de igrejas e hospitais, mas muitos o são na

208 208 própria casa. O que não diminui o desconforto da situação. Pois lá estava o dito-cujo em sua casa, mas vestido em roupa de trabalho, pois resolvera dar uma pintura na garagem e na cozinha. As crianças haviam saído com a mulher para fazer compras e o marido se entregava a essa terapêutica atividade, quando, da garagem, vê adentrar pelo jardim dois indivíduos suspeitos. Mal teve tempo de tomar uma atitude e já ouvia: É um assalto, fica quieto senão leva chumbo. Ele já se preparava para toda sorte de tragédias quando um dos ladrões pergunta: Cadê o patrão? Num rasgo de criatividade, respondeu: Saiu, foi com a família ao mercado, mas já volta. Então vamos lá dentro, mostre tudo. Fingindo-se, então, de empregado de si mesmo, e ao mesmo tempo para livrar sua cara, começou a dizer: Se quiserem levar, podem levar tudo, estou me lixando, não gosto desse patrão. Paga mal, é um pão-duro. Por que não levam aquele rádio ali? Olha, se eu fosse vocês levava aquele som também. Na cozinha tem uma batedeira ótima da patroa. Não querem uns discos? Dinheiro não tem, pois ouvi dizerem que botam tudo no banco, mas ali dentro do armário tem uma porção de caixas de bombons, que o patrão é tarado por bombom. Os ladrões recolheram tudo o que o falso empregado indicou e saíram apressados. Daí a pouco chegavam a mulher e os filhos. Sentado na sala, o marido ria, ria, tanto nervoso quanto aliviado do próprio assalto que ajudara a fazer contra si mesmo. SANTANNA, Affonso Romano. Porta de Colégio e Outras Crônicas. São Paulo: Ática (Coleção Para Gostar de Ler). O dono da casa livra-se de toda sorte de tragédias, principalmente, porque: (A) aconselha a levar o som. (B) conta os defeitos do patrão. (C) mente para os assaltantes. (D) mostra os objetos da casa. Segundo passo 1. Analise o texto com os alunos para identificar o motivo pelo qual "o dono da casa livra-se de toda sorte de tragédias", a tarefa é estabelecer uma relação de causa e consequência entre partes e elementos do texto, percebendo que "o rasgo de criatividade" - expressão citada pelo autor - é a ideia de farsa (mentira) que o dono da casa sustenta para os assaltantes. Orientações Um meio de aprimorar essa habilidade é propor atividades de produção de argumentos de causa e efeito dentro de temas diversos. Os jovens podem proceder da seguinte forma: para encontrar as razões de determinado fato citado por você, eles expressam os porquês. Já para encontrar as consequências, baseiam-se na pergunta "O que acontece em função disso?". Resposta: letra C Primeiro passo AULA 7 1. Um jeito de melhorar a competência ligada àhabilidade desenvolvida nessa lição, é propor exercícios de articulação das orações no período. Nessa situação, muitas vezes, é possível estabelecer relações lógico-discursivas unindo as mesmas orações com conjunções de diferentes significados. 2. Assim, há a reflexão sobre a relação entre as orações e os sentidos que podem ser

209 209 construídos com cada conectivo. 3. Para iniciar, será apresentada uma crônica de Mário Prata, Olha eu aqui, mãe, na qual cada aluno receberá uma cópia do texto, como segue abaixo descriminado. Olha Eu Aqui, Mãe Mário Prata Mãe, estou escrevendo na última página da Criativa. Da onde, meu filho? Da revista Criativa, mãe. Não conhece? Vende uns 500 mil exemplares por mês. Só? O Oscar, disseram que tinha 1 bilhão vendo. É revista de arquiteto, meu filho? Não, mãe. Revista de mulher. Pelada? Não, mãe, é séria. Feita de mulher para mulher. E você vai escrever aí? Na última pagina, ainda por cima? Por que não deixam você escrever na primeira? Por que você não escreve no Cruzeiro? Tão boa revista, meu filho. Já fechou, mãe. Meu filho, acho melhor não contar para o seu pai que você está escrevendo em revista de mulher. E a cidade, meu filho? Você conhece aqui, cidade pequena, vai todo mundo comentar: "você viu o filho dela? Sempre desconfiei...". Imagina, mãe. Tem moldes, receitas... Receita? Você vai escrever receitas, meu filho? Você nunca conseguiu fritar um ovo. Não, mãe. Vou falar do meu ponto de vista sobre as mulheres. Meu filho, não faça isso. Você sabe muito bem que você não entende nada de mulheres. Como marido foi um fracasso. Quantas mulheres você já teve, menino? Nenhuma te aguentou. Volta para a Globo, meu filho. Vai escrever novela, vai. Tão bonitas as suas novelinhas. Vou falar sobre orgasmo múltiplo. Múltiplo? Meu filho, que vergonha. Se o seu pai sabe disso, te mata. E a Parati, escreve para a Parati. Já fechou, mãe. E a Playboy? Por que você não escreve para a Playboy? Pelo menos na cidade não vão comentar. O Nirlando Beirão está escrevendo lá. Meu filho, aquele barbudinho que casou com a sua mulher? Estou quase chorando, meu filho. O primeiro marido na revista de mulher e o atual... Você está me fazendo sofrer tanto. Sabe o que eu acho, que você está escrevendo nessa revista para namorar as moças de lá. Imagina, mamãe, é uma revista moderna, criativa mesmo. Mas por que te puseram na última página? Estão abusando de você, meu filho. A gente educa, perde noites de sono, se preocupa, dá o melhor da gente para isso, meu filho? Pagam bem, mãe. O dinheiro não traz felicidade, meu filho. Na Globo, sim, que você ganhava bem. A revista é da Globo, mãe. Vai sair na televisão? Não, da Editora Globo. Mas não aparece na televisão? Ah, meu filho, que notícia mais triste. Você não tem vergonha? O Nirlando lá na Playboy e você aí? O que é que os seus filhos não vão pensar? Eu disse para você não se separar. Sabia que coisa boa não ia dar. Vão ficar rindo dos seus filhos na escola, meu filho. Fica tranquila, mãe. Vai dar tudo certo. Eu me lembro, quando você tinha 14 anos e começou a fazer coluna social lá em Lins. Comentei com o seu pai: "Isso não vai dar certo". Olha onde você terminou.

210 210 Mãe, eu estou feliz. Isso é uma conquista profissional. Já sei de tudo. Você vai querer que eu te mande aquela receita do meu vatapá, não é? Eu mando. Mãe é para isso mesmo. Tenho também aqui uns moldes de uns "taierzinhos". Não precisa, mãe. Tem uma moça aqui que faz umas cerâmicas muito bonitas, com rosas cor-de-rosa, uma beleza. Quer que eu peça para ela mandar umas fotos? Coitada, ela está tão necessitada. Talvez se sair aí na Criação. Criativa, mãe. E o seu chefe é simpático, te trata bem? Você tem chegado no horário, meu filho? É chefa. Mulher. Meu filho, recebendo ordens de uma mulher? Realmente é melhor o seu pai não saber disso. A revista vai vender aqui na cidade? Claro. Você quer me matar, meu filho. Fala a verdade. Quer ou não quer? Uma chefa, era só o que faltava. Só falta ela ser mais nova do que você. É. É o fim do mundo. (começa a chorar, desliga) Mãe, mãe... Texto extraído do livro "100 Crônicas de Mário Prata", Cartaz Editorial Ltda. - São Paulo, 1997, pág Segundo passo 1. Em um primeiro momento, o professor deverá lê-la, representando a mãe e um menino, o cronista, no data show, na sala de aula ou na sala de vídeo, e perguntar aos seus alunos se reconhecem na organização do texto algo de familiar, já estudado anteriormente. Essa é uma forma de sondagem, para que você observe se o que foi visto nas situações anteriores foi bem compreendido. 2. Espera-se que os alunos identifiquem o texto como narrativa. Na sequência, fale os elementos da narrativa, mostrando-os em funcionamento no texto. Depois, reforce com eles que narrativa é um modo de organização textual, mas que, no mundo real, os textos formam grupos que apresentam características próprias. 3. Para apresentar, de maneira inicial, três características do gênero crônica narrativa, destaque do texto de Mario Prata: - A história pode ser resumida em pouquíssimos fatos e isso implica pequena variação dos elementos da narrativa (duas personagens, dois espaços casa do narrador e de sua mãe-, breve variação temporal). Portanto, podemos destacar que a crônica é uma narrativa curta. - O grande tema dessa história é a mudança de emprego do narrador, a sua felicidade em se tornar redator de uma grande revista feminina, Criativa. - O fato é narrado em diálogos, como se fosse um telefonema e a maneira como o cronista o trata mantém a leveza do acontecimento. O texto tem uma sequência de fatos, não há grande tragédia, tensão ou conflito, como aconteceria se o texto fosse um conto, por exemplo. Nesse sentido, a crônica aproxima-se mais do dia-a-dia, da forma mais cotidiana de lidar com a realidade. 4. Uma crônica costuma ser leve, digestivo. Apenas a mãe possui preconceito e tem medo do quê a população da sua cidade natal irá lidar com o fato de filho escrever para uma revista feminina. Eles falam de uma porção de assuntos, como: de revistas que não existem mais, de canais de televisão, da comparação do filho com o atual marido da ex-mulher, de quando ele escrevia novelas na Globo e, enfim, com o fato do chefe ser uma chefa.

211 A fim de reforçar a diferença entre a crônica e outros gêneros narrativos, você pode usar outras estratégias: fazer uma análise semelhante com outras crônicas, do mesmo autor, mas que não sejam constituídas em forma de diálogos. Ressalte as três características vistas em cada uma delas, fazendo análises coletivas com os alunos ou pedindo que façam análises individuais. 6. Na continuação, se achar que os alunos ainda não compreenderam bem as características da crônica, solicite que analisem outra, retirada do livro didático, observando se ela apresenta as mesmas características do texto Olha eu aqui, mãe. Depois peça que os alunos respondam oralmente as perguntas a seguir. Crônica analisada: - O texto pode ser considerado uma crônica narrativa? Por quê? - O texto trata de tema cotidiano? Qual? - Como você justifica a atualidade do tema? - Você considera que o texto apresenta um tom leve? Justifique. Terceiro passo 1. Na sequência, você pode sistematizar as características do gênero crônica narrativa, criando uma síntese de seus traços. De acordo com o que foi estudado, a crônica deve ser entendida: - como um gênero textual organizado a partir da tipologia narrativa; - como texto estruturado de forma narrativa, com foco narrativo, enredo, personagens, tempo e espaço; - como um gênero textual: curto; que trata de temas cotidianos; desenvolvido em tom leve, digestivo.

212 212 AULA 8 Primeiro passo 1. O professor também poderá dar atenção a outros traços das crônicas, como seus meios típicos de circulação, seu caráter histórico, seu desenvolvimento no Brasil e em outros países, por exemplo. 2. Para o desenvolvimento de habilidades de oralidade e escuta, selecionamos outra crônica narrativa, Gestantes, idosos e deficientes físicos, de Mário Prata. A professora deverá ler os dois textos e, a cada texto lido, pergunte aos alunos se o texto apresentado é uma crônica ou não e por quê. A discussão deve ser conduzida de maneira oral, mas é importante estimulá-los a destacar as três características do gênero crônica narrativa, na segunda crônica apresentada, como está abaixo. Gestantes, Idosos e Deficientes Mário Prata Sábado, supermercado supercheio. Entro para comprar três latinhas de cerveja. Dab, alemã, sem álcool. Vou para a "fila de até dez", que está emperrada porque a mocinha está fechando uma temporada e, para passar para a outra mocinha, tem de dar baixa não sei em quê. Olho as filas normais. Imensas. Gente com dois carrinhos. Alfaces convivendo com milhares de papéis higiênicos. Lá no fundo, uma fila. Só um velhinho. E a placa, em cima: gestantes, idosos, deficientes físicos. Dou uma piscada para a mocinha, a mocinha faz um beiço de tudo bem e eu fico ali. Só que chega uma idosa. E gorda e mal-humorada. No que eu me viro para dar o lugar a ela, ela ataca: Está grávida, é? Evidentemente que ela estava a falar comigo e eu não estava grávido. Não tinha nenhum sintoma, até então. Mas a idosa era agressiva e eu resolvi não ceder o lugar para ela. E senti uma certa solidariedade do velhinho que lutava para enxergar o dinheiro dentro da carteira. Fiquei na minha. Mas a idosa estava a fim de briga: Idoso, meu senhor? Eu, ainda calmo: Não senhora. Envelhecente. Ela ficou pensando na palavra, mas acho que não captou o neologismo. Resolvi olhar as compras dela. Bananas. Milhares, milhões de bananas. E nada mais. E a revista Capricho. E ela caprichou na terceira estocada: Por acaso o senhor é deficiente físico? E olhou para as minhas pernas que estavam onde sempre estiveram, firmes. Fiz cara de triste: Sou. Infelizmente sou deficiente físico. Ela se abalou: Desculpa, eu não havia percebido. É que sempre tem uns malandros, sabe? Uns espertinhos. Eu fiquei quieto. Ela me cedeu a vez. Coloquei as cervejas em cima da mesa. Mas ela era curiosa: De nascença? É, sim senhora. Os dentes. Está vendo os meus dentes? São pra frente. Isso é uma deficiência física, não é? Ela quase chamou o gerente: Engraçadinho... E eu:

213 213 E tem mais: meu fígado é deficiente físico. Está despedaçado. Meu pulmão, não é de hoje. Completamente deficiente. E se a senhora quiser, tenho uma unha encravada fisicamente deficiente. Não estou achando a menor graça!.. E a vista? Está escrito na minha carteira de motorista: deficiente visual! Escuto pouco, minha senhora. Tenho essa deficiência também: auditiva. Você é um idiota. Vou falar com o gerente. E partiu. Paguei a minha conta, estava saindo quando ela chega com o gerente. Ela já havia infernizado o rapazinho, que veio por educação, mesmo. O gerente: Por favor, o que está acontecendo? Eu: É essa senhora, seu gerente. Além de idosa, deficiente física! Eu? Deficiente física? Claro, ou a senhora estava na fila porque é gestante? Que eu saiba, ninguém engravida com bananas. Ainda mais verdes e duras como essas! Fomos todos para a delegacia. A mulher era delegada aposentada. Desacato à autoridade. Documentos. A mulher era mais jovem do que eu. Bingo! Tava era acabada mesmo! Porque, gestante, não era. Nem idosa. Devia ser, como eu, deficiente física. E mental. E o gerente, aproveitou: Tem só um detalhe, minha senhora. A senhora não pagou as bananas. Te poupo do que ela disse para o rapazinho fazer com as bananas duras e verdes. O texto acima foi extraído do site autorizado do próprio escritor, acesso em 02/09/2011. A crônica foi escrita para o jornal "O Estado de São Paulo", em 23/02/ Com base na crônica lida, solicite aos seus alunos que respondam as perguntas a seguir. - Nome do cronista - Nome da editora e ano de publicação - O texto pode ser considerado uma crônica narrativa? Por quê? - O texto trata de tema cotidiano? Qual? - Como você justifica a atualidade do tema? - Você considera que o texto apresenta um tom leve? Justifique. - Quais são os personagens? - Qual o acontecimento narrado? - Em que lugar ocorre a ação? - Que reflexão sobre o comportamento humano nos apresenta o narrador? 4. Discutidas as questões e observadas às respostas, se iniciará o processo de caracterização do gênero a ser estudado e a importância da leitura de todos os gêneros que a língua é capaz de produzir. Segundo passo 1. Apresentação da Situação Nessa primeira etapa, a professora apresenta aos alunos uma crônica de humor, de Mário Prata, Olha eu aqui, mãe, onde será feita uma primeira leitura em voz alta, a professora representando a mãe e um menino o cronista, depois uma leitura silenciosa, de forma individual ou em dupla. Depois a professora criará uma situação-problema para motivá-los a se engajar nas atividades da sequência didática em questão. Ela pode, por exemplo, criar uma situação na qual os alunos possam escrever uma crônica a pessoas famosas, pais,

214 214 amigos, sobre um acontecimento importante na escola, por exemplo, a inauguração de um anfiteatro. Pode ser feita na forma de diálogos ou não, cada aluno escolherá a sua forma de escrever. É muito importante que nesse momento fique claro para os alunos o gênero e o tema a serem trabalhados. 2. Para ampliar o conhecimento do aluno, a professora pode pedir aos seus alunos que preencham um quadro síntese, de outras crônicas encontradas em livros didáticos ou em sites, de autores conhecidos, como trabalho extraclasse ou tarefa. Os alunos também deverão fazer pesquisas na internet sobre a vida e obras do autor estudado e, apresentar em forma de seminários para os alunos da sala. Será uma forma de ampliar o conhecimento destes. Primeiro passo 1. Produção Textual AULA 9 Nessa etapa, a professora deve propor que os alunos elaborem um primeiro texto escrito, seguindo as instruções dadas por ela. Essa primeira produção de uma crônica escrita tem dois objetivos: permitir que os alunos descubram o que já conhecem sobre o gênero e que a professora avalie, de maneira precisa, as dificuldades encontradas pelos alunos. É a partir desse "diagnóstico" que a professora determinará quantos serão os módulos da sequência didática e quais serão seus conteúdos. Para desenvolver habilidades de escrita, os alunos serão solicitados a escrever uma crônica narrativa com base na seleção de um dia importanteem suas vidas. Para alcançar esse objetivo, alguns passos deverão ser seguidos. 2. Solicite que escolham o dia que abordarão e, a partir dele, façam um esquema, indicando: qual será o foco narrativo em que a história será contada? qual será a sequência dos acontecimentos principais? (por ser um texto curto, é importante destacar que não devem selecionar muitos acontecimentos). Peça aos alunos que dividam esses acontecimentos podem ser divididos em três etapas: início e apresentação do conflito, desenvolvimento do conflito, clímax e conclusão. qual será o tempo abordado pela história? em que espaço(s) a história se desenvolverá? quais serão as personagens? Segundo passo 1. Feito o esquema, recapitule com os alunos que o texto a ser produzido é uma crônica, portanto: - Deverá ser uma história curta; - Deverá fazer uma abordagem de um tema banal, que pudesse ser vivido por qualquer leitor de nosso tempo; - Deverá ser escrita em 1ª pessoa em um tom leve, digestivo. 2. Repasse com eles os esquemas e veja se o que está previsto se encaixa nas características de uma crônica narrativa. Faça os ajustes que considerar necessários.

215 215 Terceiro passo 1. Introduza o conceito de parágrafo. Dizendo que ele serve para organizar o texto, em que cada subdivisão do texto ocupe um espaço, facilitando o entendimento do leitor. Quarto passo 1. Produção da 1ª. versão da crônica, com base no esquema e no conceito de parágrafo. Quinto passo 1. Revisão das produções. Você pode conduzir esse processo subdividindo-o em duas fases: Análise do texto quanto ao desenvolvimento do gênero crônica narrativa. Análise da construção dos parágrafos. Selecione alguns textos e analise com a classe alguns parágrafos bem organizados e outros bem confusos. Veja se há um grande tópico, se há informações demais ou se faltam informações mínimas para o entendimento da ideia geral de cada parágrafo. Cumpridos os itens a e b e feitos os ajustes necessários, verificar desvios da normapadrão da língua. Sexto passo 1. Produção final da crônica narrativa, com a correção de todos os itens indicados. 2. Para finalizar o trabalho, os alunos deverão elaborar a crônica proposta, demonstrando o que aprendeu sobre o gênero, o que permitirá a avaliação da eficácia da sequência didática planejada. E na passagem da produção inicial para a produção final o aluno também aprende a importância de reescrever os seus textos.

216 216 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 14Estabelecer relações entre partes de um texto a partir de mecanismos de concordância verbal e nominal. COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico-discursivas HABILIDADE Estabelecer relações entre partes de um texto a partir de mecanismos de concordância verbal e nominal. Habilidades do CBC 8.3.Reconhecer e usar, mecanismos de coesão verbal em um texto ou sequência narrativa. 9.4.Reconhecer e usar mecanismos de coesão verbal em um texto ou sequência de relato. 10.3Reconhecer e usar mecanismos de coesão verbal em um texto ou sequência descritiva Reconhecer e usar mecanismos de coesão verbal em um texto ou sequência expositiva Reconhecer e usar mecanismos de coesão verbal em um texto ou sequência argumentativa Reconhecer e usar mecanismos de coesão verbal em um texto ou sequência injuntiva Reconhecer e usar mecanismos de flexão verbal, produtiva e autonomamente. 23.0Reconhecer e usar mecanismos de flexão nominal, produtiva e autonomamente. Em que consiste essa habilidade? O desenvolvimento da habilidade Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a sua continuidade consiste em possibilitar ao aluno o reconhecimento das relações coesivas do texto, mais especificamente, fazendo-o perceber as repetições ou substituições que servem para estabelecer a continuidade textual. O processo de compreensão das informações e ideias apresentadas pelo autor ultrapassa a simples decodificação e depende da devida percepção das relações entre as palavras, orações, parágrafos e ideias, realizadas pelos elementos coesivos, para o efetivo entendimento da leitura Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? O professor, ao trabalhar o texto com os alunos, possibilitar-lhes perceber a relação que as palavras, frases e parágrafos de um texto mantêm entre si. Os textos verbais de gêneros variados prestam-se a esse tipo de exercício. Sugere-se que sejam trabalhadas nos textos as relações de sentido que se estabelecem entre os enunciados que compõem o texto, fazendo com que a interpretação de um elemento qualquer seja dependente da do outro. É preciso que os alunos compreendam a função da presença dos pronomes, de palavras do mesmo campo semântico, dos sinônimos e até mesmo das repetições, nos textos, retomando, referindo-se a termos já mencionados, favorecendo o desenvolvimento do assunto do texto. O aluno só fará isso, se alertado, orientado pelo professor durante a leitura. SUGESTÕES PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE

217 217 AULA 1 Primeiro passo Os alunos, em dupla, deverão ler o poema Rua Morta de Mauro Mota e responder às questões propostas. Rua Morta Longa rua distante de subúrbio, velha e comprida rua não violada pelos prefeitos, passo sobre ti suavemente neste fim de tarde de domingo. Sinto-te o coração pulsando oculto sob as areias. O sangue circula na copa imensa dos flamboyants. Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias, onde as pedras não vieram ainda sepultá-los. Passos de homens que jamais voltarão. Ó velhos chalés de 1830, eterniza-se entre as paredes o eco das vozes de invisíveis habitantes. Mãos de sombras femininas abrem de leve janelas no oitão. Há um cheiro de jasmins e resedás que não vem dos jardins abandonados, mas dos cabelos dos fantasmas das moças de outrora. Disponível em:http://leaoramos.blogspot.com/2008/09/na-longa-rua-de-subrbio-mauro-mota.html Segundo passo 1-.Vamos ler o poema, em forma de coro falado: cada grupo de 6 alunos lê uma das estrofes e nós todos juntos lemos a última. Em seguida, professor, proponha a seus alunos entrar na atmosfera do poema: Vamos discutir o seu conteúdo: do que fala, que emoção traduz; qual é o significado dentro do texto para seu título; como se explica esse título considerando o conteúdo da 2ª estrofe; que sentimento o eu poético traduz ao leitor ao falar em passos perdidos, em velhos chalés, em janelas do oitão, cheiro de resedás, outrora; que significado têm essas palavras dentro do texto; é uma rua habitada, recebe os benefícios das políticas públicas como calçamento, serviço de água e esgoto; afinal, que rua é essa? 2- Observe a primeira estrofe do poema: Longa rua distante de subúrbio, velha e comprida rua não violada pelos prefeitos, passo sobre ti suavemente neste fim de tarde de domingo. A - Identifique, circulando, o substantivo rua. Grife os adjetivos e outras expressões que caracterizam a rua, fazendo-a conhecida. Ligue-os ao substantivo rua por meio de setas.

218 218 B - Analise como esses termos se relacionam. Sem esses termos que identificam o substantivo rua, a rua do poema seria a mesma? 3 - Reescreva a primeira estrofe, trocando o substantivo rua por caminho. Faça as alterações necessárias. Comente sobre o que aconteceu às palavras. 4- Vamos analisar o verso Ó velhos chalés de 1830, eterniza-se entre as paredes o eco das vozes de invisíveis habitantes. Percebemos que, para efeito poético, o autor o colocou em outra ordem. Para entendê-lo, precisamos compreender o jeito como o poeta fez isso. Assim, comecemos: - Eterniza-se é um verbo que está no singular, portanto só pode estar ligado, como ação, como predicado, a um termo no singular. Que termo é esse? Marque-o: A - os velhos chalés B - o eco das vozes C as paredes D - as vozes de invisíveis habitantes - Vamos compreendê-lo, respondendo aos questionamentos: A - O que se eteriza entre as paredes dos velhos chalés? B - Sobre quem diz o eu do poema Ó velhos chalés, eterniza-se entre as paredes? C - O que se diz a respeito do eco das vozes? D - Vamos colocar o verso na ordem lógica? Professor, conclua com seus alunos que, embora tenhamos subvertido a ordem poética, nós o fizemos para compreendermos a mensagem. 5- Reescreva os versos abaixo, fazendo as alterações propostas. a. Ó velhos chalés de ( Troque chalés por casas) b. Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias. ( Troque areias por caminhos) Professor, trabalhar as relações entre as partes de um texto pressupõe propiciar aos alunos perceber como as ideias se relacionam, também, através dos mecanismos de concordância verbal e nominal. Tais mecanismos, só são significativos para os alunos se forem trabalhados dentro do texto. Terceiro passo A- Leia o seguinte fragmento de uma canção: Pecadinhos [...] Perdoai nossas faltas Quando falta o carinho Quando flores nos faltam Quando sobram espinhos [...] Fonte: Zeca Baleiro e Tata Fernandes. Pecadinhos. In Ceumar. Dindinha atração Fonográfica, Leve a música para os alunos ouvirem. 2- Fale da fonte de onde foi retirado o texto: A música Pecadinhos é da cantora mineira Ceumar Coelho, que teve o seu primeiro CD produzido por Zeca Baleiro, em 1999, pela gravadora

219 219 Atração fotográfica. 3- Discuta com os alunos o que vem a ser pecadinhos e diferencie de pecados. 4-Por que o título da canção é Pecadinhos? 5-O sentido da palavra faltas, no primeiro verso, é o mesmo utilizado no segundo? 6- Que relação a estrofe sugere entre os dois sentidos de falta? Explique-a. 7- Localize na estrofe os versos que estão na ordem indireta (versos que iniciam constituídos de sujeito e predicado). Peça que os alunos reescrevam a estrofe colocando os versos em um único período e todos os versos na ordem direta. 8- Proponha aos alunos que recriem a estrofe, substituindo a palavra: faltas pela palavra erros; carinho por ternura; flores por sensibilidade, espinhos por solidão. Discuta as alterações decorrentes das concordâncias verbais e nominais, reforçando como se deu a relação lógico discursiva. Professor, chame a atenção dos alunos para as possíveis formas de pontuação, tanto na atividade 7 como na 8. B- Leia os versos de Mário Quintana Teus olhos Zarpam, do Sonho, em teus olhos Os brigues aventureiros: Lindos olhos cismativos, Com distâncias e nevoeiros... (A cor do Invisível. São Paulo: Globo,1994.p. 90 by Elena Quintana) 1- Professor, faça a leitura dos versos para os alunos, enfatizando a pontuação e entonação. 2- Pergunte aos alunos se esses versos têm sentido para eles. Ouça as possíveis interpretações. 3- Desafie os alunos a descobrirem o sentido dos versos. Comece pela palavra Zarpam. É verbo? O que quer dizer zarpar? Se não souberem, esclareça ou peça para consultar ao dicionário. 4- Agora, que já sabem o significado do verbo zarpar, peça para eles verificarem a concordância do verbo, analisando qual palavra (substantivo) pode exercer a função do sujeito, ou seja, o sujeito que pode praticar a ação de zarpar. 5- Trabalhe o significado de brigues, usando o dicionário e o campo semântico das palavras. 6- Os dois primeiros versos estão na ordem indireta. Solicite aos alunos para reescrevê-los na ordem direta. Resposta: Os brigues aventureiros do Sonho zarpam em teus olhos. 7- Analise como ficam os versos: Os brigues aventureiros do Sonho zarpam em teus olhos: Lindos olhos cismativos, com distâncias e nevoeiros Explorar a pontuação empregada e o sentido figurado das palavras. 9- Fale do emprego da ordem indireta no texto poético. 10- Dê mais exemplos como em:

220 220 a) Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heroico o brado retumbante - Comece pela forma verbal ouviram. Localize, no texto, com os alunos, qual palavra está concordando com o verbo no plural. Esclareça que ela também deverá está no plural. Peça para os alunos a circularem no texto. - Escreva o verso do Hino na ordem direta. Resposta: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico. b) Apresente as definições de amor presentes na música Monte Castelo de Renato Russo, após passá-la para os alunos. O amor é... O amor é o fogo que arde sem se ver. É ferida que dói e não se sente. É um contentamento descontente. É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer. É solitário andar por entre a gente. É um não contentar-se de contente. É cuidar que se ganha em se perder. É um estar-se preso por vontade. É servir a quem vence, o vencedor; É um ter com quem nos mata a lealdade. Tão contrário a si é o mesmo amor. * Destaque os versos: É servir a quem vence, o vencedor É um ter com quem nos mata a lealdade. A forma verbal éconcorda com qual palavra? Retorne o início da definição: O amor é Complete com as formas diretas dos versos: o vencedor servir a quem vence; ter a lealdade com quem nos mata. Discutir a beleza poética da ordem indireta dos versos. AULA 2

221 221 Primeiro passo 1. O professor deverá solicitar aos alunos que, em dupla, acessem a página seguinte e assistam ao vídeo com a canção Cuitelinho, na voz de Renato Teixeira, ou ainda, ofereça a letra e ouça a música com eles. Cuitelinho Renato Teixeira Composição: Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó Cheguei na beira do porto Onde as onda se espaia As garça dá meia volta E senta na beira da praia E o cuitelinho não gosta Que o botão de rosa caia, ai, ai Ai quando eu vim da minha terra Despedi da parentália Eu entrei no Mato Grosso Dei em terras paraguaias Lá tinha revolução Enfrentei fortes batáia, ai, ai A tua saudade corta Como aço de naváia O coração fica aflito Bate uma, a outra faia E os óio se enche d água Que até a vista se atrapáia, ai... Letra e vídeo disponíveis respectivamente em: 2. Após a audição da música, o professor deverá conversar com os alunos a respeito dessa canção que faz parte do nosso folclore musical, esclarecendo a eles que: a) A canção Cuitelinho faz parte do nosso folclore e, portanto, como toda autêntica canção folclórica não tem um autor conhecido. Foi Paulo Vanzolini quem a recolheu da boca do povo. Ficou famosa por ser gravada por Milton Nascimento, Pena Branca e Xavantinho e imortalizada, principalmente, na voz de Nara Leão. b)"cuitelinho é nome que se dá ao beija-flor em algumas partes do centro-sul do Brasil. c) A língua não é usada de modo homogêneo por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe social, e assim por diante. Portanto, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua. Segundo passo

222 A seguir, os alunos, em grupo, deverão responder às questões propostas. I. A variedade linguística empregada no texto é caracterizada pelo registro, na escrita, de formas típicas da linguagem oral. A. Identifique no texto palavras ou expressões que tenham sido escritas exatamente como se fala. B. Identifique no texto procedimentos linguísticos que sejam próprios de relatos ou narrativas. C. Algumas palavras recebem grafia diferente da que é escrita pela norma-padrão. Identifique no texto palavras em que ocorrem a vocalização do -lh. (Exemplo: naváia ao invés de navalha) II. Observe os versos abaixo: Cheguei na beira do porto Onde as onda se espaia As garça dá meia volta A. De acordo com a norma-padrão, a concordância nominal se dá entre o substantivo e seus determinantes em gênero (masculino/feminino) e em número (singular / plural). Nos versos acima, houve desvio da concordância nominal? Transcreva-os. B. Esse desvio de concordância se dá em relação ao número ou ao gênero? Exemplifique. III. Observe que a marca de plural aparece no primeiro elemento: Onde as onda se espaia As garça dá meia volta A. Isso é suficiente para pluralizar a ideia? Explique. IV. Essas situações e outras do texto demonstram que o autor, intencionalmente, fez uso de uma variante linguística para identificar o falar específico e um determinado grupo social. Comente. V. Discuta com seus colegas e responda: O desvio da norma-padrão, no que diz respeito à concordância nominal, pode ser um recurso expressivo para caracterizar o grupo social ao qual pertence o eu-lírico, o narrador ou uma personagem? Justifique sua resposta. 2. Professor, organize os grupos para apresentação do trabalho. Intervenha quando necessário, fazendo uma conclusão ao final e cada apresentação. AULA 3

223 223 Primeiro passo 1. Os alunos deverão ouvir a canção Saudosa Maloca, na voz de Adoniran Barbosa. Se o senhor não tá lembrado Dá licença de contá Que aqui onde agora está Saudosa Maloca Esse adifício arto Era uma casa veia Um palacete assobradado Foi aqui, seu moço Que eu, Mato Grosso e o Joca Construímos nossa maloca Mais um dia Nóis nem pode se alembrá Veio os homi cas ferramentas O dono mandô derrubá Peguemo tudo as nossas coisa E fumos pro meio da rua Preciá a demolição Que tristeza que nóis sentia Cada tauba que caía Duía no coração Mato grosso quis gritá Mas em cima eu falei: Os homi tá ca razão Nóis arranja outro lugá Só se conformemos quando o Jocá falou: "Deus dá o frio conforme o cobertô" E hoje nóis pega a paia nas grama do jardim E pra esquecê nois cantemos assim: Saudosa Maloca, maloca querida Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossa vida Saudosa Maloca maloca querida Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossa vida Letra e vídeo disponíveis, respectivamente em:

224 224 Segundo passo 1. A partir da análise da canção Cuitelinho e da audição de Saudosa Maloca, o professor deverá problematizar a questão da variação linguística com os alunos, ou seja, refletir com eles sobre o seguinte: - A variação linguística não está limitada às falas rurais ou urbanas sem prestígio, ocorre também na fala e na escrita das pessoas urbanas altamente escolarizadas. Ao se estudar a variação linguística por meio da letra da canção Cuitelinho, Saudosa Maloca de Adoniran Barbosa tem como finalidade inserir o leitor em um universo social e cultural diferente daquele que é convencionalmente representado pela ortografia oficial o universo urbano letrado. - A variação da língua expressa a variedade cultural existente em qualquer grupo. Portanto, não há hierarquia entre os usos variados da língua, assim como não há uso linguisticamente melhor que outro. Em uma mesma comunidade linguística, portanto, coexistem usos diferentes, não existindo um padrão de linguagem que possa ser considerado superior. 2. Na continuidade, o professor deverá solicitar aos alunos que realizem uma pesquisa sobre Adoniran Barbosa, um sambista famoso por utilizar um linguajar característico do Bexiga em suas músicas Aos dados, obtidos por meio da pesquisa, os alunos deverão acrescentar uma síntese dos estudos realizados sobre concordância nominal e expressividade para montar uma exposição, que será apresentada na sala de aula para apreciação dos colegas e professor. 4. Professor, trabalhe de forma interdisciplinar com o professor de história e geografia, explorando e discutindo o crescimento das cidades, a situação dos moradores de rua e as políticas públicas voltadas para o social. Observação: Objetiva-se com esta pesquisa, mostrar aos alunos que o desvio da norma-padrão, no que diz respeito à concordância nominal, pode ser um recurso expressivo utilizado pelo autor para caracterizar um determinado grupo social. Terceiro passo Avaliação 1. A partir das atividades desenvolvidas, os alunos poderão ser avaliados pontualmente. 2. O professor deverá observar a participação deles durante as atividades realizadas em dupla e em grupo, verificando principalmente se eles conseguiram perceber que o desvio da normapadrão, no que diz respeito à concordância nominal, pode ser um recurso expressivo utilizado pelo autor para caracterizar um determinado grupo social. AULA 4

225 225 Primeiro passo 1. O estudo da concordância representa um poderoso instrumento para se produzir e interpretar textos de acordo com as normas da variante padrão da língua. Concordar adequadamente o sujeito com o verbo ou o adjetivo com o substantivo pode tornar o texto mais preciso, sem ambiguidades. 2. Professor,após a expor tema concordância verbal e nominal, utilizando estratégias criativas como exibição de vídeos sobre o tema, disponha os alunos em círculo e converse com eles sobre o assunto. Importante: É necessário que todos os alunos participem da conversa. As questões abaixo o ajudarão a orientar a conversa. a. O que é concordância? b. O que é concordância nominal? c. Qual é a regra geral de concordância nominal? Dê exemplos. d. Defina concordância verbal. e. Qual é a regra geral de concordância verbal? f. Em relação ao sujeito composto, o que se deve observar? g. Explique as possibilidades de concordância verbal com o sujeito composto, a partir dos exemplos abaixo. O pai e filho amavam o esporte. Amavam esporte o pai e o filho. Amava esporte o pai e o filho. Observação: Se necessário, o professor poderá exibir novamente os vídeos para os alunos. Primeiro passo AULA 5 1. Nessa aula, o professor deverá exibir para os alunos o vídeo sobre concordância, com o professor Pasquale Cipro Neto. Disponível em:http://www.youtube.com/watch?v=fbiynra7oy8&feature=related 2. Após a exibição do vídeo, a professora deverá retomar com os alunos os casos abordados pelo professor (no vídeo). 3. Explique o emprego da expressão a sós e do adjetivo só (= sozinho) nos exemplos seguintes: Ela quer ficar a sós. Eles quer ficar a sós. Eu quero ficar só. Eles querem ficar sós. 4. O professor deverá exibir para os alunos o vídeo com a música Belos e Malditos da banda Capital Inicial.

226 226 Belos e Malditos Capital Inicial Composição: Renato Russo / Loro Jones / Alvin L. / BozzoBarretti / Dinho Ouro Belos e malditos Feitos para o prazer Os últimos a sair Os primeiros a morrer Belos e malditos Eles ou ninguém De carne quase sempre São anjos para alguém São anjos para alguém... [...] Letra e vídeo disponível em: 5. Após a audição da canção, o professor deverá reproduzir a cópia da letra da música para os alunos e retomar as observações feitas pelo professor Pasquale. Segundo Pasquale, há um exagero de maneira geral, quando se trata da concordância verbal com verbos no infinitivo. 6. Comente esse caso de concordância, a partir das frases abaixo - mencionadas no vídeo. Queiram por gentileza comparecerem ou queiram por gentileza comparecer? 7. Observe a afirmação abaixo: Não se flexiona o infinitivo se ele for introduzido por uma preposição a qual prende o infinitivo a um termo anterior já flexionado. a) Identifique, na canção Belos e Malditos do Capital Inicial, os versos que comprovam essa regra. AULA 6

227 227 Primeiro passo 1. O professor deverá exibir o vídeo com a canção Há tempos de Renato Russo, também utilizada no vídeo do professor Pasquale e organizar a resolução da atividade proposta abaixo. Há Tempos Renato Russo Composição: (Renato Russo) Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade Muitos temores nascem do cansaço e da solidão E o descompasso e o desperdício herdeiros são Agora da virtude que perdemos. Há tempos tive um sonho Não me lembro não me lembro Tua tristeza é tão exata E hoje em dia é tão bonito Já estamos acostumados A não termos mais nem isso. Os sonhos vêm E os sonhos vão O resto é imperfeito. [...] I. Observe os versos em destaque na estrofe abaixo. II. Tua tristeza é tão exata E hoje em dia é tão bonito Já estamos acostumados A não termos mais nem isso. Letra e vídeo disponíveis respectivamente em: A concordância da palavra ter no infinitivo no A não termos mais nem isso verso está correta? Justifique. Segundo passo 1. O professor deverá reproduzir para os alunos a cópia dos anúncios seguintes. 2. O professor deverá dispor os alunos em grupo e solicitar a eles que respondam às perguntas sobre o anúncios a seguir. Anúncio A.

228 228 Disponível em: O verbo deve concordar com o sujeito em número e pessoa. Reescreva a frase A gente não sabe se ri ou se chora substituindo A gente por nós, por eles e faça as modificações necessárias. I. Observe, ainda : A gente não sabe se ri ou se chora. a. Identifique a quem se refere as formas verbais produzimos e vendemos;sabe, ri e chora. b. Compare os dois períodos do anúncio: Nunca produzimos nem vendemos tanto. / A gente não sabe se ri ou se chora. Eles apresentam o mesmo grau de formalidade na linguagem? Justifique. II. III. IV. Reescreva o texto do anúncio, de forma que os dois períodos apresentem o mesmo grau de formalidade na linguagem. Anúncio publicitário é um gênero textual que tem como finalidade promover a marca de um produto ou de uma empresa, ou uma ideia. A linguagem dos anúncios publicitários, geralmente, se adapta ao perfil do público ao qual eles se destinam e ao suporte ou veículo em que eles são publicados. Qual é público alvo do anúncio da Artex? A linguagem está adequada a esse público? Explique. AULA 7

229 229 Terceiro passo 1. O professor deverá solicitar aos alunos que, em dupla, ouçam e leiam a letra seguinte da canção Fora de si de Arnaldo Antunes. Fora De Si Arnaldo Antunes Eu fico louco eu fico fora de si eu fica assim eu fica fora de mim eu fico um pouco depois eu saio daqui eu vai embora eu fico fora de si eu fico oco eu fica bem assim eu fico sem ninguém em mim Letra e vídeo disponíveis respectivamente em: 2. Após ouvirem a canção, os alunos deverão responder, em dupla, às questões propostas: I. Observe o título da canção: Fora de si. De acordo com a estrutura da frase reproduzida do verso, quem pode ficar fora de si? Qual o pronome adequado para a função de sujeito, eu ou ele? II. Identifique, na primeira estrofe da canção: - um exemplo de concordância verbal de acordo com a regra geral. - um exemplo de desvio de concordância verbal, de acordo com a norma padrão. III. No segundo verso da primeira estrofe, retoma-se o título: Eu fico fora de si. Quais as hipóteses possíveis para esse desvio da norma culta? ( ) O eu-lírico está perdendo a sanidade, começando a enlouquecer. ( ) O autor do texto desconhece as regras de concordância verbal. IV. No terceiro verso: Eu fica fora de mim. O pronome oblíquo remete ao sujeito eu. No entanto, a concordância do verbo ficar não é considerada eu fica.pode-se dizer que há, nesse caso, um movimento de afirmação e de transgressão da própria integridade do eulírico, manifestada na organização sintática. Comente. V. A oração eu fico fora de si na canção, pode ser considerada como um desvio gramatical ou um recurso expressivo de grande potencialidade? Justifique. VI. Identifique no segundo e terceiro versos da canção, outros casos que, desconsiderada a questão expressiva, podem ser tomados como desvios da norma padrão. 3. Professor, organize os grupos para apresentação do trabalho. Intervenha quando necessário, fazendo uma conclusão ao final e cada apresentação.

230 230 AULA 8 Primeiro passo 1. Em grupo, os alunos deverão acessar a página seguinte para assistirem ao vídeo com a música Nóistrupica mais num cai na voz da dupla Rick e Renner.CD Nóis Tropica Mas Não Cai.Podem também ouvir a música em CD dentro da sala. Nóis Tropica Mais Não Cai Rick e Renner REFRÃO Nóistrupica mais não cai Pode botar fé Que desse jeito vai...(4x) Tem gente que não Pode beber da boa No primeiro gole Tá caindo à tôa... Tem gente que não Pode beber nada No segundo gole Tá beijando a escada... Tem gente que não Pode beber vinho Na primeira taça Já está tontinho Tem gente que não pode Com rabo de galo Que acaba mamado Mijando ralo... REFRÃO Tem gente que não Pode beber tequila Logo bate o sono E o cabra cochila Não pode beber Nenhum aguardente Se vai conversar Tá cuspindo na gente... Segundo Passo Tem gente que não Bebe uísque com gelo Que bebe cowboy que Até incha o joelho Gente que não pode Beber uma cerveja Começa chorar Debruçado na mesa... REFRÃO Tem gente que não Bebe cachaça pura Açúcar e limão Bota gelo e mistura Aí chama isso De caipirinha E arrota azedo A noite inteirinha... Tem gente que quando Não acha cachaça Bebe qualquer coisa E a vontade não passa A bebida tá Te deixando com sono Cuidado que "U" de bebum Não tem dono... REFRÃO Letra e vídeo disponíveis em: 1. Após a audição da música, o professor deverá propor aos alunos as questões seguintes. I. O tipo de linguagem deve ser adequado ao público alvo. Qual é o público alvo da música Nóistrupica mais não cai?

231 231 II. Considerando o público interlocutor dessa canção, a linguagem utilizada está adequada? III. A que se refere o pronome "nós" da expressão Nóistrupica mais não cai? IV. Um dos recursos para caracterizar personagens que usam variedades da língua pouco prestigiadas é o desvio de concordância verbal. Identifique na canção ocorrências desse tipo de desvio. V. Discuta com seus colegas e responda: Os desvios de concordância verbal na canção Nóistrupica mais não cai podem ser considerados recursos expressivos para marcar as diferenças sociais? Justifique sua resposta. VI. Os alunos deverão montar uma síntese do que foi estudado sobre concordância verbal e variedade linguística para ser apresentada em dupla.. 2. O professor poderá solicitar aos alunos que façam uma pesquisa sobre os casos específicos de concordância verbal, acessando as páginas: Terceiro Passo Avaliação 1. Professor, a partir das atividades desenvolvidas, os alunos poderão ser avaliados. Para isso, observe a participação deles durante as atividades realizadas em dupla e em grupo, verificando, principalmente, se eles conseguiram perceber o emprego dos desvios de concordância verbal como um recurso expressivo para caracterizar personagens que usam variedades da língua pouco prestigiadas socialmente. 2. Avalie, também, durante a realização das atividades sobre concordância verbo-nominal em anúncios, em textos variados: vídeos, anúncios e letras de música.

232 232 AULA 9 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem de questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de Inferir o sentido de uma palavra ou expressão. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a) Leia o texto para os alunos. b) Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c) Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d) No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e) Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f) Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g) Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. Questão 1 Leia o texto abaixo. Disponível em: <www.monica.com.br/comics/tirinhas.htm> Acesso em: 20 dez No último quadrinho desse texto, no trecho Seeu conseguir tirar ele daqui..., a palavra destacada estabelece relação de A) alternância. B) conclusão. C) condição. D) explicação.

233 233 Questão 2 Leia o texto abaixo. FAMÍLIA BRASILEIRA NÃO É MAIS A MESMA O crescimento da proporção de solitários é um aspecto das mudanças na estrutura familiar brasileira, reveladas pelos dados do IBGE. Uma tendência confirmada pela amostra é o avanço da mulher como chefe de domicílio. No último censo, 26,7% das famílias tinham a mulher como cabeça, contra 20,5% em Para a socióloga Lilibeth Cardoso Roballo Ferreira, esse dado tem relação com o número de pessoas que vivem sós. Para efeito da Amostra do Censo, em uma casa habitada por apenas uma mulher, ela é a chefe, o que ocorreu em 17,9% dos casos. Enquanto isso, apenas 6,2% dos domicílios chefiados pelo homem tinham apenas um morador. Outra mudança importante na estrutura familiar é o crescimento das uniões consensuais, acompanhado pela queda no número de casamentos legais. Entre 1991 e 2000, subiu de 18,3% para 28,3% a porcentagem de brasileiros que preferem a união consensual. Em contrapartida, a proporção de pessoas com casamento registrado em cartório caiu, no mesmo período, de 57,8% para 50,1%. A queda da taxa de fecundidade, por sua vez, provocou também a diminuição do número médio de pessoas por família, de 3,9 em 1991 para 3,5 em As famílias com até quatro componentes representam 60% do total. Por causa disso, o Brasil, aproxima-se de um padrão observado em países desenvolvidos, onde o crescimento populacional é substituído pela reposição da população, ou seja, o número de nascimento está perto do número de óbitos. Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, 19 maio O uso de Em contrapartida, no trecho Em contrapartida, a proporção de pessoas com casamento registrado caiu, estabelece a relação de oposição com a ideia de: A) acréscimo espantoso da população brasileira. B) aumento do percentual da preferência pela união consensual. C) aumento no número de nascimento em relação ao óbito. D) crescimento do número de famílias que tem a mulher na liderança. Questão 3 Leia os textos abaixo. A letra e a música Quando nos encontramos Dizemo-nos sempre as mesmas palavras que todos os amantes dizem... Mas que nos importa que as nossas palavras sejam as mesmas de sempre? A música é outra! QUINTANA, Mário. A cor do invisível. 2ª ed. São Paulo: lobo, p. 96. No primeiro verso Quandonos encontramos, a expressão destacada estabelece uma relação de A) causalidade. B) finalidade. C) proporcionalidade. D) temporalidade.

234 234 Questão 4 Leia o texto abaixo. A verdade do 1º de abril Todos os anos, meu pai arranja um jeitode pegar minha mãe na mentirinha de 1º de abril. Porém, no ano passado,o que era mentira virou verdade. Logocedo, ao voltar do curral, ele disse: Uma vaca pariu gêmeos! Ótimo,logo, logo, tirarei uma foto!, respondeuela. Não precisa, pois hoje é 1o deabril, ele completou. Só que cinco diasdepois, nasceu na Fazenda Santo Antônio,em Ilhéus, BA, um belo casal que recebeuos nomes de Mineiro e Mineirinha, já quea mãe é apelidada de Mineira. Franciane e Raphael Madureira Itabuna, BA Globo Rural, julho 2000 Leia novamente a frase abaixo. Só que cinco dias depois, nasceu na Fazenda Santo Antônio, em Ilhéus, BA,um belo casal... A expressão sublinhada pode ser substituída por A) porque. B) por isso. C) mas. D) quando.

235 235 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 15Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que compõem a narrativa COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico-discursivas HABILIDADE Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que compõem a narrativa Habilidade do CBC 8.1.Reconhecer e usar as fases ou etapas da narração em um texto ou sequência narrativa. Em que consiste essa habilidade? Toda narrativa obedece a um esquema de constituição, de organização, que, salvo algumas alterações, compreende as seguintes partes: I) Introdução ou Apresentação corresponde ao momento inicial da narrativa, marcado por um estado de equilíbrio, em que tudo parece conformar-se à normalidade. Do ponto de vista da construção da narrativa, nesta parte, são indicadas as circunstâncias da história, ou seja, o local e o tempo em que decorrerá a ação e são apresentadas personagens principais (os protagonistas); tal apresentação se dá por meio de elementos descritivos (físicos, psicológicos, morais e outros). Cria-se, assim, um cenário e um tempo para os personagens iniciarem suas ações; já se pode antecipar alguma direção para o enredo da narrativa. É, portanto, o segmento da ordem existente. II) O segundo momento Desenvolvimento e Complicação corresponde ao bloco em que se sucedem os acontecimentos, numa determinada ordem e com a intervenção dos protagonistas. Corresponde, ainda, ao bloco em que se instala o conflito, a complicação, ou a quebra daquele equilíbrio inicial, com a intervenção opositora do(s) antagonista(s) (personagem (ns) que, de alguma forma, tenta(m) impedir o protagonista de realizar seus projetos, normalmente positivos). É, portanto, o segmento da ordem perturbada. III) O terceiro momento Clímax corresponde ao bloco em que a narrativa chega ao momento crítico, ou seja, ao momento em que se viabiliza o desfecho da narrativa. IV) O quarto e último momento Desfecho ou desenlace corresponde ao segmento em que se dá a resolução do conflito. Dentro dos padrões convencionais, em geral, a narrativa acaba com um desfecho favorável. Daí, o tradicional final feliz. Esse último bloco é o segmento da ordem restabelecida. Um item vinculado a esse descritor deve levar o aluno a identificar um desses elementos constitutivos da estrutura da narrativa. Evidentemente, o texto utilizado deve ser do tipo narrativo. Vejamos o item a seguir. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? O professor pode fazer uma seleção de textos clássicos narrativas, poemas, crônicas para que os alunos se familiarizem com as construções sintáticas, recursos estilísticos característicos

236 236 de épocas diferentes. Com esses textos, o trabalho deve centrar-se na identificação dos elementos que constituem a narrativa. SUGESTÕES PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 Primeiro passo Disponível em: O enredo no texto narrativo é o conteúdo do texto que tem como núcleo o conflito, o qual está diretamente ligado às personagens, situadas no tempo e no espaço. É no enredo que se desenrolam os acontecimentos que formam o texto. É com base nele que os demais elementos que compõem a estrutura da narrativa vão se formando e se relacionando para a construção de um texto coerente e lógico. 1. Como ponto de partida, o professor deverá conversar com os alunos sobre o assunto a ser estudado o enredo na narrativa -, perguntando a eles: a. O que faz um texto narrativo ser interessante, prender a nossa atenção e nos mostrar que forma um todo? b. O desenrolar dos acontecimentos é o enredo. Quais elementos estão envolvidos nesses acontecimentos? 2. O professor deverá exibir para os alunos os vídeos seguintes sobre os elementos da narrativa que compõem o enredo. a. Redação Elementos da narrativa Disponível em: b. Redação elementos da narrativa Parte 2-2

237 Após assistirem aos vídeos, o professor deverá promover uma discussão sobre o assunto abordado nos vídeos elementos da narrativa, enfatizando os elementos que compõem o enredo. Primeiro passo AULA 2 1. O professor deverá reproduzir para os alunos a cópia do conto O Homem Nu de Fernando Sabino. O Homem Nu,Fernando Sabino Disponível em:http://www.telefilme.net/sinopse-do-filme-7630_o-homem-nu.html O HOMEM NU Ao acordar, disse para a mulher: Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum. Explique isso ao homem ponderou a mulher. Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar amanhã eu pago. Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento. Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à

238 238 espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos: Maria! Abre aí, Maria. Sou eu chamou, em voz baixa. Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro. Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão: Maria, por favor! Sou eu! Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer. Ah, isso é que não! fez o homem nu, sobressaltado. E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror! Isso é que não repetiu, furioso. Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu. Maria! Abre esta porta! gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho: Bom dia, minha senhora disse ele, confuso. Imagine que eu... A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito: Valha-me Deus! O padeiro está nu!

239 239 Disponível em: E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha: Tem um homem pelado aqui na porta! Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava: É um tarado! Olha, que horror! Não olha não! Já pra dentro, minha filha! Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta. Deve ser a polícia disse ele, ainda ofegante, indo abrir. Não era: era o cobrador da televisão. Esta é uma das crônicas mais famosas do grande escritor mineiro Fernando Sabino. Extraída do livro de mesmo nome, Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 65. Disponível em:http://www.releituras.com/fsabino_homemnu.asp

240 240 Sobre o autor Imagem disponível em: Fernando Tavares Sabino, filho do procurador de partes e representante comercial Domingos Sabino, e de D. Odete Tavares Sabino, nasceu a 12 de outubro de 1923, Dia da Criança, em Belo Horizonte. [...] Informação disponível em: 2. O professor deverá solicitar aos alunos que façam a leitura silenciosa do texto. 3. A seguir, o professor deverá escolher alguns alunos para fazer a leitura oral do texto um aluno para cada personagem e um para o narrador. Nesse momento será observada a entonação adequada a cada fala. Segundo passo I- Os alunos, em grupo, deverão responder às questões propostas na sequência sobre o conto O Homem Nu de Fernando Sabino. 1. No conto O Homem Nu de Fernando Sabino, o autor descreve o lado pitoresco do cotidiano com muitas situações vibrantes, de uma maneira ágil e direta, enquanto parece que está conversando com o leitor. Terceiro passo a. Resuma a história. Lembre-se de que num resumo você deverá excluir os diálogos diretos. b. Você acha que na realidade é possível acontecer situação semelhante a vivenciada pela personagem principal desse conto? Justifique sua resposta. Professor, analise o texto com os alunos. I. Observe a organização do enredo do conto e escreva onde começa e termina cada uma das partes abaixo: a. equilíbrio inicial parte em que a situação é apresentada e ainda não surgiu o conflito; b. conflito o problema a ser resolvido; c. clímax momento mais emocionante e difícil do conflito; d. desfecho solução do conflito. II- Para correção das atividades realizadas, abra espaço para que todos os grupos apresentem suas respostas, mediando as discussões com esclarecimentos que se fizerem necessários.

241 241 AULA 3 Primeiro Passo Produção de texto 1. O professor deverá exibir para os alunos o vídeo do trailer do filme O Homem Nu de Roberto Santos, baseado no conto homônimo de Fernando Sabino. Disponível em:http://videos.wittysparks.com/id/ A seguir, o professor deverá apresentar aos alunos a seguinte proposta de produção de texto. a. A história apresentada no trailer difere do conto de Fernando Sabino, exatamente na apresentação do conflito: Um homem ao sair nu para pegar o pão na porta de seu apartamento é surpreendido por uma rajada de vento que faz sua porta bater, deixando-o preso, totalmente nu, do lado de fora, somente com o pão nas mãos para esconder sua nudez. Sem saber o que fazer ele sai correndo em disparada para a rua... b. Lembre-se de que o enredo de uma narrativa geralmente é organizado da seguinte forma: Situação inicial: Os personagens e o espaço são apresentados. Estabelecimento de um conflito: Um acontecimento modifica a situação apresentada e desencadeia uma nova situação a ser resolvida, que quebra a estabilidade de personagens e acontecimentos. Clímax: Ponto de maior tensão na narrativa. Epílogo/desfecho: Solução do conflito, o que nem sempre significa um final feliz. c. Conforme a história apresentada no trailer do filme, a situação inicial foi apresentada e o conflito estabelecido, isto é, chegou-se a um momento emocionante da história. Imagine as aventuras vividas pelo homem nu, correndo desenfreado pelas ruas, tentando se ocultar e escreva uma continuação para o episódio, encaminhando os fatos para o clímax e consequentemente para o desfecho. d. Para que seu texto seja coerente mantenha: as personagens apresentadas, mesmo que você decida incluir outras; o foco narrativo de terceira pessoa e o mesmo local e época. e. Reúna-se em grupo. Cada colega deverá fazer comentários a respeito do texto do colega. Se achar necessário reescreva seu texto antes de apresentá-lo ao professor. Segundo Passo Avaliação Os alunos serão avaliados coletivamente durante a realização das atividades de interpretação do conto O Homem Nu de Fernando Sabino e, individualmente, por meio da produção de um conto a partir de um conflito já estabelecido, quando eles poderão demonstrar o conhecimento a respeito da forma como o enredo de uma narrativa é organizado.

242 242 AULA 4 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de distinguir um fato de uma opinião relativa a esse fato. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 1 Leia o texto abaixo: A beleza total A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços. A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa. O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves. ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, O conflito central do enredo é desencadeado A) pela extrema beleza da personagem. B) pelos espelhos que se espatifavam. C) pelos motoristas que paravam o trânsito. D) pelo suicídio do mordomo.

243 243 Questão 2 Leia o texto para responder a questão abaixo: A outra noite Rubem Braga Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas. Uma paisagem irreal. Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltarse para mim: O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas tem mesmo luar lá em cima? Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra pura, perfeita e linda. Mas, que coisa... Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa. Ora, sim senhor... E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um boa noite e um muito obrigado ao senhor tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei. BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, O fato que desencadeou a história foi (A) a viagem a São Paulo. (B) o mau tempo em São Paulo. (C) o agradecimento do taxista. (D) a conversa ouvida pelo taxista. Questão 3 Leia o texto abaixo e responda. Sinceridade de criança Era uma época de vacas magras. Morava só com meu filho, pagando aluguel, ganhava pouco e fui convidada para a festa de aniversário de uma grande amiga. O problema é que não tinha dinheiro messmoooooo. Fui a uma relojoaria à procura de uma pequena joia, ou bijuteria mesmo, algo assim, e pedi à balconista: Queria ver alguma coisa bonita e barata para uma grande amiga! Ela me mostrou algumas peças realmente caras, que na época eu não podia pagar. Então eu pedi: Posso ver o que você tem, assim... alguma coisa mais baratinha? E a moça me trouxe um pingente folheado a ouro... bonito e barato. Eu gostei e levei. Quando chegamos ao aniversário, (eu e meu filho) fomos cumprimentar minha amiga, que, ao abrir o presente, disse:

244 244 Nossa, muito obrigada!!!!! Que coisa linda!!!!! E meu filho, na sua inocência de criança bem pequena, sem saber bem o que significava a expressão baratinha completou: E era a mais baratinha que tinha!!!. Disponível em: <http://recantodasletras.uol.com.br/infantil/610758>. Acesso em: 22 mar O enredo desse texto se desenvolve a partir A) da chegada ao aniversário. B) da inocência da criança. C) do convite para o aniversário. D) do presente comprado. Questão 4 Leia o texto abaixo e responda. Os Viajantes e a Bolsa de Moedas Dois homens viajavam juntos ao longo de uma estrada, quando um deles encontrou uma bolsa cheia de alguma coisa. E ele disse: Veja que sorte a minha, encontrei uma bolsa, e a julgar pelo peso, deve estar cheia de moedas de ouro. E lhe diz o companheiro: Não diga encontrei uma bolsa; mas, nós encontramos uma bolsa, e quanta sorte temos. Amigos de viagem devem compartilhar as tristezas e alegrias da estrada. O sortudo, claro, se nega a dividir o achado. Então escutam gritos de: Pega ladrão!, vindo de um grupo de homens armados com porretes, que se dirigem, estrada abaixo, na direção deles. O viajante sortudo, logo entra em pânico, e diz. Estamos perdidos se encontrarem essa bolsa conosco. Replica o outro: Você não disse nós antes. Assim, agora fique com o que é seu e diga, Eu estou perdido. Moral da História: Não devemos exigir que alguém compartilhe conosco as desventuras, quando não lhes compartilhamos também as nossas alegrias. Esopo. Disponível em: <http://sitededicas.uol.com.br> Acesso em: 02 fev O fato que deu origem a essa história foi A) o amigo ter abandonado o outro companheiro. B) o viajante ser perseguido por homens armados. C) os amigos ficarem perdidos em uma estrada. D) os viajantes encontrarem uma bolsa com moedas.

245 245 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 16Identificar a tese de um texto COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico-discursivas HABILIDADE Identificar a tese de um texto Detalhamento da habilidade CBC 12.1.Reconhecer e usar as fases ou etapas da argumentação em um texto ou sequência argumentativa. Em que consiste essa habilidade? Em geral, um texto dissertativo expõe uma tese, isto é, defende um determinado posicionamento do autor em relação a uma ideia, a uma concepção ou a um fato. A exposição da tese constitui uma estratégia discursiva do autor para mostrar a relevância ou consistência de sua posição e, assim, ganhar a adesão do leitor pela adoção do mesmo conjunto de conclusões. Um item que avalia essa habilidade deve ter como base um texto dissertativo-argumentativo, no qual uma determinada posição ou ponto de vista são defendidos e propostos como válidos para o leitor. Por meio deste item, pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer o ponto de vista ou a ideia central defendida pelo autor. A tese é uma proposição teórica de intenção persuasiva, apoiada em argumentos contundentes sobre o assunto abordado. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? A exposição da tese constitui uma estratégia discursiva do autor para mostrar a relevância ou consistência de sua posição e, assim, ganhar a adesão do leitor pela adoção do mesmo conjunto de conclusões. A diversidade de convívio com gêneros e com suportes é uma das diretrizes da pedagogia de leitura na atualidade. O professor deve trabalhar, em sala de aula, com textos argumentativos para que os alunos tenham a oportunidade de desenvolver habilidades de identificar as teses e os argumentos utilizados pelos autores para sustentá-las. Essa tarefa exige que o leitor reconheça o ponto de vista que está sendo defendido. O grau de dificuldade dessa tarefa será maior se um mesmo texto apresentar mais de uma tese. Primeiro passo SUGESTÕES PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 Professor, para trabalhar com a habilidade de identificação de tese é necessário fazê-lo em textos, mostrando para os alunos a diferença entre tema e tese, assim como apresentamos a seguir: 1. Vamos a um exemplo que apresenta uma introdução de um texto sobre a violência: Muitos discutem a crescente violência dos dias atuais como algo exterior e nunca como

246 246 um movimento que inicia em si mesmo. Isso se dá por conta do individualismo exacerbado vivido hodiernamente e por conta da irreflexão de atos, como o consumo de drogas, que pioram ainda mais a situação. - Professor, discuta com seus alunos, possibilitando a eles perceber do que fala esse parágrafo, isto é, qual é o assunto em foco,fazendo-os chegar, nesse caso, ao tema: a violência nos dias atuais. - Possibilite a seus alunos a reflexão: em textos do tipo argumentativo, o autor apresenta o que pensa, defende e acredita sobre um determinado assunto. Essa é a tese que pode ser apresentada de forma positiva (favorável) ou negativa (desfavorável) à ideia-núcleo. - Releia o parágrafo com os alunos e faça-os chegar à conclusão de que a tese desse parágrafo em estudo é: a violência como sendo um movimento que começa dentro de cada um.para fundamentar essa ideia, o autor elabora dois argumentos: 1) o individualismo; e 2) a irreflexão de atos como o consumo de drogas. Portanto, podemos dizer que argumento é um recurso de linguagem que visa convencer o leitor de nossas ideias, opiniões, sendo fundamental nos textos argumentativos. Texto retirado do livro: Linguagem Criação e Interação-9ºano-Cássia Garcia de Souza e Márcia PaganiniCavequia-Ano Uma sociedade sem tabaco Pelo potencial nocivo que encerra, por sua disseminação universal em todos os segmentos da sociedade, o tabagismo configura uma das mais perniciosas formas de toxicomania. Por isso é difícil entender que venha sendo tão amplamente divulgado e utilizado, com o aval da sociedade. A experiência da lei seca nos Estados Unidos, e até mesmo os escassos resultados que se verificam com a expressão policial ao comércio e ao consumo de drogas alucinógenas, nos mostram que a proibição não é o caminho. É preciso que a sociedade possa repudiar o fumo e configurá-lo como ato antissocial. Toda e qualquer forma de publicidade do fumo deve ser rigorosamente proibida. Não basta inserir, em letras microscópicas, que o fumo é nocivo à saúde nas vistosas propagandas veiculadas nas páginas de revistas ou nos outdoors, ou exibi-las poucos segundos após artificiosos comerciais na televisão. No plano individual, há que se conscientizar os fazedores de opinião, principalmente os médicos, da importância do seu papel. Não apenas como exemplo, tantas vezes negligenciado, mas pela ação e pela autoridade de suas palavras. O surgimento de medicamentos que substituem a nicotina parece constituir, em pacientes devidamente orientados, importante e eficaz instrumento à disposição do médico para auxiliar na erradicação do fumo (...). Disponível em:http://www.cardiol.br/fumo.htm. Professor, inicie o trabalho de leitura apresentando o texto aos alunos e conversando com eles sobre o título do texto, antecipando o tema que será abordado. Pergunte para seus alunos como eles veem o uso de cigarros no dia de hoje. Aborde as seguintes situações: Os malefícios que o cigarro provoca à saúde O uso do cigarro em locais públicos; Lei de proibição do uso do cigarro em locais públicos: Lei Federal de 15 de julho de Art. 2 o É proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer

247 247 outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado, privado ou público. (Redação dada pela Lei nº , de 2011) 1 Incluem-se nas disposições deste artigo as repartições públicas, os hospitais e postos de saúde, as salas de aula, as bibliotecas, os recintos de trabalho coletivo e as salas de teatro e cinema. As mudanças com relação à publicidade do uso do cigarro (inclusão de mensagem de advertência sobre os riscos do produto à saúde, em sua embalagem. Em seguida, faça uma leitura compartilhada, dividindo os cinco parágrafos apresentados entre cinco diferentes leitores. Segundo passo Durante a leitura - Explore o vocabulário do texto com seus alunos. Verifique se há dúvidas no entendimento de certas palavras e expressões como: perniciosas, toxicomania, tabagismo, lei seca, dentre outros, facilitando o entendimento do texto. Use o dicionário sempre que for necessário. - Chame atenção de seus alunos para o terceiro parágrafo, retome a leitura do parágrafo, destacando a data da publicação do texto, o argumento quanto à publicidade. Pergunte a eles: Houve alguma mudança no que está escrito no texto com relação à publicidade, de 2007 para os dias atuais? Quais? - Proponha aos alunos a releitura do título e do 1º parágrafo, retome as orientações quanto ao assunto do texto e quanto à sua tese, fazendo-os concluir, proximamente, que o assunto é o uso do cigarro na sociedade e que a tese pode ser traduzida como: o absurdo de a sociedade permitir o tabagismo, uma vez que já se concluiu que é uma das mais perniciosas formas de toxicomania. - Solicite a leitura, parágrafo por parágrafo, discutindo-se os argumentos, enfim o conteúdo do texto, trabalhando dessa forma, a leitura com compreensão. Terceiro passo Depois da leitura Entendo a construção do texto argumentativo - Pergunte aos alunos qual a finalidade do texto lido, propondo responder marcando a alternativa que melhor atenda ao questionamento: Contar uma história; Fazer uma propaganda; Defender uma ideia; Fazer um convite. - Discuta com os alunos a resposta apresentada, mostrando para eles que esse texto busca discutir o uso do cigarro na sociedade e apresentar algumas alternativas no combate ao fumo, em favor de uma sociedade sem nicotina. - Para isso, divida o texto em partes e construa fichas com fragmentos dos textos para que os alunos possam identificar as partes que constroem o texto argumentativo.

248 248 Pelo potencial nocivo que encerra, por sua disseminação universal em todos os segmentos da sociedade, o tabagismo configura uma das mais perniciosas formas de toxicomania. Por isso é difícil entender que venha sendo tão amplamente divulgado e utilizado, com o aval da sociedade. A experiência da lei seca nos Estados Unidos, e até mesmo os escassos resultados que se verificam com a expressão policial ao comércio e ao consumo de drogas alucinógenas, nos mostram que a proibição não é o caminho. É preciso que a sociedade possa repudiar o fumo e configurá-lo como ato antissocial. Toda e qualquer forma de publicidade do fumo deve ser rigorosamente proibida. Não basta inserir, em letras microscópicas, que o fumo é nocivo à saúde nas vistosas propagandas veiculadas nas páginas de revistas ou nos outdoors, ou exibi-las poucos segundo após artificiosos comerciais na televisão. No plano individual, há que se conscientizar os fazedores de opinião, principalmente os médicos, da importância do seu papel. Não apenas como exemplo, tantas vezes negligenciado, mas pela ação e pela autoridade de suas palavras. O surgimento de medicamentos que substituem a nicotina parece constituir, em pacientes devidamente orientados, importante e eficaz instrumento à disposição do médico para auxiliar na erradicação do fumo (...). Peça-lhes que identifiquem no texto: a introdução, isto é, a apresentação da ideia, o desenvolvimento que são os argumentos e a conclusão que supõe a retomada da introdução e da argumentação com um fechamento conclusivo. AULA 2 Textos retirados e atividades adaptadas do livro didático Tudo é linguagem - Ana Borgatto, Terezinha Bertim e Vera Marchezi-9ºano-Editora Ática. Trocamos a educação por tecnologia? Estamos trocando a educação para a liberdade responsável e para a autonomia pelos recursos tecnológicos mais avançados, é isso? O caminho é sedutor porque bem mais simples e com custos bem menores. Os pais, preocupados com a segurança dos filhos ah, o que não temos feito em nome desse item!- acabam consumindo, sem grandes reflexões, as ideias mais absurdas. Como essa, por exemplo, do controle da localização dos filhos pelo celular. Ora, ora! Quem diria que a geração pós-segunda Guerra, que lutou pela democracia e pela liberdade, que bradou contra a tutela da família, chegasse a esse ponto com os próprios filhos? "Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais..." O controle é eficiente para acalmar as aflições dos pais. É eficiente, ainda, para provocar efeitos

249 249 colaterais dos mais indesejáveis, e outros riscos. Vejamos. Em primeiro lugar, se tem quem controle o jovem, por que haveria ele de se responsabilizar pelo autocontrole? Mais fácil deixar para os pais essa tarefa difícil já que eles assim o desejam. Em segundo, tem a dificuldade da construção da privacidade. E sem privacidade, não há intimidade. E tem mais, ainda: se os pais não acreditam que o filho seja capaz de avaliar situações de risco, de se proteger, de caminhar com as próprias pernas, por que ele mesmo acreditaria? Pensando bem, é uma bobagem preocupar-se com isso. Os jovens sempre têm respostas inteligentes para propostas medíocres. Eles encontrarão um jeito de burlar o dispositivo. Não são eles os melhores no uso da tecnologia? ROSELY SAYÃOESPECIAL PARA A FOLHA ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha) "Coleira" é necessária para alguns A questão do controle dos pais sobre os filhos sempre é controversa, mas é necessário deixar claro que o responsável pelos limites que os adultos estabelecem para a sua autonomia é o próprio adolescente. Quem vai dizer se tem de haver um controle ou não é a própria vida que o adolescente leva nesse processo de "segundo parto" -porque a adolescência é o segundo parto para ganhar a autonomia comportamental. Teoricamente, esse jovem não precisa depender dos adultos para decidir o que fazer. Agora, uma vez que ele não se mostre competente para ditar os próprios rumos e, em vez de ir à escola fica no bar da esquina, o controle é necessário. Nesse contexto, aparelhos rastreadores capazes de deixar os filhos localizáveis o tempo todo, que chamo de "coleira virtual", são bastante viáveis. Esses jovens que precisam de controle não tomam as medidas de proteção necessárias e acabam se expondo a todo o tipo de perigo. Em vez de manter a família informada, simplesmente desaparecem. Os pais têm de impor limites: se largar o celular em qualquer lugar, então não merece sair. Nesse ponto, tem de ser um pouco mais radical, porque alguns adolescentes transcendem os limites, e os pais só vão saber na hora de tirá-los, na melhor das hipóteses, da delegacia. Assim como há jovens que podem ir para a "balada" sem maiores preocupações, existem outros que precisam, sim, dessa "coleira virtual". IÇAMI TIBA ESPECIAL PARA A FOLHA IÇAMI TIBA, 63, psiquiatra, é autor de "Quem Ama, Educa!", entre outros livros Primeiro Momento Professor, proponha a seus alunos a leitura dos dois textos, instigando-lhes a curiosidade, mediante a discussão dos títulos e de seus autores, apresentados pela referência abaixo dos textos. Após essa introdução, possibilite a seus alunos discutir o conteúdo de cada um dos textos, retomando a leitura se e quando necessário. Coleira é necessária para alguns - de Içami Tiba Trocamos educação por tecnologia? - de Rosely Sayão

250 250 Segundo Momento Comparando a estrutura dos textos: - discuta a estrutura dos dois textos com os alunos, mostrando-lhes que apresentam Introdução, com as opiniões de seus autores, o Desenvolvimento, com seus argumentos, e a Conclusão, fechando suas opiniões e retomando a ideia inicial que está na introdução; - possibilite a seus alunos discutir e concluir que os textos lidos são textos argumentativos, do tipo texto de opinião, porque, neles, seus autores defendem ideias e tentam convencer o leitor de suas posições, utilizando-se de argumentos consistentes; - oriente seus alunos a preencher, em dupla, o quadro a seguir, mostrando a tese, os argumentos e a conclusão de cada articulista. Lembre seus alunos de que a tese de um texto de opinião é a opinião de seu autor. 1. A favor (Içami Tiba) 2. Contra (Roseli Sayão) Opinião Argumentos Conclusão - corrija a atividade, discutindo com eles a melhor forma de escrever, de elaborar suas respostas. Terceiro Momento Professor, para exercitar tudo que está sendo estudado nessa lição, realize com seus alunos um debate sobre o tema: O controle dos pais sobre os filhos: os pais têm o direito de controlar seus filhos pelo celular? 1.Para isso, organize os alunos por grupo de opinião: contra, a favor, parcialmente a favor, parcialmente contra. 2.Cada grupo deverá: - eleger um relator, que registrará os argumentos que sustentam a posição do grupo; - fazer um cartaz com um esquema que registre a posição principal, isto é, a tese defendida pelo grupo e os argumentos que a fundamentem; - se possível, pesquisar notícias ou opiniões de outros especialistas para ampliar os argumentos e acrescentá-las ao cartaz. 3.Um aluno da sala deverá apresentar o tema do debate e destacar a importância que o assunto tem para os jovens. 4.Cada relator vai apresentar a posição do grupo e os respectivos argumentos. Nessa etapa, quem estiver falando não deverá ser interrompido. 5.Os alunos que quiserem a palavra para manifestar outras opiniões ou complementar os argumentos expostos devem levantar a mão para ser inscritos e chamados a falar depois da exposição dos relatores.

251 251 6.A classe deve estabelecer o tempo para que cada relator faça sua apresentação e para os que quiserem tomar a palavra. Professor, conclua os trabalhos, fazendo os elogios devidos, corrigindo os desvios, reafirmando as aprendizagens. AULA 3 Professor, apresentamos a seguir exercícios para os alunos desenvolverem a habilidade de identificação da tese e de seus argumentos. Proceda a leitura dos textos com os alunos antes de iniciarem as atividades propostas. Não precisa trabalhar com todos os textos em uma só aula. 1) Nos parágrafos abaixo, sublinhe a tese e coloque os argumentos entre parênteses. a) As leis já existentes que limitam o direito de porte de arma e punem sua posse ilegal são os instrumentos que efetivamente concorrem para o desarmamento, e foram as responsáveis pelo grande número de armas devolvidas por todos os cidadãos responsáveis e cumpridores da lei, independentemente de sua opinião a favor ou contra o ambíguo e obscuro movimento denominado desarmamento. Os cidadãos de bem obedecem às leis independentemente de resultados de plebiscito, enquanto osdesonestos e irresponsáveis só agem de acordo com seus interesses desobedecendo a todos os princípios legais e sociais, e somente podem ser contidos através da repressão. (Opinião, site o Globo. In: asp) b) As ditaduras militares foram uma infeliz realidade na América do Sul dos anos 1960 e Em todas elas houve drástica repressão às oposições e dissidências, com a adoção da tortura e da perseguição como política de governo. Ao fim desses regimes autoritários adotaram-se formas semelhantes de transição com a aprovação das chamadas leis de impunidade, as quais incluem as anistias a agentes públicos. (Eugênia Augusta Gonzaga e Marlon Alberto Weichert, Carta capital. In: c) Todos os palestrantes concordaram que a participação da sociedade civil é fundamental para que qualquer debate sobre a comunicação avance no Congresso. Se dependermos apenas do conservadorismo da Câmara e do Senado, será muito difícil avançar, discursou o deputado Ivan Valente. Ele destacou o fato de que existem parlamentares no Congresso que tem fortes vínculos ou até mesmo são proprietários de meios de comunicação. Até os Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, estabelece limites para evitar monopólios e define que quem tem rádio não pode ter televisão, e vice-versa. Precisamos pautar-nos em propostas como essas. (Ricardo Carvalho. Regulação da mídia é pela liberdade de expressão. Carta capital. In: d) Para a presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, Rosane Nascimento, não é necessário que o Brasil lance mão de práticas baseadas no uso de agrotóxicos e mudanças genéticas para alimentar a população. "Estamos cansados de saber que o Brasil produz alimento mais do que suficiente para alimentar a sua população e este tipo de artifício não é necessário. A lógica dessa utilização é a do capital em detrimento do respeito ao cidadão e do direito que ele tem de se alimentar com qualidade", protesta. (Raquel Júnia. Agronegócio não garante segurança alimentar. Caros Amigos.

252 252 In: e) A leitura de jornais e revistas facilita a atualização sobre a dinâmica dos acontecimentos e promove o enriquecimento do debate sobre temas atuais. A rapidez com que a notícia é veiculada por esses meios é clara, garantindo a complementaridade da construção do conhecimento promovida pelas aulas e pelos livros didáticos. O apoio didático representado pelo uso de jornais e revistas aproxima os alunos do mundo que os cerca. (Ana Regina Bastos - Revista Eletrônica UERG. Mundo vestibular. In: vestibular-utilizando-jornais-e- Respostas:Nos textos apresentados, para entendimento das respostas, a tese está sublinhadaeos argumentos em itálico e negrito a)as leis já existentes que limitam o direito de porte de arma e punem sua posse ilegal são os instrumentos que efetivamente concorrem para o desarmamento, e foram as responsáveis pelo grande número de armas devolvidas por todos os cidadãos responsáveis e cumpridores da lei, independentemente de sua opinião a favor ou contra o ambíguo e obscuro movimento denominado desarmamento. (ARG 1) /// Os cidadãos de bem obedecem às leis independentemente de resultados de plebiscito, enquanto os desonestos e irresponsáveis só agem de acordo com seus interesses desobedecendo a todos os princípios legais e sociais, e somente podem ser contidos através da repressão. (ARG 2) (Opinião, site o Globo. In: b) As ditaduras militares foram uma infeliz realidade na América do Sul dos anos 1960 e Em todas elas houve drástica repressão às oposições e dissidências, com a adoção da tortura e da perseguição como política de governo. Ao fim desses regimes autoritários adotaram-se formas semelhantes de transição com a aprovação das chamadas leis de impunidade, as quais incluem as anistias a agentes públicos. (Eugênia Augusta Gonzaga e Marlon Alberto Weichert, Carta capital. In: c) Todos os palestrantes concordaram que a participação da sociedade civil é fundamental para que qualquer debate sobre a comunicação avance no Congresso. Se dependermos apenas do conservadorismo da Câmara e do Senado, será muito difícil avançar, (ARG 1) discursou o deputado Ivan Valente. Ele destacou o fato de que existem parlamentares no Congresso que tem fortes vínculos ou até mesmo são proprietários de meios de comunicação (ARG 2). Até os Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, estabelece limites para evitar monopólios e define que quem tem rádio não pode ter televisão, e vice-versa. Precisamos pautar-nos em propostas como essas (ARG 3). (Ricardo Carvalho. Regulação da mídia é pela liberdade de expressão. Carta capital. In:http://www.cartacapital.com.br/politica/regulacao-da-midia-e-pela-liberdade-deexpressao) d) Para a presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, Rosane Nascimento, não é necessário que o Brasil lance mão de práticas baseadas no uso de agrotóxicos e mudanças genéticas para alimentar a população. "Estamos cansados de saber que o Brasil produz alimento mais do que suficiente para alimentar a sua população (ARG 1) e este tipo de artifício não é necessário. A lógica dessa utilização é a do capital em detrimento do respeito ao cidadão e do direito que ele tem de se alimentar com qualidade"(arg 2), protesta. (Raquel Júnia. Agronegócio não garante segurança alimentar. Caros Amigos. In: f) A leitura de jornais e revistas facilita a atualização sobre a dinâmica dos acontecimentos e promove o enriquecimento do debate sobre temas atuais. A rapidez com que a notícia é veiculada por esses meios é clara, garantindo a

253 253 complementaridade da construção do conhecimento promovida pelas aulas e pelos livros didáticos. (ARG 1) // O apoio didático representado pelo uso de jornais e revistas aproxima os alunos do mundo que os cerca. (ARG 2). (Ana Regina Bastos - Revista Eletrônica UERG. Mundo vestibular. In: AULA 4 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de distinguir um fato de uma opinião relativa a esse fato. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 1 Leia o texto abaixo e responda a questão: O HOMEM DO OLHO TORTO No sertão nordestino, vivia um velho chamado Alexandre. Meio caçador, meio vaqueiro, era cheio de conversas falava cuspindo, espumando como um sapo-cururu. O que mais chamava a atenção era o seu olho torto, que ganhou quando foi caçar a égua pampa, a pedido do pai. Alexandre rodou o sertão, mas não achou a tal égua. Pegou no sono no meio do mato e, quando acordou, montou num animal que pensou ser a égua. Era uma onça. No corre-corre, machucouse com galhos de árvores e ficou sem um olho. Alexandre até que tentou colocar seu olho de volta no buraco, mas fez errado. Ficou com um olho torto. RAMOS, Graciliano. Histórias de Alexandre. Editora Record. In revista Educação, ano 11, p. 14 O que deu origem aos fatos narrados nesse texto? (A) O fato de Alexandre falar muito. (B) O hábito de Alexandre de falar cuspindo. (C) A caçada de Alexandre à égua pampa. (D) A caçada de Alexandre a uma onça.

254 254 Questão 2 Leia o texto abaixo: A incapacidade de ser verdadeiro Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de SiáElpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia. DRUMMOND, Carlos. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record. Nesse texto, a narrativa é gerada pela A) aparição de seres fantásticos. B) ida de Paulo ao médico. C) imaginação de Paulo. D) proibição de jogar futebol. Questão 3 Leia o texto abaixo e responda. Decida Em um mundo cada vez mais complexo, com excesso de informação, pressão por desempenho e repleto de alternativas, as pessoas precisam tomar decisões também a respeito de assuntos delicados. E devem fazer isso sem ter muito tempo para pensar. Cada vez mais, o sucesso e a satisfação pessoal dependem da habilidade de fazer escolhas adequadas. Com frequência, as pessoas são instadas a tomar uma decisão que pode modificar sua vida pessoal. Devo ou não me casar? Que tal só morarmos juntos? Devo ou não me separar? [...] Em que escola matricular nosso filho? Aliás, ele vai ganhar carro aos 18 anos ou sairá à noite de carona [...]? É certo comprar aquela casa maior e contrair um financiamento a perder de vista? No trabalho, acontece a mesma coisa. Devo dar uma resposta dura àquela provocação feita pelo chefe? Peço ou não peço aumento? Posso ou não baixar os preços dos produtos que vendo de forma a aumentar a saída? Que tal largar tudo e abrir aquela pousada na praia? Psicólogos americanos que estudaram a vida de gerentes empregados em grandes companhias descobriram que eles chegam a tomar uma decisão a cada nove minutos. São mais de decisões por ano possibilidades de acertar, ou de errar. Não há como fugir. Ou você decide, ou alguém decide em seu lugar. Veja. 14 jan. 04. *Adaptado: Reforma Ortográfica. Fragmento. Qual é a tese defendida nesse texto? A) A compra de uma casa é um problema a longo prazo. B) A vida moderna exige a tomada de decisões difíceis. C) Os casais têm dúvidas quanto à educação dos filhos

255 255 D) Os gerentes de grandes empresas tomam milhares de decisões. Questão 4 Leia o texto abaixo. Peixes de aquário: animais de estimação ou pestes? A criação de peixes ornamentais é uma atividade de lazer muito popular, mas constitui uma ameaça aos ecossistemas marinhos e de água doce. Quando libertados na natureza, os peixes de aquário podem gerar impactos ambientais e até prejudicar a saúde humana. A criação de peixes ornamentais em aquários o aquarismo é uma das atividades de lazer mais praticadas no mundo, mas também é uma crescente fonte de disseminação de peixes não nativos em corpos d água de diversos países. Essa introdução de espécies de outras regiões por aquaristas pode ter desastrosos impactos sobre ecossistemas marinhos e de água doce e até na integridade física das pessoas. Peixes de aquário nunca devem ser libertados no meio ambiente. Para se desfazer de seus peixes, os aquaristas devem seguir as recomendações feitas por instituições da área ambiental: doá-los, vendê-los ou, se não for possível, sacrificá-los com anestésicos ou congelamento. [...] Estudos sobre essa atividade mostraram que a presença de aquários nos lares proporciona melhor qualidade de vida para as pessoas. Alguns resultados positivos do aquarismo seriam: desenvolvimento do senso de responsabilidade, da iniciativa e da confiança em crianças, redução no nível de estresse em adultos e melhoria do bem-estar físico e psicológico em idosos (inclusive benefícios como tratamento suplementar para a doença de Parkinson). Infelizmente, muitas pessoas que praticam essa atividade não cuidam de modo adequado de seus aquários, por diversos motivos. O interesse dos aquaristas pode ser afetado por problemas como o crescimento exagerado de algumas espécies, entre elas o pacu-de-barrigavermelha; o comportamento agressivo de outras, como o oscar ou o apaiari, que atacam outros peixes colocados no mesmo aquário; e a morte de exemplares, decorrente de falhas de manutenção. [...] Pesquisadores da agência de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) também mostraram que, naquele país, a liberação no ambiente de peixes de aquário é a segunda maior causa de introdução de espécies não nativas. Esse tipo de invasão biológica é mais grave no estado da Flórida. Em Taiwan, na Ásia, pesquisadores das universidades de Kaohsiung e Taiwan, e do Zoológico de Taipei descobriram que 20 das 26 espécies de peixes não nativos presentes nos ambientes naturais daquele país foram introduzidas devido a solturas de aquaristas. Ciência Hoje. dezembro de Fragmento. Qual é a tese defendida nesse texto? A) A prática do aquarismo traz benefícios para a saúde das pessoas. B) A soltura de peixes de aquários em corpos d água prejudica o ecossistema. C) O aquarismo é uma das atividades de lazer mais praticadas no mundo. D) O descuido dos aquários por parte dos aquaristas é grande.

256 256 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 17- Estabelecer relações entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico-discursivas HABILIDADE Estabelecer relações entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la Detalhamento da habilidade CBC Reconhecer e usar estratégias de organização da argumentação em um texto ou sequência argumentativa. Em que consiste essa habilidade? Expor uma tese, naturalmente, exige a apresentação de argumentos que a fundamentem. Ou seja, os argumentos apresentados funcionam como razões ou fundamentos de que a tese defendida tem sentido e consistência. Nas práticas sociais que envolvem a proposição de um certo posicionamento ou ponto de vista, a estratégia de oferecer argumentos não por acaso chamada de argumentação é um recurso de primeira importância. Uma atividade relacionada a esse descritor deve ocasionar ao aluno identificar, em uma passagem de caráter argumentativo, as razões oferecidas em defesa do posicionamento assumido pelo autor. Pretende-se, com o trabalho com essa habilidade, que o leitor identifique os argumentos utilizados pelo autor na construção de um texto argumentativo. Essa tarefa exige que o leitor, primeiramente, reconheça o ponto de vista que está sendo defendido e relacione os argumentos usados para sustentá-lo. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? O professor deve trabalhar, em sala de aula, com textos argumentativos, para que os alunos tenham a oportunidade de desenvolver a habilidade de identificar as teses, o que é defendido no texto, e os argumentos, isto é, em que se baseia o locutor para defender essa ideia. Essa tarefa exige que o leitor, primeiramente, reconheça o ponto de vista que está sendo defendido, para, depois, relacionar os argumentos usados para sustentá-lo. O grau de dificuldade dessa tarefa será maior se um mesmo texto apresentar mais de uma tese. SUGESTÕES PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 Professor, as atividades a seguir são uma boa oportunidade para trabalhar a habilidade de Estabelecer relações entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la. Os textos para propiciarem o desenvolvimento dessa habilidade devem apresentar temas polêmicos como, por exemplo, o uso de drogas, sexualidade, violência dentre outros para que possam apresentar argumentação contrária ou a favor.

257 257 Primeiro passo Antes da leitura Sugerimos que apresente aos alunos as características do editorial. Esclareça a eles que ao informar os fatos à população, os jornais procuram noticiar de forma imparcial e objetiva, isto é, sem manifestar nas notícias sua opinião. Para as opiniões - tanto as do próprio jornal quanto as do leitor - existem seções específicas, como o editorial. Destaque que por veicular opinião do jornal, o editorial caracteriza-se como um texto de natureza argumentativa. Apresente o título: Juventude Ameaçada e peça que levantem hipóteses sobre ele. Promova uma discussão, dando oportunidade para que a maioria participe.faça perguntas como: A que tipo de ameaça o jovem pode estar exposto? Por que será que se trata de ameaças aos jovens, especificamente? Como os jovens costumam reagir frente às ameaças? Segundo passo Durante a leitura Solicite que façam uma leitura silenciosa, e em seguida, faça perguntas constatando a realização dessa leitura. Realize uma leitura compartilhada (cada aluno lê um parágrafo) Texto I JUVENTUDE AMEAÇADA O crescimento da AIDS, o aumento da criminalidade e a escalada das drogas representam grave ameaça à juventude no limiar do novo milênio. O diagnóstico, sombrio, consta de recente relatório preparado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para muitos jovens, "especialmente os que crescem em zonas urbanas pobres, os anos da adolescência serão os mais perigosos da vida", sublinha o documento. Segundo o texto da OMS, o crescimento da AIDS pode comprometer os progressos na área da saúde infanto-juvenil feitos nas últimas décadas. Gravidez precoce, aborto, doenças sexualmente transmissíveis, AIDS e drogas compõem a trágica equação que ameaça destruir o sonho brasileiro. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que 54% das adolescentes sem escolaridade já ficaram grávidas. Os casos de AIDS em adolescentes causados por relações sexuais aumentaram 200% entre 1990 e 1996, passando de 47 para 141. Os números impressionantes contrastam com as sucessivas campanhas de educação ou de deseducação sexual. Segundo o porta-voz do Institute for ResearchandEvaluation, em declarações publicadas pela revista Time. "É um erro acreditar que com mais informação e acesso aos preservativos se evitem os comportamentos perigosos". De fato, pesquisas citadas pela Time revelam que adolescentes bem-informados continuam tendo condutas sexuais de alto risco. A informação despida de orientação moral acaba sendo contraproducente. Na verdade, as campanhas de educação sexual, nos Estados Unidos e aqui, não têm sido capazes de neutralizar a influência causada pela onda de hipersexualização e vulgaridade que tomou conta de boa parte da programação da TV.

258 258 Ao longo dos últimos anos, houve uma revolução mundial no modo de captar os valores morais, seguida de mudanças profundas na maneira de pensar e agir das pessoas. Os meios de comunicação social, particularmente a televisão, tiveram e continuam tendo importante papel neste processo de transformação individual e coletiva, na medida em que introduzem e refletem novas atitudes e estilos de vida. A televisão, de fato, adquiriu uma espécie de monopólio sobre o tempo de lazer das pessoas. Como salientou recente matéria da revista britânica The Spectator, os talk-shows, onde participantes dos dramas humanos reais, incluindo-se o estupro, a infidelidade e o crime, são encorajados ao confronto diante das câmeras, têm invadido os lares "onde a televisão permanece ligada como se fosse papel de parede". A falência da educação, a desestruturação familiar e a ausência de referências morais abandonam crianças e adolescentes aos cuidados da TV. Na opinião, quase unânime, de psicólogos e educadores, a babá eletrônica está longe de ser a melhor companhia para as crianças e os adolescentes. Aberrações e situações patológicas, apresentadas num clima de normalidade, bombardeiam a programação da TV. E o excessivo apelo sexual já não se limita ao horário destinado ao público adulto. A programação infantil, outrora orientada por padrões morais e educativos, passou a receber forte carga de sexualização. Desenhos animados, marca registrada de um passado não tão distante, foram substituídos pelo apelo erótico da dança do "tchan" de Carla Perez, guindada à condição de ídolo das crianças. A sexualidade corretamente entendida é uma das dimensões profundas da personalidade. No entanto, a iniciação sexual precoce, está na raiz de inúmeras patologias. Prostituição infantil, abuso sexual precoce e avanço da AIDS, autênticas chagas sociais, não são frutos do acaso. Ao contrário, são resultado lógico da cultura da promiscuidade disseminada pela irresponsabilidade eletrônica. O poder está vinculado à responsabilidade. A televisão, poderosa e influente, necessita ter algumas balizas éticas operativas, sem as quais ela se torna uma promotora da decomposição moral da sociedade. O resgate da juventude, não duvidemos, passa pela recuperação da família, da educação e por um sério investimento na ética da comunicação. Terceiro passo Após a leitura (O Estado de São Paulo, ). Pergunte aos alunos se as hipóteses levantadas por eles, a partir do título, foram comprovadas ou não. Retome o título e peça que os alunos identifiquem e expliquem argumentos que podem justificar o título do texto: Juventude ameaçada.

259 259 Peça que transcrevam, do texto, um argumento que relaciona a escolaridade com a gravidez precoce. Justifique. Para a compreensão do texto faça perguntas como: É possível inferir pelo texto o que é time? Justifique. O que se pode inferir por hipersexualização? Justifique. Qual a opinião do autor sobre a televisão? Transcreva argumentos que comprovem a sua resposta. Os talk-shows citados no texto podem ser comparados com quais programas televisivos brasileiros? Cite exemplos. Indique o tipo de linguagem abordada no texto. Justifique a sua resposta. Peça que argumentem sobre o trecho: Na opinião, quase unânime, de psicólogos e educadores, a babá eletrônica está longe de ser a melhor companhia para as crianças e os adolescentes. Peça, também, que façam a inferência sobre a época em que o editorial foi publicado. Transcreva um argumento que comprove a sua resposta. Solicite que argumentem sobre o trecho a seguir: O resgate da juventude, não duvidemos, passa pela recuperação da família, da educação e por um sério investimento na ética da comunicação. O editorial aborda, quase sempre, um assunto polêmico com a intenção de persuadir o leitor. Em sua opinião, esse texto traz opiniões polêmicas? Ele conseguiu convencer o leitor? Justifique, Primeiro passo - Antes da leitura Aula 2 Professor, procure despertar o interesse dos alunos para a leitura deste texto apresentando o seguinte período: Em 10 anos, epidemia diminuiu entre menores de 5 anos e na região Sudeste, mas aumentou em todas as outras regiões. Permita que eles levantem hipóteses a respeito da epidemia, das regiões e dos menores de cinco anos. Segundo passo - Durante a leitura Apresente o texto para a turma Proponha a leitura compartilhada. Realize a leitura oral enquanto a turma verifica se as hipóteses levantadas foram comprovadas ou não.

260 260 TextoII Casos de AIDS no Brasil crescem entre jovens, aponta novo Boletim Epidemiológico. Em 10 anos, epidemia diminuiu entre menores de 5 anos e na região Sudeste, mas aumentou em todas as outras regiões. Os resultados do Boletim Epidemiológico da Aids , divulgados pelo Ministério da Saúde, mostram que há tendência de crescimento de casos da doença entre os jovens e queda entre os menores de cinco anos. De acordo com o levantamento feito com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, a prevalência do HIV nessa população passou de 0,09% para 0,12% nos últimos cinco anos. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados pelo vírus da AIDS (prevalência de 0,17% entre aqueles com ensino fundamental incompleto e 0,10% entre os que têm ensino fundamental completo). Para Dirceu Greco, diretor do Departamento de Aids, os novos dados trazem um alerta aos jovens que não se veem em risco. "Eles precisam perceber que a prevenção é uma decisão pessoal e que ele não estará seguro se não se conscientizar e usar o preservativo" enfatiza. Quanto mais parceiros, maior a vulnerabilidade As infecções estão relacionadas, principalmente, ao número de parcerias (quanto mais parceiros, maior a vulnerabilidade), coinfecção com outras doenças sexualmente transmissíveis e relações homossexuais. "Por isso, estamos investindo cada vez mais em estratégias para essa população", explica Dirceu. Segundo nota divulgada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, esses dados confirmam que o grande desafio é fazer com que o conhecimento se transforme em mudança de atitude. De acordo com a Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira (PCAP 2008), 97% dos jovens de 15 a 24 anos de idade sabem que o preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV, mas o uso cai à medida que a parceria sexual se torna estável. O percentual de uso do preservativo na primeira relação sexual é de 61% e chega a 30,7% em todas as relações com parceiros fixos. Transmissão Entre os menores de cinco anos, a redução de casos registrados de AIDS chegou a 44,4% entre 1999 e O resultado confirma a eficácia da política de redução da transmissão vertical do HIV (da mãe para o bebê). Quando todas as medidas preventivas são adotadas, a chance desse tipo de infecção cai para menos de 1%. Às gestantes, o Ministério da Saúde recomenda o uso de medicamentos antirretrovirais durante o período de gravidez e no trabalho de parto, além de realização de cesárea para as mulheres que têm carga viral elevada ou desconhecida. Para o recém-nascido, a determinação é de substituição do aleitamento materno por fórmula infantil (leite em pó) e uso de antirretrovirais.

261 261 Apenas Sudeste tem redução na incidência de AIDS Os novos números da AIDS no Brasil, atualizados até junho de 2010, contabilizam casos registrados desde A epidemia continua estável, segundo o Ministério da Saúde. A taxa de incidência oscila em torno de 20 casos de aids por 100 mil habitantes. Em 2009, foram notificados casos da doença. Observando-se a epidemia por região em um período de 10 anos, de 1999 a2009, a taxa de incidência no Sudeste caiu (de 24,9 para 20,4 casos por 100 mil habitantes). Nas outras regiões, cresceu: 22,6 para 32,4 no Sul; 11,6 para 18,0 no Centro-Oeste; 6,4 para 13,9 no Nordeste e 6,7 para 20,1 no Norte. Entretanto, o maior número de casos acumulados está concentrado na região Sudeste (58%), a mais populosa. Ainda há mais casos da doença entre os homens Hoje, ainda há mais casos da doença entre os homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos. Esse aumento proporcional do número de casos de aids entre mulheres pode ser observado pela razão de sexos (número de casos em homens dividido pelo número de casos em mulheres). Em 1989, a razão de sexos era de cerca de 6 casos de aids no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino. Em 2009, chegou a 1,6 caso em homens para cada 1 em mulheres. A faixa etária em que a aids é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 20 a 59 anos de idade. Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres. A inversão apresentase desde 1998, com oito casos em meninos para cada 10 em meninas.(...) Terceiro passo- Após a leitura Disponível em: Relembre para os alunos que o texto acima é mais recente e aborda fatos que já foram tratados no editorial Juventude Ameaçada, a respeito disso, peça que argumentem sobre os seguintes pontos: De acordo com o segundo texto, qual a relação entre escolaridade e a infecção do vírus da aids? Explique. Transcreva do texto a porcentagem de jovens que sabe que o uso do preservativo é importante na prevenção da aids. Argumente o motivo de tantas infecções. Transcreva os argumentos que justificam a redução da infecção de mãe para o filho. Transcreva a porcentagem de incidência da aids na região sul, centro-oeste, norte, sudeste e nordeste. Em sua opinião, por que os índices caíram na região sudeste? Pergunte: È possível inferir os motivos que levam meninas de 13 a 19 anos a se contaminarem numa proporção maior que a dos homens? Explique. Proponha uma comparação entre os dois textos e que eles respondam ás seguintes questões: A - Qual é a situação treze anos após a publicação do editorial em relação à aids?

262 262 B Qual a visão dos dois textos em relação à escolaridade? C O textoi aponta a televisão como a grande vilã de influências, em sua opinião, qual é a relação da televisão com os jovens nos dias atuais? Ela ainda detém o posto de vilã? Explique. O textoi citou o grupo É o Tchan e Carla Perez como uma má influência para os jovens. Atualmente, o grupo e a dançarina não fazem mais sucesso no cenário musical. Com base nesses argumentos responda: A Atualmente, existem substitutos para o grupo É o Tchan e Carla Perez capazes de influenciar os jovens? Exemplifique. B Em sua opinião, qual a previsão para os próximos 13 anos em relação à juventude, à infecção da AIDS, ao nível de escolaridade entre outros? Explique se a sua visão é favorável ou desfavorável, argumente. C Considerando que os textos acima foram publicados em veículos diferentes de comunicação. É possível dizer qual dos dois tem maior credibilidade? Explique. Aula 03 O texto abaixo, também, é suporte para o trabalho de construção de sentidos da argumentação, reproduza-o e entregue-o a cada aluno. Faça uma leitura compartilhada e tire as dúvidas oralmente. Ao final, peça-os que fiquem atentos ao lugar da argumentação nos textos dissertativos. Descoberta e Invenção: Ciência e tecnologia possuem uma relação direta com processos de descoberta e com o surgimento de invenções. Você consegue estabelecer a diferença entre esses dois momentos, entre descobrir e inventar?na verdade, não dizemos, por exemplo, que Pedro Álvares Cabral inventou o Brasil, mas sim que ele descobriu o Brasil. Por outro lado, em momentos de crise, podemos ouvir de alguém a frase O Brasil precisa ser reinventado. O médico polonês Albert Sabin descobriu a vacina contra a paralisia infantil, enquanto o brasileiro Alberto Santos Dumond inventou o avião.descobrir é algo que envolve a observação e a constatação de algo novo, que de certa forma já se encontrava presente. Dizemos que alguém descobriu um remédio, por exemplo, porque a fórmula do remédio já se encontrava presente na natureza.inventar é abrir o espaço para que algo completamente novo apareça. É por isso que afirmamos que alguém inventou o computador ou o automóvel. Inventar e descobrir formam, de qualquer modo, um núcleo fundamental do processo de escrita e

263 263 distinguem mesmo uma boa de uma má dissertação sobre um tema. Bem, mas vamos ver em que medida as descobertas e as invenções se conectam com uma variedade de linguagens e o que caracteriza a exposição e a argumentação em cada uma dessas linguagens. "A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original. " (Albert Einstein) Figura 1: Albert Einstein, físico alemão ( ), aos 42 anos, logo depois de ganhar o prêmio Nobel de Física.

264 264 AULA 4 Primeiro passo Professor, antes de ler o texto com os alunos, escreva no quadro uma causa e leve-os a constatar quais poderiam ser as consequências para aquele problema. No caso, para estudo desse texto, escreva: aquecimento global e faça-os refletirem sobre o que isso pode provocar. Logo após, leiam juntos o texto abaixo e peça a elesque grifem atese e depois circulem a/as consequência(s). Elementos que compõem o texto argumentativo Leia o texto a seguir e veja como se estrutura um texto argumentativo: (Trecho da reportagem publicada no Terra Ecologia 7 de junho de 2005 Autora: Chris Bueno.) O aquecimento global pode trazer consequências graves para todo o planeta incluindo plantas, animais e seres humanos. A retenção de calor na superfície terrestre pode influenciar fortemente o regime de chuvas e secas em várias partes do planeta, afetando plantações e florestas. Algumas florestas podem sofrer processo de desertificação, enquanto plantações podem ser destruídas por alagamentos. O resultado disso é o movimento migratório de animais e seres humanos, escassez de comida, aumento do risco de extinção de várias espécies animais e vegetais, e aumento do número de mortes por desnutrição. Outro grande risco do aquecimento global é o derretimento das placas de gelo da Antártica. Esse derretimento já vinha acontecendo há milhares de anos, por um lento processo natural. Mas a ação do homem e o efeito estufa aceleraram o processo e o tornaram imprevisível (...). O degelo desta calota pode fazer os oceanos subirem até 4,9 metros, cobrindo vastas áreas litorâneas pelo mundo e ilhas inteiras. Os resultados também são escassez de comida, disseminação de doenças e mortes (...). Alguns cientistas alertam que o aquecimento global pode se agravar nas próximas décadas e a OMS calcula que para o ano de 2030 as alterações climáticas poderão causar 300 mil mortes por ano. Figura 2: Os grandes Himalaias, com seus picos praticamente descongelados.

265 265 Segundo passo Professor, o próximo passo é de uma aula expositiva, os alunos devem observar que para cada tese apresentada, o texto poderá trazer mais de um argumento. Você poderá projetar as definições a seguir ou mesmo fazer um quadro marcando de um lado a tese, de outro os argumentos enumerados. Faça com que todos participem e arrisquem um palpite, e construa com eles a resposta correta. Nós podemos dividir o texto argumentativo em geral em três partes, das quais cada uma tem uma função bem determinada: 1.Apresentação da tese: O aquecimento global pode trazer consequências graves para todo o planeta. 2.Desenvolvimento dos argumentos que dão sustentação à tese que a explicitam esses argumentos precisam ter, todos, uma coerência com a tese defendida: Argumento 1 Aumento de calor e alteração de ritmos de chuvas e secas. Argumento 2 Desertificação das florestas e destruição das plantações. Argumento 3 Desnutrição e extinção da vida. Argumento 4 Risco de derretimento da calota polar e aumento do nível do mar. Argumento 5 Mudanças climáticas. 3.Exposição final da conclusão: O resultado disso é o movimento migratório de animais e seres humanos, escassez de comida, aumento do risco de extinção de várias espécies animais e vegetais, e aumento do número de mortes por desnutrição. Primeiro passo AULA 5 Professor, trabalhe com os textos em duplas. Peça aos alunos que discutam para dar as respostas por escrito. Atividade 1 Observe a divisão do texto sobre o Aquecimento Global e procure fazer o mesmo com o texto a seguir: Muito se tem discutido sobre as melhores formas de tratar e eliminar o lixo industrial, comercial, doméstico, hospitalar, nuclear etc. gerado pelo estilo de vida da sociedade contemporânea. Todos concordam, no entanto, que o lixo é o espelho fiel da sociedade, sempre tão mais geradora de lixo quanto mais rica e consumista. Qualquer tentativa de reduzir a quantidade de lixo ou alterar sua composição pressupõe mudanças no comportamento social. A concentração demográfica nas grandes cidades e o grande aumento do consumo de bens geram uma enorme quantidade de resíduos de todo tipo, procedentes tanto das residências como

266 266 das atividades públicas e dos processos industriais. Todos esses materiais recebem a denominação de lixo, e sua eliminação e possível reaproveitamento são um desafio ainda a ser vencido pelas sociedades modernas. (Fonte 1. Que tese inicial você consegue identificar no texto? 2. Quais os argumentos que sustentam a tese? 3. Qual a conclusão retirada pelo autor? Atividade 2 Foto Deserto Humano de alancleaver_2000 Professor, esta atividade fará com que o aluno pense a respeito da construção do texto. Deixe-os escolher os temas e vá de grupo em grupo refazendo as perguntas e direcionando as respostas para um texto coerente. Que tal construir uma argumentação em duas etapas? Primeiro pense na tese a ser defendida, nos argumentos que podem dar sustentação à tese e na conclusão que você procura alcançar. Só depois de fazer isso passe para a escrita! Tente fazer isso com um dos três temas a seguir (pesquise antes sobre os temas e procure argumentos) Veja se as perguntas que colocamos ao lado dos temas podem lhe ajudar!):. Tema 1: Legalização das drogas (Você é a favor ou contra? Quais os argumentos para defender uma posição ou outra? A que conclusão você quer chegar?). Tema 2: O estresse como causa de doenças (Você acha que o estresse é responsável ou não por certas doenças? Que doenças são essas? Quais os argumentos que você pode pensar para reforçar sua posição? Qual a conclusão a que você espera chegar?)

267 267. Tema 3: O poder da propaganda (A propaganda tem ou não, para você, muito poder? Que poder seria esse? Quais as evidências que você tem de que ela teria ou não poder? A que conclusão você quer chegar?) Primeiro passo AULA 6 Professor, atente para a explicação a seguir, para introduzir o assunto peça que o primeiro aluno de cada fila mande uma mensagem, de maneira um pouco mais criativa, para alguém da própria fila, um pouco mais distante. Dê os comandos baixinho, no ouvido de quem tem que criar a mensagem (Invente comandos: O Brasil é campeão, Nós amamos nossa escola, frases simples e rápidas). Peça para algum aluno adivinhar a mensagem e se pronunciar. Caso ele não consiga decifrar o código, repasse para a turma responder. Explique: A argumentação em suas muitas faces: A comunicação pode se realizar de muitas maneiras e se valer de muitas formas de linguagem. Gestos, por exemplo, são, em muitas ocasiões, bastante eficazes para dizer certas coisas de maneira sintética. Ao desenhar um coração no ar em público, alguém pode deixar mais claro o que sente do que se dissesse a mesma coisa por meio de palavras. Há também o caso da linguagem visual, da linguagem musical, da linguagem corporal etc. Ora, mas tudo isso parece não possuir nenhuma relação com o tema da argumentação. Será que isso é verdade? Vamos tentar descobrir se é realmente assim... Em primeiro lugar, é importante diferenciar os tipos de argumentação. Nem sempre o que estamos tentando fazer é demonstrar uma tese. Muitas vezes, estamos tentando vender para alguém alguma coisa ou convencer alguém de que ele tem muito a ganhar se fizer uma outra coisa. Nesses casos, muitas dimensões de linguagem entram em jogo. Saber que tipo de argumentação está em questão é, por sua vez, decisivo para que possamos argumentar bem. Não há como vender um carro com teses científicas, assim como não há como fazer ciência com interesses que nos desviam do espaço da pesquisa. Vejamos mais de perto o que estamos dizendo

268 268 Observemos a seguinte imagem retirada de uma campanha publicitária: Por mais que seja difícil de perceber, a princípio, há uma estrutura argumentativa na presente campanha educativa do Ministério da Saúde, com um destinatário específico e com um tipo de linguagem determinado. Vejamos: Tese: Fumar é prejudicial à saúde. Argumento: A imagem do rosto brutalmente envelhecido. Conclusão: Não fume. Destinatário: Os fumantes em geral, que normalmente pensam apenas em seu prazer e não se dão conta do risco que correm ao fumar. Tipo de linguagem: A linguagem curta e direta da propaganda uma imagem. Segundo passo Professor, peça aos alunos que observem bem a imagem e levantem hipóteses, logo após, escrevam suas respostas para as atividades abaixo. Identifique os cinco itens anteriormente mencionados nos seguintes casos: 1. Propaganda do Ford Rural de 1970 Propaganda do Ford Rural de 1970

269 269 Tese: Argumento: Conclusão: Destinatário: Tipo de linguagem: (Propaganda do carro brasileiro Gurgel) 2. Entrevista, na Revista Cláudia, com o autor do livro A lógica do consumo, Martin Lindstrom: Um brasileiro é bombardeado por cerca de 2 milhões de comerciais de TV ao longo de 65 anos de vida o mesmo que assistir televisão por oito horas, sete dias por semana durante seis anos. Tente se lembrar de três comerciais que viu ontem você não vai conseguir. Somos expostos a tanto apelo que a memória esvazia. Mas, se o comercial é embutido num contexto relevante para você, aí é diferente. Uma das formas de conseguir isso é o merchandising ainda que não seja o que mais vemos hoje, o chamado papel de parede. É assim: você está assistindo ao filme do James Bond, Casino Royale, a ação ocorre em Veneza e a câmera passa por uma loja da Louis Vuitton. Ninguém se lembrará da loja, pois está fora de contexto. Plantar um logo no meio de uma novela é papel de parede. E, se eu lhe pedir agora para descrever as paredes do salão onde estamos, você não conseguirá. Tem que ser no contexto certo, fazer parte da narrativa. É isso que funciona. Hoje 95% dos anunciantes desperdiçam a verba de marketing e propaganda em ações ineficazes. Tese: Argumento: Conclusão: Destinatário: Tipo de linguagem:

270 270 AULA 8 Primeiro passo Relação entre linguagem, intenção e destinatário Professor, do mesmo modo que é preciso sempre atentar para os elementos que constituem a estrutura de um texto argumentativo, também é decisivo pensar que tipo de linguagem é preciso usar para cada ocasião. Reproduza para os alunos os dois exemplos: EXEMPLO 1 As campanhas contra o uso de drogas e a exibição na televisão do efeito devastador que elas têm sobre a vida dos viciados deveriam ser suficientes para riscar esse mal da superfície do planeta. Não é o que acontece. Num desafio ao bom senso, um número enorme de adolescentes continua dizendo sim às drogas (...). O melhor jeito de dizer não às drogas é entender que ninguém precisa ser igual ao amigo ou repetir padrões de comportamento para ser aceito no grupo. É por isso que a prevenção em casa funciona melhor que os anúncios do governo. Dá para fazer uma boa campanha doméstica sem falar necessariamente em droga, diz o psiquiatra Sérgio Dario Seibel, de São Paulo. Em outras palavras: é natural o adolescente repelir reprimendas e conversas formais sobre esse assunto. Imediatamente fecha a cara e os ouvidos a quem lhe diz em tom grave: Precisamos conversar sobre drogas, seja o pai, a mãe, seja o governo ou qualquer instituição (...). (Veja Jovens Edição especial Julho de 2003) EXEMPLO 2 Durante o encontro, marcado pela alegria, descontração, informação e muito diálogo, os alunos do 6ºao 9º ano do Ensino Fundamental da escola fizeram questionamentos e esclareceram suas dúvidas sobre os efeitos do uso das drogas lícitas e ilícitas. O nosso papel aqui é esclarecer que todo e qualquer tipo de droga gera malefícios à saúde, apesar de dar a ilusão de bem-estar e liberdade. Procuramos tirar o glamour que envolve a droga, mostrando imagens e depoimentos de pessoas que não resistiram ao vício, explicou Waldílio da Silva, educador social e um dos responsáveis pela roda de conversa. Ana Caroline Santos é aluna do 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal José Gomes Campos. Para ela, o Língua Solta é a oportunidade de falar sobre assuntos tabus, apropriando-se da informação correta para não se deixar enganar. É preciso estar atenta, não se deixar enganar. Muita gente diz que droga é bom, dá liberdade. Mas que liberdade é essa, que te deixa viciado, doente? Ser livre é não depender de substância química, é ter a consciência para decidir o que realmente nos faz bem e feliz. Nenhum viciado é feliz, porque é escravo de um vício que ele mesmo buscou. Por isso, precisamos estar atentos, saber dizer não quando nos oferecerem drogas, mesmo as que são permitidas; e compreender que usar droga não vai fazer com que sejamos mais fortes, mais bonitos, mais inteligentes, mais amados; usar droga vai tirar aquilo que temos e que é o mais valioso: a família, os amigos de verdade, a nossa dignidade, encerrou. conversa-sobre-drogas asp)

271 271 Segundo passo Professor, dialogue com os alunos sobre os dois exemplos e ao final deixe claro os itens abaixo: Os dois textos falam claramente do mesmo tema: do problema da droga entre adolescentes. Há entre eles, porém, uma grande diferença: O primeiro é mais formal, possui mais informações técnicas e uma linguagem próxima da linguagem científica. O segundo, por outro lado, se considerarmos principalmente a fala da adolescente, é mais coloquial, mais direto, mais próximo de um diálogo entre amigos. Você sabe por quê? Porque o primeiro se destina a pessoas interessadas o problema da droga entre adolescentes, enquanto o segundo procura falar diretamente para adolescentes. Preste atenção no fato de que o tipo de linguagem depende sempre de quem está escrevendo ou falando. A definição do destinatário e da motivação ao escrever o texto é decisiva para que se possa escrever uma argumentação adequada. Terceiro passo Professor, distribua os textos abaixo para a turma e em duplas, peça que identifiquem que tipo de destinatário e de linguagem está presente nos textos a seguir. Procurem identificar o destinatário (aquele a quem o texto se dirige) e a linguagem em jogo nos seguintes exemplos: 1. Tomar pequenas doses de aspirina como medida preventiva contra doenças do coração pode levar a mais danos do que a benefícios em alguns homens, conforme um estudo publicado esta semana no British Medical Journal. Pesquisadores do Instituto Wolfson de Medicina Preventiva, em Londres, identificaram mais de 5 mil homens, entre 45 e 69 anos, que estavam sob risco elevado de doença do coração, embora nunca tenham tido qualquer problema análogo previamente. Os participantes foram distribuídos em quatro grupos diferentes de tratamento para determinar, com exatidão, o efeito da aspirina. Os autores encontraram maior efeito benéfico da aspirina com relação a doenças do coração, bem como a derrames, em homens com baixa pressão sanguínea do que naqueles com alta pressão. Aqueles com pressão mais elevada podem não usufruir de benefícios protetores da aspirina, mas correrão o risco de sérios sangramentos. Mesmo em homens com pressão baixa, os benefícios não necessariamente compensam os riscos de sangramento. Dado o amplo uso de aspirina na prevenção de doenças do coração, tais descobertas têm importantes implicações para a prática clínica, embora mais testes sejam necessários para confirmar os resultados. Todavia, pode-se concluir que o controle da pressão sanguínea é importante para aqueles em que o uso preventivo da aspirina é considerado. Homens que já tiveram anteriormente problemas cardíacos e derrames que estejam tomando aspirina devem continuar a fazê-lo. Fonte: a. Quem é o destinatário do texto? A classe médica ou pessoas comuns que podem usar aspirina diariamente? b. Que tipo de linguagem está presente no texto? Linguagem técnica ou linguagem coloquial (do dia a dia)

272 272 2.A camisinha é o método mais eficaz para se prevenir contra muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, alguns tipos de hepatites e a sífilis, por exemplo. Além disso, evita uma gravidez não planejada. Por isso, use camisinha sempre. Mas o preservativo não deve ser uma opção somente para quem não se infectou com o HIV. Além de evitar a transmissão de outras doenças, que podemprejudicar ainda mais o sistema imunológico, previne contra a reinfecção pelo vírus causador da aids, o que pode agravar ainda mais a saúde da pessoa. a. Quem é o destinatário do texto? b. Que tipo de linguagem está presente no texto? Fonte: 3. As agudas mutações culturais que incidem sobre o nosso ser está na dobra do milênio requerem uma análise abrangente de questões relacionadas à ética comunicacional. Já não vivemos ao alcance apenas do rádio, da televisão, do jornal, da publicidade, do cinema e do vídeo. A era dos fluxos hiper velozes de informação reconfigura, irreversivelmente, o campo mediático. A força invisível dos circuitos integrados online ultrapassa toda e qualquer fronteira, numa rotação incessante. A veiculação imediata e abundante não somente delineia modos singulares de produção e consumo de dados, imagens e sons, como propicia um realinhamento nas relações dos indivíduos com os aparelhos de enunciação. As máquinas de infoentretenimento reinventam-se como organismos de difusão simbólica, seja em decorrência da brusca aceleração tecnológica, ou pela possibilidade de se ajustar a vias de mão dupla no tráfego de mensagens. Neste quadro de deslocamentos e rupturas, o fenômeno Internet precipita mudanças de paradigmas que podem ser absorvidas em sintonia com a ideia de humanização da sociedade. Na órbita da mega rede digital, flutuam instrumentos privilegiados de inteligência coletiva, capazes de, gradual e processualmente, fomentar uma ética por interações, assentada em princípios de diálogo, de cooperação, de negociação e de participação. Trecho de artigo de Denis de Moraes, A ética comunicacional na internet,m: Ciberlegenda, v. 1, a. E agora? As coisas mudaram bastante, não foi? Quais foram as mudanças mais evidentes em relação aos textos 1 e 2? b. Trata-se de um trabalho voltado para o público universitário ou de um artigo de jornal destinado a pessoas comuns? c. Como você identifica isso? Pela linguagem rebuscada, pelos termos estranhos, pelo tipo de argumentação ou por tudo isso junto?

273 273 AULA 9 Primeiro passo Professor, agora, podemos trabalhar a elaboração de textos argumentativos. Proceda exemplificando com os textos abaixo e logo após, em duplas, ou individualmente peça que façam pequenos textos a partir do que se pede. Observação e imaginação! A história já foi contada mil vezes, mas ela continua contendo até hoje elementos muito interessantes e bastante esclarecedores. Isaac Newton, o pai da física moderna, está supostamente sentado em baixo de uma macieira, por volta do ano de 1680, quando de repente uma maçã cai em sua cabeça. Milhares de maçãs já caíram sobre a cabeça de milhares de pessoas. Qual a grande diferença de Isaac Newton? Nós poderíamos dizer: observação e inquietação. Newton não limpa simplesmente seu cabelo e segue em frente, mas ele pergunta: por que a maçã cai sempre em linha reta e nunca vai para um lado ou para o outro? Essa pergunta abriu o espaço para uma das maiores descobertas da física moderna: a lei da gravidade. Observar é o passo mais importante para descobrir. Figura 3: Estátua de Isaac Newton, no Trinity College em Cambridge, Inglaterra.

274 274 Uma outra história também pode nos ensinar muito: Conta-se que um belo dia um homem foi pegar uma mala que se encontrava na parte de cima de seu armário.ao puxar a mala, um grande pedaço de vidro que estava embaixo da mala caiu ao chão e se partiu. Uma coisa estranha, porém, chamou a atenção de nosso inventor anônimo: o vidro não se partira em um ponto, mas se quebrara em milhões de pequenos pedaços. A pergunta que ele fez em seguida foi a mesma de Newton: Por quê? A resposta estava na capa de poeira que havia se acumulado sobre o vidro. Essa é uma das versões para a descoberta do vidro temperado. Mas nosso amigo não parou por aí. Ele viu na descoberta a possibilidade de salvar muitas vidas. No início do século 20, muitas pessoas morriam em acidentes de carro, porque, ao baterem, elas eram arremessadas contra o vidro da frente que se quebrava ao meio e funcionava como uma verdadeira guilhotina.as pessoas normalmente morriam de ferimentos causados pelo para-brisa. O vidro temperado resolveu esse problema. Aplicar uma descoberta de maneira inventiva: eis o caminho para grandes invenções! Segundo passo Figura 4: Vidro temperado estilhaçado. Agora, Professor, vamos instigar os alunos! É tempo de observar e imaginar! Partindo de pequenas frases ou imagens provocativas, construa pequenos textos argumentativos: 1. Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador (Confúcio 551 a.c. a 479 a.c.). 2. Criança trabalhando em um lixão.

275 Quero a utopia, quero tudo e mais/ Quero a felicidade nos olhos de um pai/quero a alegria muita gente feliz/ Quero que a justiça reine em meu país/ Quero a liberdade, quero o vinho e o pão/ Quero ser amizade, quero amor, prazer/quero nossa cidade sempre ensolarada/ Os meninos e o povo no poder, eu quero ver. (Trecho da música Coração civil, de Milton Nascimento) 4. Frase de para-choque: Trabalho com minha família para servir a sua. Terceiro passo Professor, é importante rever com o aluno o que foi visto até então para seguir a diante. Utilizar o resumo é uma boa estratégia. Resumo Pontos fundamentais:

276 276 Em primeiro lugar, vimos a diferença entre descoberta e invenção e o lugar das duas no campo da ciência. Vimos, em seguida, a composição estrutural da argumentação: apresentação de tese, desdobramento de argumentos de reforço e conclusão. Logo depois, acompanhamos a argumentação em suas muitas fases: a necessidade de pensar no destinatário da argumentação (aquele para quem falamos ou escrevemos), o tipo de linguagem mais adequado (os instrumentos de que dispomos para levar a termo a argumentação) e os nossos intuitos em geral. Em um quarto momento, tratamos especificamente da relação entre observação e imaginação, a fim de fomentar em cada um o esforço por encontrar o caminho para as suas próprias descobertas e invenções. Por fim, tomamos contato com orações subordinadas substantivas e com as conjunções integrantes. Aqui seguem algumas dicas de leitura e de cinema. Não perca jamais a oportunidade de ir além: Dicas de livros VERNE, Julio léguas submarinas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, Dicas de Filmes BladeRunner, com Harrison Ford, direção de Ridley Scott, Gatataca, com Uma Turman, Jude Law e Ethan Hawke, direção de Andrew Niccol, Referências das imagens MajorosAttila. PawelKryj KarunakarRayker Alan Cleaver John Lloyd Glauco Umbelino David Hartman.

277 277 Quarto passo Atividade 1 Professor, peça aos alunos para elaborarem um texto observando os seguintes textos: Texto 1: 1.A tese do texto é a de que o lixo é o espelho da sociedade: quanto mais rica e consumista é a sociedade, tanto mais lixo ela produz. 2. a. A enorme presença de lixo nas grandes cidades em função do aumento do consumo. b. O fato de o lixo ser produzido tanto pelas atividades públicas (restaurantes, bares, cinemas, carros, ônibus etc.) como pelas atividades industriais. 3. A eliminação do lixo e o seu possível reprocessamento são um desafio a ser vencido pelas sociedades modernas. Atividade 2 Proposta de redação. O aluno deverá realizar a redação em duas etapas, respondendo, primeiro, às perguntas formuladas entre parênteses: 1. Definição da tese (ser a favor ou contra a legalização das drogas; achar que o estresse causa ou não doenças; ser da opinião de que a propaganda tem ou não poder), pesquisa sobre possíveis argumentos (orientar-se pelas perguntas e por sua tese) e determinação da conclusão a que se quer chegar (o que você quer provar). 2. Escrita propriamente dita. Atividade 3 - Comentar com os alunos as atividades propostas anteriormente Tese: O Gurgel é um carro brasileiro para brasileiros que tenta resolver os problemas típicos de um brasileiro; Argumentos: A imagem e o texto acentuam elementos que aproximam o carro do cenário, das pessoas simples que estão presentes no campo e de suas necessidades; Conclusão: Se você é brasileiro que vive no campo, você deve comprar um Gurgel; Destinatário: Pessoas do campo, que precisam de carros com caçamba grande para transporte de produtos; Tipo de linguagem: direta, misturando imagem e texto Tese: Somos expostos a tantos comerciais que não conseguimos mais reter praticamente nada do que vemos; Argumentos: A quantidade de comerciais que vemos e a dificuldade de nos lembrarmos de comerciais; Conclusão: A propaganda se torna mais eficaz quando a inserimos em contextos cotidianos, em meio a uma novela ou a um filme, no qual aparece um produto juntamente com um ator de que gostamos ou com algo que apreciamos; Destinatário: Profissionais de propaganda; Tipo de linguagem: expositiva e argumentativa, estruturada por estatísticas Respostas possíveis para discutir com os alunos 1. a. A classe médica antes de tudo. b. A linguagem é técnica, uma vez que o texto apresenta dados que contestam a ideia de que é

278 278 bom fazer uso diário de aspirina. 2. a. Qualquer pessoa sexualmente ativa que, por isso, se encontra no grupo daqueles que devem fazer uso de camisinha. b. Linguagem coloquial, não técnica. 3. a. Sim, as coisas mudaram bastante, porque se trata de texto acadêmico, que exige conhecimento específico. b. Trata-se de trabalho voltado para o público universitário, mais especificamente para alunos de teoria da comunicação. c. Por todos os elementos citados: linguagem rebuscada, termos estranhos e tipo de argumentação Exercícios de construção argumentativa a partir de pequenos textos ou imagens instigantes. Possíveis construções textuais: 1. O provérbio nos lembra de algo muito importante: não adianta achar que as coisas não dão certo porque a qualidade do material de trabalho era ruim. O motivo real de todo fracasso é a nossa postura, a dificuldade de se entregar plenamente às coisas, o empenho por fazer a diferença. 2. O que esperar de uma juventude que, em vez de se encontrar na sala de aula e de receber do país as condições mínimas para o seu pleno desenvolvimento, se vê presa a um trabalho semiescravo, sem perspectivas de futuro e sem o conforto básico do presente? Pouco! É isso o que a imagem parece nos dizer. 3. A música de Milton Nascimento dá voz a uma série de anseios simples, que alimentam a vida de todos nós. Ela fala a linguagem da esperança, que precisa estar viva para que possamos encontrar um lugar realmente digno de ser vivido. Ao mesmo tempo, porém, o triste é pensar que mesmo esses anseios simples são utópicos e jamais serão completamente realizados. 4. A frase de para-choque de caminhão nos lembra do modo como todos nós nascemos: sem roupas, sem posses, sem nada. Lembrar disso é importante para dimensionar plenamente os nossos desejos e para perceber o quanto são mesquinhas certas existências preocupadas apenas em conquistar cada vez mais. Atividade 4 -Leia o texto A dor de crescer Período de passagem, tempo de agitação e turbulências. Um fenômeno psicológico e social, que terá diferentes particularidades de acordo com o ambiente social e cultural. Do latim ad, que quer dizer para, e olescer, que significa crescer, mas também adoecer, enfermar. Todas essas definições, por mais verdadeiras que sejam, foram formuladas por adultos. "Adolescer dói" dizem as psicanalistas [Margarete, Ana Maria e Yeda] "porque é um período de grandes transformações. Há um sofrimento emocional com as mudanças biológicas e mentais que ocorrem nessa fase. É a morte da criança para o nascimento do adulto. Portanto, trata-se de uma passagem de perdas e ganhos e isso nem sempre é entendido pelos adultos." Margarete, Ana Maria e Yeda decidiram criar o "Ponto de Referência" exatamente para isso. Para facilitar a vida tanto dos adolescentes quanto das pessoas que os rodeiam, como pais e professores. "Estamos tentando resgatar o sentido da palavra diálogo" enfatiza Yeda "quando

279 279 os dois falam, os dois ouvem sempre concordando um com o outro, nem sempre acatando. Nosso objetivo maior talvez seja o resgate da interlocução, com direito, inclusive, a interrupções." Frutos de uma educação autoritária, os pais de hoje se queixam de estar vivendo a tão alardeada ditadura dos filhos. Contrapondo o autoritarismo, muitos enveredaram pelo caminho da liberdade generalizada e essa tem sido a grande dúvida dos pais que procuram o "Ponto de Referência": proibir ou permitir? "O que propomos aqui" afirma Margarete "é a consciência da liberdade. Nem o vale-tudo e nem a proibição total. Tivemos acesso a centros semelhantes ao nosso na Espanha e em Portugal, onde o setor público funciona bem e dá muito apoio a esse tipo de trabalho porque já descobriram a importância de uma adolescência vivida com um mínimo de equilíbrio. Já que o processo de passagem é inevitável, que ele seja feito com menos dor para todos os envolvidos". MIRTES Helena. In: Estado de Minas, 16 jun No texto, o argumento que comprova a ideia de ser a adolescência um período de passagem é (A) ADOLESCENTES SOFREM MUDANÇAS BIOLÓGICAS E MENTAIS. (B) filhos devem ter consciência do significado de liberdade. (C) pais reclamam da ditadura de seus filhos. (D) psicólogos tentam recuperar o valor do diálogo.

280 280 AULA 10 Expor uma tese, naturalmente, exige a apresentação de argumentos que a fundamentem. Ou seja, os argumentos apresentados funcionam como razões ou como fundamentos de que a tese defendida tem sentido e consistência. Nas práticas sociais que envolvem a proposição de um certo posicionamento ou ponto de vista, a estratégia de oferecer argumentos não por acaso chamada de argumentação é um recurso de primeira importância. Professor, o aluno deve identificar, em uma passagem de caráter argumentativo, as razões oferecidas em defesa do posicionamento assumido pelo autor. Desenvolva com ele discussões que o leve a reconhecer o ponto de vista que está sendo defendido e ajude-o a relacionar os argumentos usados para sustentá-lo. Peça que identifique e grife no texto os argumentos utilizados pelo autor na construção do texto. Primeiro passo O aluno aprenderá a posicionar-se em relação a diferentes temas tratados, defender posições fundamentando argumentos com exemplos e informações, reconhecer os argumentos apresentados na defesa de uma posição, avaliando a pertinência dos exemplos e informações que o fundamentam, reconhecer e usar as fases ou etapas da argumentação em um texto ou sequência argumentativa, reconhecer e usar estratégias de organização da argumentação em um texto ou sequência argumentativa. O professor iniciará a aula apresentando em cartazes as imagens abaixo. Estas imagens representarão as temáticas polêmicas dos debates desta aula. Sendo assim, antes de iniciar o debate com os temas selecionados para essa aula, o professor deverá explorar as figuras e assim solicitar que os alunos antecipem, a partir da leitura das imagens, a que temas referem-se. Fonte:http://www.gospelprime.com.br/vem-ai-a-cpi-do-aborto/ 1) Questões a serem levantadas: a- O que você vê na foto? b- O que representa esse feto acolhido em uma mão?

281 281 c- O que quer dizer a frase: A vida está em suas mãos. d- Esta imagem representa que tema? 2) Fonte: pirataria Questões a serem levantadas: a- Que elementos você vê nesta figura? b- O que significa o símbolo na caixa do CD? c- O Mapa do Brasil, na figura, está composto pelo quê? d- A imagem refere-se a que temática? 3) Fonte:http://moabiobeid.blogspot.com/2009/11/questao-da-pena-de-morte.html

282 282 Questões a serem levantadas: a- Que elementos você vê nesta figura? b- Você reconhece este objeto? c- O que representa as cordas na imagem da balança? d- Que temática é representada nesta imagem? Segundo passo Atividades: 1. Oprofessor iniciará os debates com o primeiro tema polêmico: o aborto. Para isso, sugerimos o trabalho com dois textos: um contra e outro a favor. Sugerimos que o professor divida a turma em dois grandes grupos. O primeiro grupo receberá o texto 1 e o segundo grupo receberá o texto 2. Os alunos deverão ler os textos (podendo contar com a mediação do professor durante a leitura do texto). Temas polêmicos: O aborto TEXTO 1: A FAVOR Quem tem mais direito à vida: um chimpanzé na floresta ou um feto humano no útero da mãe? Defensor do aborto, da eutanásia e dos direitos dos animais, Singer é um dos bioeticistas mais polêmicos do planeta Herton Escobar escreve para O Estado de SP : "O chimpanzé", responde, sem medo, o professor de bioética Peter Singer, da Universidade de Princeton, nos EUA. "Só o fato de ser membro da espécie Homo sapiens não é garantia de direito à vida", diz ele. Defensor do aborto, da eutanásia e dos direitos dos animais, Singer é um dos bioeticistas mais renomados e polêmicos do planeta. Fala o que muitos se atreveriam a pensar, mas jamais teriam a coragem de dizer. "Não acho que o feto tem direito à vida porque ele não é um ser autoconsciente." Os chimpanzés, gorilas e outros primatas superiores, por outro lado, são animais plenamente conscientes de sua existência, diz o professor. Singer, inclusive, é um dos fundadores do GreatApe Project, iniciativa internacional que busca garantir aos primatas os mesmos direitos básicos dos seres humanos: vida, liberdade e proibição da tortura. Australiano, vegetariano e com quase 60 anos, Singer é fundador da Associação Internacional de Bioética e autor de Libertação Animal, de 1975, um dos livros mais influentes sobre o movimento de defesa dos direitos dos animais. Na semana passada, esteve em SP para participar do Congresso Pitágoras 2006 e falou a O Estado de SP sobre algumas de suas posições mais polêmicas. Eis a entrevista com Peter Singer: - Há um projeto de lei no Congresso brasileiro que visa a descriminalizar o aborto, hoje permitido apenas em casos de estupro e risco de vida para a mãe. Qual a posição do senhor sobre isso? - Eu sou a favor de que as mulheres possam fazer abortos quando desejarem. Especialmente se o aborto for feito quando o feto ainda é incapaz de sentir dor. Minha preocupação maior é com a dor e o sofrimento. Até 20 semanas de gestação, quando ocorre a maioria dos abortos, o feto não está nem mesmo consciente, por isso não acredito que tenha direito à vida. Por essa razão, eu permitiria às mulheres escolher se querem fazer um aborto até esse período. Após 20 semanas, eu ainda não seria completamente contrário, mas seria mais flexível à adoção de restrições. - O que o senhor está dizendo certamente vai deixar muita gente indignada. Imagino que deva receber muitas críticas por isso. - O conceito geral é o de que se você é um ser humano, você automaticamente tem direito à vida. Esse é um dos problemas com o debate do aborto: as pessoas que são contra dizem que o feto é um ser humano e, portanto, tem direito à vida. Eu acho que a primeira parte está correta: o feto é um ser humano. Mas não necessariamente a segunda. Não acho que o simples fato de pertencer a uma espécie seja garantia de direitos morais; acho que você adquire direitos morais pelo

283 283 indivíduo que você é. Se você não é um ser autoconsciente, não acho que tenha direito à vida. A ideia geral é, muitas vezes, religiosa: as pessoas acreditam que o ser humano possui uma alma e que o homem é feito à imagem de Deus ou coisa desse tipo. Acho que muitas das pessoas que criticam minhas opiniões são contra o aborto por questões religiosas, mesmo que não usem esse argumento explicitamente. - Considerando sua posição com relação aos primatas, então, seria correto dizer que o senhor dá mais valor à vida de um chimpanzé do que à de um feto humano? - É verdade; não nego isso. O chimpanzé é um ser autoconsciente. Os chimpanzés são capazes de se reconhecer no espelho, eles demonstram pensamento e planejam o que fazem. Eu diria até que têm um certo senso de moralidade na maneira como lidam uns com os outros. Eles sofrem quando alguém próximo a eles morre. Portanto, é preciso reconhecer que os chimpanzés têm um estado de vida mental e emocional que um feto não tem, porque seu cérebro não está suficientemente desenvolvido. Então é verdade: eu diria que os chimpanzés têm direitos que superam os de um feto humano. É claro que, normalmente, o feto é algo que a mulher ama e deseja, e por isso ele merece nossa proteção. Mas se a mulher não quer a gravidez, e você considera apenas os direitos do feto isoladamente, acho que ele não tem direito à vida, enquanto o chimpanzé tem. Quem tem mais direito à vida: um chimpanzé na floresta ou um feto humano no útero da mãe? Defensor do aborto, da eutanásia e dos direitos dos animais, Singer é um dos bioeticistas mais polêmicos do planeta Herton Escobar escreve para O Estado de SP : "O chimpanzé", responde, sem medo, o professor de bioética Peter Singer, da Universidade de Princeton, nos EUA. "Só o fato de ser membro da espécie Homo sapiens não é garantia de direito à vida", diz ele. Defensor do aborto, da eutanásia e dos direitos dos animais, Singer é um dos bioeticistas mais renomados e polêmicos do planeta. Fala o que muitos se atreveriam a pensar, mas jamais teriam a coragem de dizer. "Não acho que o feto tem direito à vida porque ele não é um ser autoconsciente." Os chimpanzés, gorilas e outros primatas superiores, por outro lado, são animais plenamente conscientes de sua existência, diz o professor. Singer, inclusive, é um dos fundadores do GreatApe Project, iniciativa internacional que busca garantir aos primatas os mesmos direitos básicos dos seres humanos: vida, liberdade e proibição da tortura. Australiano, vegetariano e com quase 60 anos, Singer é fundador da Associação Internacional de Bioética e autor de Libertação Animal, de 1975, um dos livros mais influentes sobre o movimento de defesa dos direitos dos animais. Na semana passada, esteve em SP para participar do Congresso Pitágoras 2006 e falou a O Estado de SP sobre algumas de suas posições mais polêmicas. Eis a entrevista com Peter Singer: - Há um projeto de lei no Congresso brasileiro que visa a descriminalizar o aborto, hoje permitido apenas em casos de estupro e risco de vida para a mãe. Qual a posição do senhor sobre isso? - Eu sou a favor de que as mulheres possam fazer abortos quando desejarem. Especialmente se o aborto for feito quando o feto ainda é incapaz de sentir dor. Minha preocupação maior é com a dor e o sofrimento. Até 20 semanas de gestação, quando ocorre a maioria dos abortos, o feto não está nem mesmo consciente, por isso não acredito que tenha direito à vida. Por essa razão, eu permitiria às mulheres escolher se querem fazer um aborto até esse período. Após 20 semanas, eu ainda não seria completamente contrário, mas seria mais flexível à adoção de restrições. - O que o senhor está dizendo certamente vai deixar muita gente indignada. Imagino que deva receber muitas críticas por isso. - O conceito geral é o de que se você é um ser humano, você automaticamente tem direito à vida. Esse é um dos problemas com o debate do aborto: as pessoas que são contra dizem que o feto é um ser humano e, portanto, tem direito à vida. Eu acho que a primeira parte está correta: o feto é um ser humano. Mas não necessariamente a segunda. Não acho que o simples fato de pertencer a uma espécie seja garantia de direitos morais; acho que você adquire direitos morais pelo indivíduo que você é. Se você não é um ser autoconsciente, não acho que tenha direito à vida. A idéia geral é, muitas vezes, religiosa: as pessoas acreditam que o ser humano possui uma alma e que o homem é feito à imagem de Deus ou coisa desse tipo. Acho que muitas das pessoas que criticam minhas opiniões são contra o aborto por questões religiosas, mesmo que não usem esse argumento explicitamente. - Considerando sua posição com relação aos primatas, então, seria correto dizer que o senhor dá mais valor à vida de um chimpanzé do que à de um feto humano? - É verdade;

284 284 não nego isso. O chimpanzé é um ser autoconsciente. Os chimpanzés são capazes de se reconhecer no espelho, eles demonstram pensamento e planejam o que fazem. Eu diria até que têm um certo senso de moralidade na maneira como lidam uns com os outros. Eles sofrem quando alguém próximo a eles morre. Portanto, é preciso reconhecer que os chimpanzés têm um estado de vida mental e emocional que um feto não tem, porque seu cérebro não está suficientemente desenvolvido. Então é verdade: eu diria que os chimpanzés têm direitos que superam os de um feto humano. É claro que, normalmente, o feto é algo que a mulher ama e deseja, e por isso ele merece nossa proteção. Mas se a mulher não quer a gravidez, e você considera apenas os direitos do feto isoladamente, acho que ele não tem direito à vida, enquanto o chimpanzé tem. TEXTO 2: CONTRA Fonte: (Adaptação) E o direito do filho? Prof. Humberto Leal Vieira Presidente da PROVIDAFAMÍLIA. Os grupos feministas alegam que ter ou não ter filho, é um direito da mulher, por isso o aborto deve ser legalizado. Ao aceitar o argumento de que a mãe tem o direito de matar seu próprio filho, porque resultante de uma gravidez "indesejada" teremos que aceitar que o filho também tem o direito de matar sua mãe quando indesejada por este. Afinal o filho não escolheu a mãe que tem e os direitos são iguais para todos. Vejam onde iríamos com esse argumento! A afirmativa segundo a qual está se defendendo um direito da mulher ao legalizar o aborto, é uma farsa, é mentirosa e esconde o verdadeiro objetivo da campanha das ONGs que são pagas por fundações e organismos internacionais para promover, entre nós, o controle de população. Em verdade, são grupos assalariados que prestam serviços a seus patrões interessados em uma nova modalidade de imperialismo em que a vida humana está em jogo. Tiramos essa conclusão ao ler o Relatório Kissinger (NSSM 200) "Implicações do crescimento da população mundial para a segurança e os interesses externos dos Estados Unidos". Nesse relatório está demonstrado o pavor dos países ricos com o crescimento da população nos países do Terceiro Mundo. Os investimentos para o controle populacional somam bilhões de dólares em todo o mundo. Os projetos e recursos para distribuição de contraceptivos, para esterilização e promoção do aborto são publicados pelo Fundo de População da ONU. Para o Brasil, nesses últimos cinco anos foram investidos 837 milhões de dólares naqueles projetos. Para a legalização da contracepção, da esterilização e do aborto, entre nós, foi criado o Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento (GPEPD) e, no âmbito da América Latina, o Grupo Parlamentar Interamericano (GPI). Esse grupo tem entre seus objetivos, segundo publicação do GPI: "Revisar as legislações nacionais a fim de considerar a possibilidade de despenalizar o aborto, tendo em conta o grande número que se realiza à margem da lei e a alta taxa de mortalidade que deles resulta". Para esses grupos parlamentares foram destinados, nestes últimos dois anos: dólares e para o "lobby" do aborto no Brasil dólares entre outros recursos. Na grande discussão sobre o aborto, que se deu no dia 25 do corrente mês, no Plenário da Câmara dos Deputados, tive oportunidade de expor, aos presentes, esse dados. Nessa ocasião se apresentaram dirigentes de ONGs como as Católicas pelo Direito de Decidir e outras que defenderam a legalização do aborto e para isso são financiadas por organizações internacionais e fundações estrangeiras. Agora, o vergonhoso é que brasileiros, e até mesmo certos parlamentares defendam os interesses daqueles países em detrimento de nossa soberania e de nosso crescimento como Nação! Acredito que o Congresso Nacional deveria apurar o destino de tanto recurso investido no Parlamento e nas ONGs para o controle populacional. Essa é uma questão de soberania nacional. Felizmente, sabemos, que é apenas uma minoria de parlamentares que está engajado nesses programas e que a grande maioria desconhece aqueles projetos de controle populacional que representam um neocolonialismo. Estes grupos já conseguiram legalizar a contracepção e a esterilização e agora tentam legalizar o aborto. Concluindo podemos dizer que a questão do direito ao aborto é um

285 285 eufemismo que esconde o verdadeiro objetivo de países estrangeiros e organizações internacionais interessados no controle da população brasileira e o enfraquecimento do Brasil, como Nação Soberana. Fonte: Artigo publicado no jornal Correio Brasiliense em 30/11/ ) Após a leitura dos textos, o professor orienta-os para o trabalho a partir das instruções: a. O grupo 1 deverá defender a opinião do bioeticista Singer e o grupo 2 deverá se opor, utilizando as ideias do Professor Humberto Leal Vieira. b. Sugerimos que o professor peça para que um dos grupos saia da sala e outro permaneça para que possam discutir argumentos que serão utilizados no debate. c. Após a organização dos grupos, o professor poderá dividir a sala em duas, colocando um grupo em frente ao outro. d. Assim, será iniciado o debate. Cada grupo terá a oportunidade de argumentar e contra argumentar dentro de um tempo estabelecido pelo professor. É importante que o alfabetizador desempenhe o papel de mediador do debate, controlando o tempo das falas e adequando a variação linguística para o gênero oral debate. Terceiro passo Após o debate, o professor faz os comentários necessários. Primeiro passo AULA 11 A atividade a seguir terá como temática a pirataria. Neste caso, para iniciar o debate deverá utilizar um texto a favor e uma propaganda contra a pirataria. O professor deverá ler para a turma o texto a seguir. Temas polêmicos: A pirataria TEXTO 1: A FAVOR Hoje eu "tô" afim de falar do tema da pirataria! Por que será que temos que ser contra à pirataria? Ora bolas, vivemos atualmente num mundo tão difícil, onde tudo é tão caro! A pirataria tem sido a salvação para muitos que acham a vida tão cara! Se a gente parar para pensar, os maiores culpados por essa situação são os políticos que desviam verba publica para benefício próprio e de outros particulares em detrimento do interesse público, das obras públicas. Essa verba desviada gera a necessidade de aumento de impostos! Os impostos altos tornam os preços dos produtos igualmente altos e a maioria da população brasileira acaba sem usufruir de muitos produtos de consumo postos nas prateleiras, tudo isso no contexto desse sistema econômico ineficaz no qual estamos inseridos que é o tal do capitalismo! A gente tem que se matar de ralar para conquistar melhores empregos, melhores salários, melhores condições de vida, temos de competir uns com os outros de maneira altamente feroz para podermos ter um padrão de vida adequado para as nossas necessidades e para a nossa felicidade... aí depois as gravadoras reclamam dos cd's piratas? Ora bolas! Vocês, gravadoras, mesmo com a pirataria, obtêm altos lucros com a venda de cds, garanto que não ganham menos do que um Ministro do Supremo Tribunal Federal, cujo salário está atualmente na ordem de 25 mil reais! Isso para os empresários das grandes gravadoras é uma esmola, mas eles, assim como a grande maioria dos capitalistas

286 286 gananciosos, sempre acham isso pouco e querem sempre cada vez mais! Isso tá certo? Com menos de 20 mil reais esses empresários já deviam estar muito felizes. Com esse dinheiro já dá pra ter um padrão de vida muito bom! Mas eles acham pouco e querem é mais! Segundo passo Fonte: (Adaptação) Após a leitura do texto o professor fará uma enquete com os alunos, verificando a opinião de todos em relação ao assunto em questão. Para isso, pergunta: Quem é a favor da pirataria e quem é contra? Terceiro passo O professor contabiliza os votos a favor e contra a pirataria. VOTOS A FAVOR DA PIRATARIA: VOTOS CONTRA A PIRATARIA: Quarto passo Em seguida, o professor organiza a turma para a apresentação do vídeo que se encontra no endereço: VÍDEO 1: CONTRA VIDEO PIRATARIA É CRIME Quinto passo Após o vídeo sugerimos que o professor repita a mesma enquete com o objetivo de verificar se os argumentos apresentados no vídeo foram capazes de convencer alguns dos alunos. Primeiro passo AULA 12 O professor deverá dividir a turma em duplas. As duplas receberão o texto contra a pena de morte. a) O texto deverá ser lido pelas duplas com a mediação do professor. b) As duplas deverão ler os argumentos da autora do texto, Caroline Figueiredo. c)os alunos deverão ler o texto pensando em argumentos favoráveis e contra o texto de Caroline Figueiredo. Temas polêmicos: A Pena de Morte no Brasil

287 287 TEXTO 1: CONTRA A PENA DE MORTE A Pena de - Carolina Figueiredo Guilherme 12ºH A questão da pena de morte,tem sido insistentemente tema de discussão nos órgãos de Comunicação Social, e há bem pouco tempo foi motivo de debate num dos canais de televisão. Aqui gostaria de expressar a minha opinião sobre este tema tão polêmico e sempre atual. Do meu ponto de vista, a pena de morte é negativa, e por isso não deve ser legalizada. Afinal, que direito temos nós (sociedade) de tirar a vida a alguém, mesmo que essa pessoa tenha cometido os maiores crimes e até tenha morto alguém? Talvez até, que a culpa última do seu comportamento seja a própria sociedade, uma vez que cada pessoa é sempre o produto da educação que teve e foi moldado pelo ambiente sociocultural em que cresceu. Penso que todos temos que concordar com este aspecto: aceitar a pena de morte, é aceitar que se faça o mesmo crime (ou ainda pior), a um ser humano, mesmo sendo este criminoso. Se aquele que é condenado à pena de morte, é condenado precisamente porque cometeu um crime, então, aceitarmos que essa pessoa seja condenada, é também aceitar a prática de um outro crime. Mas há também que ver o outro lado das coisas e, de uma maneira geral, as pessoas que estão de acordo com a prática da pena de morte, alegam que os criminosos devem ser condenados com esta prática, uma vez que é impossível uma pessoa assistir ao assassinato de uma família ou de um amigo e ficar de braços cruzados, vendo muitas vezes a justiça ser tardia e mal aplicada. É claro que não há maior dor do que aquela que é provocada pela morte, ainda mais quando se trata de alguém que nos é muito querido; mas será que a pena de morte é a melhor justiça para acabar com esses crimes? Será que o criminoso, deve morrer logo ali, no momento em que se senta numa cadeira, ou em que respira o gás mortífero, ou ainda quando a corda lhe ata o pescoço? Na minha opinião, esta não é de fato a melhor forma de justiça, até porque assim o criminoso não terá o sofrimento, que os defensores da pena de morte pretendem que ele tenha nos últimos minutos de vida. Não será mais justo ver o criminoso sofrer durante todo o resto da sua vida atrás de umas grades em vez de sofrer apenas algumas horas? De fato, eu defendo, não a pena de morte, mas sim a pena de prisão perpétua. Deste modo o condenado é privado da sua liberdade, mas a sociedade fica livre de um elemento nefasto. Além disso, o criminoso poderá trabalhar para o bem estar da sociedade ajudando na recolha de lixo das ruas, ou construindo estradas, etc. Afinal, a quem se devem os imensos quilômetros de estradas nos Estados Unidos da América, por exemplo? É claro que a pena de prisão perpétua, levará à degradação das condições logísticas prisionais e poderá verificar-se um aumento de suicídios dos reclusos, mas é um risco que a sociedade terá que se conscientizar para não correr outros riscos. Esta foi a minha opinião sobre a pena de morte. É claro que há pessoas que são a favor e outras que são contra, mas para chegar a um acordo acho que é essencial debater-se este assunto, que de uma maneira ou de outra diz respeito a todos nós. Segundo passo Fonte: Sugere-se que o professor proponha um debate entre as duplas em duas rodadas. Em uma primeira rodada um integrante da dupla defenderá a pena de morte enquanto o outro levantará argumentos contra. Depois disso, os papeis são invertidos. Sugerimos que o professor realize o debate com todas as duplas da turma. Durante as rodadas entre as duplas, o restante da turma poderá intervir, realizando perguntas.

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289 289 AULA 13 Primeiro passo 1- O professor organiza a turma em grupos e orienta-os para a realização das atividades abaixo: - 1º e 2º grupos: Deverão criar um painel utilizando as linguagens verbais e não verbais para retratar a favor ou contra à pirataria. - 3º e 4º grupos: Deverão criar um painel utilizando as linguagens verbais e não verbais para retratar a favor ou contra o aborto. - 5º e 6º grupos: Deverão criar um painel utilizando as linguagens verbais e não verbais para retratar a favor ou contra a pena de morte no Brasil. 2- O professor socializa os painéis, faz os comentários necessários e organiza a distribuição dos mesmos nos espaços da escola. ORIENTAÇÃO: Como ensinar o debate em sala de aula: um modelo didático O debate é um gênero oral, é mais difícil se construir um modelo que leve em consideração todas as etapas que devam ser cumpridas no ensino desse gênero textual. Mesmo assim, vamos tentar tornar didático esse gênero a fim de facilitar a compreensão de suas estruturas para que elas possam servir de modelo para os alunos no momento em que necessitarem construir uma situação real ou simulada de debate. 1º passo: Atividades prévias (para compreensão do modelo) Levar os alunos a participarem como ouvintes a uma série de debates para que eles possam perceber as características em comum de diversos eventos dessa natureza (dar referências de debates televisivos e/ou levar um modelo gravado para a sala de aula); Evidenciar para os alunos que a variante linguística utilizada em um debate é a variante mais aproximada da linguagem formal. Embora tenha características próprias da oralidade, o discurso deve ser claro e sem atropelos, evitando-se ideias repetidas; Diferenciar o gênero debate de outros gêneros orais públicos como as mesas redondas ou painéis, por exemplo; É importante também evidenciar que o debate só é possível quando há oposições de pontos de vista sobre um determinado assunto; Deixar claro que uma das regras principais dentro de um debate é o respeito ao outro debatedor. Deve-se escutar com respeito seus pontos de vista e apresentar os seus também de modo respeitoso para não ofender o outro. A oposição é de ideias, não de pessoas. Essa e as outras regras definidas no momento de preparação do debate devem ser rigorosamente seguidas;

290 290 Enfatizar que no decurso do debate, um dos interlocutores pode ser convencido pelo outro, ou ainda, é possível que ambas as partes aceitem os argumentos do outro lado (mesmo que parcialmente) e repensem suas opiniões. Mesmo que isso não aconteça, o importante é que um debate serve para se conhecer os diferentes pontos de vista sobre determinado assunto para todos os participantes (para quem debate e também para quem assiste). 2º passo: Atividades de preparação (para o planejamento de um debate em sala de aula). Nesta etapa, as decisões devem ser tomadas na sala de aula por todos os envolvidos (alunos e professores). Definição de: - Tema; - Participantes (2 ou mais pessoas que tenham pontos de vista diferentes sobre determinado assunto); - Mediador -Públicointeressado (estabelecer o papel de um público interessado para o auditório); Delimitação das regras (que podem variar de acordo com cada situação): - Antes da discussão cada debatedor exporá sua opinião (3 min.); - Cada debatedor faz a apreciação da fala inicial de 1 dos seus interlocutores, iniciando assim a discussão (3 min.); - O interlocutor citado pode pedir a réplica (2 min.); - Cada participante só poderá falar na sua vez e não deve exceder o tempo estipulado e deve sempre atender ao mediador; - Após o debate, o público poderá fazer perguntas diretas, de forma oral, a qualquer dos debatedores. O tempo para essa etapa será de 10 minutos; - Cada debatedor inquirido terá 1 minuto para dar sua resposta. Determinar tempo para a preparação dos debatedores: 1 semana. - Esse tempo servirá para os alunos, que irão debater, estudar para se aprofundar no assunto e selecionar bons argumentos para o debate. - O debatedor deve se preparar para possíveis perguntas e contestações que possam vir dos seus oponentes e/ou da plateia. 3º passo: O debate (interação em sala de aula) - Um modelo de roteiro a ser seguido Abertura: (etapa cumprida pelo mediador) - Cumprimento ao público - Exposição do tema (motivo do debate) - Explicitação das normas previamente estipuladas - Apresentação dos debatedores 1ª Fase: Mediador passa a palavra a um dos debatedores; Retoma a palavra e a passa ao outro debatedor; Ambos devem cumprimentar e expor, cada um (nesse 1º momento, cada um deve falar somente o tempo estipulado) Os debatedores somente devem expressar seus pontos de vista (sem mencionar seus interlocutores)

291 291 2ª Fase: Mediador retoma a palavra e a repassa novamente para o primeiro debatedor para que ele comente a exposição do oponente; Nesse momento pode ocorrer a réplica; Mediador inverte as posições entre os debatedores: o 2º faz comentário e o 1º a réplica. Participação da Plateia: - Momento da interferência da plateia aos debatedores (10min). - Estes terão 1 minuto para responder a cada questionamento. Recapitulação: - Breve comentário de cada debate duração (2min); - Síntese do debate pelo mediador. Conclusão: - Mensagem final (pelo mediador) Agradecimentos: - Do mediador para os participantes (debatedores e plateia). Obs.: Se possível, o trabalho pode ser gravado para que se faça a avaliação dele. Essa avaliação não deve necessariamente ser feita somente pelo professor, toda a turma pode participar desse processo ao analisar o comportamento de todos no momento da interação. 4º passo: Avaliação Fonte: A avaliação é processual e contínua, devendo ser realizada oral e coletivamente, enfocando a dinâmica do grupo, identificando avanços e dificuldades. O desempenho dos alunos durante a aula, a realização das tarefas propostas, as observações e intervenções do professor, a auto avaliação do professor e do aluno serão elementos essenciais para verificar se as competências previstas para a aula foram ou não desenvolvidas pelos alunos. Nesta aula, o professor deverá avaliar a capacidade dos alunos em expor suas ideias e argumentos de maneira objetiva e clara, adequando-se a variedade linguística do gênero debate. Deverá ser avaliada também, a capacidade dos alunos em ouvir a fala do outro e respeitar a opinião dos colegas.

292 292 AULA 14 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para a abordagem questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de distinguir um fato de uma opinião relativa a esse fato. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula, caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho. EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 1 Leia o texto abaixo. O LEÃO E O RATO Diz que um leão enorme ia andando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas. Ainda com as palavras da mulher o aborrecendo, o leão subitamente se defrontou com um pequeno rato, o ratinho menor que ele já tinha visto. Pisou-lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente para fugir, o leão gritou: Miserável criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e nojento. Vou lhe deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho, rato! E soltou-o. O rato correu o mais que pôde, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão: Será que Vossa Excelência poderia escrever isso para mim? Vou me encontrar agora mesmo com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso para ela com as mesmas palavras. FERNANDES, Millôr. Fábulas Fabulosas. O rato queria repetir as mesmas palavras para a lesma, porque A) achou bonitas as palavras que o leão lhe disse e queria agradar a lesma. B) conhecia a lesma e sabia que ela gostava de palavras bonitas e difíceis. C) foi humilhado pelo leão e descontava sua raiva na lesma, que era menor que ele. D) tinha brigado também com a mulher, que por raiva, lhe dissera poucas e boas.

293 293 Questão 2 Leia o texto abaixo: O que é ser adotado Os alunos do primeiro ano, da professora Débora, discutiam a fotografia de uma família. Um menino na foto tinha os cabelos de cor diferente dos outros membros da família. Um aluno sugeriu que ele talvez fosse adotado e uma garotinha disse: Sei tudo de filhos adotados porque sou adotada. O que é ser adotado? outra criança perguntou. Quer dizer que você cresce no coração da mãe, em vez de crescer na barriga. DOLAN, George. Você Não Está Só. Ediouro O aluno sugeriu que a criança da foto tinha sido adotada porque: A) os cabelos dela eram diferentes. B) estava na foto da família. C) pertencia a uma família. D) cresceu na barriga da mãe. Questão 3 Leia o texto para responder a questão abaixo: O IMPÉRIO DA VAIDADE Você sabe por que a televisão, a publicidade, o cinema e os jornais defendem os músculos torneados, as vitaminas milagrosas, as modelos longilíneas e as academias de ginástica? Porque tudo isso dá dinheiro. Sabe por que ninguém fala do afeto e do respeito entre duas pessoas comuns, mesmo meio gordas, um pouco feias, que fazem piquenique na praia? Porque isso não dá dinheiro para os negociantes, mas dá prazer para os participantes. O prazer é físico, independentemente do físico que se tenha: namorar, tomar milk-shake, sentir o sol na pele, carregar o filho no colo, andar descalço, ficar em casa sem fazer nada. Os melhores prazeres são de graça a conversa com o amigo, o cheiro do jasmim, a rua vazia de madrugada, e a humanidade sempre gostou de conviver com eles. Comer uma feijoada com os amigos, tomar uma caipirinha no sábado também é uma grande pedida. Ter um momento de prazer é compensar muitos momentos de desprazer. Relaxar, descansar, despreocupar-se, desligar-se da competição, da áspera luta pela vida isso é prazer. Mas vivemos num mundo onde relaxar e desligar-se se tornou um problema. O prazer gratuito, espontâneo, está cada vez mais difícil. O que importa, o que vale, é o prazer que se compra e se exibe, o que não deixa de ser um aspecto da competição. Estamos submetidos a uma cultura atroz, que quer fazer-nos infelizes, ansiosos, neuróticos. As filhas precisam ser Xuxas, as namoradas precisam ser modelos que desfilam em Paris, os homens não podem assumir sua idade. Não vivemos a ditadura do corpo, mas seu contrário: um massacre da indústria e do comércio. Querem que sintamos culpa quando nossa silhueta fica um pouco mais gorda, não porque querem que sejamos mais saudáveis mas porque, se não ficarmos angustiados, não faremos mais regimes, não compraremos mais produtos dietéticos, nem produtos de beleza, nem roupas e mais roupas. Precisam da nossa impotência, da nossa insegurança, da nossa angústia. O único valor coerente que essa cultura apresenta é o narcisismo. LEITE, Paulo Moreira. O império da vaidade. Veja, 23 ago p. 79.

294 294 O autor pretende influenciar os leitores para que eles (A) evitem todos os prazeres cuja obtenção depende de dinheiro. (B) excluam de sua vida todas as atividade incentivadas pela mídia. (C) fiquem mais em casa e voltem a fazer os programas de antigamente. (D) sejam mais críticos em relação ao incentivo do consumo pela mídia Questão 4 Leia o texto para responder a questão abaixo: O namoro na adolescência Um namoro, para acontecer de forma positiva, precisa de vários ingredientes: a começar pela família, que não seja muito rígida e atrasada nos seus valores, seja conversável, e, ao mesmo tempo, tenha limites muito claros de comportamento. O adolescente precisa disto, para se sentir seguro. O outro aspecto tem a ver com o próprio adolescente e suas condições internas, que determinarão suas necessidades e a própria escolha. São fatores inconscientes, que fazem com que a Mariazinha se encante com o jeito tímido do João e não dê pelota para o herói da turma, o Mário. Aspectos situacionais, como a relação harmoniosa ou não entre os pais do adolescente, também influenciarão o seu namoro. Um relacionamento em que um dos parceiros vem de um lar em crise, é, de saída, dose de leão para o outro, que passa a ser utilizado como anteparo de todas as dores e frustrações. Geralmente, esta carga é demais para o outro parceiro, que também enfrenta suas crises pelas próprias condições de adolescente. Entrar em contato com a outra pessoa, senti-la, ouvi-la, depender dela afetivamente e, ao mesmo tempo, não massacrá-la de exigências, e não ter medo de se entregar, é tarefa difícil em qualquer idade. Mas é assim que começa este aprendizado de relacionar-se afetivamente e que vai durar a vida toda. SUPLICY, Marta. A condição da mulher. São Paulo: Brasiliense, 1984 Para um namoro acontecer de forma positiva, o adolescente precisa do apoio da família. O argumento que defende essa ideia é: (A) a família é o anteparo das frustrações. (B) a família tem uma relação harmoniosa. (C) o adolescente segue o exemplo da família. (D) o apoio da família dá segurança ao jovem.

295 295 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO (PROEB) LIÇÃO 18Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto COMPETÊNCIA Estabelecer relações lógico-discursivas HABILIDADE Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto Detalhamento da habilidade CBC 3.3. Reconhecer a organização temática de um texto, identificando: - a ordem de apresentação das informações no texto; - o tópico (tema) e os subtópicos discursivos do texto. Em que consiste essa habilidade? Se um texto é uma rede de relações, um tecido em que diferentes fios se articulam, nem todos os fios têm a mesma importância para o seu entendimento global. Tudo não pode ser percebido, portanto, como tendo igual relevância. Ou seja, há uma espécie de hierarquia entre as informações ou ideias apresentadas, de modo que umas convergem para o núcleo principal do texto, enquanto outras são apenas informações adicionais, acessórias, que apenas ilustram ou exemplificam o que está sendo dito. Perceber essa hierarquia das informações, das ideias, dos argumentos presentes em um texto constitui uma habilidade fundamental para a constituição de um leitor crítico e maduro. Um item voltado para a avaliação dessa habilidade deve levar o aluno a distinguir, entre uma série de segmentos, aqueles que constituem elementos principais ou secundários do texto. É comum, entre os alunos, confundir partes secundárias do texto com a parte principal. A construção dessa competência é muito importante para desenvolver a habilidade de resumir textos. Que sugestões podem ser dadas para melhor desenvolver essa habilidade? Essa habilidade é característica, principalmente, de textos argumentativos. Dada a importância dessa habilidade para a compreensão das partes constitutivas do texto, sugere-se ao professor que, além de levar os alunos a se familiarizarem com esses textos, trabalhe efetivamente o desenvolvimento dessa habilidade por meio de outras práticas, tais como a elaboração de resumos, de esquemas, de quadros sinóticos, etc.

296 296 AULA 1 Texto retirado do livro: Coleção Diálogo Língua Portuguesa-Edição Renovada- 9ºano/Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho Mostra: Brasil, mostra a sua cara Nesse pedaço de terra e mar chegaram os homens, vindos de lá portugueses, franceses, espanhóis, holandeses... Os índios não aguardavam do lado de cá Os negros, estes jamais quiseram chegar A mistura se fez Se fez como vatapá, cururu, acaçá Se fez com pimenta-malagueta, azeite-de-dendê Se fez com todos os santos e orixás Se fez no vento, na praia, no mar Se fez entre branco e índio, mameluco e negro Entre cafuzo e branco, branco e negro... (Severino Reis. Revista de arte dendê, n.11. Salvador, 2000.) Primeiro passo Antes da leitura Inicie a aula chamando atenção para o título do texto. Peça aos alunos para levantar hipóteses sobre o que o texto irá abordar. Segundo passo Durante a leitura Professor inicie a aula lendo o poema para seus alunos. Nesse momento, peça para que os alunos fiquem atentos às pontuações, ao vocabulário e a sua entonação de voz.

297 297 Terceiro passo Depois da leitura Mostre para os seus alunos as imagens abaixo: Imagens 1 Imagens 2 Após mostrar as imagens peça para que os alunos se expressem fazendo a relação entre os dois conjuntos de imagens. Faça-os perceber que na primeira imagem podemos visualizar as várias etnias brasileiras. Destaque a diversidade da nossa nação: brancos, negros, mulatos, cafuzos, relacionado com as

298 298 suas origens: índios, portugueses, franceses, espanhóis e holandeses. Perceba se seus alunos são capazes de relatar que na segunda imagem, temos a mistura de temperos e que essa mistura da culinária brasileira se deu em razão da mistura que se fez a nossa nação. Nesse momento, faça a intervenção ainda se utilizando pelas imagens. Esclareça que o fato da chegada dos diferentes povos no Brasil resultou também nas misturas dos nossos sabores. Se não fosse esse diversidade de pessoas não haveria tanta variedade gastronômica. Após isso, volte ao texto pedindo para que um aluno o releia. Finalizando, peça aos alunos que identifiquem no texto a parte principal e a secundária. Não se esqueça de retomar as imagens, isso facilitará o desenvolvimento da habilidade. Ideia principal: Nesse pedaço de terra e mar chegaram os homens, Vindos de lá portugueses, franceses, espanhóis, holandeses... Ideia secundária: A mistura se fez Se fez como vatapá, cururu, acaçá Se fez com pimenta-malagueta, azeite-de-dendê Se fez com todos os santos e orixás Se fez no vento, na praia, no mar Se fez entre branco e índio, mameluco e negro Entre cafuzo e branco, branco e negro...

299 299 Texto 2 Primeiro passo Antes da leitura Escreva no quadro o objetivo de sua aula: Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto. Converse com os seus alunos que essa aula dará continuidade a aula trabalhada anteriormente. Mencione que o texto que será lido, continuará falando sobre a miscigenação da cultura brasileira, se referindo a chegada dos japoneses no Brasil.

300 300 Antes de ler o texto, o professor poderá utilizar um vídeo que retrata essa chegada dos japoneses no Brasil. Para isso, sugerimos o vídeo abaixo: Imigração japonesa no Brasil. O vídeo poderá ser reproduzida somente até o tempo de 01:30 Após passar o vídeo, faça perguntas como: Qual o tema abordado no vídeo Quando se passa a história visualizada no vídeo? Como se deu a chegada dos japoneses ao Brasil? Qual a atividade exercida pelos japoneses quando aqui chegaram? Segundo passo Durante a leitura Faça uma leitura compartilhada do texto. Fique atento na leitura observando: Leitura do título do texto; Leitura fluente Referência bibliográfica do texto. Percebendo dificuldade de entendimento em alguma palavra do texto, contextualize a palavra, certificando que os alunos foram capazes de entender o seu significado. Caso a dúvida persista, use o dicionário. Terceiro Passo Depois da leitura Peça para que os alunos comente a relação do vídeo apresentado com o texto lido. Faça interferências, dialogando e instigando-os. Retome as perguntas e peça para que os alunos localizem no texto, as informações coletadas no vídeo. Após isto, faça a seguinte pergunta: Qual a parte principal do texto? Ajude-os nesse momento dizendo-os para relembrarem do vídeo e faça relação com o leadapresentado no texto: A única sobrevivente da chegada dos japoneses. Não se esqueça de destacar para seus alunos a importância do lead, porque ele é uma pista para descobrir a ideia principal do texto.

301 301 Em seguida, apresente para os alunos o resumo do texto. Após fazer a leitura, faça as perguntas: O segundo texto está mais compreensível? Em sua opinião, qual dos textos favorece a retenção das principais informações? Mostre a eles que o resumo facilita a compreensão e a memorização das ideias principais de um texto. Mostre para eles que embora a ideia do segundo texto (resumo) seja compreensível, as partes secundárias contribuem para melhor compreensão das ideias do texto. Finalizando, aproveite esse momento para trabalhar com seus alunos o texto abaixo. Mostre para

302 302 eles a ideia central do texto e as ideias secundárias que sustentaram a tese. Ideia Central Ideias secundárias Colocadas em excesso, as ideias secundárias dificultam a compreensão do essencial. Mas

303 303 quando há ideias de menos, o texto fica sintético demais, telegráfico. As ideias secundárias são dispensáveis somente quando queremos fazer uma síntese ou um resumo do conteúdo.

304 304 Primeiro passo AULA 2 1- Ensinando com a retomada de um item de avaliação Através do item abaixo, que avalia a habilidade de os estudantes estabelecerem relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para sua continuidade, é possível realizar uma sequência de abordagens com relação ao texto que conduzem o aluno a reflexão sobre as escolhas de suas respostas, contribuindo para o melhor entendimento do texto. Procedimentos: a) Leia o texto para os alunos. b) Peça que um aluno leia a pergunta e todas as alternativas. c) Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d) No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e) Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos se as justificativas apresentadas procedem. f) Repita o procedimento com todas as alternativas começando das opções erradas até a opção correta. g) Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome otexto quando acertarem para confirmação da resposta. 1-Leia o texto Animais no espaço Vários animais viajaram pelo espaço como astronautas. Os russos já usaram cachorros em suas experiências. Eles têm o sistema cardíaco parecido com o dos seres humanos. Estudando o que acontece com eles, os cientistas descobrem quais problemas podem acontecer com as pessoas. A cadela Laika, tripulante da Sputnik-2, foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço, em novembro de 1957, quatro anos antes do primeiro homem, o astronauta Gagarin. Os norte-americanos gostam de fazer experiências científicas espaciais com macacos, pois o corpo deles se parece com o humano. O chimpanzé é o preferido porque é inteligente e convive melhor com o homem do que as outras espécies de macacos. Ele aprende a comer alimentos sintéticos e não se incomoda com a roupa espacial. Além disso, os macacos são treinados e podem fazer tarefas a bordo, como acionar os comandos das naves, quando as luzes coloridas acendem no painel, por exemplo. Enos foi o mais famoso macaco a viajar para o espaço, em novembro de 1961, a bordo da nave Mercury/Atlas 5. A nave de Enos teve problemas, mas ele voltou são e salvo, depois de ter trabalhado direitinho. Seu único erro foi ter comido muito depressa as pastilhas de banana durante as refeições. (Folha de São Paulo, 26 de janeiro de 1996) No texto Animais no espaço, uma das informações principais é (A) A cadela Laika (...) foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço. (B) Os russos já usavam cachorros em suas experiência. (C) Vários animais viajaram pelo espaço como astronautas. (D) Enos foi o mais famoso macaco a viajar para o espaço Resposta letra C No texto seguinte, as ideias principais compõem todo o primeiro parágrafo. O segundo e o terceiro parágrafos desenvolvem ideias principais e secundárias ou complementares.

305 305 2-Leia o texto. Necessidade de alegria O ator que fazia o papel de Cristo no espetáculo de Nova Jerusalém ficou tão compenetrado da magnitude da tarefa que, de ano para ano, mais exigia de si mesmo, tanto na representação como na vida rotineira. Não que pretendesse copiar o modelo divino, mas sentia necessidade de aperfeiçoar-se moralmente, jamais se permitindo a prática de ações menos nobres. E exagerou em contenção e silêncio. Sua vida tornou-se complicada, pois os amigos de bar o estranhavam, os colegas de trabalho no escritório da Empetur (Empresa Pernambucana de Turismo) passaram a olhá-lo com espanto, e em casa a mulher reclamava do seu alheamento. No sexto ano de encenação do drama sacro, estava irreconhecível. Emagrecera, tinha expressão sombria no olhar, e repetia maquinalmente as palavras tradicionais. Seu desempenho deixou a desejar. Foi advertido pela Empetur e pela crítica: devia ser durante o ano um homem alegre, descontraído, para tornar-se perfeito intérprete da Paixão na hora certa. Além do mais, até a chegada a Jerusalém, Jesus era jovial e costumava ir a festas. Ele não atendeu às ponderações, acabou destituído do papel, abandonou a família, e dizem que se alimenta de gafanhotos no agreste. ANDRADE, Carlos Drummond de. Histórias para o Rei.2ª ed. Rio de Janeiro: Record, p.56. Qual é a informação principal no texto Necessidade de alegria? (A) A arte de representar exige compenetração. (B) O ator pode exagerar em contenção e silêncio. (C) O ator precisa ser alegre. (D) É necessário aperfeiçoar-se. Resposta letra c OBSERVAÇÕES Um texto contém muito mais ideias secundárias do que ideias principais. Os conteúdos das ideias secundárias não são os mais importantes, mas sem eles o texto não flui torna-se pesado. Na verdade, não é possível escrever um texto sem as ideias secundárias. Para lembrar As ideias secundárias funcionam como atores coadjuvantes. Cumprem um papel secundário, mas imprescindível. Redigir bem depende muito do domínio que o autor tem dessas ideias. Colocadas em excesso, as ideias secundárias dificultam a compreensão do essencial. Mas quando há ideias de menos, o texto fica sintético demais, telegráfico. As ideias secundárias são dispensáveis somente quando queremos fazer uma síntese ou um resumo do conteúdo. Segundo passo Avaliação Professor, avalie nas produções de textos, a sequência lógica, o uso adequado do vocabulário utilizado, a utilização de sinônimos e o uso de recursos coesivos. Observe a autonomia dos grupos de realizarem a correção de seus próprios textos, revisando elementos em estudo da língua que foram utilizados em suas produções. Observe se alunos que solicitavam sua ajuda constantemente para produzirem textos apresentaram avanço de autonomia na produção textual.

306 306 Durante as atividades de produção oral, avalie se algum aluno teve interesse em aprofundar nas pesquisas, através das contribuições (relevantes) sobre o assunto em estudo e elogie-o(s), despertando nele(s) e nos outros colegas a iniciativa de buscarem informações adicionais para as atividades propostas pelo professor. Não se esqueça, professor, de dar voz aos alunos para avaliar e apontar os aprendizados efetivos que tiveram, fazer proposições em relação à melhoria de sua expressão escrita e de leitura.

307 307 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO V RELAÇÕES ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO (PROEB) LIÇÃO 19 Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados COMPETÊNCIA Realizar inferência HABILIDADE Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados Habilidade CBC Reconhecer recursos lexicais e semânticos usados em um texto e seus efeitos de sentido. Habilidades do CBC trabalhadas nas atividades Demais habilidades do CBC trabalhadas nas aulas: 1.1. Reconhecer o gênero de um texto a partir de seu contexto de produção, circulação e recepção Situar um texto no momento histórico de sua produção a partir de escolhas linguísticas (lexicais ou morfossintáticas) e/ou de referências (sociais, culturais, políticas ou econômicas) ao contexto histórico Reconhecer o objetivo comunicativo (finalidade ou função sócio comunicativa) de um texto de qualquer gênero textual Reconhecer, em um texto, marcas da identificação política, religiosa, ideológica ou de interesses econômicos do produtor Relacionar sons, imagens, gráficos e tabelas a informações verbais explícitas ou implícitas em um texto Reconhecer e usar, em um texto, estratégias de representação de seus interlocutores (vozes locutoras e alocutários) Reconhecer e usar, em um texto, estratégias de não representação de seus interlocutores (vozes locutoras e alocutários) Identificar tipos de discurso ou de sequências discursivas usadas pelos locutores em um texto e seus efeitos de sentido Reconhecer posicionamentos enunciativos presentes em um texto e suas vozes representativas Produzir lides para notícias do dia ou para títulos publicados na primeira página de um jornal. Em que consiste essa habilidade? A ironia consiste em dizer o contrário do que se pensa, do que se deseja dizer. É a arte de denunciar, de criticar ou de censurar alguém ou alguma coisa. Ela procura valorizar algo, quando na realidade quer desvalorizar. O humor não está diretamente ligado à comicidade, embora, na maioria das vezes, o riso sejaprovocado, mas, a uma análise crítica do homem e da vida. Segundo Paulo Caruso, o humor é para fazer refletir, para ajudar a transformar a realidade. Essa habilidade demanda análise, por parte do leitor, do jogo de linguagem, da falta de lógica, do inusitado, dos desvios e das distorções do padrão, do duplo sentido, das amplificações comuns

308 308 aos textos cômicos. E estimular esse tipo de análise aguça o espírito crítico do aluno e torna-o mais consciente das estratégias linguísticas para produção de sentidos. Sugestões de atividades para desenvolver essa habilidade Para desenvolvermos a habilidade de reconhecer efeitos de ironia ou humor, podemos utilizar de textos de ampla circulação social como a crônica, o cartum, as tirinhas, a charge e o anúncio publicitário, além da piada, gênero reconhecido socialmente como desencadeador do riso. Não podemos nos esquecer de que é preciso ajudar os alunos a realizarem inferências quanto ao humor e à ironia. E, para isso, é necessário considerar o gênero a ser trabalhado e as dificuldades que ele oferece. Por exemplo: reconhecer a ironia em uma crônica é mais difícil que em uma tirinha. Há, na crônica, mais sutilezas e o professor deve explorar a ironia por meio das narrativas, diálogos, uso de expressões selecionadas e aplicadas, pontuações, etc. Nas tirinhas, cartuns e anúncios publicitários, além da linguagem verbal, faz- se necessário explorar a linguagem não verbal como as onomatopeias, os signos cinéticos (que indicam movimentos), as hipérboles visuais(os exageros nas imagens);os recursos icônicos( os ícones que representam o amor, a dor, a inflação, como coração, estrelinhas, dragão, respectivamente), os tipos de balão, etc. Ao trabalhar com charges, além de explorar esses recursos apontados anteriormente, é preciso trabalhar os conhecimentos prévios, para se entender o humor e a crítica feita, tais como o contexto histórico-social, o fato ou acontecimento que deu a origem à charge, etc.

309 309 SUGESTÕESDE AULAS PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 Objetivo: Intensificar as ações pedagógicas para trabalhar a habilidade de reconhecer os efeitos de ironia ou humor em textos variados. Sugestões para trabalhar com os textos abaixo com atividades práticas para Antes, Durante e Depois da leitura. Essa primeira aula tem, como objetivo, oferecer pré-requisitos para se trabalhar com os textos: O Povo, crônica de Fernando Sabino, charges, cartuns e tirinhas, que exploram o humor e ironia. Primeiro passo antes da leitura Selecionar textos de gêneros diversos (crônicas, piadas, tirinhas, cartuns e charges, entre outros), em seu livro didático, que contenham situações de ironia e humor. Separar a turma em duplas e distribuir os textos. Dialogar com os alunos a respeito da temática da aula: identificar a ironia como estratégia do dizer, na construção de determinados efeitos de sentido, uma vez que a ironia consiste em dizer o contrário daquilo que se queria dizer. Questionar os alunos: Em que situações somos irônicos? Pedir que relatem situações em que a ironia esteja presente. Por exemplo, quando diante de uma situação horrível se diz: "Que beleza!. É importante discutir e apresentar aos alunos os gêneros que apresentam mais a ironia. Pedir que separarem, entre os textos selecionados, aqueles que usam de ironia. Dialogar com os alunos a respeito da temática da aula: identificar o humor como estratégia do dizer, na construção de determinados efeitos de sentido. Mostrarque o humor não está diretamente ligado à comicidade, embora, na maioria das vezes, o riso seja provocado, mas está ligado, principalmente a uma análise crítica do homem e da vida. O humor visa atingir a conscientização das pessoas, contribuindo assim, para transformar a sociedade. Separar os textos apresentados que exploram o humor. Analisar, com a classe, o que faz as piadas e tirinhas ficarem divertidas. Aponte nelas jogos de linguagem, a falta de lógica, o inusitado, os desvios e as distorções do padrão, o duplo sentido, as amplificações comuns aos textos cômicos. Esse tipo de análise amplia a compreensão do texto lido, aguçando o espírito crítico do aluno e tornando-o mais consciente das estratégias linguísticas para produção de sentidos.

310 310 AULA 2 Trabalhar ironia em crônica O POVO Luís Fernando Veríssimo Não posso deixar de concordar com tudo o que dizem do povo. É uma posição impopular, eu sei, mas o que fazer? É a hora da verdade. O povo que me perdoe, mas ele merece tudo que se tem dito dele. E muito mais. As opiniões recentemente emitidas sobre o povo até foram tolerantes. Disseram, por exemplo, que o povo se comporta mal em Grenais. Disseram que o povo é corrupto. Por um natural escrúpulo, não quiseram ir mais longe. Pois eu não tenho escrúpulo. O povo se comporta mal em toda a parte, não apenas no futebol. O povo tem péssimas maneiras. O povo se veste mal. Não raro, cheira mal também. O povo faz xixi e cocô em escala industrial. Se não houvesse povo, não teríamos o problema ecológico. O povo não sabe comer. O povo tem um gosto deplorável. O povo é insensível. O povo é vulgar. A chamada explosão demográfica é culpa exclusivamente do povo. O povo se reproduz numa proporção verdadeiramente suicida. O povo é promíscuo e sem-vergonha. A superpopulação nos grandes centros se deve ao povo. As lamentáveis favelas que tanto prejudicam nossa paisagem urbana foram inventadas pelo povo, que as mantém contra os preceitos da higiene e da estética. Responda, sem meias palavras: haveria os problemas de trânsito se não fosse pelo povo? O povo é um estorvo. É notória a incapacidade política do povo. O povo não sabe votar. Quando vota, invariavelmente vota em candidatos populares que, justamente por agradarem ao povo, não podem ser boa coisa. O povo é pouco saudável. Há, sabidamente, 95 por cento mais cáries dentárias entre o povo. O índice de morte por má nutrição entre o povo é assustador. O povo não se cuida. Estão sempre sendo atropelados. Isto quando não se matam entre si. O banditismo campeia entre o povo. O povo é ladrão. O povo é viciado. O povo é doido. O povo é imprevisível. O povo é um perigo. O povo não tem a mínima cultura. Muitos nem sabem ler ou escrever. O povo não viaja, não se interessa por boa música ou literatura, não vai a museus. O povo não gosta de trabalho criativo, prefere empregos ignóbeis e aviltantes. Isto quando trabalha, pois há os que preferem o ócio contemplativo, embaixo de pontes. Se não fosse o povo nossa economia funcionaria como uma máquina. Todo mundo seria mais feliz sem o povo. O povo é deprimente. O povo deveria ser eliminado. (http://atividadeslinguaportuguesa.blogspot.com.br/2010/10/o-povo-luis-fernando-verissimo.html) Primeiro passo Antes da leitura Faça algumas perguntas aos alunos como estratégia de antecipação da leitura a ser realizada: 1. Vivemos numa sociedade dividida em classes, em que há, portanto, pobres e ricos. Podese afirmar que cada classe tem seu modo de ver o mundo, a sua ideologia? 2. Qual é a ideologia dominante? 3. O povo (os pobres) contribui para que haja uma sociedade melhor? De que forma?

311 311 Segundo passo Durante a leitura Peça que façam, silenciosamente, a leitura da crônica. Após a leitura, analise oralmente com os alunos: 1. Na organização do texto, pode-se perceber que há uma oposição básica: povo versus elite. Levante quais são as ideias que se opõem em relação a esses dois polos, respectivamente. 2. Identifique no texto trechos em que culpam o povo: a. pelos problemas de trânsito. b. pela explosão demográfica. c. pelas eleições mal sucedidas. Discuta o significado de algumas palavras ou expressões desconhecidas, e se necessário use o dicionário. Leia para os alunos a crônica O povo, enfatizando na entonação o tom de ironia.

312 312 AULA 3 Terceiro passo Depois da leitura Enfatizeque a atividade escrita tem como foco trabalhar a presença de ironia, na crônica, como estratégia de sentido. Apresente as seguintes atividades: 1- O autor usa em seu texto, a estratégia do dizer ironia - que consiste em dizer uma coisa para que se entenda outra. Portanto, quando o autor critica o povo, na verdade, quem ele está criticando? 2- A estratégia usada pelo autor possibilita que se estabeleça um jogo de imagens: o interlocutor pensa que ele é alguém que, na verdade, ele não é. Explique essa afirmação. 3- Esse jogo de imagens criado pelo autor estabelece no texto a ironia. Comente. 4-Localize uma passagem do texto que comprove esta verdade: o fator econômico determina os hábitos do povo. 5- De acordo com a ideologia da classe dominante, o homem do povo é uma vítima do sistema, ou um ser inferior de nascença? Corrija e intervenha. AULA 4 Trabalhar a ironia no cartum abaixo

313 313 Primeiro passo Antes da leitura Explore os conhecimentos prévios dos alunos em relação à imparcialidade dos jornais: existe a imparcialidade totalmente? E nas notícias, há marcas de subjetividade? Como elas são marcadas?(provavelmente, o professor já tenha trabalhado essas questões com os alunos e que só serão retomadas.) Caso o professor não tenha trabalhado ainda, primeiro deverá trabalhar as marcas de subjetividade nos textos jornalísticos, principalmente nas notícias, para que os alunos possam entender o emprego dos adjetivos, portadores de opinião, usados para marcar subjetividade, como um dos determinantes da ironia no texto em estudo. Discuta o uso das aspas no título, na palavra imparcial, também nos balões e o efeito de sentido por elas causado. Chame a atenção para os recursos não verbais utilizados. Peça a dois alunos que leiam o cartum, enfatizando a ironia, explorando a entonação. Segundo passo Depois da leitura Enfatize para os alunos que a atividade escrita tem como foco trabalhar a presença de ironia, no cartum, como estratégia de sentido. Apresente as seguintes atividades para serem feitas em duplas. 1. O jornal do texto em estudo pode ser considerado imparcial? Por quê? 2. Escolha uma das duas situações apresentadas nos balões e escreva uma manchete, lide ou uma chamada para a primeira página de um jornal imaginário, utilizando os adjetivos que aparecem em cada balão. 3. Reescreva o texto produzido eliminando as marcas de subjetividade. Corrija e intervenha.

314 314 AULA 5 Trabalhar humor em charge Primeiro passo Antes da leitura Comente o contexto histórico no Brasil quando a charge foi criada. As divergências de opiniões dos brasileiros em relação à realização da Copa do Mundo aqui no Brasil. Discuta com os alunos sobre a realização da Copa no Brasil, bem como os gastos públicos para sua concretização. Proponha pesquisa sobre os pontos positivos decorrentes da realização da Copa. Faça o levantamento dos alunos favoráveis, os desfavoráveis e os que não sabem opinar em relação ao evento. Monte uma enquete e expô-la na sala. Explore os recursos não verbais que vão ajudar na constituição do humor: as hipérboles visuais (o tamanho das bocas e dos braços);os signos icônicos que representam o nordestino(os cactos, as caveiras de gado, a forma de se vestir; bem como os que ilustram o representante da FIFA: a cartola, o terno e gravata); os signos cinéticos indicando o movimento que o nordestino faz para levar a bola à boca e dos olhos se movimentando. Leia a charge com a turma. Segundo passo Durante da leitura Enfatize que a atividade escrita tem como foco trabalhar a presença de humor, na charge, como estratégia de sentido.

315 315 Apresente as seguintes atividades(os alunos poderão responder às perguntas propostas por escrito ou oralmente, em duplas ou pequenos grupos): 1. Além da linguagem das imagens, que outro recurso é responsável pelo estabelecimento do humor na charge? 2. Qual é o conhecimento de mundo necessário para a compreensão da charge? 5. Qual a crítica /denúncia que se pode depreender com a leitura desta charge? Ouça as observações dos grupos, instigando os alunos à participação, justificando suas opiniões. Corrigir e intervir, se necessário. AULA 6 Terceiro passo Depois da leitura As atividades dessa lição podem ser dadas como atividades de ensino ou como avaliação Divida a turma em 06 grupos e distribua os seguintes textos, um para cada grupo, conforme divisão dada abaixo. TEXTO 1

316 316 TEXTO 2 TEXTO 3

317 317 TEXTO 4 TEXTO 5

318 318 TEXTO 6 Peça que cada grupo analise o seu texto, observando: - O gênero textual. - A presença de humor ou ironia no texto. - O que está sendo criticado/denunciado ou ironizado. - As estratégias usadas para causar o efeito de humor ou ironia: jogos de linguagem (verbal e não verbal); a falta de lógica, os desvios e as distorções do padrão, o duplo sentido, etc. Para consolidar a aprendizagem sobre os efeitos de humor e ironia em vários textos, o professor pode ainda: - Pedir aos alunos que pesquisem e levem textos que apresentem ironia ou humor, destacando neles esses efeitos. - Montar um painel com os textos trazidos pelos alunos. - E para completar, os alunos poderão produzir textos que apresentem ironia e humor. Aproveitar as charges trabalhadas na lição para aprofundamento de temas estudados interdisciplinarmente. As atividades foram adaptadas de livros didáticos de Língua Portuguesa e de sites. AULA 7 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para abordar questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de identificar efeitos de humor e ironia em textos variados. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta.

319 319 EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 01 Leia o texto abaixo. Um dia de professor "E Dom Pedro tirou a espada e gritou... Eu Iecionava para crianças de 7 anos. O desenho do personagem He-man, com sua poderosa espada de Greyskull, era febre entre a garotada. Na semana da Pátria, eu estava empolgadíssima, falando sobre a Independência do Brasil. Contava sobre a chegada de Dom Pedro às margens do riacho do Ipiranga, onde havia ocorrido o grito da Independência. Diante da classe atenta, eu gesticulava, dando um colorido especial ao episodio: Dom Pedro, indignado, tirou a espada e disse... Nesse momento, um aluno se antecipou e, do meio da sala, gritou: Pelos poderes de Greyskull!!! Parei espantada, olhei para ele e cai na gargalhada acompanhada, é claro, pelo restante da classe. FELISIMINA DALVA TEIXEIRA, Revista Nova Escola. n 182, maio de p.6. Nesse texto, o humor é provocado: (A) pela atitude desinibida da professora. (B) pela frase atribuída a Dom Pedro. (C) pelo gesto heroico de Dom Pedro. (D) pelo desempenho dos estudantes na sala. (E) pela divergência entre a professora e os alunos. Questão 02 Leia o texto abaixo O que gera humor nesse texto? (A) O fato de Hagar não conseguir dormir. (B) A vontade de Helga em ajudar o marido. (C) A lamentação de Hagar por causa da insônia. (D) A sugestão de Hagar à esposa.

320 320 Questão 03 Leia o texto abaixo. No texto, o traço de humor está: (A) na constatação de que a vó nunca tira sua bolsa de debaixo do braço. (B) no ato de surpresa da expressão do vovô. (C) na forma com que a Super-Vó trata o Vovô ao chamá-lo de meu bem. (D) no fato de os vestidos da Super-Vó serem todos iguais Questão 04 Leia o texto abaixo. A Formiga e a Cigarra Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra muito amigas. Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do Sol, da brisa suave do fim da tarde nem do bate-papo com os amigos ao final do expediente de

321 321 trabalho, tomando uma cervejinha. Seu nome era trabalho e seu sobrenome, sempre. Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o Sol, curtiu para valer, sem se preocupar com o inverno que estava por vir. Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. A formiguinha, exausta, entrou em sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga cigarra, dentro de uma Ferrari, com um aconchegante casaco de visom. E a cigarra falou para a formiguinha: Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca? Claro, sem problema! Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu grana pra ir a Paris e comprar essa Ferrari? Imagine você que eu estava cantando em um bar, na semana passada, e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer shows em Paris... A propósito, a amiga deseja algo de lá? Desejo, sim. Se você encontrar um tal de La Fontaine por lá, manda ele pro DIABO QUE O CARREGUE! MORAL DA HISTÓRIA: Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine. Fábula de La Fontaine reelaborada. - com adaptações. Em relação ao texto original da fábula, percebe-se ironia no fato de: (A) a cigarra deixar de trabalhar para aproveitar o Sol. (B) a formiga trabalhar e possuir uma toca. (C) a cigarra, sem trabalhar, surgir de Ferrari e casaco de visom. (D) a cigarra não trabalhar e cantar durante todo o outono.

322 322 AULA 8 TRANSFORMANDO UM ITEM EM ATIVIDADE DE ENSINO Foi escolhido o último item (QUESTÃO 4) da AULA 7 para transformá-lo em uma atividade de ensino. Professor, será apresentada uma sugestão que pode ser ampliada e/ou melhorada por você para adequar aos objetivos que tem para sua turma. Você poderá, ainda, adaptar a sugestão abaixo para contemplar outros itens presentes nesse caderno de lições. Questão 04. Leia o texto abaixo. A Formiga e a Cigarra Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra muito amigas. Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do Sol, da brisa suave do fim da tarde nem do bate-papo com os amigos ao final do expediente de trabalho, tomando uma cervejinha. Seu nome era trabalho e seu sobrenome, sempre. Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o Sol, curtiu para valer, sem se preocupar com o inverno que estava por vir. Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. A formiguinha, exausta, entrou em sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga cigarra, dentro de uma Ferrari, com um aconchegante casaco de visom. E a cigarra falou para a formiguinha: Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca? Claro, sem problema! Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu grana pra ir a Paris e comprar essa Ferrari? Imagine você que eu estava cantando em um bar, na semana passada, e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer shows em Paris... A propósito, a amiga deseja algo de lá? Desejo, sim. Se você encontrar um tal de La Fontaine por lá, manda ele pro DIABO QUE O CARREGUE! MORAL DA HISTÓRIA: Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine. Fábula de La Fontaine reelaborada. - com adaptações. Em relação ao texto original da fábula, percebe-se ironia no fato de:

323 323 (A) a cigarra deixar de trabalhar para aproveitar o Sol. (B) a formiga trabalhar e possuir uma toca. (C) a cigarra, sem trabalhar, surgir de Ferrari e casaco de visom. (D) a cigarra não trabalhar e cantar durante todo o outono. Para o desenvolvimento da atividade que será sugerida, será também utilizada a versão original da fábula, escrita por La Fontaine. A Cigarra e a formiga Versão original de La Fontaine Num dia de quente de verão, uma alegre cigarra estava a cantar e a tocar o seu violão, com todo o entusiasmo. Ela viu uma formiga a passar, concentrada na sua grande labuta diária que consistia em guardar comida para o inverno. "D. Formiga, venha e cante comigo, em vez de trabalhar tão arduamente.", desafiou a cigarra "Vamo-nos divertir." "Tenho de guardar comida para o Inverno", respondeu a formiga, sem parar, "e aconselho-a a fazer o mesmo." "Não se preocupe com o inverno, está ainda muito longe.", disse a outra, despreocupada. "Como vê, comida não falta." Mas a formiga não quis ouvir e continuou a sua labuta. Os meses passaram e o tempo arrefeceu cada vez mais, até que toda a Natureza em redor ficou coberta com um espesso manto branco de neve. Chegou o inverno. A cigarra, esfomeada e enregelada, foi a casa da formiga e implorou humildemente por algo para comer. "Se você tivesse ouvido o meu conselho no Verão, não estaria agora tão desesperada. ralhou a formiga."preferiu cantar e tocar violão?! Pois agora dance!" E dizendo isto, fechou a porta, deixando a cigarra entregue à sua sorte. Moral da história: Não penses só em divertir-te. Trabalha e pensa no futuro. É melhor estarmos preparados para os dias de necessidade.

324 324 Primeiro passo Antes da leitura Apresente o gênero fábula e faça um levantamento do conhecimento prévio dos alunos a respeito do gênero em questão; Apresente o autor La Fontaine e sua época; Apresente a versão original, explorando as várias estratégias de leitura. Segundo passo Durante a leitura Chame a atenção para o estilo próprio do autor, o vocabulário, as expressões usadas, o uso das aspas marcando o discurso direto, (fala dos personagens); Proponha uma leitura dramatizada; Discuta a moral da história com os alunos. Terceiro passo Durante a leitura (continuação) Apresente a fábula trabalhada no item; Faça as comparações quanto à forma de narrar, as expressões usadas. Compare a moral das duas versões da fábula chamando a atenção para os pontos de vista diferentes dos autores em relação ao trabalho e ao lazer. Terceiro passo Depois da leitura Retome o item, analisando, primeiramente, o comando: Em relação ao texto original da fábula, percebe-se ironia no fato de ; Converse sobre os conhecimentos prévios sobre o autor e a moral da fábula original, necessários para se perceber a ironia.

325 325 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO V RELAÇÕES ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO (PROEB) LIÇÃO 20Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão COMPETÊNCIA Realizar inferência HABILIDADE Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão Habilidade CBC 4.1.Inferir o significado de palavras e expressões usadas em um texto. 4.2.Reconhecer recursos lexicais e semânticos usados em um texto e seus efeitos de sentido. Demais habilidades do CBC trabalhadas nas aulas: 1.1. Reconhecer o gênero de um texto a partir de seu contexto de produção, circulação e recepção Interpretar referências bibliográficas de textos apresentados Justificar o título de um texto ou de partes de um texto. 6.1.Reconhecer e usar, em um texto, estratégias de representação de seus interlocutores (vozes locutoras e alocutários) Explicar a função de lides que aparecem na primeira página de jornais Distinguir entre lides e chamadas publicadas na primeira página de um jornal. Em que consiste essa habilidade? A competência comunicativa inclui a capacidade de, não apenas conhecer os significados das palavras, mas, sobretudo, de discernir os efeitos de sentido que suas escolhas proporcionam. Isso nos leva a ultrapassar a simples identificação do que o outro diz para perceber por que ele diz com essa ou aquela palavra. Uma atividade que contemple essa habilidade deve focalizar uma determinada palavra ou expressão e solicitar do aluno o discernimento de por que essa, e não outra palavra ou expressão foi selecionada. Ao pretender desenvolver a habilidade de o aluno reconhecer a alteração de significado de um determinado termo ou vocábulo, decorrente da escolha do autor em utilizar uma linguagem figurada, o professor deve trabalhar textos de gêneros variados em que o emprego de determinadas palavras produza sentido naquela situação comunicativa específica. Devemos compreender a seleção vocabular como uma estratégia do autor para que o leitor depreenda seus propósitos. Sugestõesde atividades para desenvolver essa habilidade Para desenvolvermos essa habilidade, podemos utilizar textos publicitários, literários, entre outros, nos quais sejam explorados recursos expressivos importantes, como a metáfora ou a

326 326 personificação, por exemplo, discutindo e proporcionando ao aluno a percepção das estratégias utilizadas pelo autor para a ampliação do significado do texto. Seria desejável que a exploração do recurso da personificação, assim como de outros recursos expressivos (metáforas, ironia, pontuação etc.), acompanhasse, nas atividades em sala de aula, o estudo da construção dos diferentes elementos da narrativa (narrador, personagens, enredo, espaço e tempo).

327 327 SUGESTÕESDE AULAS PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 Aula de Leitura Texto: Escuridão Miserável, de Fernando Sabino. As atividades foram adaptadas do livro Português: uma proposta para o Letramento/ Magda Soares._1.ed._São Paulo:Moderna,2002.9º Ano-p Objetivo: Intensificar as ações pedagógicas para trabalhar a habilidade de reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão. Sugestões para trabalhar com o texto abaixo com atividades práticas para antes, durante e depois da leitura. Fernando Sabino ( ) é considerado um dos principais cronistas brasileiros. Escreveu também romances, o mais conhecido dos quais é O encontro marcado, além de contos e novelas. Suas crônicas, inicialmente publicadas em jornais e revistas, estão reunidas em quase 20 livros. Escuridão Miserável Fernando Sabino Eram sete horas quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro: O que foi, minha filha? perguntei naturalmente, pensando tratar-se de esmola. Nada não senhor respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil. O que é que você está me olhando aí? Nada não senhor repetiu Tou esperando o ônibus... Onde é que você mora? Na Praia do Pinto. Vou para aquele lado. Quer uma carona? Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta: Entra aí que eu te levo. Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa: Como é seu nome? Teresa Quantos anos você tem, Teresa? Dez E o que estava fazendo ali, tão longe de casa? A casa da minha patroa é ali. Patroa? Que patroa? Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim

328 328 Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia à mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite. Hoje saí mais cedo. Foi jantarado. Você já jantou? Não. Eu almocei. Você não almoça todo dia? Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim. E quando não tem? Quando não tem, não tem e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês: Mas não te dão comida lá? perguntei, revoltado. Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse para eu não pedir. E quanto é que você ganha? Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro. Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara. Como é que você foi parar na casa dessa...foi parar nessa casa? perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar: Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia para eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados, pode parar que é aqui moço, obrigado Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto. As melhores histórias. Rio de Janeiro Record, 1997, p Primeiro passo Antes da leitura Professor, você pode: Apresentar as imagens de crianças trabalhando que ilustram o trabalho infantil e pedir que cada aluno escreva 5 palavras que tenham relação com a imagem. Depois de explorar as ideias dos alunos, apresentar as manchetes preparadas em fichas. Distribuir as fichas, com os títulos de matérias de jornais, tendo como objetivo reforçar o trabalho com a primeira página de jornal. Aproveitar as manchetes para discutir trechos do ECA ou inserir trechos do ECA para análise e discussões.

329 Sugestões de títulos de matérias 329

330 330 Pedir para que os alunos associem os títulos trabalhados a fotos que os representem. Sugestões de imagens

331 331 Analisar os títulos, antetítulos e subtítulos.

332 332 Levantar hipóteses em relação ao tema, ao gênero textual. Apresentar o título Na Escuridão Miserável e perguntar se ele sugere um título de notícia ou de um texto literário (conto ou crônica) e o que poderá ser a escuridão miserável. Apresentar o autor (pedir que um aluno leia o box (contendo as informações principais sobre ele), discutindo com os alunos as características próprias do autor. Explorar a referência bibliográfica no final do texto. Novamente perguntar se algum aluno mudou de ideia a respeito do gênero textual ou quem permanece com a ideia inicial. Segundo passo Durante a leitura Professor, você pode: Pedir aos alunos para fazer a leitura silenciosa do texto e confirmar ou descartar as hipóteses levantadas pelos alunos quanto ao gênero e ao assunto. É importante relembrar as características do gênero crônicas. Combinar com os alunos uma leitura dramatizada da crônica. E para isso, deverá separar, conjuntamente com os alunos, as vozes do narrador e das personagens; os diálogos das explicações do narrador, chamando a atenção para as informações dadas nas explicações que contribuirão para a entonação na leitura oral. Dar um tempo para os alunos prepararem a leitura dramatizada. AULA 2 Terceiro passo Durante a leitura (continuação) Professor, você pode: Escolher dois alunos para a leitura dramatizada e incentivar os demais para ouvir, atentamente, prestando atenção na entonação dos colegas. Dialogar com os alunos a respeito do texto: a opinião deles, o que mais lhes agradou. Comparar a abordagem do tema na crônica com a abordagem dos textos jornalísticos. Chamar a atenção para a linguagem usada na crônica, o vocabulário, as expressões usadas no cotidiano. Caso surja discussão em torno do emprego da palavra negrinha pelo autor, chamar a atenção dos alunos para o ano em que foi escrita a crônica (1997) e o uso das palavras e expressões politicamente corretas atualmente.

333 333 AULA 3 Quarto passo Depois da leitura Professor, você pode: Informar ao aluno que o foco da aula será a análise do uso de palavras e expressões usadas pelo autor para produzir sentido; Apresentar a atividade abaixo; A expressão na escuridão miserável aparece duas vezes na crônica: na frase final [...] perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto ; e no título: NA ESCURIDÃO MISERÁVEL. a. A que se refere a expressão, quando usada no final da crônica? b. A que se refere a expressão, quando usada como título da crônica? Retomar com os alunos o título do gênero literário, que faz uso da linguagem metafórica, comparando a escuridão com a miséria; Reler o último parágrafo e discutir o que venha ser a escuridão; Pedir para que os alunos registrem por escrito as suas respostas às perguntas acima, após as discussões; Apresentar a segunda atividade sugerida abaixo. Observe as expressões usadas pelo autor para fazer as comparações: Senti que alguém me observava... e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar... Eram de uma negrinha, mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostada ao poste como um animalzinho, não teria mais que sete anos. a) Que efeito de sentido causou o fato de autor escolher essas duas comparações? Antes que os alunos respondam a essa pergunta, seria necessário: - Analisar com os alunos o emprego das expressões e palavras: olhos grandes e parados, o verbo espiar, levando os alunos a associar a escolha dessas palavras na criação da imagem de um bicho. - Analisar também o emprego das expressões e palavras: negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente para associar com a ideia de animalzinho. - Pedir que os alunos respondam à pergunta feita acima e que agora deve ser retomada: Que efeito de sentido causou o autor ter escolhido essas duas comparações? As atividades foram adaptadas do livro Português: uma proposta para o Letramento/ Magda Soares._1.ed._São Paulo:Moderna,2002.9º Ano-p Atividades de avaliação A seguir, apresentamos algumas questões de avaliação que poderão ser utilizadas, tanto para verificar a aprendizagem dos alunos, como para discussão e fortalecimento da

334 334 habilidade Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão. É importante avaliar e diagnosticar para direcionar as ações de intervenção pedagógica, após cada momento de aprendizagem. AULA 4 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para abordar questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho.

335 335 EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 01. Leia o texto. Assume? Não assume? Só uma pergunta, V. Exa. vai assumir a pasta para a qual foi nomeado? Não. Mas esse não é: não! mesmo, ou simplesmente: não? N...ão. Então quer dizer que V. Exa. não vai assumir coisa nenhuma, não é assim? Não, não. Talvez assuma. E talvez não assuma. Posso assumir, está compreendendo? E ficar de ministro durante 45 dias. Servindo de lenço? Nem lenço, nem lourenço. Não sou lenço de ninguém. A menos que...? Quer dizer, depende. Entretanto, contudo, todavia, como se diz... E quando se decide, Excelência? Eu é que sei? Quem é que sabe alguma coisa neste momento, menino? Acordo de manhã e digo para mim mesmo no espelho: Você não vai aceitar. E não aceito, pronto. Daí a pouco, telefonam lá da Granja do Torto: tem de aceitar, ora essa! Aceito, que remédio? Quando chega de tarde [...] ANDRADE, C. D. Cadeira de balanço. Rio de Janeiro: Record, p.180. A expressão destacada na frase Nem lenço, nem lourenço. Não sou lenço de ninguém. A menos que... indica que o político (A) pode aceitar o cargo, sob certas condições. (B) foi interrompido e não conseguiu terminar a frase. (C) tomará a decisão por conta própria. (D) está despreparado para o cargo. Questão 02. Leia o texto abaixo. Chatear e encher Um amigo meu me ensina a diferença entre chatear e encher. Chatear é assim: Você telefona para um escritório qualquer na cidade. Alô! Quer me chamar, por favor, o Valdemar? Aqui não tem nenhum Valdemar. Daí a alguns minutos você liga de novo: O Valdemar, por obséquio. Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar. Mas não é do número tal? É, mas aqui não trabalha nenhum Valdemar. Mais cinco minutos, você liga o mesmo número: Por favor, o Valdemar já chegou? Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui? Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí. Não chateia.

336 336 Daí a dez minutos, liga de novo Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado? O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis. Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação: Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim? CAMPOS, Paulo Mendes, Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática. No trecho Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar., o emprego do termo destacado sugere que o personagem, no contexto (A) era gentil. (B) era curioso. (C) desconhecia a outra pessoa. (D) revelava impaciência. Questão 03. Leia o texto abaixo. Ao usar a palavra Celta o autor pretendia (A) Ressaltar o uso de uma variante dita pelo personagem. (B) Apresentar o carro da marca Chevrolet. (C) Utilizar do jogo de palavras para vender o carro. (D) Contar sempre com carros da marca Chevrolet.

337 337 EIXO TEMÁTICO I COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO (CBC) TÓPICO V RELAÇÕES ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO (PROEB) LIÇÃO 21Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e outras notações COMPETÊNCIA Realizar inferência HABILIDADE Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e outras notações Habilidade CBC 6.4.Interpretar efeitos de sentido decorrentes de variedades linguísticas e estilísticas usadas em um texto. 6.5.Reconhecer estratégias de modalização e argumentatividade usadas em um texto e seus efeitos de sentido. 24.4Relacionar mudanças de sentido, focalização e intencionalidade a mudanças formais operadas em uma frase: alterações de sinais de pontuação, ordem de colocação, concordância, transformação de sintagmas, substituição ou eliminação de articuladores e operadores argumentativos. Em que consiste essa habilidade? A habilidade de reconhecer a pontuação e outras notações gráficas: parênteses, colchetes, aspas, emotions, etc., como propiciadores de efeito de sentido, deve ser desenvolvida, com maior ênfase, no término do Ensino Fundamental. Não se trata, aqui, de identificar a função dos sinais de pontuação na frase, ou seja, dos usos da pontuação considerados gramaticalmente corretos. E, sim, permitir que o aluno descubra que efeitos podem produzir o uso e /ou desuso das reticências, aspas, exclamação, interrogação no texto. Sugestõesde atividades para desenvolver essa habilidade Para trabalhar no texto os sinais de pontuação e outras notações, especificamente, o professor pode orientar o aluno, ao longo do processo de leitura, a perceber e analisar a função desses sinais como elementos significativos para a construção de sentidos e não apenas para sua função gramatical. Além dos textos publicitários que se utilizam largamente dos recursos expressivos da pontuação, os poemas também se valem deles, o que possibilita o exercício de perceber os efeitos de sentido do texto. Ao se trabalhar essa habilidade, é importante que exploremos a oralidade dos alunos, bem como, ofereçamos a eles leituras - modelo, para desenvolver neles a percepção dos aspectos prosódicos da linguagem oral e de seu papel na construção do sentido.

338 338 SUGESTÕESDE AULAS PARA DESENVOLVER ESSA HABILIDADE AULA 1 Aula de Leitura Texto: Primeira página do jornal Estado de Minas do dia 16 de abril de Objetivo: Intensificar as ações pedagógicas para trabalhar a habilidade de reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações. Habilidades do CBC trabalhadas nas atividades: Texto na próxima página...

339 339 Belo Horizonte, 16 de abril de 2014 AGORA VAI! O centro de ingressos do Boulevard Shopping está montado (acima) e começa sexta-feira a entrega das entradas adquiridas pela Internet. Funcionará de sexta a domingo até o dia 27 e, a partir de 2 de maio, de segunda a sexta. Superesportes, página 3 A casa de espetáculos, no Parque Municipal, fechada há sete anos devido a uma infestação de cupins, está em fase final de reforma (acima).as 526 cadeiras já estão instaladas e o palco, que foi ampliado, recebe os últimos retoques. EM CULTURA PÁGINA 8 AGORA VAI? A duplicação da Rodovia da Morte está pronta para começar. Pelo menos nos 37,5 quilômetros entre Rio Uma e a entrada para Caeté, na Grande BH. As obras estão programadas para começar em 15 de maio. Mas a ordem de serviço ainda não foi assinada pela presidente Dilma Roussef Os turistas que vierem a BH para a Copa por via terrestre encontrarão uma rodoviária sucateada e sem nenhuma previsão de melhoria e por via aérea, há o atraso nas obras de Confins. PÁGINA 19 e 20

340 340 Primeiro passo Antes da leitura Professor, você pode: Retomar com os alunos o que são chamadas, lead, título na primeira página do jornal. Apresentar a primeira página do jornal em Datashow ou PowerPoint e explorá-la, com o objetivo de revisar a sua estrutura, a composição e função de manchetes, títulos, subtítulos de matérias. Chamar a atenção dos alunos para as duas frases: AGORA VAI! /AGORA VAI? Desafiar os alunos para dizer o porquê do uso da frase exclamativa e da interrogativa na primeira página do jornal. Segundo passo Durante a leitura O professor deverá: Ler a frase exclamativa: AGORA VAI! Pedir para um aluno ler o primeiro título e para outro aluno ler a chamada referente a ele. Conferir, juntamente com os alunos, as informações que justificam o uso do ponto de exclamação. Ler novamente a frase exclamativa e pedir à turma para ler o segundo título e a chamada referente a ele. Localizar com os alunos as informações que também justificam o ponto de exclamação. Pedir para que os alunos leiam a frase interrogativa. Ler o título e pedir para os alunos lerem a chamada. Localizar as informações que justificam o ponto de interrogação. Ler o último título e a chamada. Discutir os pontos que poderiam vir no final do título, caso se quisesse transformá-lo em frase (ponto final e reticências). AULA 2 Terceiro passo Depois da leitura Professor, você pode: Apresentar as seguintes atividades: 1. Qual foi a intenção do jornal ao usar a frase exclamativa e a interrogativa? 2. Em duplas, criem novos títulos para as chamadas, explorando os sinais de pontuação para causar outro efeito de sentido. 3. Pesquisem outras primeiras páginas ou manchetes de jornal que façam uso dos sinais de

341 341 pontuação para chamar a atenção dos leitores e montem um painel com as pesquisas feitas pelos alunos, após comentários de cada uma. AULA 3 Trabalhar o efeito de sentido decorrente do uso das aspas no artigo de opinião abaixo. TEXTO Vittorio Medioli A riqueza de todos PUBLICADO EM 01/06/14-03h30 Gente suando por mais riqueza, títulos, poder e honras, sem tempo para olhar as estrelas, a natureza, as crianças, a vida que escorre e some em vão. Gente pisando na grama, atropelando a vida, arrancando flor pela raiz. Riqueza que faísca e parece felicidade. Riqueza acima do necessário, riqueza arrancada dos outros. Para quê? Ansiedade, afã, luta, suor, sangue. Ter mais, mais que o vizinho, mais do que tudo. Riqueza sem meta, sem fim, sem rumo, deitada sobre um monte de vítimas; riqueza para pagar guarda-costas e advogados; exposta, vulnerável, sequestrável. Riqueza exposta aos malandros, à queda da bolsa, à desvalorização cambial, ao assaltante comum. Riqueza monumental que ficará fora do caixão, que será gasta por outra marionete do destino. Um atrevido, um perdulário, um dissoluto, um bobo, um trapaceiro ou talvez um santo, um místico que não saberá o que fazer e se livrará dela como de um peso. Riqueza que aquieta ou aflige, que mexe com a alma. A mesma alma que dela um dia se libertará. E que dizer ao homem que não tem pão, incapaz de conseguir saciar o seu estômago? Homens diferentes. Ricos e pobres. Duas humanidades e um único Deus. Quem tem muito não tem tempo nem sossego. Quem nada tem morre de fome. Riqueza? Para o rei Salomão, é Sabedoria. Dela diz com entusiasmo: É mais que a saúde e a beleza. Gozei dela mais do que a claridade do sol, porque a claridade que dela emana jamais se apaga. Lindo! E mais: Há na sabedoria um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, sem inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo... É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus e uma imagem de Sua bondade. Eu a amei e procurei desde a juventude, me esforcei para tê-la por esposa.... Por meio dela obterei a imortalidade... Recolhido em minha casa, sem medo, descobridor da minha eternidade, repousarei junto dela... Sabedoria: riqueza imperecível; grandeza com humildade; justiça com misericórdia; força com doçura; inteligência com amor. Tudo. Tirada de Si por Deus, gerando o homem à Sua imagem e semelhança. Não sente falta de nada. É tudo. É de quem a ama e a quer.

342 342 DESENVOLVIMENTO Primeiro passo Antes da leitura Professor você pode: Apresentar o autor do texto Vittorio Medioli: Ele escreve, aos domingos, para o jornal O Tempo, Belo Horizonte e também é redator do jornal popular Pampulha, de distribuição gratuita, em Belo Horizonte; Falar que o texto saiu como editorial no jornal Pampulha e também foi veiculado no jornal O Tempo; Conferir a data em que o texto foi escrito; Ler o título com os alunos e discutir com eles o que poderia ser considerado como a riqueza de todos; Convidar os alunos para dar uma espiada no texto para descobrirem de que ele trata. Essa espiada consiste em os alunos lerem somente até o primeiro ponto de cada parágrafo; Após a espiada no texto, confirmar com os alunos se eles já sabem qual é a riqueza de todos; Dependendo da turma, outra opção é entregar o texto recortado em parágrafos e pedir para os alunos reconstruí-lo. Segundo passo- Durante a Leitura Professor, você pode: Propor uma leitura compartilhada do texto; Após a leitura compartilhada, fazer com a turma a divisão do texto em duas partes: A primeira, que fala da riqueza material (do 1 ao 8º parágrafos). A segunda que fala da riqueza espiritual - a sabedoria (parágrafos 9 a 15). Em seguida, um grupo de alunos lerá a primeira parte e outro grupo lerá a segunda. Terceiro passo Depois da leitura Professor você pode: Retomar com os alunos o gênero textual em questão; Identificar nele a tese: A sabedoria é a riqueza que todas as pessoas devem procurar; Os recursos usados pelo autor para defender a tese; Chamar a atenção para a citação bíblica e discutir a importância de tal citação no texto; Pedir aos alunos para destacar as citações no texto; Propor o registro das atividades sugeridas abaixo;

343 Releia do parágrafo 10 ao12. Escolha uma citação bíblica que mais lhe chamou a atenção e a reescreva trocando as aspas pelo travessão. 2- Por que as aspas foram usadas nesses parágrafos? 3- Reescreva o 10º e o 11º parágrafo, separando o discurso do autor do discurso do rei Salomão. Não se esqueça de usar os dois pontos e o travessão. (Professor, chamar a atenção dos alunos para a palavra Riqueza, do 9º parágrafo, fundamental para estabelecer a ligação com o 10º parágrafo, no discurso do autor.). 4- Que diferença você percebeu ao usar o travessão e os dois pontos? 5- Leia o penúltimo parágrafo: Tirada de Si por Deus, gerando o homem à sua imagem e semelhança. Responda: Por que as aspas foram usadas? Pedir para os alunos lerem o título e os três últimos parágrafos e analisar como esses parágrafos se relacionam com o título; Dependendo da necessidade da turma e do conhecimento a respeito de artigo de opinião, pode-se aprofundar a discussão sobre o estudo do gênero e a temática apresentada no texto (Riqueza e Sabedoria). Lembrando que o foco desta aula é o efeito de sentido decorrente do uso das aspas. AULA 4 Trabalhar o efeito de sentido decorrente do uso de grifos e da pontuação na tirinha Primeiro passo Antes da leitura Professor, você pode: Explorar os recursos não verbais: os tipos de balões; a fisionomia dos personagens, principalmente, o exagero da boca da mãe; Chamar atenção para os sinais de pontuação empregados em cada balão; Fazer a leitura da tirinha para a turma, ressaltando o emprego da pontuação. Segundo passo Depois da Leitura Chamar a atenção para o grifo na palavra Você e o emprego dos dois sinais de pontuação juntos na primeira frase do segundo balão. Discutir com os alunos que o grifo é intencional para

344 344 marcar o espanto da mãe ao ver a filha arrumando o armário. E isso é reforçado pelo uso do ponto de interrogação seguido pela exclamação; Propor as seguintes atividades escritas sugeridas abaixo; 1- Reescreva a fala da mãe, no segundo balão, eliminando o grifo, mas mantendo o espanto. (Professor, como por exemplo, os alunos poderão reescrever: Você?!! Está limpando o armário?! Minhas preces foram atendidas!!!) 2- Que efeito de sentido causou o uso dos três pontos de exclamação no último quadrinho? 3- Criar diálogos entre os personagens na tirinha a seguir, explorando o uso de grifos e de sinais de pontuação como produção de sentido: AULA 5 Trabalhar o efeito de sentido decorrentes do uso dos dois pontos na tirinha Primeiro passo Antes da leitura Professor, você pode: Explicar para os alunos que a tira foi publicada no jornal Estado de Minas e é de autoria do humorista Nani; Comentar que o título As Galinhas Filosóficas se justifica pelo fato de a tira sempre trazer uma reflexão sobre determinado assunto comuns aos seres humanos;

345 345 Chamar atenção para o emprego dos dois pontos e o efeito de sentido decorrente do seu emprego. (Chamar a atenção para a longa pausa enfatizando qual era o sonho da ave); Fazer a leitura da tirinha para a turma, ressaltando o emprego da pontuação e reler a tirinha sem o uso correto da pontuação. Segundo passo Depois da Leitura Propor as seguintes atividades escritas, sugeridas abaixo; 1- O que provocou o humor na tira? 2- Reescreva a fala das galinhas, eliminando os dois pontos. 3- Leia o que você reescreveu e responda: houve mudança de sentido? Propor o estudo dos dois pontos no aposto, caso seja conveniente para a turma. AULA 6 Consolidando conhecimentos A seguir, sugerimos uma estratégia para abordar questões de múltipla escolha que avaliam a habilidade de reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso de pontuação e outras notações. Cabe a você, professor, analisar melhor as questões disponibilizadas pelo arquivo, estudá-las e, em seu planejamento, elaborar outras estratégias para o trabalho em sala de aula caso os alunos ainda apresentem dificuldade na consolidação dessa habilidade. Retomada de Questões a. Leia o texto para os alunos. b. Peça que um aluno leia a pergunta e as alternativas a, b, c, d, e. c. Pergunte para a turma qual é a alternativa que eles consideram correta. d. No caso de acertarem ou errarem peça para justificarem. e. Ouça várias justificativas e coloque em debate entre os alunos, se as justificativas apresentadas procedem. f. Repita o procedimento com todas as alternativas, começando das opções erradas até a opção correta. g. Ouça a justificativa ajudando-os na elucidação da resposta. Retome o texto quando acertarem para confirmação da resposta. Agora, serão apresentados itens que avaliam essa habilidade para ajudá-lo no trabalho.

346 346 EXEMPLOS DE ITENS QUE AVALIAM ESSA HABILIDADE Questão 01 Leia o texto para responder a questão abaixo: No terceiro quadrinho, os pontos de exclamação reforçam ideia de: (A) comoção. (B) contentamento. (C) desinteresse. (D) surpresa. Questão 02 (SAERO). Leia o texto abaixo e responda à questão proposta. Guia do visitante Um bom momento de lazer e entretenimento pode estar aliado à arte, cultura e história. O MON realmente acredita nesta proposta e pretende ser um organismo vivo, que abriga ideias, pensamentos e inquietações na forma de obras, manifestações artísticas, exposições. Um local para a comunidade conhecer e se reconhecer. Aproveite. Frequente. Visite e volte sempre. Bemvindo a esse patrimônio do povo brasileiro. Bem-vindo ao nosso Museu. O Museu Oscar Niemeyer. [...] DICAS DE VISITAÇÃO: Inicie sua visita pelas salas expositivas no piso superior. No subsolo, não deixe de conhecer o Espaço Oscar Niemeyer e a Galeria Niemeyer. Finalize sua visita na Torre e no famoso Olho. Caso tenha utilizado o guarda-volumes, não se esqueça de retirar seus pertences ao final da visita. Não toque nas obras de arte. As peças são únicas e muito delicadas. Ajude-nos a preservar o patrimônio para as futuras gerações. As exposições só podem ser fotografadas mediante autorização, utilizando apenas câmeras de uso pessoal, sem flashes ou luzes fortes. As salas de exposição são mantidas em temperaturas mais baixas e com umidade controlada. Essas condições são ideais para a conservação das obras e seguem critérios museológicos de padrão internacional. Guia do Visitante, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, PR, dez. 2010, p. 1. *Adaptado: Reforma Ortográfica. Nesse texto, em DICAS DE VISITAÇÃO, os três primeiros tópicos estão em destaque para: (A) alertar o visitante sobre a Torre e o Olho. (B) destacar cuidados que o visitante deve observar. (C) orientar sobre pontos de destaque do museu. (D) reforçar as ordens de visitação ao museu.

347 347 Questão 03 (SEPR) Leia o texto abaixo No segundo quadrinho, o ponto de interrogação e reticências, usados ao mesmo tempo, no primeiro balão, reforçam a ideia de: (A) Perplexidade e contrariedade. (B) Dúvida e admiração. (C) Surpresa e conclusão. (D) Reflexão e questionamento. Questão 04 (Avalia-BH) Leia o texto abaixo ALMEIDA, Guilherme de. Disponível em <http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=8364> Acesso em: 07 jun No trecho ao longo das sarjetas, na enxurrada... (v. 8), as reticências sugerem: (A) continuidade. (B) hesitação. (C) medo. (D) omissão.

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