CO 33: Uma História da Formação de Professores de Matemática a partir do PIBID de Matemática da UFRN-Natal

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1 CO 33: Uma História da Formação de Professores de Matemática a partir do PIBID de Matemática da UFRN-Natal Klêffiton Soares da Cruz Universidade Federal do Rio Grande do Norte Fernando Guedes Cury Universidade Federal do Rio Grande do Norte RESUMO Este texto trata de uma proposta de pesquisa iniciada em julho de 2014 que se propõe a compreender Como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID, em especial, o subprojeto de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN tem contribuído para a formação de professores desde sua implantação?. Na tentativa de responder essa questão estudaremos os documentos relacionados ao Programa PIBID disponibilizados pelos órgãos gestores, observaremos as ações realizadas pelo subprojeto de Matemática no âmbito da UFRN de Natal (não é nosso objetivo analisar o subprojeto de Matemática do PIBID de Caicó-RN) e realizaremos entrevistas com coordenadores institucionais e coordenadores de área do programa, bolsistas (alunos da licenciatura) e supervisores (professores das escolas básicas atendidas). Esperamos assim, constituir narrativas sobre a formação inicial e continuada em matemática no Rio Grande do Norte. Pretendemos, portanto, desenvolver uma pesquisa de caráter qualitativo apoiada na metodologia da História Oral e elaborar, ao final da pesquisa, um documentário que apontará os modos como o PIBID tem contribuído para a formação dos professores (Produto educacional). Em termos metodológicos, a História Oral se coloca, ao nosso ver, como uma interessante metodologia de pesquisa para este caso o que implica métodos fundamentados de coleta e análise de dados. A escolha desta metodologia também reflete uma postura historiográfica que desacredita em uma história única, mas, por outro lado, em versões que diferem pelo fato de as pessoas enxergarem o mundo segundo suas próprias concepções e experiências vividas. Nossa proposta se insere na área de Educação Matemática, com preocupações ligadas à formação de professores, mas, também, vinculada à história da educação matemática brasileira, visto que o PIBID é um programa de larga escala e tem grande impacto na formação docente em nosso país. Palavras-Chave: Formação de Professores de Matemática; PIBID; Narrativas.

2 Introdução Este texto apresenta uma proposta de pesquisa a ser desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da Natureza e Matemática (PPGECNM) da UFRN que visa estudar o PIBID da UFRN no Campus de Natal e suas contribuições para a formação inicial e continuada de professores de Matemática. Nos últimos anos, diversos programas governamentais vêm investindo na formação e atualização docente no Brasil. Além desses propósitos diretos, mas também com a finalidade de valorizar o magistério e apoiar estudantes de licenciaturas, o Governo Federal implantou em 2007 o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a docência (PIBID). De lá para cá o Programa cresceu muito: segundo dados do Ministério da Educação, hoje mais de 90 mil bolsas são oferecidas para estudantes de cursos de licenciatura, professores formados que atuam em escolas públicas atendidas pelo PIBID e docentes universitários envolvidos em coordenação, planejamento e gestão. O PIBID consiste em programa centrado no Ministério de Educação (MEC) e gerenciado pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior) que tem como uma das principais intenções, contribuir com a formação de professores ao inserir os licenciandos no contexto escolar da rede pública de ensino e oportunizar a construção e experimentação de procedimentos didáticos, a partir de articulações entre teoria e prática, por meio de experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar, que procurem superar problemas identificados nos processos de ensino e aprendizagem de escolas públicas. E esta formação que o PIBID possibilita não se restringe apenas a formação inicial, mas uma formação continuada para os professores supervisores já que podem atualizar suas práticas pedagógicas, além de abrir amplas oportunidades de estudo e pesquisa. Pensando nisto, o subprojeto de Matemática do PIBID na UFRN-Natal proporciona meios de desenvolver a iniciação à docência, buscando a reflexão crítica dos professores supervisores e bolsistas em exercício nas escolas participantes do programa, de acordo com as ações desenvolvidas. Para isso, são elaboradas a partir de diálogos entre futuros professores e professores atuantes com propósito de discutir e planejar atividades didáticas, atividades desenvolvidas a partir de buscas por referências teóricas com base em referências recentes da Educação Matemática. O PIBID, no âmbito da UFRN, é um espaço de criação que vai além de elaborar práticas didáticas, mas de reflexão sobre o que se cria. Por isso, podemos observar o PIBID como ambiente de formação de professores críticos, conhecedores de diversas abordagens para manter uma relação de ensino-aprendizagem, professor-aluno. Além da prática educacional vivenciada em escolas públicas, nesse programa promovemse encontros periodicamente com todos os integrantes dos diversos subprojetos com vistas à troca de experiências por meio das apresentações das ações dos discentes participantes. Os bolsistas e supervisores são incentivados a participar de eventos científicos nacionais e 2

3 internacionais, bem como à publicação de trabalhos vinculados às ações desenvolvidas no programa. Então, este projeto de pesquisa, tem como questão diretriz: como o PIBID da UFRN-Natal promove a formação inicial e continuada de professores de Matemática a partir das ações ali desenvolvidas? Pretendemos estudar os documentos disponibilizados pelos órgãos responsáveis do PIBID, analisar ações desenvolvidas pelo subprojeto de Matemática da UFRN e, além disso, constituir narrativas sobre formação de professores a partir de entrevistas realizadas com alguns coordenadores, supervisores, bolsistas e ex-bolsistas. Com isso, buscar-se-á elaborar um documentário que explicitará alguns modos com os quais o PIBID pode contribuir para formação inicial e continuada de professores, além de se tratar do nosso produto educacional. Esse documentário, mais do que uma forma de organizar os dados da pesquisa e, na sua própria constituição, revelar o modo como enxergamos essas possibilidades de formação oferecidas pelo PIBID durante nossa investigação, é encarado aqui como um produto educacional possível, resultante de uma pesquisa desenvolvida em um programa de Mestrado Profissional na área de ensino, tal como esclarecem Ostermann e Rezende (2009). Revisão de literatura Em relação à formação de professores, buscaremos respaldo nos trabalhos de Nóvoa (2009) e Shulman (1986). Este último aponta, principalmente, para a importância de currículo não dicotômico, de modo que os conteúdos não sejam ministrados separadamente, sem as devidas articulações entre teoria e prática. Assim, percebe-se que um dos objetivos do PIBID, é propiciar uma iniciação à docência de modo que os alunos possam reconhecer a escola como espaço de formação, deixando de lado um modo dicotômico de se conceber o ensino (ZAQUEU; SILVA, 2012). Soma-se a isso a ideia de a escola deve ser entendida como um local de formação dos professores, como o espaço da análise partilhada das práticas, enquanto rotina sistemática de acompanhamento, de supervisão e de reflexão sobre o trabalho docente (NÓVOA, 2009). O PIBID permite uma aproximação intensa do aluno de graduação no âmbito escolar, além de contribuí com a formação continuada dos professores supervisores ao possibilitar nas atualizações de propostas pedagógicas e torná-lo parte do processo de formação inicial dos estudantes da licenciatura. Neste sentido, quando Nóvoa, citado por Zaqueu e Silva (2012, p.5) coloca que a ideia de escola como o lugar da formação dos professores, como o espaço da análise partilhada das práticas, enquanto rotina sistemática de acompanhamento, de supervisão e de reflexão sobre o trabalho docente, pode-se perceber que a escola é consideravelmente um contribuinte na formação do professor. No que se refere à coleta de dados, ao tomarmos os relatos orais como um dos instrumentos de pesquisa e optando pela História Oral, encontramos respaldo em Baraldi e Gaertner (2008), Garnica, Silva, Fernandes (2011) e Cury, Souza e Silva (2014). Acreditamos que as entrevistas serão fontes importantes para a pesquisa, uma vez que apostamos no fato de que 3

4 com elas, será possível construir amarrações entre o que foi relatado pelo embasamento teórico e o narrado pelos bolsistas e ex-bolsistas (todos participantes envolvidos no PIBID). Isso possibilitará constituir uma história a partir dessas narrativas que resultará em uma nova narrativa, como apresenta Cury, [...] narrar é contar uma história para alguém, narrar-se é contar nossa história ou uma história da qual também somos, fomos ou nos sentimos personagens. As narrativas, então, oferecem em si a possibilidade de uma análise, se concebermos análise como um processo de produção de significados a partir de uma retroalimentação que se iniciaria quando o ouvinte/leitor/apreciador de um texto se apropria deste texto, de algum modo, tecendo significados que são seus, mesmo que produzidos de forma compartilhada, e constrói uma trama narrativa própria que será ouvida/lida/vista por um terceiro, retornando ao início do processo. (CURY, 2013, p.155). Acreditamos, ainda, que durante o processo das narrativas, será levado em conta as trajetórias individuais, eventos ou processos (...). Ele permite o resgate do indivíduo como sujeito no processo histórico (BARALDI e GAERTNER, 2008, p.52). Justificativa Ao propor esta nossa pesquisa e sistematizar as práticas formativas desenvolvidas pelos bolsistas do PIBID-Matemática da UFRN poderemos analisar nelas os modos como este programa tem contribuído para a formação dos (futuros) professores. E em relação aos professores supervisores que são convidados a participar da formação dos estudantes da licenciatura, nossa pesquisa poderá mostrar de que modo essa atuação como formador e sua aproximação com as práticas empreendidas pelo PIBID Matemática da UFRN podem contribuir com sua formação continuada. Além de observar o potencial formativo dessas atividades, pretendemos produzir como exigência do Mestrado Profissional onde desenvolveremos nosso estudo um produto educacional no formato de um documentário contendo essencialmente falas dos entrevistados durante nossa pesquisa e que presente ser um material para promover a reflexão e difundir ideias sobre o ensino de matemática nos moldes pretendidos pelo projeto PIBID de Matemática da UFRN-Natal. Objetivos Objetivo Geral: apontar de que maneiras o PIBID de Matemática da UFRN vem contribuindo para a formação inicial e continuada de professores de Matemática. Objetivos Específicos: Estudar documentos sobre o PIBID disponibilizados pelos órgãos competentes; 4

5 Observar as ações desenvolvidas pelo Programa no âmbito da UFRN; Contar uma história do PIBID de Matemática da UFRN a partir dos depoimentos de pessoas envolvidas com ele desde 2007 ano de sua implantação; Produzir um documentário que trate de formação inicial e continuada de professores de Matemática envolvidos com o PIBID na UFRN de Natal. Metodologia de pesquisa Numa etapa inicial, com intuito de nos interarmos do propósito dos órgãos financiadores e gestores do PIBID iremos buscar nos documentos disponibilizados pelo MEC e CAPES, os documentos ligados ao projeto em nível nacional, depois, relativamente ao âmbito interno da UFRN, estudaremos os documentos que esta universidade usou para normatizar as ações desse programa em seus domínios, incluindo o Subprojeto de Matemática de Natal que gerencia as ações desenvolvidas nesta cidade. 1 Encontramos em Garnica, Fernandes e Silva (2011), direcionamentos para o desenvolvimento dos procedimentos utilizados pela História Oral que será usada em nossa pesquisa como uma ferramenta de coleta de dados. Segundo esses autores, a questão diretriz da pesquisa nos indica um grupo inicial de depoentes cuja memória é julgada importante para compreender o tema levantado pela questão diretriz. Ao serem convidados para participar da pesquisa, esses depoentes em nosso caso, os envolvidos com o PIBID de Matemática da UFRN podem indicar outros depoentes o chamado critério de rede para a formação do núcleo de colaboradores do trabalho. Os roteiros de entrevistas serão elaborados e estarão à disposição dos depoentes, caso eles os solicitem previamente para organizar suas exposições, já que este tipo de investigação que empreendemos direciona-se a compreender um tema específico, que é parte das experiências vivenciais do depoente (o papel do PIBID na formação inicial e continuada dos entrevistados). Pretendemos realizar tantas sessões (de gravação de entrevistas) quantas forem necessárias, observando se as informações coletadas já são suficientes para nossos objetivos e, é claro, as disposições dos colaboradores. Estas devem ser filmadas para, posteriormente, serem transformadas em textos escritos numa sequência de momentos aos quais chamamos transcrição (passagem do oral para o texto escrito) e textualização (edição do texto escrito para melhor fluência na leitura). As nossas análises devem seguir os traços de uma análise narrativa de narrativas na qual, segundo Cury, Souza e Silva (2014), a ênfase está na consideração de casos particulares e o 1 A UFRN também tem um subprojeto de Matemática para o PIBID a sendo desenvolvido na Cidade de Caicó, interior do estado, que funciona independentemente do projeto da capital. Este Subprojeto de Caicó e suas ações não são, a princípio, objetivo de nossa pesquisa. 5

6 produto desta análise aparece como uma nova narrativa, a explicitação de uma trama ou de argumentos que tornem os dados significativos, não em busca de elementos comuns, mas no destaque do que é singular e que, em suma, não aspira à generalização. O papel do investigador neste tipo de análise é configurar os elementos dos dados em uma história que os unifica e dá significado a eles com a intenção de mostrar o modo autêntico da vida individual sem manipular a voz de cada narrador (ou depoente). A trama pode estar construída de forma temporal ou temática, mas o importante é que possibilite a compreensão do porque algo aconteceu. Aqui, a proposta é a de revelar o caráter único de um caso individual e proporcionar uma compreensão de sua complexidade particular ou de sua idiossincrasia. Na análise narrativa de narrativas o pesquisador desempenha o papel de constituir significados às experiências dos narradores mediante a busca de elementos unificadores e de alteridade, supondo que, mediante esse procedimento, estaria desvelando o modo autêntico da vida individual. Cronograma Uma proposta de cronograma é apresentada a seguir: Período Atividade Disciplinas X X X Levantamento bibliográfico sobre o tema; X X X X X Elaboração do projeto de pesquisa (que deve ser entregue até maio de 2015); X X Estudo dos documentos e trabalhos sobre o tema. X X X X Elaboração dos roteiros de entrevistas; X Estudo sobre produção de documentários; X X X Entrevista piloto. X Realização das entrevistas e início da edição dos vídeos; X X Elaboração do material para o Exame de Qualificação. X X X Edição do Documentário. X X Elaboração da Dissertação para a Defesa; X X Exibição do Documentário. X 6

7 Bibliografia inicial BARALDI, I. M.; GAERTNER, R.. Um ensaio sobre História Oral e Educação Matemática: pontuando princípios e procedimentos. In: Bolema, Rio Claro, n. 20, p , CURY, Fernando Guedes. De Narrativas a Análises Narrativas: reflexões sobre a análise de depoimentos em pesquisas de história da educação (matemática). Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, Santa Catarina, v.24, n.1, p , abril CURY, F. G.; SOUZA, L. A.; SILVA, H.. Narrativas: um olhar sobre o exercício historiográfico na Educação Matemática. Bolema (no prelo). GARNICA, A. V. M; SILVA, H.; FERNANDES, D. N.. História Oral: pensando uma metodologia para a Educação Matemática. Congresso Internacional de Ensino de Matemática, 5., 2011, Rio Grande do Sul. Anais... Rio Grande do Sul: ULBRA, NÓVOA, A.. Para uma formación de professores construida dentro de la profesión. In: Revista de Educación. Ministerio de Educación, n. 350, p OSTERMANN. F.; REZENDE. F.. Projeto de Desenvolvimento de Pesquisa na Área de Ensino de Ciências e Matemática: uma reflexão sobre os mestrados profissionais. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 26, n. 1, p.66-80, abr SHULMAN, L. S.. Those who understand: knowledge growth in teaching. In: Educational Researcher, n.2, p. 4-14, ZAQUEU, A. C. M.; SILVA, H.. O PIBID como Política de Incentivo à Docência: um estudo de caso a partir de narrativas (auto)biográficas de bolsistas e ex-bolsistas na UNESP de Rio Claro. ESCOLA DE INVERNO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA, In: III, Santa Maria-RS, 2012, 7

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