PERFIL DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA JÚNIOR (ICJ) NAS INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE ENSINO DE CAMBORIÚ

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1 PERFIL DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA JÚNIOR (ICJ) NAS INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE ENSINO DE CAMBORIÚ Bruna Ketryn Borinelli 1 ; Thayna Andrea dos Santos 2 ; Sirlei de Fátima Albino 3 1.Aluna da Turma TA10, IFC/Câmpus Camboriú 2.Aluna da Turma TA10, IFC/Câmpus Camboriú (Bolsista FAPESC/ICJ) 3.Professora orientadora, IFC/Câmpus Camboriú 1 INTRODUÇÃO É consenso na sociedade que é dever das escolas oferecer a seus alunos, um conhecimento cientifico e sistematizado, fomentando o desejo pelo saber, pelo conhecer, pelo buscar e construir. A história mostra a importância política e social do conhecimento científico, e, que, quem detém o conhecimento detém o poder. Embora com certo reducionismo, pode-se citar um exemplo, a conquista do Novo Mundo pelos portugueses. Essa conquista foi resultado da superioridade nas técnicas de navegação e a força das armas que os índios que nele habitavam não conheciam. A Iniciação Científica é também uma oportunidade de agregação de valores, de maturação social (incorporação de hábitos adequados para o meio científico), além de possibilitar ao estudante a interdisciplinaridade ao analisar os dados obtidos e a aquisição de novos conhecimentos. É indiscutível a importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento social e econômico de um país. Sabe-se que os interesses dos alunos estão centrados na ação, no diálogo, na confrontação de ideias, no trabalho em equipe, na experimentação, na reflexão conjunta, na busca de novos questionamentos e para aprender é preciso ação e emoção. Alguns projetos incentivam e popularizam a cultura científica e tecnológica e podem auxiliar os alunos a compreender sua realidade local, regional e global. Os Programas de Incentivo a Iniciação Científica, por exemplo, que visam o desenvolvimento científico e tecnológico pelo incentivo à formação inicial dos estudantes do Ensino Médio, nos métodos de pesquisa científica, contemplando todas as áreas de conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq. A Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina - FAPESC, e a Secretaria de Estado da Educação - SED, em convênio com o CNPq, periodicamente, abrem chamada pública e convidam estudantes de Ensino Médio das escolas públicas interessados em apresentar propostas para esse programa de bolsa, considerado essencial para o incremento da educação científica e tecnológica junto aos alunos. Para o desenvolvimento deste projeto de pesquisa foi traçado o objetivo geral de investigar as ações desenvolvidas pelas Instituições Particulares de Educação Básica do Município de Camboriú que despertam a vocação científica, tendo como objetivos específicos identificar as ações e estratégias de incentivo à IC desenvolvidas em Camboriú; diagnosticar se o fomento à IC está formalizado nas matrizes curriculares da Educação Básica de Camboriú; investigar a opinião dos educadores sobre o início da alfabetização científica. 2 MATERIAL E MÉTODOS Ao analisar os objetivos apresentados, houve a necessidade da realização de uma pesquisa de caráter exploratório cujo principal objetivo é envolver e adaptar o pesquisador com o problema que será investigado. Segundo Farias (2007, p. 30), a Pesquisa Exploratória Trata-se, enfim, de um estudo preliminar em que o maior objetivo é tornar familiar o objeto a ser investigado, de modo que a etapa posterior, a do estudo principal, possa ser delineada com maior precisão e profundidade.

2 A coleta de dados ocorreu através da aplicação de questionários mistos em todas as escolas particulares do município de Camboriú, tais quais: RECRIARTE, Nana Neném, Espaço Criança e CECAM. O questionário segundo Albino e Faqueti (2008) é uma lista ordenada de perguntas que são respondidas na forma escrita. As questões contidas eram subjetivas e objetivas, para complementar o trabalho, houve a necessidade da execução de entrevistas estruturadas com os coordenadores de ensino das escolas citadas. A análise dos dados pode ser caracterizada como quantiqualitativa, visto que, houve a prestação de informações ou de opiniões feita oralmente e as perguntas dos questionários são mistas (necessitam de respostas descritivas e de múltipla escolha). Toda pesquisa parte de três etapas básicas, a elaboração do projeto de pesquisa, a execução da pesquisa, e a apresentação dos resultados. Na etapa de realização da pesquisa foi fundamental a obtenção dos dados propostos pela investigação e a análise profunda princípios do Estudo de Campo. Farias (2007, p. 26) afirma que o estudo de campo tende a utilizar técnicas de observação Por focar mais o estudo em um único grupo ou comunidade buscando conhecer a interação entre seus componentes. Por conseguinte, os pesquisadores aplicaram questionários aos colaboradores e avaliaram, a partir dos dados fornecidos, as condições infraestruturais e acadêmicas do objeto de investigação. Com o auxílio de órgãos municipais foram identificadas as escolas particulares de Educação Infantil (0 a 6 anos), Ensino Fundamental (primeiro ao nono ano) e Ensino Médio (primeiro a terceira série). Buscou-se conhecer os profissionais da área (diretores, coordenadores pedagógicos e professores das escolas) com a aplicação de questionários e entrevistas para que fossem respondidos de forma voluntária. As perguntas contidas abordavam sobre formação acadêmica ou atuação profissional relacionada à Iniciação Científica e as atividades consideradas como pesquisa realizadas no ambiente de trabalho/educacional. Os resultados obtidos auxiliarão no desenvolvimento de um plano de ação para o fomento à vocação científica. 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO O levantamento de dados com docentes foi executado com a aplicação de questionários mistos nos meses de junho a setembro de 2012, nas Instituições Particulares de Ensino de Camboriú. Diagnosticou-se que 50% dos entrevistados eram do sexo masculino e 50% do sexo feminino. A faixa etária dos docentes ficou compreendida entre de 21 e 40 anos. A maioria dos dados obtidos aliou Iniciação Científica à vocação científica, raciocínio e novas tecnologias (66,67%). A minoria da amostra populacional formulou conceitos inadequados para a Iniciação Científica, apresentando desconhecimento sobre o tema (33,33%). Quando questionados sobre os pontos positivos/negativos da ICJ na Educação Básica, os entrevistados não contemplaram ambos os questionamento, percebeu-se que os docentes desconhecem o valor da ICJ ou não possuíram interesse em expor as suas opiniões. Percebe-se a defesa da necessidade do desenvolvimento de atividades de ICJ na Educação Básica, já que, dizem fomentar as crianças quanto à reflexão e busca pelo conhecimento desde cedo. Os aspectos positivos listados foram estímulo ao discente e ao interesse pela pesquisa e o aspecto negativo mais indicado foi imaturidade dos alunos. Todos os entrevistados afirmaram que as instituições onde trabalham desenvolvem atividades de fomento à IC, exceto um docente que não respondeu a questão. Dentre as atividades citadas estão: exposições e feiras científicas, gastronômicas e literárias, com periodicidade anual, em sua maioria.

3 Todos os entrevistados afirmam que recebem algum tipo de incentivo da instituição para o fomento a ICJ, que abrangem: espaço físico, material necessário, apoio financeiro, possibilidades para o desenvolvimento de projetos em localidades externas. Sobre a inserção de práticas de fomento à ICJ nas aulas, os entrevistados responderam que não incluem essas atividades em sua prática pedagógica, não recebem incentivo suficiente para a execução dessas atividades no cotidiano ou não têm preparação para desenvolvê-las. Ocorrendo contradições em algumas respostas. Os desafios para o desenvolvimento de atividades científicas listados foram: falta de recursos (equipamentos, bolsas de pesquisa, referências/artigos científicos sobre temas regionais, etc), dificuldade em despertar o interesse dos alunos, falta de interesse e comprometimento dos alunos. Um dos motivos da defasagem no incentivo a ICJ na rede privada de ensino básico é a dificuldade de encontrar profissionais capacitados, que tiveram contato com disciplinas na graduação, como a Metodologia da Pesquisa Científica. Somente dois dos entrevistados que afirmaram ter as disciplinas relacionadas à ICJ na graduação informaram que foram e continuam sendo úteis. Um dos entrevistados cita que apenas no mestrado, após 14 anos de estudo foi abordado o tema. Todos os entrevistados afirmam o interesse em participar de cursos de capacitação nessa área. Manifestam a esperança de que o Instituto Federal Catarinense Campus Camboriú ofereça, pois, consideram de difícil acesso tais cursos, tanto pela distância como pelo custo. Gráfico 1 Em que nível de ensino você acha que deve começar o fomento a IC? As escolas particulares que contribuíram para a obtenção de dados possuem (em sua maioria) desde a Educação Infantil até Ensino Médio, contudo, os docentes dispersam-se nas respostas sobre o momento em que a ICJ deve ser inserida na vida acadêmica (gráfico 1), foi satisfatório diagnosticar que os educadores sentem a necessidade de fomento nas séries iniciais. Sobre o conceito de Iniciação Científica as coordenadoras entrevistadas apresentaram visões semelhantes, definindo ICJ como introdução e incentivo a ciência. Uma das coordenadoras propôs a ideia de que se pode acrescentar ao conceito de ICJ o conhecimento em leis e projetos, conceito este que na elaboração de suas palavras não esta coerente. Entre as coordenadoras entrevistadas apenas uma contradiz as outras, quando fala que o melhor momento para começar o incentivo a iniciação cientifica é a partir do quinto ano, pois julga ser a idade adequada, na qual os alunos possuem maior maturidade. As outras coordenadoras entrevistadas acreditam que quanto mais cedo o aluno tiver contato com esse fomento, será melhor. Todos os participantes das entrevistas responderam que a instituição promove atividades que incentivam/fomentam a Iniciação Científica, citando como exemplo feiras temáticas que trabalham cultura e ecologia e feiras cientificas relacionadas a diversas áreas. A

4 periodicidade com que as feiras acontecem pode ser semestralmente ou anualmente e estas atividades estão integradas à grade curricular das instituições. Uma das instituições expôs que as maiores exposições são abertas ao público e as menores são apenas internas, para os discentes e docentes. Todas as instituições possuem laboratório para demonstração de experiências e pesquisa. Uma das coordenadoras declarou que além das aulas práticas, a escola leva os alunos para visita técnica a laboratórios de outras instituições. Entretanto apenas um colégio trabalha com o fomento a formulação de artigos científicos produzidos por alunos. Sobre os maiores desafios encontrados para o desenvolvimento de atividades de fomento à Iniciação Científica na Instituição, as entrevistadas declaram os mesmos desafios: resistência dos alunos para a prática cientifica e a falta de apoio e incentivo externo como auxílio de ônibus patrocinado pela prefeitura para vistas técnicas. Todas as coordenadoras afirmam ter possuído em sua grande curricular a matéria de Iniciação cientifica exceto uma que não possuiu disciplinas voltadas a iniciação cientifica na graduação, apenas pôde ter contato com a pesquisa a partir de seu ingresso na pós-graduação, entretanto esta orientadora educacional já orientou um projeto de pesquisa e possui experiência na área. As coordenadoras entrevistadas afirmaram que possuiriam total apoio da instituição para a qualificação na área. 4 CONCLUSÕES O ensinar a pesquisar é indispensável para a evolução científica afinal, a metodologia da Iniciação Científica se baseia no envolvimento pessoal do aluno com o objeto pesquisado, esforço intelectual, formulação de questões e na busca de respostas, gera a indagação e o interesse pela ciência, vista como fonte de prazer, de transformação na qualidade de vida e das relações entre homens. Verifica-se que nas Instituições Particulares de Ensino de Camboriú a ICJ ocorre na forma de eventos, porém ainda precisa ser fomentada, pois há muita discrepância entre o que se pensa sobre o tema e o que se faz. A ação de ensinar a pesquisar ainda é pouco, as feiras estão mais voltadas à exposição de trabalhos pedagógicos das disciplinas, sem o básico da investigação científica, mas, é claro que toda forma de incentivo é valida. Ficou clara a necessidade e o interesse dos docentes na capacitação para atuação na área de fomento a atividade científica 5 REFERÊNCIAS BRITO, Gilberto. Escola Ambiental de Mogi das Cruzes, Disponível em: < Acesso em: 20 jun CAMARGO, Erney Plessmann. Iniciação Científica - IC - Norma Específica, Disponível em: <CAMARGO, Acesso em: 24 jun

5 FAQUETI, Marouva Fallgatter; ALBINO, Sirlei de Fátima, A construção colaborativa de projetos de Pesquisa In: WORKSHOP SOBRE INFORMATICA NA ESCOLA, 28.,2008, Belém do Pará. FARIAS. Marco antonio alves de, Elaboração de trabalhos com formatação no microsoft word. Rondonia: editora Snac p. RODRIGUES, Marcio tavares. A importancia da Iniciação Científica nas escolas Disponvel em: Acesso em 11/05/2011 SANTA CATARINA, Secretaria de Estado da Educação. Incentivo à iniciação Científica, Disponível em: < Acesso em: 20 ju.

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