Estudo de Viabilidade Econômica da Utilização de Fonte Alternativa para Atender Demanda de Comportamento Intermitente

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1 Estudo de Viabilidade Econômica da Utilização de Fonte Alternativa para Atender Demanda de Comportamento Intermitente Adriano M. dos Santos; Euler B. dos Santos; Paulo C. M. Machado; Antônio C. B. Alves; Antônio M. de Oliveira; Tássio R. Fagundes Resumo Neste artigo é apresentado um estudo e metodologia para análise de viabilidade econômica da aplicação de fonte alternativa de energia para suprir uma demanda de comportamento intermitente. Um estudo de caso é exposto, cujo objeto é o Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal da Universidade Federal de Goiás, considerando o número de eventos anuais. Palavras-chave-- Demanda intermitente, enquadramento tarifário, grupo motor gerador, viabilidade econômica. E I. INTRODUÇÃO STE trabalho apresenta um estudo para verificar a viabilidade de emprego de fonte alternativa de suprimento de energia para instalações onde a demanda na situação de funcionamento pleno é intermitente. Neste sentido um estudo de caso é realizado, tendo como objeto o Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal situado no Campus II da Universidade Federal de Goiás, doravante denominado de Centro de Eventos. O estudo em questão tem por objetivo a análise da viabilidade econômica da aplicação de um grupo motor gerador (GMG) a diesel como fonte alternativa para suprimento da referida carga. A metodologia utilizada compreendeu: realização de medições com utilização de equipamento de última geração; estudo para utilização de grupo motor gerador considerando aspectos econômicos; elaboração de um programa computacional na plataforma MATLAB capaz de realizar varias simulações necessárias às análises. Neste contexto, diferentes situações são colocadas e destacadas aquelas que viabilizam a aplicação do GMG de maneira racional. II. OBJETO DO ESTUDO DE CASO, AQUISIÇÃO E PROCESSAMENTO DE DADOS Nos contratos de fornecimento de energia elétrica entre empresa distribuidora e consumidor não é estabelecido escalonamento (diferentes valores) para a demanda contratada. Estas restrições estabelecem dificuldades para o consumidor Euler B. dos Santos, Paulo C. M. Machado, Antônio C. Baleeiro Alves e Antônio M. de Oliveira são docentes da Escola de Engenharia Elétrica e de Computação da UFG ( e Adriano M. dos Santos e Tássio R. Fagundes são Engenheiros Eletricistas ( e que em alguns dias do mês (datas aleatórias) e em determinados horários necessitam de demanda muito maior que aquela do cotidiano. Para melhor ilustração deste fato foi selecionado uma unidade consumidora com estas características. A. Objeto do Estudo de Caso O Centro de Eventos foi inaugurado em 12 de dezembro de 28, tem por objetivo ser um espaço multiuso para a UFG, o qual é utilizado em solenidades de colação de grau, eventos científicos e culturais, feiras, congressos e apresentações artísticas. Este espaço é constituído de uma área construída de aproximadamente oito mil e setecentos metros quadrados. A edificação possui dois pavimentos, onde o térreo é um salão com capacidade para quatro mil pessoas sentadas, e o segundo pavimento possui quatro salas com capacidade para cem pessoas cada uma, além de algumas salas reservadas à coordenação de congressos. O Centro de Eventos é alimentado pela rede primária da concessionária CELG D, através de uma subestação (SE) abrigada cujo transformador rebaixador tem: conexão tipo - Yg, potência de 1 kva, tensão primária 13,8kV e tensões secundárias 38/22V. B. Aquisição e Processamento de Dados Como forma de mapear as variações de comportamento da demanda utilizada pelo Centro de Eventos, foram observados dois eventos distintos, uma colação de grau (evento 1) e um show musical (evento 2). A aquisição de dados foi efetuada com a utilização de um analisador de energia trifásico, o FLUKE 435, e acessórios necessários. Sua instalação e programação foram realizadas observando recomendações do fabricante constante em [1]. A instalação do analisador de energia foi efetuada no circuito alimentador do quadro geral de distribuição, com o propósito de possibilitar o registro dos dados sobre o comportamento das grandezas elétricas de toda a instalação local. O processamento dos dados registrados foi realizado utilizando uma rotina computacional elaborada no ambiente de programação MATLAB possuindo facilidades que permitem plotar gráficos de várias grandezas elétricas. Assim sendo a seguir são mostradas as potências totais trifásicas observadas durante as medições, apresentadas nas Figs. 1 e 2.

2 Potência Ativa [kw] Fase A Fase B Fase C Energia Ativa [MWh] :14 14:34 17:54 21:14 :34 3:54 7:14 9:4 Horário da Amostragem [h:min] Fig. 1. Potências totais trifásicas observadas durante o evento 1. Potência Ativa [kw] :18 14:38 17:58 21:18 :38 3:58 7:18 1:23 Horário da Amostragem [h:min] Fase A Fase B Fase C 11:18 14:38 17:58 21:18 :38 3:58 7:18 1:23 Horário da amostragem [h:min] Fig. 4. Energia ativa total observada durante o evento 2. Analisando-se os dados obtidos e as Figs. 3 e 4, consta-se que o total de energia consumida acumulada durante os dois eventos não são idênticas em valores, porem a diferença é inferior a 2% tomando como base o evento 1(maior consumo), sendo que parte considerável deste consumo ocorre durante o horário de ponta. C. Perfil de Utilização do Centro de Eventos A freqüência de utilização do espaço considerado é de fundamental importância nos procedimentos de viabilidade econômica da implantação de uma fonte alternativa de suprimento de energia, portanto, deve ser considerado. No período de novembro de 21 a outubro de 211, a utilização do Centro de Eventos está representada na Fig. 5. Fig. 2. Potências totais trifásicas observadas durante o evento 2. A solicitação máxima de potência ativa observada durante os dois eventos foi de aproximadamente 34 kw. Os consumos de energia ativa registrados durante estes eventos são apresentados nas Figs. 3 e Energia Ativa [MWh] :14 14:34 17:54 21:14 :34 3:54 7:14 9:4 Horário da amostragem [h:min] Fig. 3. Energia ativa total observada durante o evento 1. Fig. 5. Frequência de utilização do Centro de Eventos. Para facilitar a análise da ocorrência dos eventos no aspecto tempo de solicitação de alta demanda foi feita uma classificação em três grupos, ou seja: as colações de grau, os shows e os congressos, estes contemplando seus respectivos similares. Os shows e as colações de grau tiveram aproximadamente sete horas de duração, e para os congressos admitiu-se onze horas diarias.

3 De posse dos dados de duração por tipo de evento e a quantidade de eventos discriminada, é possível estimar o total de horas de utilização do Centro de Eventos em 46 horas por ano. D. Características da Carga A demanda é um dado importante para compreender o perfil de utilização do espaço. Através das informações contidas nas faturas de energia elétrica, referente ao período de outubro de 21 a setembro de 211, foi possível plotar a relação entre a demanda requerida no mês e a demanda contratada junto à concessionária, conforme mostra o gráfico da Fig. 6. existentes e dada a importância econômica da escolha correta destas, elaborou-se um programa na plataforma MATLAB, o qual denominou-se de EnquadraMaEs, em referência ao Laboratório de Máquinas Especiais da EEEC-UFG. IV. PROGRAMA COMPUTACIONAL DESENVOLVIDO A inicialização do programa elaborado é realizada através de uma interface gráfica, na qual é possível uma amigável interação entre usuário e programa. O programa é capaz de estimar o valor financeiro da fatura de energia elétrica acumulado em um ano para os diferentes subgrupos do grupo A de consumidores, discriminando as diferenças nos valores resultantes das três modalidades tarifárias e indicando a opção mais econômica para o consumidor. Assim sendo é possível utilizá-lo tanto para enquadramento quanto para reenquadramento tarifário. Como função adicional, o programa é capaz de exibir, em gráficos de barras, os dados fornecidos pelo usuário, com o objetivo de facilitar uma análise preliminar do consumo de energia elétrica da unidade em estudo. O fluxograma do EnquadraMaEs está apresentado na Fig. 7, o qual permite entender melhor a lógica utilizada na confecção deste programa. Fig. 6. Exposição de demandas registrada e contratada. Início Entrada de dados Cálculos Observando-se o gráfico da Fig.6 nota-se que no mês de junho de 211 não há ocorrência de eventos, sendo possível notar a significante diferença entre a demanda registrada (22 kw) e a contratada (45 kw). Isto mostra claramente que valores altos de demanda só são considerados quando da ocorrência de eventos. No entanto, pelo gráfico da Fig. 5 ocorreram dois eventos no mês de junho (23/6 e 25/6) sem ter sido considerado na fatura de energia. Isto se justifica pelo fato dos dois eventos terem ocorrido fora do período de leitura para faturamento daquele mês (19/5 a 2/6) tendo sido, portanto, considerado no período seguinte (2/6 a 19/7). III. TARIFAÇÃO A Resolução Normativa Nº 414 de 9 de setembro de 21 da ANEEL [2] regulamenta procedimentos da distribuição de energia elétrica de responsabilidade das concessionárias brasileiras, sendo um importante aspecto a modalidade tarifária que o consumidor possa se enquadrar. Os consumidores podem ser classificados em dois grupos distintos, os quais possuem subgrupos, de acordo com o nível de tensão de fornecimento da concessionária em seu ponto de entrega. Para cada grupo e subgrupo existe tarifação distinta própria de cada concessionária, influenciada pela modalidade tarifária em que se enquadra o consumidor. Para o grupo B a modalidade tarifária é única denominada de tarifação Convencional. Para o grupo A existem as modalidades tarifárias Horossazonal Verde e Horossazonal Azul além da Convencional, cada qual com particularidades específicas. Devido às diversas opções de modalidade tarifárias Exibir gráficos Fig. 7. Fluxograma do programa EnquadraMaEs. V. GRUPO MOTOR GERADOR O GMG adquirido para ser instalado no Centro de Eventos da UFG é modelo C5D6 carenado, com 5,15 m de comprimento, 1,5 m de largura e 2,415 m de altura, e pesa cerca de 525 kg, com potência de 625kVA e tensão de fornecimento 38/22V [3]. O quadro de consumo de litros de diesel por hora trabalhada esta exposto na Tabela I, onde: standby se refere a potência máxima que um gerador é capaz de fornecer, para carga variáveis, durante o período de interrupção de energia da concessionária, por um período de 2 h por ano, conforme ISO8528 [3]; prime se refere a potência disponível para um número ilimitado de horas anuais sob condições de carga variável, de acordo com ISO [3]. TABELA I CONSUMO DE COMBUSTÍVEL DO GMG Standby Prime Potência nominal 625 kva 5 kw 569 kva 455 kw Carga aplicada Full 3/4 1/2 1/4 Full 3/4 1/2 1/4 Consumo (litros / hora) S Gerar gráficos? N Resultado Fim

4 VI. ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICA A verificação da viabilidade econômica baseou-se no método de comparação de alternativa de investimento denominado de Valor Presente Líquido (VPL) [4], considerando os dados expostos a seguir. Neste estudo o horizonte de projeto foi estipulado em quinze anos, com taxas e valores monetários calculados anualmente. Este tempo é suficiente para alcançar as metas necessárias. Os custos de material, serviços e equipamentos, bem como combustível referem-se à cotação realizada em Goiânia-GO na data de 1 de novembro de 211. Para a construção do fluxo de caixa, foram considerados os custos relacionados ao GMG, tanto da sua aquisição quanto da utilização e manutenção, seguidos das diferentes situações possíveis de compra de energia elétrica em função das opções tarifárias e também as respectivas estimativas de redução de custos. Com dados sobre necessidade e periodicidade de manutenção necessárias no GMG [5] e com informações de custos foi construída a Tabela II. Periodicidade da revisão Custo estimado TABELA II RELAÇÃO DE CUSTOS DAS REVISÕES PREVENTIVAS 25 horas ou seis meses 15 horas 6 horas R$ 2., R$ 4.58, R$ 13.76, Para efeito de distribuição temporal das revisões, foi considerada a utilização anual do GMG em 5 horas. Para o custo do diesel, considera-se o valor de R$ 2, por litro. O total de horas de alta solicitação de demanda do Centro de Eventos é de 46 horas/ano, conforme exposto anteriormente, e o consumo de óleo diesel por hora do GMG, considerando este funcionando em Prime em um carregamento de três quartos de sua potência, é de 91 l/hora, de acordo com a Tabela I. De posse destes dados é possível estimar o gasto anual com diesel como sendo R$ 83.72,. Em relação ao custo de aquisição do gerador, inclusive acessórios necessários ao funcionamento, foi verificado um valor de R$ 257.,. Para finalizar a composição dos custos distribuídos ao longo do período estipulado, é necessário observar o custo de oportunidade. Como taxa para este custo será considerado o rendimento da poupança do ano de 28 (7,9%), por ser o maior encontrado nos últimos cinco anos. Esta taxa incidirá cumulativamente sobre o valor de aquisição do GMG, durante o horizonte de projeto, resultando numa parcela de acréscimo variável nos custos a cada ano, ou seja, assumindo o valor de R$2.33, no 1º ano até R$ ,45 no 15º ano. Utilizando os dados apresentados, foi construído o fluxo de caixa dos custos esperados da operação do GMG, exposto na Fig. 8. Para a estimativa da redução de custo, será considerado o valor pago nas faturas de energia sem a instalação do GMG no acumulado de um ano, comparando-se este valor a situações em que o GMG está instalado, implicando na diminuição do valor pago nas faturas de energia, sendo o resultado desta diferença a redução esperada. Os valores pagos nas faturas de energia elétrica serão estimados utilizando-se o programa desenvolvido e apresentado na Seção IV. Fig. 8. Fluxo de caixa dos custos do GMG. A cerca dos encargos recorrentes em uma fatura de energia elétrica: O ICMS possui um valor fixo em 29% para Goiás atualmente, sendo então o valor adotado neste trabalho. Já o COFINS e PIS possuem valores flutuantes. Assim sendo, neste trabalho foi adotada uma média para eles, observando-se a variação dentro do período de um ano. Através de faturas de energias do Centro de Eventos pagas à concessionária local (CELG D), correspondentes ao período de outubro de 21 e setembro de211, o valor do COFINS pode ser estimado em 4,5612% e o valor do PIS em,993%. Inserindo-se os dados das faturas de energias compreendidos no período de outubro de 21 a setembro de 211 no programa desenvolvido e utilizando os valores dos encargos definidos acima, obtém-se um custo anual da fatura de energia elétrica de R$ ,66. Observa-se que neste período o Centro de Eventos esta enquadrado na modalidade tarifária Horossazonal Verde. Os efeitos do GMG sobre a fatura de energia foram definidos utilizando-se como base as medições realizadas. Nas Figs. 1 e 2 pode-se observar o maior valor de potência solicitada fora do intervalo de tempo de operação do GMG. Esta solicitação é de aproximadamente 4 kw, resultando numa possibilidade de reenquadramento tarifário para 5 kw de demanda contratada. No horário de ponta sem o acontecimento de eventos verifica-se o funcionamento de determinadas cargas como, por exemplo: letreiro, iluminação de fachada e marquise, correspondendo a uma solicitação de potência de aproximadamente 5,5 kw. Será considerado para os efeitos de cálculos desta análise um consumo de 363 kwh mensal no horário de ponta. Ainda considerando a situação sem a ocorrência de eventos, a solicitação de maior demanda (2 kw) no horário fora de ponta corresponde a 22 horas ao mês, resultando em um consumo de 4.4 kwh mensal. A solicitação de menor demanda (5,5 kwh) no horário fora de ponta corresponde a 354 horas ao mês, resultando em um consumo de kwh mensal.

5 Segue diferentes situações contratuais para considerar as alternativas disponíveis utilizando o GMG. A. Utilização do GMG Sem Revisão Tarifária Contratual Para esta situação, aqui denominada de situação 1, serão considerados apenas os efeitos referentes à redução do consumo proveniente do uso do GMG, o contrato de fornecimento de energia permanecerá em 45 kw de demanda, optante da modalidade tarifária Horossazonal Verde, situação atual do contrato do Centro de Eventos. Encontrou-se um novo valor anual da fatura de energia elétrica de R$86.227,28, com redução anual de custos de R$ ,38. B. Utilização do GMG Com Novo Contrato de 5 kw de Demanda Nesta situação, aqui denominada de situação 2, há a adoção de um novo contrato de fornecimento de energia, com demanda contratada em 5 kw e modalidade tarifária Horossazonal Verde (melhor opção definida pelo programa desenvolvido). Obteve-se uma redução anual de custos de R$ ,67. C. Utilização do GMG Sem Alteração de Contrato no Primeiro Ano A situação aqui apresentada será denominada situação 3. Depois de firmado um contrato de fornecimento de energia, o consumidor deve esperar um período de tempo correspondente a ciclos de faturamento antes de alterar sua modalidade tarifária [2]. Em vista disto, esta situação foi idealizada para o pior caso desta condição, onde todo o primeiro ano de utilização do GMG estará limitado ao uso do contrato de 45 kw de demanda, firmando um novo contrato de 5 kw apenas no início do segundo ano. No primeiro ano a redução esperada será a mesma definida na situação 1, ou seja, R$ ,38, e para os demais anos a redução definida na situação 2, ou seja, R$ ,67. D. Utilização do GMG Com Novo Contrato para 5 kw de Demanda e Previsão de Ultrapassagem na Demanda Para esta situação, aqui denominada situação 4, foi considerada uma condição em que o GMG não operasse em determinado evento, ocasionando uma solicitação adicional de demanda da concessionária, por possuir um contrato de 5 kw de demanda, resultaria em ultrapassagem de demanda na fatura de energia. Foi considerada a ocorrência da falta do GMG em apenas um mês do ano, pois com as manutenções periódicas realizadas corretamente, este seria um possível cenário durante o ano. Neste mês será considerada uma solicitação de demanda de 35 kw, por ser o máximo valor observado nas medições realizadas. Conforme já mencionado o tempo de duração dos eventos é considerado em 7 horas, envolvendo o horário de ponta e certo intervalo fora do horário de ponta. Assim sendo estima-se o consumo de 1.5 kwh em cada intervalo de tempo aqui mencionado. Encontrou-se um novo valor anual da fatura de energia elétrica de R$34.234,14, com redução anual de custos de R$ 18.64,52. E. Análise das Situações Apresentadas Nesta seção será considerada a inflação através da taxa do IGP-M, com base no ano de 21 (11,322%) [6], por ser a maior dos últimos cinco anos. Para a taxa de juros, será utilizado o valor de,5% ao mês, por ser a taxa usual da poupança, desconsiderando a taxa referencial [7], portanto a taxa de juros será de 6,17% ao ano. Assim sendo obtêm-se uma taxa de 18,19% ao ano. Com esta taxa definida e juntamente com os fluxos de caixa de cada situação apresentada anteriormente, foi elaborado o gráfico exibido na Fig. 9, onde esta relacionado o VPL para cada situação observada. Ainda em relação à Fig. 9 nota-se que nem mesmo para a situação de melhor previsão de redução de custos foi possível a viabilização da aquisição do GMG, considerando apenas reduções de custos diretamente ligadas à energia elétrica. VPL [R$] x 15 Situação1 Situação2 Situação3 Situação Ano referente Fig. 9. VPL para cada situação observada. F. Considerando Utilização do Espaço As receitas consideradas neste trabalho são aquelas que a instituição deixaria de desembolsar com locação de espaço similar, bem como aquelas que a instituição poderia obter através de locação. Para estimar a receita, foram consultados valores de locação para espaços de proporções semelhantes aos encontrados no Centro de Cultura e Eventos da UFG. Esta consulta indicou um valor estimado em R$ 1., na data de 1 de dezembro de 211 na cidade de Goiânia-GO. É oportuno salientar que despesas decorrentes de serviços, materiais e outros, necessários a organização dos eventos não estão inclusos no valor da locação mencionado. Com variação do número de eventos, o consumo de diesel do GMG irá variar proporcionalmente. Para efeito de cálculo, os eventos serão considerados como shows, podendo estimar um uso de sete horas do gerador por evento, conforme informação exposta anteriormente. Utilizando a quantidade de horas mencionada por evento, o consumo de diesel pelo GMG e o valor para o diesel exibido anteriormente encontra-se uma despesa de R$ 1.274,. Pelo exposto entrará na composição do fluxo de caixa um

6 valor de R$ 8.726, como receita anual, de acordo com o número de eventos realizados. Para simular situações distintas de utilização do espaço, foram consideradas quantidades diferentes de eventos realizados anualmente. Neste sentido observa-se que a viabilidade se manifesta a partir da situação que considera seis eventos anuais. Com a realização de oito eventos anuais a constatação da viabilidade é mais interessante por provocar uma redução significativa no tempo de retorno do investimento. Para efeito ilustrativo serão apresentadas as situações nas quais são consideradas realização de quatro e oito eventos anuais, conforme ilustram as Figs. 1 e 11 respectivamente. VPL [R$] x 15 Situação1 Situação2 Situação3 Situação4 economicamente viável. Observa-se que na situação para oito eventos anuais, valor de fácil alcance como pode ser observado pelo perfil de utilização do Centro de Eventos exibido na Fig. 5, os valores de VPL e do tempo de retorno de investimento mostraram ser perfeitamente favoráveis. Além dos aspectos financeiros envolvendo a aplicação do GMG discutidos neste trabalho vale salientar a possibilidade de funcionamento como um sistema de emergência, garantindo deste modo a continuidade de suprimento de energia elétrica. Assim sendo alguns cuidados com o GMG, como manutenções preventivas, testes antes dos eventos, e outras medidas, devem ser estabelecidos. O estudo desenvolvido mostra uma interessante metodologia para a análise de viabilidade econômica do uso de fonte alternativa para suprimento de energia elétrica, em um consumidor cuja demanda tem comportamento intermitente. É importante destacar que para este tipo de aplicação de fonte alternativa, não é possível trabalhar somente com uma redução do consumo, prática usual utilizada no horário de ponta, sendo necessário o estudo dos impactos da expectativa da demanda, para efetivação de reenquadramento tarifário Ano referente Fig. 1. VPL com realização de quatro eventos. VPL [R$] x 1 4 Situação1 Situação2 Situação3 Situação Ano referente Fig. 11. VPL com realização de oito eventos. Para este cenário, as situações 2, 3 e 4 mostraram-se economicamente viáveis com tempo de retorno de investimento respectivos de 5 anos e 11 meses, 8 anos e 11 meses, e 7 anos e 9 meses, com a situação 1 permanecendo inviável economicamente. VII. CONCLUSÕES Da análise que considera receitas provenientes de utilização do espaço, conclui-se que a aplicação do GMG torna-se VIII. REFERÊNCIAS [1] FLUKE. Fluke 434/435 Three Phase Power Quality Analyzer: Users Manual. Abr. de 26. Rev. 3, dez. de 28. [2] AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Resolução Normativa Nº de setembro de 21. [3] CUMMINS POWER GENERATION. Grupos Geradores Acionados por Motor Diesel: C5D6. Jun. de 29. Disponível em: < Acesso em: 1 nov. de 211. [4] CAMARGO, Ivan. Noções Básicas de Engenharia Econômica: Aplicações ao Setor Elétrico. Brasília, DF, [5] CUMMINS POWER GENERATION. Manual de Operação de Manutenção: Motores QSX15 para Aplicação Industrial e Geração de Energia. 22 mai. de 26. [6] FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Índice Geral de Preços: IGP-M. Dez. de 211. Disponível em: <http://portalibre.fgv.br>. Acesso em: 3 fev. de 212. [7] BANCO CENTRAL DO BRASIL. Poupança. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/portalcidadao/indecon/poupanca.asp?idpai= portalbcb>. Acesso em: 3 fev. de 212. IX. BIOGRAFIAS Adriano Machado dos Santos. Graduado em Engenharia Elétrica pela UFG no ano de 211. Euler Bueno dos Santos. Engenheiro Eletricista (1977) e Bacharel em Física (1979), ambos pela UFG. Mestre (1993) e Doutor (2) em Engenharia Elétrica pela UFU. É professor associado da UFG. Paulo César Miranda Machado. Engenheiro Eletricista (1979) e Bacharel em Física (1979), ambos pela UFG. Especialista (1987) em Engenharia Elétrica pela UFU e Mestre (1996) em Física pela UFG. Doutor (211) em Engenharia Elétrica pela University Of Leeds. É professor titular da UFG. Antônio Cesar Baleeiro Alves. Engenheiro Eletricista graduado pela UFG em Mestre em Engenharia Elétrica pela UFU em 1991 e Doutor pela UNICAMP em É professor associado da UFG. Antonio Melo de Oliveira. Possui graduação em Engenharia Elétrica pela UFPE (198), mestrado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP (1985) e doutorado em Engenharia Elétrica pela USP (1993). É professor titular da UFG. Tássio Ramos Fagundes. Graduado em Engenharia Elétrica pela UFG no ano de 211.

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