Ajuste Macro implica em baixo crescimento para 2015

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1 1 Ajuste Macro implica em baixo crescimento para 2015 Maurício Molan Setembro 2014

2 Conclusão 2 O ambiente internacional não é tão ruim. Porém, tende a se tornar menos benigno nos próximos anos O Brasil possui bons fundamentos macroeconômicos O que reduz a probabilidade de crise ou recessão profunda Mas não dá para negar que existem importantes desafios... MAS...conjunturais......estruturais......sugerindo que 2015 será um ano difícil...que limitam o crescimento potencial

3 Ambiente Internacional Menos Favorável 3 China Crescimento mais moderado com diversos riscos Zona do euro Recuperação Estados Unidos Recuperação com tendência de elevação de juros O resultado final é crescimento mais acelerado das economias desenvolvidas e mais modesto para as economias emergentes: ruim para commodities e fluxo de capitais

4 Colocando a Conjuntura Global em Perspectiva Juros e Liquidez Global ainda muito favoráveis, e por um longo tempo 4 Taxa de Juros do Título de 10 anos Tesouro Norte Americano (% ao ano) Fluxos Líquidos de Capitais para Economias Emergentes (USD Bilhões) US$ 1.2 trilhões US$ 1 trilhão Taxa Neutra Estimada: 4% 1.5% 3% US$ 300 bilhões Fonte: Bloomberg e Institute of International Finance

5 Brasil: Vulnerabilidade - Fundamentos Ajustados...no que se refere à solvência (interna e externa) 5 Reservas Internacionais Dívida Líquida do Setor Público 2003 US$ 56 bi US$ 362 bi. Dívida Externa 2003 US$ 235 bi US$ 308 bi % do PIB % do PIB Desemprego % % Fonte: Banco Central do Brasil e IBGE

6 Algumas Oportunidades Tamanho mercado não dá pra ficar fora do Brasil e do mercado de consumo 6 Consumo Annual das Famílias (USD Bn) Investimentos Estrangeiros Diretos 1 United States 10,729 2 Japan 3,544 3 China 2,517 4 Germany 2,066 5 França 1,599 6 The UK 1,573 7 Brazil 1,494 8 Italy 1,346 9 Canada 1, Spain United States 167,620 2 China 121,080 3 Hong Kong 74,584 4 Brazil 65,272 5 UK 62,351 6 Australia 56,959 7 Cingapore 56,651 8 Russia 51,416 9 Canadá 45, Chile 30,323 Fonte: Unctad, World Bank and OCDE

7 Algumas Oportunidades para Produtos Específicos Bônus demográfico Crescimento da População por Idade totas as idades a 14 anos 15 a 64 anos acima 65 anos +1.4 million -700 k +1.5* million People per year +600 k Source: IBGE e DIEESE PIA working age population, 120MM X PEA labor market 75 MM

8 A consolidação da classe C continuará a ter repercussões favoráveis para o mercado mesmo que o ritmo de crescimento seja menor daqui para frente 8 Renda / Mês / Família Classe AB Classe C Classe DE Milhões de Pessoas por Classe Social % por ano 6% por ano -5% por ano % por ano 4% por ano -8% por ano Massa de Rendimentos por Classe Social R$ 2 trilhões R$ 2.5 trilhões R$ 500 bi. + R$ 200 bilhões por ano + R$ 100 bilhões por ano - R$ 50 bilhões por ano R$ 2.6 trilhões R$ 2.7 trilhões R$ 400 bi Fonte: Estimativas Santander com base em dados do Centro de Pesquisas Sociais da FGV

9 Ambiente Macro - Doméstico 9 Brasil: Desaceleração da atividade econômica associada ao esgotamento do modelo Necessidade de ajuste da política econômica em 2015 Eleições serão determinantes para o cenário de econômico 2016 em diante De qualquer forma: correção do câmbio, inflação e juros elevados e crescimento modesto

10 Brasil O problema da oferta 10 Não há mais ociosidade no mercado de trabalho Existe um ajustamento das condições do mercado de trabalho = restrição de oferta Oferta de Mão de Obra 4.0% 3.5% 3.0% 2.5% 2.0% Emprego(PO) 1.5% 1.0% 0.5% 0.0% -0.5% -1.0% Jan-05 Aug-05 Mar-06 Oct-06 May-07 Dec-07 Jul-08 Feb-09 Sep-09 Apr-10 Disponibilidade de Mãode Obra (PIA) 0.2% -0.1% Oferta de Mão de Obra (PEA) Nov-10 Jun-11 Jan-12 Aug-12 Mar-13 Oct % Fonte: IBGE

11 Brasil A necessidade de ajuste macro (1) 11 Conter a inflação e ao mesmo tempo corrigir o preço da gasolina e as tarifas de eletricidade para reduzir o impacto fiscal do subsídio Conter a inflação e ao mesmo viabilizar o ajuste de preços relativos (câmbio) 12.0% 11.0% 10.0% 9.0% 8.0% 7.0% 6.0% 5.0% 4.0% 3.0% 2.0% Jan-02 % YoY Jan-03 IPCA (% interanual) + 2 p.p. Jan-04-2 p.p. Jan-05 Jan-06 Jan-07 Ex Alimentos e Administrados Jan-08 Jan-09 Jan-10 Jan-11 Meta Jan-12 Jan-13 Jan % 6.4% IPCA 10.0% 9.0% 8.0% 7.0% 6.0% 5.0% 4.0% 3.0% 2.0% 1.0% 0.0% Jan-02 % YoY BRLde 3.00 to 2.00 Jan-03 Jan-04 IPCA (% interanual) Jan-05 Jan-06 Jan-07 Jan-08 Jan-09 Jan-10 Serviços Jan-11 Jan-12 Semi e Duráveis Jan-13 Jan % 8.0% Fontes: IBGE e Banco Central do Brasil

12 Brasil A necessidade de ajuste macro (2) 12 Ajustar contas públicas: elevar o superávit primário e começar a controlar o ritmo de crescimento dos gastos Resultado Primário (% do PIB) % do PIB Carga Tributária (esquerda) Gastos (esquerda) Superávit Primário Recorrente (direita) 4% 3.3% % 20.0 Dec-97 Aug-98 Apr-99 Dec-99 Aug-00 Apr-01 Dec-01 Aug-02 Apr-03 Dec-03 Aug-04 Apr-05 Dec-05 Aug-06 Apr-07 Dec-07 Aug-08 Apr-09 Dec-09 Aug-10 Apr-11 Dec-11 Aug-12 Apr-13 Dec-13 Aug-14 (2.0) Fontes: IBEF, BCB e estimativas Santander 12

13 13 Brasil A necessidade de ajuste macro (3) Risco País - fiscal FED - liquidez Commodities China BCE Fundamentos competitividade / contas externos Intervenção BCB Custos Unitários do Trabalho Exposição do BC em Swaps Jan-02 Jul-02 Jan-03 Jul-03 Jan-04 Jul-04 Jan-05 Jul-05 Jan-06 Jul-06 Jan-07 Jul-07 Jan-08 Jul-08 Jan-09 Jul-09 Jan-10 Jul-10 Jan-11 Jul-11 Jan-12 Jul-12 Jan-13 Jul-13 Jan-14 Fonte: IBGE, Brazilian Central Bank

14 Recessão não é inequívoca nem inevitável 14 Indicadores de confiança e massa salarial não sugerem PIB negativo Expansão fiscal ainda é substancial Ano que vem dependerá do reequilíbrio: confiança x fiscal x monetária Confiança Empresário X Investimentos Confiança Consumidor x Poupança das Famílias Poupança indo a 9%??? Fonte: FGV, IBGE e estimativas Santander

15 Recessão não é inequívoca nem inevitável 15 Renda das famílias x Massa salarial deve seguir crescendo Inconsistência confiança do empresário x Investidores (Mercado Financeiro) Renda Famílias (Massa Salarial) Confiança Empresário e Ibovespa Massa Salarial = Salários x Emprego 10.0% 8.0% Emprego 6.0% 5.5% 4.6% 4.0% 2.5% 2.0% Salários 0.0% -2.0% Jan-05 Sep-05 May-06 Jan-07 Sep-07 May-08 Jan-09 Sep-09 May-10 Jan-11 Sep-11 May-12 Jan-13 Sep-13 May % Ibovespa (% YoY) Confiança Empresário 100% 80% 60% 40% 20% 0% -20% -40% -60% Jan-01 Jan-02 Jan-03 Jan-04 Jan-05 Jan-06 Jan-07 Jan-08 Jan-09 Jan-10 Jan-11 Jan-12 Jan-13 Jan Fonte: IBGE e Bloomberg

16 Esgotamento do Ciclo de Consumo 16 Crédito Sem espaço para manter o ritmo de crescimento do crédito muito acima de 10% por ano comprometimento de renda já em elevação Aumento da participação das famílias na renda Impossibilidade de manter ganhos salariais acima dos ganhos de produtividade - câmbio Gasto do Governo e Programas Sociais Muito menos espaço para expansão de despesas + ciclo político Estímulos governamentais ao consumo Expansão de consumo sem contrapartida em aumento da capacidade produtiva gera inflação e déficit em Translações Correntes NÃO CRESCIMENTO

17 17 PROJEÇÕES SANTANDER PIB (%) Crescimento do PIB Inflação (%) IPCA-IBGE IGP-M Taxa de Câmbio R$/US$ - final de período R$/US$ - média Taxa de Juros (% a.a.) SELIC - final de período Balança de Pagamentos Exportações (US$ bi) Importações (US$ bi) Saldo Comercial (US$ bi) Conta Corrente (US$ bi) Investimento Direto Estrangeiro (US$ bi) Contas Fiscais Superávit Primário (% PIB, - = superávit, + = déficit) Dívida Pública Líquida (% PIB)

18 Muito além de Políticas Fiscal e Monetária 18 Aumento da produtividade é condição necessária para aceleração do crescimento no longo prazo Competitividade Ambiente de Negócios Inovação Educação Instituições Eficiência Infra Estrutura Investimentos

19 14 A Armadilha da Renda Média PIB per capita em USD Últimos 20 anos Século XX Produtividade Realocação de fatores de produção por setor (agro indústria) Produtividade média de +3.5% a +4.5% ao ano Incorporação de mão de obra Aumento do salário mínimo Programas sociais Produtividade 1% Desafio Aumento da produtividade dentro de cada setor Inovação, Qualificação, Educação, Novas Tecnologias, Infraestrutura Fonte: IPEA

20 Por uma Agenda de Competitividade 20

21 Por uma Agenda de Competitividade 21 Pesquisa e Desenvolvimento Investimento em P&D (% do PIB) Patentes por pesquisadores 1.2% 1.1% 1.7% 0.4% 1.9% Fonte: UNESCO, WEF (2012) E Banco Mundial A Armadilha da Renda Média. Lia Valls Pereira, Fernando Veloso e Zheng Bingwen

22 Por uma Agenda de Competitividade 22 Educação: A partir de 10 anos de estudo, cada ano adicional acrescenta cerca de R$ 250 ao salário mensal do indivíduo, ou 30% a mais. Investimento em Educação (% do PIB) % da população acima de 15 anos com secundário completo 33% 47% 55% 41% 61% Fonte: UNESCO, WEF (2012) E Banco Mundial A Armadilha da Renda Média. Lia Valls Pereira, Fernando Veloso e Zheng Bingwen

23 Por uma Agenda de Competitividade 23 Poupança O Brasil necessita investimentos acima de 20% do PIB para crescer mais que 4% por ano, mas a poupança doméstica raramente supera 18% do PIB. O gasto com pensão por morte no Brasil é de 3.5% do PIB, contra uma média mundial ao redor de 1% do PIB O gasto com Benefícios Previdenciários no Brasil totalizam 12% do PIB contra 4%, em média, nos países de mesmo perfil etário Fontes: IBGE e World Bank Doing Business project, and World Economic Forum, - Competitiveness Report

24 Por uma Agenda de Competitividade 24 Burocracia As empresas Brasileiras gastam, em média, horas para com realizar os procedimentos referentes ao pagamento dos 3 impostos mais importantes. No resto do mundo esse dado oscila entre 200 e 400 horas. Fontes: IBGE e World Bank Doing Business project, and World Economic Forum, - Competitiveness Report

25 Por uma Agenda de Competitividade Infraestrutura 25 Segundo pesquisa do World Economic Forum em uma amostra de 144 países O Brasil é: 120º colocado em Rodovias 103º colocado em Ferrovias 131º. Colocado em Portos 123º.colocado em aeroportos Segundo pesquisa do World Economic Forum em uma amostra de 144 países O Brasil é: 76º colocado em Qualidade da oferta de energia elétrica 45º colocado em assinaturas de telefonia celular 52º colocado em telefonia fixa Fontes: IBGE e World Bank Doing Business project, and World Economic Forum, - Competitiveness Report

26 Mercado Imobiliário Momento atual é de ajuste fragilidade 26 Oportunidade de médio prazo: déficit habitacional e crédito Preços: alguma correção pode ocorrer, mas preços não parecem exagerados

27 Crédito segue crescendo acima do PIB nominal, principalmente para o mercado imobiliário 27 Crescimento do Crédito (em 12 meses) 28.9% 13.7% 7.8% Fonte: BCB -6.9% Consignado Habitacional Veículos Outros (consumo)

28 28 Endividamento das Famílias (% da renda Disponível) Endividamento Total 45.7% Endividamento 29.5% 20 (exceto crédito 16.2% 15 habitacional) 10 Endividamento 5 Crédito Habitacional 0 Jan-05 Sep-05 May-06 Jan-07 Sep-07 May-08 Jan-09 Sep-09 May-10 Jan-11 Sep-11 May-12 Jan-13 Sep Comprometimento de Renda das Famílias (% da renda Disponível) Comprometimento Total Comprometimento (exceto crédito habitacional) Comprometimento Crédito Habitacional 21.3% 19.5% 1.8% 0.00 Jan-05 Sep-05 May-06 Jan-07 Sep-07 May-08 Jan-09 Sep-09 May-10 Jan-11 Sep-11 May-12 Jan-13 Sep-13 Fonte: BCB

29 O Brasil ainda está extremamente defasado em relação aos países de mesma renda, no que se refere à infra estrutura urbana e déficit habitacional País (Renda per Capita em USD) Percentual da População com Acesso a Serviços de Água e Esgoto 29 Uruguay (14.000) Hungary (13.000) Croatia (13.000) Libya (12.800) Kazakhstan (12.000) Chile (15.400) Malaysia (10.500) Turkey (10.500) Mexico(10.100) Brazil (12.340) Russia (13.700) Fonte: Hypostat e Banco Mundial

30 O Brasil ainda está extremamente defasado em relação aos países de mesma renda, no que se refere à infra estrutura urbana e déficit habitacional 30 Relação entre Infra Estrutura Urbana e Crédito Imobiliário % de Residências com Acesso a Serviços de Água e Esgoto Ecuador Turquia Guatemala Colômbia Rússia Thailandia México Brasil Peru El Salvador Chile Costa Rica Crédito Habitacional / PIB Redução do Déficit Habitacional / Acesso a Serviços de Água e Esgoto Intimamente Ligado ao Desenvolvimento do Mercado de Crédito Habitacional Fonte: Hypostat e Banco Mundial

31 Não vemos bolha no mercado imobiliário 31 90% das residências são compradas para uso próprio Loan to value baixo = dificuldade de alavancagem para especulação Taxa de juros (ao redor de 10%) ainda muito alta (principalmente considerando o baixo loan to value implica percentual não financiado a custo de oportunidade Implicações para o sistema bancário: queda de 40% dos preços de imóveis baixaria o indice médio de Basiléia para 12% 31

32 Não vemos bolha no mercado imobiliário 32 Aumento de Preço não Necessariamente Significa Bolha Preços Imóveis 187% 11% 159% Custode Alimentação fora do Domicílio 2,003 2,004 2,005 2,006 2,007 2,008 2,009 2,010 2,011 2,012 2,013 Fonte: BCB e IBGE 32

33 Não vemos bolha no mercado imobiliário 33 Loan to Value Médio zona de perigo zona de atenção Fonte: Bain & Company, Risco de Bolha ou Motor do Crescimento 33

34 Conclusões Mudança de paradigma em relação à performance do consumo deixa de ser o motor do crescimento Expansão do setor de serviços deve desacelerar, contudo com renda real em alta, não há espaço para retração do crescimento Particularmente nos próximos dois anos depende da magnitude do ajuste variável política Não dá para acreditar em grande contração ou crise Oportunidades em segmentos específicos 34

35 Obrigado! 35

36 SANTANDER PRESENT IN OVER 40 COUNTRIES 36 STRICTLY CONFIDENTIAL

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