Cenário Macroeconômico 2015 X-Infinity Invest

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1 Cenário Macroeconômico 2015 X-Infinity Invest

2 SUMÁRIO PANORAMA 3 ATUAL CONTEXTO NACIONAL 3 ATUAL CONTEXTO INTERNACIONAL 6 CENÁRIO CONTEXTO INTERNACIONAL 7 CONTEXTO BRASIL 8 PROJEÇÕES 9 CÂMBIO 10 CONCLUSÃO 12

3 3 PANORAMA O cenário para 2015 demanda extrema cautela, pois o Brasil está no limiar de repetir no próximo ano os resultados de 2014, com uma série de agravantes que aumentam a sensibilidade dos indicadores macroeconômicos, principalmente àqueles ligados à inflação. Nosso cenário preliminar leva em consideração os principais aspectos que devem reger a economia no próximo ano e como tradição, divulgaremos ao final de janeiro uma revisão dos números aqui apresentados, em face aos fechamentos de 2014 e inferências estatísticas para ATUAL CONTEXTO NACIONAL Fechamos o contexto nacional de 2014 com: Inflação muito próxima da meta determinada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional); Taxa de juros (Selic 11,75% aa) que supera todas as projeções médias dos analistas, devido às atitudes tomadas pelo Banco Central até às vésperas das eleições majoritárias de outubro; Elevações de custos de produção de diversos setores, representadas pelas correções de valores de combustíveis e energia elétrica; Crescimento econômico próximo de zero, passando por um trimestre de recessão técnica; Elevado déficit de conta corrente e o pior déficit comercial para novembro em 20 anos; Déficit Primário e manobras políticas para alterar as regras da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO);

4 4 Desvalorização cambial acelerada, com dólar médio a R$ 2,34 até o início de setembro e se aproximando de R$ 2,60 em dezembro; Queda na produção industrial de 3% no acumulado ate outubro; Ibovespa com crescimento próximo a zero; Vendas ao Varejo com o pior resultado desde 2002; Secas persistentes no sul e sudeste e chuvas excessivas no norte e nordeste. Nem mesmo a Copa do Mundo, alardeada pelo governo como grande impulsionador econômico foi capaz de trazer avanços significativos ao país em Pelo contrário, pois o excesso de feriados e a valorização cambial no período atingiram em cheio a cadeia produtiva e os gastos de estrangeiros no país não foram suficientes para cobrir os custos dos dias parados e das obras para o evento, levando a uma recessão técnica no período. Um dos pontos fulcrais da economia brasileira continua a ser o desemprego em queda, porém o indicador possui alguns condicionantes em sua leitura, além de um efeito colateral. A queda não ocorre totalmente pela criação de um maior número de postos de trabalho e sim pela redução do número de pessoas habilitadas a trabalhar deixando de procurar ocupação. Isso é demonstrado pelo fechamento de 30 mil vagas formais em novembro, segundo o ministério do trabalho e da pior criação de novos postos de trabalho de janeiro a outubro de 2014 em 12 anos. Deste modo, o mercado de trabalho já reflete o restante do panorama macroeconômico, apesar do dado de desemprego parecer animador. Porém, mesmo que consideremos como positiva a medida de desemprego em outubro deste ano (4,7%), há um problema inserido neste contexto.

5 5 Se o dado estiver correto, há uma parcela significativa da população ocupada e com renda disponível. Mesmo assim, esta população reduziu sensivelmente seu consumo, como apontado na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, onde o crescimento foi de 2,9% acumulado até setembro, enquanto no mesmo período do ano passado acumulava crescimento de 3,9% e 8,9% em Dentre a série de motivos para tal, podemos citar os seguintes: Contração de renda disponível devido ao endividamento das famílias com a aquisição de bens de alto valor agregado e intensivos em crédito (ex. imóveis, automóveis e linha branca), incentivados pelo governo através de renúncias fiscais (redução de IPI) durante as crises de 2008 e 2010/2011 de modo a estimular a demanda; Expectativas reduzidas de consumo por temores de piora do cenário econômico nos próximos 6 meses a 1 ano; Inflação elevada. Este contexto leva ao que podemos chamar de efeito colateral do desemprego em queda, pois a redução do consumo devido aos motivos acima leva a um represamento da renda disponível. Isso não significa que houve um aumento da poupança, pois até novembro de 2014, a captação havia atingido R$18,61 bilhões, abaixo dos R$ 59,85 bilhões captados até o mesmo período de 2013, segundo o Banco Central (BC). Portanto, onde estaria represada esta renda? Podemos citar quatro fatores: Consumo de bens de baixo valor agregado; Consumo de serviços; Consumo de alimentos; Pagamento de dívidas;

6 6 Neste sentido, temos a explicação para parte da persistente alta da inflação, pois o consumo acima citado tem baixíssima aderência ao aperto monetário, ou seja, pouco sofre com a alta dos juros, principalmente os serviços, os quais apresentaram inflação acumulada em 12 meses de 8,28% no IPCA, contra 6,56% do índice cheio de novembro. Com isso, o cenário para o fechamento de 2014 confirma as premissas de baixa atividade econômica, pressão de preços e juros altos. ATUAL CONTEXTO INTERNACIONAL Citaremos por alto o contexto internacional de 2014 exatamente por se distanciar do ocorrido no Brasil em diversos países chave do mundo, porém os desígnios de 2015 serão de suma importância para os rumos da economia brasileira no mesmo período. Os EUA apresentaram em média um dos melhores desempenhos globais entre as economias centrais. A atividade econômica no país se mostra moderada segundo o Federal Reserve, porém o mesmo reforça a possibilidade do início do aperto monetário no próximo ano em confluência da evolução dos indicadores como um todo, inclusive com o fim do programa de estímulos à liquidez em já ocorrido em outubro, após a compra final de US$ 15 bilhões em bônus do governo. Um dos principais indicadores nos EUA continua a ser o mercado de trabalho, onde o desemprego caiu de 6,7% em janeiro para 5,8% em novembro, com a criação recorde de 321 mil postos de trabalho em novembro. Um dos principais pares americanos, o Japão seguiu um plano de estímulos econômicos que também derrubou o desemprego de 4% em janeiro para 3,5% em novembro, algo significativo em termos japoneses, porém a persistente deflação, uma recessão técnica e o aumento de impostos levou a recente dissolução do congresso, num movimento bem recebido pelos investidores como uma continuidade da busca por uma maior pressão de demanda.

7 7 Na Europa, a Alemanha e o Reino Unido continuam a serem os principais guias de uma tentativa de recuperação da ainda presente crise de 2010/2011. A sofrida Espanha conseguiu apresentar um crescimento de 1,6% no último PIB, o dobro da média da Zona do Euro, a qual atingiu 0,8%, enquanto a Alemanha apresentou crescimento de 1,2%, Reino Unido de 3% e na ponta contrária, Itália com -0,5% e França com 0,4%. O desemprego continua a ser o principal problema da região a ser sanado com urgência. E por fim, os componentes dos BRICs também tiveram um 2014 sofrido devido à queda do preço internacional das commodities, porém com indicadores superiores ao Brasil, onde a Rússia cresceu 0,7% na última medida do PIB contra o mesmo período em 2013, a Índia cresceu 5,3% e a China, 7,3%, contra uma contração de 0,2% do Brasil. Portanto, contrariando a premissa governamental, não foi a crise internacional o maior problema para o país. CENÁRIO 2015 CONTEXTO INTERNACIONAL Para 2015, reforçamos a premissa de uma melhora do contexto internacional, capitaneado pela recuperação contínua dos EUA, os esforços e estímulos reservados pelo BCE à Zona do Euro, o reforço do plano japonês de estímulo ao consumo e um contexto se desenhando de maneira um pouco mais confortável aos emergentes, apesar da ainda forte queda do preço das commodities, reforçada pela sinalização de um menor valor do petróleo da OPEP para os EUA em A China pode dar continuidade à queda de juros e estímulos ao setor imobiliário e industrial, principalmente por um custo de produção reduzido pela queda do preço internacional do aço. A questão climática continuará altamente em voga no mundo devido a todas as fortes distorções observadas em 2014, principalmente pelo forte impacto econômico já presente no globo.

8 8 Novamente nos EUA, o crescimento econômico e a recuperação da atividade industrial pós 2008 pode levar a um aumento de juros ainda no primeiro trimestre e o tamanho deste aperto tende a definir a tendência para o valor global do dólar, podendo ser muito positivo para economias como a Zona do Euro, Japão e China. CONTEXTO BRASIL Em termos locais, a necessidade de reajustes da economia brasileira deve impedir que o país receba os bônus de uma possível continuidade da recuperação macroeconômica global e receba os ônus da valorização do dólar frente ao Real. O mal fadado Custo Brasil (infraestrutura ruim, juros altos, burocracia e matriz tributária altamente complexa) faz com que os pretensos ganhos do setor exportador com a desvalorização cambial se esvaiam e a falta de competitividade dificulte o encaixe de produtos nacionais vis-à-vis a nosso pares internacionais. Além disso, a forte dolarização da indústria nacional faz com que um Real mais fraco se traduza como inflação mais alta de maneira quase imediata. Como não há perspectiva concreta de, ao menos, uma reforma tributária, a tendência é que continuemos num contexto de mercado internacional semelhante ao de 2014.

9 9 PROJEÇÕES Deste modo, concluímos as seguintes projeções: ANO INDICADOR PIB (aa) 0,10% 0,00% JUROS (SELIC) (aa) 11,75% 12,50% R$/US$ (fim de período) 2,58 3,00 IPCA (aa) 6,50% 6,50% IGP-M (aa) 3,60% 6,00% INPC (aa) 6,43% 6,44% PREÇOS ADMINISTRADOS (aa) 5,35% 7,90% VENDAS AO VAREJO (Restrito) (aa) 3,00% 3,10% CONTA CORRENTE (US$, bi) (aa) -83,00-85,00 BALANÇA COMERCIAL (US$, bi) (aa) 0,00 2,00 IED (US$, bi) (aa) 60,00 49,00 Produção Industrial (aa) -2,50% 0,00% Fonte das Projeções: Jason Freitas Vieira Economista / Corecon

10 10 CÂMBIO O cenário de câmbio é o mais complexo, pois depende em grande parte da possibilidade de elevação de juros por parte do Federal Reserve e ao mesmo tempo, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil tende a se reduzir enquanto as notícias relacionadas à Petrobrás continuem em voga, o que deve se estender a praticamente todo do primeiro semestre. Para o câmbio Real Dólar Americano, mantemos o seguinte cenário: Dólar 3,50 3,64 3,00 2,50 2,00 1,50 2,93 3,00 2,58 2,72 2,75 2,40 2,28 2,35 2,15 2,08 2,40 1,79 1,84 1,75 1, Fonte: 1 BCB / Proj. Jason Freitas Vieira - Economista 45% de probabilidade Dólar atinge os R$ 3,00 após duas elevações de juros nos EUA, também com a redução do fluxo de capitais financeiros estrangeiros ao Brasil, balança comercial com saldo zero no acumulado do ano, redução do fluxo de investimentos externos diretos e déficit com conta corrente elevado; 35% de probabilidade Dólar atinge os R$ 2,75 pelos mesmos motivos acima citados, com exceção de somente uma alta nos juros americanos, uma possível reversão no comércio internacional com a melhora na atividade de economias

11 11 centrais como os EUA, Alemanha, Japão e China, reduzindo o déficit de conta corrente e para US$ 78 bilhões, com superávit de conta corrente de US$ 7 bilhões; 20% de probabilidade Dólar atinge os R$ 2,40 devido a uma melhora mais acentuada da economia de países centrais, elevando a demanda por commodities e melhorando o cenário econômico para países emergentes, entre eles o Brasil e sem que os EUA sintam necessidade de elevar os juros. Com isso, as perspectivas de piora da economia se reduzem, elevando o fluxo externo de capitais financeiro e de investimento direto.

12 12 CONCLUSÃO As premissas de atividade econômica para 2015 se assemelham muito às 2014, sem contar com o efeito negativo que a Copa do Mundo e as eleições trouxeram. Os substitutos destes eventos serão: A necessidade de diversos ajustes por parte do governo, como a não renovação do corte do IPI para linha automotiva, o que pode também acontecer em breve na linha branca; Redução de subsídios aos bancos públicos e de investimentos; Alteração no pagamento de pensões por morte e no segurodesemprego; Fim do abono salarial; Retorno da CIDE; Aumento do IOF sobre empréstimos; Retorno da CPMF (especulado). Conforme citamos acima no efeito de represamento da renda, a tendência de uma persistência da inflação é grande e com isso o Banco Central deve operar de maneira ainda mais intensa o aperto monetário, além da elevação do depósito compulsório. Tudo isso deixa muito pouco espaço para estímulos econômicos, que faz coerente a projeção de crescimento Zero em ECONOMISTA RESPONSÁVEL: JASON FREITAS VIEIRA

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