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1 CATÓLICA RESEARCH CENTER FOR THE FUTURE OF LAW ALGUNS VETORES FUNDAMENTAIS (Janeiro de 2013) Rui Medeiros Centro, Escola e Faculdade 1. Centro da Escola de Lisboa (ainda que transitoriamente) e que, nessa medida, responde perante a Escola e o seu Diretor. 2. Centro único da Escola e, nessa medida, Centro agregador da investigação a realizar em ligação com a Global. Centro, docentes e investigadores 3. O Centro constitui uma oportunidade para colocar em diálogo e em trabalho conjunto os docentes da Universidade com investigadores de origens profissionais e académicas diversas. 4. Naturalmente, o Centro deve integrar todos os docentes da Escola que pretendam realizar a sua investigação no seu âmbito. E, em particular, o Centro conta com as iniciativas que todos os doutores e, de modo muito especial, todos os doutores dedicados em pleno à Faculdade pretendam desenvolver dentro do paradigma diferenciador do Centro. 5. Todavia, a não coincidência entre docentes e investigadores do Centro releva, pelo menos, a dois níveis: i) por um lado, o Centro é assumidamente aberto quer aos docentes da Escola que pretendam fazer nele investigação, quer a docentes de outras escolas ou faculdades e a investigadores de elevadíssimo mérito científico, nacionais ou estrangeiros, que desejem integrarse no Centro e nele desenvolver projetos de investigação. A abertura a investigadores não ligados à Escola constitui uma oportunidade única, num momento em que os quadros das melhores faculdades de direito do país estão preenchidos, para recrutar para a Católica um grupo de investigadores de primeira água. 1

2 ii) Por outro lado, os docentes da Escola que pretendam desenvolver projetos no Centro podem, por essa via, obter incentivos remuneratórios à investigação. Uma aposta num paradigma de investigação diferente 6. Como refere Pedro Garcia Marques, afigura-se fundamental operar uma revolução na investigação científica que quebre o paradigma tradicional da investigação científica tradicionalmente promovida no direito em Portugal ( ). Aquele paradigma poderá ser caracterizado, brevemente, do seguinte modo: i) Numa investigação científica centrada no esforço individual e isolado de um investigador a trabalhar sozinho na sua dissertação; ii) De um esforço individual e isolado prolongado no tempo, por períodos que, não raro, ultrapassam uma década; iii) No uso de técnicas de investigação rudimentares, marcadas por uma abordagem eminentemente teórica e centrada na revisão crítica de bibliografia; iv) Limitada ao tratamento de um conjunto limitado de fontes de informação; v) Desprovida de envolvimento significativo num diálogo científico relevante para a sua feitura; vi) Traduzida em extensas e frequentemente herméticas dissertações monográficas, de difícil consulta e aplicação na prática quotidiana no Direito; vii) Traduzindo-se num esforço de produção científica com escassa ou nenhuma influência na prática jurídica. Pedro Garcia Marques põe ainda o dedo na ferida quando lembra as consequências imediatas do panorama atual na investigação científica no Direito: i) A quase ausência de unidades de investigação dignas desse nome; ii) A excessiva lentidão na progressão do conhecimento científico no Direito; iii) O encerramento da investigação científica do Direito àquela promovida noutras áreas do conhecimento; iv) A enorme dificuldade de influência do pouco pensamento inovador alcançado na investigação na prática jurídica quotidiana; v) A total ausência de tratamento científico de campos problemáticos significativos da prática jurídica; vi) A quase ausência de uma cultura de publicação e de discussão e diálogo científicos permanentes. 2

3 O Centro de Investigação deve, pois, assumir como vocação ser mais um fator decisivo de diferenciação da Católica das faculdades de direito portuguesas relevantes. 7. Uma investigação diferenciada, assente num novo paradigma, pode resultar de projetos de natureza muito diferenciada, mas que deve apresentar pelo menos, uma das seguintes características: i) projetos de investigação em rede ou em equipa; ii) projetos de natureza multidisciplinar; iii) projetos de nível europeu ou internacional ou projetos cujos resultados tenham visibilidade ou reflexos transnacional. 8. Há um segundo fator de diferenciação do Centro que permite o alargamento do seu âmbito de atividade. Com efeito, o Centro de Investigação deve igualmente marcar a diferença pela capacidade de criação de uma casa comum de reflexão e de debate que seja suficientemente atrativa para os próprios investigadores da Escola e se mostre capaz de promover o desenvolvimento de novos projetos. O Centro, nesta perspetiva, deve abrirse aos investigadores e, concretamente, aos docentes da Escola que se encontrem a desenvolver os respetivos projetos de doutoramento. 9. O Centro deve, por fim, como refere ainda Pedro Garcia Marques, assumir o propósito de integrar os doutorandos em programas de investigação a promover no nosso Centro de Investigação, fazendo-os participar ativamente no processo de investigação científica, incentivando-os no esforço de reflexão e estimulando-os à sua discussão aberta no seio do debate científico nacional e internacional que sobre a matéria esteja a decorrer, onde quer que o mesmo decorra. Financiamento, investigação e estudos aplicados 10. O financiamento do Centro é absolutamente fundamental e deve constituir, numa primeira fase, uma absoluta prioridade. As receitas obtidas devem, em larga medida, ser canalizadas para o Centro e para os seus investigadores, permitindo assim diferenciar pela positiva os investigadores que integrem os seus projetos no Centro. Concretamente, em relação aos docentes da Escola, o desenvolvimento de projetos no Centro permitirá remunerações adicionais para além das que resultem do serviço docente e independentemente da categoria docente. 11. O Centro de Investigação deve buscar ativamente formas de financiamento não dependentes do Estado, devendo ter uma estrutura que de forma profissional permita que se faça o levantamento de linhas de investigação (sobretudo, investigação aplicada), nacionais ou estrangeiras, disponíveis. 3

4 Para o efeito, de um ponto de vista prático, afigura-se fundamental: i) procurar de forma sistemática oportunidades de financiamento de projetos; ii) estabelecer canais privilegiados com entidades que disponham de informação privilegiada sobre linhas de investigação disponíveis ou que possuam estruturas profissionalizadas de busca de possibilidades de financiamento de projetos; iii) numa primeira fase, não sendo possível fazer novas contratações, é fundamental que o Centro recorra ao outsourcing para poder obter apoio na elaboração de projetos em candidaturas. 12. O Centro, em vista da dimensão prática que é inerente ao Direito e também do financiamento dos projectos de investigação, deve compreender, além da investigação (vocação primeira do Centro), uma vertente de estudos aplicados. Com efeito, esta segunda dimensão, além de poder contribuir para a própria projeção da Escola, afigura-se fundamental para garantir o financiamento do Centro e dos seus investigadores e, nessa medida, os estudos aplicados são um pressuposto para a própria viabilidade do projeto. Neste sentido, o Centro deve criar também condições para, como foi sugerido em Julho de 2005 pela Maria João Fernandes e pelo Tiago Macierinha, formar um Centro de Pareceres, sejam pedidos diretamente ao Centro, sejam solicitados a investigadores que pretendam desenvolver uma investigação aplicada dentro do Centro. 13. Independentemente da respetiva autonomia institucional, a vocação (também) prática do Centro deve ser articulada com a atividade do Centro de Arbitragem e com outros serviços jurídicos prestados no âmbito da Escola (v.g. atividade desenvolvida para a DGV). Projetos, programas e linhas de investigação entre o curto prazo e o médio/longo prazo 14. Na fase de lançamento do Centro, além da aposta na criação desde já de uma casa comum de reflexão e de debate que seja suficientemente atrativa para os próprios investigadores que se encontram em fase adiantada no desenvolvimento dos respetivos projetos de doutoramento, a prioridade deve estar na procura de projetos ou estudos financiáveis, seja em Portugal, seja no espaço da União Europeia, seja no âmbito dos países de língua oficial portuguesa, seja por fim no plano internacional em geral. 15. Neste sentido, e sem prejuízo de se começar a reflexão desde já, a definição de projetos, programas e linhas de investigação prioritária deve, em larga medida, ser estabilizada apenas numa fase ulterior da atividade do Centro. 4

5 16. É importante, por outro lado, independentemente do financiamento, começar a pensar, já nesta fase inicial de instalação, em projetos que tenham algum dos traços diferenciadores mencionados supra no ponto 7. Projeção externa do Centro 17. Afigura-se fundamental, para além de uma procura sistemática de projetos financiáveis e de uma aposta profissional na elaboração dos projetos de candidatura (incluindo, na fase inicial de instalação, através do recurso ao outsourcing), apostar, na vertente de estudos aplicados, naquilo a que o Dr. Rui Silveira, administrador do BES, na reunião do Conselho Estratégico de Novembro, apelidou da apetência pelo produto, o que exige uma abordagem muito bem estruturada junto dos principais setores de atividade económica. 18. Pode ser importante, esta perspetiva, escolher um ou vários porta estandarte uma hipótese interessante para conferir visibilidade ao Centro enquanto fórum de excelência para realização de estudos aplicados pode passar, por exemplo, pela criação, dentro do Centro, mas em parceria com outras escolas da Universidade Católica e com faculdades estrangeiras, de um Observatório da Reforma do Estado. 19. A projeção do Centro exige, por outro lado, uma aposta clara na comunicação e marketing e uma forte ligação aos alumni. Estrutura organizatória 20. O sucesso do projeto depende de uma estreita articulação, desde logo científica, entre o Diretor do Centro e os vários doutorados da Escola. 21. A dinamização do Centro deve ser apoiada, nos termos do artigo 7.º do Regulamento do Centro de Investigação da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito, por um Conselho de Coordenação. Por outro lado, o sucesso do projeto e a mudança de paradigma de investigação que ele pretende alcançar, além de exigirem uma estreita articulação entre o Diretor do Centro e os vários doutorados da Escola, aconselham a mobilização de um pequeno grupo de jovens docentes que concluíram a elaboração da sua dissertação de doutoramento e pretendem dedicar-se plenamente à Faculdade. Neste sentido, a escolha do Conselho de Coordenação vai ser feita entre os mais jovens docentes que tenham concluído as respetivas dissertações de doutoramento, possuam uma grande disponibilidade para 5

6 abraçar o projeto, revelem uma vontade firme de inovar e sejam capazes de unir as várias estruturas que integram hoje a Escola. 22. Nos termos da autonomia organizatória do Centro, afigura-se igualmente fundamental a existência de um administrador executivo, que integre o Conselho de Coordenação e tenha como tarefa fundamental assegurar a gestão corrente do Centro, bem como a coordenação - não cientifica - dos projetos em curso. 6

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