CONFEA 21 a 25 de fevereiro de 2011



Documentos relacionados
EIXO 4 PLANEJAMENTO E GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA

Riscos de deslizamentos de encostas em áreas urbanas

Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais

GIDES Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão Integrada em Desastres Naturais

EIXO 4 PLANEJAMENTO E GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA

Soluciones para ciudades : La evolución de un proyecto que ayuda a construir ciudades sostenibles Erika Mota Associação Brasileira de Cimento

Ministério das Cidades MCidades

CEMADEN Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais

MINISTÉRIO DAS CIDADES CONSELHO DAS CIDADES RESOLUÇÃO RECOMENDADA N 75, DE 02 DE JULHO DE 2009

Atenção à Saúde e Saúde Mental em Situações de Desastres

Plano de Ação do Governo Federal para o período de chuvas. Sul e Sudeste

NOÇÕES GERAIS DE GERENCIAMENTO DE ÁREAS DE RISCO

Uso efetivo dos recursos providos por satélites orbitais na tomada de decisão para prevenção e gerenciamento de situações de emergência

VULNERABILIDADE, RESILIÊNCIA E ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

World Disaster Reduction Campaign Making Cities Resilient: Amadora is Getting Ready!

Mudanças Socioambientais Globais, Clima e Desastres Naturais

EIXO 4 PLANEJAMENTO E GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA. D 4.7 Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas (20h) (Aula 3: Monitoramento do PAC)

II Simpósio Brasileiro de Desastres Naturais e Tecnológicos

COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

PAC Programa de Aceleração do Crescimento. Retomada do planejamento no país. Marcel Olivi

F n i a n n a c n i c a i m a en e t n o Foco: Objetivo:

Secretaria de Estado da Defesa Civil

Trabalho Social em Programas de Habitação e Desenvolvimento Urbano: Entre o Ideal e o Concreto

Governo do Estado de Santa Catarina Grupo Reação SANTA CATARINA. O maior desastre de sua história

Prefeitura Municipal de Ipiranga do Norte

Trabalho Social nos Empreendimentos De Saneamento Básico

Bairros Cota na Serra do

Mudanças Climáticas e Desastres Naturais no Brasil - Desafios ao Desenvolvimento Urbano Resiliente

Incidência em políticas públicas: ampliando as possibilidades. Rafael Gioielli Instituto Votorantim / Brasil

Mudanças Climáticas Ações em SC SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL

Desenvolvimento de Pessoas na Administração Pública. Assembléia Legislativa do Estado de Säo Paulo 14 de outubro de 2008

Proposta de Pacto Federativo pela Alimentação Adequada e Saudável: uma agenda para os próximos anos

Diagnóstico, Monitoramento de Desastres Naturais com foco na Seca no Semiárido Nordestino

O COAP na perspectiva da gestão da Vigilância em Saúde. Sonia Brito Secretaria de Vigilância em Saúde

Gerência de Vigilância em Saúde Ambiental (GVISAM)

Lista de verificação (Check list) para planejamento e execução de Projetos

EIXO 5 GESTÃO DA POLÍTICA NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PROPOSTAS APROVADAS OBTIVERAM ENTRE 80 e 100% DOS VOTOS

Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão Integrada de Riscos de Desastres Naturais

GABINETE DO PREFEITO

Gestão de Risco de Desastres Naturais

Política metropolitana integrada de gestão dos riscos ambientais e de mudanças climáticas

SEMINÁRIOS TEMÁTICOS. Mesa 1: Produção Habitacional : programas de financiamento da habitação de interesse social

Programa de Capacitação Gerente Municipal de Convênios e Contratos - GMC

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS LABORATÓRIO DE ANÁLISE AMBIENTAL E GEOESPACIAL

Gestão de Riscos no Brasil

PROGRAMA COOPERAÇÃO TÉCNICA FUNASA. twitter.com/funasa

Mesa Redonda Universalização do saneamento e mobilização social em comunidades de baixa renda

A importância do papel do gestor local na garantia da sustentabilidade do PMCMV

Termos usados em Segurança Empresarial:

PLANO DE EDUCAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO: processo, participação e desafios. Seminário dos/as Trabalhadores/as da Educação Sindsep 24/09/2015

Estado do Rio Grande do Sul Secretaria da Saúde Complexo Regulador Estadual Central de Regulação das Urgências/SAMU. Nota Técnica nº 10

Curso de Gestão de Águas Pluviais

Gerenciamento de Riscos em Segurança da informação.

SECRETARIA DE GESTÃO ESTRATÉGICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS - ADMINISTRAÇÃO DIRETA

Governança AMIGA. Para baixar o modelo de como fazer PDTI:

P L A N O M U N I C I P A L D E S A N E A M E N T O B Á S I C O

Modelo básico para Plano Diretor de Defesa Civil CASA MILITAR COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

Iniciativas para o Fortalecimento da Ação Fiscal dos Municípios em Tributação Imobiliária

Detalhamento por Localizador

Prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos

Plano Decenal SUAS e o Plano Decenal : Como fazer a análise do SUAS que temos como projetar o SUAS que queremos

a) Título do Empreendimento Levantamento e monitoramento de áreas de risco na UGRHI-11 e apoio à Defesa Civil

CURSO DE LIDERES CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE DESASTRES - CEPED. Universidade Federal de Santa Catarina UFSC

Desafios e metas do Estado de São Paulo

A CAMPANHA INTERNACIONAL CIDADES RESILIENTES: A IMPORTÂNCIA DO NÍVEL LOCAL

CÂMARA TÉCNICA DE ARQUITETURA E URBANISMO HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL LEI ASSISTÊNCIA TÉCNICA PÚBLICA E GRATUITA

Técnicos municipais envolvidos com o tema

GIRH como Ferramenta de Adaptação às Mudanças Climáticas. Adaptação em Gestão das Águas

Em busca da sustentabilidade na gestão do saneamento: instrumentos de planejamento

FOME ZERO. O papel do Brasil na luta global contra a fome e a pobreza

Gerenciamento de Risco

APRESENTAÇÃO. Sistema de Gestão Ambiental - SGA & Certificação ISO SGA & ISO UMA VISÃO GERAL

E CONFLITOS. Painel: Habitação Popular e Mercados Informais (Regularização Fundiária) / Outros Temas de Interesse Geral

Curso Plano de Continuidade de Negócios

OPERAÇÕES URBANAS CONSORCIADAS Instrumentos de viabilização de projetos urbanos integrados

Vulnerabilidade x Resiliência em Cidades Brasileiras

RESTABELECIMENTO DE LAÇOS FAMILIARES

BOA GOVERNANÇA PARA GESTÃO SUSTENTÁVEL DAS ÁGUAS URBANAS PROGRAMA DRENURBS

BANCO CENTRAL DO BRASIL 2009/2010

Saneamento Básico: direito a um mínimo existencial para uma vida digna. Denise Muniz de Tarin Procurador de Justiça

SECRETARIA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL. Panorama da atuação de Proteção e Defesa Civil em Situações de Seca e Estiagem

Discurso da Senhora Coordenadora Residente No acto de abertura do Workshop Nacional de Redução de Riscos de Desastres. Praia, 10 de Dezembro de 2014

Recife (Pernambuco), Brazil

Recursos e Fontes de Financiamento

FINANCIAMENTO DO DESENVOLVIMENTO URBANO

POLÍTICA DE SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

BOAS PRÁTICAS NA GESTÃO DE PROJETOS DE BARRAGENS DE REJEITOS

SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA CIDADÃ - ADMINISTRAÇÃO DIRETA

VOLUNTARIADO e TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Missão. Objetivos Específicos

PREFEITURA DE BELO HORIZONTE

Planejamento Estratégico de Tecnologia da Informação PETI

TRANSPORTE DE PRODUTOS PERIGOSOS ANALISE DE RISCO ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA. Mauro Gomes de Moura

Transcrição:

CONFEA 21 a 25 de fevereiro de 2011 Prevenção de Catástrofes...da previsão ao controle Margareth Alheiros UFPE 22/02/2011

O que a sociedade sabe sobre Desastres? O que circula na imprensa: imagens com a recorrência dos desastres por chuvas intensas o perigo de morar em encostas e vales o sofrimento da população vitimada a ação insuficiente da defesa civil (Estado) a ação desorganizada do voluntariado as doações da sociedade civil e sua distribuição ineficaz a demora para recuperação das áreas afetadas a falta de profissionais qualificados a falta de planos de ação a lentidão na liberação de recursos

Relatório da ONU Desastres naturais atingem 7,5 milhões no Brasil; o País foi atingido por 60 catástrofes naturais entre 2000 a 2010, que deixaram 1,2 mil mortos. Debarati Guha-Sapir (ONU) criticou: "É surpreendente que o Brasil não esteja mais preparado para algo que ocorre com tanta frequência.

Opinião de autoridade política O ministro Mercadante disse em 2/fev/2011, que faltam profissionais especializados para a prevenção de desastres naturais no país. O Brasil forma poucos geólogos especializados. Hoje, temos apenas 100. Assim só poderíamos mapear 20 cidades por ano. Em sua palestra hoje, reforçou a necessidade de ampliar o contingente de engenheiros e especialistas para atender aos desafios do crescimento brasileiro. O Brasil tem 11 mil geólogos e forma 30 mil engenheiros por ano

Opinião de Especialistas Há competência instalada para reduzir desastres no Brasil; o que falta é fazer o conhecimento chegar aos gestores municipais. É nas cidades onde as pessoas moram e é lá que ocorrem os desastres; quase sempre não há competência técnica, suficiente para prevenir o desastre e para prestar o socorro adequado nas emergências. Um amplo programa de capacitação para técnicos e agentes de defesa civil municipal deve ser retomado nas cidades mais críticas

Como prever o desastre? PERGUNTAS BÁSICAS: I. PORQUE E COMO OCORREM : IDENTIFICAÇÃO (processos geológicos + uso e ocupação do solo) II. ONDE E QUANDO OCORREM: PREVISÃO (análise e mapeamento) III. COMO EVITAR OU REDUZIR : PREVENÇÃO (obras, remoções e ações de defesa civil)

Quais os conhecimentos indispensáveis? Na escala do município: O MAPA DE SUSCETIBILIDADE (ou perigo, ou risco potencial), contendo a área de influência dos processos do meio físico e hierarquização da sua probabilidade de ocorrência. Na escala urbana: A CARTA GEOTÉCNICA, contendo a delimitação espacial das áreas de influência dos processos do meio físico e uma análise das restrições e aptidões das diversas unidades para a ocupação urbana e sua expansão. Na escala da ocupação: O MAPA DE RISCO, contendo a delimitação espacial das áreas de risco, a análise da vulnerabilidades das ocupações, a hierarquização das situações de risco (baixo, medio, alto e muito alto)

Nova Friburgo (jan/2011) Nova Friburgo (maio/2010)

Suscetibilidade x Vulnerabilidade

SUSCETIBILIDADE

VULNERABILIDADE

Prevenção Sistemas de Alerta Sistema Semi-Automático de Análise de Dados Hidrometeorológicose Ambientais em Apoio ao Gerenciamento de Desastres Naturais Módulo de Mapeamento de Áreas de Risco SISMADEN INPE Mapeamento Municipal de Riscos e Vulnerabilidades a Desastres Naturais Módulo Climático Monitoramento in situ de Áreas de Risco Defesa Civil Informações Meteorológicas Climáticas e Hidrológicas Previsão e Observação de Extremos Sistema Semi-Automático de Monitoramento e Previsão de Desastres Naturais ANÁLISES ALERTAS U S U Á R I O S AÇÕES Cruzamento de informações de valores extremos meteorológicos e hidrológicos (previsões e observações) com potencial de deflagrar desastres naturais (deslizamentos em encostas, inundações e secas prolongadas, etc.) sobre áreas previamente identificadas como de risco.

Há diferença entre risco e desastre?

Há diferença entre risco e desastre?

Se há especificidades, devem ser tratados de forma distinta... mas A cultura da prevenção deve ser aplicada aos riscos e aos desastres Gestão para o Risco Gestão para os Desastres

Desafios do Estado Pobreza e desigualdade social Política habitacional não atende à demanda Descontinuidade nas ações de redução do risco Prazos longos para implementação de soluções Pouco investimento em organização social Falta intersetorialidade na gestão pública Falta educação contextualizada

Desafios da Sociedade Organização e Consciência Poder para influenciar a decisão Responsabilidade para a cidadania Boas escolhas políticas Exercício da cobrança e da fiscalização

Desafios do Desenvolvimento Concentração urbana Desenvolvimento industrial Melhoria da qualidade de vida Adequação à capacidade de mudança do ambiente Respeito à fragilidade dos espaços Rever conceitos e comportamentos frente às mudanças climáticas

Esta foi a década da Gestão... Diagnóstico Preliminar da Situação de Risco (2003) I Seminário de Redução de Riscos (Recife, 2003) Programa de Capacitação para a Redução de Riscos (presencial e à distancia 3 mil participantes) Elaboração dos Planos Municipais de Redução de Riscos (80 cidades mais críticas) Apoio a Projetos Básicos para obras de redução de risco II Seminário de Redução de Riscos (BH, 2006) Publicações Técnicas para a Redução de Riscos

A nova década exige investimentos... Urbanização de áreas de risco (saneamento ambiental: drenagem, esgotamento sanitário) Construção de moradias em escala, para atender ao déficit da população de baixa renda Relocação de moradias em áreas adequadas Controle de inundações (construção e operação de reservatórios e outras obras estruturadoras diques, comportas, desassoreamento, etc.) Fortalecimento da Defesa Civil e Controle Urbano (qualificação dos técnicos e gestores)

...com destinação efetiva de recursos... Recursos historicamente reduzidos do OGU para a Defesa Civil Nacional Nova MP Nº 494, de 2 de julho de 2010 Dispõe sobre o SINDEC, sobre as transferências de recursos para ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas por desastre, sobre o Fundo Especial para Calamidades Públicas, e dá outras providências. Recursos de emendas parlamentares (contingenciáveis) Recursos do PAC 2 (R$10 bilhões para inundações e R$ 1 bilhão para deslizamentos) Recursos do PAC minha casa minha vida, para urbanização de assentamentos precários (R$ 30 bilhões)

... sem descuidar da gestão... Há inúmeros exemplos de experiências virtuosas em gestão de risco municipal que se perdem por descontinuidades administrativas ou políticas; Experiências em vários países afetados por desastres mostram que o esforço para a sua redução, depende em grande parte das políticas públicas consistentes, da percepção do risco pelas comunidades vulneráveis, da sua confiança nas soluções compartilhadas e na sua capacidade de reagir às adversidades.

...e do fortalecimento institucional. MCidades: Há apenas uma ação orçamentária no OGU, cuja aplicação depende de regras casuísticas; falta uma política clara e um Plano Nacional de Ação, com % de recursos estabelecido; MI: A Defesa Civil Nacional precisa ser fortalecida para apoiar as ações nos municípios; Falta orçamento, qualificação técnica e equipamentos adequados; Outros Ministérios (Saúde, Educação, Ação Social) precisam assumir seus papeis indispensáveis ao desempenho das ações de Defesa Civil

Está começando um novo governo sintonizado com as políticas vigentes. Vamos consolidar uma política pública de redução de riscos e desastres, sintonizada com o conhecimento técnico e a organização social disponíveis?

Muito Obrigada, alheiros@ufpe.br