Título: A EVOLUÇÃO DO PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS Resumo Este trabalho apresenta tópicos que caracterizam a evolução do Programa de Aquisição de Alimentos PAA, no período de 2003 e 2012. Instituído em 2003, o PAA é uma política pública de articulação entre produção, comercialização e consumo. Como principais inovações destacam-se os Preços de referência para a agricultura familiar e a aquisição de produtos sem a necessidade de licitação. Podem participar do PAA como beneficiários fornecedores: agricultores familiares enquadrados no Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), assentados da reforma agrária, acampados, agroextrativistas, quilombolas, famílias atingidas por barragens, comunidades indígenas, entre outros. Nas operações executadas pela Conab, os agricultores familiares devem estar organizados em associações e cooperativas. Como Consumidores, podem participar instituições governamentais e não governamentais. Nesse trabalho serão abordadas apenas as modalidades operadas pela Conab: Compra Direta da Agricultura Familiar (CDAF), Compra da Agricultura Familiar com Doação Simultânea (CPR Doação) e Apoio à Formação de Estoques pela Agricultura Familiar (CPR Estoque). Observa-se que o volume de recursos aplicados vem crescendo ano a ano e que o programa proporciona acesso a uma alimentação diversificada para uma população em insegurança alimentar e nutricional (como crianças, idosos e portadores de necessidades especiais), valorizando a produção e a cultura alimentar e dinamizando a economia local, com repercussões sobre a auto-estima tanto de fornecedores quanto de consumidores. Palavras-chave: Agricultura Familiar, Políticas Públicas, Aquisições e Segurança Alimentar Abstract This work covers topics that characterize the evolution of the Food Purchase Program - FPP, between 2003 and 2012. Established in 2003, the FPP is a public policy coordination between production, marketing and consumption. As main innovations stand out the reference prices for family farmers and purchase products without having to bid. Can participate in the PAA as Suppliers: farmers framed in Pronaf (National Program for Strengthening Family Agriculture), agrarian reform settlers, camped, agroextractivist, maroon, families affected by dams, indigenous communities, among others. Farmers should be organized in associations and cooperatives. How Consumers can participate in governmental and nongovernmental institutions that meet people in a situation of food and nutritional insecurity. This work will address only the procedures operated by Conab: Buy Direct Family Agriculture (CDAF), Purchase Family Farming with Simultaneous Donation (Donation CPR) and Training Support Inventory for Family Agriculture (CPR Stock). It is observed that the volume of funds invested is growing year by year and that the program provides access to a diversified diet for a population food and nutrition insecurity (such as children, elderly, people with special needs), valuing production and food culture and boosting the local economy and affect selfesteem both as suppliers of consumers. Key words: Family Agriculture, Public Policy, Procurement and Food Security
1. INTRODUÇÃO O Programa de Aquisição de Alimentos PAA foi instituído pelo artigo 19 da Lei n.º 10.696 de 2 de julho de 2003, atualizado pela Lei n 12.512, de 14 de outubro de 2011 com regulamentação via Decreto nº 7.775, de 04/07/2012. Dentre seus objetivos destacam-se a geração de renda e sustentação de preços aos agricultores familiares, o fortalecimento do associativismo e do cooperativismo, o acesso a uma alimentação diversificada para uma população em situação de insegurança alimentar e nutricional. O Programa valoriza a produção e a cultura alimentar das populações, dinamizando a economia local, a formação de estoques estratégicos, a melhoria da qualidade dos produtos da agricultura familiar, o incentivo ao manejo agroecológico dos sistemas produtivos e o resgate e preservação da biodiversidade. O PAA é voltado para agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), juntamente com aquicultores, silvicultores, extrativistas, pescadores, povos indígenas e quilombolas conforme a Lei 11.326 de 24 de julho de 2006, assim como Povos e Comunidades Tradicionais qualificados de acordo com o Decreto n.º 6.040, de 07/02/2007. As modalidades de aquisição previstas pelo PAA incluem: 1) a Compra Direta da Agricultura Familiar - CDAF, 2) a Compra da Agricultura Familiar com Doação Simultânea - CPR-Doação, 3) a Formação de Estoque pela Agricultura Familiar - CPR-Estoque, 4) o Apoio à produção para o consumo do leite - PAA-Leite e 5) a Compra Institucional. As três primeiras são operacionalizadas pela Conab e as demais são executadas pelos estados e municípios, por meio de termos de adesão estabelecidos com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MDS. Neste trabalho, serão tratados apenas dos instrumentos sob responsabilidade da Conab. Entre 2003 e 2005, o PAA foi operado, exclusivamente, com recursos disponibilizados pelo MDS, e desenvolvido a partir de parcerias entre a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN), governos estaduais e municipais, além da Conab. A partir de 2006, o PAA passou a ter a participação do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar - SAF, com dotação orçamentária própria. Neste trabalho, serão abordados tópicos que caracterizam a evolução do Programa no período de 2003 e 2012. 2. RECURSOS APLICADOS Os recursos destinados à execução do PAA pela Conab têm sido incrementados significativamente desde sua implantação. No período de 2003 a 2012 foram investidos cerca de 2,7 bilhões de reais no Programa. Em 2012, o valor aplicado atingiu o patamar de R$ 586 milhões em aquisições, incremento de 723% em relação a 2003, conforme pode ser observado no Gráfico 1. A previsão de dispêndio em 2013 é de R$ 700 milhões, ou seja, cerca de 19% maior em relação ao ano anterior. Esse valor demonstra o reconhecimento do Governo na importância do PAA no contexto da estratégia Fome Zero. A Tabela 1 e o Gráfico 1 apresentam a evolução dos recursos aplicados nos anos de 2003 a 2012.
Tabela 1: Evolução dos recursos (R$) aplicados nos anos de 2003 a 2012, por região. ANO REGIÕES CENTRO-OESTE NORDESTE NORTE SUDESTE SUL TOTAL 2003 12.238.974 31.672.408 12.386.912 7.603.665 17.639.249 81.541.207 2004 3.386.094 42.307.978 28.391.528 8.903.396 24.196.831 107.185.826 2005 5.538.352 34.745.917 16.149.222 13.876.678 42.481.492 112.791.660 2006 10.045.899 54.857.717 17.812.507 32.440.707 85.510.564 200.667.394 2007 8.706.953 56.116.343 18.799.859 42.080.968 102.648.840 228.352.963 2008 9.893.516 80.838.353 15.679.112 73.486.284 93.032.175 272.929.439 2009 13.224.101 102.838.205 15.550.480 78.842.348 152.926.807 363.381.941 2010 21.400.943 121.858.906 28.348.787 79.151.714 128.975.115 379.735.466 2011 32.025.103 153.674.198 29.386.137 111.741.509 124.209.257 451.036.204 2012 43.282.942 153.226.887 37.722.673 131.776.716 220.557.912 586.567.131 TOTAL 159.742.876 832.136.912 220.227.218 579.903.985 992.178.243 2.784.189.233 Gráfico 1: Evolução dos recursos (R$) aplicados nos anos de 2003 a 2012. R$ 700.000.000 600.000.000 500.000.000 400.000.000 300.000.000 200.000.000 100.000.000 0 TOTAL 81.541.207 107.185.826 112.791.660 200.667.394 228.652.963 272.490.388 363.381.941 379.735.466 451.036.204 586.567.131
Em 2012, observa-se na Tabela 1, o aumento expressivo nos valores investidos nas regiões Sul e Centro-Oeste, aumentando o seu recurso em 78% e 35%, respectivamente, quando comparadas com o ano anterior. Os estados que mais contribuíram para o aumento de seus recursos em aquisição foram Amapá com 125%, Piauí com 111% e o Rio Grande do Sul com 96%. 3. NÚMERO DE FAMÍLIAS FONECEDORAS DE ALIMENTOS Um dos objetivos do PAA é atender o maior número de agricultores familiares, proporcionando oportunidades de acesso aos mercados, estruturação de relações comerciais, aprimoramento de seus processos de gestão interna, geração de renda, melhoria na qualidade de vida, estimulando o associativismo e a diversificação da produção, evitando, assim, o êxodo rural. Por esse motivo, a mensuração da quantidade de famílias de agricultores familiares participantes do programa é um dos seus principais indicadores. A Tabela 2 e o Gráfico 2 mostram o número de famílias de agricultores que participaram do PAA ao longo dos anos de 2003 a 2012. Tabela 2: Evolução do nº de famílias de agricultores, nos anos de 2003 a 2012, por região. REGIÕES ANO Fonte e Elaboração: C.OESTE CONAB/GECAF NORDESTE NORTE SUDESTE SUL TOTAL 2003 5.887 19.030 6.022 3.100 7.302 41.341 2004 1.608 20.439 13.757 3.685 10.182 49.671 2005No período 2.656 de 2003 a 16.315 2012 participaram 8.544 cerca de 6.091 840 mil famílias 18.369agricultoras. 51.975 Em 2012, 2006 houve um 4.450 aumento significativo 22.366 nas 8.620 Regiões Sul 13.520 (59%) e Centro-Oeste 37.587 (28%), 86.543 em relação 2007ao ano de 2.881 2011. Já os 22.334 Estados que 9.036 mais se destacaram 18.608 nesse 39.513 mesmo período 92.372 foram 2008 3.154 27.135 5.130 25.161 30.043 90.623 Piauí, com um aumento de 100%, Amapá, com 93% e Rio Grande do Sul, com 75%. 2009 3.855 29.064 5.386 22.041 37.994 98.340 2010 5.625 32.146 7.270 20.889 28.456 94.386 2011 7.480 38.595 7.175 26.935 26.415 106.600 2012 9.558 37.194 8.089 32.001 41.962 128.804 TOTAL 47.154 264.618 79.029 172.031 277.823 840.655
Gráfico 2: Evolução do nº de famílias de agricultores, nos anos de 2003 a 2012. Nº de agric. 140.000 128.804 120.000 100.000 80.000 86.543 92.372 90.623 98.340 94.386 106.600 60.000 40.000 41.341 49.671 51.975 20.000 0 O Programa está contribuindo para o aumento gradual dos recursos acessados por família, como pode ser observado no Gráfico 3. Podemos destacar cinco pontos fundamentais que contribuem para este incremento: a disseminação do programa em novos municípios, o estabelecimento de uma relação de confiança junto à Conab, o aumento gradual dos limites/dap/ano, a elevação da capacidade produtiva motivada pela garantia da aquisição e a agregação de valor à produção. Gráfico 3: Evolução dos recursos (R$) acessados por família, por ano. R$ 5.000 4.500 4.000 3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 Total 1.972,41 2.152,67 2.170,11 2.318,70 2.475,35 2.952,00 3.695,16 4.022,83 4.231,11 4.553,95
4. NÚMERO DE PROJETOS Dentre os instrumentos do PAA executados pela Conab, dois são operacionalizados por meio de projetos, sendo eles a CPR Estoque e a CPR Doação. A Tabela 5 e o Gráfico 5 mostram a evolução do número de projetos desses dois instrumentos nos anos de 2003 a 2012, totalizando 13.384 projetos. Tabela 5: Evolução do nº de projetos nos anos de 2003 a 2012, por região. ANO REGIÃO C.OESTE NORDESTE NORTE SUDESTE SUL TOTAL 2003 0 10 24 2 29 65 2004 0 50 30 51 113 244 2005 15 90 58 125 216 504 2006 38 299 109 208 273 927 2007 72 530 128 326 440 1.496 2008 96 696 140 519 353 1.804 2009 56 459 36 441 284 1.276 2010 143 871 214 478 361 2.067 2011 175 1.010 202 626 386 2.399 2012 219 1.017 198 747 421 2.602 TOTAL 814 5.032 1.139 3.523 2.876 13.384 Gráfico 5: Evolução do nº de projetos do PAA, de 2003 a 2012. Nº de projetos 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 0 TOTAL 65 244 504 927 1.496 1.804 1.276 2.067 2.399 2.602
Observa-se na Tabela 5, aumento significativo no número de projetos nas Regiões Centro-Oeste (25%) e Sudeste (19%) entre os anos de 2011 e 2012. Os Estados que se destacaram nesse incremento foram Goiás (43%) e São Paulo (42%). O número global de projetos aumentou ao longo dos anos, principalmente na modalidade CPR-Doação, por esta permitir a aquisição ao longo de todo o ano, contemplar maior diversidade de produtos (frutas, legumes, verduras, carnes, doces, peixes, produtos regionais e do extrativismo), ou seja, a participação do agricultor pode ocorrer com os produtos que ele já dispõe e que tradicionalmente cultiva em sua propriedade, valorizando os produtos locais. Além disso, contribui para o atendimento a populações em situação de pobreza e insegurança alimentar. 5. QUANTIDADE DE PRODUTO A quantidade de produto adquirida entre os anos de 2003 e 2012 oscilou conforme pode ser observado na Tabela 6 e no Gráfico 6. Tabela 6: Evolução da quantidade de produto (t) ANO REGIÃO C.OESTE NORDESTE NORTE SUDESTE SUL TOTAL 2003 31.382 41.133 17.749 12.673 32.307 135.244 2004 4.355 78.656 37.168 26.540 10.709 157.428 2005 10.924 102.582 19.446 10.855 12.634 156.440 2006 16.312 54.099 18.845 29.050 93.888 212.193 2007 9.570 37.945 19.305 30.533 106.232 203.585 2008 5.611 44.065 13.323 48.694 63.023 174.717 2009 11.583 67.234 11.817 58.277 138.264 287.174 2010 18.996 67.134 17.962 53.514 68.289 225.895 2011 16.378 85.358 18.237 76.611 89.057 285.641 2012 22.366 72.363 18.779 84.253 99.849 297.610 TOTAL 147.477 650.570 192.631 430.999 714.252 2.135.928
Gráfico 6: Quantidade (t) de produtos do PAA, de 2003 a 2012 tonelada 350.000 300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0 Total 135.244 157.428 156.440 212.193 203.585 174.717 287.174 225.895 285.641 297.610 Os motivos principais que levaram a tal oscilação foram as operações de CDAF e a tendência na aquisição de produtos com maior valor agregado, principalmente na CPR Doação. Os anos de 2006 e 2009 favoreceram a aquisição por meio da modalidade CDAF, visto que o preço dos produtos que são adquiridos por meio desse instrumento estavam abaixo do preço de referência. No ano de 2008, pode ser observada uma queda devido, principalmente à aquisição de leite em pó, que é um produto com bastante valor agregado e representou 95% da CDAF. Já em 2009, o valor operacionalizado com a CDAF correspondeu a 46% do total de recursos. Como a média de preço paga foi R$ 1,20, a quantidade de produto adquirida foi grande, o que explica a elevação observada de 2008 para 2009 no gráfico 6. Já a queda em 2010 ocorreu pela baixa operacionalização da CDAF, que correspondeu a 13% do valor total de recursos e pela tendência na aquisição de produtos com maior valor agregado, principalmente na CPR Doação, que foi a responsável pela operacionalização de 72% dos recursos. Observa-se na Tabela 6, aumento na quantidade de produto em todas as regiões, com exceção da Região Nordeste, entre os anos de 2011 e 2012. Os Estados que se destacaram foram Amapá, com um aumento de 125% e Roraima, com 139%. No período de 2003 a 2012, foram adquiridas 2.135.928 toneladas de produtos pelo PAA. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os números apresentados demonstram a evolução do Programa de Aquisição de Alimentos - PAA, vem atingindo seus principais objetivos, contribuindo assim para a geração de renda e sustentação de preços aos agricultores familiares e a promoção da segurança alimentar e nutricional das populações urbanas e rurais.
Além disso, o PAA tem contribuído para a manutenção da biodiversidade, por meio do apoio das comunidades indígenas e extrativistas que passaram de receptoras de cestas básicas para fornecedoras de alimentos para programas sociais do Estado e conservadores do bioma onde vivem. Desta forma, propiciou a inserção digna e respeitosa destas comunidades na sociedade local a partir do estabelecimento de relações sociais baseadas em uma percepção renovada, superando preconceitos e reconhecendo-os como cidadãos integrados na economia local e regional. 4 - BIBLIOGRAFIA CONAB, COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. PAA Evolução das operações. In: Agricultura e Abastecimento Alimentar: políticas públicas e mercado agrícola. Brasília: 548p.: il. Conab, 2009. MATTEI, L. Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA): Antecedentes, Concepção e Composição Geral do Programa. Disponível em: <http://www4.fct.unesp.br/nivaldo/pós-graduacao/lato.../texto3_paa>. 2005. Acesso em: 20 jan. 2010. MULLER, A. L. A construção das políticas públicas para a agricultura familiar no Brasil: o caso do Programa de Aquisição de Alimentos. 2007. Dissertação (Programa de Pós- Graduação em Desenvolvimento Rural) - Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. GERÊNCIA DE ACOMPANHAMENTO E CONTROLE DAS AÇÕES DA AGRICULTURA FAMILIAR GECAF Telefone: (61) 3312-6232 Gustavo Lund Viegas - Gerente Carla Azevedo dos Santos Viana Cleide Câmara Segurado Gerciane Carvalho De Araujo Lúcia Maêda Margarete Clara Chagas Gomes Thamisis Camila Piaskowski